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Cães e gatos dos judeus também foram vítimas do Holocausto

No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto vale lembrar que os animais também sofreram durante o nazismo apenas por pertencerem aos judeus

Garota judia com gato. Foto site “Of things Forgotten”

Em 27 de janeiro de 1945 chegava ao fim o maior complexo de extermínio de judeus pelos nazistas, o Auschwitz, onde morreram 1,1 milhão de pessoas em câmaras de gás, de fome, por doenças e fuzilamento. Há exatos 75 anos o exército soviético invadiu Auschwitz libertando todos os prisioneiros. Por isso a ONU declarou 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Essa parte triste da história todos conhecem, mas um outro lado sombrio, que se refere ao extermínio dos animais dos judeus, pouco foi explorado. Cães e gatos foram executados na frente dos tutores, abandonados dentro das casas, escondidos em porões, levados para morte induzida e, com alguma sorte, clandestinamente acolhidos por famílias não judias. É provável ainda que cães e gatos tenham servido para testar as câmaras de gás antes do genocídio ter início e que tenham servido a experimentos médico-científicos pelos nazistas.

Mas alguns judeus reencontraram seus amigos animais em circunstâncias que parecem verdadeiros milagres. É o caso de  Kathy Rubin e seu cão Bogar que constam do livro “Amigos fiéis: histórias de sobreviventes do holocausto sobre seus animais de estimação”. “A obra reúne relatos de homens e mulheres que eram crianças durante a Segunda Guerra Mundial. Eles contam como perderam pais, irmãos e amigos nos campos de concentração e como os animais lhes deram conforto e coragem criando uma conexão, ainda que em pensamento, com tempos mais felizes, ajudando-os a não perderem a esperança”, diz a autora Susan Bulanga que fez a gentileza de enviar a ANDA um trecho comovente do relato de Kathy.

Relato de judia que reencontrou seu cão

“Os soldados entraram nas casas e disseram a todos para se prepararem para sair. Só era permitido levar uma mala cada. Corremos para pegar algumas roupas e outras coisas enquanto os soldados agitavam seus rifles nos ameaçando. Ouvimos tiros à distância”

“Assim que estávamos alinhados na rua, fomos levados para o gueto. Não tivemos aviso nem tempo para fazer provisões para nós mesmos ou para Bogar. Só tivemos tempo de deixar Bogar livre do lado de fora. Orei a Deus para que ele estivesse seguro. Mas, para meu horror, quando olhei em volta, vi que Bogar estava nos seguindo até o gueto!”

“Vá para casa!” – gritei – “Vá para casa, Bogar… mas ele não o fez”

“Os cães não eram permitidos no gueto, então, quando passamos pelos portões, os soldados perseguiram Bogar, tentando atingi-lo. Tentei correr de volta para ir até ele, mas meu pai me segurou pelo braço. Eu nunca me senti tão desamparada”

Kathy narra que ela e a família ainda foram transferidos para outros locais, até que numa ocasião tiveram que se dirigir para a estação de trem.

“Meu querido e doce Bogar esperou do lado de fora do gueto por nós. Inicialmente, fiquei emocionada ao ver que ele estava vivo, mas quando ele nos seguiu até a estação de trem, meu coração afundou. Não pude evitar as lágrimas que caíram no meu rosto. Angustiei-me com o que Bogar faria. Ele seguiria o trem? Ele seria morto sob as rodas do trem? Alguém atiraria nele? O pobre Bogar não sabia que teríamos que deixá-lo novamente. O que aconteceria com o nosso precioso Bogar? Tudo o que eu conseguia pensar era em Bogar, e não em mim mesma. Talvez pensando em Bogar eu tenha sido capaz de lidar com meus medos profundos”

“Em maio de 1945 estávamos livres!”

Menina com cão. Foto site “Of things Forgotten”

“Tínhamos ouvido histórias de cães sendo pegos e comidos, ou espancados ou baleados por soldados. Os cães maiores atacavam os cães menores enquanto morriam de fome. Eu sabia que, para sobreviver, algumas pessoas haviam capturado e comido todos os animais que conseguiam. Eu me perguntava: o que restará para Bogar?”

“Um mês depois, eu estava andando pela estrada a cerca de 1,6 km de casa, ainda esperando encontrar Bogar quando vi um cachorro que parecia ele. Meu coração pulou! Hesitei em chamar o nome dele, por medo de que não fosse ele e a decepção doesse muito. Hesitante, eu chamei… Bogar! Bogar! O cachorro parou e olhou, congelado no lugar. Então, como uma estrela cadente, ele correu para mim, pulando e lambendo minhas mãos e rosto”

“Ajoelhei-me e o abracei por um longo tempo. Que alegria e alívio. Agradeci a Deus por cuidar dele. Pela primeira vez desde que fomos levados, senti paz e esperança. Ele estava magro e tinha um olhar assombrado. No ano seguinte ainda tivemos nosso maravilhoso Bogar conosco, mas depois ele ficou doente e morreu.  Todos lamentamos profundamente”

Susan Bulanda é membro da Associação Internacional de Consultores de Comportamento Animal (IAABC) e autora também do livro “Criaturas de Deus: uma visão bíblica dos animais”. Para saber mais sobre o livro dos animais no Holocausto acesse AQUI

Judeu com cão. Foto site “Of things Forgotten”

Relatos exclusivos à Anda

Em 2015, a ANDA entrevistou duas sobreviventes do Holocausto residentes no Brasil que vale rever na data de hoje.

“Meu pai teve que matar nosso cachorro”, conta Klara Kielmanowicz que estava com 10 anos de idade quando teve início a perseguição aos judeus. Ela estava atrás de uma trincheira com a família tentando se esconder dos soldados nazistas, mas seu cachorro, de nome Tufi, não parava de latir. “Foi então que meu pai matou meu cachorrinho com um tiro para não sermos descobertos. Eu não vi ele ser morto, mas vi meu pai e irmão o levarem para outro canto. Soube depois que o mataram. Lembro que chorei muito”, conta a sobrevivente.

Ela diz que na época ouviu falar que um vizinho, ao ter a casa abordada pelos nazistas, teve seu cachorro executado porque ele também começou a latir sem parar. “Meu pai vendeu a casa na cidade e fomos para um sítio onde havia cavalos, vacas e galinhas, mas ficou tudo lá. Inclusive, na cidade, quando os judeus tinham que deixar suas casas, largavam também os animais e todos os seus pertences. Os alemães entravam nas casas e pegavam o que queriam, inclusive os bichos de estimação. Não eram só os soldados que invadiam as casas, mas qualquer pessoa não judia”, relata.

Anne Frank. Foto site “Of things Forgotten”

Michele Schott, de 81 anos, é francesa, mas diz que seu pai também sofreu perseguição por parte dos nazistas por ser católico. Ela tinha apenas seis anos em 1940 e conta que várias crianças judias foram acolhidas por famílias francesas, belgas e holandesas enquanto seus pais eram levados para os campos de concentração.

“Essas crianças não eram adotadas, mas ficavam sob a guarda dessas famílias para o caso de seus pais retornarem. Junto com as crianças certamente os animais de estimação também eram acolhidos. Sei disso porque nunca vi, quando criança, animais andando abandonados nas ruas. Tenho certeza que quem acolhia as crianças também acolhia os bichos”, diz.

