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Colunista da ANDA lança livro sobre educação vegana e o ensino de direitos animais

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Divulgação

A causa animal brasileira acaba de ganhar mais uma contribuição pedagógica interdisciplinar, trata-se da coletânea “Educação Vegana: perspectivas no ensino de direitos animais” organizada pelo educador vegano e colunista da ANDA, Leon Denis.

A obra é composta por quatro capítulos. O primeiro assinado por Leon Denis trata de uma reflexão sobre a definição de educação vegana a partir de pensadores da Filosofia contemporânea neoaristotélica e a possibilidade de uma educação pautada nas virtudes no ensino público brasileiro. O segundo é de autoria da arte educadora Priscila Tessuto, que apresenta uma reflexão sociológica sobre o status de propriedade dado aos animais não humanos a partir de E. Durkheim. O terceiro escrito por Sarah Rodrigues, também colunista da ANDA, versa sobre como trabalhar os direitos animais nas aulas de Matemática tendo como referencial a educação matemática crítica. E por fim, o quarto capítulo traz uma belíssima análise que Evely Libanori e Diego Fascina fazem da obra de Clarice Lispector tendo como fio condutor o respeito à animalidade que perpassa sua produção literária.

Uma obra para educadores, pesquisadores, ativistas e simpatizantes da causa animal.

O livro pode ser adquirido pessoalmente nas Livrarias Loyola ou pelo email: cesar@editorafiloczar.com.br.

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Colunistas, Educação Vegana

Educação vegana abolicionista e o problema do bem-estarismo

Educação vegana, como vem sendo definida há algum tempo, é uma ação direta pedagógica crítica e autocrítica, que busca levar ao maior número de pessoas a proposta ética que funda a teoria dos direitos animais e o modo de vida vegano. É uma pedagogia animalista abolicionista (1).

Engajar-se nessa forma de ativismo exige coerência no falar e no fazer. Educar veganamente só é possível dentro da perspectiva abolicionista. Por isso, os veganos e veganas que escolhem deliberadamente esse caminho sabem que o mesmo exige tanto coragem, prudência e senso de justiça, quanto paciência. Paciência e compreensão de que abolir habitus (disposição incorporada) e tradições milenares não se faz da noite para o dia, logo, diante de tanto sofrimento animal, não se deve sucumbir diante da anestésica ideologia bem-estarista.

É importante sempre lembrar do que se trata ao falar desse canto da sereia, chamado bem-estarismo. Como já foi publicado antes, o bem-estarismo é uma: “corrente filosófica, científica e jurídica que defende a diminuição do sofrimento dos animais não humanos, a eliminação da dor física e das formas de manejo e confinamento que possam produzir um grande dano neles como produtos, como propriedade, como fonte de lucro. O bem-estarismo propõe novas leis para diminuir a dor e sofrimento dos animais, mas não os vê como pessoas, indivíduos sencientes que não querem ser usados como coisas, a ideia é minimizar os danos no produto. O bem-estarismo defende maneiras menos dolorosas de exploração, como jaulas maiores, abates “humanitários”, criação extensiva, experimentação com anestésico, ou seja, o status de propriedade dado aos animais não humanos há séculos continua na proposta bem-estarista.

Para o bem-estarismo a vida dos animais não humanos tem menor valor moral que a dos animais humanos, por isso, sua atuação é direcionada a melhorar as condições em que os animais não humanos se encontram nas fazendas industriais, nos laboratórios, nos parques de entretenimento, e em todos os locais onde se encontram confinados. O bem-estarismo não vê problema algum no uso que fazemos dos outros animais, o problema, para os bem-estaristas está na maneira como usamos” (2).

Defender uma perspectiva bem-estarista é negar o modo de vida vegano e a teoria que o sustenta, os direitos animais. Ou a pessoa é vegana, e consequentemente abolicionista, ou é bem-estarista. Não é possível ser vegano e ser bem-estarista ao mesmo tempo. Se algum vegano ou vegana defende essa corrente, ela simplesmente está negando o que funda o modo de vida vegano que é a abolição de todo tipo de uso que os humanos fazem secularmente dos animais não humanos. Ser vegano e bem-estarista é tão contraditório quanto ser “ovolactovegetariano”. São contradições em termos. Veganismo e bem-estarismo são visões de mundo literalmente antagônicas, ou como bem sintetizou Daniel Lourenço: “Em verdade, a concepção bem-estarista (welfarism) e a dos direitos animais partem de premissas completamente distintas” (3).

Quando extrapolamos nossa escolha deliberada em não compactuar com o uso e a exploração animal adotando não só o modo de vida vegano, mas escolhendo educar os outros sobre essa perspectiva abolicionista, sobre esse novo olhar, nossa responsabilidade ética é expandida. Educar veganamente exige pesquisa séria sobre os fundamentos da teoria dos direitos animais e do modo de vida vegano. Ou seja, exige gastar tempo com leituras e mais leituras sobre Ética Animal, Nutrição, Geopolítica, História, Neurociências, entre outras áreas do conhecimento que sustentam a defesa da expansão do círculo moral para além do animal humano. Aquisição de conhecimento que deve ser mediada pelo debate crítico e autocrítico com apologistas e opositores aos direitos animais.

