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Morte força elefantas a se despedirem após 40 anos de exploração em circo

Após a elefanta Guida morrer, na segunda-feira (24), no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), iniciou-se um processo de despedida entre ela e Maia, que a acompanhou por décadas. As duas foram exploradas durante 40 anos por um circo e há dois anos e oito meses viviam no santuário. O SEB é o único lugar destinado à conservação de elefantes na América Latina.

Guida, caída ao chão, já morta, e Maia ao seu lado, despedindo-se (Foto: SEB)

Segundo estimativas do santuário, Guida e Maia têm entre 45 e 47 anos. A suspeita do SEB é de que elas tenham vindo para o Brasil após serem traficadas da Tailândia para serem exploradas em espetáculos circenses. As informações são da BBC News Brasil.

“Elas chegaram ao Brasil ainda filhotes. Existe um método que chamam de sensibilização, no qual dizem que o quanto antes tirar o elefante da mãe, mais fácil será para que ele se torne submisso. Esses animais costumam ser espancados para obedecer ordens”, conta um dos diretores do santuário, o biólogo Daniel Moura.

A exploração de animais em circos é ilegal no Brasil em 12 estados. Um projeto de lei federal, em tramitação há anos na Câmara dos Deputados, pretende proibir a prática em todo o Brasil. A medida, no entanto, segue sem prazo para ser colocada em votação.

Maia e Guida se tornaram amigas inseparáveis (Foto: SEB)

Na época em que eram exploradas para entretenimento humano, Maia e Guida chegavam a viajar acorrentadas e amontoadas em um trailer com mais dois camelos. Elas foram retiradas de um circo na Bahia em 2010, em uma ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). De lá, foram encaminhadas para um sítio em Paraguaçu (MG), onde viveram acorrentadas por longos seis anos.

Quando viviam no sítio, as elefantas tinham uma relação turbulenta. Para que não brigassem, eram mantidas afastadas. Segundo especialistas, isso acontecia devido ao estresse gerado pela falta de espaço no local, que dificultava o convívio entre os animais.

Depois de tanto sofrimento, as elefantas asiáticas finalmente puderam passar a ter uma vida boa. Em outubro de 2016, elas percorreram 1,6 mil quilômetros, dentro de contêineres, para serem levadas de Minas Gerais ao Mato Grosso. As duas foram as primeiras moradoras do SEB, um local de 1,1 mil hectares que antigamente era usado para abrigar bois explorados para consumo humano e que hoje é a casa de elefantes resgatados. A manutenção do santuário é feita por meio de doações vindas do exterior e do Brasil.

Os problemas de convivência entre as elefantas se findaram assim que elas chegaram ao santuário. No local, que não é aberto ao público para evitar incômodo aos animais, elas se tornaram grandes amigas.

Maia e Guida eram exploradas e maltratadas em circo (Foto: Reprodução / YouTube)

A qualidade de vida proporcionada pelo SEB fez com que Maia perdesse o título de “garota má” e se mostrasse um animal mais dócil. Guida, que chegou no local abaixo do peso, ganhou 400 quilos no primeiro ano em que viveu na fazenda. A tristeza que ela tinha deu lugar a um animal brincalhão e desbravador, que passou a conhecer a natureza, direito que lhe foi tirado por tantos anos.

No santuário, as duas tinham 29 hectares adaptados para que pudessem circular com o apoio necessário da mata. Neles, elas passeavam durante todo o dia. No espaço destinado a elas, há área médica, tanques de água e setor de alimentação.

De acordo com especialistas, Maia já está próxima da velhice, assim como Guida também estava. Isso porque, apesar de elefantes serem considerados idosos a partir dos 60 anos, a expectativa de vida daqueles que são forçados a viver em cativeiro é menor, entrando na velhice aos 50 anos.

