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Cão herói consegue buscar ajuda para salvar cachorro debilitado

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Cão buscava ajuda para salvar outro cão | Foto: Reprodução R7

No Rio de Janeiro, em Belford Roxo, um cão surpreendeu policiais militares ao pedir ajuda para salvar outro cão. O animal que estava nos fundos do 39° Batalhão da Polícia, foi até os policiais para atraí-los até a parte de trás do local.

O animal que chorava para chamar a atenção dos homens, os levou até um cão que estava muito magro e debilitado. Assim que viram o animal, os policiais acionaram um defensor de animais para encaminhá-lo ao veterinário.

Porém, antes de levar o animal ferido, o protetor teve que se entender com o cão que não queria deixar o animal ir embora e levá-lo junto.

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Cadela com pata machucada anda 3km para salvar seus filhotes

Por Janaína Fernandes | Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Os filhotes foram encontrados no interior de um carro | Foto: Mercury Press

Uma história surpreendente. Na Espanha, uma cadela da raça galgo, que havia acabado de parir, colocou em risco a própria saúde para salvar seus filhotes. Com um machucado aberto na pata, a cadela andou 3 quilômetros para buscar ajuda.

No meio de sua jornada, a cadela foi encontrada por Lianne Powell, que a levou ao veterinário. Ao chegar lá, a veterinária Ellen Sobry, notou que ela estava produzindo leite, e por isso, provavelmente havia dado cria recentemente e, se os bebês não fossem encontrados logo poderiam morrer. Sem pestanejar, a veterinária colocou uma atadura na perna de Vera e saiu à procura dos filhotes.

Cadela andou 3 quilômetros para salvar bebês | Foto: Mercury Press

De acordo com Lianne, a cadela Vera confiou nas duas a ponto de leva-las para o local onde os bebês estavam: “Claramente, tivemos uma decisão a tomar”, disse Lianne ao jornal Daily Mail. “Se houvesse filhotes, eles morreriam lentamente de fome, a menos que os encontrássemos. Precisaríamos da ajuda da cadela, mas não sabíamos se ela confiaria em nós o suficiente para nos levar até lá.

Ao chegarem no local, se depararam com uma casa abandonada e um carro velho no quintal, e para seu espanto, os dez filhotes estavam no banco traseiro do carro. “Ela nos levou até eles, era incrível. Eu não podia acreditar no que eu vi. Esse cachorro não nos conhecia, a conhecemos uma hora antes, então foi realmente incrível como ela decidiu confiar e nos mostrar onde eles estavam”, disse Ellen ao Daily Mail.

Após o resgate, os filhotes e Vera foram encaminhados para a clínica de Ellen e permanecem lá até hoje em boas condições.

 

 

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Teorias tentam explicar como os animais reconhecem seus parentes

Eles não falam, não escrevem cartas, não vão a programas de auditório procurar o irmão perdido nem têm rede social para caçar o pai, do qual foram separados no nascimento. Ainda assim, se cruzarem na rua com um parente – nem precisa ser de primeiro grau –, os animais conseguem identificar o familiar, mesmo que jamais o tenham visto na vida. Essa habilidade, que os humanos não têm, já foi identificada em mamíferos, aves e até plantas e micróbios. Até hoje, contudo, permanece um mistério para biólogos, veterinários e zoólogos, que quebram a cabeça para entender o que está por trás dessa incrível capacidade de reconhecimento.

Saber com quem um indivíduo conviverá bem é importante para o manejo de áreas de conservação e de cativeiro. Ao ser lançado de volta à natureza, por exemplo, um animal pode ter mais chances de sobrevivência se houver um parente no grupo libertado – familiares tendem a proteger-se uns aos outros para garantir a continuação da linhagem. Apesar de o fenômeno ser considerado um mistério, cientistas começam a encontrar algumas pistas e acreditam que um dos traços mais importantes no reconhecimento é o cheiro.

