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Cerca de 23% dos americanos comeram menos carne em 2019

Os principais motivos são a preocupação com a saúde e com o meio ambiente


Mittmac/Pixabay

Pesquisas indicam que 23% dos nascidos nos Estados Unidos da América (EUA) – estão comendo menos carne. Os dados foram coletados em setembro de 2019 pela empresa de análise Gallup. Foram 2.431 entrevistas feitas por telefone com pessoas com idade superior a 17 anos. A maior parte dos entrevistados também informou adotar uma dieta flexitariana e ingerindo mais alimentos à base de plantas.

A pesquisa dividiu os grupos por gênero e cor. Os resultados mostram que as mulheres são duas vezes mais propensas que os homens a cortar a carne da alimentação diária. Já os não brancos (indígenas, amarelos e negros) têm taxa de redução maior que os brancos. A principal alternativa citada pelos entrevistados foi a substituição da carne por vegetais e outros ingredientes, representando a opção de 71% deles. Destes, 69% removeram completamente a carne de algumas de suas refeições.

Segundo informações do site Livekindly (4), a mudança na alimentação dos americanos possui dois principais fatores. O primeiro é a preocupação com a saúde, citado por 60% dos participantes. O segundo motivador é a preocupação ambiental, argumento de 49% dos entrevistados. Estes dois fatores são validados pela Comissão EAT-Lancet através da publicação “Comida, Planeta e Saúde”.

Para a Comissão, a melhora da saúde pessoal e planetária requer ao menos 50% de redução do consumo de carne vermelha e açúcar, além do aumento do consumo de frutas, legumes e leguminosas. No ano passado, o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas afirmou que comer menos carne resultaria em grande impacto na redução das mudanças climáticas.

Outra pesquisa neste sentido foi realizada pela empresa de inteligência de mercado Numerator. Para ela, 80% dos entrevistados afirmaram que gostariam de trocar a carne por alternativas veganas. Já a Nielsen, empresa de medição de dados, observou que a venda de carne à base de vegetais aumentou 10,2% em 2019. Este aumento está sendo relacionado àqueles que optaram por reduzir o consumo de carne e aos flexitarianos, termo utilizado para nomear os vegetarianos flexíveis. Ainda de acordo com a pesquisa da Nielsen, a carne vegana é o produto vegetal mais popular do mercado.


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Destaques, Notícias

Práticas abusivas no comércio de criação de animais são predominantes no cenário mundial

Os animais são expostos a brutalidades como cortar os tendões das pernas de vacas para impedir que se movam antes de serem mortas ou esfaquear repetidamente o pescoço dos animais


Embarcação que capotou com 14.000 ovelhas na Romênia/ Fotografia: Animals Internacional

O comércio global de animais praticamente quadruplicou nos últimos 50 anos, no entanto, a demanda quatro vezes maior, evidencia também as irregularidades com os animais, que são frequentemente expostos a riscos nas viagens de translado ou quando chegam aos seus destinos.

Anualmente, cerca de 2 bilhões de animais são transportados em caminhões ou navios e enviados para novos países, e 5 milhões são transportados diariamente. Essas viagens podem durar semanas.

É evidente também que com o crescimento do comércio, os lucros acompanhem tal processo. De acordo com o site The Guardian, em 1988, o comércio global de todos os animais vivos valia US $ 716 milhões; já em 2017, o número subiu para US$ 21 bilhões, de acordo com dados da Comtrade (repositório de estatísticas oficiais do comércio internacional e tabelas analíticas relevantes), enaltecendo que os números não incluem a inflação, mas que o aumento superou a inflação durante esse período.

Crescente de consumo de carne/ Gráfico The Guardian

Um dos aumentos mais significativos foi no Oriente Médio. Em 2016, somente a Arábia Saudita importou quase US$ 1 bilhão em animais vivos. Já na Ásia, a dependência de Hong Kong na importação de animais da China preocupa bastante com relação ao quanto o continente será dependente de carne nos próximos anos.

