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Austrália se opõe à caça de baleias feita pelo Japão

Foto: Tim Watters/Sea Shepherd Australia/EPA
Foto: Tim Watters/Sea Shepherd Australia/EPA

A frota de navios de caçadores de baleias do Japão chegou ao porto de Shimonoseki no fim de semana com um registro assustador de 333 baleias mortas.

Se a matança feita pelos caçadores japoneses se assemelhar a do ano passado, em que mais de 100 baleias grávidas e 50 delas ainda muito jovens foram mortas, as perdas para a espécies serão imensas. Mas a partir de agora, as coisas parecem estar se movendo para um rumo diferente.

O anúncio feito pelo Japão ano passado, sobre sua saída da Comissão Internacional da Baleia (IWC), significou, entre outros pontos, que os baleeiros provavelmente nunca mais voltariam ao Oceano Antártico. Agora eles só poderão caçar baleias em “suas próprias águas”.

Pela primeira vez em mais de 100 anos, as baleias do Oceano Antártico estão livres da ameaça iminente de uma nação que pretende persegui-las.

A Noruega montou uma estação de caça às baleias na Antártida em 1904 e os baleeiros japoneses têm ido para o sul todo verão desde antes da Segunda Guerra Mundial, juntando-se a dezenas de navios-pesqueiros da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. O único alívio temporário que as baleias tiveram foi devido a segunda guerra mundial.

Então, não se pode subestimar o peso dessa decisão histórica, tanto para o Japão quanto para as baleias do Oceano Antártico que vivem ao redor da Antártida.

Infelizmente, o governo australiano não poderá descansar nem acreditar que a guerra contra as baleias foi vencida pois com as eleições australianas em maio, dentro de um mês com o próximo governo tomando posse, o Japão voltará para matar baleias em suas próprias águas.

O impacto que isso terá sobre essas espécies migratórias ainda não é claro, mas a crueldade em matar e remover dos mares esses gigantes oceânicos é inquestionável.

Só porque essas mortes estão acontecendo em um hemisfério diferente não significa que isso não seja um problema global, e a posição da Austrália como líder mundial na conservação das baleias agora enfrenta um novo e difícil teste.

O próximo governo australiano precisa deixar claro que quem quer que esteja matando baleias será chamado a prestar contas. O Japão pode ter deixado a IWC, mas não pode escapar à sua responsabilidade internacional de conservarão das populações de baleias.

O representante da Austrália na IWC, Nick Gales, disse ao Japão na mais recente reunião da comissão no Brasil, que globalmente o país tinha “perdido sua licença social” para matar baleias.

O Japão não vai recuperá-la apenas por deixar o grupo mundial que foi criado para garantir a conservação e gestão da espécie.

O Japão alega que vai caçar as baleias de acordo com os métodos da IWC para calcular os limites de captura “para evitar impactos negativos sobre os recursos dos cetáceos”. Mas a realidade é que o interesse do Japão pela conservação das baleias é falso. Em diversas reuniões da IWC, o Japão bloqueou e se opôs a inúmeras medidas de conservação da espécie, conforme informações do The Guardian.

As baleias enfrentam muitas ameaças e a Austrália tem desempenhado um papel de liderança na condução da agenda de conservação da IWC. Quando os ministros australianos chegam a essas reuniões, eles são tratados como celebridades. É um reconhecimento merecido por duros anos de combate à pesca de baleias. A Austrália levou o Japão e a premissa falsa de seu programa “científico de caça às baleias” para o tribunal internacional de justiça da ONU em 2014 – e venceu.

Na mais recente reunião da IWC, a Austrália esteve novamente na linha de frente bloqueando as tentativas do Japão de reescrever as regras de votação da IWC e encerrar a proibição de 33 anos de duração sobre a caça às baleias.

Mas agora a Austrália precisa garantir que a IWC se torne uma organização capaz de proteger as baleias de todas as outras ameaças que elas enfrentam.

Ameaças que incluem o aumento no transporte marítimo global que coloca mais baleias em risco de colisões e torna os oceanos mais barulhentos; os “enredamentos” acidentais, estima-se que 300 mil cetáceos morrem acidentalmente a cada ano depois de serem apanhados em equipamentos de pesca; e a explosão na exploração offshore de petróleo e gás que expõe as baleias aos efeitos sonoros desorientadores das explorações sísmicas.

A hora é propícia para levar esses esforços a níveis mais altos, pois a urgência se torna imperativa dada a proximidade e tamanho das ameaças.

Mas não são apenas as baleias que precisam ser salvas. A retirada do Japão da comissão ameaça o futuro da própria IWC. Como o país paga a maior taxa de associação, sua saída cria um significativo buraco de 230 mil dólares nas contas financeiras da comissão – ou seja, 8% das taxas que recebe dos governos. Tentativas de usar que esse déficit como desculpa para reduzir os esforços de conservação serão feitas.

Como guardião dos oceanos com a maior biodiversidade do planeta e de áreas marinhas de renome mundial, como a Grande Barreira de Corais, o Recife Ningaloo e a Grande Baía Australiana, a Austrália construiu uma reputação de líder global em conservação marinha.

Mas essa liderança tem sofrido ameaças. Principal atração turística do país, a Grande Barreira de Corais, tem lutado para sobreviver ao aquecimento global, enquanto a política climática do governo tem se deteriorado.

O governo australiano excluiu cerca de 35 milhões de hectares de zonas de proteção da sua rede de parques marinhos. O número de tubarões em Queensland despencou em três quartos, enquanto as autoridades resistiam em aderir aos esforços globais para proteger essas espécies marinhas.

