Jornalismo poético

“O maior direito de tudo que vive é o direito à vida”, concluíram dois frades que estudaram a Bíblia minuciosamente

Natal é um bom momento para falar de amor ao próximo sendo o “próximo” todo e qualquer ser vivo. Mas será que a Bíblia prega isso? Jesus teria sido vegetariano?

O maior direito de todo ser vivo é o direito à própria vida. Foto Pexels/Pixabay

“Um dia, quem sabe, nos curemos da miopia profunda que nos impede de enxergar que, por trás de um bife morava uma alma sensitiva, um ser vivente cuja vida lhe pertencia e a sua apropriação e morte não podem ser banalizadas”, comentam os frades gaúchos capuchinhos Gilmar Zampieri e Luiz Carlos Susin, autores do livro “A vida dos outros – Ética e Teologia da Libertação Animal” (de 2015).

“Lá onde o outro é maltratado, silenciado, recalcado, banido e morto a ética está ausente. Mas lá onde meu interesse leva em conta o interesse do outro passa-se para um estágio ético”, continuam.

E o interesse do outro, segundo eles, é simples e óbvio: não ser explorado e desfrutar da vida. Viver é um interesse comum, universal e presente em toda e qualquer espécie animal.

Os frades (que pertencem a uma ordem da igreja católica cujo fundador é São Francisco de Assis) declaram: “Há, de fato, um holocausto diário, uma guerra permanente, uma carnificina sem precedentes, e não nos damos conta, não queremos nos dar conta, nem ao menos queremos pensar no assunto, justificamos, por antecipação, como sendo inevitável, normal, moralmente aceitável. Mas uma nova causa está sendo anunciada por visionários e profetas, para a qual nós, teólogos, ainda fazemos vistas grossas. A causa da libertação animal!”.

Cobaias na experimentação científica e tantos outros abusos tornam a vida na Terra um terror para os animais. Foto Pezibear/Pixabay

Eles estudaram minuciosamente a Bíblia e vários filósofos e religiosos contra e a favor da libertação animal. Alguns discursaram a respeito de todas as espécies animais estarem na Terra para “servirem ao homem”. O frade católico Tomás de Aquino, por exemplo, divulgou sua postura antropocêntrica dizendo que: “Não há como pecar contra um animal. Peca-se contra Deus e contra outros homens.  O mandamento não matarás não vale para os animais”.

Os frades contestam: “Milhões de anos antes dos homens habitarem a Terra outros animais já estavam aqui. Foram milhões de anos de inutilidade ou apenas de preparação para o aparecimento do ser humano?”.

Os cinco campos de concentração

Os religiosos apontam cinco “campos de concentração” nos quais os animais estão inseridos: estimação, entretenimento, instrumentos de pesquisa, utensílio e alimentação. “Em todos existe uma relação de propriedade. Mesmo os animais domésticos estão sujeitos ao sofrimento. De todos os campos de concentração, talvez esse seja o menos cruel, mas não está isento das maldades humanas”.

Nem mesmo os animais domésticos estão a salvo da maldade humana. Foto Ian Kevan/Pixabay

No campo do entretenimento estão os animais de circo, zoológicos, touradas, rodeios, farra do boi e outros onde o sofrimento está presente em mutilações, privações e maus-tratos diversos. E tem ainda os animais usados como cobaias em testes e pesquisas, os transformados em sapato, casaco ou bolsa e, finalmente, o maior campo de concentração que é a indústria alimentícia.

“Por ano, 50 bilhões de animais são mortos para consumo. Isso significa 140 milhões de animais mortos a cada dia, 5 milhões a cada hora, 90 mil a cada minuto e 1.500 a cada segundo. Não queremos e não nos esforçamos para associar a parte, a peça que estamos comprando a um ser vivo que matamos e esquartejamos”.

Animais usados no entretenimento são grandes vítimas dos humanos. Foto Wolfgang Claussen/Pixabay

“Além disso”, prosseguem os frades, “tem os ovos”: “Milhões de galinhas poedeiras ficam amontoadas em gaiolas de metal. O piso de arame inclinado para facilitar o recolhimento dos ovos impede que elas fiquem confortavelmente em pé. Os pintinhos machos são mortos no mesmo dia que nascem. São jogados vivos em enormes latas de lixo. Os que ficam no fundo vão morrendo sufocados ou esmagados pelos de cima. Também são triturados vivos para servirem de alimento para suas mães ou irmãs”.

“Dá para imaginar o sofrimento não só dos bezerros, mas da mãe que se vê privada dos filhos logo que nascem, quando seu instinto materno é o de cuidar de suas crias? Ela fica dias e dias mugindo, inconsolada pela ausência do filhote. E talvez não haja nada mais imoral na relação do humano com os animais não humanos, do que a forma como são tratados os bezerros mantidos sem afeto da mãe e leite materno, além de quase total ausência de movimentos em minúsculas baias”, explicam os frades como se consegue que a carne de vitela, desprovida de músculos e cartilagem, fique macia e rosada.

Bezerros separados das mães. Porcos também. Não existe animal que não seja explorado pelo homem. Foto Kadres/Pixabay

“Os porcos não ficam atrás. Os leitões mamariam três meses, mas são desmamados em uma semana e separados de suas mães”. Nas longas e estressantes viagens até os matadouros são comuns contusões, enjoos, fraturas, hemorragias e morte de bois e outros animais. Existe ainda a “febre do transporte” provocada pelo desgaste físico, falta de comida e bebida até o matadouro.

