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Músico Paul McCartney lança vídeo musical contra os testes em animais

Foto: Jimmy Baikovicius
Foto: Jimmy Baikovicius

O ex-Beatle Paul McCartney lançou um novo videoclipe promovendo uma mensagem antivivissecção.

O vídeo animado, produzido pela PETA, apresenta o hino de protesto de McCartney em 1993, “Looking for Changes” (Procurando por Mudanças).

A música foi doada à PETA em uma tentativa de ajudar a entidade em seu esforço para acabar com os experimentos com animais.

“Temos que fazer melhor”

“Estou procurando por mudanças que continuem impulsionando a retirada definitiva dos animais em laboratórios”, disse McCartney em comunicado enviado ao Plant Based News.

“As experiências com animais não são éticas – são uma crueldade imensa, um erro e uma perda de tempo e dinheiro. Podemos e devemos fazer melhor que isso”.

Experimentação animal

A PETA acrescenta que as evidências publicadas no The BMJ (anteriormente conhecido como British Medical Journal) “demonstram que 90% da pesquisa básica – cuja maioria envolve experimentos com animais – não leva a tratamentos para seres humanos”.

O artigo revela ainda que: “As autoridades do governo dos EUA também admitem que 95% de todos os novos medicamentos testados com segurança e eficácia em animais falham em testes em humanos, seja porque simplesmente não funcionam ou porque causam efeitos adversos”.

“Apesar disso, os pesquisadores ainda recebem subsídios para testar em animais. Assim, em todo o mundo, milhões de animais são trancados em gaiolas de laboratório, envenenados, queimados, mutilados, traumatizados emocionalmente e infectados com doenças enquanto sofrem de extrema frustração e solidão”, acrescenta o texto da publicação.

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Jornalismo cultural, Notícias

Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

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Jornalismo cultural, Notícias

Fotógrafa registra a primeira experiência ao ar livre de animais usados em laboratórios

“Meus pequenos modelos são animais usados em testes, que foram salvos pela La Collina dei Conigli” (Fotos: Rachele Totaro)

No último verão, a fotógrafa Rachele Totaro realizou um ensaio fotográfico com animais recém-libertados dos laboratórios. Segundo ela, foi a primeira vez que eles foram colocados ao ar livre e tiveram contato com a realidade externa, com a luz solar, o céu, as árvores…

“Meus pequenos modelos são animais usados em testes, que foram salvos pela La Collina dei Conigli, uma instituição de caridade italiana sediada em Milão”, informa Rachele, acrescentando que anualmente centenas de milhares de animais morrem nos laboratórios da Itália.

Há animais que são utilizados em testes letais, mas não todos. Outros não chegam a ser utilizados, mas são mantidos confinados. Apesar disso, muitos têm condições de se recuperar das experiências ruins vividas em laboratórios, segundo a fotógrafa. No entanto, e infelizmente, todos eles são considerados descartáveis para os laboratórios ao final das experiências.

Porém, na Itália a legislação prevê que os animais saudáveis sejam doados para pessoas ou instituições de caridade como a La Collina dei Conigli, que se especializou em resgatar e garantir abrigo para coelhos e outros animais utilizados em laboratórios.

E como meio de apoiar a iniciativa, Rochele tem realizado ensaios com os animais resgatados, assim tentando levar um pouco de conscientização e sensibilização a quem não costuma ver esses animais como pequenas criaturas com anseio pela vida.

A fotógrafa conta que o melhor de tudo em fotografá-los ao ar livre é perceber a satisfação ao sentirem o sol tocando pela primeira vez suas peles. “Todos agem de maneira diferente ao ar livre, e mostram que não são meros números, como são considerados em laboratórios, mas indivíduos com atitudes e personalidades peculiares”, enfatiza.

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Notícias

Carne cultivada em laboratório pode chegar aos supermercados em cinco anos

Foto: Shutterstock

A carne produzida em laboratório que pode acabar com o abate de animais e ‘salvar’ o planeta está dividindo opiniões. Enquanto alguns acreditam que ela seja a solução de todos os problemas, outros vão além e levantam questões negativas sobre a cultura de células em laboratório, como o possível aumento dos testes em animais.

Deixando as concepções de lado, a questão é: ela existe e está bem perto de chegar às prateleiras dos supermercados – segundo cientistas, em cinco anos.

A carne cultivada

O produto, também chamado de ‘carne limpa’, envolve a coleta de células animais. As células-tronco dessa amostra são colocadas em um reator em um laboratório, onde são alimentadas com uma solução de glicose, aminoácidos, vitaminas e minerais.

Pesquisadores da Universidade de Bath estão cultivando células em lâminas especiais que permitem que elas se multipliquem e se tornem células musculares maduras que formam carne cultivada.

Marianne Ellis, conferencista sênior em engenharia bioquímica, disse que a textura atual da carne cultivada a torna mais adequada para salsichas e hambúrgueres. As informações são do Daily Mail.

