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Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

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Goiano ganha prêmio internacional sobre substituição de animais em pesquisas

Renato Ivan de Ávila, estudante de doutorado da UFG | Foto: Reprodução

O goiano Renato Ivan de Ávila Marcelino, estudante de doutorado da UFG (Universidade Federal de Goiás) está entre os vencedores do Lush Prize 2017, um concurso internacional que premia projetos científicos que viabilizam o fim de pesquisas em animais.

Ele, que atualmente está estudando na Universidade de Lund, na Suécia, através do Ciências Sem Fronteiras, recebeu em Londres um prêmio de 10 mil libras esterlinas (cerca de R$ 43 mil).

O prêmio é referente ao seu projeto de doutorado na UFG, que busca novas estratégias de avaliação do potencial de uma substância e um produto químico em causar alergia em contato com a pele.

Em entrevista ao Jornal Opção, ele disse que “atualmente, os modelos que são recomendados e até aceitos pelas agências regulatórias em diversas partes do mundo envolvem estudos em animais”.

“Temos questões éticas que preocupam como, por exemplo, testar produtos cosméticos nos animais. Por isso, buscamos novas estratégias para fazer essa investigação”, disse.

Isso, segundo ele, além de ter uma relevância ética, tem uma relevância econômica, já que os testes in vitro, que não utilizam animais, são relativamente mais baratos. “Sem falar no fato de que são superiores aos testes em animais, já que o que acontece nos organismos deles é completamente diferente do que acontece no organismo humano”, explicou. Em casos de alergia, por exemplo, utiliza-se camundongos, que possuem peles completamente diferentes da nossa, o que gera resultados nem sempre confiáveis.

Ciência no Brasil

Questionado sobre a importância da sua pesquisa, Renato garantiu que ela pode contribuir para que o Brasil consiga autonomia tecnológica e científica para construir uma ciência humanizada, além de buscar possíveis mudanças para as leis atuais. “Hoje, apenas quatro estados proibiram o uso de animais em testes com cosméticos. Goiás, por exemplo, ainda permite. Precisamos mudar isso”, declarou.

Segundo ele, o Brasil ainda é muito carente na questão de métodos alternativos. “A ciência brasileira usa muitos animais e as leis regulatórias exigem que testes sejam feitos com recomendação de que sejam feitos em animais. Muitos desse testes foram desenvolvidos há décadas atrás e não passaram por revisões”, lamentou.

Além disso, desde quando era aluno de iniciação científica, ele recebeu bolsas de estudo da Fundação Capes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Mas sua sua crítica é com relação aos investimentos recentes em pesquisa no país. “Temos dificuldade de conseguir financiamento, os equipamentos são muito caros. Estamos enfrentando uma grande redução na verba que iria para ciência, então já estamos começando a sentir falta”, disse.

Antes da gratificação, ele estava um pouco desmotivado diante da situação econômica e política do país. “Com esse prêmio recebi um boom de motivação para continuar estudando e multiplicando o conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento técnico-científico do país. O Brasil só tem a perder se não continuar investindo em educação, pesquisa e ensino”, alertou.

UFG

Renato é farmacêutico que se formou em 2010 na UFG, mas durante a graduação já começou na carreira científica como aluno de iniciação, sob a orientação da professora Marize Campos Valadares, que o apresentou aos métodos in vitro. Em 2011, ele iniciou o Mestrado em Ciências Farmacêuticas com orientação da mesma professora e em 2014 foi para o Doutorado em Ciências da Saúde, novamente com orientação da Marize.

Em julho, o estudante foi para a Suécia, onde aprende nova tecnologia para sua pesquisa. No total, serão nove meses sob supervisão da professora Malin Lindstedt antes de voltar para o Brasil em abril para defender seu doutorado.

Por isso, ele tem orgulho da UFG por ser considerada uma das melhores universidades de Farmácia do Brasil. “A estrutura e professores do curso de Farmácia de UFG são de ponta”, afirmou.