Jesus foi vegetariano?

Para os dois religiosos a resposta mais provável é “não”: “Ele comia peixe e celebrou a Páscoa com carne de carneiro. Isso porque ele viveu como um judeu de seu tempo. Vale lembrar que a Páscoa já era comemorada pelos judeus antes de Jesus e, nessa ocasião, normalmente, comia-se cordeiro”. Segundo os frades “não se podia imaginar a indústria da carne e como seria a reação de Jesus diante disso, mas a Bíblia é perpassada pela intuição e pela indicação de que o melhor é ir se afastando do hábito de comer carne”.

Os frades explicam que Jesus teve de viver como um homem de seu tempo. Foto Ulrike Leone/Pixabay

E acrescentam: “A produção industrial da carne é ineficaz na produção de alimento na medida em que os animais para consumo se alimentam de grãos e outros alimentos que poderíamos comer diretamente. Por que ao invés de criarmos uma superpopulação de gado sob condições infernais não comemos diariamente os grãos destinados a eles – que podem chegar a 70% do grão produzido como no caso do milho e soja? Diminuiria os desmatamentos, desertificação e aquecimento global. E com alimentação mais saudável”

“Pode-se inventar e espalhar felicidade, que é o que todos querem. Os animais inclusive”, finalizam.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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Destaques, Notícias

O paradoxo natalino e a compaixão de Jesus

| Reprodução Facebook / Espiritualidade dos Animais
O nascimento de Jesus, celebrado no Natal, teria ocorrido entre os animais segundo a Bília | Foto: Reprodução Facebook / Espiritualidade dos Animais

Mesa farta, muita comida, presentes, família e celebração. São estas imagens que nos vem à mente quando ouvimos a palavra “Natal”. Imagens estas, amplamente exploradas pelo meio publicitário e repetidas à exaustão em veículos midiáticos, geralmente com os “pratos tradicionais” em lugares de destaque à mesa, ao redor da qual toda a família se reúne.

Esses pratos tão aguardados nada mais são do que cadáveres de porcos, aves, vacas e bois, vitimados pela doutrinação comercial a que somos submetidos desde cedo, assim como nossos pais, avós e inúmeras gerações antes dessas, tanto em nossa, como em tantas outras famílias.

Festa de origem religiosa, o Natal é comemorado no Brasil em 25 de dezembro, já em outras partes e culturas pelo mundo é celebrado em datas e de formas diferentes. Ou sequer é comemorado.

Embora não haja consenso ou evidências comprovadas sobre a data correta do nascimento de Jesus, o Natal é uma data estipulada para comemorar seu nascimento. Segundo a Bíblia, Jesus, o filho de Deus, teria vindo ao mundo para redenção dos pecados da humanidade e teve como missão servir de exemplo, ensinando a todos o perdão e o amor sublime e incondicional.

Ainda de acordo com a Bíblia, Jesus teria vindo ao mundo em um estábulo, local onde Maria, sua mãe, teria dado à luz e onde viviam os animais, por este motivo ele estava cercado por eles ao nascer.

De ponto de vista pragmático e segundo a análise do discurso literal, podemos observar que a escolha não teria sido ao acaso. Celebrado como rei e salvador, segundo o livro que deu conhecimento de sua existência ao mundo, o primeiro exemplo de amor de Jesus começa no lugar ele nasceu: entre os animais.

Com um discurso permeado pela compaixão extrema, onde a humildade, o perdão, a igualdade, e acima de tudo o amor, são as bases de sustentação, o paradoxo mais cruel – e que salta ao olhos – é exatamente o fato da festa para “comemoração” de seu nascimento seja celebrada com morte e especismo servidos a mesa em quantidades generosas.

Hipocrisia e comodismo levam a humanidade a ignorar ano após ano, a decadência do planeta e o desrespeito aos animais. Especismo conveniente e lucros volumosos são usados para justificar o assassinato desses seres considerados matéria prima para indústria de alimentos, indignos de direitos ou de compaixão e que são mortos das formas mais cruéis imagináveis (espancamento, hemorragia).

Se a morte fosse o pior talvez não fosse tão incômodo tocar no assunto, mas esses animais são criados de maneiras desumanas, em cubículos apertados onde mal podem se mexer, convivendo com seus próprios excrementos, reproduzidos forçadamente de forma sistemática e comercial, abusados, explorados e em sofrimento eles aguardam a morte para só então se libertar.

Sim, eles sentem. Documentado e corroborado pela ciência, a capacidade de sentir, amar e se relacionar de forma inteligente entre si e com os homens já é de conhecimento público. Há anos.

Durante todo o tempo em que são submetidos a essas condições sórdidas e finalmente mortos de forma cruel, eles sentem tudo pelo que passam. Dor, frio, solidão, tristeza. As mães vacas, porcas ou galinhas são tão mães como qualquer uma de nós mulheres e seus filhos lhes são arrancados covardemente sem que muitas vezes possam chorar sua perda ou antes mesmo que possam sentir seu cheiro.

Porcos, machos ou fêmeas, gritam pavorosamente antes de terem suas gargantas rasgadas com facas manipuladas por executores alienados, escravos de um sistema sustentado pela ambição e movimentado pelo lucro.

Perus, aves que infelizmente são muito requisitadas nesta época de festas de final de ano, são drogados com álcool na véspera ao ato “para deixar a carne mole” antes de terem seus pescoços quebrados e perfurados em um ritual macabro, em que o assassinato é feito introduzindo uma faca de dois gumes pela garganta do animal, assim cortando as artérias e as veias do pescoço.