No entanto, espera-se que produtos como bife e bacon sejam desenvolvidos no futuro.

Ela descreveu o processo de criação de carne cultivada como atualmente “muito caro”, mas disse que o trabalho estava sendo realizado para reduzir esses custos e equipará-lo ao preço das carnes tradicionais.

“O Reino Unido é realmente um dos principais atores essenciais em escala global, e é nisso que estamos trabalhando como engenheiros, desenvolvendo sistemas para o crescimento das células em larga escala”, disse Ellis.

“Em termos de quando provavelmente veremos isso nos supermercados, provavelmente a empresa mais avançada no momento é a Mosa Meat e eles estão prevendo de quatro a cinco anos”.

“A enorme vantagem de comer algo como carne cultivada é que ela atende às nossas necessidades e aos nossos desafios globais, tanto de segurança alimentar quanto de mudança climática”, disse Ellis.

“Nossa população global está crescendo e nossos métodos atuais de produção de alimentos não serão dimensionados para produzir o que precisamos para alimentar todo mundo. Precisamos de algo como mais 60 milhões de toneladas de proteína para suprir a população até 2050 e não podemos fazer isso como fazemos atualmente.”

“Essa carne cultivada é uma maneira de fazer isso. Isso pode ser feito em qualquer lugar do mundo.”

“Temos a oportunidade também de abordar nossas questões climáticas porque este método comparado à produção tradicional de carne bovina tem muito menos emissões de gases do efeito estufa, tem muito menos uso de água, tem muito menos uso da terra e uso reduzido de energia para atender a esses dois principais desafios globais.”

Bem-estar animal

O empresário Richard Branson, fundador do grupo Virgin, entrou no mercado crescente de carne cultivada.

“Acredito que daqui a 30 anos não precisaremos mais matar nenhum animal e que toda a carne será limpa ou vegetal, terá o mesmo sabor e será muito mais saudável para todos”, disse Branson em um post no Site da Virgin em 2017 após investir na Memphis Meats.

“O sistema alimentar de carne limpa é seguro, bom para o planeta, para os animais e satisfaz os consumidores. A Memphis Meats espera uma conversão muito melhor de calorias; o uso muito menor água e terra; produção de menos gases de efeito estufa e a redução dos custos em relação à produção convencional de carne. É um enorme passo para o bem-estar animal.”

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Destaques, Notícias

Beagles são forçados a ingerir fungicida em estudo de laboratório americano

Foto: The HSUS/Divulgação
Foto: The HSUS/Divulgação

Imagens fortes filmadas de dentro de um laboratório de Michigan (EUA) revelam métodos cruéis usados em dezenas de cães que são alimentados de forma forçada com fungicida durante um experimento que realiza testes de animais.

Cerca de 36 beagles em posse do Charles River Laboratories em Mattawan, Michigan, estão sendo submetidos a um estudo de toxicidade com duração de um ano patrocinado por uma empresa de agrotóxicos que pretende testar seu novo fungicida.

Os beagles que não sobreviverem até a data final designada para estudo, em julho deste ano, serão mortos para que seus órgãos possam ser examinados quanto aos danos causados pelo veneno.

O vídeo foi filmado durante uma investigação secreta da organização Humane Society dos Estados Unidos (HSUS), entre abril e agosto do ano passado.

Ele mostra os animais no início do estudo de um ano encomendado pela empresa de produtos químicos Dow AgroSciences, que faz uso de alimentação forçada de um fungicida (veneno) para os 36 beagles.

Alguns cães estão sendo submetidos a doses muito elevadas da substância – tão altas que até quatro cápsulas tiveram que ser empurradas goela abaixo dos cães.

A HSUS diz que a Dow AgroSciences reconheceu publicamente que este teste com previsão de duração de um ano é cientificamente desnecessário.

Ao longo dos quase 100 dias, um pesquisador da HSUS documentou quase duas dúzias de experimentos de curto e longo prazo que envolveram testes em cães, incluindo o teste de fungicida.

Foto: The HSUS/Divulgação
Foto: The HSUS/Divulgação

Entres os beagles participantes do experimento cruel nas instalações do laboratório, estava um jovem cão chamado Harvey que claramente procurava atenção dos humanos e foi classificado pela equipe do laboratório como “um bom menino”.

Harvey estava sendo usado em um estudo apoiado pela Universidade de Vermont para testar a segurança da química utilizada na composição de dois medicamentos, o experimento envolvia abrir cirurgicamente as cavidades torácicas dos cães e despejar as substâncias na área.

Como um funcionário do laboratório observou, o dia em que Harvey foi morto foi “a melhor coisa na vida que ele conheceu” simplesmente porque ele teve permissão de sair da gaiola estéril para correr no chão por um minuto antes de ser levado pelo corredor do laboratório até o departamento de necropsia para a eutanásia.

