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Promotora defende cardápio vegano implementado em escolas na Bahia

O Programa Escola Sustentável oferece aos alunos opções éticas, sustentáveis e saudáveis


A promotora Leticia Baird defendeu o cardápio vegano nas escolas públicas da Bahia. Instituições de quatro municípios – Serrinha, Teofilândia, Biritinga e Barrocas – foram contempladas com a alimentação livre de origem animal graças a importante atuação da promotora.

Foto: Terrence McCoy – Washington Post

A iniciativa é uma diretriz do Ministério Público da Bahia, estabelecida em 2018 em prol da sustentabilidade. Após os municípios serem convidados a assinar um termo de ajustamento de conduta, carnes, ovos e leite estão sendo progressivamente retirados da merenda escolar. Pasta de amendoim, pão vegano, carne de soja e outros alimentos vegetais estão sendo inseridos na alimentação dos alunos.

Atualmente, 40% do cardápio é de origem vegetal. O objetivo é que, no futuro, seja 100%. O projeto é apoiado pela ONG Humane Society International, que defende causas ambientais. As informações são da Gazeta do Povo.

No YouTube, a promotora aparece em vídeos nos quais defende os animais e alerta para o “perigo quase irreversível” dos dejetos de matadouros que contaminam a água e o solo. Ao jornal Washington Post, Letícia afirmou que, na Bahia, “encontrou uma culinária baseada em raízes, e que todos os nutrientes que ela precisa estão nos vegetais, além de estar tentando cortar o glúten”.

“Se uma alimentação à base de vegetais é mais barata financeiramente, custa menos para o meio ambiente e fornece igual suporte nutricional, por que o governo vai ter que comprar carne?”, defende. “Aquecimento global tá aí, emissão de gases do efeito estufa está aí, e qual é hoje a maior fonte de degradação ambiental atrelada a aquecimento global e gases poluentes? Sistema de produção alimentar”, completa.

O Programa Escola Sustentável foi idealizado pelo Ministério Público não só para garantir mais sustentabilidade, mas também para combater doenças causadas por produtos de origem animal, como a obesidade, o colesterol e a pressão alta. O órgão pretende, também, fomentar a agricultura familiar na região através do projeto.

“Modernamente, as entidades de pesquisa mais renomadas, inclusive The Lancet, que é a maior revista de publicação de medicina hoje no mundo, é muito antiga, Harvard, Stanford, Oxford, promovem esse tipo de alimentação”, diz a promotora. Segundo ela, o cardápio vegano garante melhorias na “qualidade da alimentação escolar, prevenção de doenças e melhor gestão de recursos públicos financeiros”.

“Não há na nossa legislação nenhuma norma que obrigue que a fonte seja de origem animal (…) os únicos itens obrigatórios são frutas e hortaliças. Não existe obrigatoriedade, não fala que é obrigatório usar ovo, leite, queijo, não existe”, continua.

Sobre a determinação feita em 2018 pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a respeito da necessidade de haver proteína animal no cardápio escolar, Letícia disse que “isso foi já em 2018, quando o programa já tinha sido lançado, então não há norma, não há lei”.

Sobre as pessoas que insistem em criticar o programa, a promotora afirmou que “talvez, exista um desajuste de informação quanto ao que hoje diz a ciência com relação à eficiência nutricional de uma alimentação à base de vegetais”. “É um descompasso desses críticos no que, modernamente, se sustenta sobre viabilidade nutricional, numa alimentação a base de vegetais”, reforçou.

De acordo com a coordenadora do projeto na região de Biritinga, Valdiceia Leão, inicialmente o programa encontrou resistência de algumas famílias. “Realmente, houve um impacto, até pela questão da cultura, houve um choque, teve reação”, explica. “Nós dissemos aos pais que seria gradativo e que, ao passo que a criança ia comendo, ia se adaptando”. Orgulhosa, Valdiceia conta que a filha, de 9 anos, não come carne. “Ela não come nada de doce, eu não dou, não deixo de jeito nenhum. E ama verdura. Não come carne, eu não dou carne, nem frango”, diz.

Em entrevista à Gazeta do Povo, a promotora defendeu a manutenção do programa, que oferece aos alunos opções éticas, sustentáveis e saudáveis. Confira abaixo.

