Jornalismo cultural, Notícias

Jo-Anne McArthur lança documentário sobre a indústria de peles

Desde 2009, a fotojornalista Jo-Anne McArthur expõe a violência que envolve esse mercado (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

O documentário “The Farm in My Backyard”, sobre a realidade da indústria de peles, foi lançado hoje na internet pelo projeto We Animals, comandado pela fotojornalista canadense Jo-Anne McArthur.

Com duração de pouco mais de 15 minutos, o filme mostra os impactos éticos e ambientais da criação de animais silvestres com a finalidade de extrair suas peles e comercializá-las.

Segundo o documentário, é importante que o público saiba que além do mal causado aos animais, a cadeia que envolve a produção de artigos baseados em peles também prejudica os ecossistemas ao interferir no ciclo de vida dos animais silvestres.

“The Farm in My Backyard” tem como mote a realidade da Nova Escócia, no Canadá, onde quem atua no mercado de peles se recusa a migrar para outra atividade. E para piorar, a prática tem o apoio do governo da província.

Desde 2009, a fotojornalista Jo-Anne McArthur expõe a violência que envolve esse mercado, e deixa claro que a melhor forma de desestimulá-lo é não comprando produtos baseados em peles de animais e também se posicionando claramente contra a prática.

Embora vários países e estados estejam banindo a criação de animais com essa finalidade, assim como grifes estão abdicando do uso de peles, a Nova Escócia parece que parou no tempo, segundo o documentário. Por isso o documentário do projeto We Animals tem um caráter de denúncia sobre as vis conveniências humanas.

Saiba Mais

Na Nova Escócia, animais silvestres são engaiolados, mantidos em más condições de higiene (inclusive entre as próprias fezes) e mortos por meio de gás, veneno ou espancamento.

Para assistir ao documentário – clique aqui.

​Read More
Home [Destaque N2], Notícias

Fotógrafa é premiada após registrar abraço emocionante entre gorila e seu salvador

A fotógrafa Jo-Anne McArthur  venceu o prêmio Fotógrafa de Animais Selvagens do Ano do People’s Choice. Ela capturou o abraço entre um gorila da planície e o homem que salvou sua vida.

Foto: Jo-Anne McArthur

 

McArthur registrou a imagem no Camarões, conforme o gorila resgatado – chamado Pikin – era transferido entre santuários de animais.

A fêmea Pikin foi capturada por caçadores para ser vendido como carne de caça, mas, felizmente, o grupo Ape Action Africa a salvou. A caça de primatas é constante no Camarões e os caçadores matam animais selvagens para vender suas carnes no país e no exterior. Bebês macacos ficam órfãos depois que suas mães são assassinadas e morrem na natureza ou são vendidos como animais domésticos.

Pikin estava sendo transferido para um novo recinto em um santuário florestal seguro, mas acordou durante a mudança quando o efeito da sedação parou. Ela acordou nos braços de seu cuidador, Appolinaire Ndohoudou, um homem com quem tinha uma relação especial.

Como Pikin, Appolinaire teve que abandonar sua casa e fugir de Chade devido à guerra civil. Ao reconstruir sua vida no Camarões, seu trabalho de proteger animais selvagens reascendeu sua valorização do mundo natural, informa o Metro.

Jo-Anne capturou o momento em que os dois viajaram juntos – e a foto vencedora foi escolhida pelo público na competição do Natural History Museum. Ela foi selecionada entre 24 imagens escolhidas pela equipe do museu de quase 50 mil inscrições. A imagem será exibida na exposição Fotógrafa de Animais Selvagens do Ano até 28 de Maio.

​Read More
Jornalismo cultural

Jo-Anne McArthur: “Um dia depois que me tornei vegana, me senti como se tivesse me livrado de um peso”

Jo-Anne McArthur: “Posso olhar para um animal nos olhos e reconhecer que não estou o estou explorando de nenhuma forma” (Foto: We Animals)

Talvez você já tenha visto uma ou várias imagens registradas pela fotógrafa e ativista canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals. Muitas das fotos de maior repercussão internacional sobre a realidade dos animais explorados para consumo e usadas por grupos e organizações em defesa dos animais foram tiradas por ela. O seu trabalho à frente do We Animals se pauta em mostrar a privação e o sofrimento dos animais a partir de uma perspectiva sensível e íntima, que busca despertar a identificação do espectador e levá-lo a refletir sobre o papel do ser humano como responsável e cúmplice da crueldade contra seres não humanos.

As imagens de Jo-Anne, que é natural de Ottawa, em Ontário, já foram publicadas na National Geographic, Elle, Canadian Geographic, Days Japan, Helsingin Sanomat, Photolife, The Huffington Post e em muitos outros veículos. Atualmente o seu trabalho registrando a exploração de animais em todo o mundo tem colaborado com mais de cem organizações em defesa dos animais. Um dos diferenciais da canadense está no fato de que ela não apenas registra a violência contra seres vulneráveis, mas traz em suas imagens as histórias de seus personagens não humanos.

Jo-Anne se empenha em captar o estado e o sentimento de cada animal objetificado em situações de privação e degradação. Ela não quer que sejam apenas imagens explícitas e chocantes, mas também ternas, assim lançando luz sobre o invisível, mas renitente vácuo que, por uma questão de distanciamento e hábito, faz com que as pessoas encarem os animais não humanos como objetos ou meios para um fim. Em entrevista publicada pelo Happy Cow em 22 de janeiro de 2014, ela contou como se tornou vegana.

