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Mais de cem animais são encontrados em sofrimento em zoológico americano

Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia
Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia

O fato de zoológicos serem prisões de animais, onde a perda da liberdade, o cerceamento e a exploração como entretenimento os levam a desenvolver uma série de doenças, físicas e mentais, e os matam lentamente, é conhecido e documentado cientificamente inclusive.

Contudo, as descobertas feitas por inspetores no zoológico Wild Animal Park Wilson que fica no estado de Virginia (EUA) surpreendeu até inspetores de bem-estar animal, que lidam com a função diariamente como ofício.

Inicialmente, quando a inspetora responsável pelo setor de bem-estar animal do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) visitou o zoológico neste verão, ela não identificou violações.

O relatório de inspeção federal do zoológico do estado de Virgínia, nos EUA, que abriga cerca de 200 animais exóticos, selvagens e de criação, era primitivo.

Mas não foi isso que policiais locais encontraram no dia seguinte quando foram até o local.

Enviadas pelo procurador-geral do estado, as observações feitas pela profissional desencadearam uma busca uma semana depois, feita por uma equipe formada por veterinários, zoólogos e policiais.

Eles descobriram uma série de problemas, de acordo com testemunhos posteriores em corte (tribunal), incluindo um pônei com o rosto inchado, carne (alimentação) coberta de larvas na jaula do tigre e o que um promotor descreveu como uma “masmorra de macacos”.

Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia
Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia

A equipe de busca resgatou 119 animais cujas vidas eles consideravam estar em perigo.

No mês passado, o proprietário do zoológico, Keith Wilson, e um funcionário foram acusados pela lei do estado da Virgínia de 46 acusações de crueldade contra animais.

O abismo entre o USDA e as avaliações locais fornece uma ilustração gritante de um declínio dramático na fiscalização federal do bem-estar animal em meio a uma pressão de desregulamentação do governo Trump.

De 2016 a 2018, o número de citações emitidas pelo USDA para cerca de 10 mil zoológicos, circos, criadores e laboratórios de pesquisa sob seu regulamento caiu 65%.

A agência atribui a queda no número de citações, o que pode levar a multas e licenças revogadas, a novos esforços para trabalhar em estreita colaboração com as empresas e seus veterinários para corrigir violações. Ex-funcionários disseram que isso é o resultado de uma abordagem mais branda que coloca os animais em risco.

O zoológico da Virgínia estava entre as instalações que o USDA parou de citar. Durante anos, os inspetores documentaram inúmeras violações lá, incluindo um cercado de leões com paredes muito baixas para impedir a fuga e uma instalação de urso com piso de concreto e pouco mais que um balanço de pneu para se divertir.

Desde meados de 2018, os três relatórios do zoológico estão sem apontamentos.

Mark Patterson, CEO do Cavalry Group, uma organização que defende os negócios que exploram animais e representa o zoo Wilson, disse que as acusações da Virgínia são “falsas, infundadas e caprichosas”.

Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia
Wild Animal Park Wilson | Foto: Escritório da Procuradoria Geral do Estado da Virgínia

Ele alegou que o Estado havia enviado “especialistas não qualificados” ao zoológico e negou o devido processo legal ao zoo Wilson para “literalmente roubar propriedade privada”. Ele disse que o zoo corrigiu os problemas citados durante as inspeções anteriores do USDA.

Em casos raros, as autoridades locais estão instaurando processos contra tutores de animais cujas inspeções do USDA refletem poucos ou nenhum problema.

Eric Schmitt, procurador-geral do estado do Missouri, processou um criador de cães em outubro, depois que os inspetores estaduais encontraram repetidamente no ano anterior o que Schmitt chamou de condições “horríveis e injustificáveis” em sua operação, incluindo gaiolas sujas e “cães em pele e osso”.

O criador recebeu uma citação do USDA no mesmo período, de acordo com registros obtidos pela ONG de proteção animal Humane Society dos Estados Unidos.

“O governo Trump tem um longo histórico de recuar na ciência e na aplicação de leis e regulamentos em muitas áreas diferentes, e é importante para os estados, e acho importante para mim, como procurador-geral da Virgínia, avançar”, disse Mark Herring, o procurador-geral da Virgínia cuja unidade de direito animal está processando o zoo Wilson, em uma entrevista.

“Onde eu puder usar a lei da Virgínia para preencher o vazio deixado pelo governo Trump se afastando da ciência e da aplicação da lei, eu o farei”.

Grupos de proteção animal dizem que esses casos são exceções. Eles alertam que as autoridades locais usam as inspeções “sem apontamentos” do USDA como razões para não investigar ou transformar em processos as acusações conforme as leis locais.

Bob Baker, diretor executivo da Aliança do Missouri para Legislação Animal, disse ter sido “informado repetidamente” por autoridades do estado, onde existem centenas de criadores comerciais, de que eles temiam que os processos pudessem falhar se os infratores acusados submetessem as inspeções do USDA no tribunal.

Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor
Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor

“É o ponto em que acredito que isso interferiu no fato de nosso estado tomar medidas legais contra alguns desses maus criadores”, disse Baker.

Na Virgínia, a PETA pressionou as autoridades a investigar a o zoo Wilson por três anos antes que o escritório de Herring assumisse o cargo, disse Brittany Peet, advogada da Fundação PETA.

Ela disse: “Ainda estamos constantemente enfrentando autoridades policiais estaduais e municipais em outros lugares que se recusam a agir por causa de relatórios sem apontamentos do USDA”.

Esses relatórios sem apontamentos tornaram-se muito mais comuns desde que Donald Trump assumiu o cargo em 2016. Ex-inspetores e supervisores do USDA disseram ao The Washington Post que foram instruídos a se concentrar “na educação” e não na aplicação da lei, a registrar problemas como “oportunidades de aprendizado” em vez de violações, e não documentar violações cometidas por aqueles que eles estão inspecionando.

