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A vida sofrida e repleta de agressões do elefante que inspirou o filme Dumbo

Jumbo e Matthew Scott (a direita) (Foto: Wikimedia Commons)

O filme Dumbo, dos estúdios Disney, faz muito sucesso entre o público desde que foi lançado. O que poucos sabem, no entanto, é que o personagem cativante, que usa suas enormes orelhas para voar, foi inspirado em Jumbo, um animal que teve sua vida marcada pela dor.

Retirado da natureza em 1862, na Etiópia, Jumbo tinha apenas dois anos e meio quando viu sua mãe ser morta para que ele fosse capturado. Começava ali seu sofrimento, que durou longos anos. As informações são do portal Aventuras na História.

Levado para Londres, na Inglaterra, ele passou a ser explorado para entretenimento humano pelos donos do Revent’s Park. Tratado como um objeto, era forçado a carregar em suas costas inúmeras pessoas, que se aglomeravam ao redor dele. Até mesmo os filhos da rainha Vitória subiram no animal, que teve sua condição de ser senciente e seus direitos negados.

Obrigado a participar de espetáculos para gerar lucro aos seus exploradores, Jumbo era covardemente espancado à noite e vivia preso em uma pequena jaula. Uma realidade muito distante da que vivia na infância, ao lado de sua mãe, livre na natureza.

A vida de Jumbo foi marcada por exploração, dor e sofrimento (Foto: Reprodução/Aventuras na História)

Em um determinado momento de sua trajetória, Jumbo começou a conviver com Matthew Scott, seu treinador. Tão solitário quando o animal, Scott logo se afeiçoou ao elefante e passou até a dormir com ele. Traumatizado, o elefante frequentemente se mostrava bravo, como resposta a todos os maus-tratos que havia sofrido. Para acalmá-lo, Scott lhe fazia carinho, mas também dava uísque a ele.

Scott passou a ser a única pessoa que o elefante, já com 20 anos, permitia a aproximação. Jumbo se apegou ao treinador e não conseguia ficar longe dele por muito tempo. O uísque, no entanto, totalmente inadequado ao animal, passou a se tornar insuficiente. E cada vez doses mais altas eram dadas ao elefante, que vivia alcoolizado.

Como ainda era explorado pelo parque, Jumbo frequentemente recebia a visita daqueles que sustentam sua exploração através do pagamento de ingressos. Essas pessoas também colaboravam com a má alimentação do animal, trazendo tortas doces para ele. Após estudos, pesquisadores da Universidade de Leicester concluíram que os doces provocavam surtos de raiva no elefante, por serem consumidos em excesso.

Jumbo foi atropelado por uma locomotiva desenfreada (Foto: Wikimedia Commons)

Mas o terror vivenciado pelo pobre animal não acabou aí. Jumbo ainda foi vendido, como se fosse mercadoria, para o magnata circense P. T. Barnum, que pagou 2 mil libras esterlinas pelo elefante – cerca de um milhão de reais, na cotação atual.

Levado a Nova York, nos Estados Unidos, Jumbo foi exibido como um troféu na Broadway assim que chegou à cidade. A partir daquele momento, passou a ser explorado por um circo.

Mais uma vez sendo tratado como atração, o elefante e outros 20 animais da espécie eram forçados a fazer viagens cansativas para acompanhar o circo. Em 1885, em Saint Thomas, no Canadá, o circo encerrava uma turnê quando um acidente aconteceu.

Jumbo em Londres, sendo exposto pelas ruas como se fosse um objeto de entretenimento humano (Foto: Wikimedia Commons)

Apenas Jumbo e o pequeno Tom Tomb, um elefante que ainda era filhote, não tinham sido levados embora. Quando estavam sendo encaminhados aos vagões, uma locomotiva desenfreada veio na direção do filhote. Com seu coração amável e seu instinto protetor, Jumbo entrou na frente da locomotiva, usando seu corpo de sete toneladas e cerca de três metros de altura para proteger Tom. Atropelado, Jumbo morreu imediatamente, libertando-se de uma vida de sofrimento aos 24 anos.

Com a morte do animal, surgiu uma lenda, que deu origem ao livro Dumbo, escrito por Helen Aberson em 1939. A mudança no nome de Jumbo pretendia tornar o personagem mais fofo, já que Dumbo é uma alusão à palavra “dumb”, que significa “bobinho”. No entanto, a história do livro e, depois, do filme, nunca retratou a realidade do elefante, que sofreu a vida toda e conheceu o lado mais nefasto e egoísta do ser humano.