Surgiu uma oportunidade de estágio no Farm Sanctuary, em Nova York, onde Jo-Anne poderia aprender mais sobre os animais e seus direitos. Porém, uma das exigências era de que os estagiários deveriam ser veganos. “Eu pensei: ‘Hum…bem, isso é um pouco extremo, mas farei isso e voltarei a ser vegetariana depois do estágio.’ Para a minha surpresa, um dia depois que me tornei vegana, me senti como se tivesse me livrado de um peso. Me senti eufórica por não prejudicar ninguém, e senti que era o certo a se fazer. Isso foi em 1º de abril de 2003, e não, não voltei a ser vegetariana. O que aprendi com o tempo é que uma dieta à base de plantas não é extrema. Extrema é a morte desnecessária de bilhões de animais por ano, para não mencionar a violação do planeta nesse processo. Estou tão feliz por ser vegana.”

A Gary Smith, do The Thinking Vegan, Jo-Anne McArthur disse em entrevista publicada em 19 de setembro de 2013 que o veganismo permitiu que ela olhasse um animal nos olhos sem sentir-se culpada: “Posso olhar para um animal nos olhos e reconhecer que não estou explorando ele de nenhuma forma, que não sou mais responsável pelo sofrimento de tantos seres sencientes. Veganismo é uma das maneiras mais gentis de navegar neste mundo.”

“Quando as pessoas adotam o veganismo, elas estão boicotando um sistema que precisa acabar” (Foto: We Animals)

Jo-Anne McArthur encara como um privilégio conscientizar as pessoas unindo as suas duas maiores paixões – a fotografia e a preocupação com os animais. Ela defende que é muito importante que as pessoas compartilhem histórias sobre o abuso de animais, para que possamos retirar o véu que vela todas as atrocidades vividas por animais reduzidos a alimentos, produtos e vítimas em experiências laboratoriais.

“Mostrar uma fazenda com cinco mil perus em um galpão é importante, mas é igualmente importante chegar perto e documentar os indivíduos que compõem os cinco mil”, declarou Jo-Anne ao Happy Cow, acrescentando que ao registrar individualmente os animais explorados, isso permite evidenciá-los como indivíduos, sujeitos de uma vida, além de destacar com singularidade o sofrimento e o quão é aberrante tal injustiça. A fotógrafa acredita que só podemos mudar a realidade dos animais se nos importarmos o suficiente em saber o que acontece realmente com eles. “Expor a verdade é a única esperança para os animais. Os animais são como nós – sensíveis, capazes de sentir alegria, medo, curiosidade e todas aquelas coisas ótimas. Então se pudermos mostrar que os animais sofrem como nós, a verdade da crueldade contra animais se tornará cada vez mais urgente. É realmente uma emergência todo esse sofrimento desnecessário. Espero que mais e mais de nós possamos ver isso como realmente é”, ponderou.

Para Jo-Anne McArthur a forma mais vilmente naturalizada e de maior representatividade no que diz respeito à crueldade contra animais neste planeta é a criação industrial de animais para consumo. “Quando as pessoas adotam o veganismo, elas estão boicotando um sistema que precisa acabar, enviando uma forte mensagem aos outros e ajudando a parar essa crueldade contra os animais”, disse em entrevista à T.O.F.U. Magazine em março de 2016.

O principal objetivo de Jo-Anne quando fundou o We Animals era reunir imagens e informações para a publicação de livros sobre a injusta realidade dos animais. Porém, ela percebeu que o seu trabalho ficaria muito limitado se simplesmente cumprisse esse objetivo. “Vejo que uma maneira melhor de compartilhar o meu trabalho e ajudar os animais é colaborando com grupos que precisam de mim e de boa fotografia. […] Sou fotógrafa de profissão e parte de mim quer se concentrar no desenvolvimento desse caminho por meio de métodos convencionais de construção de carreira, mas eu me tornei em primeiro lugar uma ativista, o que significa colocar os animais e os objetivos do WA em primeiro lugar”, revelou à T.O.F.U. Magazine.

A ativista e fotógrafa canadense tem como inspiração a artista plástica vegana Sue Coe, que segundo ela é um exemplo de dedicação. “Seu comportamento também me inspira. Quando passo algum tempo com ela, percebo que é tão espirituosa e não posso deixar de me perguntar como ela consegue ser assim, considerando o trabalho que realiza o dia todo. Me inspira a ser do mesmo jeito”, enfatizou.

“Quando as pessoas adotam o veganismo, elas estão boicotando um sistema que precisa acabar” (Foto: We Animals)

Jo-Anne McArthur relatou à T.O.F.U Magazine que não é fácil testemunhar tantos animais em situação de miséria, explorados para benefício humano. A pior parte do seu trabalho é deixar os animais para trás. Ou seja, documentar as fazendas industriais, zoológicos, laboratórios, lugares que usam animais como entretenimento e não poder resolver a situação deles:

“Isso significa entrar em uma instalação com até 25 mil animais. Tiro suas fotos com a esperança de que o meu trabalho possa influenciar as pessoas, assim reduzindo futuramente o número de animais nesses lugares infernais. Mas tiro as fotos e depois os deixo para trás. Me sinto como se estivesse usando eles, é horrível. Havia um cachorro sendo vendido como comida em um mercado no Vietnã. Ele era adulto e o levavam em uma vara, pendurado de cabeça para baixo, com suas pernas amarradas. Tirei sua foto enquanto ele deitava no chão choramingando. Às vezes, posso ajudá-los, outras vezes não é possível. Como resultado, as feridas são profundas. Quando estou muito mal por causa das coisas que vejo, lembro-me daqueles que não pude ajudar e isso me motiva a continuar.”