Os membros do congresso criticaram essas mudanças, e um projeto de lei bipartidário (Republicanos/Democratas) para aprovação nesta semana exigirá que o USDA publique online todos os registros de violações.

Lyndsay Cole, porta-voz do Serviço de Inspeção de Sanidade Animal e Vegetal do USDA, disse que o inspetor encontrou “alguns problemas entre alguns dos animais” no Wild Animal Park de Wilson em 7 de agosto, mas não os escreveu porque o zoo demonstrou que ele estava trabalhando com seu veterinário para resolvê-los.

Os críticos dizem que a falta de documentação protege os infratores. As mudanças “traem essencialmente a confiança do público ao fornecer um relatório de inspeção limpo”, disse William Stokes, veterinário que supervisionou os inspetores como diretor assistente na unidade de cuidados com animais do USDA de 2014 a 2018.

“Enquanto outras agências federais, estaduais e locais anteriormente podiam confiar nos relatórios de inspeção do USDA, seu valor agora é questionável”, disse ele.

Em uma audiência em agosto, sobre a custódia dos animais apreendidos no zoológico, o advogado do zoo Wilson procurou várias vezes apresentar como evidência os relatórios de inspeção do USDA de seu cliente, chamando-os de “fundamentais para fornecer o equilíbrio” comparados as descobertas das autoridades locais.

A promotora Michelle Welch argumentou que eles eram irrelevantes para um caso envolvendo leis estaduais, e o juiz não permitiu.

O que o juiz analisou 12 horas de testemunho, principalmente sobre o que a equipe de busca encontrou no zoo Wilson’s em 15 de agosto.

O zoológico, inaugurado em 1976, fica em uma estrada de pista dupla em Winchester, perto de casas particulares e de uma escola Montessori. Cerca de 200 visitantes por dia pagam 9 dólares para ver os animais exóticos e de fazenda mantidos em suas instalações, testemunhou Wilson.

Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor
Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor

Três veterinários que examinaram os animais durante a busca disseram estar surpresos com o número de animais que acreditavam enfrentar uma “ameaça direta e imediata” às suas vidas devido à falta de água, comida, abrigo ou atenção médica.

“Não achei que as condições fossem tão ruins”, testemunhou Samantha Moffitt, veterinária do serviço de emergência do estado da Virgínia.

Ernesto Dominguez, veterinário do Wildlife Center da Virgínia, contou à corte que viu um macaco-aranha com uma “grande massa” no estômago e um ninho de vespas em seu recinto.

Darren Minier, diretor assistente de cuidados com os animais no zoológico de Oakland, na Califórnia (EUA), testemunhou que encontrou fezes, urina e algas na água dos ursos. Em um canto de um prédio abafado, no meio de lêmures e macacos, havia “uma enorme pilha de fezes e comida velha”, testemunhou Mindy Babitz, criadora de animais no zoológico nacional do Smithsonian.

E em um freezer na loja de lembranças do zoo, a equipe de busca encontrou um lêmure morto e um gato morto congelados.

“Os macacos estão em uma ‘masmorra de macacos’, fede horrores”, disse a promotora do caso, Michelle Welch, acrescentando que a equipe queria resgatar mais de 119 animais, mas não conseguiu encontrar novos lares imediatamente. “Não conseguimos nem achar onde colocar todos eles. São deploráveis aos extremo as condições que encontramos”.

Wilson testemunhou que os animais recebiam água várias vezes ao dia, além de amplo alimento e abrigo. A limpeza e a colocação de água aconteciam rotineiramente de manhã, disse ele, mas não no dia da inspeção, porque “começou antes da abertura do parque”.

“As larvas encontradas na carne poderiam ter brotado da noite para o dia no calor do verão”, ele testemunhou.

Ele disse ainda que os clientes não têm acesso ao freezer com animais mortos, que ele pretendia enterrar.

Wilson reconheceu que “erros acontecem”, quando perguntado sobre uma lata de lixo imundo sem recolhimento. Mas ele disse que estava trabalhando na expansão dos cercados para ursos e leões.

Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor
Wild Animal Park Wilson | Foto: TripAdvisor

Seu veterinário testemunhou que nunca havia visto comida, água ou abrigo insuficientes para os animais quando o visitou – exceto no caso de um cordeiro que ele determinou que estava “morrendo de fome” em julho.

As leis estaduais de bem-estar animal são diferentes das regulamentações federais aplicadas pelo USDA. Na Virgínia, Wilson é acusado sob um estatuto criminal que se aplica a todas as espécies e requer “comida, bebida, abrigo ou tratamento veterinário de emergência necessário”.

Os regulamentos de bem-estar animal aplicados pelo USDA são leis administrativas que não se aplicam a algumas espécies, incluindo aves, 17 das quais foram resgatadas no zoológico de Wilson.

As gaiolas para cães têm requisitos precisos de espaço, enquanto os compartimentos para felinos selvagens devem simplesmente permitir “ajustes posturais e sociais normais com liberdade de movimento adequada”.

Ex-funcionários do USDA dizem que os inspetores, muitos deles veterinários, anteriormente tinham muito mais autoridade para usar o julgamento profissional ao considerar citações. Em 2018, no entanto, os inspetores foram instruídos a seguir os regulamentos à risca, disseram ex-funcionários. Por exemplo, eles não podiam mais citar recintos que julgavam inadequados sem evidências de que os animais estavam desnutridos, estressados, fracos, em “condições precárias” ou se comportando de maneira anormal.