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Jornalismo cultural, Notícias

Bebê elefante morre durante campanha pela sua liberdade

Por David Arioch

A iniciativa pela libertação de Jumbo partiu do projeto britânico de defesa dos direitos animais Moving Animals (Foto: DLD)

Um bebê elefante que era usado em apresentações para turistas no Zoológico de Phuket, na Tailândia, faleceu há menos de um mês durante campanha pela sua liberdade.

A iniciativa pela libertação de Jumbo partiu do projeto britânico de defesa dos direitos animais Moving Animals, que constatou que, além da exploração diária do jovem elefante como entretenimento, ele apresentava sinais de desnutrição e exaustão.

No mês passado, já visivelmente fraco, Jumbo foi encaminhado a um hospital veterinário na capital Krabi, onde faleceu três dias depois. “Esse é um fim terrível e trágico para uma vida dolorosamente curta como a de Jumbo”, declarou Amy Jones, do Moving Animals.

E acrescentou: “O zoológico não fez nada até receber críticas internacionais. Sob seus cuidados, esse filhote de elefante quebrou as duas patas traseiras e o zoológico só fez algo a respeito três dias depois. Não consigo imaginar o sofrimento dele nesse período.”

O diretor do zoológico, Pichai Sakunsorn, disse ao The Phuket News que ninguém quer perder algo que ame. “Fizemos o melhor que pudemos para protegê-lo”, alegou. Apesar da morte de Jumbo, as autoridades tailandesas declararam que o zoológico não violou nenhuma lei e que a direção pode adquirir outro animal para substituí-lo.

Segundo Amy, a história de Jumbo deveria servir como lição para que ninguém explore animais como meio de entretenimento ou exposição visando lucro.

Moving Animals disponibiliza e vídeos para ativistas e grupos

Amy Jones e Paul Healey criaram em 2018 o projeto Moving Animals, que fornece gratuitamente fotos e vídeos de conscientização sobre a exploração animal que podem ser utilizadas por ativistas de qualquer parte do mundo.

“Desde então temos testemunhado, documentado e arquivado práticas com animais nas indústrias ao redor do mundo”, informam.

Antes de iniciarem o projeto, eles trabalharam para a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) no Reino Unido, realizando registros da realidade dos animais utilizados como bens de consumo e entretenimento.

“Nosso trabalho pretende destacar que a exploração animal mundial é um círculo obscuro de abusos, atrelado à oferta e demanda, ao dinheiro e a práticas não expostas”, justificam.

O Moving Animals também produz imagens para campanhas de organizações e grupos que necessitam de algum tipo de material específico.

“Fornecemos imagens gratuitas para ativistas e organizações, e também criamos o nosso próprio conteúdo. Ampliando a conscientização sobre o sofrimento dos animais, queremos incentivar as pessoas a se afastarem dessas práticas”, enfatizam.

No site do projeto é possível encontrar imagens já disponibilizadas em pelo menos 12 categorias, o que inclui entretenimento, indústrias de laticínios, ovos e carne, indústria da pesca, exploração de animais como meio de transporte e animais abandonados, entre outras.

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Notícias

Crescem preocupações com aumento de mortes de elefantes confinados na Índia

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/Cultura Mix
Reprodução/Cultura Mix

Com a morte do elefante Adiyattu Ayyappan em Thrissur, em Kerala (Índia) o número de mortes em cativeiro de elefantes jumbos no estado chegou a 25 neste ano. O elefante de 25 anos estava sofrendo de impactação e passava por tratamento nos últimos dois meses.

O grupo Animal Welfare Board India (AWBI) expressou preocupação com o aumento das mortes de elefantes em Kerala, muitos deles abaixo de 50 anos, já que elefantes vivem cerca de 80 anos.

Os funcionários do conselho disseram que medidas rigorosas devem ser tomadas para garantir que “a gestão dos elefantes em cativeiro estejam em conformidade com as leis”.

O Departamento de Florestas formou uma equipe de quatro membros de veterinários para realizar o postmortem de Ayyappan. Geralmente o veterinário da floresta supervisiona o procedimento. “Recebemos queixas sobre sua morte”, disse um oficial.

De acordo com as respostas da RTI recebidas pela ONG Heritage Animal Task Force, sediada em Thrissur, em 2015, havia 601 elefantes em cativeiro no estado. Como elefantes confinados levam uma vida sedentária em comparação com os seus companheiros que estão na natureza, um especialista disse que a impactação era comum.

Porém, os funcionários da AWBI reconheceram que o lobby dos responsáveis pelos jumbos é extremamente poderoso, informou o Times of India.

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