Embora as duas tivessem muita coisas em comum, havia também diferenças. Maia costuma fazer movimentos bruscos e involuntários, o que faz com que seja considerada levemente desajeitada. A elefanta é também um pouco exigente com comida. Guida, por sua vez, era mais tranquila e costumava comer sempre três folhas de uma árvore, duas de outra e uma de palmeira. “Ela é uma dama”, diziam aqueles que conviviam com Guida.

Para o presidente do SEB, o norte-americano Scott Blais, a relação das elefantas era extremamente positiva.

“Elas eram praticamente inseparáveis e celebravam suas vidas dentro do santuário, emitindo alguns trombeteios de alegria”, comenta.

Rana (meio) passou a viver com Maia e Guida no ano passado (Foto: Patrícia Santos)

As duas, no entanto, não eram as únicas a viver no santuário, que em dezembro de 2018 recebeu a elefanta asiática Rana, que também sofreu maus-tratos em circos por décadas e que se tornou companheira de Guida e de Maia.

Atualmente, o SEB trabalha para levar para a fazenda outros elefantes vítimas de exploração e maus-tratos, advindos do Brasil e de outros países da América Latina, mas ainda não há prazo para que isso ocorra.

“Estamos resolvendo as questões burocráticas, que levam tempo”, justifica Daniel Moura.

A despedida

Guida morreu logo após ficar presa em um das trilhas que fazia no santuário. Os veterinários a auxiliaram e ficaram surpresos com o cansaço e a fraqueza do animal, que sempre foi considerado forte e que costumava desbravar diversas áreas do SEB.

Após ser auxiliada para sair da trilha, Guida deitou no chão, momento em que os profissionais fizeram a aplicação de soro intravenoso nela, a medicaram e colheram amostras de sangue.

“Após algum tempo, a respiração dela começou a oscilar até que simplesmente parou de respirar”, relata a americana Kat Blais, vice-presidente do santuário.

Sem demonstrar qualquer sinal de que pudesse estar sentindo dores, Guida morreu, de maneira silenciosa. “Ela se foi em paz. Não esperávamos que ela se fosse”, relata Kat.

Maia (à esquerda) e Guida (à direita) (Foto: SEB)

Scott, que há mais de trinta anos trabalha com elefantes, acredita que as décadas de maus-tratos colaboraram para fragilizar a saúde de Guida. “Tragicamente, os danos cumulativos causados pela negligência do cativeiro podem criar impactos devastadores e inesperados na vida dos elefantes”, afirma.

“Impossível imaginar que Guida não estará mais lá quando formos cuidar das meninas. Muito difícil aceitar que seus trombeteios infantis do dia anterior foram os últimos que ouvimos”, lamenta Kat.

Ao ver a companheira morta, Maia se aproximou, hesitante, e em um primeiro momento manteve a tromba distante do corpo de Guida. Em seguida, cheirou lentamente a amiga e de distanciou.

“Após alguns momentos tocando e cheirando Guida, ela conseguiu entender o que aconteceu”, afirma a vice-presidente do SEB.

“Esse processo [de luto] será particularmente difícil para a Maia. Ela precisará de tempo para se adaptar. Não há dúvida de que ela e todo nós carregaremos, em nossos corações, a alegria pura e plena que a Guida dividiu com todos que tiveram a chance de conhecê-la”, diz Scott.

A partida de Guida deixou Maia calada e desorientada. Em respeito a dor da elefanta, os veterinários a deixaram sozinha por um tempo na companhia de Guida. Rana assistiu a cena, de longe e em silêncio.

“É devastador olhar para Maia e saber que ela perdeu sua melhor amiga poucos anos depois de ter, realmente, a encontrado”, lamenta Kat.

Durante a madrugada de terça-feira (25), Maia se manteve perto de Guida e, no decorrer do dia, várias vezes observou o corpo, em silêncio. Assim como Rana que, igualmente silenciosa, aproximou-se de Guida em diversos momentos.

As elefantas criaram forte vínculo de amizade (Foto: SEB)

“Permitimos que elas ficassem com Guida durante a noite, tendo o tempo necessário para prestar suas homenagens e se despedirem dela. É comum que elefantes honrem a morte dos membros de sua família”, afirma Scott.