Ao estudar a história do movimento de defesa dos animais não humanos (4), constata-se que a corrente bem-estarista, desde seu início no século XVII, não trouxe nenhum avanço para os animais não humanos nas múltiplas formas que são costumeiramente usados pelos humanos. Muito pelo contrário do que afirmam os bem-estaristas, para os animais não humanos, não houve um avanço sequer, continuam sendo tratados como coisas, produtos. Deveres indiretos, nada mais. Talvez, para a consciência de quem explora e usa, aumentar a baia de confinamento das porcas de cinquenta centímetros para oitenta centímetros, seja um grande avanço. Aumentar a gaiola das galinhas, ou mesmo tirá-las da gaiola e colocá-las em galpões fechados, seja um grande avanço.

Há séculos a tese bem-estarista é a mesma: trocar a corrente pela corda; trocar a grade pequena pela média; aumentar o tanque de água e diminuir as apresentações das orcas; trocar a marreta pela pistola pneumática; não vivisseccionar antes de anestesiar… Mas com um diferencial hoje do de outrora, extremamente cínico como de costume, que todo esse “avanço” seja inspecionado e dirigido por um médico veterinário. Como os médicos que davam seu aval de autoridades nos campos da Alemanha nazista; assim como os médicos que davam seus laudos atestando o bem-estar dos presos políticos nos porões da repressão da ditadura militar brasileira. Para um bem-estarista, a presença de um médico veterinário nos campos de concentração e extermínio de animais não humanos é sinônimo de que os confinados ali são bem tratados, vivendo plenamente seu bem-estar a seu próprio modo (5).

A escolha em se engajar numa educação vegana abolicionista, seja formal ou não, exige reflexão crítica sobre a prática e, não menos, sobre a teoria que o sustenta. Reflexão crítica sobre as múltiplas possibilidades de sua aplicação. Segundo Freire, “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática” (6). É esse movimento dialético que os bem-estaristas se recusam fazer. É uma negativa que não vem da ignorância, pelo contrário, são bem sabedores dessa necessidade concreta, a negação vem da má-fé. Defender bem-estarismo é agir com má-fé. Algo que não cabe aos veganos, muito menos àqueles que escolheram educar veganamente a partir da perspectiva abolicionista.

Os bem-estaristas fazem uma falsa crítica ao especismo, e são avessos à prática da autocrítica. Enquanto a educação vegana é movida pela convicção de que a abolição é possível, não da noite para o dia, mas concretamente possível; os bem-estaristas se engajam numa propaganda ideológica de desmoralização do abolicionismo animal. Os bem-estaristas defendem que a abolição do uso dos animais não humanos nunca ocorreu e nem dá sinais de que um dia vá ocorrer, se continuar com o atual discurso radical de que a única solução é a adoção do modo de vida vegano. Para os bem-estaristas, somente por via de leis que obrigam os “proprietários” a tratar bem suas propriedades (reformas na redução dos danos) vamos um dia alcançar o abolicionismo.

Para os bem-estaristas, somente por via de acordos entre mega organizações internacionais de “defesa animal” com indústrias multimilionárias de exploração animal, sobre a melhoria na forma de confinamento dos animais (reformas na redução dos danos), um dia chegaremos à abolição. Para os bem-estaristas, o importante é amenizar o sofrimento das vítimas, e isso é encarado como um avanço.  A questão ética que se coloca aqui e que os bem-estaristas fogem de responder é: e se trocarmos os animais não humanos por humanos, vocês defenderiam a redução e a amenização do sofrimento das vítimas ou lutariam pela total abolição?

Para os bem-estaristas, os abolicionistas animalistas não conseguiram uma “abolição” sequer até hoje. Para os bem-estaristas não basta estudar a senciência com um intuito de criar reformas no modo de usar os animais reduzindo danos na propriedade, é preciso ignorar as poucas, mas fundamentais, vitorias no processo de mudança no status moral dos animais adquirida pelos direitos animais, e consequentemente a abolição de alguns usos em contextos específicos. Se em séculos de bem-estarismo, com centenas de leis com o objetivo de redução dos danos, não tivemos nenhuma mudança no status moral dos animais não humanos provocada por elas; por outro lado, em poucas décadas de abolicionismo animal (desde novembro de 1944, passando pela explosão filosófico-científica iniciada pelo Grupo de Oxford) tivemos algumas vitorias. Apenas a título de ilustração:

– Quando cidades, Estados ou países proíbem a produção e comercialização de foie gras, não é um exemplo da abolição na prática?

– Quando a Costa Rica decidiu em 2013 fechar todos os seus zoológicos estatais, não é um exemplo de abolição na prática?

– A proibição de apresentações de animais não humanos em circos em dezenas de cidades e em alguns Estados brasileiros, não é um exemplo da abolição na prática?

– A recente decisão do STF quanto à vaquejada no Estado do Ceará, não é um exemplo de abolição na prática?

Os educadores veganos abolicionistas, formais ou não, são pessoas radicalmente convictas de que a abolição é possível. Não da noite para o dia, mas lentamente, com muita luta teórica e prática, nos mais variados campos. Nenhuma abolição de uma forma de preconceito e discriminação foi alcançada da noite para o dia, mas pela via de uma cansativa e longa batalha moral. A convicção de que a abolição é possível vem da fundamentação dos educadores veganos, leitores atentos da história (das escravizações, das colonizações, dos impérios).