Livros como “The Lifelong Activist”, de Hillary Rettig, tem contribuído para que Jo-Anne entenda qual é o melhor caminho para ser uma ativista sem perder o equilíbrio, ou seja, não esmorecer diante de tanta violência desnecessária contra seres não humanos: “Esse ritmo de vida, e a miséria que estou documentando realmente acaba atingindo a minha saúde. Felizmente, tenho uma maravilhosa comunidade de ativistas, amigos e familiares. Quanto a fotografar a miséria, é o que precisa ser feito. É o meu ‘chamado’ expor por meio de fotos esses problemas e a nossa relação com os animais. Então sigo adiante.”

Jo-Anne também disse à T.O.F.U Magazine que uma de suas grandes alegrias é receber cartas e e-mails de grupos e pessoas do mundo todo pedindo autorização para usar suas fotos em trabalhos de conscientização sobre a exploração animal. Em 2013, ela publicou o livro “We Animals” e este ano o livro “Captive”.

We Animals, que é resultado de fotografias registradas ao longo de 15 anos, critica do ponto de vista ético o uso de animais com fins de alimentação, moda, entretenimento e pesquisa, além de mostrar a auspiciosa realidade de animais resgatados e levados para viver em santuários. O objetivo do livro é levar o leitor a entender que todos os seres sencientes devem compor o nosso círculo moral e compassivo.

Já “Captive”, apresenta a realidade de animais confinados e discute o papel dos zoológicos, aquários, centros de conservação, educação e entretenimento. O livro também é baseado em fotografias registradas por mais de dez anos, e propõe uma contundente reflexão sobre a realidade da existência ou inexistência do bem-estar animal em locais que muitas pessoas consideram ideais para criaturas não humanas.

“Meu objetivo sempre foi educar as pessoas sobre como tratar os animais. Para reduzir o seu sofrimento. Para ampliar nosso círculo de compaixão e incluir animais não humanos. Para tornar as indústrias que exploram animais visíveis e responsáveis”, registrou Jo-Anne McArthur em “We Animals”.

​Read More
Notícias

Fotógrafa retrata solidão e tristeza em zoos

A fotógrafa canadense e ativista em defesa dos direitos animais Jo-Anne McArthur não nega que seu novo  livro poderia ser descrito como enviesado. É justamente essa a ideia.

Trio de lobos do Ártico em um zoológico da Alemanha. “Esta imagem levanta a questão se o tédio, a falta de escolha, e a falta de autonomia que os animais experimentam diariamente nos zoos pelo resto de suas vidas pode justificar nosso entretenimento” | Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

As imagens reproduzidas no livro “Captive” foram feitas em zoológicos de cinco continentes, mas não incluem fotos de funcionários dando mamadeira a filhotes de hipopótamos, fazendo ultrassonografias de pandas ou mesmo limpando jaulas. Elas foram feitas desde a perspectiva do público, e, disse McArthur, visam mostrar os animais como “indivíduos”, em oposição a representantes de suas espécies. As fotos são incomuns e às vezes marcantes, mostrando animais solitários justapostos a multidões de humanos que os olham com curiosidade, em meio às paisagens suburbanas e às barreiras que os mantêm cercados.

O livro é declaradamente contrário aos zoos, mas McArthur espera que ele seja visto como contribuição para a discussão pública crescente sobre os animais em cativeiro. Essa discussão ganhou destaque com a repercussão de incidentes envolvendo as orcas do aquário SeaWorld e a morte do gorila Harambe, mas também vem sendo travada na surdina entre administradores de zoológicos.

Urso polar em um zoológico da Letônia: “Este urso vive neste pequeno e estéril espaço. Fiquei chocada pela tentativa de replicar um ambiente frio com a pintura caiada das paredes. E as plantas que crescem no fundo do espaço adicionaram algo real, e patético, ao lugar” | Foto:
Jo-Anne McArthur/The Washington Post

Segue uma entrevista com McArthur sobre seu livro, acompanhada por uma seleção de fotos do livro e das legendas acompanhantes, redigidas pela fotógrafa. Todas as fotos foram feitas em 2016.

A entrevista foi resumida e editada para possibilitar maior clareza.

P: Qual foi sua experiência com zoológicos antes deste projeto?

R: Tenho uma memória da primeira infância de um zoológico no Havaí. Um orangotango estava defecando em sua mão, passando a fezes sobre uma árvore e comendo-as. Todos os turistas estavam rindo, gritando e fazendo fotos. Nossa família também fez fotos. Eu só tinha estado em um ou dois zoos antes disso. As pessoas citam com frequência meu “amor” pelos animais. É verdade, mas apenas em parte. Sempre senti também uma preocupação com os animais. Muitas vezes senti tristeza por eles. Vê-los em exposição me parecia tão incômodo, tão doloroso. As pessoas todas olhando para eles, e eles nos olhando. Sei que não sou a única a me sentir assim.

Evidentemente você hoje não é fã de zoológicos. Houve algum momento de virada em relação a isso?

Não me recordo de um momento de virada. Me lembro apenas de sempre estar do lado dos animais quando era questão de vê-los, conviver com eles e tudo o mais. Me lembro de ter sempre achado que não era justo para os indivíduos mantidos em zoológicos, para os cachorros presos em quintais ou os pássaros presos em gaiolas.

Tigres brancos em um zoológico francês: “Dois tigres olham além de sua jaula para os turistas que passam, e para os guardas do zoológico que distribuem alimentos aos animais em diferentes momentos ao longo do dia.” | Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

Nos zoológicos onde fotografou, você foi para os bastidores ou se conservou do lado dos visitantes?