Publicado na edição deste mês da revista Ethiology, um estudo da Universidade de Medicina Veterinária de Viena (Itália) constatou que a identidade olfativa pode ser determinante, mais que familiaridade e fenótipo. Há quem defenda que é natural um esquilo, por exemplo, reconhecer seus pais e irmãos, já que foi criado entre eles. A tese, contudo, se desmonta porque nem todo animal, como cachorros e gatos, crescem com a família. Diferentemente do que ocorre na vida selvagem, esses bichos geralmente são separados da mãe com três meses, idade em que a maioria dos filhotes é colocada à venda. Ainda assim, um estudo da Universidade de Belfast, na Irlanda, indicou que cachorros domésticos sabem, inclusive, diferenciar o parentesco, identificando irmãos, pais e primos.

Outras teorias sugerem que a resposta está na combinação fenotípica. Traços semelhantes justificariam a facilidade de reconhecer um indivíduo da mesma família – embora, sob os olhares humanos, todos os bichos de determinada espécie ou raça sejam idênticos, isso não é verdade, e nem uma mosca é igualzinha à outra. Na hora de fazer o reconhecimento, o animal se basearia nas características físicas dos parentes, informações que ficam guardadas na memória genética. “Nem sempre esse método é confiável”, observa Joachim Frommen, da Universidade de Medicina Veterinária de Viena e autor de um novo estudo sobre o tema. “Animais são capazes de identificar parentesco distante, mesmo em indivíduos que têm aparência diferente das deles”, conta.

Até debaixo d’água no estudo conduzido por Frommen, foram pesquisados peixes da espécie esgana-gata (Gasterosteus aculeatus). Esse animal é conhecido pela habilidade de reconhecer parentes e tende a preferir a companhia deles. A maior parte das espécies de peixe vive em cardumes e, para Frommen, a escolha do grupo se faz pelo parentesco. “Nadar em cardumes geralmente minimiza o risco de um indivíduo ser comido pelo predador. Formar um cardume entre parentes, então, protege não só o indivíduo, mas o grupo familiar como um todo, o que aumenta a chance de sobrevivência dessa família.”

Em um primeiro experimento, o esgana-gata tinha de escolher entre cardumes compostos por irmãos e um grupo da mesma espécie, mas sem parentesco. “O peixe preferiu os parentes em todas as repetições do teste, o que não se explica pela familiaridade”, diz Frommen. Isso porque, na segunda etapa da pesquisa, o animal poderia optar por fazer parte de um cardume formado pelos irmãos com os quais já estava acostumado ou acompanhar outro grupo, também composto por familiares desse nível de parentesco, mas constituído por indivíduos desconhecidos. Nesse caso, não houve preferência. O esgana-gata se encaixou nos dois cardumes de irmãos, o que, segundo o veterinário, reforça a ideia de que é o parentesco, e não a familiaridade, que importa.

Embora reconheça que a semelhança física tenha um papel na identificação, Frommen aposta mais no cheiro. Mesmo vivendo dentro d’água, os peixes têm uma capacidade olfativa bastante apurada. A bióloga Jill Mateo, pesquisadora da Universidade de Chicago, diz que, mesmo depois de um longo período de hibernação, os animais reconhecem os parentes, indicando que provavelmente não se trata de memória olfativa. Para ela, o mais provável é que familiares compartilhem um odor determinado. Ao se deparar com um espécime que cheira igual a ele, o bicho percebe que faz parte da mesma “árvore genealógica”.

“O olfato é uma importante ferramenta de sobrevivência”, diz Mateo, que pesquisou o mecanismo de reconhecimento familiar em grupos de esquilos. “Eles precisam disso não só para se proteger criando grupos, mas porque devem reconhecer os irmãos para evitar cruzar com eles, o que pode trazer efeitos negativos na linhagem genética”, afirma. De acordo com a pesquisadora, entender como ocorre a identificação dos parentes é importante para conhecer melhor a seleção de habitat, de relações sociais e de parceiros. “Essas informações ajudam os cientistas a organizar grupos de animais que se adaptarão com mais sucesso ao ambiente natural depois de sair do cativeiro e serem reintroduzidos na vida selvagem”, diz.