Enquanto alguns países dependem da exportação de carne, outros dependem da venda de seus animais, como por exemplo, a Romênia, que exporta mais de 2 milhões de ovelhas por ano. Países como Austrália, Dinamarca e Espanha também possuem grandes indústrias de exportação.

No entanto, o comércio assíduo de carne, leva a preocupações como a falta de supervisão de animais em trânsito e quando chegam aos seus destinos. A questão mais preocupante, além do transporte de animais inadequado, é a morte brutal nos matadouros e a propagação de doenças.

Ativistas e funcionários destacam que os grandes problemas se encontram principalmente nos portos e fronteiras, uma vez que os animais são mantidos em veículos quentes, antes de serem transportados aos navios e muitas vezes esses translados não são acompanhados de veterinários.

Além disso, os animais são expostos a práticas abusivas, como cortar os tendões das pernas de vacas para impedir que se movam antes de serem mortas, ou esfaquear repetidamente seus pescoços, como acontece em vários matadouros no Egito, Líbano e Arábia Saudita.

Segundo investigações do site The Guardian, os navios licenciados para transportar animais geralmente são velhos. Em novembro de 2019, um navio naufragou na Romênia e mais de 14 mil ovelhas se afogaram.

Os maiores problemas identificados são nos EUA, Reino Unido e França, no entanto, o site afirma que, segundo os especialistas, na Europa a tendência é semelhante.

É válido ressaltar que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) é a agência responsável por estabelecer padrões de saúde pública e animal e tem um papel na criação de regras para o bem-estar animal, mas não é responsável por garantir que essas regras sejam respeitadas ou  punir quem desrespeita, sendo essas responsabilidades destinadas aos governos de cada país.

O Dr. Matthew Stone, vice-diretor geral da Organização Mundial de Saúde Animal, declarou ao The Guardian: “Nossos padrões e estratégias para o bem-estar animal é a implementação de acordos bilaterais para o comércio de animais vivos que tratam de acordos de contingência durante o transporte, como falhas mecânicas ou eventos climáticos adversos e, principalmente, no contexto do comércio internacional, contingências por surtos de doenças ou eventos de saúde”.

Após muitas críticas, os governos da Nova Zelândia e da Austrália tomaram medidas para restringir as exportações de animais vivos, monitorando melhor o tráfego. No entanto, em outros países, a revisão permanece irregular.

Já no Reino Unido, Peter Stevenson, conselheiro político do grupo Compassion in World Farming (Compaixão na Agricultura Familiar), disse: “Existem leis internacionais sobre bem-estar animal em matadouros estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal, e não devemos enviar animais para lugares onde sabemos que estão sendo violadas”, afirmou.


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Notícias

Rapper Snoop Dogg serve salsichas veganas para promover café da manhã à base de vegetais em restaurante

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Snoop Dogg serviu de surpresa aos clientes de uma lanchonete americana, a Dunkin’,  o novo sanduíche Beyond Sausage (com salsicha vegana) em uma filial da loja em Los Angeles, EUA. O sanduíche produzido para um café da manhã vegano foi lançado quarta-feira última (6/11) em todo o país.

Em um vídeo postado no Instagram, a Dunkin’ disse que a lanchonete trouxe o “maior fã da Beyond Meat (empresa de carne vegana)” que eles conhecem – Snoop Dogg – para ser o funcionário do dia. Snoop atendeu no balcão e no drive-thru enquanto serviu o sanduíche “Beyond Sausage” para os clientes. “Você quer aquele bom gosto à base de vegetais?”, ele pergunta n clipe.

“Tenha um dia maravilhoso, ok?”, ele disse a um cliente no drive-thru. As pessoas ficaram compreensivelmente surpresas ao ver o famoso rapper “atrás do balcão da lanchonete” em Los Angeles.

Snoop Dogg e a Beyond Meat

Esta não é a primeira das promoções Beyond Meat que Snoop Dogg participa. Em maio passado, o rapper de 48 anos dirigiu um caminhão de comida em El Segundo, Califórnia – onde fica a sede da Beyond Meat – servindo hambúrgueres veganos em homenagem ao IPO (abertura de capital na bolsa de valores) da empresa. Ele também serviu Beyond Burgers (hambúrgueres à base de vegetais) na festa pré-Grammy (prêmio mundial da indústria musical) em fevereiro passado.