Como tudo começou

Os judeus já vinham sofrendo muitas restrições desde a década de 30 como ouvir rádio, ir ao cabeleireiro, cinema, concertos, museus, andar de ônibus, passear nos parques, ter máquinas de escrever, frequentar bibliotecas e restaurantes. Em 1942 veio mais um golpe. Eles foram proibidos de manter animais domésticos. Tiveram que entregá-los aos alemães para serem mortos ou podiam apresentar um atestado que o animal tinha sido induzido à morte em uma clínica veterinária.

Uma rara reportagem sobre os animais do Holocausto no blog “Of things Forgotten” diz que em janeiro de 1942, todos os judeus de uma cidade da Lituânia foram obrigados a levar seus animais de estimação para uma pequena sinagoga. Lá os animais foram mortos pelos soldados alemães. Há relatos sobre cães e gatos atirados pelas janelas de prédios por soldados nazistas como forma de aterrorizar os judeus.

O gato de Anne Frank

A adolescente Anne Frank, que ficou escondida dos nazistas num sótão do prédio onde seu pai tinha empresa em Amsterdã (Holanda), cuidava de um gato. O prédio tinha dois gatos, Moortje, uma gata preta que era da família de Anne (vide foto) e foi abandonada no momento em que a família teve de se esconder, e Mouschi que era mantido no edifício para afastar os ratos e circulava por toda parte.

Mouschi chegou ao sotão pelas mãos de outro foragido e lá ficou por dois anos até o dia em que os nazistas descobriram o esconderijo. O gato aparece no filme “O Diário de Anne Frank”, de 1959, baseado nas páginas escritas pela garota. A história é também contada pelo próprio felino no livro “Mouschi – O Gato de Anne Frank “, de José Jorge Letria. A obra, que é conduzida por meio de ilustrações, narra como um gato assistiu ao nazismo tendo como companheira uma garota que sonhava ser jornalista.

Fátima Chuecco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

 

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Mais de 750 mil animais foram mortos na iminência da Segunda Guerra Mundial

Na iminência da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico criou o Comitê Nacional de Precauções Contra Ataques Aéreos na Grã-Bretanha – que foi responsável, entre outras ações, pelo extermínio de mais de 750 mil animais domésticos.

Mais de 750 mil animais foram mortos antes da Segunda Guerra (Foto: Reprodução/Portal Aventuras na História)

O governo concluiu que o gasto com a alimentação dos animais seria prejudicial para a economia do país durante a guerra e, por isso, elaborou panfletos intitulados “Conselhos para os donos de animais” e os encaminhou para as famílias. As informações são do portal Aventuras na História.

“Se possível, leve seus animais domésticos para fora do país antes de uma emergência. Se não for possível, é melhor que sejam exterminados”, diziam os panfletos, que tiveram seus conteúdos publicados pela BBC e por jornais.

O pedido foi aceito e mais de 750 mil animais foram mortos em apenas uma semana. Os domésticos, no entanto, não foram os únicos. Isso porque os animais explorados para entretenimento humano pelo zoológico de Londres também foram exterminados.

Panfleto entregue às famílias (Monumento em homenagem aos animais mortos (Foto: Reprodução/Portal Aventuras na História)

Em 1939, quando a guerra foi declarada, clínicas veterinárias ficaram lotadas de tutores à procura de profissionais para sacrificar os animais.

A morte direta de animais não foi, porém, o único horror promovido na época. Isso porque 6 mil cachorros foram explorados pelo exército da Grã-Bretanha e muitos perderam a vida.

“As pessoas estavam preocupadas com a ameaça de bombardeios e escassez de alimentos, e achavam inadequado ter o ‘luxo’ de um animal durante a guerra”, explicou Pip Dodd, curador sênior do Museu Nacional do Exército.

Monumento em homenagem aos animais mortos (Foto: Reprodução/Portal Aventuras na História)

“Era uma das coisas que as pessoas tinham que fazer – evacuar as crianças, colocar as cortinas de blecaute e matar o gato”, contou a historiadora britânica Hilda Kean.

Em Hyde Park, Londres, foi construído um memorial a todos os animais que morreram por causa da Segunda Guerra Mundial. “Eles não tiveram escolha”, diz uma das frases do memorial.

Alemanha nazista

Os animais tutelados pelos judeus, perseguidos e mortos pelo nazismo na Alemanha, também não foram poupados. Cães e gatos foram executados na frente dos judeus, abandonados dentro das casas, escondidos em porões, levados para morte induzida e, com alguma sorte, clandestinamente acolhidos por famílias não-judias. É provável ainda que cães e gatos tenham servido para testar as câmaras de gás antes do genocídio ter início e que também tenham servido a experimentos médico-científicos pelos nazistas.

Uma reportagem especial feita com exclusividade pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) traz mais detalhes dos horrores promovidos pelos nazistas contra os animais tutelados por judeus e apresenta, inclusive, relatos de judeus sobreviventes residentes no Brasil. Confira na íntegra clicando aqui.


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Veganismo cresce entre judeus nos Estados Unidos

O veganismo está crescendo entre judeus nos Estados Unidos, segundo informações da organização judaica de bem-estar animal The Shamayim V’Aretz Institute. Provavelmente, se o premiado escritor judeu Isaac Bashevis Singer estivesse vivo hoje, esse seria um bom motivo de comemoração. Afinal, Bashevis Singer foi um dos nomes mais importantes na defesa do vegetarianismo no mundo judaico no século 20.

(Foto: Divulgação)

Atualmente, mais cinco sinagogas dos Estados Unidos estão adotando a filosofia de vida vegana com o apoio da organização de direitos animais VegFund, que ao longo de um ano vai prestar consultoria gratuita e ajudar na realização de eventos que unem a cultura judaica e o veganismo. As sinagogas que vão promover a abstenção do consumo de produtos de origem animal estão localizadas em Boca Raton, Nova York, Denver, Norfolk e Skokie.

A iniciativa faz parte de um programa chamado “The Synagogue Vegan Challenge”, que visa aproximar cada vez mais os judeus do veganismo. Hoje, importantes rabinos como Shmuly Yanklowitz, Kerry Olitzky, Rami. M. Shapiro, Yonassan Gershom, Irving Greenberg e Jeremy Gimpel estão entre os nomes de destaque na disseminação de uma filosofia de vida em oposição à exploração animal nos Estados Unidos.

Além do The Shamayim V’Aretz Institute, outra organização de grande representatividade na promoção do veganismo nos Estados Unidos é a Jewish Veg. Sobre os argumentos éticos, as entidades defendem que a abstenção do consumo de alimentos e produtos de origem animal está em acordo com os ensinamentos sagrados e os ideais mais elevados do judaísmo – incluindo respeito, compaixão, valoração da vida, conservação de recursos, paz, justiça, saúde e tsedacá (um conceito de altruísmo).

O The Samayim e a Jewish Veg destacam que a produção e o consumo de carne em massa se opõem aos ensinamentos judaicos quando desconsidera que nossos hábitos alimentares prejudicam animais, pessoas, comunidades e o meio ambiente.

Fonte: Pravda.ru

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Judeus e árabes se unem em grande marcha pelos direitos animais em Israel

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Reprodução/The Vegan Woman
Foto: Reprodução/The Vegan Woman

Os noticiários costumam expor os conflitos entre árabes e judeus, mas desta vez os dois povos se reuniram em uma grande marcha em prol de uma causa nobre: o veganismo e os direitos animais.

