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Cabeças animais viram prato da moda na China

Foto: Sim Chi Yin/ The New York Times
Cabeças de coelhos. (Foto: Sim Chi Yin/ The New York Times)

Bem agasalhadas num dia de ventania, 30 pessoas faziam fila diante da porta de um restaurante, esperando ficarem prontas suas cabeças de coelho.

Para os comensais no interior do restaurante, um vídeo demonstrava como consumir as cabeças, que têm o tamanho de um punho fechado. A demonstração ficava a cargo de Su Yong, chef do restaurante e astro principal do vídeo. Ele abria a boca do coelho e separava o maxilar do crânio. Em seguida, quebrava o maxilar em duas partes e chupava a carne. Caso ainda tivesse restado algum mal-entendido, cada mesa trazia um folheto com diagramas.

Poucas coisas deixam tão claras as diferenças entre as culturas do que a alimentação das pessoas. Rãs, na França, estômagos recheados de vísceras e aveia, na Escócia, e pés de porco, na Alemanha.

O consumo de pênis de gatos, ratos e burros na China, por exemplo, pode não agradar ao paladar americano —e até mesmo a alguns paladares chineses. Escorpiões e cães voltaram a ser comidos no país após a longa seca gastronômica dos anos de Mao Tse-tung. As cabeças de animais são o prato mais recente a recuperar popularidade.

Não se trata de uma novidade culinária —na realidade, é um prato local muito apreciado e cujas origens culturais vêm de longe.

Graças ao boom econômico que já dura uma década na China, os jovens chineses, cada vez mais cosmopolitas, vêm se afastando de suas raízes gastronômicas. Mas esse mesmo boom levou a um revival, com chefs redescobrindo pratos que não eram vistos há décadas.

Cabeças de porco, de cabra e até mesmo de cachorro são comidas na China, mas o triunvirato reinante no país é formado pelo peixe, o pato e o coelho. Cada um destes tem restaurantes dedicados ao seu preparo.

As cabeças de peixe têm aceitação mais ampla e são consumidas há mais tempo. Os restaurantes as servem com temperos regionais que vão desde molhos à base de soja, típicos do nordeste da China, até os condimentos apimentados, populares nas províncias de Hunan e Sichuan, passando pelos sabores mais leves de gengibre e chalota, comuns na costa sul do país. Não se consomem cabeças de peixe magras e ossudas, só as grandes e carnudas.

É difícil comer uma cabeça de coelho sem fazer sujeira, tanto que aventais e luvas de plástico são dados a alguns comensais. Consta que a cabeça condimentada de coelho teria sido popularizada nos anos 1990 por uma mulher chamada Chen, residente em Shuangliu, na periferia de Chengdu, a capital provincial de Sichuan.

Operária de fábrica, Chen teria aberto um pequeno restaurante para complementar sua renda e, um dia, teria incluído em sua sopa apimentada as cabeças de coelho que seu filho gostava de comer. O resultado de sua improvisação é conhecido, desde então, como “cabeça de coelho da mãe velha”.

O prato se tornou tão popular que Chen mudou o nome de seu restaurante para Cabeça de Coelho da Mãe Velha. Hoje o lugar é um dos mais famosos de Sichuan a servir a especialidade.

Su, proprietário do restaurante Coelho Old Street, em Pequim, contou que aprendeu a preparar cabeça de coelho com Chen e que seu estabelecimento serve 3.000 cabeças de coelho por dia.

Mas as cabeças de coelho são um prato de nicho, comparadas à popularidade das cabeças de pato, uma moda que se espalhou a partir da cidade de Wuhan. Os chefs do Pang Xijing servem até 300 cabeças por dia.

Foto: Sim Chi Yin/ The New York Times
Cabeças de patos. (Foto: Sim Chi Yin/ The New York Times)

A sra. Pang compra caixotes de cabeças congeladas em um mercado local. Seus chefs descongelam as cabeças sob água corrente por seis horas, para que os maus odores desapareçam, e então os fervem numa sopa condimentada. As cabeças são cortadas pelo comprimento e refogadas com ervas e condimentos. Uma travessa com sete cabeças de pato custa 62 yuans —cerca de US$ 10.