Sem falar nos “super-frangos”, aves modificadas geneticamente que tem seu desenvolvimento natural alterado pela ingestão de hormônios para se tornarem maiores e serem comercializadas a um custo mais alto. Essa alimentação não natural causa desconforto e dor ao animal.

Além de um paradoxo triste é no mínimo revoltante que Jesus, cujo exemplo de valores e conduta tenha inspirado a tantas pessoas no mundo todo, religiosas ou não, tenha a celebração de seu nascimento feita às custas de sangue, tortura e morte.

Encerro com as últimas palavras do Mestre, num exemplo máximo de compaixão e bondade, possam elas inspirar a humanidade neste e nos Natais vindouros: “Perdoai-os Senhor, eles não sabem o que fazem”.

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Notícias

Cão é encontrado no colo de uma imagem de Jesus em Águas de Santa Bárbara (SP)

Cão estava no colo da imagem de Cristo, na igreja da cidade. (Divulgação).
Cão estava no colo da imagem de Cristo, na igreja da cidade. (Divulgação).

Um cão foi encontrado no colo de uma imagem de Jesus, domingo (06), na igreja matriz da cidade de Águas de Santa Bárbara, chamando a atenção do monsenhor Edmilson José Zanin.

Depois da publicação, o cão havia sumido e depois de alguns dias apareceu na porta da igreja. Algumas pessoas estariam interessadas em adotar esse cão que pela forma inusitada que foi encontrado nos braços de Jesus virou sensação na cidade.

“Quando fui celebrar a missa das 19h30 na nossa Igreja Matriz de Águas de Santa Bárbara, encontrei debaixo do altar mór essa cachorrinha toda folgosa deitada sobre a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficou a Missa inteira ali dormindo. Parecia protegida e segura junto de Jesus”, comentou o padre em sua página da rede social.

Zanin ainda aproveitou para fazer uma reflexão sobre o caso: “Aí pensei: porque nós também não nos entregamos a Jesus com a certeza de que junto Dele estaremos sempre seguros e protegidos? Quantas lições os animais nos dão. Até chorei na hora da consagração quando me ajoelhei e vi ali debaixo essa cachorrinha mais fofa. Fica aí o sinal de Deus para nossa reflexão”, comentou.

Fonte: Agência 14 News

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Cronicato – Animais e Outros Bichos

A vitória do "V"

Em 2004, movido por uma vontade de expressar coisas que via no dia a dia, resolvi criar o Cronicato. Tive apoio de colegas da agência em que trabalhava na época, a Base3, de Campinas: o Marcelo Dellova, o José Roberto Mader, entre outros. Eu falava sobre o trânsito, futebol, a vizinha barulhenta… Eram crônicas puras; às vezes contos. Por isso “Cronicato” = ato de cronicar, invenção da minha cabeça. Aos poucos fui derivando para assuntos mais aderentes ao meu gosto por coisas etéreas, místicas, espiritualistas, até que, quando notei, escrevia quase sempre sobre animais e natureza: andorinhas, cães, gatos, porcos, abelhas, rios, chuva… A linguagem era a infantil, o olhar da criança sobre o mundo; estilo que eu procuro manter até hoje. Porém, falar de animais sendo onívoro era algo que me atiçava o pensamento, ao ponto de ver com certa hipocrisia o que falava no blog e meu estilo de alimentação e de vida, mesmo. Foi aí que, em dezembro de 2010, tornei-me vegetariano. Abri mão completamente de toda carne (até peixe! rs) e seus derivados, como embutidos, salsicha, etc. Foi uma alegria, admito para você. Minha saúde sentiu, minha disposição também sentiu, e, para minha consciência, foi um alívio! Agora com uma dieta já adaptada, sigo em frente e, a partir da virada do ano, nada mais de ovos, leite, queijo e derivados, incluindo couro, lã, seda e os produtos testados em animais. Ou seja, estarei 100% fora dos trilhos que carregam o sofrimento animal adiante. Estou contente e muito otimista. Meu texto trará toda a verdade que carrego em meu coração, quando falo do amor que sinto por nossos irmãos mais novos. Meu intuito sempre foi o de inspirar as pessoas e levar até elas textos suaves, com mensagens de paz, de alegria, de ingenuidade e esperança… Agora espero influenciar a todos os leitores a buscar um estilo de vida mais saudável e consciente e que traga, na prática, as mensagens deixadas por Jesus, na máxima que fundamenta todo o comportamento humano, seja ele cristão ou não: ame ao próximo e faça ao outro apenas o que gostaria que fizessem a você.

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Vanguarda Abolicionista

O que fazer com os peixes? ou 'Cusparadas & assuntos-tabu'

farra do peixe
(Foto: Marcio de Almeida Bueno)

“Mantêm você dopado com religião, sexo e TV / E você se acha tão inteligente, incomum e livre”
(John Lennon, em ‘Working Class Hero’)

Quando se diz ‘Semana da Pátria’, são dias para homenagear e bater palmas à Pátria, quando é ‘Semana Santa’, significa uma sequência de dias sagrados para os católicos etc. Ou seja, a favor do assunto em questão. Mas quando o Governo Federal promoveu em setembro último a Semana do Peixe, era o contrário. Incentivo ao consumo de ‘pescado’, naquela conversa de vida saudável – termo que abrange de tudo, até ideias opostas.