Na última sexta-feira, mais de 1.000 ativistas pelos direitos animais marcharam juntos na cidade de Haifa, Israel, sob o grito de ordem “Somos a voz deles: unindo-se pelos animais”.

O protesto simbolizou a colaboração entre os povos no norte de Israel, onde os ativistas veganos têm trabalhado juntos nos últimos anos. O evento foi organizado com três objetivos principais: conscientizar o público sobre o sofrimento dos animais de fazenda, fortalecer o ativismo vegano no país e unir as duas comunidades em perfeita harmonia.

Originalmente, 2.500 pessoas confirmaram presença na marcha.

Em entrevista à The Vegan Woman, as organizadoras Sharbell Balloutine, da organização árabe “The Vegan Human”, e Shlomi Hillel, líder do grupo “The Vegan North”, afirmaram que o evento foi um sucesso.

A respeito das diferenças culturais, Sharbel declarou: “Quase não enfrentamos conflitos ou tensões nas nossas atividades conjuntas. Nós sabemos como é importante unir os povos e focar no que realmente faz diferença, que é ajudar os seres mais explorados do nosso planeta: os animais não humanos.”

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Israel deverá ter câmeras em fazendas sob pretexto de impedir abusos

Por Jessica Sarter/One Green Planet (Tradução: Bruna Oliveira/Agência de Notícias de Direitos Animais)

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Atrocidades cometidas contra em fazendas e indústrias não ficarão mais escondidas em Israel. Foto: One Green Planet

As indústrias de carne e produtos lácteos tentam enganar as pessoas, dizendo que os animais correm livres por colinas e pastos verdejantes. No entanto, quase todos os animais criados para consumo vivem dentro dos limites de fazendas e fábricas, armazéns gigantes onde são submetidos a alguns dos piores tratamento imagináveis. Paul McCartney disse uma vez: “Se matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos.” Bem, agora existe um país que está colocando algo melhor equivalente nestes lugares: câmeras ao vivo.

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Israel está tomando a atitude inédita de instalar câmeras em seus matadouros. Este plano, definido para ser concluído até o final de 2016, vem em resposta aos vários vídeos secretos que mostram animais sendo abusados por trabalhadores de fábricas. “Fomos testemunhas de vários casos graves em matadouros por toda Israel. Por um lado, não podemos generalizar, mas por outro temos de aumentar o monitoramento ou então estes casos nunca vão parar “, disse Uri Ariel, ministro da Agricultura.

A primeira instalação de câmeras ocorreu em julho de 2015, depois que um canal de notícias divulgou um relatório revelando atividades abusivas em um matadouro de aves de Soglowek. A câmera escondida anonimamente por grupos de direitos animais filmou trabalhadores arrancando com toda a força frangos presos em gaiolas, chutando-os, empilhando um em cima do outro aos montes. Tudo isso enquanto esses funcionários balançavam os animais, dançavam e riam.

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Foto: Noam Moskowitz

O ministro encerrou as operações no local na mesma noite em que as filmagens foram ao ar. De acordo com o Jerusalem Post, outros incidentes foram relatados. Em junho do ano passado, o Ministério da Agricultura fechou temporariamente o matadouro da empresa Dabbach – o maior de Israel, onde cerca de metade dos bezerros e cordeiros do país são mortos – depois de investigações que mostraram trabalhadores da fábrica quebrando caudas, pendurando animais conscientes e eletrocutando-os vivos.

Para conter esses abusos, Israel tem um plano de instalar 400 câmeras em 50 matadouros no país. As informações serão exibidas ao vivo 24 horas por dia, 7 dias por semana, por uma empresa do exterior ou voluntários da Veternarian Monitoring Services (Serviços de Monitoramento Veterinário). Enquanto os grupos de direitos apoiam as novas medidas, eles também exigem que os representantes das organizações de direitos dos animais possam assistir as filmagens, salientando que tal medida é necessária devido ao fracasso dos órgãos responsáveis em cumprir a lei.

“Esperamos que se descobrirem violações aos direitos animais nas filmagens, que elas sejam punidas com rigor”, disse o comunicado dos grupos de direitos animais. “Até agora não há acusações registradas sobre os assuntos Soglowek e Dabbah, apesar das muitas horas de provas gravadas em vídeo terem sido apresentadas ao Ministério da Agricultura.”

Um passo na direção certa

A proposta de Israel é um grande salto em frente para o futuro dos animais dentro de fazendas industriais e matadouros. Durante anos, vídeos secretos foram a única maneira de mostrar ao público de onde seu “alimento” realmente vem. Testemunhar estes horrores mudou completamente a maneira como a população vê a indústria da carne e produtos lácteos recentemente. Isso tem ajudado a estimular uma tendência crescente em direção aos direitos animais em Israel (4% do país se identifica como vegano, mais do que qualquer país do mundo). A nova instalação de câmeras ao vivo irá continuar a lançar luz sobre esta indústria notoriamente sigilosa e limitar a extrema crueldade que estes vídeos secretos expuseram.

“As imagens que vimos são terríveis e intoleráveis. Já disse antes que vou aplicar uma política de tolerância zero para essas coisas “, disse Ariel em seu anúncio oficial. Ele também explicou que o ministério irá trabalhar para aprovar a legislação que proíbe a crueldade contra os animais e realizar inspeções em matadouros, além de implementar punições mais fortes para aqueles que violarem as leis.

Enquanto as filmagens de matadouros em Israel é angustiante, o abuso sistemático que ocorre é semelhante à crueldade descoberta por vídeos secretos em matadouros americanos. No entanto, em vez de colocar câmeras nos matadouros dos EUA para ajudar a restringir tais práticas, alguns estados estão fazendo o possível para manter as lentes do lado de fora. A lei que torna ilegal a filmagem no interior de matadouros foi aprovada em oito estados, sob a influência de grandes corporações que continuam a lutar para manter as suas práticas em segredo. Tais leis visam esconder o sofrimento de milhões de animais em fazendas industriais e permitem que os maus-tratos continuem despercebidos. Estas iniciativas legislativas protegem o abusador em vez do abusado. Felizmente, os tribunais estão derrotando esses conglomerados aos poucos, mas os esforços da indústria para manter o público desinformado continua.

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Foto:The Dodo

Como ajudar

Há muita coisa que você pode fazer para exigir mais proteção aos animais. Junte-se em campanhas locais, tornando-se um ativista e juntando-se aos protestos contra a crueldade animal, assinando e estimulando assinaturas em petições. Às vezes, ir contra essas grandes corporações pode parecer uma missão impossível, mas a verdade é que todos nós temos uma voz quando se trata de bem-estar animal.
Naturalmente, a melhor maneira de garantir que os animais não sejam cruelmente vitimados em fazendas industriais é a de não apoiar estas indústrias. A maneira mais eficaz de fazer essas atrocidades pararem é não financiar os abusadores. Confira a campanha #EatForThePlanet do Green Planet para aprender a trocar carne e produtos lácteos para versões à base de plantas. Clique <ahref=”http://www.onegreenplanet.org/eatfortheplanet/”>aqui para começar.

Nota da Redação: As câmeras nos matadouros, embora venham a expor o que se faz lá dentro e talvez faça com que os funcionários se sintam intimidados e pensem melhor antes de cometer atrocidades, não eliminarão o cerne do problema, que é a morte dos animais para consumo, o erro maior. Pode ser que a implantação das câmeras, por outro lado, seja mais um ponto positivo no sentido de tornar mais crueldade acessível ao público, levando, caso as imagens realmente sejam liberadas, mais pessoas a se tornarem veganas. Talvez sejam essas as “paredes de vidro” às quais McCartney se referiu.

