De olho no planeta

Cientistas descobrem ecossistema que se alimenta de metano em cavernas mexicanas

Os cientistas completaram uma pesquisa sobre o ecossistema único e  publicaram suas descobertas na revista Nature Communications.

Foto: HP Hartmann/USGS

Durante a expedição à série de cavernas de Ox Bel Ha, localizada ao na costa de Yucatán, foram observadas diferentes camadas de água doce, água da chuva e água salgada do oceano. Há uma camada de água salobra, mas, como há poucas forças para que a mistura ocorra, ambas camadas ficam separadas.

Até agora, os especialistas acreditavam que pedaços de matéria orgânica em decomposição do solo da floresta eram a principal fonte de alimentos da base da cadeia alimentar da caverna. Mas a última pesquisa revela muito poucos restos. Em vez disso, a matéria dissolvida, incluindo o carbono e o metano, sustenta comunidades de bactérias semelhantes às localizadas nas infiltrações frias em torno do oceano profundo, informa o UPI.

“A descoberta de que o metano e outras formas de matéria orgânica dissolvida são o alicerce da cadeia alimentar nessas cavernas explica por que os animais adaptados à caverna podem prosperar na coluna de água em um habitat sem evidência visível de comida”, disse David Brankovits, pesquisador da Texas A & M University, em um comunicado para a imprensa.

A cadeia alimentar dentro da rede de cavernas é dominada por crustáceos, incluindo uma espécie única de camarão ajustava à vida na escuridão. O metano representa 21% da dieta do camarão.

O ecossistema da caverna inundada possui pouco oxigênio. O estudo sugere que o oceano está ficando menos oxigenado.

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Vaca em pasto
De olho no planeta

Emissões de metano de vacas exploradas pela agropecuária são 11% maiores do que o previsto

Um estudo publicado na Carbon Balance and Management atualizou as medidas utilizadas para o cálculo das emissões de metano de animais explorados por essa indústria e descobriu que, em 2011, elas foram 11% maiores do que as estimativas projetadas do IPCC, segundo o Ecowatch.

Vaca em pasto
Foto: Encyclopedia Britannica

Elas começaram a subir em 2007 após um abrandamento no início dos anos 2000. A pecuária não é “a maior contribuinte para o orçamento anual de metano na atmosfera. mas pode ser a maior contribuidora para o aumento do orçamento atmosférico nos últimos anos”, disse a autora principal da pesquisa Julie Wolf ao Washington Post.

O metano foi responsável por em torno de 16% das emissões globais de gases de efeito estufa em 2015, de acordo com o IPCC. O dióxido de carbono – produzido principalmente pela queima de combustíveis fósseis – é responsável por mais de três quartos das emissões de aquecimento do planeta”, completou.

“Conforme nossas dietas se tornam mais ricas em carne e laticínios, o  custo climático escondido de nossa comida tende a subir. As vacas emitindo menos metano podem não ser tão atraentes quanto as turbinas eólicas e os painéis solares, mas são tão vitais para as mudanças climáticas”, complementou o professor Dave Reay, da Edimburgo University.

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Você é o Repórter

Prova do ENEM apresenta questão contra a pecuária

Daniela
witchdany@yahoo.com

Foto: Divulgação

O ENEM 2011, realizado no último sábado (23), trouxe à luz um dos problemas associados à exploração pecuária no país: a emissão de gás metano.

O ENEM contou com mais 6 milhões inscritos, isso quer dizer que milhares de pessoas receberam essa informação, talvez pela primeira vez, e passarão adiante o problema causado à natureza e aos animais com tal prática exploratória e abusiva.

A questão que abordou o assunto, foi a 89a (veja a resolução), que dizia:

“De acordo com o relatório “A grande sombra da pecuária” (Livestock’s Long Shadow), feito pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, o gado é responsável por cerca de 18% do aquecimento global, uma contribuição maior que a do setor de transportes. Disponível em: www.conpet.gov.br. Acesso em: 22 jun. 2010.