“Os ursos cavam, escalam, gostam de brincar na água, então gostaríamos que eles fizessem essas coisas. Mas se eles não mostram algum tipo de angústia ou anormalidade física, não é mais citável “, disse um ex-funcionário. “Eu acho que a interpretação estrita, a essa forma de ação, provavelmente não é boa para o bem-estar dos animais”.

O advogado que representa Wilson disse que espera que “todas as evidências do USDA sejam apresentadas” em futuras audiências relacionadas ao caso.

“A forma como tratamos nossos animais diz algo sobre quem somos como sociedade”, disse o procurador-geral da Virgínia. “É realmente importante garantir que aqueles que maltratam os animais sejam responsabilizados”.

Wilson e um funcionário do zoológico, Christian Dall´Acqua, podem enfrentar até 46 anos de prisão e 115 mil dólares em multas. O escritório do procurador-geral disse que os animais resgatados estão agora em santuários.

Atualmente, o Wild Animal Park de Wilson está quieto. Em um portão atravessado pela entrada de cascalho, numa tarde recente, uma placa manuscrita havia sido pendurada: “FECHADO ATÉ AVISO POSTERIOR”.

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Caçadores e madeireiras ameaçam lêmures e florestas em Madagascar

Em Vohibola, uma das últimas florestas primárias no leste de Madagascar, caçadores estão matando os lêmures, primatas que lutam contra a ameaça de extinção e estão derrubando árvores, algumas delas de madeiras raras, para queimarem com intuito de fazer carvão.

A patrulha de Michael Tovolahy rastreia esses caçadores diariamente, em alerta para o menor movimento e som, criminosos que estão causando danos graves a essa jóia da biodiversidade.

“Nesta floresta, existem pelo menos 20 espécies de animais indígenas, incluindo seis tipos de lêmures e 150 espécies de árvores”, diz Tovolahy, cujo apelido é Nabe.

“Por causa desses caçadores-madeireiros, temo que essa floresta não exista mais no futuro, será apenas um espaço vazio, onde os desenvolvedores e progressistas cultivarão muros de concreto”.

Uma ironia terrível é que um documentário de 2014, “Island of Lemurs”(A ilha dos Lemures, na tradução livre), que fez tanto para chamar a atenção para a situação dos animais “fofinhos”, sem querer encorajou pessoas, e criou um mercado, daqueles que querem tê-los como animais de estimação em gaiolas.

Alguns matam as criaturas inofensivas por comida, outros as vendem como animais de estimação – e para pegar suas presas indefesas, eles derrubam preciosas árvores tropicais.

“Os lêmures dão criaturas noturnas por isso são muito fáceis de capturar pois dormem durante o dia”, explica Tovolahy.

Os caçadores cortam as árvores que cercam o ninho deles, as quais permitem que os lêmures possam dar longos saltos de uma pra outra.

Tudo o que os caçadores precisam fazer é sacudir a árvore até que o animal caia.

Madeira recém cortada de árvore de ébano, rara e protegida | Foto APF
Madeira recém cortada de árvore de ébano, rara e protegida | Foto APF

Os lêmures estão entre os muitos tesouros da vida selvagem que são exclusivos de Madagascar.

Das 111 espécies de lêmures registradas, 105 enfrentam a ameaça de extinção, diz a Rede de Conservação dos Lêmures (LCN).

Outros danos a floresta de Vohibola e sua população natural estão sendo infligidos pela simples necessidade de madeira para cozinhar.

A patrulha da floresta freqüentemente se depara com uma visão desanimadora: enormes espaços vazios e montes de cascas de árvores – vestígios da extração ilegal de madeira que são levadas, queimadas e vender o carvão a madagascanos.

“Eles derrubam árvores de madeiras raras como o ébano e as usam para fazer carvão – é tão triste ”, diz Tovolahy.

Eric Rabenasolo, diretor-geral de florestas do Ministério do Meio Ambiente, diz que os nove milhões de hectares de florestas de Madagascar estão diminuindo a cada ano, entre 50 mil e 100 mil ha – um campo de futebol tem aproximadamente um hectare.

Vohibola em si é um paraíso para uma espécie extraordinária – o lêmure-rato.

Cecilien Ranaivo, prefeito de Ambinaninony,, acusado de receber propina de empresas madeireiras e caçadores | Fotos: AFP
Cecilien Ranaivo, prefeito de Ambinaninony,, acusado de receber propina de empresas madeireiras e caçadores | Fotos: AFP

De sua cabeça até a ponta de sua cauda, esse animal noturno (gênero Microcebus) mede menos de 27 centímetros, tornando-se o menor primata do mundo – e, de acordo com a Conservação Internacional da Natureza (IUCN),esta entre os mais ameaçados de todos os vertebrados.

O estado está tentando aumentar a conscientização sobre os perigos de tal tráfico, pedindo às pessoas, por exemplo, que verifiquem a fonte do carvão que usam para cozinhar e incentivando as aldeias a denunciar a extração ilegal de madeira às autoridades.

A mensagem muitas vezes não chega a ser ouvida em um país onde três quartos da população vivem na pobreza.

Os caçadores têm uma reputação conhecida pela população de violência e vingança e suas conexões com os habitantes locais significam que a polícia raramente pode fazer prisões.

“Nunca cheguei muito perto desta floresta no meu barco”, confidenciou Parfait Emmanuel, um pescador da aldeia de Andranokoditra. “Eu não tenho vontade de ser cortado em pedaços por um caçador”.

“São os próprios moradores que alertam os caçadores de que a polícia está chegando”, diz Cecilien Ranaivo, prefeito do distrito de Ambinaninony, que inclui Andranokoditra.

“Então, obviamente, eles não conseguem fazer muitas prisões.”

Durante a patrulha de Tovaly, a equipe se depara com um esconderijo de caçadores – um acampamento do tamanho de uma pequena aldeia, com cerca de 20 cabanas improvisadas que foram claramente abandonadas às pressas.