Aves identificam parentes graças a odor do óleo (Foto: Martin Passingham)
Aves identificam parentes graças a odor do óleo (Foto: Martin Passingham)

A bióloga também estudou o reconhecimento de parentesco entre pinguins, animais que vivem em colônias formadas por mais de mil indivíduos. Mesmo nessa multidão, eles são capazes de identificar uns aos outros, dado que já se conhecia. A pesquisa de Jill foi a primeira a mostrar que essas aves também sabem diferenciar os parentes sanguíneos dos demais integrantes do grupo. O odor familiar é secretado por uma glândula, que produz um óleo importante para deixar as penas secas, mesmo no mar.

“O que achamos muito interessante é que esse tipo de óleo é produzido por outras espécies animais, incluindo uma variedade de insetos, como abelhas e moscas. Os insetos também são capazes de reconhecer familiares graças ao olfato”, observa Bryan D. Neff, professor da Universidade de Western Ontario e especialista em identificação de parentes no mundo animal.

“Quanto aos pinguins e às aves em geral, é importante saber diferenciar quem são seus vizinhos e quem são seus irmãos, por uma questão evolutiva”, afirma.

Fonte: Em

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Deus Abrâamico e Antropocentrismo

Durante a época de festas religiosas, quando o Natal se aproxima, uma celebração de nascimento, vida, paz e amor que, contudo, se dá em meio a uma mesa farta em cadáveres. Nesta época se dá também a peregrinação a Meca, um dos deveres dos muçulmanos, e dentre os ritos desta peregrinação, o sacrifício de animais como meio de reviver o auto-de-fé do patriarca Abraão que, prestes a sacrificar seu próprio filho em nome de Deus, teve este sacrifício impedido no último minuto pela “infinita bondade e misericórdia” divina e, no lugar do filho, sacrificou um cordeiro.

Para leigos, teocentrismo e antropocentrismo são fenômenos distintos. Assim aprendemos na escola: que a Idade Média foi a era do teocentrismo, quando a vida girava em torno da religião, e esse teocentrismo foi abalado pela Renascença, que deu lugar para o humanismo e o antropocentrismo, tão bem resumido no monólogo de Shakespeare:

“Que obra-prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Como é infinito em faculdades! Em forma e movimentos, como é expressivo e admirável! Nas ações, como se parece com um anjo! Na inteligência, como se parece com um deus! A maravilha do mundo! O padrão de todos os animais! E contudo, para mim, o que é esta quintessência do pó?” (William Shakespeare, Hamlet, cerca de 1600, tradução minha).

Na verdade, a questão é muito mais complexa que isso. A fé monoteísta de judeus, cristãos e muçulmanos é, de fato, uma das maiores manifestações do antropocentrismo no pensamento humano, como a própria história de Abraão mencionada acima pode comprovar – esta como outras passagens do Antigo Testamento – e, também, uma breve análise de preceitos básicos do monoteísmo judaico, cristão e islâmico.

As passagens da Bíblia sobre a relação com os animais são às vezes contraditórias, e não sendo eu teólogo, não me atrevo a tentar fazer uma interpretação exaustiva e profunda. Basta constatar que a maioria esmagadora da humanidade tem da Bíblia o mesmo conhecimento limitado que eu. E a leitura que esses seres humanos leigos fazem da Bíblia tem levado à justificação do seu domínio sobre os demais animais.

Limitemo-nos, então, ao mais óbvio: a afirmação, no Gênesis (logo, base das três religiões abraâmicas) de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Não importa se tomamos essa frase no sentido literal (como fizera Michelangelo em sua famosa representação de Deus da Capela Sistina, que podemos ver abaixo) ou no sentido figurado, de que somos feitos à imagem de Deus porque espelhamos suas qualidades, sua bondade, sua sabedoria, seu amor (teria sido o pecado que teria afastado o homem de Deus e levado à sua natureza imperfeita).