A criação de gado em larga escala contribui para o aquecimento global por meio da emissão de:

a) metano durante o processo de digestão.
b) óxido nitroso durante o processo de ruminação.
c) clorofluorcabono durante o transporte de carne.
d) óxido nitroso durante o processo respiratório.
e) dióxido de enxofre durante o consumo de pastagens.

Divulgação
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Artigos

Ativismo eficiente: motivando as pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente a serem veganas

Além de estarem preocupadas com a saúde, há muitas pessoas hoje em dia que estão preocupadas com o meio ambiente. Com essas pessoas, a ligação entre o veganismo e o meio ambiente deve ser muito óbvia.

Confio que os ambientalistas sabem que a maneira como produzem carne é péssimo para o meio ambiente. Se uma pessoa quer ajudar a situação e salvar o planeta, é muito fácil: reduzir o consumo de carne e produtos derivados dos animais, ou melhor, ser vegano.

Conhecemos os fatos e vou fazer um resumo deles, mas o estudo da FDA tem uma investigação muito compreensível que fornece mais detalhes.

Não se pode negar que, para criar os bilhões de animais para fornecer “comida” para a população mundial, é preciso cultivar muitos grãos e usar muita água. Não só isso, os animais precisam de espaço, e isto significa que deve haver muita terra. Sabemos que, infelizmente, o uso de terra para criar os animais está contribuindo para a destruição dos habitats de outros animais. Quando os animais não têm mais lugar para poder viver, eles fogem, e vemos um aumento grande da extinção das espécies, ou uma perda da biodiversidade.

Se algumas pessoas tentarem justificar o consumo de carne com uma frase como: “Mas para cultivar os vegetais usam-se recursos (terra, água) também, só temos de lembrar-lhes de que há uma diferença grande entre o cultivo de vegetais e a produção de carne: o excremento. Os animais sempre vão produzir muito excremento. Isto causa a poluição das águas. Sim, é verdade que se pode usar o excremento como fertilizante, mas a quantidade de animais criados na produção de carne gera um excesso de excremento, que, eventualmente, depois de chover, vai entrar nos rios e poluí-los. Também os animais usam muita água durante a vida.

Alem da poluição das águas, com a produção de carne, temos também a poluição do ar e o aquecimento global. O gado, por exemplo, produz gases com metano e NO2.  O metano causa três vezes mais aquecimento que CO2. Com toda a atenção ao aquecimento global, seria difícil de encontrar um ambientalista que duvidaria do papel que os animais têm nesta equação.

Então, fazer a conexão entre o consumo de carne e a destruição deve ser muito fácil para os ambientalistas. A única dificuldade que eu vejo é que os ambientalistas não estão priorizando o que deve ser feito melhorar a situação. Sei que há muitas coisas que o consumidor pode fazer para ajudar a situação, e não estou dizendo que as sugestões não são importantes: estou de acordo que todos de nós devemos usar menos eletricidade, trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes, conservar e economizar água, usar transporte público etc. Mas acho que os ambientalistas priorizam o que faz mais diferença ao meio ambiente. O que pode fazer uma pessoa para realmente causar um impacto positivo? Ser vegano. Isto é mais importante que o transporte, segundo um estudo de Eschel e Martin na Universidade de Chicago (comparando a dieta vegana com o uso de um carro híbrido).

Não tenho dúvida de que os ambientalistas entendem os motivos para ser vegano ou vegetariano, então por que todos não estão ainda abraçando este estilo de vida? Acho que é uma questão de medo. Quando falei com os ambientalistas no congresso “Bioneers”, ninguém negou os fatos que apresentei sobre a conexão entre o consumo de carne com o meio ambiente. Eles sabem mais que o público em geral sobre os estudos, a ciência, as estatísticas. Eu achei essas pessoas muito bem educadas nos estudos de aquecimento global, dos problemas de poluição, e a ameaça eminente ao planeta. A razão principal que estas pessoas me deram quando perguntei por que ainda não são veganas foi: a percepção da população. Eles me contaram que não querem ser percebidos como radicais e muitos deles veem o movimento de veganismo como um movimento radical. Eles entendem bem que precisamos de mais pessoas adotando um estilo de vida mais “verde” e o argumento principal contra veganismo é que a população não vai querer mudar tanto o estilo de vida. 