Esconderijo de caçadores | Foto: AFP
Esconderijo de caçadores | Foto: AFP

Tovolahy expressa sua frustração. Seus recursos são limitados: a patrulha é formada por voluntários armados com paus ou arcos e flechas e só pode tentar assustar os caçadores, em vez de atacá-los de frente.

“Nós nunca seremos capazes de lutar contra os madeireiros-caçadores por nós mesmos”, diz ele. “O que é necessário são homens armados, habilitados por lei a usar a força, em caso de necessidade”.

Exasperado pela impotência das autoridades, o ambientalista Stephane Decampe decidiu lançar-se em sua própria missão para proteger os lêmures.

Decampe, um cidadão d dupla nacionalidade franco-malgaxe, é co-proprietário do Jungle Nofy Hotel, uma pousada que acomoda turistas que descem o Canal de Pangalanes, uma série interconectada de rios, lagos artificiais e cursos d’água que percorre a costa leste de Madagascar.

Ele patrulha o canal três noites por semana em seu barco para rastrear os caçadores.

Patrulha de voluntários de Michael Tovolahy armados com paus e arco e flecha | Foto: AFP
Patrulha de voluntários de Michael Tovolahy armados com paus e arco e flecha | Foto: AFP

“Eles vêm da cidade de Tamatave (70 quilômetros ao norte de Ambinaninony), junto com sua esposa e filhos”, disse Decampe.

“Eles são deixados aqui de barco e têm comida, mas não carne … então eles comem lêmures”, disse ele.

Ele e sua esposa Angelique também resgatam e recuperam os lêmures que as famílias usam como animais de estimação.

“Nós os libertamos”, disse ela. “Mas quando nós fomos pela última vez, de férias, os caçadores os envenenaram em um ato de vingança.”

A batalha para salvar os lêmures tem provocado tensas relações com as autoridades – autoridades locais, dizem ativistas, recebem propina de alguns dos traficantes.

Essa insinuação faz com que o prefeito Ranaivo responda as acusações furiosamente, acusando os ativistas de terem “motivações políticas”.

Uma dúzia de ambientalistas foi presa no início de abril.

“Eles nos acusaram de cortar ilegalmente árvores e destruir negócios de madeireiros”, suspirou Tovolahy.

“E enquanto tudo isso acontecia, os verdadeiros caçadores saqueavam a natureza”.

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Homem encontrado com filhote de tigre branco é preso na França

Foto: AFP
Foto: AFP

No último sábado (4), investigadores do sudeste da França encontraram um filhote de tigre branco na casa de um suposto traficante de animais exóticos, enquanto pítons e marsupiais ameaçados de extinção foram encontrados na casa de sua mãe, conforme informações da policia.

Os membros da agência de saúde pública (OCLAESP, na sigla em francês) foram recentemente informados sobre a venda ilegal de lêmures por meio de denúncias e suas investigações levaram-nos às instalações onde encontraram o criminoso.

Acredita-se que o homem preso tenha recebido a quantia de 17 mil euros (cerca de 19 mil dólares), “mas ainda não tinha entregue ainda os pequenos primatas de Madagascar ao comprador”, informou a polícia francesa em um comunicado.

Uma invasão na casa do suspeito (àquela altura) revelou a presença do filhote de tigre branco, enquanto uma operação simultânea na casa da mãe dele no nordeste da França resultou na descoberta quatro planadores (petauros) de açúcar – pequenos marsupiais noturnos nativos da Austrália, Indonésia e Nova Guiné – e nove cobras, incluindo duas pythons reais.

Após se apresentar perante um juiz, o homem foi imediatamente condenado à prisão por oito meses e foi descoberta também sua conexão com um caso de fraude anterior.

O tráfico ilegal de animais selvagens é punível na França por um ano de prisão e uma multa de 15 mil euros (cerca 16 mil dólares).

O bebê tigre, agora chamado de Hermes, apesar de salvo das garras do traficante, infelizmente foi levado ao zoológico de Barben, no sudeste da França e será criado como mercadoria para se exposta aos público em forma de entretenimento.

A outra – e mais justa – opção seria levar o bebê tigre a um santuário para reintegrado à natureza após aprender habilidades selvagens com outros animais também em recuperação.

Os tigres brancos não são uma subespécie separada. O pelo branco é uma mutação genética rara que é vista principalmente entre os animais consanguíneos criados em cativeiro.

*Ameaçados de extinção*

A ONG que atua em defesa dos direitos animais, Born Free, afirma que a caça aos tigres e a destruição de seu habitat causaram o desaparecimento de 96% da população desses felinos nos últimos cem anos. Acredita-se que existam apenas 4 mil indivíduos da espécie restantes no planeta.

A organização britânica lançou um apelo internacional para salvar a espécie. A Born Free está trabalhando ao lado de sete ONGs indianas para aumentar os esforços na intenção de salvar os tigres.

Foto: Michael Vickers
Foto: Michael Vickers

Mais de 25% da população de tigres na Índia está na região central de Satpuda. Eles esperam pôr um fim na prática da caça, proteger os habitats dos tigres e promover intervenções de conservação que permitam às comunidades e à vida selvagem viverem harmoniosamente.

“Dentro deste ecossistema extraordinário, os tigres mais do que nunca precisam de nossa intervenção devido a inúmeras ameaças, principalmente conflitos entre humanos e animais selvagens,” disse Howard Jones, CEO da Born Free, com sede em Horsham, no condado de Sussex, Inglaterra.

“Isso inclui a caça e o comércio de partes de seus corpos para a ‘medicina’ tradicional; e a perda de habitat devido ao desmatamento e ao desenvolvimento rural caótico ou inadequado.”