A presença de Maia ao lado do corpo se estendeu durante a madrugada de quarta-feira (26). Ela apenas se afastou com a chegada de uma equipe de patologistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que esteve no local para realizar a necropsia do corpo. As causas da morte serão investigadas por especialistas, mas não há previsão para liberação dos resultados dos exames.

De acordo com representantes do SEB, não há suspeitas sobre o que motivou a morte de Guida. “Ela estava muito bem dias antes. O falecimento dela foi uma surpresa. O que imaginamos é que há impacto do período em que ela sofreu maus-tratos e exploração”, diz Daniel Moura.

O corpo da elefanta foi enterrado em uma área do santuário.


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Ativistas pedem que Maia paute PL que proíbe o abate de jumentos

Nos últimos anos, alguns criadores e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate desses animais (Foto: Divulgação)

Criado pelo deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), o PL 1218/2019 quer elevar o jumento a patrimônio nacional e proibir o abate do animal em todo o país. Atualmente a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos tem feito um apelo a todos que são contra o envio dos jumentos aos matadouros para enviarem mensagens via Instagram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A recomendação é pedir que Maia paute o projeto e o envie para votação na Semana Nacional dos Projetos da Causa Animal em agosto. Segundo Izar, não há como aceitar os maus-tratos a que estão sendo submetidos esses animais, apenas visando a exploração comercial.

Inserido na cultura brasileira, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos. Porém, recentemente passaram a ser considerados desnecessários para essa finalidade.

Por isso, nos últimos anos alguns criadores de animais e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate dos jumentos, inclusive daqueles que são abandonados pelos proprietários – o que é uma solução fácil e inadequada para um problema complexo.

Além disso, o consumo da carne de jumento não faz parte dos hábitos dos brasileiros, até porque há uma relação de familiaridade e consideração que se perpetuou culturalmente em relação aos jumentos a partir do século 16.

No entanto, a China que mata cerca de 1,5 milhão de jumentos por ano, tanto para o consumo de carne quanto para a utilização na medicina chinesa, tem dialogado com o governo brasileiro desde 2015, onde a criação de jumentos é uma tradição, na tentativa de intensificar a exportação desses animais com finalidade de abate.

Em 1977, Chico Buarque já cantava sobre a cruel realidade servil desse animal na música “O Jumento”: “Jumento não é o grande malandro da praça. Trabalha, trabalha de graça. Não agrada ninguém. Nem nome não tem…”

Uma prova de que o valor atribuído ao jumento normalmente se resume à sua força é que os animais mais fortes podem não ter preço, mas aqueles que já apresentam algum tipo de desgaste, não raramente são abandonados, abatidos ou comercializados por não mais do que alguns reais.

Rodrigo Maia no Instagram: @rodrigomaiarj

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Uma das elefantas acolhidos pelo santuário
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Elefantas exploradas em circo comemoram 1º ano em santuário na Chapada dos Guimarães (MT)

Para comemorar o aniversário da chegada das elefantas, o Santuário está organizando um evento beneficente no dia 14, no Restaurante do Mirante Alto do Céu, um dos lugares mais bonitos da região. As vagas são limitadas. Haverá degustação de drink feijoada vegana e outras refeições serão servidas O valor da reserva é de R$ 70 por pessoa até o dia 07. As informações do evento que é uma realização do Santuário dos Elefantes podem ser conferidas aqui.

Uma das elefantas acolhidos pelo santuário
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“Agradecemos a todos os apoiadores que tornaram possível a criação do SEB, a vinda das primeiras habitantes e a contínua ampliação de seu habitat! Mas ainda precisamos da ajuda de todos: além da ampliação do habitat das elefantas asiáticas, estamos construindo o setor de fêmeas africanas e, em breve, temos que dar início ao setor de machos asiáticos”, diz a página.

