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Sem tutela fixa, cães comunitários estabelecem laços de dependência com a população

Fubú chegou à Rua Xapuri, na Vila Conceição, em Diadema (SP), quando ainda era filhote. No dia de Natal, a vizinhança se reunia nas calçadas e o vira-lata se aproximou e caiu nas graças dos moradores. Resultado: oito anos depois, Fubú ainda recebe cuidados dos que vivem ali. Ele se tornou um cão comunitário, reconhecido pela Lei Estadual nº 12.916.

Conforme o artigo 2º da lei, cão comunitário é aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido. A dona de casa Irene Marzola da Silva, 70 anos, é uma das principais tutoras de Fubú. É ela quem dá banho e, nas noites frias ou nos dias quentes, disponibiliza o quintal para que ele possa se abrigar.

Em troca, o animal de porte médio se tornou o cão de guarda da rua. “É só um estranho passar por aqui que ele começa a latir. Alguns se assustam, mas ele nunca mordeu ninguém”, defendeu.

Apesar da fama de valentão, Fubú também sabe ser carinhoso e companheiro. A faturista Helena Ramos, 27, lembra-se bem da época em que ela e o marido, o inspetor de qualidade Fernando Cardoso de Brito, também 27, namoravam. “O Fubú acompanhava o Fernando até onde ele morava”, relembrou Helena.

Nesta época, Brito percorria a pé a distância de pelo menos 15 minutos, e o cão trotava atrás dele como se precisasse protegê-lo. “Na primeira vez trouxe ele de volta porque fiquei com medo que se perdesse. Mas depois vi que ele sabia o caminho, então fiquei tranquilo”, comentou.

Fubú segue latindo para os caminhantes, curtindo sua vida de liberdade, mas com algumas regalias de cão com vários tutores para mimá-lo.

Frentista

O mesmo benefício dos tutores múltiplos tem Jupi, outro vira-lata que vive no posto de combustíveis da Avenida Caminho do Mar, em frente ao Parque Salvador Arena, em São Bernardo. O cão de cerca de 4 anos é o companheiro do lavador de carros Paulo Alberto, 51. “Ele gosta de ficar por aqui, principalmente no calor”, disse. Quando a mangueira é aberta, porém, Jupi sai correndo com medo da água.

Jupi ganhou esse nome porque, segundo o frentista Rosemiro Palmires de França, 39, é assim que se chamam os cachorros de rua no Norte do país.

A proprietária do posto, Márcia Inês Pereira Teixeira, contou que até os clientes conhecem Jupi e trazem mimos para ele. “Uns vêm com petiscos, outros com brinquedos, e ele adora”, disse ela, que leva Jupi para tomar banho no pet shop uma vez por semana, além de deixar a vacinação em dia e também ter castrado o bichinho.

Jupi ganhou mordomias de bichinho de estimação, mas continua livre para circular por aí, como todo bom e velho cão comunitário.

Consórcio pede censo animal às prefeituras do Grande ABC

O GT (Grupo de Trabalho) Proteção Animal, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, pede às cidades a realização de um censo animal focado na população de baixa renda da região.

Segundo a coordenadora do GT, Andréa Brock, a ideia é criar políticas públicas integradas que possam atender esses animais com campanhas de vacinação e castração.

Andréa explicou que a contagem não teria custo para as prefeituras, já que poderia ser feita junto ao cadastro da população de baixa renda de cada município. “Sempre que um assistente social cadastra uma família, deveria perguntar se ela possui animais de estimação, se estão vacinados e castrados. Os dados seriam encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses, responsável pelas campanhas”, sugeriu.

Segundo a coordenadora do GT, a proposta está em fase final de elaboração para ser apresentada aos prefeitos das sete cidades.

Fonte: Diário do Grande ABC

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