“É impossível imaginar um mundo sem tigres. A menos que façamos algo agora, as consequências podem ser terríveis.”

“Precisamos urgentemente de apoio para a nossa iniciativa ‘Living with Tigers’, para que possamos encorajar a convivência pacífica entre humanos e animais através da educação e envolvendo a comunidade local em várias iniciativas únicas para melhorar seus meios de subsistência.”

A Born Free afirma que 85% de todos os conflitos entre tigres e humanos ocorrem quando as pessoas se aventuram na floresta e se intrometem no território da vida selvagem.

O desenvolvimento e invasão de áreas urbanas no habitat dos tigres é um grande problema a se resolver, pois as áreas florestais são essenciais para a sobrevivência da espécie. Existem vastos corredores que permitem aos animais migrar pelas áreas de seu habitat, e a perda destes provavelmente causaria um colapso desastroso e irreparável na população de tigres.

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Conheça os fascinantes lêmures de Madagascar

O criador da Viajologia, conta o espetáculo da natureza que é admirar os lêmures, primatas fascinantes ameaçados de extinção por conta do contrabando e maus-tratos.

Hardol conta experiência e fatos fascinantes sobre lêmures e Madagascar
Existem ao todo 111 espécies diferentes de lêmures (Foto: Haroldo Costa / Arquivo Pessoal)

Sobre a variedade dos lêmures e o fascínio que causa, Haroldo conta que: “São 111 espécies diferentes. Alguns pesam apenas 30 gramas, já o maior deles chega quase a 10 quilos. Seus pelos têm as mais variadas cores, até mesmo dourado. Uns pulam e voam, outros cantam! São os lêmures, primatas que só existem em Madagascar, no Oceano Índico”.

Pelo fato desses primatas só existirem nesta ilha da costa sudeste do continente africano, ele explica a dificuldade que é a conservação dos lêmures competindo por espaço e pela preservação do seu habitat natural.

Lêmures são animais ameaçados de extinção
Lêmures só existem na ilha de Madagascar e lá, lutam pela sobrevivência (Foto: Haroldo Costa / Arquivo pessoal)

“Por seu isolamento, a fauna e a flora da ilha seguiram seus próprios caminhos de evolução. Desde a chegada dos humanos por lá, há 2 mil anos, os lêmures travam uma batalha constante contra o maior inimigo das espécies: a perda do habitat natural. Para sobreviver nas florestas tropicais úmidas ou nos bosques secos, precisam viver em áreas protegidas. Quase todas as espécies são consideradas ameaçadas de extinção”, lamenta.

Uma das coisas mais belas, ao visitar a ilha é ouvir nas florestas, o canto do indri, o maior de todos os lêmures. O som parece um tanto melancólico, mas Haroldo explica que o motivo da melodia é mostrar para as outras famílias de indris, a sua localização, evitando brigas por espaço e, consequentemente, pela mesma fonte de comida.

Lêmure saltando entre árvores com filhote nas costas
O salto dos lêmures sifaka-diadema são impressionantes e certeiros (Foto: Haroldo Costa / Arquivo pessoal)

Outra coisa linda de se admirar são os altos do sifaka-diadema. Com coloração branca e alaranjada, ele tem pernas musculosas que o permite dar saltos por dezenas de metros, sempre com aterrissagens perfeitas.

“Madagascar é laboratório da evolução da biodiversidade do planeta. De cada 10 espécies de plantas ou de animais, nove são endêmicas, só existem lá”, conta Haroldo, sem esconder o fascínio pelo local,

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Lêmure em galho de árvore
Home [Destaque N2]

Cientistas planejam explorar lêmures em laboratórios

Porém, agora os lêmures Microcebus – o menor primata do mundo – serão explorados em pesquisas para doenças humanas.

Lêmure em galho de árvore
Foto: Shutterstock, David Thyberg

Os cientistas planejam usá-los para substituir camundongos, ratos e até mesmo moscas da fruta que, há anos, são usados em testes para diversas condições que variam desde câncer e doença de Alzheimer a acidentes vasculares cerebrais.

Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), tentam justificar essa barbaridade argumentando que a biologia dos lêmures é mais similar à de humanos, segundo a reportagem do Daily Mail.

Ao invés de pesquisar métodos que não ferem seres inocentes, Mark Krasnow começou a procurar um “animal alternativo” para pesquisar doenças pulmonares em 2009.

Os lêmures Microcebus foram escolhidos porque são pequenos (possuem apenas o dobro do tamanho de um camundongo), se reproduzem rapidamente e os custos de sua alimentação são baixos.

Para agravar esse cenário terrível, Megan Albertelli, que trabalhou no projeto, disse que os lêmures são “modelos promissores para a doença de Alzheimer”.

A declaração mostra a completa falta de compaixão desses pesquisadores com animais não humanos. É lamentável que com a disponibilidade de alternativas aos testes em animais, eles insistam nessa tortura. Krasnow e sua equipe irão publicar as pesquisas sobre lêmures na revista científica Genetics.

“Os lêmures não são tubos de ensaio com caudas, mas animais inteligentes que sentem dor, assim como os seres humanos e outros primatas – embora diferenças  fundamentais signifiquem que seus corpos reagem de maneira diferente dos nossos”, enfatiza Julia Baines, assessora de Política Científica da PETA.

“Custo a acreditar que qualquer cientista ainda faça experiências em animais para obter respostas em uma era de modelos humanos e derivados, tecnologia baseada em computador e técnicas avançadas de imagens e digitalização”, completou.

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Cerca de 90 por cento dos últimos lêmures de Madagáscar podem ser extintos

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Tambako the Jaguar
Foto: Tambako the Jaguar

Madagáscar, a quarta maior ilha do mundo, é o lar de 107 espécies de lêmures. A maioria destes lêmures pode ser encontrada apenas na ilha africana, mas uma primatologista proeminente adverte que os lêmures de Madagáscar estão em grande perigo.