Essa passagem reflete a idéia de que o ser humano é especial, distinto das demais “criaturas”, e portanto apto a reinar sobre elas. Afinal, se temos uma natureza divina (ao menos em parte), somos superiores aos demais seres, que sequer alma têm – apenas nós podemos aspirar à vida eterna. Ora, se Deus nos dá uma natureza especial, divina, e nos permite reinar sobre a natureza e os outros animais, fica nítido o conteúdo antropocêntrico do monoteísmo das três religiões abraâmicas.

O antropocentrismo religioso fica mais nítido ainda quando paramos para refletir quem é, afinal, o criador, e quem é a criatura. Não havendo qualquer indício, prova ou evidência lógica e racional incontestáveis da existência de Deus, é justo imaginar que o criador é, muito possivelmente, o ser humano. É o ser humano que cria deuses à sua imagem e semelhança. Por isso os deuses são tão humanos: capazes de extrema bondade, mas também de atos cruéis e vingativos – e quem já leu o Antigo Testamento sabe que crueldade e vingança não são atributos específicos dos deuses pagãos. O ser humano cria deuses para afirmar sua própria natureza divina. Mas nem todas as religiões podem ser consideradas, por isso, antropocêntricas. As religiões politeístas têm, muitas delas, deuses com aparência de animais não-humanos. A crença de religiões orientais na reencarnação, comum, por exemplo, ao hinduísmo, o taoísmo, o budismo e o jainismo, afirma uma integração cósmica em que nenhum ser pode ser considerado superior a outro. Não surpreendentemente, estas religiões estendem aos demais animais os preceitos de não-violência, quando não defendem explicitamente o vegetarianismo. Em algumas culturas, porém, o ser humano separa os demais animais da divindade e da espiritualidade. E não se torna surpreendente que são essas culturas as que mais desrespeitam, exploram, vilipendiam dos demais animais e da natureza como um todo.

O monoteísmo abraâmico, especialmente em sua versão popular, optou por dividir a natureza humana em duas: a boa e a má, que posteriormente separou nas figuras de Deus e do Diabo (Satanás). As aspirações morais do ser humano se tornaram aspirações divinas e a violação das mesmas, atos pecaminosos. Muito freqüentemente os atos imorais são qualificados como bestiais, ou seja, típico das bestas, das feras, dos animais não-humanos. Assim, ao mesmo tempo atribuem nossa moralidade a uma entidade externa – Deus – e nossos desvios morais às “feras” a quem Deus e sua “moralidade” é inalcançável e até oposta. Desse modo, nós acabamos afirmando não apenas nossa superioridade sobre os animais, mas também nos separando totalmente desses. Os animais têm “instintos”, nós “razão” e “sentimento”, os quais vêm de Deus, e só tangível a nós, que temos alma e fomos criados à sua imagem e semelhança. Isso é não apenas uma negação da nossa própria condição de animais, mas igualmente a negação aos animais não-humanos da posse de qualquer atributo tido como humano, o que mostra que as religiões abraâmicas, além de antropocêntricas, são especistas. Especismo que foi estendido às ciências (cuja origem não está apartada da fé), sob o mito dos animais como seres “autômatos”, “irracionais” e puramente instintivos – mito que, embora já refutado pelos próprios critérios da ciência, continua forte no subconsciente coletivo ocidental.

O Deus abraâmico é um Deus antropocêntrico e especista, ou ao menos assim é concebido pela maioria esmagadora daqueles que nele crêem. Por isso, nesta época, os cristãos celebram o Natal, data símbolo da paz, do amor, do nascimento do Messias, matando animais em massa e comendo suas carcaças, sem qualquer indício ou resquício do amor e compaixão que é a pedra fundamental de sua fé.

Publicado também no Olhar Animal/PensataAnimal

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