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Judeus revelam o que os nazistas fizeram com seus cães e gatos

Garota judia e cachorro. Foto do arquivo do blog "ofthingsforgotten"
Garota judia e cachorro. Foto do arquivo do blog “ofthingsforgotten”

Fátima ChuEcco/Redação Anda – Agência de Notícias de Direitos Animais

A Anda, em uma matéria especial, foi atrás de uma parte da história não contada, mas que também causou muito sofrimento aos judeus durante a ocupação nazista: o destino de seus animais que, na época, eram em sua maioria cães e gatos. Relatos de sobreviventes residentes no Brasil mostram que, além de todo o sofrimento ao deixar suas casas, empregos e família rumo aos campos de concentração, houve ainda a dolorosa perda dos animais que faziam parte de suas vidas. Muitos judeus eram crianças e tinham laços afetivos fortíssimos com seus amigos de quatro patas.

Mas não houve trégua. Cães e gatos foram executados na frente dos judeus, abandonados dentro das casas, escondidos em porões, levados para morte induzida e, com alguma sorte, clandestinamente acolhidos por famílias não-judias. É provável ainda que cães e gatos tenham servido para testar as câmaras de gás antes do genocídio ter início e que também tenham servido a experimentos médico-científicos pelos nazistas. Esse é um capítulo da nossa história que vale a pena conhecer. E mais:

Quem era o gato de Anne Frank? E será que Hitler gostava mesmo de animais ou apenas de seus próprios cães? O legado: assassinato em massa de judeus teve outras consequências, décadas depois, inspirando o funcionamento das câmaras de gás ainda presentes em muitos centros de controle animal do mundo.

Embarque nessa matéria exclusiva que traz à tona um capítulo do nazismo que ficou esquecido… até agora.

Garota judia segura gato. Foto do arquivo do blog "ofthings forgotten"
Garota judia segura gato. Foto do arquivo do blog “ofthings forgotten”

Judeus foram proibidos de ter animais

Os judeus já vinham sofrendo muitas restrições desde a década de 30 como ouvir rádio, ir ao cabeleireiro, cinema, concertos, museus, andar de ônibus, passear nos parques, ter máquinas de escrever, frequentar bibliotecas e restaurantes. “Para fazer suas compras, os judeus dispunham de apenas uma hora, sendo que não podiam adquirir peixe, café, chocolates e frutas”, comenta em seu diário, transformado em livro (e best seller) o professor de literatura Victor Klemperer (falecido em 1960).

Em 1942 veio mais um golpe. Eles foram proibidos de manter animais domésticos. A casa do professor foi confiscada. Ele, que era nascido na Alemanha, mas filho de judeus, e a mulher Eva conseguiram salvar apenas algumas peças da mobília e seu amado gato chamado Muschel. Foram então viver num abrigo na cidade alemã de Dresden para pessoas de casamento “misto” que, na linguagem dos nazistas, eram aqueles em que apenas um dos cônjuges tinha descendência judia.

Em maio daquele ano ele anotou no diário: “Encontrei a senhora Ida Kreidl durante as compras e ela me contou o mais recente decreto dos nazistas. A partir de agora, os judeus e quem mora com eles estão proibidos de manter animais domésticos (cães, gatos, pássaros). Os animais também não podem ser dados a terceiros. É a sentença de morte para nosso Muschel, com quem convivemos há 11 anos. Amanhã ele será levado ao veterinário para poupar-lhe a morte coletiva”. O professor conta que a morte do gato foi um grande choque para eles: “Outra pessoa não entenderia nosso martírio, poderia achar ridículo ou até imoral já que há tanta gente sofrendo”.

O diário de Victor Klemperer tornou-se um importante registro sobre o nazismo. Foto: Divulgação
O diário de Victor Klemperer tornou-se um importante registro sobre o nazismo. Foto: Divulgação

Relatos exclusivos à Anda

“Meu pai teve que matar nosso cachorro”, conta Klara Kielmanowicz que estava com 10 anos de idade quando teve início a perseguição aos judeus. Ela estava atrás de uma trincheira com a família tentando se esconder dos soldados nazistas, mas seu cachorro, de nome Tufi, não parava de latir. “Foi então que meu pai matou meu cachorrinho com um tiro para não sermos descobertos. Eu não vi ele ser morto, mas vi meu pai e irmão o levarem para outro canto. Soube depois que o mataram. Lembro que chorei muito”, conta a sobrevivente que reside no Brasil.

Ela diz que na época ouviu falar que um vizinho, ao ter a casa abordada pelos nazistas, teve seu cachorro executado porque ele também começou a latir sem parar. “Meu pai vendeu a casa na cidade e fomos para um sítio onde havia cavalos, vacas e galinhas, mas ficou tudo lá. Inclusive, na cidade, quando os judeus tinham que deixar suas casas, largavam também os animais e todos os seus pertences. As pessoas entravam nas casas e pegavam o que queriam, inclusive os bichos de estimação. Não eram só os soldados que invadiam as casas, mas qualquer pessoa”, relata.

Anne Frank com cachorro anos antes de ter que viver em esconderijo. Foto: Domínio público web
Anne Frank com cachorro anos antes de ter que viver em esconderijo. Foto: Domínio público web

Michele Schott, de 81 anos, é francesa, mas diz que seu pai também sofreu perseguição por parte dos nazistas por ser católico. Ela tinha apenas seis anos em 1940 e conta que várias crianças judias foram acolhidas por famílias francesas, belgas e holandesas enquanto seus pais eram levados para os campos de concentração: “Essas crianças não eram adotadas, mas ficavam sob a guarda dessas famílias para o caso de seus pais retornarem. Junto com as crianças certamente os animais de estimação também eram acolhidos. Sei disso porque nunca vi, quando criança, animais andando abandonados nas ruas. Tenho certeza que quem acolhia as crianças também acolhia os bichos”, diz.

Ela conta ainda que era tudo feito secretamente para os alemães não levarem as crianças embora. Segundo Michelle, na França, essas pessoas que ficavam com as crianças eram chamadas de “les justes” ou “os justos”. A entrevista com Klara e Michelle foram conseguidas com a ajuda da equipe da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do Núcleo de Estudos Arqshoah junto ao LEER/USP – Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação que atualmente tem 250 testemunhos gravados. O atual projeto do LEER chama-se “Vozes do Holocausto” e irá produzir vários vídeos com fins pedagógicos. Mais informações em www.arqshoah.com.br

Judeu feliz com seu cachorro. Foto do arquivo do blo "ofthingsforgotten"
Judeu feliz com seu cachorro. Foto do arquivo do blog “ofthingsforgotten”

Extermínio de cães e gatos

Uma rara reportagem sobre os animais do holocausto no blog “ofthingsforgotten”(em inglês) diz que, em 1940, vários cães foram executados num gueto judeu devido a um suposto surto de raiva anunciado pela “polícia sanitária alemã”. Depois disso ficou estritamente proibido ter animais nos guetos e a punição seria tanto para quem estivesse abrigando o cachorro quanto para outros moradores da mesma casa. “Na grande fome que se seguiu com racionamento de comida e superpopulação do gueto, animais vadios foram por vezes consumidos pelos habitantes esfomeados”, é relatado no blog.