Apesar de toda a história do movimento de defesa animal deixar bem claro que devemos tapar os ouvidos diante do canto das sereias bem-estaristas, pois, caso contrário, iremos naufragar nas profundas águas do especismo, muitos veganos e veganas hoje se deixam encantar por esses sons. Hoje já não cabe mais a desculpa de que “eu não sabia”. O conhecimento está massificado. Ser vegano e vegana significar ser adulto e não mais uma inocente criança, em termos éticos.

Para educar veganamente, devido à responsabilidade ética que lhe configura, não cabe inocência. O canto bem-estarista que nos anestesia a consciência, dizendo que aumentar as jaulas é reduzir danos, que tirar a carne do prato um dia da semana é um avanço, e que tudo que minimiza o sofrimento é um passo para a abolição, já não deveria encantar mais. Ser adepto do modo de vida vegano e reproduzir o canto bem-estarista é ser uma contradição ambulante, e um exemplo de incoerência e má-fé.

É preciso viver um veganismo como ele é: abolicionista. Logo, sem se deixar levar pelo canto anestésico do bem-estarismo, a versão mais monstruosa e cruel do especismo.

Notas:

1) Leon DENIS. Educação vegana: tópicos de direitos animais no ensino médio. São Paulo: LibraTrês, 2012. p.138. Leon DENIS (org.). Educação vegana e a perspectiva neoaristotélica contemporânea. In: Educação vegana: perspectivas no ensino de direitos animais. São Paulo: FiloCzar, 2016. p.13. (no prelo).

2)  Veja aqui.

3) Daniel B. LOURENÇO. Direito dos animais: fundamentação e novas perspectivas. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Ed., 2008. p. 325.

4) Duas obras de fácil leitura sobre a história do movimento de defesa animal que indico são: “Animal revolution: changing attitudes towards speciesism” e “The political animal: the conquest of speciesism”, ambas de Richard Ryder. Além da monumental obra do Daniel Lourenço citada na nota anterior. Que é leitura obrigatória.

5) Veja “Comer Animais” de Jonathan Foer, um dos mais recentes tratados em defesa do bem-estarismo e da manutenção do status de coisas dado aos animais não humanos há séculos. Quanto à crítica ao bem-estarismo, veja as obras: “Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas”, “Galactolatria: mau deleite”, e, “Acertos abolicionistas: a vez dos animais” de Sônia Felipe, além de sua vasta produção em artigos.

6) Paulo FREIRE. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 39.

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Atleta vegano ganha medalha de ouro em campeonato de jiu-jítsu

No pódio do dia 17, ouro com kimono
No pódio do dia 17, ouro com kimono

Nos dias 17 e 18 de setembro, na cidade de Barueri (SP), foi realizado o “São Paulo International Open” de jiu-jítsu, sendo no dia 17 com kimono e no dia 18 sem-kimono (NO-GI) promovido pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), evento esportivo que contou com a participação do ativista pelos direitos animais, o educador vegano Leon Denis, que também é colunista da ANDA e praticante dessa arte marcial. Leon ficou com duas medalhas de ouro em sua categoria com e sem kimono. Ao falar sobre sua luta no sábado, Leon demonstra surpresa com a velocidade da luta e preocupação com a saúde do adversário.

“Minha luta foi muito rápida, menos de um minuto. Puxei o adversário para guarda, ele tentou passá-la. Coloquei-o numa técnica que gosto muito, a “meia-aranha”, ele abafou minhas pernas pra passar minha guarda, fazendo pressão nos meus joelhos, na hora que ele fez isso, acabou inclinando pra cima do meu corpo, pra pesar nas minhas pernas, aí foi o momento que soltei a pegada que estava fazendo na calça dele e entrei um um estrangulamento rodado, e ele pesou achando que ia passar, na hora que fez isso, dei um giro de 360 graus (no estilo do relógio, que outra técnica) e só senti ele pesando em minha perna direita. Pensei: “nossa, não tá pegando”. Mas estava, ele estava pesando por que apagou, ele desmaiou. A arbitra, foi a Talita Treta, ela demorou pra perceber que ele apagou. Quando ela pediu para eu soltar, ele estava todo roxo. Ela chamou os médicos pra ajudá-lo. É uma situação comum no jiu-jítsu, a pessoa apagar caso ela não interrompa a luta quando sente que o golpe pegou, mas mesmo assim, fiquei preocupado por causa do pescoço dele e do nariz que sangrava. Isso tudo não durou nem um minuto.”

No pódio do dia 18, ouro no NO-GI
No pódio do dia 18, ouro no NO-GI

“Não posso deixar de agradecer aos meus apoiadores, Paulo e Ivonete Nakashima (Lar Vegetariano), Rama Vegano (Vegnice), o colega Edson Nehring, o juiz Sandro Rollo, a médica Taísa Leonardo, e o mestre Diego Balloutta. Sem o apoio dessas pessoas eu não teria participado do campeonato e conquistado mais uma vitória. Vitória que é bom ressaltar, não é minha, mas nossa, de uma equipe de treino, de uma coletividade que representa a causa animal”, afirma Leon, ao agradecer o apoio recebido.