Não há nenhum lugar como Madagáscar no planeta, então não é nenhuma surpresa que tantas espécies de lêmures sejam endêmicas à ilha. Há florestas, savanas, estepes, rios, lagos, pântanos, mangues, terras áridas e recifes, mas há também uma destruição desenfreada.

De acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica, 80 por cento da cobertura florestal da ilha desapareceu e até mesmo um hectare perdido tem um enorme impacto no meio ambiente por causa das altas taxas de plantas e animais endêmicos do país. Esta destruição ambiental também fere as pessoas – 18 milhões de pessoas contam com essa rica biodiversidade para subsistência (80 por cento dos habitantes são completamente dependentes dos recursos naturais).

Lêmures dependem 100 por cento dos recursos naturais e mais de 90 por cento dos lêmures de Madagáscar estão à beira da extinção, informa a CNN. O primatologista Jonah Ratsimbazafy adverte que “não resta muito tempo” para salvar as 24 espécies de lêmures criticamente ameaçadas de extinção.

De acordo com a CNN, Ratsimbazafy explica que as alterações climáticas e a atividade humana estão prejudicando os lêmures. Ratsimbazafy diz que a ilha “está sangrando. Porque a floresta é foi destruída, o solo, erodido e o que aconteceu é que: ninguém pode sobreviver.” Segundo o primatologista, 30.000 hectares de floresta tropical da ilha desaparecem todos os anos. Neste ritmo, as florestas de Madagáscar – habitat dos lêmures – irão desaparecer em 25 anos, adverte Ratsimbazafy.

Conheça as três espécies de lêmures mais ameaçadas

1. Grande lêmure-de-bambu

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) classifica o grande lêmure-de-bambu como criticamente ameaçado, ou há um passo da extinção. A agricultura, a extração ilegal de madeira, a mineração, a retirada de bambu e a caça (este é o lêmure mais caçado no sul) são responsáveis pelo declínio da população de lêmures. Estima-se que a população tenha diminuído 80 por cento ou mais ao longo de três gerações. Além disso, os lêmures estão severamente dispersos.

2. Lêmure-do-alaotra

De acordo com a Lista Vermelha da IUCN, a população de lêmures-do-alaotra diminuiu 80 por cento ou mais ao longo de três gerações, ou seja, nos últimos 24 anos. As espécies criticamente ameaçadas estão severamente dispersas e suas populações continuam a diminuir. A conversão de pântanos em campos de arroz, que muitas vezes envolve a queima, é o maior responsável pelo declínio do lêmure-do-alaotra. Ademais, esses lêmures também são caçados para consumo ou para se tornarem animais domésticos.

https://youtu.be/4Z8e6cze3ok

3. Indri

A população criticamente ameaçada de lêmures indri foi reduzido de 80 por cento ou mais ao longo de três gerações, ou 36 anos, de acordo com a IUCN. O indri também está severamente disperso e a tendência da população para a espécie está diminuindo. As principais ameaças para este lêmure são a agricultura, a exploração madeireira e a produção de lenha. Houve também um aumento da caça deste lêmure. O indri costumava ser protegido por fadys (ou tabus culturais tribais), mas a imigração e “a erosão cultural” estão tornando a caça de lêmures para o consumo e a produção de peles mais aceitável.

Para proteger os lêmures, uma petição foi criada com o intuito de pressionar o governo de Madagáscar a investir em medidas preventivas para evitar a extinção.

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Plano de ONG tenta salvar da extinção lêmures de Madagascar

Lêmure rato de Berthe, espécime descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, e já é considerada ameaçada de extinção (Foto: WWF)
Lêmure rato de Berthe, espécime descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, e já é considerada ameaçada de extinção (Foto: WWF)

A organização Conservação Internacional apresentou nesta quarta-feira (31) em Antananarivo, na ilha de Madagascar, um plano para tentar salvar 93 das 105 espécies de lêmures ameaçadas de extinção, numa operação que necessita de US$ 7,6 milhões para funcionar.

O plano é “uma estratégia de três anos para a conservação dos lêmures de Madagascar, em resposta às diferentes ameaças sofridas por estes animais (…). O orçamento é para os próximos três anos”, indicou um comunicado da organização não-governamental.

Segundo a ONG, das 105 espécies conhecidas de lêmures de Madagascar, 24 já são consideradas “em situação crítica de risco”, 49 estão “em vias de desaparecimento” e 20 são “vulneráveis”, em razão do desmatamento, das mudanças climáticas e, sobretudo, da caça ilegal desses animais, que são os vertebrados mais ameaçados do mundo.

“Aqui lêmures são mortos todos os dias, a caça é o maior problema”, explicou o pesquisador Russel Mittermeier, presidente da ONG, em coletiva de imprensa.

Proteção do habitat

O plano apresentado nesta quarta-feira prevê a proteção do habitat natural dos lêmures, melhorias nos meios de subsistência da população rural da ilha, o desenvolvimento do ecoturismo e a luta contra o consumo de carne de caça.

O programa inclui também uma contribuição importante das comunidades locais e uma sensibilização ambiental por parte das autoridades de Madagascar. “O Estado não pode contribuir financeiramente para o plano, mas o importante é que se aproprie dele e ajude em outras esferas”, afirmou Claudine Ramiarison, diretora-geral de pesquisa e parcerias do Ministério da Educação de Madagascar.

A ilha faz parte dos 35 grandes polos mundiais de biodiversidade e abriga 105 espécies de lêmures locais. Considerado um dos principais símbolos do país, ele estampa os passaportes, assim como o zebu e o camaleão.

