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Cachorro Kiko, vítima de abandono, está sofrendo nas ruas de São Paulo e aguarda por ajuda

Patricia Carvalho
patriciacarvalho26@hotmail.com

Os cães que vivem em situação de rua entre os trechos que ligam os bairros Balsa, Grajaú e Cocaia, na zona sul de São Paulo, estão sob os cuidados de uma protetora que mora na região. Ela supre as necessidades dos animais através de doações, mas os números de animais estão crescendo, e muitos precisam de ajuda para encontrarem novos lares, tratamento e se recuperarem das atrocidades vividas nas ruas.

Muitos cães estão em situação de risco, e muitos deles chegaram até a protetora debilitados, como é o caso de Kiko, um rottweiler que foi abandonado e apanhou muito de outros cães que viviam em situação de rua. Kiko também foi agredido por comerciantes, pois revirava o lixo em procura de comida e agora está mancando.

A protetora está com cerca de 35 animais, e sem condições de resgatar outros. Quase todo seu trabalho é realizado sem ajuda e ela mesma arca com as despesas dos cães. A protetora não tem condições de resgatar outros animais e Kiko precisa de ajuda para sair da condição de rua. Caso alguém possa ajudar com o caso e Kiko, entre em contato.

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Divulgação
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Contato: Patricia Carvalho
(11) 96379-8899 (Vivo)
(11) 96917-5006 (Tim)
patriciacarvalho26@hotmail.com

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Conheça a emocionante história de vida de um cachorro

Kátia Okumura Oliveira
katfabre.blogspot.com

Noite de junho de 2000. Estava diante do computador navegando pela internet. Foi quando ouvi o choro de um filhote de cachorro. Não sei por que, mas fui para a calçada ver de onde vinha o ruído. Na época ainda morava com meus pais. Minha irmã me acompanhou. Subimos a rua e fomos em direção à avenida. O choro começou a ficar mais próximo. Vimos, então, um cachorrinho preto com manchas brancas no pescoço e peito, orelhas em pé, incansável. Deveria ter no máximo uns dois meses. Estava correndo de um lado para o outro. Andamos em sua direção. Ele parou, olhou para nós e, quando nos aproximamos, começou a correr. Corremos também. Ele parou novamente e continuou a nos olhar. Parecia que queria brincar. Decidimos que seríamos amigos. Ele foi para casa conosco. Chegamos dizendo: “olhem o que achamos!” “Mais um!”, foi o comentário da dona Tamiko. Mas não houve recusa. Todos se encantaram com o carisma do bichinho.

Na época, tínhamos três cachorros. O Goober, 5 anos. O Oliver, 3 anos. E a Tuti, 9 anos. A família era grande. Mas ainda cabia mais um: o Kiko, que se integrou rapidamente com a turma.

Kikinho

Ele brincava. Corria. E chorava. Chorava a noite inteira quando ficava sozinho. Mesmo dormindo na sala, quando as luzes se apagavam, não dava sossego.

Lembro do Kiko brincando com o Goober. Eu dizia: “Gugu, pega ele! Pega ele!” E o Gugu saia correndo atrás do Kiko. Rodavam a mesa da cozinha. Passavam pelas cadeiras. Iam para os quartos. Não paravam. Isso aconteceu diariamente por uns seis meses. Pois, logo, o Kiko cresceu. E cresceu. E cresceu. Como ele estava na rua e aparentemente subnutrido, o veterinário receitou várias vitaminas e remédios para os ossos. Como diria minha irmã quando era criança, “ele cresceu grandão!”

Renata e Kiko

Ficou o maior da turma. E não sei o que fizemos de errado, porque algo foi feito com certeza, mas o Gugu, que era o melhor amigo do ex-filhote, virou seu inimigo. Tanto que tivemos que separá-los. Cada um ficou numa ala diferente da casa. E quando, eventualmente, se encontram, a briga era certa. Quando vê o Goober, o Kiko se transforma, o pelo fica arrepiado, os dentes expostos. Foram vários confrontos, que chegavam a tirar o nosso sono. O último acabou com o Goober, três vezes menor, no veterinário com vários furos, orelha mordida e todo enfaixado. Por sorte, muito cuidado e muita preocupação, esses encontros violentos nunca mais ocorreram. Há três anos, o Kiko fica na casa da minha tia, bem ao lado da nossa casa. Foi triste levá-lo para lá, mas foi preciso para evitar um desastre maior. Principalmente porque o Kiko acabou se desentendendo com todos os outros cachorros, à exceção da Tuti. Ele queria o carinho só para ele.