As duas elefantas saíram de Paraguaçu, em Minas Gerais. Elas foram transportadas em duas carretas escoltadas com a equipe responsável por monitorar os elefantes durante a viagem. Maia pesa 3.600 kg, e Guida 3.100 kg. Ambas têm idade superior a 40 anos.

Maia e Guida foram separadas de suas famílias ainda na infância e eram exploradas como entretenimento em um circo. Elas foram resgatadas após uma ação do Ministério Público da Bahia e viviam em uma propriedade rural no interior de Minas Gerais. Atualmente, moram no santuário numa área localizada na Chapada dos Guimarães com 1,1 mil hectares e com capacidade para abrigar 50 elefantes.

A adaptação das elefantas tem sido satisfatória. A ONG visa trazer novos moradores para o Santuário dos Elefantes com a ajuda de doações

O projeto vive totalmente de doações de empresas e de pessoas físicas, não há dinheiro público. A ideia da criação do Santuário de Elefantes, o primeiro da América Latina, foi da publicitária Junia Machado, depois de se solidarizar com a causa.

Fonte: Diário de Cuiabá

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Maia e Guida, duas elefantes iniciam uma viagem até Chapada dos Guimarães (MT)

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É uma operação delicada: Guida pesa 3.100 kg e Maia pesa 3.600. Para efeito de comparação, um Fiat Uno sai da fábrica com 909 kg. Dois caminhões levarão as elefantes, que serão acondicionadas separadamente em caixas de transporte feitas especialmente para esse fim, de metal.

As caixas possuem câmeras de vídeo, pelas quais a equipe irá monitorar o comportamento dos animais durante o trajeto. Só pessoas essenciais ao transporte e ao bem-estar dos animais poderão se aproximar dos contêineres. Na véspera da viagem, as caixas foram deixadas abertas para que elas pudessem se acostumar com elas.

Os custos da viagem ainda não foram totalizados pelos organizadores. Só as caixas para transportar as elefantes custaram R$ 80 mil. Uma parte do dinheiro veio de doações através de uma plataforma digital de financiamento coletivo.

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Quem são as essas meninas?
Maia, 44, e Guida, 42, foram resgatadas pelo Ministério Público da Bahia do Circo Internacional Portugal em 2010. Após ser assinado um termo de ajustamento de conduta (TAC), as elefantes passaram a viver em um sítio em Paraguaçu, no sul de Minas Gerais, de propriedade do advogado do circo, Giuliano Vettori.

Aos 44 anos (aproximadamente), Maia pesa 3.600 kg e é “elétrica”, como uma criança arteira.

Segundo a promotora Sophia Mesquita David, responsável pelo caso, um inquérito aberto em 2013 concluiu que as elefantes não sofriam maus-tratos no sítio. Elas estavam acorrentadas, mas os tratadores tinham o cuidado de sempre mudar a corrente de patas, para não criar feridas.

Apesar de não haver maus-tratos, a situação era inadequada. Faltava, por exemplo, pessoal especializado para lidar com os animais.

A preocupação da Promotoria era dar a Guida e Maia uma solução definitiva que garantisse o bem-estar dos animais. Em maio deste ano, outro TAC foi assinado, acertando a transferência de Maia e Guida para o santuário no Mato Grosso.

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Até este domingo, as duas dividiam um cercado de 1.500 metros quadrados. Uma de suas pernas ficavam acorrentadas para que elas não escapassem (algo decidido depois que elas aprenderam a derrubar a cerca), e dois fios de alta tensão as separavam. Apenas suas trombas podiam se tocar.

Do passado de Maia e Guida, sabe-se muito pouco, já que a ONG Santuário de Elefantes Brasil não recebeu nenhuma documentação com o histórico das duas. O que se sabe sobre elas vem de relatos de tratadores e ex-tratadores. Mesmo a idade das duas é aproximada.

Maia e Guida teriam nascido em liberdade, sendo capturadas na Tailândia quando ainda eram filhotes. Apanharam muito, foram privadas de sono e comida para se tornarem “obedientes” aos adestradores.

