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Leões são assassinados e mutilados na África do Sul

Leões assassinados tiveram a cabeça e as garras arrancadas | Foto: Jamie Pyatt
Leões assassinados tiveram a cabeça e as garras arrancadas | Foto: Jamie Pyatt

Christa Saayman, responsável pelo parque onde ocorreram as mortes, ficou chocada após descobrir que seis leões que viviam no local foram brutalmente assassinados para que partes de seu corpo fossem usadas em rituais de magia negra.

Os caçadores cortaram as cabeças e as patas de quatro leões adultos e mataram dois filhotes.

Os animais foram envenenados e mutilados no parque da vida selvagem Mystic Monkeys & Feathers, ao norte de Pretória, capital da África do Sul.

Dois leões brancos chamados Aslem e Aiden, estavam entre as vítimas, assim como o leão marrom Sussie, a leoa Jessie e os dois filhotes.

Os animais foram envenenados por galinhas atiradas através da cerca elétrica | Foto: Jamie Pyatt
Os animais foram envenenados por galinhas atiradas através da cerca elétrica | Foto: Jamie Pyatt

Christa, de 55 anos, disse: ‘Foi cruel, desumano e devastador. Eu não tenho palavras para descrever como me sinto. Estou tão triste. O que nós presenciamos aqui é terrível.

“Este foi um ato sem sentido e sem sentimento feito por pessoas inescrupulosas que nos roubaram seis belos animais. Ver esses majestosos leões mutilados dessa forma é uma desgraça lamentável”, desabafou ela.

“Pensávamos que fazíamos nossa parte na conservação, conscientização e proteção desses animais, então essas pessoas chegam e fazem isso com eles”.

Uma busca em conjunto com a empresa de segurança Hi-Risk Unit, está em curso para pegar os culpados. A empresa afirma estar na pista dos assassinos. Uma recompensa esta sendo oferecida no valor de £ 15.000 (cerca de 77 mil reais) por informações.

Aslem, um dos leões assassinados no ataque | Foto: Jamie Pyatt
Aslem, um dos leões assassinados no ataque | Foto: Jamie Pyatt

Christa conta que foi acordada na madrugada de sábado, às 4h30 da manhã, após uma perseguição a um grupo de homens suspeitos feita por uma patrulha policial, longe do perímetro do parque.

Um dos suspeitos que fugiam deixou cair uma mochila e os funcionários do parque identificaram as roupas que haviam dentro dela como pertencentes a um outro funcionário que, desde então, desapareceu.

Nessa altura dos acontecimentos, Christa conta que não havia ainda ligado o incidente aos leões.

“Foi só quando o encarregado de alimentar os leões gritou em choque, por volta das 7 da manhã, que havia descoberto os restos dos leões assassinados, que eu entendi o que havia acontecido”

“A cena era horripilante esta além de qualquer descrição. Mandei os funcionários reunirem os corpos e queimarem os restos mortais dos animais naquela mesma tarde. Foi o dia mais triste da minha vida”.

O depto. de polícia da África do Sul, responsável pela investigação, disse que os suspeitos jogaram galinhas envenenadas através das cercas elétricas para matar os leões.

Christa afirmou que “Nenhuma das cercas foi cortada, eles contornaram as cercas elétricas, isso me convenceu que foi um trabalho interno, mas nossa empresa de segurança já colheu muita informação”.

“Vimos esse leões crescerem desde filhotes, demos mamadeiras a eles e então esses criminosos vêm e os matam para usar seus ossos, garras e dentes para feitiçaria”.

Aiden, outra vítima do ataque dos criminosos | Foto: Jamie Pyatt
Aiden, outra vítima do ataque dos criminosos | Foto: Jamie Pyatt

“É tão triste que fico me perguntando por que eles vieram aqui e fizeram isso”.

A encantadora de leões Charmaine Joubert, que era como uma mãe para os leões assassinados, disse que não conseguia descrever como se sentia: “Eu amei a todos eles com todo carinho”.

“Eu gastava meu tempo livre brincando com eles, estive com eles na semana passada mesmo e ficamos brincando juntos. Eles eram meus filhos, minha vida, eu estou despedaçada”.

A polícia de Limpopo afirmou que foi lançada uma verdadeira caça aos suspeitos.

O coronel Moatshe Ngoepe contou que um funcionário do parque foi quem notou as manchas de sangue, e em seguida descobriu quatro dos leões mortos com as cabeças e as patas cortadas.

Segundo o polícial dois filhotes também estavam mortos, mas sem partes do corpo ausentes.

Um curandeiro tradicional da região, que não quis se identificar, contou que as partes do corpo do leão são geralmente usadas para fazer uma poção de bruxaria e lançar feitiços.

“Ela pode ser usada para proteger as pessoas de doenças ou torná-las fortes ou viris”, acredita ele.

“Pode ser usada também para assustar os inimigos ou proteger de ataques, acredita-se que as poções podem tornar uma pessoa forte, respeitada e temida pelos outros.”

A dra. Kelly Marnewick, da Endangered Wildlife, tem prestado uma atenção especial aos casos de leões mutilados caçados e mortos em fazendas e santuários particulares.

Ela afirma que são as garras principalmente, além das cabeças e dentes dos leões que os caçadores buscam. É uma ocorrência relativamente nova e é algo que estamos observando de perto.

“Em 2017, haviam 22 leões presos em fazendas onde esses animais estão acostumados a ser alimentados. Eles são vulneráveis e é uma maneira fácil de colocar as mãos em partes de leão”.

Teme-se que os ossos de leões também estejam sendo usados para substituir os ossos de tigres, mais raros no Sudeste Asiático e estejam sendo contrabandeados para uso em remédios tradicionais.

Um esqueleto de leão completo pode ser comprado na África do Sul por £ 1000 (cerca de 5 mil reais), mas no Vietnã ele chega a valer £ 50.000 (cerca de 257 mil reais) e as garras e dentes individuais do leão são altamente valorizados também.

Em abril, o proprietário de um parque de leões, Gert Claasens, 48 anos, teve três de seus leões assassinados e mutilados por cabeças e garras e mais outros três roubados para serem mortos mais tarde em Petrus Steyn, no Estado Livre.

No mês seguinte, Justin Fernandes, 32 anos, teve 3 leões e um tigre malhado dourado raro mortos por caçadores no Parque Jugomaro Predator, em Limpopo, também por partes de seu corpo.

Christa, que toma conta de um parque de 1000 acres (cerca de 4 km2) com 53 tigres e 10 leões, além de 350 macacos e pássaros disse: “Estamos tentando conservar e salvar animais”.

“Mas daí essas pessoas vêm e fazem essas coisas terríveis com eles”, concluiu ela.

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