Fonte: G1

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Cresce colônia de lêmures na reserva de Myakka

Por Vanessa Perez  (da Redação)

Foto: LakewoodRanchHerald.com

Os cientistas que têm lutado para salvar os lêmures da extinção desde 1999, relatam que a colônia na cidade Myakka, localizada no estado da Flórida, nos EUA, teve um aumento de 40 animais.
Isso é o dobro do que foi levantado em 2005.

Os primatas de olhos arregalados – conhecido por sua expressão espantada e cauda longa  – desapareceram na natureza, exceto para o nativo de Madagascar, que mesmo assim continua sofrendo pressão.

Segundo informações do jornal LakewoodRanchHerald.com, A reserva de lêmures de Myakka permite que os animais vivam em um ambiente de floresta natural em um campus de 100 acres. O local tornou-se um destino para estudantes universitários e pesquisadores.

A Associação de Zoos e Aquários, anunciou na semana passada que garante a certificação para a reserva, que é operado pela Lemur Conservation Foundation.

Foto: LakewoodRanchHerald.com

“Myakka City Lemur Reserve, é um dos melhores do mundo, porque cumpriu os padrões mais elevados do mundo”, disse o presidente da Associação, Jim Maddy, em um comunicado.

A certificação é baseada em padrões rigorosos de cuidados com os animais, programas de veterinária, conservação, segurança e educação.

“Isso dá credibilidade ao determinado padrão que temos alcançado “, disse Kate Lippincott, diretora de serviços de administração e biblioteca da Fundação de Conservação do Lêmure.

A certificação fornece um nível de conforto para outras instalações em cooperar com os programas de pesquisas e de criação, assegurando assim a diversidade dos genes.

Ele também acrescenta credibilidade para os pedidos de suporte e filantropia considerando que contribuem com US $ 2 milhões para a reserva.

“Estamos expandindo nossa colônia de lêmures”, disse Lippincott, antecipando que ela atingirá uma população de cerca de 80 indivíduos.
Myakka City Lemur Reserve existe principalmente para garantir a sobrevivência da espécie, mas também para ampliar a compreensão do reino animal.

Não é um jardim zoológico e não é aberto ao público. Mas é o destino frequente de estudantes universitários. Mais recentemente, grupos da Universidade de Miami e Portland State University fizeram trabalho de campo lá.

Os grupos são pequenos, e os visitantes são obrigados a se vestirem para andar na floresta, incluindo botas. Os visitantes também têm que fazer teste de tuberculose para garantir que eles não passarão a doença a qualquer uma das seis variedades de lêmures na reserva.

“Quando você vai para a floresta você pode ver um lêmure, ou talvez não”, disse Lippincott.

Mesmo as crianças não podendo visitar a reserva, os professores poderão utilizar o programa anual da instalação, sendo uma semana de aprendizagem no verão. Os professores poderão levar para a sala de aula o que aprenderam em Myakka.

A fundação foi criada em 1996, e o primeiro lote de terra em Myakka foi comprado em 1997. Os invernos sem neve foram um fator importante para a escolha da localização em Myakka.

Os primeiros lêmures de Myakka, vieram da Duke University Primate Center.
“Desde então temos tido nascimento de filhotes e também chegaram lêmures de outras instalações”, disse Lippincott.

Uma razão para que cientistas se interessem nos lêmures, é que eles se assemelham a um ancestral comum partilhado com os seres humanos há milhões de anos.

Mas em muitos lugares, os lêmures perderam a batalha da sobrevivência, porque eles foram incapazes de se adaptar da mesma maneira que os seres humanos e macacos conseguem.

Em Madagascar, quase 80 por cento das florestas, o principal habitat do lêmure, foram destruídos. Disse Lippincott. Os lêmures são bonitos, carismáticos e curiosos, ela diz.

Eles têm polegares e unhas, que lembram os humanos.

Os lêmures podem também mostrar personalidade, outra característica observada em seres humanos.

Um professor da faculdade de Eckerd introduziu objetos no habitat dos lêmures, que na realidade eles  normalmente não iriam ver, como um cone de trânsito laranja, e acompanharam suas respostas.

Alguns dos lêmures foram ousados e curiosos na exploração do novo objeto, enquanto outros eram tímidos e medrosos, e outros simplesmente ignoraram, disse Monica Mogilewsky, diretora de pesquisa e operações em Myakka City Lemur Reserve.

A Lemur Conservation Foundation também se preocupa com Madagascar , onde apoia um programa parecido.

Um dos artistas da fundação visitou Madagascar e ensinou as crianças de lá a usarem aquarelas. A encantadora arte das crianças foi exibida vários anos atrás em Selby Gardens.

Planos estão sendo feitos para retornar a Madagascar para coletar mais arte feita pelas crianças e , possivelmente, uma turnê de exposições.

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Primatas selvagens envelhecem de forma semelhante ao ser humano

Acreditava-se que o processo lento de envelhecimento do homem era próprio da espécie

Uma pesquisa com primatas selvagens mostrou que o processo de envelhecimento observado nos seres humanos não é próprio da espécie. A observação de 3 mil indivíduos concluiu que, embora o ser humano tenha acesso à medicina moderna e medicamentos, ele é atingido pelos problemas que chegam junto com a idade tanto quanto os outros. O motivo que leva à morte pode até ser diferente, mas o processo mais lento, que faz o risco aumentar com o passar dos anos, é semelhante para todas as espécies.

Muriqui brasileiro foi um dos primatas selvagens observados no estudo. (Foto: Divulgação/CI)

“Nós tínhamos boas razões para pensar que o processo de envelhecimento humano era único”, disse a coautora do estudo Anne Bronikowski, da Universidade Estadual de Iowa. “Os humanos vivem mais que muitos animais. Há algumas exceções, como papagaios, mas o homem é o primata que vive por mais tempo”.