Já estive nos bastidores. Tenho muitos amigos que trabalham em zoológicos, e ao longo dos anos pude ouvir suas queixas e preocupações. No início dos anos 2000, quando eu ainda era assistente de fotógrafa, um fotógrafo de moda que eu conhecia adorava animais e me convidou para fazer uma sessão de fotos com ele que duraria três dias. O zoo estava alugando os animais para fotos, para ganhar um pouco de dinheiro. Naquela tarde, o animal em questão era uma águia-americana. Nos bastidores havia fileiras e mais fileiras de aves grandes engaioladas. A águia estava presa pelo tornozelo e, sob os holofotes quentes da sessão de fotos, foi obrigada a ficar sentada sobre um pano de fundo branco, sobre uma caveira de vaca, ao lado de uma bota de couro, o artigo que era o objeto da publicidade. A águia estava ofegante e toda hora tentava fugir. Ela voava até o fim de sua corrente e então era puxada de volta e de ponta-cabeça, pendurada da corrente, então endireitada pelo funcionário do zoo e reposicionada sobre a caveira de vaca para ser fotografada. Meus amigos que trabalham em zoos me falavam reservadamente sobre como os incomodam essas coisas que os visitantes desconhecem ou não veem, como os casos em que animais novos são introduzidos, mas o processo dá errado e termina em morte; sobre animais presos em cercas ou fiações, que são encontrados pela manhã; sobre famílias que são separadas repetidas vezes em função de programas de reprodução.

Urso pardo em zoológico alemão: “O urso ficou andando em círculos sem parar, fazendo exatamente as mesmas voltas e movimentos corporais, parando exatamente da mesma maneira neste canto para olhar além das barras, antes de circular novamente. Para mim, a imagem levanta a questão se o preço que os animais como esse urso têm de pagar vale a pena para termos uma distração momentânea e fugaz.” | Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

Como você acha que isso afetou o modo como os zoos são retratados em seu livro?

O livro será criticado por tender em uma só direção. Mas é importante lembrar que os zoológicos são enviesados. Precisamos ter contato com seus aspectos mais tenebrosos, para continuarmos a discussão dos problemas ligados ao cativeiro. As imagens em “Captive” vão animar a discussão sobre os indivíduos presos nesses sistemas. A discussão sobre os zoológicos frequentemente acaba conduzindo aos tópicos dos esforços de conservação e preservação de espécies, às expensas dos indivíduos. Quem está do lado de fora enxerga o esforço de marketing dos zoos. Do lado de dentro, como visitantes, o zoo molda o modo como enxergamos ou deixamos de enxergar os animais. Para isso, tudo é útil –as trilhas bem cuidadas, a música, o entretenimento complementar. Quero que nos lembremos que nós podemos percorrer um zoológico em duas ou três horas e depois voltar para casa, para nossa família, nossos amigos e uma vida de relativa autonomia. Mas os animais do zoológico permanecem lá muito tempo depois que nós nos fomos. Quero tentar mostrar como isso talvez seja para eles.

Urso pardo em zoológico alemão: “O urso ficou andando em círculos sem parar, fazendo exatamente as mesmas voltas e movimentos corporais, parando exatamente da mesma maneira neste canto para olhar além das barras, antes de circular novamente. Para mim, a imagem levanta a questão se o preço que os animais como esse urso têm de pagar vale a pena para termos uma distração momentânea e fugaz.”| Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

Você não valoriza muito os esforços de conservação de animais silvestres feitos pelos zoos. Por quê? Não existe um compromisso com esses programas?

Quero afastar a discussão da muleta da conservação. “Mas e a conservação?” é a resposta sempre dada a qualquer pessoa que queira contestar os muitos problemas éticos enfrentados pelos zoológicos hoje. Os zoológicos vendem muito bem seus esforços de conservação, mas na realidade gastam a maior parte de seu dinheiro com outros projetos.

Os animais em cativeiro vivem entediados, solitários, separados de suas famílias e seus amigos, certo? Mas tudo bem, é em nome da conservação.

Marius, a girafa macho morta e dissecada publicamente por um zoo dinamarquês, foi sacrificada porque era um excedente genético? Tudo bem, é em nome da conservação.

Sim, me contem por favor sobre a conservação bem-sucedida que está acontecendo. Me mostrem os casos bem-sucedidos de reintrodução de gorilas na natureza. De girafas, também. Me falem de conservação de elefantes. Hoje em dia os zoos usam o argumento da conservação para justificar a captura de animais silvestres, incluindo ainda em 2016 elefantes africanos, e para trazê-los para zoos americanos.

Um macaco em um zoológico na Alemanha, em 2016. “Esta imagem está junto da conclusão do livro. Eu gosto dela porque não dá para dizer quem está entregando a vegetação a quem.”
| Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

Você identifica o Zoológico de Detroit como sendo digno de elogios. O que o torna tão diferente? Ele também tem animais em cativeiro.

Sim, e seus responsáveis são os primeiros a admitir que ainda têm um longo caminho a percorrer antes de alcançar suas metas. Incentivo as pessoas a olharem para a reforma de zoológico que está sendo promovida ali. Por exemplo, o zoo transferiu seus elefantes para um santuário em uma região de clima mais quente, porque considerou que mantê-los em Detroit seria eticamente indefensável. A maioria dos zoos não toma uma iniciativa desse tipo, devido à provável perda de receita. Mas o zoo de Detroit a aproveitou como oportunidade para discutir a ética do cativeiro e mostrar que ele quer ser líder na reforma dos zoológicos. Os ursos polares desse zoo foram resgatados e têm espaço suficiente para se esconder do público. Grande atenção é dada aos programas de educação em assistência digna aos animais. O zoo tem um cinema em 4D onde os visitantes podem ver os animais em seus habitats. Este ano ele promoveu um simpósio global sobre bem-estar de animais em zoos e aquários.