Mas o ponto é que o peixe – citado aqui para fins de clareza e economia de espaço, já que o material oficial da campanha do Ministério da Pesca incluía camarão, siri e outros ‘frutos do mar’ – ganhou o carimbo de comidinha leve, saudável e não-carne. Já é piada corrente a frase ‘não como carne, só peixe’, ou os autointitulados vegetarianos, por só comerem… aquele animal que vocês já sabem. Peixe não tem sangue, peixe tem sangue frio, peixe não sente dor, peixe tem consciência coletiva, peixe é burro, Jesus comia peixe – todas essas frases-clone são xerocadas de boca em boca, babadas, e entraram na gaveta do senso comum. Quem não der essa resposta na hora da prova, valendo nota, ganha zero da sociedade.

Na obrigação de sempre compartimentar o universo, a humanidade divide os animais entre úteis e nocivos, comestíveis ou não, alvos de amor ou tiro. Essa contabilidade vem desde a Bíblia. Em Levítico, 11, há o trecho “… de todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis. Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação. Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver… Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra, para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer”.

O estalo do chicote que chegou até aqui, a fazer doer a bunda dos defensores dos direitos animais, é que temos que lidar com pessoas, ditas esclarecidas, que não comem carne, só peixe. Que jejuam na Sexta-feira Santa, comendo só peixe. Jesus comia peixe. Que se tornaram vegetarianas por consciência, então agora só comem peixe. Que estão preocupadas com questões de ecologia anal, então optaram por comer só peixe. Que já refletiram sobre a – própria – saúde à mesa, então só trituram ‘pescado’ em seus dentes não-carnívoros.

E mesmo entre os que estão na causa animal, poucos pensam na morte dos peixes, a sério. Não a morte como estatística, como violência gráfica, mas o instante da morte. O momento de empacotar para sempre. Pois teoricamente, e bota boa vontade minha nisso, os demais animais para consumo têm um fiapo de consideração legal em relação ao instante da morte – esta situação que está além de nossa vontade, infelizmente. Aviso aos(às) chatos(as) que só conseguem chegar ao orgasmo quando apontam para alguém e gritam ‘Joga pedra na Geni! Ela é bem-estarista! Ela é boa de cuspir!’, que permaneço a salvo de suas cusparadas amargas.

Quando a WSPA – cusp! cusp! – fala de abate humanitário de peixes, é claro que nenhum abolicionista permanece quieto na cadeira. Óbvio, e não precisamos discutir isso, combinado? Combinado. O ponto que levanto é que a maioria das pessoas, essa gente aí fora, mandando mensagem via celular e subserviente por opção – dá risada. Sonoras risadas. Peixes? Ahahahahhaha. E ainda cutuca o cidadão ao lado, para rir também.

Ou seja, os peixes estão entre as ondas e os rochedos, para usar uma metáfora apropriadamente clichê. Nem se pode discutir sua morte – inevitável, já que o mundo não será vegano a partir da semana que vem, infelizmente – nem se pode discutir sua morte. Percebem o paradoxo? Não se pode discutir a morte de peixes, e também não se pode discutir a morte de peixes. Não, eu não escrevi errado, é isso mesmo. Sutil, mas o tabu é esse.

O cidadão médio repassa aos conhecidos aquele clássico email do festival da matança de baleias na Dinamarca, acho que o assunto é ‘Fw: Vergonha Mundial!!! Repassem! Joguem pedra na Geni!!!’. Poucos fazem o hiperlink com a sangueira que foi gênesis de sua refeição. Incluindo o tal peixinho grelhado, recomendado pelos cardiologistas.

Sim, eu sei que baleia não é peixe, nem morcego é inseto, como pensa o Calvin.

Lembrei também de uma recente ‘pescaria de protesto pró-Xingu’ – novamente a ecologia mostrando a língua para os direitos animais. A caça de peixes como algo lúdico, puro, natural, Robinson Crusoé etc. Quero dizer que o especismo vai se enraizando em todas as invaginações do sistema, ao ponto de fazer crer às multidões que peixe ‘não é carne’. E nem mesmo tudo que está na água é comida – não por nojo, mas por peninha. Como quebrar essa muralha que parece crescer junto com o aumento populacional? Como resolver essa equação de saber que os peixes seguirão sendo mortos por asfixia para o consumo humano, mas sem perder o tempo abolicionista resolvendo os nós bem-estaristas?

Não tenho resposta pronta, ainda – até porque no meio dessa guerra da humanidade contra os animais, preciso estar atento a eventuais cusparadas.

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Você é o Repórter

A Estranha Homenagem

Andre Shell
andre.shell@uol.com.br

Um instrutor de elevada categoria espiritual chamou certa vez a nossa atenção para um quadro terráqueo, observado durante o NATAL à meia noite. Estava reunida opulenta família, num lauto e elegante banquete. Sobre a mesa posta, guarnecida de alva toalha de linho belga, entre flores perfumadas e candelabros policromos, enfileiravam-se as mais fortes e exóticas bebidas, de permeio a indigestas comedorias natalinas. Entendia aquele grupo que a celebração do Nascimento do menino JESUS teria de ser à custa de muitas festanças, entre comidas, bebidas e danças.

Dentre o que se enxergava sobre a mesa, sobressaíam nas lousas frias de um necrotério, os cadáveres de leitões recheados, besuntados de banha, trazendo, espetadas, rodelas de limão; cabritos tostados, quais mercadorias salvas de um incêndio, galinhas e perus ao forno, retorcidos, demonstrando os finais estertores de uma degola cruel; churrasco “mignon” ao espetinho trabalhado com esmero e, para completar o trágico banquete carnívoro, não faltavam o “rosbife em fatias”, o inocente coelho assado, nem a rã “à doré”.  Era de estarrecer! Quanta carnificina! Quanto sangue derramado, quanta dor e sofrimentos causados aos pobres e inocentes animais.