Meu pai idolatrava o Kiko. Infelizmente, o acompanhou por um ano apenas, pois faleceu em 2001. Orgulhava-se em ver o cachorro se desenvolvendo e falava para todos que tinha um cachorro grande, forte e muito bravo. Na verdade, o Kiko não é bravo. Apenas não gosta muito de estranhos (e do Goober). Mas conosco é um doce. O mais meigo de todos. Sempre atencioso, não é afoito na hora da comida como os outros. Ouve atenciosamente o que falamos. Se falamos, “isso não é do Kiko”, ele respeita. Mesmo que seja sua comida preferida. De vez em quando e por brincadeira, cometemos um ato cruel. Chegamos com petiscos que ele gosta e falamos “não é do Kiko”. Colocamos a comida no chão e ele não pega! Dá dó mas é engraçado. Rapidamente, consertamos. “Sim! É do Kiko!” Ele sorri (sim, cachorro sorri), pega o alimento e corre para a casinha de madeira. Dá cinco segundos e volta mostrando o petisco na boca.

Quando morava na minha mãe, todos os dias ao acordar eu abria a janela do meu quarto para cumprimentá-lo. Ele ficava em pé do outro lado, apoiado na parede, olhos caídos, preguiçoso e esperando o carinho no pescoço. Era um ritual. Acredito que ele sinta falta disso desde que me mudei.

Ele reconhece o barulho do meu carro. Toda vez que paro em frente à casa, ele vem correndo. Quando percebo que por um motivo ou outro ele não ouviu, o que é bem raro, dou ré e volto para fazer mais barulho. É batata! Lá vem o cachorro ao meu encontro, abanando o rabo, orelhas para trás, dando risada. É lindo.

Chego perto dele e falo: “faz cachorrinho!” É um código nosso. Quando digo isso, ele se agacha e fica esfregando o focinho de um lado para outro entre as patas dianteiras. O traseiro fica sempre para cima. É exatamente o que ele fazia quando era filhote.

Depois peço: “dá a pata”. Daí ele senta e dá a patinha. Falo: “a outra”. Ele olha para mim querendo dizer: “vou cair”. Olha para os lados, dá um impulso e coloca as duas patas na minha mão. Isso foi ensinado pelo meu irmão, que também o ensinou a andar na rua de forma sociável. Antes, poderia dar muita confusão. Aliás, no caso do meu irmão, o esperado é o passeio. Vê meu irmão e já quer ir para a rua.

E vem a terceira parte. “Vou pegar do Kiko!” Ele corre em direção à casinha que fica no fundo da casa. O intuito é proteger vasilhas com ração ou algum outro petisco que esteja com ele. Pronto. Mais um delicioso ritual cumprido. E a minha alegria é maior quando ele desanda a correr, ou melhor, a galopar pelo quintal. Cachorro forte. Corpo musculoso. Pelo com muito brilho e sempre, sempre amoroso.

Hoje o Kiko está com 11 anos e há dois meses sofre com problemas no fígado. Foram várias visitas ao veterinário e inúmeros exames. Mas o diagnóstico não é favorável. E a cada dia vemos ele perder um pouco do seu brilho, entusiasmo e apetite. Sempre olho o nariz dos cachorros para saber se estão bem. Algum dia me disseram que quando o nariz está seco é porque o bicho está doente. Até uma semana atrás, o nariz do Kiko estava bem úmido. Estive há poucas horas com ele e está seco. É muito triste vê-lo emagrecer.

O que vejo agora é um cachorro triste que se esforça para parecer bem. Ele não come sozinho. Minha mãe bate a comida dele no liquidificador e força a alimentação. Caso contrário, ele ficaria ainda mais fraco. Minha irmã fez um cronograma dos horários para os mais de cinco remédios. O pior é que não pode tomar muita água pois ela se acumula na barriga. Para tirá-la, mais um procedimento dolorido. Mas ele tem muita sede. Logo ele que não parava de beber água. E tinha que ser do jeito dele. O pote cheio até a boca, para que não tivesse muito esforço. Apenas apoiava o focinho no pote e lambia. E lá tinha que ir alguém voltar a encher seu “copo”. Foi minha prima Cristiana que identificou essa particularidade.

A única coisa que ele come são os petiscos que levo quando vou visitá-lo. Minha mãe fala que é só para mostrar que de uma forma ou de outra está bem. Ou quem sabe para cultivar o pouco do Kikão, como meu irmão o chama, de antes. “Sim! É do Kiko!”

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