As cabeças de peixe não têm sabor pronunciado, mas contêm muitos ossinhos. As cabeças de coelho vêm em dois sabores: apimentadíssimo e temperado com cinco condimentos. A carne tem sabor de carne escura de frango. Os olhos, cérebro e língua são apreciados não tanto pelo sabor, mas pela textura.

As cabeças de pato talvez sejam o que mais agrada ao paladar ocidental. Devorar uma delas é como comer uma asa de galinha fortemente condimentada (exceto pelo bico e pelo olho acusador).

Para os indecisos, o prato típico de Quzhou, uma cidade ao sul de Xangai, é “três cabeças e um pé”: uma cabeça de coelho, uma de pato e uma de peixe servidas em um prato com dois pés de ganso.

Fonte: O Povo

Nota da Redação: Não importa qual é o animal, qual parte de seu cadáver é consumida e em que país se dá tal hábito. O que interessa é que são injustamente mortos para servir de alimento, ou pior, são forçados a nascer para viverem como escravos e serem tratados como mercadorias, apesar de serem sencientes.

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China quer ser líder na criação de primatas usados como cobaias

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Foto: Daily Mirror
(Foto: Daily Mirror)

Uma matéria investigativa publicada hoje (27) pelo jornal inglês Daily Mirror mostra para o mundo o horror da criação de primatas na China para laboratórios ocidentais. Jornalistas disfarçados de compradores ganharam acesso a uma fazenda em Conghua, na província de Guangzhou, onde existem mais de 40 fazendas. Os chimpanzés chegam do Cambodia e são, então, criados para serem vendidos por todo o mundo.

Segundo o relato do jornalista, dentro dessas fazendas escondidas das vistas da população, os macacos vivem em celas superlotadas. As mães se agarram a seus filhotes esperando a jornada para os laboratórios na Europa, América e Oriente onde elas serão torturadas em nome da ciência. A maioria dos macacos custam cerca de R$3 mil. Mas os gerentes dessas fazendas gastam apenas 60 centavos por dia cuidando deles.

O mercado chinês de exportação de chimpanzés, muito procurados por companhias que usam cobaias por causa de sua proximidade com o ser humano, atualmente vale cerca de R$500 milhões por ano. Cerca de 90 mil macacos foram usados em laboratórios pelo mundo no ano passado, e a vasta maioria vieram de fazendas chinesas.

A matéria denuncia também o fato de que o uso de cobaias cresceu na Inglaterra, o que contradiz a afirmação da indústria que ela está sempre buscando alternativas. Além de 4,598 experimentos com primatas, foram feitos 2.4 milhões de testes em camundongos, 605 mil em peixes, 355 mil em ratos, 123 mil em pássaros, 17 mil em coelhos, 9 mil em cavalos e burros e 360 em gatos.

Enquanto isso no Brasil o presidente Lula acaba de assinar a Lei Arouca, que regulamenta o uso de cobaias no Brasil. Essa lei abrirá as portas para multinacionais usarem o país para testes, já que agora elas contarão com esse aparato legal. Sendo assim, a lei servirá como estímulo econômico para a indústria de cobaias.

Fonte: Daily Mirror

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Macacos explorados se revoltam na China e dão lição em treinador

Por Ana Cardilho
em colaboração para a ANDA

Quando um dos macacos se recusou a andar na bicicleta em uma apresentação de rua em Sizhou, China oriental, seu “dono” bateu nele com um pau. Embora eles estivessem amarrados com cordas atadas às suas coleiras, os macacos decidiram se defender. Dois animais vieram em defesa do terceiro macaco, tomando o pau da mão do homem, puxando sua orelha e mordendo sua cabeça.


– Seu delegado, eu vou ser sincero com o senhor. O pau quebrou mesmo! Mas não foi nossa culpa, não. Vou contar a história todinha e daí o senhor avalia quem tem razão.

Eu e meus dois amigos, aqueles ali que o policial algemou, não são de briga. Pelo contrário. São dois macacos da paz que vivem tranqüilos, dois boas-vidas que só querem comer suas frutinhas, catar piolhos aqui e ali e dormir sem medo de caçadores.