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Atleta vegano conquista medalha em campeonato de jiu-jítsu em Barueri (SP)

Divulgação
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Na última sexta-feira, 29 de abril, na cidade de Barueri, SP, o colunista da ANDA, Leon Denis, ficou com o terceiro lugar em sua categoria no Campeonato Brasileiro de jiu-jítsu, evento esportivo promovido pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu (CBJJ).

A derrota não impediu Leon de torcer para um colega que o retirou pela segunda vez da final do campeonato e que acabou ficando com o título. “Fico feliz pelo Luis Carlos ter ganhado esse campeonato, ele merece. Nos conhecemos no Brasileiro do ano passado. Independente de sermos de equipes que se enfrentam aguerridamente nos campeonatos, nos tornamos parceiros”, complementa.

“Gostaria de destacar a importância dos meus apoiadores: Surya Brasil – Solidária, VegNice: eventos veganos & ações solidárias, e Lar Vegetariano Vegan, que possibilitaram a minha participação no campeonato. Além do suporte técnico do mestre Diego Balloutta, e a força das amigas Taísa Leonardo e Chris Cordovil”, afirma Leon, ao agradecer o apoio recebido.

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Atleta vegano é campeão sul-americano de jiu-jitsu

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

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Nos dias 28 e 29 de novembro, na cidade de Barueri-SP, foi realizado o “Sul Americano” de jiu-jítsu, promovido pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), evento esportivo que contou com a participação do ativista pelos direitos animais, o educador vegano Leon Denis, que também é colunista da ANDA e instrutor dessa arte marcial. Leon ficou com a medalha de ouro em sua categoria.

“É importante destacar que sem o apoio da ‘Nutriveg – Nutrição Vegetariana’, através do conhecido nutricionista vegano Dr. George Guimarães, do Lar Vegetariano Vegan, através dos amáveis Paulo e Ivonete Nakashima; da ativista vegana Taísa C. S. Leonardo que gentilmente me hospedou em São Paulo, do meu irmão Flavio Luis, e do mestre Diego Balloutta (DBT/Gracie Barra-GV) pelas aulas técnicas e principalmente por me receber tão bem na família DBT, essa conquista não teria sido possível”, afirma Leon, ao agradecer o apoio recebido.

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Colunistas, Desobediência Vegana

A censura e o ensinar abolicionista

Pawel Kuczynski

“Professores leem pouco no Brasil, diz estudo”. Tá na cara que precisamos melhorar a educação no país, professores e alunos, sem essa desculpa de que precisa vir de casa. Somos pagos para ensinar. Em outras palavras, somos agentes de mudanças e transformações sociais e não sujeitos passivos que simplesmente aceitamos uma realidade imposta. Assim deveria ser. Todas as dificuldades que surgem como argumentos não são barreiras para professores exemplares.

Recentemente, um professor foi expulso de suas atividades por ensinar direitos animais aos seus alunos. O ato em si é bastante atrasado, mas o que considero mais bárbaro é o silencio ao redor de tudo. Dos professores. O consentimento da sociedade.

O que aconteceu aqui, se deu como nos tempos da ditadura. Ele foi acusado por pais que se sentiram incomodados por um professor no seu pleno direito de exercer sua profissão, e dentro dela, o dever de questionar o status quo, as tradições, o sexismo, o racismo, e questões outras, entre elas a mais nova até agora silenciada: os direitos animais, afinal, ele é professor de filosofia!

Qual profissional seria capacitado para tal atividade? Se até eu mesma nas minhas aulas de biologia sou habilitada a trabalhar esses assuntos nas aulas e em conteúdos transversais?

O mais sórdido de tudo é que nas reuniões de professores, onde todo mundo fica encenando, se fala muito em temas transversais, transdisciplinaridade e etc etc, com aquele vocabulário babaca e cheio de floreios que todo professor e pedagogo conhece, onde se quer fazer o educador engolir e decorar aquele monte de regras, mas que depois esquece para entrar na sala de aula e ensinar a mesma decoreba. Não é assim senhores professores?

Para ver conteúdos violentos, sexistas ou pornográficos na TV e no celular todo aluno tem capacidade e os pais não tem lá toda essa preocupação, mas para ver um documentário, por exemplo, sobre a realidade que enfia na boca e ajuda a financiar, aí fica nervoso, e vai correndo fazer BO? Não. Esses materiais e outros são recursos pedagógicos, usado na dose certa, no momento certo, para a faixa etária correspondente. Não estamos lidando com retardados. E somos bons professores.

Qual é o problema com a educação no Brasil? É preciso rebaixar tanto assim a qualidade da educação nas escolas? E a ordem para baixar o nível vem de cima?

A ordem de dispensa foi dada pela superintendência de ensino, somente porque os pais fizeram acusações sobre a pessoa do professor, nem mesmo quiseram dialogar com o mesmo. Uma decisão autoritária. Mostrando que umas poucas pessoas exercem um grande poder sobre toda uma superintendencia. Talvez não seja apenas isso. Talvez seja isso e também mais uma questão. Uma questão de deseducação e preconceito. Uma questão especista.

Esses poucos pais, foram reclamar de um assunto que está começando a tomar corpo atualmente no Brasil. Os direitos animais, a educação vegana. O professor Leon Denis é conhecido internacionalmente por ensinar direitos animais, ética animal e veganismo em escolas públicas no Brasil.