Agora, o seu objetivo é trazer o conhecimento adquirido com suas pesquisas para ser aplicado no país. “O dinheiro do prêmio foi fundamental para finalização do Doutorado, já que recebo a bolsa do Ciência sem Fronteiras para estar na Suécia, mas não recebo nenhuma ajuda de custa para pagar as análises. Com o dinheiro pretendo comprar reagentes e também investir em outras pesquisas na mesma área. Além disso, quero investir em treinamentos e cursos para estudantes e profissionais da área”, comemorou.

Fonte: Jornal Opção

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Prêmio internacional para pesquisas científicas sem uso de animais

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O prêmio é dirigido a grupos ou indivíduos trabalhando no campo de pesquisas científicas e conscientização pública para ajudar a acabar com os testes em animais. O fundo anual de £250,000 (complementado este ano com mais £200,000 extras) é o maior prêmio no setor dos testes sem animais. . As inscrições para o Lush Prize 2017 podem ser feitas aqui.

Cientistas e ativistas do Brasil, EUA e 12 Países europeus já foram apoiados pelo prêmio. Há três anos consecutivos houve brasileiros vencedores na premiação:

Róber Bachinski ganhou o prêmio em 2014 na categoria Jovem Pesquisador com o projeto “Mapeamento do uso de animais nas aulas de graduação no Brasil e promoção de métodos alternativos de treinamento e educação”. Ele fez uma pesquisa com modelos de culturas de células em 3D e alternativas de usos para educação científica. Ganhou novamente em 2016 na categoria Lobbying com o Instituto 1R. Bianca Marigliani ganhou em 2015 na categoria Jovem Pesquisador com o projeto “Pesquisa em substituição ao uso de soro bovino fetal (FBS), obtido de fetos bovinos durante o abate de vacas grávidas”.

As categorias do Lush Prize são:

Conscientização Pública: gerar uma conscientização pública sobre os testes existentes

Ciência: para o desenvolvimento da substituição dos testes em animais

Treinamento: treinamento de pesquisadores em testes sem animais

Lobbying: intervenções políticas para promover o uso de substituições

Jovem Pesquisador: para pesquisadores abaixo dos 35 anos se especializando em pesquisas de substituição

Caixa Preta: para uma descoberta essencial para as pesquisas de trajetórias de toxicidade humana

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No Brasil, a Lei 15.316, do deputado estadual Feliciano Filho, já proíbe em SP desde 2014 a utilização de animais para desenvolvimento, experimento e teste de produtos cosméticos e de higiene pessoal, perfumes e seus componentes.

Acompanhe entrevista conjunta de Craig Redmond, porta-voz internacional do Lush Prize e Helder Constantino, gerente da campanha #BeCrueltyFree no Brasil porta-voz da HSI (Humane Society International) para a ANDA:

Existe alguma estimativa atual do número de animais usados em pesquisas científicas?

Uma estimativa mundial foi publicada pelo jornal científico Alternatives to Laboratory Animals (ATLA) em 2008 apontando que cerca de 115 milhões de animais são utilizados em testes anualmente no mundo e 1.1 milhões de animais foram sacrificados em laboratórios no Brasil em 2005. Porém essa estimativa já é um pouco antiga e não permite avaliar tendências no uso de animais em laboratórios de um ano para o outro. Desde 2005, a busca por métodos alternativos que dispensem o uso de animais em pesquisas laboratoriais tem sido prioridade para um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Em setembro de 2012 eles realizaram uma parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nascendo então o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM), o primeiro da América Latina a validar e coordenar estudos de substituição, redução ou refinamento do emprego de cobaias em testes de laboratório. O BracVAM também recomendou 17 métodos alternativos validados publicados pela OECD que foram aceitos pelo CONCEA depois de ouvir as agências reguladoras brasileiras. Essas substituições devem estar em vigor até 2019.

Por que a Lush teve interesse em desenvolver cosméticos sem uso de animais?

A intenção começou junto com a criação da empresa, foi uma iniciativa dos próprios fundadores. Dirigida por sua ética e inovações, a LUSH trouxe ao mercado cosméticos frescos, feitos à mão e com frutas e verduras entre seus diversos ingredientes. A marca utiliza apenas ingredientes sintéticos seguros, optando, sempre que possível, pelo desenvolvimento de fórmulas autoconservantes, sem conservantes químicos, preservadas apenas por ingredientes naturais. Além disso, é reconhecida internacionalmente pela sua atuação ativista e por se posicionar e desenvolver campanhas em favor dos direitos humanos, proteção animal, ética digital e defesa do meio ambiente.