Quando vocês substituírem 100%, e as pessoas que não… de repente vai ter alguém que não vai concordar com isso. Como é que fica essa questão?

Primeiro que a gente não chegou lá no 100% ainda, a gente está teorizando.

Mas pode ter gente que hoje mesmo, com 40%, não concorde, não é?

Quando você chega no hospital, para ser atendida, você pergunta se a marca da aspirina que ele vai te dar é x ou y ou você quer saber se a aspirina vai ter o mesmo efeito? É o que eu estou tentando dizer, e que a sociedade brasileira tem uma dificuldade para entender, porque nós ainda vemos o poder público de uma forma pessoalizada. Dinheiro público, recurso público não pode ser visto de acordo com as minhas preferências, meu gosto. Não, dinheiro público é escasso, não tem dinheiro para todas as coisas, então tem que fazer o máximo com o mínimo.

Se isso se mostra producente, sobre todas as perspectivas quando comparado a uma outra opção, o poder público nem pode ter escolha, porque é regido pelo princípio da eficiência. Infelizmente, a eficiência não é um princípio muito observado na prática da administração pública, e talvez por isso haja tanta divergência e essas ponderações das pessoas.

Hoje, por exemplo, se uma criança quisesse uma alimentação dessa [vegana], como é que isso seria? Pense o inverso, uma criança que por razões, não de saúde, até porque o acordo do MP, o TAC, tem uma cláusula muito expressa, se houver uma recomendação médica, de que a criança objetivamente precisa fazer uso, o governo vai ter que dar, se aquilo faz parte da saúde, uma prescrição médica fundamentada. Mas e uma criança que seja vegetariana, se ela for comer hoje na escola, vai ter arroz com charque. E aí? Ninguém pensa o outro lado?

Mas então não seria justo equilibrar o cardápio? E quando chegar em 100%? E essas crianças que querem comer carne?

É aquilo que eu acabei de falar, que talvez você ainda não compreendeu, a gente está falando de recurso público.

Tá, mas o recurso…

Mas o que?! Você vai escolher se o governo vai comprar ambulância branca que custa 100 mil?

Mas quando chegar a 100% vai tender a um lado, ao veganismo. E o outro lado?

Não, a questão não é veganismo. É utilização de recurso público, é isso que eu sempre tento deixar claro.

Mas vão continuar existindo pessoas que querem se alimentar com carne, não é?

Que comam em casa com o seu dinheiro, porque aqui a gente está falando de recurso público.


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Programas de nutrição escolar na Escócia podem incluir opções veganas

O projeto deve incentivar uma alimentação saudável entre os estudantes. (Crédito: Pixabay)

O governo escocês abriu, em 4 de junho, uma consulta pública a respeito dos requisitos para alimentação saudável nas escolas do país. A população vegana está sendo convidada a participar da consulta e pede que os membros do Parlamento ofereçam mais opções veganas em escolas públicas.

De acordo com a divulgação, a maioria das crianças no país não consome a quantidade necessária de frutas e vegetais durante o dia. Para mudar esse panorama, os ministros escoceses estão compromissados a implementar refeições mais saudáveis, baseadas em plantas. Em nota, eles afirmam estar comprometidos a formar crianças capazes de fazer escolhas saudáveis e viver uma vida longa, livres de doenças que podem ser evitadas.

O projeto escocês

A proposta tem como objetivo levantar o debate a respeito de quatro questões principais. O aumento do oferecimento de frutas e vegetais, a redução do fornecimento de comidas e bebidas ricas em açúcar, limite no consumo de carnes vermelhas e produtos processados e o oferecimento de opções mais saudáveis também para os estudantes do ensino fundamental.

Embora o documento propunha uma diminuição no consumo de carnes vermelhas, ele não indica que opções de refeições baseadas em plantas serão oferecidas. Em resposta a consulta, a PETA, em português, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, está pedindo que os veganos da região pressionem o governo para incluir mais alimentos de origem vegetal em suas escolas.

“Se trocarmos as refeições não saudáveis que são servidas hoje nas escolas por pratos coloridos e variados, de vegetais, grãos, sementes e frutas, eles podem aprender a gostar de alimentos que fazem bem”, afirmou a organização em nota. A publicação da PETA também propõe que as crianças não devem ser privadas daqueles alimentos que gostam, como hambúrgueres, nuggets e iogurtes, e afirma que existem opções mais saudáveis desses alimentos, feitas de frutas e vegetais.