Eu mesma pratiquei a educação vegana no EJA em escola particular e muitos projetos com adolescentes e adultos, mas nas escolas onde lecionei nunca houve problema, fazia diversas práticas com vídeos, palestrantes. Inclusive em uma noite praticamente a escola inteira parou para assistir o documentário ‘A carne é fraca’. Todas as turmas com seus professores, se revezavam, para assistir. Essa noite foi tão importante na escola que saiu no Jornal Vale dos Sinos de Sapucaia do Sul: “Colégio promove palestras sobre vegetarianismo”.

“Fui informado pelo inspetor escolar que estou impedido legalmente de lecionar durante os próximos três anos no Estado de Minas Gerais. Está na resolução SEE n. 2741/15. No dia do professor, 15 de outubro, deixei de ser professor. Quanta ironia e injustiça. Sou um espírito livre, e incomodo por isso. A filosofia crítica incomoda. A verdade dos fatos incomoda. E estou pagando o preço por ser adepto da veracidade como virtude. Por defender em aula todos aqueles que estão em constante estado de vulnerabilidade. Os grandes pensadores, aqueles que são minha fonte de inspiração, na filosofia, na literatura, nas ciências, nunca foram bem vistos pela teocracia, pela oligarquia, pelos mantenedores do status quo; pelo contrário, sempre incomodaram e foram caçados pelas ideias que defendiam.” Essas foram as palavras do educador e escritor Leon Denis.

Aos bons professores, aos educadores que apoiam o professor Leon Denis e que também passam por lastimosos percalços, só posso dizer:

É fácil, muito fácil ser o torpe de sempre, vestir a mesma roupa, comer a mesma coisa, ter as mesmas ideias e passar isso adiante, como sendo o certo. É barbada ser um professor mediano, medíocre. E aluno que faz o basicão? Para isso qualquer um pode se qualificar. Mas questionar um sistema, estar além disso, fazer a escolha por um caminho diferente dos demais e até mesmo correr riscos como este professor correu e pagou com a propria profissão, aí não é para qualquer um, e tem meu respeito.

Escrevi essa crônica ouvindo a música Índios da Legião Urbana. Tem a ver com a situação de quem, injustamente é atacado em sua fragilidade, parece que o mundo sempre atinge os que lutam pela justiça e aos inocentes, pois é um mundo de energúmenos.

“Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda…”

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Artigos, Colunistas

Educação sob ataque reacionário: a censura ao professor vegano em Minas Gerais

Chocou milhares de pessoas a notícia, nesta semana, de que o professor vegano-abolicionista de Filosofia Leon Denis foi dispensado da escola pública em que ensinava na cidade de São João Evangelista/MG, e proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por motivos de censura ideológica. O caso é extremamente preocupante, já que reflete um quadro de ameaça conservadora à autonomia pedagógica e aos direitos e liberdades de professores e alunos.

Assim depõe Leon, na repercutida notícia que anunciou o golpe que ele havia sofrido:

“Fui informado pelo inspetor escolar que estou impedido legalmente de lecionar durante os próximos três anos no Estado de Minas Gerais. Está na resolução SEE n. 2741/15. No dia do professor, 15 de outubro, deixei de ser professor.

Quanta ironia e injustiça. Sou um espírito livre, e incomodo por isso. A filosofia crítica incomoda. A verdade dos fatos incomoda. E estou pagando o preço por ser adepto da veracidade como virtude. Por defender em aula todos aqueles que estão em constante estado de vulnerabilidade.

Os grandes pensadores, aqueles que são minha fonte de inspiração, na filosofia, na literatura, nas ciências, nunca foram bem vistos pela teocracia, pela oligarquia, pelos mantenedores do status quo; pelo contrário, sempre incomodaram e foram caçados pelas ideias que defendiam.”

Pelo que ficou claro, não houve nenhum outro motivo para a dispensa, fora a insatisfação dos pais de alguns jovens a quem Leon ensinava. Os adolescentes levavam para casa dúvidas sobre se é realmente ético tratar animais não humanos como coisas sob propriedade humana e consumir produtos de origem animal. E isso, pelo que foi relatado pela ANDA, enfureceu pais conservadores e assumidamente especistas, que se perturbavam com os questionamentos trazidos por seus filhos e, assim, foram à escola exigir o afastamento do professor ativista.

Sem nenhuma abertura ao diálogo por parte deles, seu pedido foi atendido, e Leon afastado, num lamentável ato de censura político-ideológica. A dispensa reservada a ele abre um perigoso precedente: outros professores de ensino básico que ousarem questionar o status quo especista acabam ficando de sobreaviso. Se forem muito longe em sua conscientização vegano-abolicionista, serão denunciados por “subversão”, e o poder público poderá atender às denúncias, jogar no lixo a liberdade constitucional de expressão, crença e consciência e chutá-los da escola.

O acontecimento tem o infeliz paralelo da ascensão de um movimento chamado “Escola Sem Partido”. De caráter ultraconservador e antiesquerdista, o ESP propõe perseguição e censura a professores que forem flagrados “promovendo doutrinação ideológica marxista” – na verdade, provendo qualquer ensinamento que envolva pensadores políticos de esquerda e ideologias emancipacionistas – a seus alunos.

