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Queimadas na Amazônia aumentam 196% em agosto e superam média histórica

Para a coordenação do Observatório do Clima, o recorde de queimadas registrado em 2019 é “o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do governo de Jair Bolsonaro”.


As queimadas na Amazônia quase triplicaram no mês de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 30.901 focos de incêndio até sábado (31). Em 2018, foram 10.421, o que representa um aumento de 196%. Os dados são do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Além do aumento em relação a agosto do ano passado, o número de queimadas registrado em agosto deste ano também supera a média histórica para o mês, de 25.853, para o período entre 1998 e 2018, e é também o mais alto desde agosto de 2010, quando 45.018 focos de incêndio foram registrados devido a uma seca severa histórica.

As queimadas estão sendo realizadas no chamado “arco do desmatamento” – que começa no Acre, passa por Rondônia, pelo sul do Amazonas, chega ao norte do Mato Grosso e também ao sudeste do Pará. Especialistas acreditam que o fogo tem sido usado para limpar áreas desmatadas.

Na sexta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro alterou um decreto assinado por ele um dia antes, que proibia queimadas em todo o país por 60 dias, e abriu uma exceção para “práticas agrícolas, fora da Amazônia Legal, quando imprescindíveis à realização da operação de colheita, desde que previamente autorizada pelo órgão ambiental estadual”.

A coordenação do Observatório do Clima, grupo que reúne aproximadamente 50 ONGs que lutam contra as mudanças climáticas, afirmou à revista Exame que o recorde de queimadas registrado em 2019 é “o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do governo de Jair Bolsonaro”.


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Focos de queimada na Amazônia superam média histórica de agosto

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados no domingo (25), concluíram que, mesmo antes de finalizar o mês, agosto já registra mais focos de queimada na Amazônia que a média dos últimos 21 anos.

Incêndio no Estado de Rondônia Foto: Greenpeace/ Divulgação

Foram registrados 25.934 focos de incêndio no bioma amazônico em apenas 25 dias do mês de agosto. O número está acima da média da série histórica para o mês, que registrou, entre 1998 e 2018, 25.853 focos. As informações são do G1.

Embora a diferença seja pequena, o pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, reforçou que o crescimento fez com que o mês de agosto ultrapassasse a média. E esse aumento deve ficar ainda mais acentuado, já que falta uma semana para o fim do mês.

A especialista em queimadas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, considera que os dados de agosto confirmam os alertas do Deter de junho e julho sobre o desmatamento que está diretamente relacionado com às queimadas.

Governo foi alertado antes do ‘dia do fogo’

No dia 7 de agosto, três dias antes do “dia do fogo” ser colocado em prática em Novo Progresso (PA) por mais de 70 sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros, o Ministério Público Federal (MPF) do Pará oficiou o Ibama para comunicar que produtores rurais pretendiam realizar uma queimada como forma de demonstrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro e as suas propostas de ataque à agenda ambiental. A documentação (veja abaixo) comprova que o alerta, ignorado pelo governo, foi feito pelo MPF.

O ofício cobrava que o Ibama fizesse um plano de contingência em caso de “confirmação do referido evento”. O jornal Folha do Progresso divulgou o plano dos fazendeiros de promover as queimadas.

Uma das páginas de ofício enviado pelo MPF ao Ibama (Foto: Ed.Globo)

O Ibama respondeu o ofício, no dia 12 de agosto, e afirmou que “a Coordenação de Operações de Fiscalização e o Núcleo de Inteligência da Superintendência do Pará haviam sido comunicadas sobre a iminência dos incidentes e ressalta que devido aos diversos ataques sofridos e à ausência do apoio da Polícia Militar do Pará” as ações de fiscalização estavam prejudicadas por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”.

No documento, assinado pelo gerente executivo substituto do Ibama, Roberto Victor Lacava e Silva, consta também que já haviam sido “expedidos ofícios solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”. O órgão ambiental afirma que não teve resposta sobre o pedido. Informações divulgadas pelo Globo Rural dão conta de que o MPF do Pará relatou ataques sofridos por funcionários do Ibama por parte de madeireiros e grileiros, sem proteção policial.

Países do G7 decidem ajudar a Amazônia

Durante reunião no sul da França, os países do G7 concordaram em ajudar as nações afetadas pelas queimadas na Amazônia. Eles prometeram agir “o mais rápido possível”, conforme anunciou no domingo (25) o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Há uma convergência real para dizer que todos concordamos em ajudar os países afetados por esses incêndios o mais rápido possível”, disse Macron, que é anfitrião da cúpula de países industrializados na cidade de Biarritz.

Emmanuel Macron, presidente da França (Foto: Mario De Fina /Fotoarena/Folhapress)

Macron afirmou que, diante dos pedidos de ajuda, feitos especialmente pela Colômbia, “nós devemos estar presentes”. Na sexta-feira (23), o presidente da França criticou a “inação” de Bolsonaro no combate às queimadas.

A pauta do reflorestamento, que deve ser executada a longo prazo, também foi abordada, de acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo Macron, “várias sensibilidades foram expressas em torno da mesa”.

“Mas o desafio da Amazônia para estes países e para a comunidade internacional é tal – em termos de biodiversidade, oxigênio, luta contra as mudanças climáticas – que nós precisamos fazer esse reflorestamento”, disse o presidente francês.


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