De olho no planeta

Uniforme do novo time de Cristiano Ronaldo será feito de plástico reciclado

O clube de futebol da Juventus revelou que seu novo uniforme para a temporada 2018-19 é feito inteiramente de plástico reciclado.

Foto: Reprodução

Estes são os terceiros uniformes que o novo clube de Cristiano Ronaldo escolheu em colaboração com o grupo Parley for the Oceans. O conjunto é fabricado com poliéster 100% reciclado, obtido através de plásticos retirados dos oceanos. O design foi criado pela Adidas, que recentemente comprometeu-se a usar apenas materiais reciclados em seus produtos.

“O novo uniforme da Juve tem inovação ecológica e durabilidade”, afirmou a designer responsável pela criação do conjunto, Francesca Venturini.

O clube de futebol da Juventus revelou que seu novo uniforme para a temporada 2018-19 é feito inteiramente de plástico reciclado.
Foto: Reprodução

A Juventus não será o único clube europeu a usar conjuntos feitos a partir de plástico reciclado. O Manchester United, Real Madrid e Bayern de Munique também terão uniformes esportivos feitos em colaboração com a Parley. Ao optar por uniformes desse material, os clubes são capazes de aumentar a conscientização sobre a questão da poluição plástica nos oceanos em escala global. Ter os melhores jogadores do mundo, como Cristiano Ronaldo, promovendo esse novo tipo de roupa, envia uma significativa mensagem para todos os admiradores do esporte

Esforços como esse são extremamente necessários, tendo em vista que cerca de 85% de todo o plástico produzido no mundo não é reciclado. A poluição dos mares afeta diretamente a vida marinha, causando mortes e extinções de importantes espécies, e a longo prazo, contamina os próprios seres humanos.

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Notícias

Torcida de time de futebol luta pelos direitos dos animais

Os torcedores Carlos Cipro e Fabiu Buena Onda, da Juvegan (Foto: Diego Ribeiro / Globoesporte.com))

Quando o artista Fabiu Buena Onda chega à Rua Javari, por volta das 15h30m, o time do Juventus já faz seu aquecimento debaixo do sol de uma bela tarde de sábado de carnaval em São Paulo. Ele logo encontra o amigo Carlos Cipro. A dupla de torcedores está ansiosa para o jogo da equipe da Mooca contra o Grêmio Osasco, válido pela Série A-3 do Campeonato Paulista. De mochila nas costas, Fabiu saca uma faixa, um “trapo”, confeccionado por ele próprio: Juvegan, Juventinos Vegetarianos. Mais uma das boas histórias produzidas pela Javari.

– No começo utilizei esse nome, como está na faixa, mas hoje chamamos de Juventude Vegana – esclareceu Fabiu, logo em sua chegada.

O artista leva a postura do veganismo, um conceito mais amplo que o do vegetarianismo – baseado apenas na dieta sem consumo de alimentos de origem animal. O vegano procura abolir qualquer prática que explore animais, e prega a preservação da liberdade e integridade animal, o exercício da não violência, a busca por alternativas aos mais diversos produtos, o não consumismo, entre outras práticas.

A Juvegan não é exatamente uma torcida organizada. Longe disso. É uma ideia que Fabiu teve em novembro de 2007, quando o time disputava o jogo de volta da final da Copa Paulista contra o Linense, ali mesmo na Mooca. A equipe do interior paulista era patrocinada pelo frigorífico Bertin, um dos maiores exportadores de carne do país. O Juventus perdeu o jogo por 3 a 2, mas levou o título graças a um gol no minuto final da partida, aos 49 do segundo tempo, o que levou a Rua Javari ao êxtase. Em meio à alegria, o artista refletiu:

– Algo me incomodou muito na final da Copa Paulista. O patrocinador do Linense era um matadouro, e aquilo foi a gota d’água para mim. Foi um dia especial. Naquele dia surgiu essa ideia diferente de divulgar o veganismo, os direitos dos animais, a consideração com o animal. Você não utilizar o animal como produto, como objeto para seu benefício. E tem sido muito positivo desde então – afirmou Fabiu.

A mensagem foi sendo passada boca a boca, e meses depois o artista confeccionou a faixa que leva a todos os jogos, além de 95 camisas limitadas com a logomarca da Juvegan – nas versões grená e branca. Cada camisa recebeu uma etiqueta com um número, relativo a cada minuto daquela final contra o Linense. Os veganos sempre ficam atrás da mesma trave do gol daquele título, no Setor 2, tradicional área da Javari destinada aos grupos que cantam o jogo inteiro e penduram suas faixas nos alambrados.

(Foto: Diego Ribeiro / Globoesporte.com)

A Juvegan não conta integrantes, mas já chegou a reunir entre dez e 15 adeptos em alguns jogos. Muita gente curiosa também procura o grupo durante as partidas para entender melhor a mensagem. No sábado de carnaval eram quatro, mas apenas dois deles atrás do gol: Fabiu e o advogado Carlos Cipro, especializado em direitos dos animais. Ambos aprenderam desde cedo a torcer pela equipe da Mooca e também a defender as outras espécies.

– Eu acabei entrando em contato com o Fabiu por conta do veganismo. Não sei dizer exatamente como começou, mas animais todos somos. Pela questão lógica, não existe nenhuma diferença relevante entre homens e outros animais, a ponto de a gente achar que os direitos humanos são necessários e o dos outros animais, não. Aí a decorrência disso: ou ninguém tem direito ou todos animais têm de ter – disse Carlos Cipro.

Durante os 90 minutos, a dupla torce, provoca o adversário, canta… E no intervalo, Fabiu dá uma pausa para conferir a principal iguaria da Rua Javari: o canole, doce típico feito de massa fina e recheado com creme. Apesar de a receita original levar ovos na massa, Seu Antônio, o vendedor que trabalha lá há décadas, garantiu aos veganos que não há nada de origem animal na receita. Por isso, o doce é saboreado com gosto.

– O canole é uma tradição da Javari, e não contém nada de origem animal. Mas isso não é uma imposição, é uma escolha que você faz. Não é poder ou não poder, é você não querer participar disso. Tentamos levar essa ideia para as outras pessoas para que elas pensem sobre o assunto – contou Fabiu.

O sábado de carnaval terminou perfeito para os Juveganos, que vibraram com a vitória suada do Juventus por 2 a 1 sobre o Grêmio Osasco, que colocou a equipe na briga por uma vaga entre os oito classificados para a próxima fase da A-3. O rival daquela tarde, coincidência ou não, também estampava a marca de uma gigante do setor de carnes e laticínios.

Com o apito final, a dupla comemora mais um dia feliz na Mooca. Mais um dia de torcida para o Juventus, mais um dia de mensagem transmitida para pessoas que querem conhecer melhor o veganismo.

– A Juvegan é mais uma diversão mesmo, não está escrito vegano na minha testa, mas as pessoas vêm e perguntam, é só uma porta de abertura para a gente poder transmitir essa mensagem – explicou Fabiu.

Veja mais fotos aqui.

Fonte: Globo Esporte

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