Demanda vegana e parceria

O Beyond Sausage Sandwich (sanduiche de salsicha vegana) estreou em 6 de novembro em todo o país, após um teste bem-sucedido em locais do bairro de Manhattan, na cidade de Nova York. O sanduíche apresenta uma salsicha para ser consumida no café da manhã (costume americano) à base de vegetais, feita pela Beyond Meat, que é sediada na Califórnia. Para tornar o café da manhã 100% vegano, basta retirar o ovo e o queijo. Vários que o fizeram, recomendaram a troca por batatas ao estilo rosti e ketchup.

A Dunkin’ pretendia apresentar o sanduíche Beyond Sausage em todo o país em janeiro de 2020, mas sua popularidade acelerou o lançamento. O sanduíche de café da manhã foi o mais vendido em Manhattan e as vendas alcançaram o dobro das expectativas.

Em entrevista à CNBC, o CEO da empresa David Hoffman sugeriu que o sanduíche Beyond Sausage seja apenas o começo do relacionamento da cadeia de lanchonetes com a Beyond Meat. “Acho que essa será uma parceria sólida para os próximos anos”, disse ele.

Com mais de 9 mil lojas em todo o país, a Dunkin’ é mais uma parceria de restaurante e com alto poder de consumo para a fabricante de carne vegana. Até o momento, a Beyond Meat tem parcerias com Carl´s Jr., Hardee´s, Denny´s e Tim Hortons. A empresa também conduziu testes de carne vegana com o McDonald’s, KFC e Subway.

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Tao do Bicho

Rock and roll e vegetarianismo: “Meat is Murder”!

Meat is Murder, lançado em fevereiro de 1985, foi o terceiro álbum da banda britânica The Smiths. Brilhante e muito bem-sucedido, o álbum ocupou a primeira posição nos principais canais da Grã-Bretanha durante 33 semanas e a primeira posição em canais alternativos por 64 semanas, algo sem precedentes! E mais, o título do álbum abriu os olhos de muitos jovens para a violência e brutalidade presentes em nossas escolhas alimentares baseadas em ingredientes provenientes de animais. Meat is Murder lamenta em tom de luto a desnecessária morte de seres sencientes, isto é, aqueles capazes de experimentar alegria, dor, medo etc.

A letra começa dizendo que “os lamentos chorosos da novilha são como o choro e os gritos humanos e que a bela criatura tem que morrer, embora sua morte seja sem razão. E morte sem razão é assassinato” (o verbo em inglês to cry pode ser chorar ou gritar):

Heifer whines, could be human cries
closer comes the screaming knife
this beautiful creature must die
this beautiful creature must die
a death for no reason
and death for reason is MURDER.

Mas a letra da música tem também um tom raivoso, já que coloca a culpa pelos assassinatos de animais inocentes diretamente no prato de quem os come: “A carne de peru ou novilha que fritamos ou cortamos em pedaços não é suculenta ou saborosa, é uma morte sem motivo e morte sem motivo é assassinato”. A letra termina com as perguntas: “Você sabe como os animais morrem? Quem ouve os gritos dos animais?”.

and the flesh you so fancifully fry
is not succulent, tasty or nice
it’s death for no reason
and death for no reason is MURDER
and the calf that you carve with a smile
is MURDER
and the turkey you festively slice
is MURDER
do you know how animals die?
who hears when animals cry?

Numa entrevista à revista pop britânica Melody Maker, em março de 1985, Morrissey, líder da banda, destaca ainda que a ligação entre a violência pessoal, em casa, e a violência institucionalizada, como a da indústria da carne e da guerra, estão completamente conectadas. Ele considera a violência contra seres humanos e a violência contra os animais como as duas faces de uma mesma moeda e destaca que, enquanto houver tanta violência contra os animais, haverá guerra. “Pode parecer absurdo, mas se você pensar seriamente no assunto faz sentido. Onde houver essa absoluta falta de sensibilidade no que tange à vida, sempre haverá guerra”, diz ele.

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