O laboratório Charles River realizou testes em cães para pelo menos 25 empresas durante o período que durou a investigação da HSUS.

De acordo com a HSUS, mais de 60 cães são usados em experimentos de laboratório nos EUA todos os anos, incluindo testes de toxicidade para pesticidas, drogas, implantes dentários e outros produtos.

Foto: The HSUS/Divulgação
Foto: The HSUS/Divulgação

Kitty Block, presidente e CEO da Humane Society dos Estados Unidos e presidente da Humane Society International, disse: “As descobertas perturbadoras feitas nesta instalação infelizmente não são únicas.

Experimentos estão acontecendo em centenas de laboratórios a cada ano nos Estados Unidos, com mais de 60 mil cães sofrendo”.

“Mas isso não quer dizer que este tenha que ser o destino desses 36 beagles. Durante meses, temos insistido com a Dow para finalizar esse teste desnecessário e liberar os cães para nós”.

Kitty afirma que foram realizados esforços consideráveis para ajudar a empresa a liberar os animais, mas agora a ONG simplesmente não vai esperar mais: “Todos os dias esses cães engaiolados estão sendo envenenados e se aproximam um dia a mais da morte”.

“Estamos recorrendo ao público para se unir a nós e exigir que Dow pare o teste imediatamente”, pede ela.

Kitty acredita que a HSU terá sucesso em recuperar os cães e a partir de então, trabalhará com afinco para que os beagles conheçam “a vida de verdade e sejam adotados em lares onde serão amados e protegidos”.

Foto: The HSUS/Divulgação
Foto: The HSUS/Divulgação

Especismo é o nome da doutrina que explica o comportamento deformado da humanidade em acreditar que os animais inferiores, fazendo deles meras peças à disposição de sua vontade. Segundo essa crença abominável, e que reina na maior parte da sociedade, os seres humanos podem matar, comer, ferir, se divertir, vender e dispor desses seres como bem entender.

Em oposição ao especismo, o biocentrismo prega a igualdade entre homens, natureza e animais, em proporções idênticas, sejam nas condições civis, legais ou emocionais, com direitos compartilhados a vida, comida, habitação, bem estar e amor.

Sendo a capacidade de amar, sofrer e compreender dos animais cientificamente comprovada, por que não teriam eles seu direito à vida resguardado em lugar de serem assassinados em instalações estéreis sem nem mesmo conhecerem alguma dignidade?

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Cientistas de Cingapura desenvolvem dispositivo que pode substituir testes em animais

O dispositivo, do tamanho de um cartão de crédito, foi criado por uma equipe multidisciplinar liderada por Wang Ziping, da A STAR SIMTech e Paul Bigliard, do Instituto de Biologia Médica da A STAR. As informações da Cosmetics Desing Ásia.

Foto: Shutterstock

Reconstrução da pele

Apelidado de chip-on-a-chip, o dispositivo funciona com base em microfuídica e pode processar pequenas quantidades de fluídos em microescala. Isso torna o dispositivo ainda mais capaz de imitar as funcionalidades da estrutura e o microambiente da pele humana em comparação com culturas de pele elástica.

De acordo com os pesquisadores, isso permite testar produtos de cuidados com a pele com absorção, segurança e qualidade.

A pele reconstruída no sistema microfluídico mostrou maturação reforçada da epiderme e quase o dobro da espessura epidérmica dos padrões equivalente da pele, disse Zee Upton, diretor executivo da A STAR.  Este modelo imita de perto a espessura completa da pele humana e tem um elevado grau de precisão em testar a permeabilidade química.

Um problema com equivalentes de pele convencionais à base de colágeno é que eles são conhecidos por encolher e afetar os resultados. Quando o colágeno se contrai, não sabemos se os compostos sob investigação estão atravessando a pele ou as lacunas entre o dispositivo e a pele durante os testes de permeação, explicou Gopu Sriram, um dos principais autores.

Os estudos mostraram que a pele cultivada no dispositivo microfluídico exibido cresceu quase duas vezes, aumentando a espessura da epiderme.

“Está epiderme aumentada está relacionada com menor permeabilidade química do que nos sistemas convencionais”, disse Yuri Dancik, outro autor.

O dispositivo é feito de plástico duro e pode ser reproduzido em massa a preços acessíveis e pode ser dimensionado para uma escala comercial.

Melhorias futuras

A equipe foi premiada por seus esforços no desenvolvimento desta inovação com o Global 3Rs Award, em outubro, pelo Innovation & Quality (IQ) Consortium e pela Association for Assessment da Accreditation of Laboratory Animal Care International (AAALAC).

O prêmio reconhece contribuições inovadoras para Refinamento e Substituição ou Redução do uso de animais em pesquisas científicas.

