Notícias

Atlas pretende ser instrumento de proteção de animais ameaçados de extinção

Peixe-boi e várias espécies de grandes felinos, como onça-pinta, jaguatirica e onça-preta da Amazônia estão na lista ameaçadas de extinção

A divulgação do Atlas da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção deve ser um instrumento de aprimoramento de políticas públicas para a proteção dessas espécies.

Lançado na última segunda-feira (11), o atlas foi organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Onça é uma das espécies da Amazônia ameaçadas de extinção citada no Atlas elaborado pelo ICMBio. Foto: Antônio Lima

Ivan Campos, analista ambiental e um dos coordenadores do atlas, disse ao acritica.com, que esta foi a primeira vez que o ICMBio elaborou um panorama da fauna ameaçada de extinção que vive nas áreas de unidade de conservação federal no país.

“Essa compilação é para avaliar as espécies ameaçadas para que a gente tenha um balanço e um maior conhecimento. Saber se as nossas UCs estão protegendo as espécies ameaçadas ou não. A ideia é aprimorar o levantamento. A meta do governo é proteger essas espécies”, disse Campos.

O trabalho do ICMBio constatou que das 627 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, 313 tem presença em unidades de conservação federais.

Somente na Amazônia, das 57 ameaçadas de extinção, 31 estão unidades de conservação.

No Amazonas, são 12 espécies ameaçadas de extinção que vivem em 41 UCs federais.

A espécie mais ameaçada é o peixe-boi, seguida de várias espécies felinas, como gato-do-mato, maracacará, onça-pintada, onça-preta, jaguatirica e onça-canguçu. Também está nesta lista o cachorro-do-mato-vinagre, cachorro-vinagre e ariranha.

Conforme Campos, a próxima etapa do trabalho é englobar todas as espécies de unidade de conservação e verificar se as populações dentro delas são “viáveis”, ou seja, têm chances de continuar sobrevivendo.

Extinção

Ele destacou que nem todas as espécies ameaçadas de extinção estão em UCs e estas, por causa desta condição, têm mais chance de serem extintas. Campos deu como exemplo o sauim-de-coleira, espécie de primata que vive na zona urbana de Manaus.

No texto de conclusão do atlas, um dos objetivos do levantamento é “dar subsídio para discussões ao redor dos grandes empreendimentos propostos no país e seus possíveis impactos sobre esta fauna ameaçada aqui abordada, tema fundamental para um planejamento de desenvolvimento mais sustentável que garanta a conservação da biodiversidade para as futuras gerações”.

Fonte: A Crítica

​Read More
Notícias

Morte de morcegos pode causar prejuízos econômicos e ambientais

A morte de morcegos pode trazer um prejuízo anual de US$ 3,7 bilhões para a agricultura americana por gastos com pesticida e queda de produtividade. Atualmente, as populações do animal sofrem um grave declínio nos EUA. Os autores do estudo publicado na Science afirmam que as conclusões servem de alerta para outros países, entre eles o Brasil.

Cerca de 1 milhão de morcegos americanos morreram nos últimos anos (mais informações nesta página). Com isso, até 1,3 mil toneladas de insetos aumentam anualmente, ameaçando cultivos e florestas. “Sem dúvida, morcegos insetívoros também desempenham um papel importante no controle de insetos no Brasil”, afirma o autor do artigo, Justin Boyles, da Universidade de Pretória, na África do Sul.

Os pesquisadores Susi Pacheco, do Instituto Sauver, em Porto Alegre, e Carlos Esbérard, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), realizaram um cálculo semelhante ao dos americanos. “Cerca de 500 morcegos insetívoros, cada um pesando 10 gramas, consumiriam 6 toneladas de insetos por ano”, pondera Susi.

“Além disso, como há uma grande diversidade de morcegos no Brasil, eles realizam outros serviços importantes para a regeneração de florestas: polinização e dispersão de sementes”, pondera Boyles.

O brasileiro Marco Mello, pós-doutorando da Universidade de Ulm, na Alemanha, publicou há um mês um artigo na PLoS One sobre as interações entre plantas frutíferas e morcegos no Brasil. Eles constituem o segundo grupo dispersor de sementes mais importante. Perdem apenas para as aves.