Quais países têm abraçado métodos substitutivos com maior frequência? E quais mais fazem uso de animais em pesquisa?

As informações sobre esse tópico são generalizadas e não vêm de uma fonte específica. Por exemplo, na Europa, os três maiores usuários de animais há alguns anos foram o Reino Unido, a França e a Alemanha. Em todo o mundo, por exemplo, a China ainda insiste no uso de animais e em áreas onde outros países pararam. Um dos desenvolvimentos mais recentes no final dos testes em animais é o anúncio, realizado em dezembro de 2016 pelo governo holandês. Eles anunciaram que vão encerrar grande parte de seus testes em animais até 2025.

Os relatórios estatísticos mais completos são publicados pelas autoridades europeias e mostram que os investimentos feitos em métodos alternativos tem tido efeitos para diminuir o uso de animais. Entre 2008 e 2011 o número de animais usados na União Europeia diminuiu de 12 milhões para 11,5 milhões o que representa 500 mil vidas animais.

Infelizmente, devido a uma atualização da legislação, a UE não publicará novo relatório estatísticos até 2019. Porém, as estatísticas nacionais já indicam que essa tendência continua em vários grandes e pequenos países europeus. Por exemplo, entre 2012 e 2015, o número de animais usados na Alemanha diminuiu de 3 milhões para 2,7 milhões, em Portugal de 45mil para 25 mil, na Holanda de 589 para 529 mil. Portanto, acreditamos que o relatório de 2019 mostrará uma diminuição expressiva do número de animais usados da União Europeia desde 2011.

Mas acreditamos também – apesar da falta de estatísticas confiáveis – que o número de animais usados na pesquisa e toxicologia está aumentando em outros países, por exemplo, na China e na Índia, pelo fato que esses países estão aumentando seus investimentos na pesquisa científica, mas dentro do velho paradigma do modelo animal.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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Conheça os juízes do Lush Spring Prize

Nova premiação de £200,000 tem foco em projetos a favor da revitalização social e ambiental

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A Lush e a Associação de Pesquisa Ethical Consumer que lançaram em dezembro o Lush Spring Prize, anunciam agora os cinco jurados dessa edição. Essa premiação de um fundo anual de £200,000 tem como objetivo dar suporte a projetos do mundo inteiro que trabalham para a revitalização social e ambiental.

A regeneração é fundamental para mover os meios de subsistência e economias para além do conceito de “sustentável”, com o objetivo de recuperar ambientes danificados, devolvendo mais do que o que é retirado da terra.

O foco do Lush Spring Prize é dar suporte às mudanças e fazer as coisas de um modo diferente; proporcionando recursos e oportunidades para colocar as atividades em prática. É por isso que os jurados são escolhidos com muito cuidado.

Para essa primeira edição os selecionados foram:

Julia Wright, pesquisadora sênior em Futuros Agroecológicos;

Andy Goldring, chefe executivo da Permaculture Association;

Daniel Christian Wahl, consultor e educador, autor do livro Designing Regenerative Cultures;

Gamelihle Sibanda, profissional certificado pela Biomimicry;

Jyoti Fernandez, pequena agricultora membro da Landworkers’ Alliance e da Via Campesina;

Com as suas diversas especializações eles serão capazes de avaliar a fundo os projetos que se inscreverem. O Lush Spring Prize irá premiar anualmente aqueles que estão engajando o processo de regeneração nas seguintes categorias:

* Projetos Intencionais (£50,000) apoiando o início de grandes ideias
* Novos Projetos (£75,000) projetos de 1-5 anos que procuram crescer
* Projetos Estabelecidos (£50,000) referências que tiveram sucesso e resistiram ao tempo.
* Prêmio de influência (£25,000) lobbying ou campanhas ativistas de influência política ou de opinião pública que apoiam a revitalização social e ambiental.