E teve coisa pior. Em janeiro de 1942, todos os judeus de uma cidade da Lituânia foram obrigados a levar seus animais de estimação para uma pequena sinagoga. Lá os animais foram mortos pelos soldados alemães e suas carcaças deixadas para apodrecer durante meses em local público. Há, segundo a reportagem, relatos sobre cães e gatos atirados pelas janelas de prédios por soldados nazistas como forma de aterrorizar os judeus.

Por ocasião do decreto de 1942 que proibia manter animais, os judeus tiveram que entregá-los aos alemães para serem induzidos à morte. Como alternativa podiam apresentar certificado de que o animal havia sido morto numa clínica veterinária – como fez o professor Klemperer. Consta que os animais recolhidos foram mortos por uma Associação de Proteção Animal Alemã num hospital judeu e houve manifestações com pessoas portando fotos onde apareciam com seus bichos. Helen Lewis, uma sobrevivente do Holocausto, conta no blog que testemunhou uma cena comovente em que num posto de coleta de animais, tutores, com seus cães e gatos presos em gaiolas, choravam muito.

Hitler com a cadela Blondie. Foto: Domínio público web
Hitler com a cadela Blondie. Foto: Domínio público web

Hitler gostava de animais?

Com toda a matança de animais de judeus e provável utilização desses animais para testar as câmaras de gás onde mais tarde seriam levadas também pessoas, é possível deduzir que Hitler gostava apenas de seus próprios cães. A cadela Blondie, uma pastora alemã que aparentemente era a preferida dele, dormia no quarto do comandante nazista no bunker subterrâneo. Ela deu à luz a cinco filhotes.

Percebendo sua derrota, Hitler deu comprimidos de cianureto para Blondie a fim de saber se as pílulas também funcionariam com ele. Ao vê-la morrer percebeu que poderia cometer suicídio. O sargento Fritz Tornow cuidava de todos os cães do bunker e, a mando de Hitler, matou todos os filhotes de Blondi e também os cães de Eva, companheira de Hitler. Veja aqui.

No entanto, há mais coisas para se descobrir sobre Hitler e sua relação com os animais. Uma coisa é certa: ele não evitava carne por conta de “respeito” aos animais e sim porque sofria de graves males estomacais e intestinais que o obrigavam a ingerir preferencialmente pratos leves, frutas e verduras. E parece que Hitler tinha planos mirabolantes. O pesquisador Jan Bondeson, autor do livro “Amazing Dogs: A Cabinet Of Canine Curiosities”, diz que os oficiais nazistas recrutavam cachorros para uma escola próxima à cidade de Hanover, para serem treinados. O objetivo era ensinar os cães a falarem e lerem. A escola foi inaugurada no início da década de 1930 e permaneceu em funcionamento durante a Segunda Guerra. Será que Hitler gostava de cães desde que não tivessem convivido com judeus? Veja aqui.

Moortje era a gata de Anne Frank. Foto Site Puissance Zelda
Moortje era a gata de Anne Frank. Foto Site Puissance Zelda

O gato de Anne Frank

Quem conhece a história de Anne Frank, que ficou escondida dos nazistas num anexo ou sótão do prédio onde seu pai tinha empresa em Amsterdã (Holanda), sabe que no esconderijo havia também um gato, mas ele não era da garota. O prédio tinha dois gatos, Moortje, uma gata preta que era da família de Anne (vide foto) e foi abandonada no momento em que a família teve de se esconder, e Mouschi que era mantido no edifício para afastar os ratos e circulava por toda parte.

Mouschi chegou ao anexo pelas mãos de outro “hóspede” foragido e lá ficou por dois anos até o dia em que os nazistas descobriram o cativeiro. O gato aparece no filme “O Diário de Anne Frank”, de 1959, baseado nas páginas escritas pela adolescente. É um dos clássicos mais assistidos no mundo todo. A história, é também contada pelo próprio felino no livro “Mouschi – O Gato de Anne Frank “, de José Jorge Letria. A obra, que é conduzida por meio de ilustrações, narra como um gato assistiu ao nazismo tendo como companheira uma garota que sonhava ser jornalista.

Anne Frank ficou escondida em sotão com outras pessoas e um gato. Foto: Domínio público web
Anne Frank ficou escondida em sótão com outras pessoas e um gato. Foto: Domínio público web

Obra reúne histórias de animais do Holocausto

O livro “Faithful Friends: Holocaust Survivors’ Stories of the Pets Who Gave Them Comfort, Suffered Alongside Them and Waited for Their Return”, escrito por Susan Bulanda, sobrevivente do Holocausto, reúne histórias de animais que sobreviveram e outros que até reencontraram seus tutores quando a guerra chegou ao fim. São relatos de homens e mulheres que eram crianças durante a Segunda Guerra Mundial. Eles contam como perderam pais, irmãos e amigos nos campos de concentração e como os animais lhes deram conforto e coragem criando uma conexão, ainda que em pensamento, com tempos mais felizes, ajudando-os a não perderem a esperança. Veja mais aqui.

Livro conta história de animais domésticos sobreviventes do Holocausto. Foto: Divulgação
Livro conta história de animais domésticos sobreviventes do Holocausto. Foto: Divulgação

O legado

As câmaras de gás para exterminar animais usadas até hoje, inclusive, em países desenvolvidos como EUA, Japão e vários da Europa, são um legado do Holocausto. Trancados em cabines metálicas os animais são submetidos a monóxido de carbono – um gás que também foi utilizado para matar judeus. “Até 1941, oficiais da SS (a polícia militar de Hitler) eliminavam pequenos grupos de prisioneiros em caminhões de transporte, trancando-os em caçambas seladas que recebiam monóxido de carbono do escapamento. A técnica foi adaptada a salas trancadas e logo a fumaça de caminhão foi trocada por pesticida, mais barato e eficiente”, diz matéria da revista Mundo Estranho.

Câmaras de gás tiveram inspiração no holocausto e são usadas até hoje. Foto: web
Câmaras de gás tiveram inspiração no holocausto e são usadas até hoje. Foto: web

“O produto Zyklon-B era usado principalmente para eliminar piolhos e insetos dos presos. Em Auschwitz, para não desesperar as vítimas, o veneno foi manipulado quimicamente para não emitir odor. O Zyklon era colocado em um compartimento de metal para ser aquecido e gerar vapor. Após 30 minutos de queima, com todos nas câmaras já mortos, os exaustores sugavam o gás, permitindo a retirada dos corpos. O gás venenoso, baseado em cianeto de hidrogênio, interferia na respiração celular, tornando as vítimas carentes de oxigênio. O resultado era morte por sufocamento após crises convulsivas, sangramento e perda das funções fisiológicas. A morte era lenta e dolorida. Em média, da inalação ao óbito, o processo durava 20 minutos”. Leia mais aqui.

As câmaras de gás que executam cães e gatos são normalmente pequenas, como uma cabine de máquina de lavar roupas, e levam os animais ao desespero exatamente como eram levados os judeus. Por algum motivo, algumas pessoas, cães e gatos conseguem sobreviver, inclusive, sem sequelas, o que leva a crer que vários judeus podem ter sido incinerados vivos assim como são, ainda hoje, muitos animais submetidos as câmaras de gás.

