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Peça de teatro aborda direitos animais em curta temporada em SP

Um quilo de ração dá direito à meia entrada e ao final de cada espetáculo um cão pronto para adoção é apresentado no palco

Atores e diretor com cachorrinha Nala que foi adotada numa temporada anterior da peça. Foto: divulgação.

Depois de estampar as notícias diariamente, inspirar as artes em seus diversos segmentos e virar pauta da política, a causa animal tem ganhado os palcos de teatro. É o caso da peça Benjamin que estará no Teatro da Livraria Giostri (Rua Rui Barbosa, 201- Centro/SP) de 1 a 16 de fevereiro, somente aos finais de semana. A doação de um quilo de ração dá direito a meio ingresso e, ao final de cada espetáculo, um cãozinho para adoção é apresentado ao público.

Nas primeiras duas temporadas, no ano passado, mais de meia tonelada de ração foi doada para ONGs e  nove cachorros foram adotados – o rapper Projota foi responsável por uma delas.

A peça é a terceira do Grupo ARCA, criado pelo artista armênio Arthur Haroyan, e conta a história de Benjamin (Mário Goes), vira-lata que promove mudanças profundas na vida de Berta (Júlia Marques), mulher que o adota após ser traída pelo marido, Nöah (Lisandro Leite), durante sua lua de mel em Istambul (Turquia).

Alguns dos temas discutidos na peça são a falta de leis de proteção animal, precariedades dos abrigos e questões como abandono, eutanásia, sacrifício e qualidade de vida dos animais. Benjamin sofre questões ligadas à indiferença do ser humano, tornando-se assim um representante de vários outros animais que passam por situações semelhantes.

A inspiração surgiu a partir de Raffí, cachorro de Arthur que morreu no ano passado: “Raffí era um akita. Ganhei ele ainda bebê, me apaixonei à primeira vista. Ele tinha um comportamento de gato e, já que agia como um gato, entendi que meu filho nasceu no corpo errado. Então deixei ele ser um gato, mas eduquei como um humano. Era reconhecido como o cachorro mais elegante do Brooklin pelos pedestres do bairro onde eu morava na época. Ninguém passava indiferente. Os vizinhos comparavam o caminhar dele com o jeito de desfilar da Gisele Bündchen”.

Sobre o tema da peça o diretor diz: “Quis escrever algo sobre causa animal por conta das muitas maldades que os humanos causam aos bichos. No meio das minhas pesquisas, Raffí adoeceu de câncer. Quis fazer uma homenagem a ele e outros peludos, então viajamos juntos, longe da loucura da cidade. Eu era o humano mais feliz do mundo porque ele estava sempre ao meu lado me inspirando. Mas Raffí não esperou eu finalizar o texto e morreu apesar de todos os tratamentos tradicionais e alternativos que tentamos”.

Arthur descreve a dor de perder seu companheiro: “Ele se foi em menos de um mês. Uma parte de mim se foi junto, para sempre! Aqueles dias foram os piores da minha vida, mais do que ficar sob os escombros do terremoto de 1988, na Armênia, ou servir no exército russo enquanto um sniper turco mirava a minha cabeça. A ferida é recente e dói ainda. Fiz uma tatuagem grande com o rosto dele no meu peito, na altura do coração. Mas quando você acha que está no fundo do poço vem a arte para te salvar”.

A peça Benjamin tem ambientação inspirada nos anos 40, com referência ao cinema mudo, à filmografia de Charlie Chaplin e a estrutura do jogo de xadrez, com peças brancas e pretas que se colidem e se misturam durante a partida. “O cenário é composto por muitos elementos geométricos e brancos, que vão tomando outras cores após a entrada de Benjamin e mudam novamente depois do retorno de Nöah”, conta Arthur. O dramaturgo explica que a chegada de Nöah “suja” o ambiente, como se ele trouxesse uma atmosfera venenosa e pesada a um espaço que havia sido colorido por Benjamin.

Sobre o Grupo ARCA

Benjamin é o terceiro espetáculo do grupo ARCA, coletivo de pesquisas artísticas criado em 2011 por Arthur Haroyan. O nome do grupo é inspirado na história bíblica da Arca de Noé. O primeiro espetáculo, “1915”, foi baseado na história dosbisavós de Arthur e se ambientava no período do genocídio armênio. “Fora Desse Mundo”, segunda peça do grupo, foi escrita a partir de uma viagem de Arthur às montanhas de Cáucaso, também na Armênia, onde o artista teve contato com diversas comunidades isoladas do restante do mundo.

Ficha Técnica

Dramaturgia, direção e cenário: Arthur Haroyan. Assistente de direção: Gu Freitas. Elenco: Mário Goes, Júlia Marques e Lisandro Leite. Preparação Corporal: Sidnei Araújo. Figurinos e adereços: Willian Gama e Grupo ARCA. Caracterização: Carol Rossi. Preparação Vocal e Fonoaudióloga: Marília Marques Ramos. Criação de Luz: Georgia Ramos. Composições e Interferências Sonoras: Arthur Haroyan. Hidden Track: Linda Geyman (Rússia). Cenotécnicos: Alfredo Wagner Filho e Rodrigo Briones. Fotografia: Leonardo Santos (Estúdio Meu Ensaio Fotográfico).

Serviço

Benjamin

De 1º a 16 de fevereiro, sábados às 21h e domingos às 19h.

Local: Giostri Livraria Teatro (R. Rui Barbosa 201, – Bela Vista, São Paulo – SP 01326-010, Telefone: 2309-4102)

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Vendas: na bilheteria do teatro ou pelo sympla.com.br

Capacidade: 50 lugares.

 

 

 

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