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Projetos brasileiros estão entre os pré-selecionados ao Lush Prize 2016

Por Vanessa Norcia Serrão/ Redação ANDA

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Em seu quinto ano, a premiação da Fundação Lush Prize está oferecendo €1,2 milhão aos cientistas, organizações e estudantes que tenham desenvolvido métodos de substituição aos animais utilizados em pesquisas.

A lista de pré-selecionados contemplou os projetos do Instituto 1R e da Rede Brasileira de Educação Humanitária (RedEH), além de iniciativas das pesquisadoras Cristina Guerra de Souza (Universidade Federal de Santa Catarina) e de Jaqueline De Andrade Torres (Universidade Católica Dom Bosco) que foram escolhidas na categoria “América”.

O prêmio Lush Prize está oferecendo USS75 mil ao jovem cientista da América do Sul que apresente alternativas ao uso de animais em testes de segurança química. A intenção é fornecer os fundos necessários para promover a inovação no campo da toxicologia sem a necessidade de utilizar animais.

A ANDA conversou com a estudante Jaqueline da UCDB indicada ao prêmio, que deu o nome provisório ao seu projeto de: “Apontamentos Críticos sobre o Ensino de Análise Experimental do Comportamento e Proposta Experimental de Novo Método”. Segundo ela, “a pesquisa consiste em uma análise crítica sobre o ensino de análise experimental do comportamento na Psicologia, além de uma pesquisa experimental de um novo método de ensino”.

Jaqueline explicou que na Psicologia: “existe a tradição de usar ratos e a Caixa de Skinner em experimentos, porém há outros métodos substitutivos, como por exemplo, os softwares Sniffy Pro e CyberRat, mas infelizmente um movimento dentro da Ciência Psicológica quer retomar o ensino com ratos nas universidades que já utilizam substituição ao uso de animais em testes de segurança química.

E ela completa: “Quero testar um método que possa contemplar as demandas ética e técnica, abrindo espaço para reflexões sobre a maneira que a própria Psicologia encara os animais não humanos”.

Nota da Redação: A categoria “América” foi criada este ano para incentivar projetos de estudantes sul americanos. O Brasil foi o único país da América do Sul a participar do primeiro ano da premiação. Portanto, é necessário o contínuo engajamento de estudantes, pesquisadores e organizações científicas para que concorram aos prêmios que são um grande incentivo à promoção da Ciência Ética.

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Prêmio mundialmente pioneiro contra testes em animais abre inscrições para novos projetos

Lu
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Cientistas, defensores e ativistas da luta contra testes em animais já podem se candidatar para o Lush Prize, prêmio global que já deu mais de um milhão de libras para iniciativas que se destacam na não-utilização de animais para testes ao redor de mundo todo.

Com prêmio de £250,000, o Lush Prize – uma colaboração entre a Lush Cosmetics e a Ethical Consumer Research Association – é o maior fundo de premiação global no setor de alternativas ao uso de animais em testes científicos.

Mais de 50 projetos em 22 países já foram apoiados, como organizações protetoras de animais em Taiwan e Rússia, no Instituto Karolinska, na Suécia, e o programa da OECD, Adverse Outcome Pathway, na França.

As inscrições para o Lush Prize 2016 já estão abertas no site www.lushprize.org. Há dois anos consecutivos, brasileiros também foram vencedores na premiação e para esse ano espera-se ainda mais candidatos do país.

As categorias para inscrição são divididas em cinco tópicos: Ciência, Treinamento, Jovens Pesquisadores, Lobbying e Conscientização Publica.

No ano passado, um prêmio adicional, o Black BPrize, foi entregue por avanços chaves em pesquisa de caminhos de toxicologia humana, especificamente por trabalhos conduzidos em “caminhos de sensações na pele”. Os vencedores do Black Box receberam o maior prêmio, de £250,000, além de um adicional de £200,000, que foi dividido entre os vencedores das outras cinco categorias.

Também já receberam o prêmio 19 Jovens Pesquisadores de nove países diferentes, com £10,000 cada um para apoiar suas carreiras futuras em ciências sem o uso de animais. Esse ano, os juízes estão à procura de Jovens Pesquisadores da Ásia e das Américas, onde o apoio a alternativas à testes em animais ainda é escasso.