Exemplos implementados

Algumas escolas ao redor do mundo já oferecem uma alimentação de origem vegetal aos estudantes. No Brasil, quatro cidades da Bahia fizeram história ao anunciar que implementariam refeições veganas nas merendas até 2019. O Programa ‘Escola Sustentável’ foi instalado nos municípios baianos de Serrinha, Barrocas, Biritinga e Teofilândia.

O projeto é uma parceria entre o Ministério Público da Bahia e a Humane Society Internacional no Brasil e tem como objetivo ajustar todas as refeições das escolas públicas escolhidas para 100% à base de vegetais até o final de 2019. A quantidade de carne, laticínios e ovos serão reduzidas 25% por semestre.

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Projeto de Lei que institui merenda vegetariana na rede escolar é aprovado

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Câmara de Florianópolis aprovou Projeto de Lei que institui no município a merenda vegetariana na rede escolar. O autor da iniciativa, vereador Afrânio Boppré (PSOL), deixa claro que a proposta é criar um cardápio opcional, pensando nas famílias vegetarianas. “Da mesma forma que o Estado é laico, não pode impor uma religião, também não deve decidir a dieta de uma família”, sustenta. De acordo com o PL 15203/2013, a Rede Municipal de Ensino deverá atender aos alunos cujos pais ou responsáveis requisitarem cardápio vegetariano à direção da escola. A nova lei não trará nenhum ônus aos cofres municipais, uma vez que a cidade não precisaria comprar alimentação diferenciada para estes alunos e sim apenas mudar o modo de preparo de alguns pratos.

Fonte: Visor

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Câmara aprova criação do programa municipal de merenda escolar vegetariana

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A Câmara Municipal de Florianópolis aprovou nesta quarta-feira, 17 de junho, em segunda votação, o Projeto de Lei nº 15.203/2013, de autoria do vereador Afrânio Boppré (PSOL), que institui o Programa Municipal de Merenda Escolar Vegetariana.

Segundo o texto do projeto, o Programa deverá atender com orientação nutricional todos os estudantes da rede municipal de ensino, cujos pais ou responsáveis requisitarem, frente à Direção da Escola, cardápio opcional. O projeto também pode ser realizado a partir de conteúdo programático das disciplinas afins da própria rede de ensino.

A intenção da proposta não é substituir a merenda de todos, mas sim respeitar as decisões alimentares de cada estudante, independente se a opção vegetariana seja de caráter científico, ambiental, religioso, filosófico ou ético. “A escola quando recepciona estudantes com orientação nutricional vegetariana não deve oferecer proposta oposta ao esforço familiar, dando plena liberdade para a educação alimentar. A escola deve inclusive ser um espaço para estimular hábitos de consumo saudáveis”, argumenta o vereador autor na justificativa do projeto.

Ainda de acordo com a matéria, o Programa não deve gerar um impacto financeiro adicional à Prefeitura, considerando que o Município tem recursos financeiros destinados à merenda escolar decorrentes de convênios com o governo federal.

O projeto segue agora para sanção do prefeito César Souza Junior. Caso o chefe do Executivo vete, a proposta retorna ao Legislativo para que os vereadores votem por manter ou derrubar o veto.

Fonte: CMF

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Audiência Pública será realizada em Florianópolis sobre merenda vegana nas escolas municipais

(da Redação)

merenda

Segundo o site Veggi & Tal e Olhar Animal, quarta-feira, dia 6 de agosto, às 13h45 será realizada uma audiência pública na qual será discutida a questão da introdução de merenda vegetariana/vegana nas escolas municipais, para que as crianças que não ingerem produtos animalizados não sejam mais obrigadas a fazer isso na escola.

Por estar em tramitação o Projeto de Lei [PL 15203/2013], escrito por Sônia T. Felipe e Maurício Varallo e proposto pelo Ver. Afrânio Tadeu Boppré, a Comissão da Saúde da Câmara dos Vereadores de Florianópolis, solicitou esta audiência para melhor debater o tema com a sociedade, bem como servir de subsídios para os encaminhamentos ao referido PL.

Para ler o texto do PL na íntegra clique aqui.