A equipe está atualmente trabalhando para melhorar o modelo para imitar melhor os humanos naturais. Para isso, eles planejam aumentar a complexidade de seu modelo adicionando células imunológicas e melhorando sua função de barreira.

Além disso, eles esperam otimizar o dispositivo microfluídico simulando a dinâmica do fluxo sanguíneo e implementando controles adicionais no microambiente para que o dispositivo possa se aproximar mais da pele humana.

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China considera mudar sua política de testes em animais para cosméticos

A atual legislação da China exige que produtos estrangeiros sejam testados em animais antes de serem comercializados no país. Mesmo que a marca não utilize o procedimento em sua fabricação, as autoridades chinesas realizam o teste para cumprir a lei.

Ativistas pressionaram arcas como NARS e L’Oreal a sair do mercado chinês. Porém, a China parece disposta a rever sua posição. De acordo com novo relatório, o Instituto Nacional de Controle de Alimentos e Drogas do país enfatizou que a pesquisa, desenvolvimento e padronização de alternativas aos testes em animais são agora prioridade.

China deve abrir mão de leis rígidas | Foto: Pixabay

Em diversos países os teste são há muito realizados sem necessidade de explorar animais. Há testes que usam tecidos humanos artificiais e o método do tubo de ensaio que pode distinguir ingredientes tóxicos e não-tóxicos. Organizações dedicadas aos direitos animais têm trabalhado há tempos para persuadir investidores chineses a apoiar a troca de procedimentos.

Em 2014, a China deu o primeiro passo para mudar as rígidas leis. O país permitiu que marcas locais e estrangeiras fabricadas na China vendessem localmente maquiagens, produtos para pele e fragrâncias sem testá-los em animais.

Porém, os produtos ainda tinham que seguir padrões rigorosos e aderir a uma lista de ingredientes pré-aprovados e testados. Os animais também poderiam ser prejudicados por meio de testes pós-comercialização.

Agora, por pressão de organizações, parceiros comerciais e consumidores, a China pode dar o segundo passo. O posicionamento do Instituto Nacional de Controle de Alimentos e Drogas animou todos que lutam pelo fim dos testes em animais pelo globo.

Atualmente, 37 países proíbem testes em animais pela indústria de cosméticos.

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Protestos no Reino Unido denunciam falta de transparência de universidades que realizam testes em animais (Foto: AJP)
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Ativistas criticam falta de transparência de universidades sobre testes em animais

Ativistas em defesa dos direitos animais foram às ruas de Nottingham, no Reino Unido, para protestar contra a falta de transparência em relação aos testes em animais que, infelizmente, ainda são realizados nas maiores universidades de todo o mundo.

A marcha – que anualmente é a maior demonstração de anti-vivissecção no Reino Unido – foi coordenada pela Nottingham Animal Rights em conjunto com Animal Justice Project (AJP), um grupo internacional que faz campanhas contra os testes em animais e outras indústrias de exploração animal.

Protestos no Reino Unido denunciam falta de transparência de universidades que realizam testes em animais (Foto: AJP)
Protestos no Reino Unido denunciam falta de transparência de universidades que realizam testes em animais (Foto: AJP)

O Animal Justice Project marcou também o dia em que o protesto aconteceu, sendo dia 24 de abril, o Dia Mundial dos Animais em Laboratórios. O protesto divulgou descobertas de uma investigação sobre experimentação animal nas universidades, apontando que as principais instituições que ainda realizam testes em animais se recusam a divulgar informações básicas sobre o ocorrido nos seus laboratórios de pesquisa.

Questionando a grande quantidade de animais ainda utilizados e explorados em testes científicos, os ativistas também colocaram em dúvida a credibilidade do rigor científico da experimentação animal.

Além disso, as principais universidades não estão fornecendo ao público do Reino Unido o acesso a informações importantes por meio da Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information Act – FOI) 2000 e da Lei de Liberdade de Informação (Escócia) de 2002.

Números chocantes

A Universidade de Oxford é a instituição que mais realiza testes em animais em todo o Reino Unido. Só no ano passado, quase 240 mil, incluindo mais de 229 mil ratos e sete macacos. Outros 54 macacos permanecem alojados nos laboratórios de Oxford.

Já a segunda maior usuária de animais para testes, a Universidade de Edimburgo, explorou maiss de 225 mil animais em 2017 para fins científicos de forma cruel. A University College London (UCL) utilizou 203 mil animais em testes em 2016 e os números de 2017 não foram divulgados.

A crítica principal vai para o fato de que essas universidades são signatárias da Concordata de Abertura em Pesquisa Animal, que é um “compromisso de ser mais aberto sobre o uso de animais em pesquisa científica, médica e veterinária no Reino Unido”, e mesmo assim não cumpriram com a transparência prometida.