Mello mostrou que as redes de interação com plantas que envolvem morcegos são mais sensíveis à extinção de uma espécie que as que envolvem aves: o desaparecimento de um elo da rede causa um impacto maior na saúde do ecossistema. Outros estudos apontam que os morcegos costumam cuidar da dispersão das sementes de plantas pioneiras – aquelas que iniciam um processo de reflorestamento. As aves seriam responsáveis principalmente pelas árvores mais tardias. Ou seja, em áreas degradadas ou fragmentadas, os morcegos desempenhariam um papel importante.

Para Ludmilla Aguiar, da Universidade de Brasília (UnB), faltam estudos para entender o serviço prestado por morcegos nos diversos ecossistemas do País. “A gente mal sabe que tipo de insetos eles comem”, afirma Ludmilla. “O Cerrado, bioma com maior número de áreas agrícolas, tem muitos morcegos insetívoros. Precisamos estudar seu comportamento.” Ela participa de um projeto de pesquisa que relaciona a ocorrência de morcegos no Cerrado – por meio do som dos animais – à presença de pragas. “Dados preliminares mostram que há relação: com certeza, eles se alimentam desses insetos”, afirma Ludmilla.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros (Sbeq), Ricardo Moratelli, sublinha a necessidade de mais taxonomistas – profissionais especializados na classificação de espécies – para realizar inventários da fauna de morcegos. “Sem isso, não dá para dizer quando uma espécie está ameaçada”, explica Moratelli, pesquisador da Fiocruz, no Rio. Ele também reclama da falta de editais de financiamento para promover um conhecimento mais aprofundado das espécies, não restrito a simples inventários.

Por enquanto, apenas uma espécie – o morceguinho-do-cerrado – mereceu um plano especial de manejo do Ministério do Meio Ambiente. O diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, explica que o morceguinho-do-cerrado, uma espécie que se alimenta de néctar, possui uma distribuição relativamente restrita no território nacional. “Espécies assim são mais vulneráveis que aquelas menos especializadas, encontradas em mais lugares.”

Bráulio afirma que, a pedido do ministério, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está se reunindo com especialistas para atualizar a avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira. Possivelmente, até o fim do ano, haverá uma nova lista de morcegos ameaçados.

Fonte: Primeira Edição

​Read More
Notícias

Ceará inaugura centro de reabilitação de animais marinhos

Nova estrutura da Aquasis será a segunda no País voltada para o atendimento de mamíferos marinhos

O Ceará vai ganhar um novo Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos (CRMM). A iniciativa é da Aquasis e faz parte do Projeto Manatí para Conservação de Mamíferos Marinhos (CRMM), fruto da parceria entre o Sesc e Aquasis. A apresentação do local será feita na próxima segunda-feira, às 19 horas, na Colônia do Sesc Iparana, em Caucaia. O CRMM é patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental.

O CRMM terá estrutura apropriada para reabilitação de filhotes órfãos de peixe-boi marinho. Foto: Divulgação

Com investimento de R$ 1,9 milhão, o CRMM terá estrutura apropriada para reabilitação de filhotes órfãos de peixe-boi marinho, considerado o mamífero marinho mais ameaçado de extinção do Brasil, sendo o Ceará e o Rio Grande do Norte os Estados campeões em número de encalhe desses animais.

A nova estrutura será a segunda no País, voltada para o atendimento de animais no Ceará e Rio Grande do Norte, permitindo que animais reabilitados sejam soltos posteriormente no local onde nasceram e evitando as viagens para Itamaracá, em Pernambuco, onde existe o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A estrutura contará com seis tanques para peixes-bois e um tanque circular para reabilitação de pequenos golfinhos.

Estrutura

Além disso, será construído um prédio que contemplará ambulatório para cirurgias e equipamento para diagnóstico, um laboratório para análise de material biológico, monitoramento e controle da qualidade de água das piscinas, cozinha para preparação dos alimentos que serão ofertados aos animais e alojamento para equipe técnica.

A estrutura permitirá a reabilitação de até nove animais ao mesmo tempo. O período de reabilitação em cativeiro poderá se estender por até 1 ano e meio. Após este período, os animais serão transportados para uma estrutura de cativeiro natural, para soltura posteriormente.

Será semelhante a um curral de pesca, construído no mar em área rasa. Animais que demonstrarem boa adaptação serão marcados com um dispositivo de rastreamento por satélite e soltos. O dispositivo permitirá aos pesquisadores da Aquasis monitorar os deslocamentos diários dos animais, avaliando se estão bem adaptados ao ambiente marinho.

Mais Informações

Cristine Negrão
Telefones: (85) 9675-0664/ 3318-4911

​Read More