Vibravam ainda no espaço as angustiosas lamentações que os coitadinhos deviam ter lançado violentamente aos céus, quando tiveram seus corações transpassados pelo punhal assassino do carrasco insensível. Parecia-nos ver, horas antes, lá na campina verdejante do interior, a prestimosa vaca a doar o seu leite para a nossa alimentação e o saltitante cabrito a lamber com ternura as mãos do fazendeiro, naturalmente, em sinal de gratidão pela amizade e proteção que os homens dispensam aos animais.

E agora, ó terrível desengano, lá estavam eles esquartejados e carbonizados!…
O saudável cereal, o apreciado legume, a boa hortaliça e a suculenta fruta, apenas representavam, naquela mesa, o insignificante papel de mero adorno culinário.
Quanta barbaridade! Era de cortar o coração de qualquer criatura mais sensível; contudo o macabro festim dos “CIVILIZADOS” antropófagos dava início.
Os convivas, ao redor da mesa, endereçavam aos petiscos olhares gulosos e de cobiça, enquanto iam engolindo ávidos os inocentes cadáveres, transformando seus estômagos em autênticos cemitérios ambulantes. Tudo se transmudava com rapidez através dos intoxicados sucos gástricos e com auxílio das bebidas alcoólicas. Se esse quadro fosse olhado de súbito por vós, teríeis a representação exata de um repulsivo açougue de inofensivos animais, instalado em palacete de luxo, onde jaziam sacrificados pela sanha do homem, cujo título dizem que é o de “Sapiente Rei da Natureza”!

Quase ao final do banquete, alguém levanta a voz, e, a pretexto de prece de Natal, todos começam, apressadamente, a invocar JESUS, para que Ele, nesse seu glorioso dia, viesse abençoar a ceia posta, aquele matadouro doméstico de IRMÃOS menos evoluídos, aliás nossos irmãos mais chegados.

Sem demora e, como por milagre, a cena mudou inteiramente.
Os espíritos presentes apreciavam a reunião de semblante triste, piedosos; alguns até choravam ante a brutal carnificina.

Após as invocações, Jesus compareceu! Sim; o Nazareno chegou!
No luzidio cortejo do Mestre, vinham também necessitados, esfaimados, doentes e maltrapilhos, tal como no “SERMÃO DA MONTANHA”. Formou-se então, ao redor do repugnante festim, sem que disso os convivas tivessem a menor ideia, um enorme anfiteatro, abrigando milhares e milhares de entidades, permanecendo bem no centro, como num circo romano, o grupo devorador de cadáveres, saudando e homenageando com muito barulho o Menino Jesus que acabara de nascer…
Jesus, o invocado, ofuscando a multidão presente pela luminosidade que d’Ele se desprendia, chegou e colocou-se em pé ante aquela turba. De semblante profundamente amargurado e triste, de coração opresso, entre lágrimas que banhavam a Sua face, abençoou, não aquele infeliz ato que dera margem a tamanha carnificina e dor, mas sim à inditosa família e seus convidados, implorando a DEUS uma razão mais lúcida para as suas mentes.

Em seguida, ergue Jesus seu olhar plácido e indulgente e suplica ajoelhado a Deus:
” PAI, PERDOA-OS MAIS UMA VEZ, POIS AINDA NÃO CHEGARAM A ENTENDER O NÃO MATARÁS… A NINGUÉM.”!
EIS COMO ALGUNS HOMENAGEIAM O MENINO JESUS!!!
 
Mensagem de Budha:
 
“O homem implora a misericórdia de Deus e não tem misericórdia pelos animais, para os quais ele é como um Deus. Tudo quanto vive na terra está unido por laços de parentesco, e os animais que matais já vos deram o doce tributo do seu leite, o macio de sua lã, e depositam sua confiança nas mãos que os degolam.
Ninguém pode purificar seu espírito com sangue.
Sobre a inocente cabeça de um animal, não é possível colocar nem o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um deve responder.
Feliz seria a Terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”

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Artigos

O Anticristo

“O anticristo será um convicto espiritualista, um admirador filantrópico, um pacifista aplicado e primoroso, um vegetariano observador, um defensor dos animais determinado e ativo”.

Esse é o trecho de uma notícia que foi veiculada na mídia já há algum tempo e que foi dita pelo cardeal Giacomo Biffi ao papa Bento 16. É impossível não relembrar um trecho da obra de mesmo nome de Friederich Nietzsche, quando ele propõe que, tal como mudamos Deus, nós mudamos as palavras do Cristo e passamos a matar em seu nome e com seu consentimento.

Anticristo, como o próprio nome diz, é aquele que é contra o Cristo, que faz tudo contra o que Cristo pregou e ensinou. Cristo pregou o amor, a benevolência, o perdão. Hoje em dia não nos damos conta de quantas coisas contra Ele nós fazemos. Um exemplo simples e que quase ninguém se dá conta é o Natal, a festa do nascimento do Cristo.

Não vamos nos ater muito ao fato do Nazareno ter nascido num local destinado a animais e nos presépios sempre se apresentarem deitados ao seu lado um burrinho e uma vaquinha, não vamos lembrar que entrou em Jerusalém sentado sobre o lombo de outro dócil jumentinho, mas vamos mergulhar em nossos atos “anticrísticos”.