Evento no Facebook
Local: Plenarinho
Rua Anita Garibaldi, 35 Centro – Florianópolis

*na entrada eles indicam onde é o Plenarinho
Plenário da Câmara dos Vereadores de Florianópolis

 

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II Seminário Merenda Escolar Vegetariana em São Paulo

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), convida a todos para o II Seminário Merenda Escolar Vegetariana, que ocorrerá no dia 11 de novembro.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Seminário Merenda Escolar Vegetariana objetiva apresentar a alimentação centrada em vegetais como opção saudável, sustentável e ética para alunos de todas as faixas etárias em todos os níveis (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior).

Para isso, contaremos com a presença do vereador Roberto Tripoli, Alexandre Schneider (ex-secretário de educação de São Paulo), Eric Slywitch (coordenador do departamento de medicina e nutrição da SVB), entre outros.

Temas abordados:

– Reduzindo a Pegada Ecológica nas escolas e na administração pública

– Planejamento do Cardápio Saudável nas unidades escolares da cidade de São Paulo

– Obesidade Infantil – Benefícios Nutricionais de uma Merenda Vegetariana

– Merenda Vegetariana na Rede Municipal de Ensino de São Paulo

– Alimentação e Educação para a Cultura de Paz Data: 11 de novembro de 2013 (segunda-feira) Horário: das 14h às 18h Local: Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista – São Paulo (SP) Mais informações: eventos@svb.org.br / 11 3104-5282

Fonte: Eventick

Nota da Redação: Todas as discussões terão como foco a merenda vegana, sem a utilização de  nenhum tipo de carne, mas também sem a utilização de leites, ovos, mel e diversos outros produtos derivados da exploração animal.

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Governo francês proíbe opção de cardápio vegetariano nas escolas

Por Camila Arvoredo (da Redação)

Créditos foto: “One-voice.fr”

Mais de 20 pessoas se reuniram nesta quarta-feira (26), em frente da Direção Geral de Alimentação em Paris, para reclamar contra um decreto que prevê a obrigação de se servir carne nas cantinas escolares francesas, o que, segundo eles, viola a liberdade de consciência de certos usuários, afirmou a “Agence Française de Presse (AFP)”.

“Nós pedimos que exista respeito à liberdade de consciência, isto é, de ter o direito de se alimentar de refeições vegetarianas, seja por razões éticas ou religiosas”, disse a porta-voz da Associação de Proteção Animal L214 e da iniciativa cidadã pelos direitos dos vegetarianos.

Ela denunciou o lobby das filiais bovinas, dos produtos contendo restos de animais e da indústria leiteira sobre o Ministério da Agricultura.

“Não é normal que o governo proíba aos prefeitos de propor cardápios vegetarianos nas escolas, como fazem as prefeituras de Strasbourg e Marseille”, disse Brigitte.

Eles pediam pelo fim do decreto através de palavras de ordem como “Fim ao decreto dos cardápios escolares” ou ainda “Não ao decreto da indústria pecuarista”, agitando cartazes com a frase: “Laticínios obrigatórios a cada refeição = intoxicação nutricional”.

Sylvain de Smet, conselheiro regional da região de Ile-de-France e pertencente à coligação política “Europe Ecologie-Les Verts” (Europa Ecologia e “Ecologistas”) veio lhes dar apoio. “Pessoalmente, eu não sou vegetariano, mas eu acho o decreto completamente absurdo”, disse ele à AFP, denunciando a criação intensiva e seu impacto ecológico.

“Nós também devemos respeitar as convicções religiosas dos judeus e dos muçulmanos, para os quais as refeições vegetarianas são uma solução”, disse Smet.

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Secretário da Educação de SP compromete-se a fazer programa-piloto de merenda vegetariana em 2011

A Secretaria da Educação do município de São Paulo fará, em 2011, um projeto-piloto para o fornecimento de merenda escolar vegetariana para alunos da rede pública da cidade. Quem garantiu isso para o vereador Roberto Tripoli (PV) foi o secretário municipal de Educação, Alexandre Alves Schneider, ao participar, nesse 8 de novembro, da audiência pública para discutir o orçamento 2011 de sua pasta, na Câmara Municipal.