Cerca de 800 pessoas questionaram instituições que realizam testes em animais no quesito falta de transparência (Foto: AJP)
Cerca de 800 pessoas questionaram instituições que realizam testes em animais no quesito falta de transparência (Foto: AJP)

Alternativas e opinião pública

Instituições que ainda realizam testes em animais e que perpetuam com esse tipo de pesquisa que explora animais parecem ignorar o fato de que inúmeras descobertas estão possibilitando alternativas para pesquisas científicas.

Um software que imita células humanas já está em desenvolvimento, assim como já foram reconhecidas pesquisas e descobertas que substituem o uso de animais em testes de laboratórios.

Além do mais, a opinião pública, quando ciente dos males aos animais utilizados em testes científicos, geralmente se manifesta contra essa forma de exploração. Muitos países já aboliram os testes científicos em animais para a indústria cosmética, e o fim dos testes de forma geral está sendo discutido em vários lugares do mundo.

Escândalo

De acordo com o Plant Based News, a fundadora do Animal Justice Project, Claire Palmer, afirmou: “Aqui estamos, em 2018, após o Dia Mundial dos Animais em Laboratórios – um dia instituído em 1979 para acabar com o sofrimento dos animais nos laboratórios – e temos os maiores usuários de animais no Reino Unido ocultando dados de experimentos com animais.

“Os Atos de Liberdade de Informação não conseguem garantir que o público receba as informações que merecem; e as universidades fazem acusações e desculpas ultrajantes a respeito de por que o público não deve saber o que acontece com os animais dentro dos laboratórios por seus funcionários e pesquisadores. Este escândalo público precisa ser exposto.”

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Notícias

Companhia área transporta mais de 200 macacos condenados ao sofrimento em laboratórios

Apesar de a companhia aérea Aeroflot ter declarado uma proibição do transporte de macacos destinados a laboratórios em 2017, ativistas descobriram que a companhia continua enviando os animais para um destino trágico.

Foto: Cruelty Free International

Após um apelo de ativistas em 2017, a Aeroflot comprometeu-se a acabar com o transporte de macacos destinados a pesquisas e disse que adotaria políticas para proibir esses embarques em seus voos. Porém, a Aeroflot quebrou a promessa, revelou a Cruelty Free International em seu site.

Em Dezembro de 2017, a companhia transportou mais de 200 macacos de cauda longa do Vietnã para a Rússia. Arrancados de suas famílias e confinados em pequenos caixotes de madeira, os animais altamente inteligentes e sensíveis sofreram na escuridão. Há informações de que a Aeroflot planeja transportar 155 macacos do Vietnã para a Rússia nas próximas semanas.

Os ativistas tiveram êxito em persuadir muitas companhias aéreas a parar de se envolverem com o comércio de animais para pesquisas internacionais e, mais uma vez, pressionam a Aeroflot para que ela siga esse exemplo.

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Jan com primatas
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Inspirador: casal resgata centenas de animais de circos, laboratórios e matadouros em todo o mundo

 

Jan Creamer carrega caixa de transporte no documentário "Lion Ark"
Jan Creamer carrega caixa de transporte no documentário “Lion Ark”/Foto: Reprodução, Mirror

Durante 30 anos, Jan Creamer liderou missões para resgatar animais de circos, laboratórios, fazendas industriais, matadouros e fazendas de peles e devolvê-los à natureza, aonde eles pertencem.

Seu trabalho como fundadora da organização Animal Defenders International fez com que a exploração de animais fosse proibida em de 40 países, resultou em condenações e restrições contra a transferência de animais entre diferentes países.

Jan, uma das 100 pessoas do mundo chamadas de “visionárias” pela Albert Einstein Foundation e seu marido Tim Phillips revelam algumas das suas operações mais arriscadas em todo o mundo.

Eles salvaram centenas de animais, incluindo leões, tigres, ursos, chimpanzés e até mesmo um condor. De acordo com o Mirror, alguns dos seus sucessos mais surpreendentes foi o resgate de mais de 60 leões de jaulas estreitas em circos na Bolívia e no Peru.

“É um sentimento tão bom quando vemos os animais saírem de suas jaulas e retornarem para onde eles pertencem. Ao ver os leões de volta à África, você pode dizer que eles pertencem ao local. Eles literalmente saíram e abraçaram as árvores”, disse ela.

O novo filme “Lion Ark” acompanha Jan, Tim e seus companheiros da ADI durante incursões na América do Sul. Tim acrescentou: “Apenas no Peru resgatamos mais de 100 animais. Levamos 30 leões para a África e realocamos ursos em um santuário nas florestas do Chile”.

Algumas vezes, o casal resgatou animais sem saber que estavam confinados. Jan disse: “No Peru, invadimos um circo onde nos disseram que havia um condor. Nós também encontramos um leão de montanha. Não pudemos deixá-los”, explicou Tim.

Jan com primatas
Foto: Reprodução, Mirror

Jan e Tim, que se conheceram durante uma demonstração contra a experimentação animal na década de 1990, descreveram os eventos que levaram à condenação de Mary Chipperfield em 1999.