O próximo governo do país enfrentará o desafio do retorno do Japão à caça de baleias. O mundo todo espera que o pais se erga em defesa da espécie mais uma vez. Porém, a Austrália também tem assuntos ambientais internos para colocar em dia.

Saída do Japão da IWC

O Japão saiu da Comissão Internacional das Baleias (IWC) para poder retomar a caça comercial do animal em julho de 2019. O anúncio da saída foi feito em dezembro de 2018, três meses após a IWC se opor à petição do país asiático para retomar a atividade.

O secretário-chefe do gabinete, Yoshihide Suga, disse que a caça será limitada às águas territoriais do Japão e à sua zona econômica exclusiva ao longo da costa do país e que o Japão interromperá suas expedições anuais para os oceanos Antártico e Pacífico Noroeste.

Com a decisão, o Japão se torna a terceira nação a praticar abertamente a caça, junto da Islândia e Noruega.

“Lamentavelmente, chegamos a uma decisão de que é impossível na IWC buscar a coexistência de estados com visões diferentes”, disse Suga.

Suga disse também que a IWC tem sido dominada por ambientalistas e que o Japão está desapontado com seus esforços para administrar as populações de baleias, embora a IWC tenha um mandato para a conservação de baleias e o desenvolvimento da indústria baleeira.

A decisão não foi bem recebida pela comunidade internacional. A Austrália disse estar “extremamente desapontada”, e a Nova Zelândia lamentou a retomada da “ultrapassada e desnecessária” matança de baleias. No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Austrália e Nova Zelândia, Winston Peters, saudou a retirada do Japão do oceano sul.

O grupo ambientalista Greenpeace também condenou a decisão e contestou a opinião do Japão de que as populações de baleias se recuperam, dizendo que a vida oceânica está sendo ameaçada pela poluição e pela pesca excessiva. As informações são do Daily Mail.

“A declaração do Japão está fora de sintonia com a comunidade internacional e menos ainda com a proteção necessária para o futuro dos nossos oceanos e dessas criaturas majestosas”.

“O governo do Japão precisa urgentemente agir para conservar os ecossistemas marinhos, em vez de retomar a caça”, disse Sam Annesley, diretor executivo do Greenpeace Japan, em um comunicado.

Diplomacia

A decisão do Japão, causou estranheza por se tratar de uma ação unilateral, sendo que o país não costuma adotar medidas assim em sua diplomacia.

Em setembro de 2018, o Brasil sediou a 67ª reunião anual da IWC, ocasião na qual a petição do Japão para retomar a caça foi rejeitada por 41 votos contra 27.

Segundo o Estadão, o vice-ministro japonês da Pesca, Masaaki Taniai, lamentou o resultado da votação e disse que a possibilidade de abandonar a IWC seria uma última opção.

Tecnicamente, o país asiático nunca deixou de caçar baleias, já que se aproveitava de uma falha a moratória de 1986 que autoriza a captura dos animais para investigações científicas. Mas a carne das baleias, de um jeito ou de outro, acabava nas peixarias.

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Japão se prepara para retomar a caça de baleias em 1° de julho

No final do ano passado, o Japão chocou o mundo ao anunciar que estava deixando a Comissão Internacional das Baleias (IWC) para poder retomar a caça comercial de baleias. A saída formal acontecerá no dia 30 de junho de 2019.

O Japão voltará a caçar no dia 1° de junho de 2019.

Agora, os baleeiros japoneses já discutem planos para retomar a caça comercial ao longo da costa nordeste em 1º de julho, pela primeira vez em três décadas.

A Agência de Pesca disse que os baleeiros em seis cidades da costa do Pacífico, incluindo Taiji, conhecida por caçadas a golfinhos, devem trazer cinco navios para formar uma frota conjunta como Japão a partir de 1º de julho, um dia após o Japão se retirar formalmente da IWC. As informações são Daily Mail.

Taiji está liderando o esforço como uma cidade tradicional de caça e contribuirá com um navio para a frota que irá capturar as baleias minke. Locais exatos e planos das caçadas serão decididos com base nos resultados das operações de pesquisa planejadas até o final de junho, disse Shigeki Takaya, funcionário da Agência de Pesca encarregado da caça às baleias.

 

De acordo com a emissora nacional do Japão, a NHK, as terríveis caçadas começarão em Hachinohe, no norte do Japão, ou Kushiro, um dos principais centros baleeiros mais ao norte, na ilha de Hokkaido.

Cada navio seguirá para o sul até Chiba, perto de Tóquio, fazendo diversas paradas ao longo da costa antes de voltar a Kushiro para mais caçadas no final do ano, disse a NHK.

O Japão não caçara na Antártida, onde conduziu o que chamou de caça de “pesquisa” desde que a IWC impôs a moratória nos anos 80. O Japão chegou a capturar até 1.200 baleias na Antártida, mas esse número foi reduzido à medida que os protestos internacionais aumentavam e o consumo de carne de baleia caiu no país.

Baleia é descarregada no porto de Kushiro após uma caça com propósitos científicos Foto: Kyodo News.

O Japão caça baleias há séculos, mas sua expedição à Antártida começou depois que a ocupação americana do pós-guerra, em 1946, a aprovou para obter proteína da carne de baleia como alternativa mais barata para outras carnes.

Hoje, lamentavelmente, legisladores conservadores, incluindo o primeiro-ministro Shinzo Abe, promovem as baleias não apenas como uma iguaria, mas como uma herança cultural do Japão.

Autoridades de pesca dizem que o Japão consome anualmente cerca de 5.000 toneladas de carne de baleia da pesquisa, principalmente por japoneses mais velhos que buscam uma refeição nostálgica. Críticos dizem que duvidam que a caça comercial seja uma indústria sustentável, porque os japoneses mais jovens não veem estes animais como alimentos.

 

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