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Melro-das-rochas, a pequena ave das penas azuis

Chega em Portugal nos meses de Verão para se reproduzir, apesar de não haver um número preciso sobre a quantidade de indivíduos que migram a cada temporada. É uma espécie ameaçada.

O melro-das-rochas é uma das aves mais difíceis de se observar. O seu habitat, sempre a mais de 800 metros de altura e em zonas rochosas, de vegetação rasteira, a faz também uma espécie pouco disseminada em Portugal. Mas, é um dos pássaros mais admirados (e procurados) pelos observadores de aves. Isso deve-se aos tons vivos azuis e alaranjados do macho, que são um autêntico espetáculo visual.

A penugem de cores exuberantes é por causa da necessidade do macho em demarcar e defender o território. Já a fêmea apresenta tons mais discretos, para evitar a aproximação de predadores dos ninhos. E é apenas durante o período de nidificação que pode ser observada, entre os meses de Abril e Agosto.

“Trata-se de uma espécie migradora, que vai da África para a Europa Mediterrânica, exclusivamente para se reproduzir nessas áreas”, explica Paulo Travassos, colaborador do Laboratório de Ecologia Aplicada da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro).

Apesar da sua ampla distribuição pelo mundo, que vai desde a Península Ibérica até à Ásia, “existe um número muito reduzido em Portugal, entre os 250 e os 2500 indivíduos”. A espécie procura as serras, sobretudo ao Norte e Centro de Portugal, “para cima da Serra de Aire e Candeeiros”, diz Paulo Travassos. De acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, o Parque Nacional da Peneda Gerês e a serra da Estrela apresentam populações de várias dezenas de casais, já na zona do Alvão-Marão, há registros da existência apenas de três a oito casais. Em toda a Europa, a espécie atinge um número que supera os cem mil casais.

No entanto, segundo o portal de aves, www.avibirds.com, “houve um declínio moderado entre 1970 e 1990. Apesar de ter estabilizado ou crescido em várias zonas da Europa entre 1990 e 2000, sofreu um declínio geral e a população ainda não recuperou o número de exemplares de antes do início do declínio”.

A espécie encontra-se classificada como “Em Perigo”. Paulo Travassos explica que “qualquer alteração no seu habitat ou mortalidade acentuada destes indivíduos, pode comprometer o futuro da espécie”. O fato de o melro-das-rochas se encontrar em diminuição é preocupante, uma vez que, “quando as populações animais desaparecem, geralmente significa que existe algum problema nos seus limites e ela vai sendo reduzida até ao seu núcleo”, acrescenta.

Em Portugal, o fato de existirem poucas zonas rochosas isoladas acima dos 800 metros piora o quadro de desaparecimento da espécie nessa região. No entanto, as ameaças nas zonas de maior altitude podem também estar relacionadas com o potencial interesse geológico da zona. Paulo Travassos explica que a espécie está “muito relacionada com zonas de xisto, de granito ou mesmo de calcário, que pode ser perigoso, pela sua destruição”. Além disso, são locais favoráveis à instalação de parques eólicos, o que “pode provocar a exclusão das aves pelo tamanho da estrutura móvel e pelo ruído”.

Fonte: DN

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