Schneider (ao microfone) garante projeto de merenda vegetariana (Foto: Fabio Lazzari)

Como se recorda, de 2009 para 2010, Tripoli destinou R$ 500 mil para a Educação, visando implantar esse projeto-piloto, mas o ano praticamente terminou e a iniciativa ficou no papel. Agora, o vereador ambientalista cobrou de Schneider uma iniciativa concreta em relação à merenda escolar vegetariana e questionou se será necessária uma nova emenda no orçamento para o projeto.

Schneider garantiu que “o vereador não precisa fazer outra emenda orçamentária. Nossa Secretaria vai fazer o projeto-piloto”. E Tripoli perguntou por que isso não foi feito em 2010, já que o mundo inteiro vem discutindo a redução do uso de carnes na alimentação, do ponto de vista ambiental inclusive.

E a cidade de São Paulo já aderiu ao movimento mundial Segunda Sem Carne. Além disso, a proposta de esclarecer alunos da rede pública para a importância de uma alimentação mais saudável com menos carnes e derivados foi uma das conclusões da Comissão de Estudos sobre Animais, presidida pelo vereador Tripoli durante cinco meses de 2009.  “Não tivemos pernas, mas faremos”, justificou o Secretário de Educação.

Fonte: Roberto Tripoli

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Número de escolas que oferecem refeições vegetarianas cresce 40% nos EUA

Por Renan Vicente de Andrade (da Redação)

O período de 12 a 16 de outubro é a Semana Nacional de Merenda Escolar nos EUA. Enquanto muitas escolas ainda servem carnes e nuggets de frango, uma recente pesquisa feita por todo o país pela School Nutrition Association (Associação de Nutrição Escolar, em tradução livre) mostrou que, praticamente, duas entre três escolas americanas, agora, oferecem almoços vegetarianos – um aumento de 40% se comparado a 2003.

Algumas escolas têm, inclusive, filas separadas para os que optarem pela refeição “livre de crueldade” (cruelty-free, no inglês).

Inspetores de uma escola da Califórnia dizem ter incorporados alimentos veganos ao cardápio escolar ao notarem a grande quantidade de alunos que recorriam, durante o almoço, a uma barraquinha de refeições vegetarianas que ficava nas proximidades da escola.

Segundo o Dr. Benjamin Spock, “crianças que crescem obtendo seus nutrientes de alimentos vegetais mais do que de alimentos animais têm uma larga vantagem na saúde. Elas são bem menos propensas a desenvolver problemas de obesidade, diabetes, pressão alta e várias formas de câncer”.

O Institute of Medicine of the National Academies (Instituto de Medicina das Academias Nacionais, em tradução livre) pediu às escolas que oferecessem menos alimentos animais para que as crianças não fiquem tão expostas a tantas dioxinas – toxinas cancerígenas encontradas na carne e no leite, e a American Dietetic Association (Associação Dietética Americana, em tradução livre) aprovou a implantação de uma dieta vegana para as crianças.

* Com informações de Opposing Views

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Menina vegetariana reivindica lanches mais saudáveis na escola. Filhas de Obama já possuem benefício

Por Marcela Couto (da Redação)

Com 8 anos de idade, Jasmine Messiah é uma vegetariana entusiasta, leva saladas e frutas todos os dias para a escola porque acha que a cantina só oferece alimentos que “não são saudáveis”.

O pôster a favor de lanches vegetarianos com Jasmine
"As filhas do presidente Obama têm lanches saudáveis na escola. Por que eu não?" Foto: Miami Herald

A garotinha de Miami tentou apresentar aos amigos os benefícios de ter uma dieta saudável – e agora ela é protagonista da campanha que visa persuadir o congresso para que as escolas ofereçam mais vegetais às crianças.

Pôsteres com a imagem da menina farão parte da campanha promovida pelo Physicians Committee for Responsible Medicine (Comitê pela medicina responsável – tradução livre).

O grupo gastou U$20,000 nos 15 pôsteres. Eles ficarão disponíveis por um mês em estações de trem como um esforço para influenciar o Congresso a rever a lei de nutrição infantil.

“A filha do presidente Obama tem lanches saudáveis na escola,” diz o pôster, referindo-se a Sasha e Malia, que estudam em uma escola particular onde lanches vegetarianos são oferecidos na cantina. “Por que eu não tenho?”

“Várias escolas, incluindo a minha, não oferecem frutas, vegetais e refeições vegetarianas,” escreveu Jasmine em uma carta endereçada às filhas de Obama.