A dispensa de Leon Denis pode insuflar esse movimento a passar a perseguir também professores veganos que ensinarem Direitos Animais em suas salas de aula. Isso se daria porque tem sido comum reacionários associarem o veganismo e os Direitos Animais ao chamado “marxismo cultural”, rótulo dado por extremistas a toda e qualquer iniciativa de conscientização e ação prática política progressista e emancipacionista.

Diante dessa censura imposta ao professor e da ameaça do “Escola Sem Partido”, os professores veganos de todo o Brasil e seus alunos apoiadores ficam demandados a resistir e defender o direito de prover, receber e intercambiar uma educação libertadora. A resistência é muito necessária, nesta época de ascensão conservadora e “arregos” do Estado perante os setores reacionários da sociedade.

Se quisermos uma escola democrática e aberta à conscientização, não mais uma instituição semiprisional que subjuga estudantes e docentes a um regime autoritário cheio de imposições e proibições e vazio de autonomia pedagógica e liberdade, precisamos repudiar a dispensa que Leon sofreu e impedir que isso aconteça com outras pessoas. Aprender e ensinar Direitos Animais e promover e vivenciar uma transformação de consciência são direitos nossos, e devem ser defendidos, em nome da democracia e da liberdade.

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Petição é criada em apoio a professor vegano demitido em MG

(da Redação)

Petição pede investigação sobre o caso. Foto: Divulgação
Petição pede investigação sobre o caso. Foto: Divulgação

Após divulgação da demissão do educador vegano e colunista da ANDA Leon Denis, ativistas de direitos animais criaram uma petição que pede que Secretária de Educação do Estado de Minas Gerais, Macaé Evaristo, investigue o caso.

Assine a petição no site.

O professor soube da dispensa de sua função na cidade de São João Evangelista, Minas Gerais, no dia 20 de outubro. A ordem de dispensa foi dada pela superintendência de ensino localizada na cidade mineira de Guanhães no dia 15 de outubro. Ironicamente, o dia do professor.

Leon Denis é internacionalmente conhecido como pioneiro no ensino de direitos animais, ética animal e veganismo em escolas públicas no Brasil. Para tratar dessa temática em sala de aula, o educador usa uma abordagem filosófica, lógica, histórica e científica. Os temas apresentados e trabalhados em sala de aula questionam as tradições e os costumes e mexem com o status quo sexista, racista, especista, e muitos outros preconceitos legados como naturais.

Justamente por questionar as tradições econômicas, religiosas, culturais, políticas e científicas em aula, de modo crítico, o educador começou a receber no final do segundo bimestre letivo muitas reclamações dos pais dos alunos. Reclamações que foram registradas na escola na forma de BO (boletins de ocorrência) e se estenderam até o mês de agosto. Segundo o educador, no mês de julho, em umas das reuniões em que foi chamado para ter ciência dos BOs feitos contra suas aulas, ele pediu uma reunião com os pais dos alunos para que pudesse ouvir pessoalmente as reclamações e assim poder explicar o teor das aulas, o que ele fala e o que ele não fala, a importância dos filmes e documentários indicados aos alunos, como A carne é fraca e Não matarás. A reunião pedida pelo educador para esclarecer os pais, mesmo sendo registrada em ata, nunca ocorreu. Os pais se recusaram a ouvir o docente.

O educador, que leciona a disciplina de filosofia, sabe que apresentar uma visão crítica do mundo, exigindo de seus alunos que pensem e reflitam sobre seus costumes é algo que gera desconforto nos familiares, na comunidade escolar como um todo e, por incrível que pareça, em muitos professores, colegas de profissão. Após ler as reclamações e denúncias registradas nos BOs, Leon levanta dois questionamentos: primeiro, como alguns pais, que se recusam dialogar com o docente, têm poder sobre uma entidade representativa da Secretaria Estadual de Educação, como a superintendência, decidindo a vida funcional de um profissional? Simplesmente porque não concordam com o que o professor fala em sala de aula. Segundo o educador, os BOs estão repletos de argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa). E o segundo questionamento do educador é sobre seu direito de resposta, de defesa. Onde foi parar um direito constitucional?

Nas palavras do educador e escritor:

“Fui informado pelo inspetor escolar que estou impedido legalmente de lecionar durante os próximos três anos no Estado de Minas Gerais. Está na resolução SEE n. 2741/15. No dia do professor, 15 de outubro, deixei de ser professor. Quanta ironia e injustiça. Sou um espírito livre, e incomodo por isso. A filosofia crítica incomoda. A verdade dos fatos incomoda. E estou pagando o preço por ser adepto da veracidade como virtude. Por defender em aula todos aqueles que estão em constante estado de vulnerabilidade. Os grandes pensadores, aqueles que são minha fonte de inspiração, na filosofia, na literatura, nas ciências, nunca foram bem vistos pela teocracia, pela oligarquia, pelos mantenedores do status quo; pelo contrário, sempre incomodaram e foram caçados pelas ideias que defendiam.”

Nota da Redação: A redação vem esclarecer que segundo informações não foi responsabilidade da escola, pois esta e o conselho de professores, quando solicitado, deram parecer favorável ao professor, (mesmo não concordando com a temática das aulas). Entretanto, a superintendência de ensino da cidade de Guanhães ignorou isso e enviou um oficio de dispensa pedindo desligamento do professor sem justificativa. Registre também sua indignação pela dispensa / expulsão do educador na Ouvidoria Geral do Estado de MG.