O Natal é a maior prova de que vamos contra tudo aquilo que o homem de Nazaré ensinou. Mais de 80 milhões de animais são mortos para que se comemore o nascimento de um homem que era apenas amor e que nasceu rodeado de animais, o mesmo homem que teve coragem de dizer que Deus proibia o “sacrifício” de animais no Templo. O Templo, como sabemos, tinha um grandioso lucro com a venda de animais para sacrifício, vendiam cada animal a um preço diferente conforme seu tamanho, usavam o couro, o sangue as tripas e esse Homem se interpôs contra tudo isso afirmando que Deus não exigia nenhum tipo de sacrifício. Dizer tal coisa hoje implica em ouvirmos que tal ato prejudicaria economicamente milhares de famílias que sobrevivem da exploração animal, prova de que não nos importamos mesmo com os animais; Jesus ao contrário não se importou com isso ao proibir o abate de animais no Templo, mesmo sabendo que disso dependiam, igualmente como hoje, centenas de famílias; haviam aqueles que criavam os animais para o abate, vendiam e sustentavam suas famílias, haviam aqueles que construíam as mesas de sacrifício, os que vendiam a pele e o sangue, os que vendiam as rações para alimentar os animais, os que limpavam o templo, nada mudou, a não ser a visão que colocamos de que a morte de animais é necessária hoje e não o era naquela época. Jesus sabia de tudo isso, mesmo assim não se importou em proibir os sacrifícios, as famílias que viviam da morte desses seres inocentes com certeza buscariam recursos melhores para sobreviver.

E matamos milhares de animais hoje para comemorar o dia do nascimento desse mesmo Homem.

Vamos propor uma reflexão e um desafio ao amigo leitor:

O amigo consegue colocar uma faca na mão de Jesus e vê-lo matando um animal ? Aquela imagem de docilidade que conhecemos combina com mãos manchadas de sangue, com a frieza do assassinato, com a dureza de um coração ao olhar nos olhos de um animal e mesmo assim arrancar-lhe a vida por achar isso uma coisa natural ou porque nos disseram, há muitos anos atrás, que a carne nutre a carne ? O amigo consegue fazer essa ligação entre dor e morte dos animais com o que o Cristo pregou e com o modo como viveu?

É só isso que queremos pedir, uma reflexão sobre quem é o Cristo e quem é o anticristo. Talvez esse anticristo já esteja entre nós há tantos séculos que já nos acostumamos a chamá-lo apenas de “cristo”, e talvez, sem compreendermos bem, um novo Anticristo esteja surgindo, mas para nos livrar desse “cristo” de morte e de dor o qual desejamos, e que irá finalmente nos trazer um Cristo de amor e de paz, aquele que deveria ter permanecido entre nós desde o princípio. Porque o verdadeiro Cristo foi tudo isso:

“(…) um convicto espiritualista, um admirador filantrópico, um pacifista aplicado e primoroso, um vegetariano observador (segundo muitos escritos ele conviveu com os essênios), um defensor dos animais determinado e ativo”, e que precisa regressar para resgatar do “cristo” criado pelos homens, todas as indicações de amor que Ele, o verdadeiro Cristo nos legou.

Simone Nardi  ,escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.

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Cotidiano Vegano

Verdades boas para trocar

Acordei nostálgica. Já é quase Natal e eu comecei a lembrar de todos os Natais, e até de quando eu era pequena: a família reunida, o preparo da comida, depois a ceia, o amigo secreto, as poesias rimadas da minha tia.

Para o Natal, tenho dois sentimentos. Por um lado, confesso que ainda me sensibilizo com o lado humano que acomete as pessoas, com a tolerância que se manifesta, com a complacência, com essa vontade de paz, mesmo que rasteira. Tudo isso me comove. Ver que as pessoas ainda no fundo da alma tenham coisas puras, lágrimas, saudades, verdades boas para trocar.

Mas o presente não mais me importa hoje como quando eu era criança. Ficava ansiosa para que tudo corresse logo para a hora do amigo secreto. Queria dar e ganhar presentes. Hoje não. Hoje eu abriria mão de tudo isso por uma poesia, por qualquer texto com rima, mas que viesse do coração. Trocaria todos os presentes por uma gota de verdade vinda da alma de cada um.

Hoje me importa que estejamos em paz, unidos como pessoas que se respeitam em suas escolhas e que trocam boas verdades.

Gostaria que todos os Natais fossem feitos disso: de uma alegria pacífica, respeitosa, e profunda. Que lembrássemos de Jesus, de sua amorosidade para com todos os seres, de sua lição de amar e respeitar todos os seres. Que lembrássemos, sempre, que ao servirmos nossos irmãos em nossas mesas, estamos ferindo seus ensinamentos de paz, porque não devemos matar nossos irmãos: nem humanos, nem não humanos.

Esse é o Natal de paz que eu concebo: um encontro de profunda paz e respeito começando pela mesa e vindo de nossos corações. Nossos irmãos animais, que tanto nos ensinam, estão sofrendo, estão sendo mortos para ocuparem uma travessa no centro da mesa. O que estamos comemorando, então?

Sejamos mais humanos, mais humildes, mais completos. Não façamos de nossos corpos depósitos de sofrimento. Toda vida é sagrada e o que entra por nossa boca determinará o que somos.

Se não formos honestos conosco, não seremos com mais ninguém. Olhemos para dentro: de onde vêm as palavras de paz que proferimos?

Feliz Natal!