De acordo com Junia Machado, presidente do SEB, é comum que nesses casos os filhotes passem por um processo chamado de “phajaam”, ou “quebra de espírito”, em que os animais são confinados em um minúsculo cercado de madeira, onde apanham e são impedidos de se alimentar ou dormir. O objetivo é domá-los e torná-los obedientes às ordens de adestradores.

Guida tem por volta de 42 anos, pesa 3.100 kg e é uma criatura mais tranquila, algo “doce”, segundo um tratador.

No Brasil, elas teriam trabalhado por quatro décadas como atração de picadeiro. Além do Circo Internacional Portugal, elas teriam passado também pelo Circo Garcia, de acordo com o advogado Giuliano Vettori.

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Mesmo os problemas de saúde de cada uma delas não são totalmente conhecidos. Exames clínicos detalhados, que para serem feitos em segurança necessitam que exista uma barreira de proteção entre os elefantes e os veterinários, só poderão ser realizados no SEB.

O que se sabe, no entanto, a partir de observações, é que Guida parece ter a saúde mais frágil da dupla. Suas unhas estão grandes, o que dificulta sua locomoção, e ela também parece ter problemas para mastigar alimentos. Todos esses problemas serão devidamente investigados assim que a elefante chegar ao santuário, disse Junia.

Verter Rosa Júnior tratou de Maia e Guida por quatro anos no sítio de Paraguaçu. Ele diz que as duas são mansas, mas cada uma tem sua própria personalidade: enquanto Guida é mais tranquila, “um doce”, “Maia é uma criança arteira, elétrica”.

Num dos pedaços mais bonitos cerrado brasileiro, elas terão um recomeço de vida com a liberdade que nunca tiveram.

Com 1.100 hectares (cada hectare equivale a um campo de futebol), o santuário promete para o futuro das duas elefantes algo bem diferente.

Naquele pedaço de cerrado, onde a luz dourada do Centro-Oeste bate em falésias de centenas de metros, fazendo rochas calcárias brilharem em tons que variam entre o vermelho vivo e o ocre, conforme o horário do dia, Guida e Maia recuperarão, após décadas de trabalho forçado, a liberdade que nunca conheceram.

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A nova morada das duas já foi no passado muito tempo utilizado para a criação de gado, ainda possui parte de sua mata nativa preservada, nascentes d’água, aclives e pastos.

O SEB foi construído nos moldes do Elephant Sanctuary in Tennessee (TES), nos EUA, instituição criada em 1995 e hoje parceira da ONG brasileira. Scott Blais, cofundador do TES, é o responsável pelo plano de transporte de Guida e Maia e supervisão da empreitada.

Blais diz que a personalidade das duas elefantes tende a mudar quando elas chegarem no santuário e se depararem com um ambiente maior e com mais estímulos.

“Uma das coisas mais impressionantes é como os elefantes se transformam quando têm um espaço em que podem ser quem realmente são.”

O santuário não fará a reprodução dos animais nem será aberto à visitação pública. Quando estiver em pleno funcionamento, segundo Junia, o local poderá abrigar mais de 50 elefantes, provenientes de circos ou zoológicos.

Fonte: 24 Horas News

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Segundo veterinária, cadela que foi atingida por rojões em SC poderá ter visão parcial

(da Redação)

Foto: Fabrício Escandiuzzi/Terra

A cadela Maia, que feriu gravemente o olho esquerdo e perdeu a audição do ouvido direito, após ser atingida por rojões, no Campeche, bairro da região sul de Florianópolis (SC), recebeu cuidados especiais nesta segunda-feira (2). Após publicação na ANDA, o caso mobilizou internautas e gerou muitos protestos nas redes sociais.

Katia Chubaci, a veterinária que atendeu a cadela, informou que ela pode ficar surda de ambos ouvidos: “No exame clínico constatamos que o tímpano do ouvido direito está perfurado; o tímpano do ouvido esquerdo está com muito edema e hemorragia, não podendo ainda confirmar a perfuração. Aparentemente ela está surda de ambos”, disse Katia à ANDA.

