Notícias

Aves sem habitat refugiam-se nas grandes metrópoles

(Foto: Reprodução)

É comum vermos em marquises de prédios e postes de eletricidade o aparecimento repentino de ninhos de aves que fazem do meio urbano seus novos habitats. Aos apreciadores das mais diversas espécies é a oportunidade de alimentar e atrair os pássaros que se aventuram nas cidades. Nas residências, potinhos com água, rações e sementes são chamarizes e garantem a presença dos animais silvestres que se arriscam em busca de comida nos grandes centros. A época de reprodução das aves nos meses de setembro e outubro intensifica a cantoria durante madrugadas.

Há dez meses o vendedor Reginaldo Ferrari, 38, observa o ninho de um casal de bem-te-vis construído há pelo menos dois anos em um poste de eletricidade, ao lado de um transformador. O habitat improvisado fica na Avenida Joaquim Nabuco, Centro de São Bernardo. “Da minha mesa consigo vê-los todos os dias. Gosto de ouvi-los cantando. Mesmo com chuva e sol fortes, barulho de carros e ambulâncias eles não vão embora. Provavelmente são prejudicados pelo desmatamento e procuram lugar para se alojar”, opina.

Para o ambientalista Virgílio Alcides de Farias, presidente da ONG MDV (Movimento de Defesa a Vida) atualmente há inversão de significados em relação à presença das aves nas metrópoles. “Não são os pássaros que invadiram a cidade. É o centro urbano e os seres humanos que estão ocupando o habitat dos animais ao destruírem florestas a qualquer custo. É natural que as aves fiquem sem ter para onde ir e acabam nessa loucura atrás de sobrevivência. Precisamos promover o desenvolvimento equilibrado sem que haja dano ambiental, pois, seja qual for a espécie, vai acabar morrendo de fome ou virando comida. Assisto a esta situação desde 1984. O ser humano é a pior espécie que Deus já criou.”

Ornitólogo afirma que readaptação de aves não é forçada

Para o ornitólogo Pedro Develey, autor do guia de campo Aves da Grande São Paulo, a presença de diversas espécies de aves em centros urbanos não é motivada pelo desmatamento e queimada em matas e florestas. “Isso acontece porque a cidade tem condição de abrigar as espécies. Originalmente a região da Grande SP é formada pela Mata Atlântica. Com o desenvolvimento urbano a vegetação foi substituída.”

De acordo com o especialista, as aves mais comuns de serem encontradas em áreas urbanas são os bem-te-vis e pardais. Mas há exceções. “Até o sabiá-laranjeira, (ave de floresta), pode ser encontrada em São Paulo.”

Hoje, no Grande ABC paulista, cerca de 130 espécies moram nas sete cidades, principalmente pela proximidade com a Serra do Mar. Rio Grande da Serra é o município com a maior área verde: 51,1%. Seguido por São Bernardo (48,1%), Santo André (44,8%), Ribeirão Pires (37,9%), Mauá (13,2%), Diadema (5,7%) e São Caetano, com (0,1%) de cobertura vegetal.

Com informações do Diário do Grande ABC

​Read More
Notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Por que quase nunca vemos filhotes de pomba?

As pombas estão espalhadas pelos centros, ruas e praças das grandes cidades do mundo. É complicado chegar nestes locais sem que se encontre um grupo de pombas bisbilhotando os cantos atrás de comida ou sujando as cabeças dos mais desavisados. Mas poucas pessoas param para se perguntar por que é difícil encontrar um filhote de pomba. Será que elas já “nascem adultas”?

Foto: Getty Image
Foto: Getty Image

O biólogo Oriel Nogali, do Setor de Aves da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, explicou que os filhotes de pomba só saem do ninho quando possuem uma plumagem semelhante à dos adultos. Devido ao metabolismo rápido, ao ingerir alimento em proporção quase equivalente ao peso corporal, os filhotes crescem em pouco tempo. “Os pais levam alimento aos filhotes até que os mesmos possam começar a voar e procurar alimento. Mas quando abandonam o ninho, eles já possuem o mesmo tamanho dos adultos”, disse.

Nogali afirmou que as pombas se reproduzem com muita facilidade e as ninhadas podem ficar aproximadamente dois meses junto dos pais – cada casal bota até cinco ovos. “A quantidade de filhotes aumenta conforme aumenta a disponibilidade de comida no ambiente onde estão”, avaliou.

Segundo Nogali, a pomba “comum”, conhecida cientificamente como columba livia, é estrangeira e costuma a construir o ninho em estruturas montadas pelo homem, como telhados de casas, edifícios, obras e galpões, diferente da espécie brasileira que procura galhos de árvores.

A espécie conseguiu tamanha adaptação ao convívio com o ser humano que as pessoas passaram a acreditar que as pombas sobrevivem e outros pássaros desaparecem nas metrópoles. “Encontramos pombas sempre em grande concentração, o que facilita a visualização. Além disso, a rotina de vida da população não permite que as pessoas observem todas as aves que estão perto de nós”, analisou.

Com informações do livro “Oh! Dúvida Cruel”, de Priscila Arida Velloso

Fonte: Terra

​Read More