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Artigos

Estranha Mensagem

Disse BUDA: “Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”

Estranha Mensagem

Um instrutor de elevada categoria espiritual chamou certa vez a nossa atenção para um quadro terráqueo, observando o NATAL, à meia-noite. Estava reunida opulenta família, num lauto e elegante banquete. Sobre a mesa posta, guarnecida de alva toalha de linho belga, entre flores perfumadas e candelabros policromos, enfileiravam-se as mais fortes e exóticas bebidas, de permeio a indigestas comedorias natalinas.

Dentre o que se enxergava sobre a mesa, sobressaiam nas louças frias de um necrotério, os cadáveres de leitões recheados, besuntados de banha, trazendo espetados rodelas de limão; cabritos tostados, quais mercadorias salvas de um incêndio, galinhas e perus ao forno, retorcidos, demonstrando os finais estertores de uma degola cruel; churrasco “mignon” no espetinho trabalhado com esmero.

Era de estarrecer! Quanta carnificina! Quanto sangue derramado, quanta dor e sofrimento causados aos pobres e inocentes animais.Vibravam ainda no espaço as angustiantes lamentações que os coitadinhos dos animais deviam ter lançado violentamente aos céus, quando tiveram seus corações transpassados pelo punhal assassino do carrasco insensível.

O saudável cereal, o apreciado legume, a boa hortaliça e a suculenta fruta, apenas representam, naquela mesa, o insignificante papel de mero adorno culinário.

Quase no final do banquete, alguém, levanta a voz, e, a pretexto de prece de Natal, todos começam, de afogadilho, a invocar Jesus, para que Ele, nesse seu glorioso dia, viesse abençoar a mesa posta, aquele matadouro doméstico de IRMÃOS menos evoluídos, aliás nossos irmãos mais chegados.

Sem demora e, como por milagre, a cena mudou inteiramente. Os Espíritos presentes apreciavam a reunião de semblante triste, piedosos; alguns até choravam ante a brutal carnificina.

Após as invocações, Jesus compareceu! Sim; o Nazareno chegou! No luzidio cortejo do Mestre vinham também necessitados, esfomeados, doentes e maltrapilhos. Formou-se então, ao redor do repugnante festim, sem que disso os convivas tivessem a menor idéia, um enorme anfiteatro, abrigando milhares e milhares de entidades, permanecendo bem no centro, o grupo devorador de cadáveres, saudando e homenageando o Menino Jesus que acabava de nascer.

Jesus, o invocado, ofuscando a multidão presente pela luminosidade que d’Ele se desprendia, chegou e colocou-se em pé ante aquela turba. De semblhante profundamente amargurado e triste, de coração opresso, abençoou, não aquele infeliz ato que dera margem a tanta carnificina e dor, mas sim à inditosa família e seus convidados, implorando a Deus uma razão mais lúcida para as suas mentes.

Em seguida, ergue Jesus seu olhar plácido e indulgente e suplica ajoelhado a Deus: “Pai; Perdoa-os mais uma vez, pois ainda não chegaram a entender o não matarás… a ninguém!”

EIS COMO ALGUNS HOMENAGEIAM O MENINO JESUS!

(Mensagem recebida pela Fraternidade há quase 40 anos.)

 

FonteFraternidade Ramatis

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Colunistas, Vanguarda Abolicionista

Por qual buraco exatamente entra o espírito natalino?

Então hoje é o fatídico 25 de Dezembro, uma espécie de 11 de Setembro para aqueles que têm patas, guelras, nadaderias ou demais acessórios não humanos. Alguém elegeu uma data para fazer de conta que houve o nascimento de uma figura mitológica para determinada parcela da humanidade, mas os animais é que voltam à pira de sacrifício. É patética a tentativa de procurar qualquer fiapo de paz, harmonia, compreensão ou whatever em uma mera refeição com familiares ou conhecidos. Muita pretensão para uma barriga cheia, e azar daquele que nasceu neste planeta na configuração ‘porquinho’.

O aumento de trabalho em frigoríficos, durante o mês de dezembro, para dar conta dos pedidos extra para as ‘boas festas’ só faz aumentar o termostato do inferno onde devem arder os animais comestíveis, segundo o voto dos humanos-padrão. Jesus não é Jesus sem peru assado, sem farofa, champanha, castanhas, lombo assado ou arroz à grega. Para todos aqueles que têm à cabeceira da cama um livro antigo com palavras sobre humildade e tal. Que se emocionam com embustes travestidos – só falta a gilete no céu da boca – de imagens de bondade, compreensão superior e milagres merecidos. Que colocam uma maçã na boca do leitão, para enfeitar a mesa e melhor receber os familiares.

Tentar ver o mundo a partir dos olhos de um desses animais eleitos como fonte de alimento é um insight e tanto. ‘Alguém contou tal lenda para outrem, e dois mil anos depois, cá estou eu rumo ao verdugo. Os poderosos invisíveis precisam de nossa carne, nosso sangue, nossa vida e nossa dor, caso contrário os humanos estarão sujeitos ao sofrimento’.

Onde entra o espírito natalino nisso, e por qual buraco exatamente, é algo que nunca entendi, e não vou conseguir explicar a nenhum dos meus irmãos de quatro patas, guelras etc.