Mas, segundo a veterinária, ainda há esperança para a visão: “o olho afetado (esquerdo) tem hemorragia interna e perfuração, mas ainda tem resposta pupilar, que é um bom sinal. Fiz a cirurgia conservativa neste olho (flap conjuntival) e faremos um tratamento intensivo para tentar manter o olho, mas a visão provavelmente está comprometida”, disse a veterinária.

Na sexta-feira, Maia passará por uma reavaliação do olho para ser decidido se este será retirado ou mantido. Foi realizada também a cirurgia de esterilização.

Katia informa que a cadela está internada em uma clínica sem muita luz para ajudar na recuperação.

“Ela está medicada, tomando antibióticos, analgésicos, anti-inflamatorios e recebendo muito carinho. Muito obrigada a todos que compartilharam e ajudaram neste caso”, declara Katia, emocionada.

Quem tiver interesse em ajudar pode acessar o site “Amigos dos Animais de Rua” e apadrinhar castrações.

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Os animais deuses

As religiões ancestrais visualizavam o universo como uma grande mãe. As grandes deusas representavam a Terra Mãe ou o princípio gerador da vida. A capacidade de conceber uma nova vida humana, dar à luz, produzir leite e nutrir a vida. Sem ela a nova vida extinguir-se-ia.

Na Babilônia a grande deusa é Ishtar, a mãe de Tamuz. Astarte é adorada pelos hebreus, fenícios e cananeus, de acordo com a liturgia. No Egito temos Isis. Na Frígia temos Cibele, posteriormente identificada com as deusas Rea, Gea, Deméter, e com suas equivalentes romanas, Tellus, Ceres e Maia.

O culto à Grande Deusa é muito anterior à escrita e encontramos pinturas rupestres que mostram bisões, cavalos, ursos, veados e dezenas de outros animais. São centrais nos rituais de caça expressando agradecimento aos animais sagrados que constituem poderosa fonte de vida, a própria energia vital de quem o ingere. Nesse estágio eram freqüentes também representações da Grande Deusa como Senhora dos animais (com seus animais sagrados), como Deusa mãe coruja, ou como Madona com seu filho ao colo.

Acreditava-se que a mulher engravidava do sangue da menstruação. Por isto sempre se ofereciam sacrifícios de sangue à mãe Terra para pedir abundância de alimentos. Até que milhões de anos depois se trocou o sacrifício de sangue pelo auto sacrifício (a culpa).

Na Grécia arcaica, a imagem da Grande Mãe animal alimentava o pequeno Zeus como cobra, porca ou vaca. Réia – Cibele, para os romanos, é representada assentada num trono e ladeada de animais.

O xamanismo

Xamanismo é um nome genérico de origem siberiana para designar as práticas dos curadores e feiticeiros das culturas arcaicas . O xamanismo é um fenômeno cultural, social e espiritual. As mais antigas manifestações xamânicas datam da era paleolítica (os rituais de caça nas pinturas). Ele sobrevive quase sem alterações na Ásia, Oceania, no Ártico (esquimós) e principalmente na África e nas Américas.

O animal sempre teve um papel crucial no xamanismo. No plano inicial arcaico o animal e o ser humano não se diferenciavam, eram como uma única entidade. Isto pode ser constatado através de pinturas rupestres como as da caverna Très Frères, na França (25.000 aC.) Nesse local pode-se ver um xamã vestido com a pele e a cabeça de um cervo, a cauda do animal passando-lhe entre as pernas. As inúmeras representações da grande Deusa, Senhora dos animais e a lenda do primeiro xamã, vem selar essa comunhão entre o homem e o animal.

Os buriates e iacutes da Sibéria nos contam a lenda do surgimento do primeiro xamã, que teria sido gerado pela águia (símbolo da consciência) e por uma mulher (identificada à liberdade). Portanto, desde o início o xamã é um misto de divino, de humano e de animal.