Durante uma série de investigações secretas, eles capturaram imagens de elefantes, camelos e até mesmo de um bebê chimpanzé sendo espancado. Chipperfield foi condenada por 13 acusações de crueldade, o que despertou uma mudança do público em relação aos animais usados em circos.

“Nós demos às pessoas a prova e as deixamos ter suas próprias ideias. Não esperávamos ver esse tipo de crueldade no Reino Unido. A cobertura dos elefantes que foram espancados resultou em campanhas mundiais para acabar com animais selvagens em circos”, observou Tim.

Pesquisadores voluntários ajudaram Jan e Tim a expor a crueldade dos circos no Chile em 2004 e nos EUA em 2005, aonde a opinião pública logo se posicionou contra a exploração de animais para o entretenimento.

Jan disse: “Isso levou à proibição em toda a América do Sul. As pessoas ficaram chocadas porque levaram seus filhos para um circo e, quando viram o sofrimento que estes animais suportavam devido a alguns minutos de entretenimento, não queriam fazer parte disso. Ficamos surpresos, mas satisfeitos com as reações e proibições”.

Em 2002, o casal estava em uma conferência no Chile e foi até um circo próximo. “Não acreditávamos que estávamos a apenas meia hora de uma conferência sobre o comércio de animais ameaçados e descobrimos esse circo com um chimpanzé chamado Toto mantido em uma caixa de embalagem, obrigado a se vestir como um humano, fumar e beber chá”, contou Jan.

“Foi quando resolvemos levar Toto para a África. Conseguimos levá-lo para um santuário na Zâmbia. Ele passou 25 anos em uma caixa de embalagem, mas era claro que ele poderia dizer que estava em casa quando o levamos até lá”, completou.

Jan, Tim e os outros investigadores da ADI convivem com a constante ameaça da violência.

Leão resgatado de circo no Peru
Leão resgatado de circo no Peru/ Foto: Reprodução, Mirror

Em um caso, eles resgataram tigres e leões famintos abandonados pelo Akef Egyptian Circus enquanto viajavam pela África. Jan lembrou: “Foi em uma época na qual o osso de tigre era valioso e ficou claro para nós que os traficantes de drogas iriam lucrar com esses animais. Nós nos encontramos com o revendedor local que nos ameaçou. Ele deixou claro que precisávamos sair de Moçambique às 8h do dia seguinte. Felizmente, nossos caminhões estavam nas proximidades”.

Infelizmente, às vezes os animais que eles resgatam não podem retornar completamente à vida selvagem. Jan explicou: “Os leões nunca poderiam sobreviver. Eles possuem danos cerebrais resultado de espancamentos na cabeça com barras de ferro. Seus dentes estão esmagados e eles tiveram seus dedos cortados para que as garras não cresçam. Eles não podiam caçar sozinhos. Mas conseguimos deixá-los viverem juntos como famílias em enormes recintos, que são muito melhores do que as jaulas desastrosas em que costumavam andar”.

Jan obteve seu prêmio de “visionária”, que marca o 100º aniversário da Teoria da Relatividade de Einstein.

“Estou honrada por ser escolhida e pelo impacto positivo do trabalho da Animal Defenders International ser reconhecido. Os efeitos dos seres humanos em outras espécies e em nosso planeta são devastadores. O próximo passo na evolução humana é transformar nosso relacionamento com as espécies que compartilham nosso planeta”, concluiu.

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Bebê macaco tenta se agarrar à mãe
Destaques, Notícias

Milhares de macacos aprisionados em fazendas são destinados a uma vida de tortura em laboratórios

Sem usar os braços, tudo o que a mãe podia fazer era olhar para o filhote e apertar seu rabo com os dois pés. Em 2011, a fotojornalista Jo-Anne McArthur testemunhou esta cena enquanto visitava uma fazenda de macacos no Laos, onde milhares de macacos são criados para serem vendidos para instalações de pesquisa científica em todo o mundo.

Bebê macaco tenta se agarrar à mãe
Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

McArthur e o diretor de cinema Karol Orzechowski tiveram acesso à instalação ao fingirem ser compradores. Ambos visitaram três fazendas diferentes de macacos no Laos e todas tinham um fato triste em comum: os macacos eram mantidos em condições horríveis.

“Esses animais estão basicamente apenas sendo mantidos vivos. Eles não estão recebendo muita comida e existe uma hierarquia em cada jaula. Os macacos mais velhos recebem todo o alimento e os mais jovens são deixados para lutar e se defender. Há muita fome nessas jaulas”, disse.

Os animais não apenas são mantidos famintos, como suas jaulas são sujas e os funcionários nem sempre removem os corpos daqueles que morreram.