2009_12_25_val

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Artigos

Natal é carnificina! Assinado Babe, o porquinho

As festas de fim de ano se aproximam e, mais uma vez, me lembro de um diálogo entre os animais do filme Babe, o porquinho atrapalhado (de Chris Noonam, 1995), que culmina com a frase: “Natal é carnificina!” De fato, se observarmos bem, verificaremos que muitas vezes identifica-se uma “boa mesa” pela quantidade de proteína animal que ela oferece. Quanto mais especial é uma ocasião, tanto maior tende a ser a quantidade de proteína animal em nossas mesas, sobretudo carnes e pratos (tanto doces quanto salgados) atolados de creme de leite, uma opção que sequer condiz com a nossa condição climática pois, quando o Natal é celebrado, é verão aqui.

No caso específico do Natal é interessante pensar que essa festa de celebração de “paz e boa vontade” envolva tão pouca boa vontade para com os animais.

Diversas ONGs (como, por exemplo, a Compassion in World Farming  fazem campanhas a respeito do sofrimento dos animais que nos servem de alimento e nessa época, em especial, em favor dos perus que se tornaram um prato típico das festas de fim de ano. Esses pobres animais são criados em condições miseráveis e sofrem uma morte dolorosa para que possamos saborear sua carne, isto é, são obrigados a amargar uma existência de sofrimento unicamente para satisfazer um gosto dos seres humanos.

De resto, o Natal se tornou, em grande medida, uma festa do comércio, uma festa voltada para o consumo, quando deveria ser uma ocasião de compartilhamento e de compaixão. Com-paixão é o sentimento de quem sofre junto, de quem é capaz de se colocar no lugar do outro, de com-partilhar. A “pena” é um sentimento superficial que resulta de quem não tem capacidade de se colocar no lugar do outro, ou acha que não está sujeito ao mesmo tipo de experiência. Quando experimentamos o verdadeiro sentimento de compaixão não mais toleramos que os animais sejam vistos como meras fábricas de proteína. Seu sofrimento não se resume ao abate: muitos passam a vida toda confinados sem jamais tocar o solo ou sentir o calor do sol, são transportados para os matadouros sem água ou alimento, suportando temperaturas extremas. Há ainda “a separação entre mães e filhotes, a separação de rebanhos, as marcas com ferro em brasa, e outros sacrifícios que não levam em consideração os interesses dos animais”, como bem destaca o filósofo Peter Singer. Serão os animais nossos companheiros de jornada na Terra, ou meros recursos para nos servir e atender os nossos desejos hedonistas? Assim, no que tange aos animais, devemos ter em mente que não somos mais caçadores-coletores e temos à nossa disposição uma ampla variedade de fontes de proteína que nos garantem uma alimentação balanceada.
 
Finalizo sugerindo três sites onde o leitor poderá encontrar receitas vegetarianas saborosas e nutritivas. O leitor poderá segui-las passo a passo, ou apenas encontrar inspiração para fazer sua própria criação. Muitas são as opções que vão desde as mais saudáveis e simples, como frutas (incluindo nozes, castanhas, etc); simples mas meio junk food como o Not-dog (cachorro quente com salsicha vegetal); até pratos sofisticados como “bobó sem camarão”, “bacalhau sem bacalhau” (uma receita portuguesa com certeza! Visite  Animal Org  e delicie-se com este prato fantástico).
As opções são infinitas. Estes são apenas alguns exemplos de pratos saborosíssimos e que não implicam em sofrimento para os animais.

E há muitos outros…

Boas Festas e lembre-se: procure ser vegetariano (de preferência vegano) o ano todo!

Que 2010 seja um ano melhor para todos os animais, humanos e não- humanos!

Paula Brügger, Professora do Depto. de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ex-membro da Comissão de Ética no Uso de Animais – (CEUA), Mestra em Educação e Doutora em Ciências Humanas – Sociedade e Meio Ambiente.É autora dos livros “Educação ou adestramento ambiental?”, que está na 3ªedição, e “Amigo Animal” – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente. Atualmente coordena o projeto educacional “Amigo Animal”. É colunista da Anda.

Fonte: Guia Vegano

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Você é o Repórter

Acompanhe sua contribuição às ONGs de proteção

 (‘O Evangelho dos Doze Santos’ – Capítulo, 38)

“E aquilo que fizerdes ao menor destes meus filhos, a mim o fazeis. Pois eu estou neles, e eles em mim. Sim, estou em todas as criaturas, e todas as criaturas estão em mim. Alegro-me em todas as suas alegrias, e aflijo-me em todas as suas tribulações. Portanto, vos digo: sede complacentes uns para com os outros e para com todas as criaturas de Deus”…

“Antes de fazer sua doação para ajudar quem pede para os animais abandonados, verifique o passado e a idoneidade de quem está pedindo, exija NF/recibo e prestação de contas da sua ajuda para ter certeza que a mesma foi utilizada nos fins devidos, visite o local e conheça o protetor/ONG/animais abandonados que estão sendo divulgados, certifique-se de que sua contribuição realmente está sendo utilizada em prol dos animais abandonados para adoção e não para finalidades fora desse fim. Vamos contribuir para que “proteção de animais” não vire “profissão”, acompanhe sua colaboração”.

* Orthopets – Ricardo Bastos – ajuda para animais especiais – http://rb.orthopets.nafoto.netrb.service@terra.com.br
* Eslapa – Espaço São Lázaro de Proteção Animal – Sandra Carricondo – 11-8939-9780 – scarricondo@hotmail.com
* Projeto 4 Patas – Andréa Colucci – 11-7153-6702 – andrea.colucci@terra.com.brhttp://www.fotolog.com/projeto4patas
* Patinhas da Liberdade – Maria Inês – pandoramazzarello1@gmail.comhttp://www.patinhasdaliberdade.com.br

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