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Professor vegano é proibido de lecionar em MG por defender direitos animais

(da Redação)

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No dia 20 de outubro, o educador vegano e colunista da ANDA Leon Denis foi chamado a comparecer na escola em que lecionava, na cidade de São João Evangelista, Minas Gerais, para ser informado que estava oficialmente dispensado de sua função.

A ordem de dispensa foi dada pela superintendência de ensino localizada na cidade mineira de Guanhães no dia 15 de outubro. Ironicamente, o dia do professor.

O educador Leon Denis é internacionalmente conhecido como pioneiro no ensino de direitos animais, ética animal e veganismo em escolas públicas no Brasil. Para tratar dessa temática em sala de aula, o educador  usa uma abordagem filosófica, lógica, histórica e científica. Os temas apresentados e trabalhados em sala de aula questionam as tradições e os costumes e mexem com o status quo sexista, racista, especista, e muitos outros preconceitos legados como naturais.

Justamente por questionar as tradições econômicas, religiosas, culturais, políticas e científicas em aula, de modo crítico, o educador começou a receber no final do segundo bimestre letivo muitas reclamações dos pais dos alunos. Reclamações que foram registradas na escola na forma de BO (boletins de ocorrência) e se estenderam até o mês de agosto. Segundo o educador, no mês de julho, em umas das reuniões em que foi chamado para ter ciência dos BOs feitos contra suas aulas, ele pediu uma reunião com os pais dos alunos para que pudesse ouvir pessoalmente as reclamações e assim poder explicar o teor das aulas, o que ele fala e o que ele não fala, a importância dos filmes e documentários indicados aos alunos, como A carne é fraca e Não matarás. A reunião pedida pelo educador para esclarecer os pais, mesmo sendo registrada em ata, nunca ocorreu. Os pais se recusaram a ouvir o docente.

O educador, que leciona a disciplina de filosofia, sabe que apresentar uma visão crítica do mundo, exigindo de seus alunos que pensem e reflitam sobre seus costumes é algo que gera desconforto nos familiares, na comunidade escolar como um todo e, por incrível que pareça, em muitos professores, colegas de profissão. Após ler as reclamações e denúncias registradas nos BOs, Leon levanta dois questionamentos: primeiro, como alguns pais, que se recusam dialogar com o docente, têm poder sobre uma entidade representativa da Secretaria Estadual de Educação, como a superintendência, decidindo a vida funcional de um profissional? Simplesmente porque não concordam com o que o professor fala em sala de aula. Segundo o educador, os BOs estão repletos de argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa). E o segundo questionamento do educador é sobre seu direito de resposta, de defesa. Onde foi parar um direito constitucional?

Nas palavras do educador e escritor:

“Fui informado pelo inspetor escolar que estou impedido legalmente de lecionar durante os próximos três anos no Estado de Minas Gerais. Está na resolução SEE n. 2741/15. No dia do professor, 15 de outubro, deixei de ser professor. Quanta ironia e injustiça. Sou um espírito livre, e incomodo por isso. A filosofia crítica incomoda. A verdade dos fatos incomoda. E estou pagando o preço por ser adepto da veracidade como virtude. Por defender em aula todos aqueles que estão em constante estado de vulnerabilidade. Os grandes pensadores, aqueles que são minha fonte de inspiração, na filosofia, na literatura, nas ciências, nunca foram bem vistos pela teocracia, pela oligarquia, pelos mantenedores do status quo; pelo contrário, sempre incomodaram e foram caçados pelas ideias que defendiam.”

Nota da Redação: A redação vem esclarecer que segundo informações não foi culpa da escola, pois esta e o conselho de professores, quando solicitado, deram parecer favorável ao professor, (mesmo não concordando com a temática das aulas). Mas a superintendência de ensino da cidade de Guanhães ignorou isso e enviou um oficio de dispensa pedindo desligamento do professor sem justificar. Para registrar indignação pela dispensa / expulsão do educador acesse a Ouvidoria Geral do Estado de MG e manifeste sua opinião.

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Notícias

Colunista da ANDA, Leon Denis lança livro sobre direitos animais no RJ

(da Redação)

Divulgação
Divulgação

No dia 23 de outubro será lançado, na cidade do Rio de Janeiro, o livro “Educação & Direitos Animais”, organizado pelo colunista da ANDA o educador Leon Denis. A obra é uma coletânea que contou com estudiosos e ativistas da causa animal, docentes de vários níveis de ensino, do fundamental ao acadêmico.

A obra é interdisciplinar, contando com reflexões da Filosofia, Educação Física, Biologia, Psicanálise, Pedagogia, Sociologia e Historia. Versando sobre a teoria e a prática dos direitos animais, poderíamos dizer que a obra traz a práxis vegana a tona pela educação formal e não-formal, no ativismo em sala de aula e no ativismo de rua.

Todos os interessados na aplicação dos direitos animais no campo pedagógico estão convidados a comparecer no restaurante Dona Vegana às 19:00.