Nós três vivíamos muito bem no meio da floresta, com nossa tribo formada de várias famílias. Nós sempre nos ajudávamos e a vida era boa demais! Até que uns caçadores do mal, mas do mal mesmo, seu delegado, invadiram nossa mata e nos aprisionaram. Os que se revoltaram levaram chumbo. Eu vi dois primos mortinhos da silva. Eles tentaram morder os caçadores e levaram a pior.

Depois de uma viagem sufocante dentro de uma caixa bem pequena escondida em um caminhão mulambento, chegamos aqui em Sizhou e nós três fomos vendidos a um circo local. Durante um tempo um treinador nos dava bananas e outras frutas em troca de algumas graças, como andar de cabeça pra baixo, pegar no ar umas bolas coloridas e andar numa corda bamba. Tudo muito bobo, coisas que fazemos naturalmente pendurados em uma árvore. Até aí era ruim, mas dava pra agüentar porque havia comida, água fresca e estávamos bolando um plano de fuga.

É, seu delegado, nós estávamos mesmo fazendo planos para fugir, porque viver num circo, dentro de uma jaula, fazendo números tolos pra ganhar comida, e de vez em quando ganhando uns cascudos, não era vida para macaco nenhum. Muito menos pra nós, que nascemos e fomos criados ao ar livre.

Mas a coisa toda se complicou quando o treinador brigou com o anão, o dono do circo, e foi expulso do picadeiro. Antes de sair ele pegou nós três e fugiu. Passamos a morar nas ruas, a comer quase nada e a trabalhar muito. O treinador improvisava números nas esquinas movimentadas e colocava a nós, os macacos, pra andar de bicicleta, de patins, nos vestia com saias, nos colocava chapéus ridículos na cabeça e éramos obrigados a ficar com uma coleira no pescoço o tempo todo. Desse jeito era impossível fugir. O treinador nos controlava e era cruel.

Foi então que ele cismou que meus amigos teriam que andar de bicicleta. Seu delegado, o senhor sabe que macaco pula, rola, anda em galhos de árvores altas, sobe e desce com a maior facilidade, anda sobre as mãos e outras estripulias. Mas andar naquelas bicicletinhas enferrujadas e tortas era demais. Onde ficava nossa dignidade? Daí estressamos mesmo, seu delegado. Quando eu disse: “Pra mim chega! Não vou andar nessa porcaria”, o treinador desceu a lenha na minha cabeça. O senhor passa a mão aqui ó… Tem um baita galo. Meus amigos viram a cena e perceberam que eu ia chorar… Puxa, o senhor sabe quanto custa pra um macaco chorar? Eles perderam a cabeça e avançaram contra o treinador. Puxaram o cabelo dele, tomaram o bastão de madeira e foi bem feito que o treinador tomou umas mordidas na orelha. Onde já se viu me bater?

Esse treinador é muito folgado, seu delegado. Bate na gente, nos maltrata e ainda quer ter razão? Quem disse que ele pode nos tratar como escravos, presos a coleiras no pescoço, comendo migalhas? Quem deu a ele esse poder? Não está errado isso, seu delegado? Nossa vida é livre. Nosso destino é a selva, e não ficar pagando “macacada” pra que o treinador possa ganhar uns trocados fáceis em esquinas cheias de turistas.

Que bom que o senhor nos entende, seu delegado. Vejo que o senhor tem bom coração mandando tirar as algemas dos meus amigos. Eles são inocentes. Somos todos inocentes e não merecemos punição.

Só mais um pedido, se o senhor me permite: dá pra deixar o treinador pelo menos uns três dias numa cela a pão velho e água quente? Só pra ele saber como é ruim viver dentro de uma jaula e ser privado de sua liberdade primordial. Muito obrigado, seu delegado. Eu sabia que o senhor iria me entender. Agora vamos indo e, quando o senhor passar lá pela selva, dê uma paradinha, sempre tem sombra e água fresca e o senhor será bem-vindo.

Ana Cardilho é escritora e jornalista. Com um olho na realidade e outro na prosa imaginária conta com mais de 20 anos de experiência em rádio e TV, tendo feito reportagens, edição e fechamento de telejornais e programas, e é ficcionista.

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