Os zoológicos sabem que estão na berlinda, e não de uma maneira positiva. Muitos zoos estão interessados em promover reformas reais, enquanto outros apenas procuram maneiras de mudar as coisas para parecer que estão fazendo reformas. Os zoos não são imutáveis nem inevitáveis e, sob sua forma atual, a maioria é arcaica. Eles precisam evoluir para adequar-se à ética mais compassiva de nosso tempo.

Um jaguar em um zoológico francês. “Esta é outra imagem sobre nós, mais do que sobre o animal no centro da fotografia — um comentário sobre como não conseguimos realmente ver os indivíduos que são presumivelmente centrais para a nossa experiência no zoológico, que é sobre nós, e não sobre eles”. | Foto: Jo-Anne McArthur/The Washington Post

O que você quer que as pessoas tirem de seu livro?

“Captive” é minha contribuição para a discussão em curso sobre a ética de se manter animais em cativeiro. Falta-nos pensamento crítico quando se trata de outras espécies. Nós as encaramos sem vê-las – interações essas que são mostradas frequentemente no livro. Quero que as pessoas que veem esse livro se tornem parte do número crescente de pessoas que estão cobrando responsabilidade dos zoos.

Quero que elas repensem a ideia de visitar zoológicos e procurem em vez disso apoiar esforços que ajudam animais, tais como centros de vida silvestre, santuários de animais e projetos de conservação in-situ. Também podemos aprender muito mais vendo animais filmados em alta definição em seus habitats do que olhando um animal isolado atrás de um vidro sujo.

Fonte: Gazeta do Povo

​Read More
Notícias

Projeto fotográfico inspirador destaca mulheres que lutam pelos direitos animais

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Jo-Anne McArthur

A sociedade inflige uma extrema crueldade aos animais. Porém, é encorajador saber que há pessoas dispostas a defender o que é certo e tornar o mundo um lugar melhor para todos. No que diz respeito à defesa dos animais, há muitos indivíduos inspiradores que trabalham incansavelmente para promover mudanças tangíveis.

Um deles é a aclamada fotojornalista Jo-Anne McArthur. Seu inspirador projeto We Animals e seu livro posterior abordam algumas das mais terríveis indústrias que exploram animais, incluindo a pecuária, instalações que promovem o cativeiro, a criação de animais em fazendas de pele, entre outras. A força e resiliência de McArthur são verdadeiros testamentos para qualquer pessoa envolvida nos direitos animais.

Como uma sequência de We Animals, McArthur juntou-se a Keri Cronin, da Brock University, para criar uma plataforma multimídia que visa “reconhecer e celebrar as mulheres na vanguarda da defesa dos animais, tanto no contexto contemporâneo como histórico”. De acordo com o One Green Planet, a iniciativa chama-se Unbound Project.

Compartilhando histórias

O Unbound Project apresenta uma série de mulheres incríveis que se dedicam aos direitos e liberdade dos animais. Suas histórias são únicas, mas todas compartilham a mesma ambição de emprestar sua voz àqueles seres que sofrem em silêncio.

Foto: Jo-Anne McArthur

Patty Mark, fundadora da organização australiana Animal Liberation Victoria foi destaque no projeto em outubro de 2016.

A libertação animal tem sido vista há muito tempo como algo negativo pela sociedade e muitas vezes é percebida como violenta e destrutiva devido às invasões de ativistas em instalações que abusam de animais.

Patty Mark criou com êxito uma nova forma de libertação conhecida como “resgate aberto ” em que “não há tentativa de esconder ou evitar a detecção. Aqueles que participam de resgates abertos dependem de imagens de vídeo não só para mostrar as condições deploráveis dos animais, mas também a importância de fornecer cuidados imediatos e atenção aos animais negligenciados e escravizados”.

Está se tornando impossível que essas indústrias que perpetuam a crueldade se mantenham escondidas. Mulheres como Mark tiveram um enorme impacto na defesa dos animais e abriram muitas portas para as pessoas conhecerem realidade.

Piia Anttonen administra o Tuulispää Animal Sanctuary, um lar de repouso e abrigo para animais resgatados de fazendas na Finlândia. Ela foi destaque do Unbound em setembro de 2016. Anttonen fundou o santuário em 2012 depois de assistir a um leilão de cavalos local.

Foto: Jo-Anne McArthur

Ela testemunhou a triste realidade de cavalos indesejados que são descartados como lixo quando não são mais considerados úteis por seus responsáveis. Naquele momento, sua percepção sobre animais mudou drasticamente.

Percebendo que havia uma necessidade constante de ajudar “os idosos, os doentes, os abusados e os negligenciados”, Anttonen criou um lugar onde todos os animais podem viver em paz, sem danos e sofrimento.

Desde 2012, ela tem ajudado dezenas de animais em necessidade, incluindo cavalos, vacas, ovelhas, cabras, patos, galinhas, galos, coelhos, porquinhos da índia, cães e gatos. Todos eles vivem em completa harmonia e aproveitam a vida ao máximo. Em 2014, o trabalho altruísta de Anttonen foi recompensado com dois prêmios: o Prêmio Topelius de proteção animal e o Prêmio de Melhor Ação de Proteção Animal.

Anttonen promove o veganismo e tem a esperança de um dia criar um centro educacional no santuário para aumentar a conscientização sobre a realidade dos animais explorados em fazendas.

Promovendo a participação das mulheres na História

Foto: Jo-Anne McArthur

McArthur e Cronin não só reconhecem as mulheres atualmente ativas na defesa dos animais, mas também as que atuaram em outra época. A autora de “Little Women”, Louisa May Alcott é um exemplo.