Quentin sobreviveu à câmara de gás e faz campanhas contra o método nos EUA. Foto: Randy Grim
Quentin sobreviveu à câmara de gás e faz campanhas contra o método nos EUA. Foto: Randy Grim

Em duas recentes matérias exclusivas da Anda, foram levantados dois casos de animais que saíram ilesos das “câmaras da morte” e continuam vivos. Uma vez adotados tornaram-se símbolo da luta contra as câmaras de gás. Um deles é o cão Quentin cuja história pode ser vista aqui. O outro caso é o da gata Andrea que, além de sobreviver ao gás, também ficou presa no freezer por quase uma hora. A incrível história de Andrea pode ser vista aqui.

Gata Andrea resistiu ao gás e também ao freezer. Foto: Divulgação
Gata Andrea resistiu ao gás e também ao freezer. Foto: Divulgação

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Palestinos e judeus marcham juntos pelos direitos animais e pelo veganismo

por Augusta Scheer (da Redação)

Foto: Omer Shalev
Foto: Omer Shalev

Na sexta-feira, 24 de julho, mais de mil defensores de animais se reuniram numa marcha pelo veganismo na cidade de Haifa, em Israel, segundo informações do site The Vegan Woman. Sob um lema de união em prol dos direitos animais, entidades judias e palestinas organizaram o protesto, sinalizando um momento de colaboração entre as duas comunidades no norte de Israel.

Ao longo dos últimos anos, palestinos e judeus vêm trabalhando juntos para promover o veganismo na região. A marcha do dia 24 contou com 2500 pessoas confirmadas nas redes sociais e teve como objetivo conscientizar o público acerca do sofrimento dos animais que vivem confinados em fazendas, motivando o estilo de vida vegano no norte de Israel ao unir as duas comunidades nesse evento de grande escala, que só pôde acontecer devido à colaboração mútua entre as duas congregações.

Foto: Amit Zinman Photography
Foto: Amit Zinman Photography

O site The Vegan Woman teve a oportunidade de entrevistar alguns dos organizadores do evento. Sharbel Balloutine é ativista vegano, escritor e fundador da organização defensora de animais The Vegan Human, majoritariamente árabe. Solhei Hillel também é ativista e ex-líder na entidade The Vegan North. Os dois comentaram sobre a colaboração árabe-israelense em prol dos direitos animais.

The Vegan Woman: Parabéns aos dois pelo evento. Tenho certeza de que essa colaboração servirá de inspiração para outras pessoas ao redor do mundo, renovando nossas esperanças, tanto pelo veganismo, quanto por futuras colaborações pacíficas. Vocês podem nos contar algumas informações sobre a cooperação árabe-israelense que possibilitou essa marcha de sexta-feira?

Shlomi: O ativismo vegano vem sendo desenvolvido no norte de Israel há mais de dez anos. No começo, era mais centrado no envolvimento com o grande público, por exemplo, através da distribuição de folhetos e de estandes de informações. Em 2012, formamos um grupo chamado The Vegan North e, com a ajuda das redes sociais, ficou mais fácil organizar eventos e dialogar com novos ativistas. Nosso ativismo passou a incluir atos e demonstrações, além de atividades sociais.

Somando-se às nossas atividades, um grande grupo árabe de defensores de animais começou a operar no norte de Israel, sob a liderança inspiradora de Sharbel. Esse grupo é conhecido hoje como The Vegan Human e desde o princípio, formamos uma colaboração próxima entre os dois grupos, que incluiu demonstrações conjuntas em cidades árabes e judias. Formamos amizades próximas entre ativistas das duas comunidades, algumas das quais levaram à marcha que aconteceu no dia 24, dentre outras cooperações.

Foto: Oria Cohen
Foto: Oria Cohen

VW: Vocês acham que as diferenças entre religiões, culturas e divergências políticas causam tensões no âmbito do seu ativismo? Se sim, como lidar com essas tensões, e qual é a mensagem que vocês estão tentando passar?

Sharbel: Na verdade, vivemos poucas tensões nas nossas atividades conjuntas e, quando essas tensões surgem, tentamos sempre nos lembrar do quão importante é a nossa união, e de que devemos nos concentrar em ajudar os seres mais explorados do nosso planeta: os animais.

A marcha que organizamos no dia 24 foi um grande exemplo disso. Judeus e árabes se unindo para afirmar que as vidas de todos os homens e mulheres são iguais, e que o valor de cada vida é inestimável. O valor da vida de cada vaca é inestimável, de cada porco, de cada ser vivo cujo sangue corre nas veias, de cada ser vivo que tem a capacidade de respirar, de sofrer e de amar. Nosso objetivo é mudar a percepção distorcida das pessoas de que um ser senciente vale mais do que outro. Queremos mudar a percepção de que, só porque um ser é mais fraco, tudo bem explorá-lo.

Pode ser que as pessoas resistam a essa mensagem, mas estamos trabalhando para garantir que ela seja ouvida. Enquanto houver sofrimento animal, continuaremos a servir como voz para esses seres.

VW: Na visão de vocês, a marcha foi bem-sucedida?

Shlomi: A marcha foi um evento extraordinário, tocante e único. Estou muito honrado e orgulhoso por ter feito parte dela. É difícil avaliar o efeito do protesto, mas, ao mesmo tempo, não se pode subestimar a importância de uma cooperação como essa, a qual demonstra que literalmente todas as pessoas podem se unir para promover a justiça e os princípios éticos que deveriam ser comuns a todos nós. Para mim, as questões de direito animal são extensões diretas dos direitos humanos e, ao promover essas questões, também promovemos valores de justiça, compaixão e paz. Eu acredito que a marcha refletiu esses valores, e que ela ficará marcada na nossa memória coletiva enquanto movimento durante muito tempo.

Foto: Omer Shalev
Foto: Omer Shalev

VW: Se vocês pudessem deixar uma mensagem para os nossos leitores, qual seria?

Sharbel: Cada alma usurpada pela violência viola a humanidade como um todo.

Shlomi: Não há nenhuma justificativa para a exploração dos animais. Se você acredita que o assassinato e a imposição desnecessária de sofrimento são errados, então você deve aderir ao veganismo.

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Em maio de 1942, judeus foram proibidos de ter animais domésticos

 Judeu idoso é interpelado nas ruas de Berlim em 1933. (Foto: Divulgação)

Judeu idoso é interpelado nas ruas de Berlim em 1933. (Foto: Divulgação)

Em maio de 1942, a máquina mortífera de Hitler já havia fixado suas bases e a chamada solução final para os judeus estava, há muito, decidida. Depois que a Conferência de Wannsee, em janeiro de 1942, havia dado o sinal de largada para a matança coletiva, as pessoas começaram a ser estigmatizadas, perseguidas e aterrorizadas.

Victor Klemperer foi um deles. O professor de Literatura foi obrigado a deixar sua cátedra na Universidade de Dresden, mas negou-se a emigrar. Protegido pela mulher não judia, Eva, ele passou dois anos num abrigo para judeus em Dresden.

A casa da família Klemperer havia sido confiscada. Victor conseguiu resgatar apenas algumas peças do mobiliário e o gato Muschel. Entre os anos de 1933 e 1945, ele registrou fielmente, todos os dias, o avanço do terror nazista. Mais de 50 anos depois, seu diário virou best-seller, em forma de cronologia do terror.