Porta Voz do Lush Prize, Craig Redmond diz que “Até o momento, já conseguimos dar 1.2 milhões de libras a pesquisadores que substituíram por completo os testes em animais, assim como grupos de campanha que ressaltam pesquisas em animais como cruéis e cientificamente não-confiáveis. Estamos animados com o lançamento do Lush Prize 2016 com um foco maior em apoiar jovens pesquisadores, principalmente na Ásia e nas Américas. Esses jovens cientistas precisam de fundos e encorajamento para continuar suas carreiras em avanços de pesquisas que não utilizam animais e nós podemos oferecer uma plataforma para isso.”

Nomeações para o prêmio podem ser feitas online no site The Lush Prize 2016
As inscrições se encerram no dia 24 de julho.

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Empresa oferece £250,000 à ciência livre de animais

Por Karina Bentes (em colaboração para a ANDA)

Foto: Divulgação
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A maior premiação global anual do setor de testes em animais abriu suas inscrições nessa semana, com um fundo de £250,000 para premiar cientistas e ativistas.

As inscrições para o Lush Prize 2015 foram abertas no dia 24 de Abril, Dia Mundial dos Animais de Laboratórios. Esse quarto ano da premiação Lush Prize chega a um milhão de libras que foram entregues para iniciativas de apoio ao fim do uso de animais em pesquisas de toxicologia (testes químicos).

Um projeto conjunto entre a empresa de cosméticos Lush e o grupo de pesquisa Ethical Consumer, a premiação foi criada para impulsionar a substituição completa de animais em experimentos.

As cinco categorias principais da premiação cobrem cientistas, treinadores, jovem pesquisadores, conscientização pública e lobby, criando uma ponte entre toda a rede necessária para criar alternativas cientificas humanas e relevantes que sirvam como alternativa para o uso de animais. Existe uma sexta categoria, Black Box Prize (O Prêmio da Caixa Preta), disponível pra qualquer cientista ou equipe responsável por uma descoberta chave para a trajetória da toxicologia humana. Nessa ocasião, o montante de £250,000 será entregue para essa categoria exclusivamente.

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Trinta e sete cientistas e organizações em 19 países já foram beneficiados do fundo de £750,000 do Lush Prize por suas ‘contribuições espetaculares’ para a substituição dos testes em animais. Os ganhadores de 2014 refletiram a natureza global da premiação, representando 11 países, incluindo os primeiros ganhadores da África e América do Sul, sendo um dos ganhadores o jovem pesquisador brasileiro Róber Bachinski.

O porta voz do Lush Prize, Craig Redmond, diz: “Os testes em animais estão cada vez mais sendo reconhecidos como não científicos e duvidosos. Para completar, um relatório do Oxford Centre for Animal Ethics (Centro Oxford para Ética Animal) descreveu esses experimentos como ‘moralmente impensáveis’. O Lush Prize une cientistas, ativistas e lobistas que incentivam o progresso em atividades científicas mais humanas e mais relevantes para o fim dos testes em animais. Nós estamos animados de estarmos novamente recompensando trabalhos incríveis por todo o mundo.”

As inscrições para o Lush Prize podem ser feitas online no site oficial e encerram no dia 24 de julho. Um painel de jurados especialistas de todo o mundo, incluindo o brasileiro Thales Trez que participa pelo segundo ano consecutivo, irão se reunir em setembro e os vencedores receberão seus prêmios durante uma conferência e jantar de premiação em Londres em novembro.

O Lush Prize é uma parceria entre a Lush e a Ethical Consumer para apoiar a toxicologia livre de animais e foi desenvolvido para recompensar grupos ou indivíduos que trabalham no campo de pesquisas científicas livres de crueldade, conscientização e lobby para ajudar a acabar com os testes em animais. O fundo anual de £250,000 é o maior prêmio do setor de testes alternativos sem animais, e o único a focar apenas na substituição de animais em testes. Ele pretende colocar pressão para testes seguros para produtos de consume de uma maneira que complemente projetos já existentes direcionados aos testes de medicamentos.

 

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