Encontrei muitos ambientalistas que entendem a importância de ser vegano ou vegetariano e que adotaram uma dieta a favor do planeta, mas há muitas pessoas que ainda não, porque têm medo de perder o apoio da população. Falei com pessoas que são diretores de ONGs e mostrei que é importante ser um bom exemplo para as pessoas. Não vou doar dinheiro a uma ONG que diz estar trabalhando para salvar a floresta tropical se nas reuniões servem carne. É hipocrisia demais. Disse que, na minha opinião, as ONGs devem ser um modelo e exemplo para os membros e, servindo comida vegetariana/vegana, mostra ao público que a ONG está fazendo todo o possível para educar o público.

Então algumas estratégias que eu achei muito eficientes para motivar as pessoas preocupadas com o meio ambiente incluem:

– Oferecer ser palestrante nas reuniões para ONGs que tratam do assunto do meio ambiente. Como palestrante, pode-se falar sobre a conexão entre o consumo de carne e o meio ambiente. O bom é que a redução do consumo de carne e derivados é algo que cada pessoa pode fazer como parte da solução para salvar o planeta.

– Ter uma mesa com literatura sobre o veganismo e o meio ambiente durante as manifestações ou eventos sobre meio ambiente.

– Escrever cartas aos jornais e políticos mostrando as ligações entre o veganismo e um planeta mais saudável.

– Ser um ambientalista e ser mais ativo nas ONGs que tratam do assunto do meio ambiente. Os ativistas precisam uns dos outros e podemos nos ajudar a favor do planeta.

– Ser um bom exemplo como vegano e ambientalista. As pessoas notam o que fazemos na vida cotidiana, e isto vai ajudar de influenciar as outras pessoas.

– Se uma ONG estiver servindo comida durante as reuniões, sempre devem oferecer trazer comida vegana como uma boa opção a favor do meio ambiente e ajudar as pessoas a saber onde podem achar boa comida vegana/vegetariana.

– Sempre parabenizar as pessoas que estão reduzindo o consumo de carne e derivados. Devemos dar muito apoio às pessoas, e demonstrar agradecimento pela redução de qualquer quantidade vai motivar as pessoas (Lembrar que a redução é um bom começo, e que pouco é melhor que nada: se sete pessoas são vegetarianas um dia por semana, é como se tivéssemos um vegetariano a mais no mundo!).

– Colaborar com as ONGs. As instituições em prol do vegetarianismo/veganismo e direitos dos animais podem convidar os membros das ONGs em prol do meio ambiente para uma reunião. Temos uma meta que compartilhamos: um mundo sustentável sem sofrimento.

Temos mais poder junto com os ambientalistas e quem sabe quanta influência vamos ter um ao outro? É mais fácil optar por uma dieta sem animais que mudar o sistema político-socioeconômico. Como podemos tirar o poder das companhias internacionais agrícolas? Parar de consumir o que produzem: a carne.

Ao final, três vezes por dia temos oportunidade de decidir se vamos ser parte da solução ou parte do problema. Temos de lembrar que os seres humanos não são os únicos que chamam o nosso planeta de “casa” e temos a responsibilidade de fazer tudo que for possível para protegê-lo.

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Notícias

Consumo de carnes e laticínios causa 51% do gás estufa mundial

Consultores do Banco Mundial relataram em periódico deste bimestre que substituir derivados animais na alimentação, como carnes e laticínios, por análogos vegetais, daria resultados mais rápidos contra o aquecimento global do que ações que trocam combustíveis fósseis por energia renovável.

Segundo estudo divulgado pela organização de pesquisa ambiental World Watch Institute, de Washington, a pecuária seria responsável por pelo menos 51% das emissões dos gases estufa no mundo, ou 32,5 bilhões de toneladas.