Alcott escreveu sobre uma situação de compaixão que testemunhou em 1870 e mostra o sofrimento dos animais. Animais explorados em uma fazenda, incluindo ovelhas, estavam em perigo visível em um dia de verão quente, confinados em um vagão estreito. A autora observou enquanto duas crianças deram água e grama fresca aos animais em pânico.

Ela observou que desejava “poder ter dito a essas crianças de coração bondoso o quanto sua compaixão transformou aquele lugar quente e barulhento em um lugar belo”. Histórias como estas servem para chamar a atenção para a ideia de que a compaixão e bondade com todos os animais não são conceitos novos. Em uma sociedade dominada por fazendas industriais em grande escala, a necessidade de maior sensibilização e do ativismo é vital.

O Unbound Project está em constante evolução conforme Jo-Anne McArthur e Keri Cronin entrevistam mulheres que estão na linha de frente dos direitos animais em todo o mundo.

O objetivo do projeto não é apenas compartilhar essas histórias, mas também motivar os leitores a se envolverem na defesa dos animais, “para demonstrar com estes exemplos inspiradores como todos nós podemos fazer a diferença para os animais com quem compartilhamos este planeta”.

​Read More
Artigos

Acendendo uma luz sobre animais invisíveis em um mundo humano

Por Jo-Anne McArthur*

Tradução de Aline Khouri/ Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Jo-Anne McArthur

Há 19 anos, enquanto eu viajava de mochila pelo Equador, passei por uma residência onde alguém tinha amarrado um macaco rhesus a uma janela com uma corda. O macaco era pequeno o suficiente para conseguir se mover para frente e para trás entre as barras de segurança na janela e havia sido treinado para verificar os bolsos de transeuntes e soltar a pilhagem dentro da casa.

Turistas paravam para tirar fotos enquanto o macaco alcançava os bolsos das pessoas. Todo mundo parecia achar isso hilário, exceto eu. Pensei que era humilhante e depreciador para o macaco e para os seres humanos ao seu redor. Certamente havia maneiras de se relacionar com animais como este macaco que eram mais honestas, menos exploradoras e mais informativas do que isso.

Minha interação com o macaco e os humanos rindo dele iniciou minha carreira no fotojornalismo. Desde então, viajei para mais de 50 países, capturando imagens que mostram a maneira como os animais são usados no mundo humano. Documentei as histórias de dezenas de milhares de animais: em zoológicos e em fazendas industriais, em feiras de animais e em fábricas de filhotes, em santuários e circos; assim como imagens daqueles que defendem os animais.

Foto: Jo-Anne McArthur

Eu realmente acredito que quando olhamos para um animal acorrentado a uma janela, não estamos apenas vendo o animal, mas nossa própria moralidade refletida de volta para nós.

Quando mais eu olhava para os animais que os humanos usam, mais eu via como eles eram invisíveis. O casal que passeia com seu husky pelo parque que não percebe os coiotes que foram capturados e esfolados para fazer suas jaquetas de pele. A família que vai a um restaurante de fast-food para comer hambúrgueres que não vê o caminhão de transporte cheio de vacas amedrontadas e paralisadas passar por eles conforme deixam a rodovia. Os pais apontando os leões no recinto do zoológico para o seu filho pequeno que não percebem o significado real das barras e paredes de concreto.

Os animais estão presentes em quase todos os aspectos da vida humana: nossas refeições, nossas roupas, nossas indústrias de entretenimento e, no entanto, vivem no escuro. Às vezes, seu sofrimento está escondido atrás das paredes das fazendas industriais, onde bilhões de animais têm vidas curtas e dolorosas todos os anos. Às vezes, nossa insensibilidade em relação aos animais está escondida à vista: a orca presa em um tanque que pode circular em poucos segundos antes de iniciar o mesmo movimento monótono novamente. Tão frequentemente nós olhamos, mas não enxergamos realmente.

Foto: Jo-Anne McArthur

Durante os anos que passei documentando animais invisíveis, também focalizei minha lente nos indivíduos que trabalham para protegê-los. Estamos vivendo uma nova era de ativismo e as histórias daqueles que estão dando – e arriscando – tudo para defender os animais precisam ser contadas.

Muitos ativistas perceberam o impacto que uma pessoa pode ter quando encontraram um gerente de santuário, um ativista, um advogado e viram a mudança real que apenas uma pessoa poderia conseguir. Conto as histórias de ativistas para destacar sua compaixão e sua coragem e para inspirar outros a se levantarem e fazer suas vozes serem ouvidas.

Foto: Jo-Anne McArthur

Depois da minha experiência no Equador, comecei o We Animals, um projeto fotográfico que documenta nossas relações com animais. Queria que o projeto ajudasse as pessoas a ver o que eu tinha visto naquele dia: não um ato divertido, mas a corda em torno do tornozelo do macaco.

Quero que meu trabalho seja usado para iniciar diálogos e promover uma mudança. É por isso que lancei o We Animals Archive como um recurso para defensores de animais e jornalistas em todo o mundo: para combater a invisibilidade das milhões de criaturas com quem partilhamos este planeta, na esperança de que um dia mudemos, que não só olhemos, mas também que percebamos verdadeiramente os animais e tomemos decisões mais compassivas em nome deles.

* Jo-Anne McArthur é fotojornalista, autora, educadora e ativista pelos direitos animais.
* Originalmente publicado no Huffington Post.