Um pouco de normalidade

Em março de 1942, ele havia escrito: “Uma coisa tem que acontecer nos próximos meses. Ou Hitler se afunda, ou nós vamos a pique”. O pouco de normalidade que restou na vida dos Klemperer havia sido o gato. Um animal de estimação, um ser fiel e carinhoso que os ajudava a esquecer as dificuldades do cotidiano, enquanto o cerco nazista aos judeus fechava-se cada vez mais.

Victor chegou a enumerar 31 proibições: rádio, cinema, concertos, museus, andar de ônibus, comprar flores, ir ao cabeleireiro, à estação ferroviária, passear nos jardins dos parques, ter máquinas de escrever, frequentar bibliotecas públicas e restaurantes…

Para fazer suas compras, os judeus dispunham de apenas uma hora, sendo que, por exemplo, não podiam adquirir peixe, café, chocolates e frutas. “Mas estas proibições não são nada diante do constante perigo das batidas em nossas casas, dos maus tratos, da prisão, do campo de concentração e da morte por violência”, registrou Klemperer em seu diário.

Sentença de morte para o gato

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

No dia 15 de maio de 1942, ele anotou: “Está anoitecendo. Encontrei a senhora Ida Kreidl durante as compras e ela me contou do mais recente decreto dos nazistas: a partir de agora, os judeus e quem mora com eles estão proibidos de manter animais domésticos (cães, gatos, pássaros). Os animais também não podem ser dados a terceiros. É a sentença de morte para nosso Muschel, com quem convivemos há 11 anos e que Eva gosta tanto. Amanhã ele será levado ao veterinário, para poupar-lhe a morte coletiva”.

O gato simbolizava a vida para o casal Klemperer, ou melhor, sua sobrevivência. Ambos tiravam do seu prato para darem de comer a Muschel. Seu rabo erguido significava para Klemperer a bandeira da sua causa, pelo fim do martírio dos judeus.

O fim próximo do animal foi um grande choque para o casal. A pior tortura, entre tantas proibições e restrições. “Outra pessoa não entenderia nosso martírio, poderia achar ridículo ou até imoral, se há tanta gente sofrendo…”, anotou Klemperer.

O professor e escritor sobreviveu ao nazismo, falecendo em 1960 em Dresden.

Fonte: DW

Nota da Redação: Infelizmente, a proibição de tutelar animais domésticos não está apenas no passado. Até hoje alguns países possuem hábitos que impedem a relação mais próxima entre homem e animais. É o caso do Irã, por exemplo. Vistos como impuros, segundo a interpretação islâmica local, cachorros e seus tutores têm sofrido com um governo que tenta impedir que pessoas tenham cães em casa. O animal pode ser apreendido e o tutor pode receber uma multa.

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Jornal de Israel admite que notícia de cão condenado à morte era falsa

O jornal israelense ‘Maariv’ pediu desculpas pela publicação de uma notícia (leia aqui) que admitiu ser falsa, a de que um tribunal judaico de Jerusalém havia condenado um cachorro à morte por apedrejamento.

A notícia, publicada pelo jornal na sexta-feira (17), foi depois amplamente divulgada pela imprensa israelense e internacional, inclusive a BBC Brasil.

Na retratação, o jornal citou o responsável pelo tribunal que trata de assuntos financeiros do bairro de Mea Shearim, Yehoshua Levin, dizendo que ‘não há base na lei judaica para abuso de animais’.

O tribunal emitiu um comunicado dizendo que um cão entrou no recinto, mas negou que ele tenha sido condenado.

Protestos

A reportagem original afirmou que o cachorro havia entrado e permanecido por semanas no tribunal, composto por rabinos, o que fez um juiz lembrar de uma maldição imposta a um advogado secular, já morto.

Ainda segundo o artigo, na ocasião, há cerca de 20 anos, os juízes do tribunal do bairro desejaram que o espírito do advogado entrasse no corpo de um cão, animal tido como impuro no judaísmo tradicional, depois que ele proferiu insultos à corte.

A reportagem disse que o animal teria conseguido fugir.

A notícia falsa gerou protestos de associações de defesa dos direitos dos animais.

Fonte: G1

Nota da Redação: Assim como muitos veículos da grande mídia internacional, como AFP, The Telegraph, BBC, TIME, CNN, entre outros, juntamente a outros importantes veículos nacionais como UOL, G1,Terra, IG, BBC Brasil, etc, noticiaram o fato como sendo verdadeiro, retratamo-nos com esta informação e lamentamos que o jornal israelense ‘Maarivtenha produzido uma falsa notícia, perturbando e prejudicando, desta forma, animais humanos e não humanos.

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Holanda deve proibir matança religiosa de animais

Motty Rosenzweig é o único açougueiro kosher remanescente na Holanda e, caso uma nova lei seja aprovada, será o último.

O Parlamento holandês prepara-se para aprovar uma lei que acaba com a isenção para matadouros religiosos das normas que exigem que os animais sejam “atordoados” ou anestesiados antes de serem mortos. Como as regras judaicas e muçulmanas não permitem que os animais estejam inconscientes quando são mortos, na prática a lei baniria as práticas kosher (judaica) e halal (islâmica) de morte de animais. Para Rosenzweig, é o mais recente sinal da crescente intolerância religiosa em um país onde a mentalidade de tolerância vem sendo um valor característico desde o século XVII.

A reportagem é de Matt Steinglass, publicada pelo Financial Times e reproduzida pelo jornal Valor, nesta terça-feira (14).

“O país mudou”, diz Rosenzweig. Seu avô, que também tinha a mesma profissão, morreu no Holocausto, assim como 75% dos judeus da Holanda. “Eles estão nos fazendo sentir que nos querem fora, que querem que deixemos o país.”

Muitos judeus e muçulmanos veem a proibição como parte de uma crescente hostilidade à imigração e à diversidade. Geert Wilders, político holandês da extrema-direita, defendeu que a Holanda proíba a burca, depois de a França ter restringido seu uso público; políticos como o premiê britânico, David Cameron, proclamaram o fim do multiculturalismo; e partidos anti-imigração, como o Finlandeses Verdadeiros, da Finlândia, são cada vez mais bem-sucedidos nas eleições.

Ainda assim, os defensores veem a proibição como uma continuidade da tradição holandesa de liderança em ética progressista. A proposta na Holanda veio do Partido pelos Animais, única legenda do mundo baseada especificamente na defesa dos direitos animais e que tem representantes no Parlamento nacional.

Marianne Thieme, sua jovem e carismática líder, diz que os líderes religiosos contrários à lei tentam frear a história.

“Aqui em nossa sociedade não aceitamos mais que os animais precisem sofrer”, diz Thieme. Grupos religiosos se opuseram com frequência a mudanças sociais progressistas, acrescentou. “Vimos a mesma coisa com os direitos das mulheres.”

Muitos veterinários acreditam que os animais sofrem mais durante a morte se não estiverem “atordoados” e continuam conscientes durante mais tempo enquanto morrem. Um estudo encomendado pelo governo à Universidade de Wageningen cita a Federação de Veterinários da Europa e Temple Grandin, uma especialista americana no assunto, como defensores da ideia.

Grupos judeus e muçulmanos, no entanto, criticaram o estudo universitário e destacam que Grandin defende o aperfeiçoamento das práticas kosher e não a sua proibição. Ela foi coautora de estudo nos anos 90 com outro especialista, Joseph Regenstein, da Universidade Cornell, e concluiu que as mortes de animais, quando bem realizada pelas práticas kosher, podem ser tão misericordiosas como nos mais modernos métodos não religiosos.