“Nós sabemos que não há como oferecer tudo a todas as pessoas, mas certamente tentamos,” declarou a diretora administratriva responsável por refeições em escolas, Penny Parham. “Tentamos oferecer as melhores escolhas para as crianças, mas sempre há lugar para melhorias”.

O grupo entusiasta da campanha, pró-vegan e contra os testes em animais, espera que os legisladores enfatizem frutas e vegetais assim que a lei de nutrição e o programa de lanches escolares forem revisados.

Os lanches oferecidos normalmente variam entre carne e queijo, resultando em números recordes de obesidade infantil. O programa de lanches de 8 bilhões de dólares também parece fazer parte do lobby das indústrias da carne e leite, que acusaram o grupo de médicos de estar buscando uma “sociedade vegan”.

Jasmine começará a terceira série no fim do mês e pretende ser uma bióloga marinha. Ela chamou a atenção do grupo ao acompanhar sua mãe, a pediatra Sarah Messiah, durante uma pesquisa sobre obesidade infantil e suas conseqüências na Universidade de Miami.

Durante a reunião, Jasmine foi convidada a dar sua opinião . “Ela pegou o microfone e começou a falar,” disse sua mãe, que criou seus três filhos vegetarianos. “Eles queriam saber a opinião de uma criança sobre o programa de lanches, e ouviram a Jasmine falar sobre a importância da alimentação saudável”.

A menina espera que sua atitude leve outras crianças a adotar uma dieta vegetariana. “Às vezes eu levo brócolis e cenouras para a escola e meus amigos torcem o nariz, mas acho que se experimentassem iriam adorar,” disse Jasmine.

Com informações de Miami Herald

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Vanguarda Abolicionista

Paradigmas engolidos com a merenda

“Define-se o abuso ou maus-tratos pela existência de um sujeito em condições superiores – idade, força, posição social ou econômica, inteligência, autoridade – que comete um dano físico, psicológico ou sexual, contrariamente à vontade da vítima ou por consentimento obtido a partir de indução ou sedução enganosa”, diz a socióloga Suely Ferreira Deslandes. A sociedade enfrenta essa realidade no tocante a crianças, mulheres e idosos, basicamente, mas a relação que existe entre a humanidade e os demais animais moradores do planeta está dentro da definição.

Imaginemos o horror cada vez que o cavalo é acordado, às quatro horas da manhã, pelos barulhos de seu dono, sabendo que será mais um dia de exaustão puxando carroça, sem pausa nem sombra. Ou quando se acendem as luzes para mais uma rotina diária em um laboratório de testes, o pavor em cada coelho, macaco, rato ou similar? Ou ainda, exercitando nosso poder de nos colocarmos no lugar do outro, o mal-estar de uma vaca leiteira inchada artificialmente, presa pelo úbere a uma máquina, separada de seu bezerro. Todos poderiam estar livres.

A arrogância humana – ou de certos humanos, já que a maioria consiste  apenas em robozinhos do sistema – mantém confinados milhões de animais para que o preciosismo à mesa não possa faltar, ou para que a culinária esteja seguindo ‘os segredos da vovó’. Como mudar uma sociedade que elege como aceitável este ou aquele tipo de violência, ou considera compreensível, se for contra este ou aquele tipo de ser senciente? Condenar a China por comer cachorro apenas reforça o especismo que lateja dentro das pessoas, pois trata-se do animal mais presente na vida do cidadão médio, então deveria gozar de imunidade quanto às ‘necessidades’ alimentares. Quanto ao resto da fauna, está liberado para o uso na cozinha.

Ainda na escola, aprende-se quanto a animais úteis e animais nocivos, incutindo na cabeça das crianças conceitos questionáveis e tendenciosos. Aquela coisa de podermos/devermos pisar na aranha, mas não na abelha. Desde cedo o especismo, assim como outros preconceitos, entra por osmose no pensamento dos alunos, junto com regras de Português, nomes das Capitais brasileiras e quem era Dom Pedro I. Um pacote completo, e ‘valendo nota’, como os professores adoram assustar. Ninguém vai separar o que são conhecimentos gerais dos paradigmas engolidos diariamente com a merenda. Ainda mais quando se tem sete ou oito anos de idade.

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