​Read More
Notícias

Fotojornalista cria projeto para celebrar mulheres que lutam pelos direitos animais

Foto: Reprodução/Unbound Project

O Unbound Projet é um projeto de livro e multimídia da aclamada fotojornalista Jo-Anne McArthur (criadora da série fotográfica “We Animals” e do documentário “The Ghosts in Our Machine”) e Keri Cronin (do Departamento de Artes Visuais d Brock University). Seu objetivo é reconhecer e celebrar as mulheres na vanguarda da defesa animal, em um contexto contemporâneo e histórico. O projeto vai evoluir ao longo de alguns anos, conforme as responsáveis pelo projeto conversam, fotografam e entrevistam mulheres no mundo todo.

Além de honrar as muitas mulheres que lutaram pelos animais, o projeto visa inspirar o público a “fazer o que puder para tornar o mundo um lugar mais gentil, mais suave para todas as espécies. Muitas vezes as pessoas acreditam que não têm tempo, dinheiro ou experiência suficientes para se envolverem na defesa dos animais. Muitos de nós também entendem mal o que significa ser um “ativista”. Unbound tem como objetivo desafiar essas noções e demonstrar através desses exemplos inspiradores como todos nós podemos fazer a diferença para os animais com quem compartilhamos este planeta.”

O site do projeto disponibiliza as histórias de dezenas de mulheres de épocas passadas cujos esforços em nome dos animais são em grande parte esquecidos hoje.

Também é possível indicar mulheres para o projeto através do site. Para isso, basta citar seu nome e e-mail, bem como o nome e e-mail da indicada e os motivos pelos quais você acredita que ela merece ser destacada pelo projeto. As candidatas podem ser de qualquer período de tempo, idade, país e trabalhar em diversas áreas (por exemplo, membros de organizações, cientistas, jornalistas, artistas, advogados, estudantes etc.)

Fonte: Veggie & Tal

​Read More
Home [Destaque N2], Notícias

Fotos tocantes revelam angústia de animais aprisionados para entretenimento

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto; Jo-Anne McArthur / Born Free Foundation

A fotojornalista Jo-Anne McArthur compreende o poder de uma imagem. Por mais de uma década, ela tem lutado para aumentar a conscientização sobre a situação dos animais em cativeiro, usando sua câmera para capturar fotos poderosas que revelam o quão triste a vida desses seres vivos é.

Zoos e aquários, que são muitas vezes considerados como lugares onde os seres humanos podem aprender sobre os animais, não são locais felizes.

Nessas instalações, os animais são obrigados a suportar climas inadequados em recintos que são uma péssima substituição do que desfrutariam na natureza ou em um santuário. Muitas vezes, eles mostram sinais de uma condição mental conhecida como zoochosis.

McArthur também é autora de “We Animals”, um livro que “investiga animais no ambiente humano: se eles são usados para alimentos, moda e entretenimento ou pesquisas ou se têm sido resgatados para passar os seus anos restantes em santuários” por meio de fotografias impressionantes.

Em 2016, o livro de McArther, “Captive”, que pretende lançar luz sobre como seres humanos não conseguem ver a dor dos animais em zoológicos e aquários, foi totalmente financiado pelo Indiegogo e está programado para ser lançado no final deste ano.
Para acompanhar o lançamento, McArther divulgou o “A Year of Captivity”, um projeto de mídia social que completa “Captive”.

Esta campanha de mídia social dirigida por imagens, que pode ser encontrada no Facebook e no Instagram, visa promover o livro enquanto aumenta a sensibilidade do público em relação a animais cativos, mostrando fotos de animais em zoos e aquários em todo o mundo.

Estas são algumas das imagens notáveis que têm sido compartilhadas em plataformas sociais. Um urso pardo da Croácia pressiona-se contra as barras de uma jaula pequena, de concreto, extremamente angustiado. Muitos animais em zoológicos têm pouco ou nenhum enriquecimento. Imagine passar sua vida em um recinto minúsculo com nada para ocupar sua mente.

Foto: Jo-Anne McArthur / Born Free Foundation

Enquanto um leão confinado grita de frustração, um turista tira uma foto, inconsciente de como estes animais sofrem.

Foto; Jo-Anne McArthur / Born Free Foundation

De acordo com o “A Year of Captivity”, “este foi o quarto bebê de uma elefanta que rejeitou todos os seus filhotes”. Infelizmente, os quatro bebês elefantes faleceram como resultado da rejeição pela mãe. Mortes e doenças são muito comuns em populações de elefantes em cativeiro.

Foto: Jo-Anne McArthur / Born Free Foundation

Durante todos os dias de 2017, o “A Year of Captivity” irá divulgar fotos para mostrar como esses animais merecem ser livres, segundo o One Green Planet.

Por meio de suas fotos, como esta de flamingos mantidos em cativeiro justapostos contra um fundo de um ambiente exuberante, McArthur destaca o quão inconscientes somos a respeito da diferença entre o cativeiro e a vida na natureza.

Foto: Jo-Anne McArthur / Born Free Foundation

O primeiro passo para acabar com a cruel prática de manter os animais em cativeiro é a educação. Usando imagens poderosas, McArthur procura confrontar os seres humanos com o lado infeliz e desolador do cativeiro. Para acompanhar a campanha, siga o Facebook e Instagram.

​Read More
Notícias

Fotógrafa expõe realidade desoladora de animais mantidos em cativeiro para entretenimento

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Jo-Anne McArthur
Jo-Anne McArthur

Por mais de 10 anos, a premiada fotojornalista canadense, Jo-Anne McArthur, usou suas fotografias e palavras para incentivar pessoas de todas as idades e regiões a olhar para animais em cativeiro de uma forma completamente nova. Com histórias trágicas como a de Harambe, o gorila que foi baleado no Zoológico de Cincinnati, grande parte da sociedade já começou a repensar e criticar eticamente a prática de manter animais em cativeiro para o nosso entretenimento.