O poder dos xamãs relaciona-se diretamente com seus totens , ou em outras palavras, seus aliados animais. Para um xamã um homem não é melhor e nem mais consciente do que um animal. O xamã oferece ao espírito do animal respeito e devoção, enquanto o animal oferece orientação e assistência. Os animais, assim como as pedras, para os xamãs tem espíritos poderosos, cada qual com seus próprios talentos, e tem a qualificação de ajudar as pessoas nas tarefas específicas. Um dos principais dons oferecidos pelo poder dos animais ao xamã em suas tarefas é a proteção e tutela. Eles costumam descobrir seus animais de poder permitindo que aflorem durante uma dança espontânea ou tendo uma visão do animal.

Para os xamãs, as crises do mundo de hoje não são surpresa. São o resultado do desequilíbrio causado pela falta de respeito, e este desequilíbrio em última análise acarreta a perda de poder para um xamã.
Os xamãs ensinam que à medida que uma pessoa for aprendendo a se comunicar com as pedras e os animais, deve ter em mente que o segredo do sucesso é o respeito. Para ter sucesso é preciso cooperar com o meio ambiente.

O panteão Egípcio

Os egípcios adoravam os animais e várias figuras de divindades teriomórficas são encontradas nos templos egípcios. As figuras significam que o poder pode se encarnar de diversas formas. As representações semi-humanas de deuses exprimem um pensamento que aceita o homem sem rejeitar o animal. Thot, deus da escrita, tem uma cabeça de íbis. Harsaphs, tem cabeça de carneiro. Hátor, deusa das mulheres, dos céus e das árvores, tem uma cabeça de vaca. Montu, deus da guerra, e Hórus, deus dos céus, tem cabeça de falcão. Sobek, trem cabeça de crocodilo e Seth tem cabeça de animal não identificado. Khnum tem cabeça de carneiro e Anúkis tem dois chifres de gazela.

A base do aprendizado do conhecimento de qualquer iniciação era o livro de Thot. Esse conhecimento está contido nas vinte e duas cartas do Tarô Egípcio. Cada carta do tarô representa uma etapa do desenvolvimento. Na carta ” a balança da consciência” há um coração sendo pesado em um dos pratos. No Egito, o coração era a sede da consciência – ele é pesado pelos animais e pelos deuses. Aos pés da balança aparece um cão, o deus Anúbis e um crocodilo comilão, a quem cabe comer o coração se este estiver pesado. A cabeça da deusa Maat está em segundo plano, representando a Justitia. O deus Horus, o falcão, vigia a pesagem da consciência.

Segundo as leis celestes nenhum ser humano pode subestimar qualquer animal e matá-lo ou torturá-lo impunemente. A descoberta do ” Livro dos Mortos” revela elementos que aproximam o ordenamento ético-jurídico do Antigo Egito da moral e do Direito. Dele consta o juramento negativo que as pessoas deveriam fazer durante o julgamento final: ” Não aumentei o sofrimento dessas pessoas, não coloquei a injustiça no lugar da justiça, nunca desequilibrei o travessão da balança, nunca pequei contra a natureza”.

No Egito o gato era considerado um animal sagrado, que recebia após a morte curiosas homenagens. Um templo foi erigido para a deusa – gata Batest. Ela era representada com o corpo de mulher e cabeça de gata, e sustentava em uma das mãos o instrumento musical das bailarinas e no outro a cabeça da leoa, o que significava que a qualquer tempo poderia se metamorfosear numa das três deusas leoas – Sekmet, Pekhet e Tefnut. .O templo de Batest foi descrito pelo historiador grego Herodoto, que viajou para o Egito no ano 450 a.C. Este luxuoso templo situava-se na cidade de Bubasti, numa ilha cercada pelos canais do Nilo.

O panteão hinduNa Índia os animais são considerados sagrados e o hinduísmo adota a idéia de um panenteísmo (Deus está em tudo), diferente de panteísmo (Deus é tudo).