Regenstein criticou o estudo da Universidade Wageningen e vem fornecendo evidências para esforços legais da comunidade judaica para vetar a lei.

De fato, os matadouros kosher dizem que suas regras têm como propósito justamente evitar o sofrimento. De seus dez anos de treinamento, Rosenzweig passou os primeiros dois aprendendo a deixar as facas tão afiadas que os animais não deveriam sentir nada quando a garganta é cortada. As facas são retangulares, sem ponta, impedindo o esfaqueamento penetrante.

Os padrões de abate halal variam de forma mais ampla, mas há tentativas de resolver isso. Yusuf Altuntas, que comanda o grupo oficial de contato entre a comunidade muçulmana holandesa e o governo, organizou conferências por toda a Europa para melhorar os padrões halal. Ele diz, porém, que políticos holandeses não tentaram se engajar nesse processo antes de decidir sobre a proibição.

Independente da avaliação científica, a questão é altamente política. A proposta de Thieme foi apoiada pelo Partido da Liberdade, de Wilders, que frequentemente usava valores laicos holandeses, como o apoio aos diretos dos homossexuais, contra os muçulmanos e outras minorias.

O governo, do Partido Liberal, essencialmente laico, decidiu apoiar a lei. O Partido Trabalhista, de oposição, também a apoiou, favorecendo a sua ala defensora dos direitos animais em detrimento de seu significativo eleitorado muçulmano. Ironicamente, os principais opositores são os democrata-cristãos, juntamente com um pequeno partido calvinista, o SGP. Ambos se identificam com grupos religiosos conservadores fora de sintonia com normas laicas.

De certa forma, o conflito aliou judeus e muçulmanos. O Amsterdam Jewish-Moroccan Council organizou protestos contra a nova lei, com imãs e rabinos marchando juntos.

“Compreendo que as emoções estejam lá em cima”, afirmou Thieme, “porque você acha que sua comunidade religiosa está fazendo as coisas da melhor forma possível há milhares de anos, e é doloroso ser confrontado com fatos científicos que mostram de outra forma”.

Para Rosenzweig, o conflito continua desalentador. “As pessoas não estão interessadas em como o abatedor kosher realmente trabalha”, diz. “Eles dizem: a forma como fazemos aqui é a forma boa. E, se você quiser fazê-lo de uma forma ultrapassada e bárbara, volte a seu próprio país.”

Fonte: Instituto Humanitas

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Ativistas fazem manifestação contra tradição judaica envolvendo sacrifício de galinhas

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Um grupo de ativistas pelos direitos animais protestou no dia 12 de setembro em Crown Heights (Nova Iorque) contra o uso de galinhas durante um ritual chamado Kapores. Existe uma instrução oficial de que ao invés de usar uma ave pode-se usar dinheiro que então é dado a caridade.

Kapores é um costume realizado antes do Yom Kippur. Sua função é limpar o praticante de seus pecados, a ave sendo usada como um substituto. O participante diz: “Essa galinha encontrará sua morte, mas eu viverei uma vida longa e pacífica.”

O protesto começou com apenas alguns manifestantes, mas cresceu a medida que os judeus começaram a interagir com eles, discutindo princípios e crenças. No final, havia cerca de 770 manifestantes, já que se trata de uma questão de direitos animais conhecida em lugares com comunidades hebraicas grandes.

Segundo o advogado Lorne Rozovsky, que escreve sobre questões judaicas, “não existe mágica em kapores que transfere os pecados de uma pessoa para a galinha. A proposta dos kapores é inspirar uma pessoa a teshuva, ou seja, se reunir com o senhor. Todos os sacrifícios e galinhas do mundo não resultarão em perdão”, ele escreve no website Chabad.org.

Assista o video do protesto (em inglês):

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Rabino vegetariano diz que a Lei judaica protege animais

Por Giovanna Chinelatto   (da Redação)

Rabino Joshua Hammerman. Foto: sem crédito

Há mais de duas décadas, o rabino Joshua Hammerman é líder espiritual do Templo Beth El, na cidade de Stamford, no estado de Connecticut. Vegetariano e grande amante dos animais ele fala, em entrevista à revista The Jewish Week, que as leis judaicas há muito tempo incorporaram os direitos animais. A Torá, segundo ele, não poderia ser mais explicita quando instrui (Êxodo 23:5) a assistir o animal de nosso inimigo. Nesse versículo, o animal maltratado é um jumento, provavelmente pelo tutor. Com base nessa lei, os rabinos estabeleceram o conceito de “tza’ar ba’ale hayyim“, pedindo-nos que minimizemos o sofrimento de todas as criaturas vivas, literalmente pedindo para “sentirmos sua dor”.

The Jewish Week: Isso pode parecer estranho, mas acho que meu vizinho é cruel com o beagle dele. Eu sei que se estivéssemos falando de uma pessoa, a lei judaica iria me obrigar a ir às autoridades. Mas é um cachorro. Qual minha obrigação aqui?
Rabino Joshua Hammerman:
Você precisa fazer algo a respeito. E não digo isso meramente por ser amante dos animais, vegetariano tutor de dois poodles. Digo isso porque é a coisa certa a fazer. A cultura judaica há muito incorporou os direitos animais.

A Torá não poderia ser mais explícita quando nos instrui (Êxodo 23:5) a assistir o animal de nosso inimigo. Nesse versículo, o animal maltratado é um jumento, provavelmente pelo tutor. Com base nessa lei, os rabinos estabeleceram o conceito de “tza’ar ba’ale hayyim“, pedindo-nos que minimizemos o sofrimento de todas as criaturas vivas, literalmente pedindo para “sentirmos sua dor”.

Os judeus têm um longo histórico de se opor a atividades como caça “esportiva”, rinhas de galo. O Talmude diz que qualquer pessoa que se sente numa arena para assistir a tais “eventos” é responsável pelo derramamento de sangue. Deveríamos nos abster de comer até que nossos animais tenham comido, e não temos permissão para comprar nenhum animal se não tivermos condições de lhe fornecer o devido cuidado e zelo.

Os animais estão protegidos até no Shabat, em que nós somos proibidos de colocar qualquer culpa neles. Um capítulo inteiro do Shulchan Aruch trata disso. Um bom resumo de como os judeus veem os direitos animais pode ser encontrado lá.

O website da ASPCA detalha como determinar se um abuso está realmente ocorrendo e o que você precisa fazer a respeito disso. O Caso Michael Vick sensibilizou todos quanto à necessidade de vigiar abusos de animais, e o primeiro local para fazer isso é na própria vizinhança. A Humane Society dos Estados Unidos tem até um canal telefônico para denúncias de rinhas de cães – apesar de isso não ser muito relevante com um beagle de estimação. Judeus americanos já tiveram um escândalo de direitos animais nas costas, as condições desumanas da fábrica Agriprocessors.

A sociedade ocidental melhorou bastante em sua sensibilidade para com os animais (no reinado de Elizabeth da Inglaterra, por exemplo, rinhas de cães eram quase onipresentes), mas temos ainda um longo caminho a percorrer.

Logo, se suas suspeitas de crueldade têm fundamento, você precisa tomar uma atitude.

O Rabino Joshua Hammerman  possui um blog (em inglês) e Twitter.

Você pode contatá-lo pelo e-mail rabbi@tbe.org

 


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