O problema é que, como acontece com muitas questões na sociedade, a menos que essa exploração ocorra na nossa frente ou que tenhamos mais informações sobre a crueldade e a tristeza nessa indústria, parece mais fácil deixar que isso caia no esquecimento e fique fora de nossas mentes. Porém, Jo-Anne McArthur trabalha para impedir que isso aconteça.

Jo-Anne McArthur
Jo-Anne McArthur

Em parceria com a Born Free Foundation, McArthur visitou vários zoológicos e aquários da Europa e documentou a situação dos animais em cativeiro nesses locais. Com imagens poderosas e ensaios textuais, ela criou o livro  “Captive”, que visa conscientizar as pessoas sobre a situação dos animais em cativeiro em todo o mundo.

A fotógrafa compartilhou algumas das imagens angustiantes que observou. A maioria destes animais confinados vive em um mundo  e repleto de angústia e solidão.

Jo-Anne McArthur
Jo-Anne McArthur

McArthur viu animais que normalmente viajam em rebanhos, como elefantes, sujeitos a um pequeno quarto com nenhuma interação com outro ser. Ela observou animais que deveriam percorrer grandes distâncias na natureza forçados a se agitar pateticamente em recintos inadequados e estreitos.

Enquanto algumas pessoas tentam argumentar que zoológicos são “educacionais”, a obra de McArthur rapidamente revela que esta não é a norma em todos os lugares. Alguns zoológicos nem sequer se esforçam para encobrir a essência do que eles realmente são: prisões.

Ela também fez questão de expor o papel que os humanos possuem ao interagir com os animais, documentando como os visitantes de zoológicos e aquários podem não perceber a tristeza dessa situação.

Jo-Anne McArthur
Jo-Anne McArthur

Suas imagens destacam a crueldade que é usar uma jaula ou uma janela de vidro para separar o espectador de um prisioneiro. Ao capturar os momentos em que as pessoas são justapostas com animais em cativeiro, ela é capaz de ilustrar a injustiça absoluta do confinamento.

Uma imagem capta perfeitamente a ironia da nossa sociedade. Por exemplo, os parques marinhos usam adereços festivos, como balões, quando os animais estão miseráveis.

Jo-Anne McArthur
Jo-Anne McArthur

A fotógrafa incentiva as pessoas a repensarem seus comportamentos e analisarem criticamente zoológicos e instalações semelhantes.

“Estamos em um momento importante na história agora. Mais do que nunca, as pessoas têm pensado sobre a ética de manter animais em cativeiro para o nosso entretenimento. Esta reflexão irá estimular uma nova era, na qual (re) consideramos nosso relacionamento com outros animais. ‘Captive’ pretende ser uma parte dessas importantes discussões”, disse McArthur.

​Read More
Notícias

Curta-metragem revela a cruel realidade de matadouros na Tanzânia

(da Redação)

A fotojornalista Jo-Anne McArthur e a cineasta Kelly Guerin estão trabalhando em um projeto para tornar acessível algumas das imagens mais horríveis do planeta Terra: As histórias de animais nos matadouros. Imagens perturbadoras de crueldade que McArthur encontrou ao redor do mundo, segundo ela: “Histórias que ninguém quer ver”. As informações são do The Dodo.

Foto: Jo-Anne Mcarthur.
Foto: Jo-Anne Mcarthur.

Em 2011, McArthur visitou um matadouro na Tanzânia, e deu testemunhos de destinos trágicos. Em sua viagem capturou fotos das condições deploráveis às quais animais são mantidos e revelou as formas como são tratados, seja para alimentação, vestuário ou testes científicos. As filmagens foram divulgadas em 2013 em um documentário de Liz Marshall chamado The Ghosts in Our Machine.

O curta de McArthur, intitulado como The Slaughterhouse (O matadouro) e seu livro We Animals (Nós Animais), mostram um olhar diferenciado sobre os animais, através de ferramentas simples e poderosas para criar uma conexão entre o espectador e o animal. A fotógrafa tenta evitar a ideia de apresentar que todos os seres humanos são maus assim como o uso de argumentos moralistas.

“Isso é como esse tipo de filmagem vil se costuma fazer, de forma a apontar o dedo”, disse McArthur durante uma entrevista por telefone após o lançamento do vídeo. Isso não deve soar como uma condenação. “Tentamos dar um tom diferenciado”, diz ela.

A Tanzânia não é a única vilã da história, ela testemunhou semelhanças ao redor de todo o globo. “Esses trabalhos são normalmente tomados por aqueles que não têm outras opções”, continuou ela. “Na Índia, somente a casta mais baixa trabalha com estes assassinatos. Se eu estou na América do Norte, Europa ou África, ninguém quer esse tipo de trabalho, mas não consegue encontrar qualquer outra coisa, estão trabalhando ilegalmente ou precisam de dinheiro. Eles são trabalhos de alto risco. Não é bom para os animais, não é bom para os seres humanos”, complementa.

É certamente difícil para qualquer um lidar com essa difícil tarefa, documentar os instantes finais de quem está vivendo os últimos momentos da sua vida, e depois, aprender a lidar com toda essa informação. “Quando o instinto e todas as fibras de sua alma lhe dizem para salvar uma vida e você não pode, isso muda você”, narra no filme a diretora, e acrescenta: “Para se conectar com alguém a caminho da morte e não poder atender o apelo em seus olhos, seus lamentos, isso acaba com você.”

Assista algums imagens do curta abaixo:

​Read More