 

O Código Védico, da Índia, fundamenta-se na unidade da vida. Para o hinduísmo a única diferença que existe entre os animais e o ser humano é o grau de evolução. Os avatares, encarnações de deuses, apresentam-se em formas de animais. Vishnu, o preservador, aquele que toma muitas formas, manifestou-se no mundo numa série de dez encarnações, três em forma animal. Matsya, o peixe salvou a humanidade e os sagrados textos vedas do dilúvio. Kurma, a tartaruga, ajudou a criar o mundo sustentando-o em suas costas. Varaharha, o javali, elevou a terra para fora d’ água com suas presas.

A importância de Hanuman, o deus-macaco, aparece no texto sagrado Ramayana, onde deu grande assistência a Rama na vitória contra o demônio Ravana, rei da ilha de Sri Lanka, que seqüestrara sua noiva.
Ganesh, o deus-elefante, o removedor de obstáculos, é filho de Parvati, filha da montanha sagrada, o Himalaia, com o deus Shiva, o destruidor.

Segundo a lenda ele tem uma cabeça de elefante, porque seu pai não o reconheceu e o degolou. Ao perceber seu erro Shiva prometeu repor-lhe a cabeça tomando-a da primeira criatura que visse, que foi um elefante.
Shiva, costuma ser representando com uma serpente, a divindade feminina Durga, com um leão e Sarasvati com um pavão.

Ainda na Índia, constitui-se, no século VI a.C., juntamente com o budismo, a tradição jainista, fundada por Mahavira Vardhamana. Os membros do movimento jainista, ao qual pertencia Gandhi, pautam sua vida na não violência, são vegetarianos e reverenciam a natureza ao extremo. Em seu juramento renunciam à destruição de seres viventes sejam sutis ou grosseiros, andem ou estejam parados.

São vários os santuários do jainismo, onde animais injuriados podem ser tratados. No povoado de Deshnoke, no templo Karni Mata, os ratos passeiam livremente enquanto os devotos oram. Os sacerdotes do templo e os ratos comem nas mesmas tigelas e bebem água no mesmo lugar. Os sacerdotes dizem que os ratos são mensageiros dos deuses e que os sacerdotes do templo, ao morrerem, alcançarão a libertação, nascendo como ratos. Os ratos, ao morrerem, renascerão como sacerdotes.

Deus é o espírito da Terra

Molinero, em seu livro ” Terralogia, ecologia mágica” nos ensina que ” “Não eram mais primitivos os que adoravam o sol do que os que acreditaram encontrá-lo em um ídolo de pedra ou de ouro. Não eram mais errados os que buscaram a Deus zoolatricamente e adoraram a rã, por seu sentido de fecundação, a cobra que tem o veneno, a vida e consegue seu corpo em círculo, que é em si o mandala infinito do universo. Não estão mais errados os que adoraram a pantera negra, o lobo ou o elefante branco, do que aqueles que o humanizaram reverenciando os avatares, os profetas e os santos. Deus está em toda parte, em todas as formas, porque é o espírito da Terra e a única energia que nasce do nada na ausência do todo, sendo em si a vida”.[1]


Nota
[1] MOLINERO, (Yogakrishnanda). Terralogia, ecologia mágica. Mandala – livreiros/editores importadores. Ltda. São Paulo, sem data, pg. 11.


Edna Cardozo Dias
,Doutora em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Autora dos livros “A tutela jurídica dos animais”, “SOS animal”, “O Liberticídio dos Animais” e “Manual de Crimes Ambientais e Manual de Direito Ambiental”. Professora de Direito Ambiental na Faculdade de Ciências Humanas da FUMEC. Presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB/MG. Membro suplente do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, representante das ONGs da região sudeste (de 1992 a 2002). Ex-membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Minas Gerais (1993/2003). Ex-membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica. Presidente fundadora da Liga de Prevenção da Crueldade contra o Animal, Vice-Presidente para as Américas da Organisation Internacionale pour la Protection des Animaux, com sede na Suíça.

Fonte: Pensata Animal

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