“Eles ficam de pé sobre a urina e as fezes e os corpos de alguns de seus companheiros de jaulas. Alguns deles são muito jovens e arranham o chão para ter comida. Você nota animais com ferimentos – rostos sangrando, cegueira”, acrescentou.

McArthur percebeu o pavor no rosto de cada animal. Entretanto, ela nunca esquecerá o pânico no rosto do bebê macaco quando o homem ergueu sua mãe. “Ele [o homem] estava literalmente nos exibindo seu ‘produto’. Ele abriu a boca para mostrar que seus dentes eram bons e fez o mesmo com os olhos dela. Quando ele a pegou, o bebê agarrou a mãe. Foi de partir o coração. O bebê tinha uma expressão clara de terror”, disse McArthur.

Embora as condições de vida nessas fazendas sejam horríveis, o que aguarda os macacos pode ser muito pior.
Os laboratórios de testes e as universidades compram rotineiramente os animais de locais de reprodução no exterior, disse Sarah Kite, diretora de projetos especiais da Cruelty Free International, ao The Dodo.

Embora muitas espécies de primatas diferentes sejam abusadas em pesquisas, os macacos são os mais comercializados para fins científicos.

Macaco lamenta morte de amigo em fazenda
Macaco lamenta morte de amigo em fazenda/Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

O maior exportador de macacos é a China – em 2015, os comerciantes chineses exportaram mais de 11 mil macacos para os EUA, de acordo com Kite. Mas outros países como Maurício, Camboja, Vietnã e Laos também fornecem milhares de macacos anualmente.

Se muitos macacos são criados em instalações como as visitadas por McArthur, outros são capturados na natureza, embora as nações exportadoras frequentemente neguem que isso ocorre, explica Kite. Nos laboratórios, os macacos são torturados em todos os tipos de experimentos: de toxicidade, de transplante de órgãos, de doenças infecciosas e estudos de Ebola – que muitas vezes resultam em morte.

Theodora Capaldo, diretora executiva da New England Anti-Vivisection Society (NEAVS ), disse ao The Dodo: “Por exemplo, os primatas serão usados em testes de toxicidade nos quais os animais recebem altas doses de um novo produto químico ou de um novo produto até que 50% deles morram. Ou uma máscara de oxigênio de avião será colocada em suas cabeças e eles deverão inalar substâncias tóxicas. Eles serão mortos e seus pulmões serão examinados”.

Os primatas também são rotineiramente usados em pesquisas de psicologia, como estudos de privação materna e de ansiedade, explicou Capaldo. “Os bebês são arrancados de suas mães o tempo inteiro para esse tipo de pesquisa e isso é horrível, tanto para as mães como para os bebês”, afirmou.

Se os animais não são mortos durante os testes, eles são assassinados pouco tempo depois. Embora os grupos de resgate às vezes consigam salvar animais usados em pesquisas, Capaldo destaca que esses animais são rapidamente substituídos nos laboratórios – depois que um grupo é sacrificado, outro chega. “Um número afortunado pode chegar ao santuário, mas não há como provicendiar um santuário para os milhares de macacos que são usados atualmente nos laboratórios dos EUA”, disse.

Macacos apavorados em fazenda
Macacos apavorados em fazenda/ Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Não apenas os processos de teste são traumáticos, mas as condições em que os animais são mantidos dentro dos laboratórios são extremamente estressantes. “Primatas são animais extremamente sociais. Na realidade, sua sobrevivência na natureza depende do grupo. No entanto, os macacos são rotineiramente mantidos separadamente para a conveniência de um laboratório”, explicou.

A existência isolada dentro das jaulas os deixa loucos e, muitas vezes, eles exibem comportamentos estereotipados.
“Você irá observá-los se mordendo e tendo outros comportamentos de autoflagelação. Você os verá mordendo as barras até quebrarem os próprios dentes”, contou Capaldo.

Apesar disso, os macacos ainda são alguns dos animais mais usados em pesquisas devido ao baixo custo e ao tamanho deles, considerado ideal para os procedimentos.

Primatas de qualquer tipo também são preferidos devido às suas semelhanças biológicas com humanos. Além do problema ético, Capaldo ressalta que testes envolvendo macacos – ou qualquer animal não humano – não são confiáveis e não podem ser usados para ajudar as pessoas.

Em 2015, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) anunciaram que já não era preciso usar chimpanzés em pesquisas biomédicas e transferiram 50 chimpanzés para santuários. Por isso, Capaldo luta para compreender por que outros primatas ainda são torturados.

Ela quer o fim de todas as pesquisas com animais, incluindo cães, gatos, porcos, coelhos e ratos. “A pesquisa animal é, na melhor das hipóteses, um modelo pobre. É sempre um modelo defeituoso e regularmente é um modelo perigoso, e nenhum pesquisador negaria isso”, disse.

Depois de visitar as fazendas de macacos no Laos, McArthur publicou suas fotografias e Orzechowski passou a produzir “Maximum Tolerated Dose, um documentário que mostra a crueldade dos testes em animais.

