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Linhas elétricas são invisíveis para as aves

As aves voam na direcção das linhas elétricas porque têm “pontos cegos” no seu campo de visão. Esses novos dados podem ajudar os ornitólogos e companhias de distribuição elétrica a alcançar soluções para diminuir a taxa de mortalidade das aves devido a choques com as linhas.

Especialistas descobriram que a Abetarda-gigante (Aerdeotis kori), Grou-azul (Anthropoides paradisea) e Cegonha-branca (Ciconia ciconia), apresentam pontos cegos significativos na sua visão. Essas aves não distinguem obstáculos à sua frente, quando inclinam a cabeça para baixo durante o voo, a fim de encontrarem locais para se alimentarem.

Embora estas aves apresentem características distintas, partilham a técnica de forrageamento, ou seja, guiam visualmente o seu bico para obterem alimento. Esta técnica requer uma excelente visão no fim do bico, o que resulta num campo de visão estreito e grandes pontos cegos em outras direções.

“Nem todos os pássaros ficam cegos na sua visão dianteira quando olham para baixo, mas podemos sugerir que esta característica se aplica a todos os grous, abetardas e provavelmente a outros grandes predadores como águias e abutres”, refere o Professor Martin.

Esta descoberta, publicada revista Biological Conservation, sugere que este problema não pode ser prevenido pela alteração da aparência das linhas elétricas. Apesar dos esforços para tornar as linhas mais visíveis, através do uso de marcadores refletores, algumas espécies ainda apresentam taxas de mortalidade elevadas. Estima-se que milhões de aves são mortas, todos os anos em nível mundial, por colidirem com linhas elétricas.

Fonte: Naturlink

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Linhas de eletricidade matam 3 mil aves por ano nos Açores

A colisão com linhas elétricas e a eletrocussão provocam anualmente a morte de cerca de 3 mil aves nos Açores, segundo estimativas da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) que preocupam a Eletricidade dos Açores (EDA).

“Estimamos que a interação com as linhas elétricas provoque a morte de cerca de 3 mil aves por ano”, afirmou Hugo Sampaio, técnico da SPEA, que desenvolveu um estudo sobre este problema em oito das nove ilhas dos Açores. Neste estudo, que apenas não incluiu a ilha do Corvo, foram encontradas 452 aves mortas por eletrocussão ou colisão com linhas de transporte de eletricidade no espaço de um ano, o que levou à estimativa de cerca de 3 mil mortes anuais no arquipélago.

“Se acontece este mal, é porque alguma coisa está falhando”, admitiu José Manuel Marques, responsável pela Qualidade e Ambiente da EDA, acrescentando que a solução do problema pode passar pela colocação de sinalizadores nas zonas onde ocorrem mais colisões. Há quatro anos a SPEA e a EDA assinaram um protocolo para avaliar a interação entre a avifauna e a rede de transporte e distribuição de energia elétrica nos Açores. 

O estudo, realizado durante um ano, detectou 452 aves mortas, das 315 por colisão com linhas elétricas e 137 por eletrocussão. A espécie mais afetada pela eletrocussão foi o milhafre, devido ao seu porte e hábitos de caça. “O milhafre tem uma visão muito apurada, é das poucas espécies que gosta de pousar nos postos para caçar”, salientou Hugo Sampaio, acrescentando, no entanto, que o problema também atinge espécies menores como gaivotas de patas amarelas, pombos das rochas, estorninhos malhados ou melros.

As ilhas Graciosa, Terceira, Santa Maria e Pico são, segundo este especialista, as que apresentam mais mortes por eletrocussão, enquanto em S. Miguel se encontram as linhas mais modernas e os postes mais seguros. A EDA, segundo José Manuel Marques, considera que “é importante atuar” nesta área, tendo passado a realizar desde 2009 “algumas ações na manutenção e construção de linhas conducentes à diminuição do impacto na avifauna”.

Nesse sentido, a elétrica açoriana pretende,  em breve, adquirir dispositivos anticolisão, que serão colocados inicialmente em S. Miguel e na Terceira.

José Manuel Marques garantiu que a EDA deverá intervir em todas as ilhas até 2011, alterando a configuração dos suportes de apoio das linhas, o que deverá evitar as mortes de aves por eletrocussão. “O plano da EDA abrange todas as ilhas, de acordo com o que foi estabelecido com a SPEA”, afirmou, acrescentando que “os resultados deverão aparecer já este ano”.

Ainda segundo José Manuel Marques, as novas linhas de transporte de eletricidade que vierem a ser construídas “já terão em consideração as novas tipologias de apoio”.

Fonte: SIC


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