O livro também pode ser adquirido pelo seguinte email: ederaraujo@yahoo.com.br

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Notícias

Atleta e educador vegano ganha medalha de ouro em competição de jiu-jítsu

(da Redação)

(No pódio do dia 22, ouro com kimono)
(No pódio do dia 22, ouro com kimono)

Nos dias 22 e 23 de agosto, na cidade de Barueri-SP, foi realizado o “São Paulo International Open” de jiu-jítsu, sendo no dia 22 com kimono e no dia 23 sem-kimono (NO-GI) promovido pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), evento esportivo que contou com a participação do ativista pelos direitos animais, o educador vegano Leon Denis, que também é colunista da ANDA e praticante dessa arte marcial. Leon ficou com duas medalhas de ouro em sua categoria com e sem kimono.

(No pódio NO-GI, dia 23, com o amigo e campeão Renato F. Canuto)
(No pódio NO-GI, dia 23, com o amigo e campeão Renato F. Canuto)

“É importante destacar que sem o apoio da ‘Nutriveg – Nutrição Vegetariana’, através do conhecido nutricionista vegano Dr. George Guimarães, do Lar Vegetariano Vegan, através dos amáveis Paulo e Ivonete Nakashima; da ativista vegana Taísa C. S. Leonardo que gentilmente me hospedou em São Paulo, e do mestre Diego Balloutta (Gracie Barra-GV) pelas aulas técnicas sempre valiosas, essa conquista não teria sido possível”, afirma Leon, ao agradecer o apoio recebido.

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Colunistas, Educação Vegana

Educação vegana e a desconstrução da razão

O ambiente de ensino é uma escola pública no interior de um Estado do sudeste brasileiro; o público é adolescente, com idade de catorze a dezoito anos; o tema da aula é o conceito de especismo, termo criado por Richard Ryder, e o “princípio da igualdade na consideração de interesses semelhantes” desenvolvido por Peter Singer.

Chama demasiadamente a atenção como uma ideia (como a suposta superioridade do ser humano sobre os não humanos) depois de muito divulgada, por séculos, torna-se um habitus, uma disposição incorporada. Como desconstruir essa ideia – o especismo – e abolir sua materialização, o costume de consumir tudo que é oriundo do uso dos animais não humanos?

A explicação sobre o que é especismo é clara. O conceito está bem definido em analogia com o racismo e o sexismo. Os alunos acompanham o raciocínio de Ryder e de Singer. Toda argumentação apresentada para mostrar a incoerência de um pensamento e ação racistas e igualmente a prática sexista, é aceita e apoiada. No entanto, quando o ser discriminado é de outra espécie, aí toda lógica, todo argumento por mais bem embasado que esteja parece se dissolver.

Os alunos recorrem a frases como, “estamos [humanos] no topo da cadeia alimentar”, “somos animais racionais e os outros animais são irracionais, agem por instinto”, “precisamos da carne por causa da proteína”, “somo seres sociais, desenvolvemos cultura”, “é um absurdo comparar humanos com os animais, nós temos alma, eles não”, “Deus criou os animais para nos servir, está na bíblia”, entre muitas outras. Para desconstruir cada frase o educador vegano precisa basicamente ser uma enciclopédia ambulante, ter um conhecimento razoável de biologia, historia, teologia, nutrição, filosofia, sociologia, etologia, zoologia e o que mais puder ler, mas essa não é a questão.

A questão é o peso do ensino antropocêntrico especista passado dia-a-dia nas escolas. Os alunos não aceitam a lógica que desmonta a ideologia e a prática especistas recorrendo aos conhecimentos adquiridos nas aulas de ciências, historia, português, matemática, artes, educação física… Da pré-escola ao ensino médio, são muitos anos ouvindo falácias legitimadoras da naturalização de uma cultura biocida. Como o educador vegano desconstruiria a razão instrumental que guia e inspira as ciências ensinadas nas escolas? Usando a razão crítica, a lógica, um apuradíssimo e radical raciocínio ético.

No entanto, os anos de experiência em sala de aula, de ação direta pedagógica no combate ao especismo já demonstrou que a razão tem seu limite, seja a que alimenta o uso dos animais não humanos, seja a que os defende numa abordagem vegana abolicionista. Para qualquer educador vegano bem nutrido filosoficamente, a desconstrução da razão antropocêntrico especista é algo fácil de fazer. Mas e quando o uso dos animais não esta centrado em argumentos, mas em costumes, em habitus? O que fazer quando um aluno diz: “professor, entendo perfeitamente o que o sr. disse. Concordo com tudo o que foi dito. Realmente não é justo o que se faz com os animais, mas eu gosto de beber leite com chocolate”?

É possível argumentar contra o “eu gosto”? A razão crítica tem o poder de desconstruir a razão instrumental, mas teria ela eficácia diante do “eu gosto”? Aparentemente catorze, dezesseis ou dezoito anos é muito pouco tempo para alguém se apegar tanto a prazeres gastronômicos e de entretenimento a ponto de dizer com excessiva convicção “eu sei que é injusto, que não é ético, mas eu gosto de comer, eu gosto de assistir… e não vou parar, é gostoso”. Como reeducar aqueles que foram educados a colocar os prazeres individuais supérfluos acima do direito a vida e a liberdade de outros indivíduos?

Será que além da desconstrução da razão, a educação vegana terá que também desconstruir sentimentos?

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