Se abraçada pela comunidade internacional, a tese representa uma virada de mesa no debate sobre a mudança climática, geralmente focado na questão energética.

Os autores do estudo, Robert Goodland e Jeff Anhang, respectivamente consultor-chefe aposentado e especialista, ambos da área ambiental do Banco Mundial, avaliam que o percentual de 18% normalmente divulgado para medir o impacto da pecuária no aquecimento global está “extremamente subestimado”.

Mesmo a pesquisa anterior que estimava os 18%, da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), já dizia que a pecuária possui mais impacto no clima do que o setor dos transportes.

O Brasil apresentou no sábado passado (12), em Copenhague, estudo preliminar que responsabilizava só a pecuária bovina por ao menos 50% dos gases do efeito estufa no país.

Uma das fontes de gás estufa da pecuária desconsiderada, segundo os autores, é a emissão de gás carbônico devido à própria respiração dos rebanhos. A FAO afirma que a respiração dos rebanhos “faz parte de um sistema cíclico biológico”. E, pela reconversão do CO2 em compostos orgânicos, não está listada como uma fonte reconhecida de gás estufa sob o Protocolo de Kyoto.

Mas os autores ressaltam que o gado é “invenção e conveniência humana”. Com isso, “hoje, mais de dezenas de bilhões de animais criados pelo ser humano estão exalando mais CO2 que nos tempos pré-industriais”, enquanto a capacidade fotossintética da Terra declinou gravemente com a falta de cobertura vegetal, defendem.

Os autores indicam ainda que as terras também seriam mais bem usadas caso nelas fosse produzida diretamente comida para os humanos ou biocombustíveis, que poderiam substituir outras fontes de energia.

Metano

A FAO também destaca como ponto negativo o metano emitido pela digestão dos rebanhos. Este gás tem um potencial de aquecimento da Terra maior que o gás carbônico, mas sua duração na atmosfera é bem mais reduzida.

Goodland e Anhang apontam também que há emissões da pecuária alocadas em outros setores. Um exemplo é a criação de peixes e a pesca destinada à alimentação dos rebanhos.

Citam também o desperdício de partes não aproveitáveis dos animais, como ossos e gorduras incinerados; a cadeia paralela de subprodutos como couro e pele; e o cuidado sanitário maior no embalamento dos produtos da pecuária.

Mas eles vão ainda mais longe, ao consumidor final: consideram que o tempo de cozimento de alimentos derivados de animais é maior e isso leva ao uso de mais fluorocarbonetos e energia; além das emissões de carbono por tratamento médico de zoonoses e doenças degenerativas humanas devido ao consumo de derivados animais.

Soluções

Os autores indicam que neste contexto, a melhor estratégia na luta climática seria substituir produtos derivados de animais por análogos vegetais. Segundo seu estudo, apenas mudar o modo de produção ou tipo de carnes ou laticínios não teria uma redução significativa de seu impacto.

A bióloga Adriana Conceição, com especialização no impacto da pecuária bovina no Brasil, estima que medidas como alterar a dieta dos animais poderiam reduzir apenas cerca de 10% de seu impacto.

Ela considera pioneira esta recomendação vinda de uma organização como a World Watch: “Em geral recomenda-se trocar certas fontes de energia por outras melhores”, conta ela, “mas normalmente não se fala em substituição de alimentos.”

O estudo divulgado pela World Watch aponta a dificuldade que existe há muitos anos em se desenvolver tecnologias “verdes” para energia.

Assim, eles recomendam um esforço direcionado ao setor industrial para a oferta de “produtos análogos a carnes e laticínios” processados, como soja e diversos tipos de legumes e grãos.

Para viabilizar este novo movimento de mercado um significativo investimento em publicidade seria necessário, pois os produtos são novos para a maior parte dos consumidores. Recursos poderiam vir de fundos específicos para iniciativas de menor impacto de carbono na economia. E as embalagens poderiam ser diferenciadas mostrando o impacto de carbono dos alimentos.

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