A dupla também trabalhou com a Cruelty Free International para fornecer informações à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) com o intuito de acabar com a exportação de macacos do Laos.

Macaco é torturado em laboratório de pesquisa
Macaco é torturado em laboratório de pesquisa/ Foto: Cruelty Free International/R&D

“Em 2016, a CITES recomendou que todos os membros do país suspendessem o comércio de macacos de cauda longa do Laos. Este movimento impediu o Laos de exportar esses macacos para pesquisas”, disse Kite.

Duas das três instalações de reprodução de macacos visitadas por McArthur fecharam, explicou a fotógrafa, mas inúmeras outras ainda estão em funcionamento. Ela permanece otimista e espera que seu trabalho mostre como é a vida desses animais.

“Muitas vezes pensamos em animais de laboratório dentro do laboratório, mas como era a vida deles antes desse período? Estes são retratos de suas vidas anteriores – é daí que eles vieram, é aí que foram criados. Alguns desses animais também são capturados com selvageria, o que é ainda pior. Eles conheciam a liberdade. Conheciam árvores e familiares e escolhas e então foram colocados nesses buracos infernais”, destaca.

“A vida desses animais é completamente dissociada dos produtos que usamos e é por isso que faço essas imagens para realizar a conexão entre A e B. Vale a pena considerar suas vidas”, concluiu.

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Coelhos usados em laboratório
Destaques, Notícias

Milhões de animais geneticamente modificados são mortos em laboratórios

Em 2016, o país realizou 3,94 milhões procedimentos em animais vivos, dos quais quase metade das vítimas (49%) foi geneticamente alterada, revelaram as estatísticas do Home Office.

Coelhos usados em laboratório
Foto: Getty Images

Os cientistas costumam abusar de animais geneticamente modificados para testar drogas para determinadas doenças e, deliberadamente, criar animais doentes com genes mutantes.

Para garantir animais com a mutação considerada correta para os experimentos, os cientistas tendem a reproduzir animais constantemente – mesmo quando os procedimentos não consideram a extrema crueldade necessária.

Se os pesquisadores sabem que usarão sete animais no final do ano, eles farão isso regularmente. Aqueles que não são torturados nos testes serão mortos.

Os camundongos são os animais mais usados em testes, mas houve um aumento na utilização de cães na Grã-Bretanha, conforme mostram os últimos registros.

A Humane Society International alertou que os animais “excedentes” de programas de reprodução contínua não são usados para testes específicos ou pesquisas, “mas simplesmente são criados, enjaulados e mortos. Eles muitas vezes vivem em condições muito anormais e verão uma quantidade de luz artificial diariamente”, acrescentou a organização de proteção animal”, disse o grupo.

Sofrimento de camundongo em laboratório
Foto: News Group Newspapers LTD

“Muitas vezes, os animais ficarão estressados nessas condições e você observa  mães comendo seus próprios bebês porque é tão antinatural”, afirmou Lindsay Marshall, diretora de comunicação científica da organização.

De acordo com o The Sun, algumas mutações genéticas acarretam defeitos catastróficos, como ratos que nascem com membros encurtados, sem membros ou até sem a parte frontal da cabeça.

Caso sobrevivam ao nascimento, eles podem ter defeitos de desenvolvimento significativos que prejudicam seus membros, olhos, cérebro ou pelos.

Eles são predispostos à formação de tumores e regularmente submetidos a infecções deliberadas, repetidas e, em última instância, fatais para verificar o impacto da mutação, descobriram os ativistas pelos direitos animais.

Qualquer cientista que teste em animais deve denunciar os números ao governo e o Ministério do Interior é responsável pela regulação desse setor tenebroso.

Porém, as organizações de direitos animais explicam que o governo não tem feito o suficiente para impedir o que descrevem como um ciclo de matança de raças.

Camundongo explorado em testes
Foto: Getty Images

“Em última análise, o melhor resultado para a ciência e para animais é que nossos esforços de pesquisa mudem para alternativas humanas de ponta. Porém, é revoltante saber que a oportunidade número um para conter o crescimento explosivo dos procedimentos em animais do Reino Unido tem sido desconsiderada ano após ano”, ressalta Troy Seidle, especialista em toxicologia da Humane Society International.

“Testemunhamos essa tendência na criação indiscriminada de animais geneticamente modificados que ocorre há mais de uma década e repetidamente pedimos que o Home Office agisse”, acrescenta.

“Entretanto, mesmo com todas as garantias do compromisso do governo do Reino Unido de reduzir o uso de animais nos laboratórios, os números continuam subindo, o que torna a estratégia atual do governo um fracasso qualificado. O Home Office possui toda a autoridade necessária para exigir que as universidades e outras instituições adotem estratégias mais eficientes, tudo o que falta é motivação para agir”, concluiu Seidle.

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