A base de que os humanos envelheciam de forma diferente surgiu a partir de estudos anteriores feitos com animais de vida curta, como camundongos. O estudo com os primatas selvagens, que será publicado na edição desta semana da revista Science, quer mudar esta percepção.

“Os humanos vivem por muitos anos além da idade de reprodução”, disse Bronikowski. “Se fôssemos como outros mamíferos começaríamos a morrer rapidamente depois de atingirmos a meia idade, mas não morremos”, explicou a pesquisadora.

“Existe este argumento na ciência de que o envelhecimento humano tinha características únicas, mas nós não tínhamos dados do envelhecimento em primatas selvagens, além dos chimpanzés, até recentemente”, disse a coautora do estudo Susan Alberts, bióloga da Universidade Duke, que fica na Carolina do Norte, Estados Unidos.

As espécies de primatas observadas foram os macacos capuchinhos da Costa Rica, o muriqui do Brasil, babuínos e macacos azuis do Quênia, chimpanzés da Tanzânia, gorilas de Ruanda e lêmures de Madagáscar. O estudo não focou o declínio da saúde ou da fertilidade, mas se preocupou em observar o risco de morte com o avanço da idade.

Outro dado coletado durante a pesquisa mostrou que o envelhecimento dos machos monogâmicos é parecido com o de suas fêmeas. Nos demais, ou seja, naqueles que têm mais de uma parceira durante a vida, o estresse causado pela competição para o acasalamento seria fator importante para explicar o envelhecimento mais acelerado entre os machos.

Fonte: Estadão

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Animais chegaram a Madagascar em ‘jangadas improvisadas’, conclui estudo

Cena do desenho Madagascar, de 2005. Detalhe importante: não há grandes mamíferos nativos da ilha, como girafas e leões. A população original é de pequenos mamíferos, como os lêmures. (Foto: The Picture Desk / Dreamworks Pictures / The Kobal Collection)
Cena do desenho Madagascar, de 2005. Detalhe importante: não há grandes mamíferos nativos da ilha, como girafas e leões. A população original é de pequenos mamíferos, como os lêmures. (Foto: The Picture Desk / Dreamworks Pictures / The Kobal Collection)

De que jeito os lêmures chegaram à Ilha de Madagascar em algum momento há 65 milhões de anos? Uma dupla de cientistas afirma que suas pesquisas confirmam a ideia de que os animais alcançaram a grande ilha, considerada um minicontinente, em “jangadas naturais”. Desde 1915, pelo menos, especialistas elegeram essa explicação como uma alternativa à hipótese de que o acesso a Madagascar tenha ocorrido por uma “supervia” de terra, posteriormente alagada com a elevação do nível do mar.

Tahina, um filhote de lêmure (Propithecus coronatus) em incubadora do Zoológico de Besancon, na França. 'Tahina' significa 'Que precisa de proteção' em malgaxe, o principal idioma falado em Madagascar. (Foto: Jeff Pachoud/AFP 20-01-2009)
Tahina, um filhote de lêmure (Propithecus coronatus) em incubadora do Zoológico de Besancon, na França. 'Tahina' significa 'Que precisa de proteção' em malgaxe, o principal idioma falado em Madagascar. (Foto: Jeff Pachoud/AFP 20-01-2009)

 

Matthew Huber, paleoclimatologista da Universidade Purdue, e Jason Ali, especialista em placas tectônicas e oceanofragia da Universidade de Hong Kong, afirmam que o fluxo predominante de correntes oceânicas entre a África e Madagascar milhões de anos atrás tornava a jornada não só possível, como também muito rápida (o que evitava que os passageiros morressem de sede). A conclusão baseia-se em três anos de simulações de computador das antigas correntes oceânicas. A direção das correntes atuais, e dos ventos também, joga para sul e sudoeste, então o serviço de balsa África-Madagascar não rola mais há um bom tempo.

Claro que os bichos não planejavam a viagem. Foram lançados ao mar durante grandes tempestades causadas por ciclones tropicais, e surfavam árvores ou grandes coberturas de vegetação arrancadas pela força dos ventos. É possível que tenham sido pegos de surpresa durante períodos de hibernação ou torpor sazonal. Tendo desembarcado na 4ª maior ilha do mundo, os bichos migrantes teriam evoluído para as formas distintas, e algumas vezes bizarras, conhecidas hoje.

Madagascar – ilha no Oceano Índico cerca de 480 quilômetros a leste da África, da qual é separada pelo Canal de Moçambique – é considerada pela ciência como um laboratório vivo para o estudo da evolução e do impacto da geografia no processo evolucionário. Tem mais espécies únicas do que qualquer outro lugar do planeta, com exceção da Austrália, 13 vezes maior. Por exemplo, há 70 tipos diferentes de lêmure que só vivem ali. Cerca de 90% dos demais mamíferos, anfíbios e répteis são exclusividade de Madagascar.

George Gaylord Simpson  (1918-1984), um dos mais influentes paleontologistas e teóricos da evolução, usou métodos estatísticos para especular sobre a migração intercontinental dos mamíferos. “O que nós realmente fizemos foi provar a plausibilidade física do argumento de Simpson”, disse Huber.

O paleontólogo George Gaylord Simpson no Museu Nacional de História Natural dos EUA (Foto: American Philosophical Society Digital Library)
O paleontólogo George Gaylord Simpson no Museu Nacional de História Natural dos EUA (Foto: American Philosophical Society Digital Library)

 Um artigo descrevendo a pesquisa saiu na revista Nature.

* Com informações sobre o estudo sistematizadas por Greg Kline, da Universidade de Purdue

Fonte: G1

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