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O conhecimento e a leitura proporcionam ao leitor liberdade para escolhas mais éticas e compassivas

Foto: Pinterest
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O Dia do Leitor é comemorado anualmente em 7 de janeiro. A data foi criada em homenagem à fundação do jornal cearense “O Povo”, criado em 7 de janeiro de 1928, pelo poeta e jornalista Demócrito Rocha.

O jornal ficou famoso por denunciar a corrupção, e pela criação de um suplemento para divulgação do movimento literário modernista.

Por meio da conscientização do leitor, da formação de seu senso crítico e força de opinião é que se constrói a solidez de um conhecimento independente e próprio, adquirido por meio da leitura e da informação.

É o leitor curioso, inconformado, ávido por informações e em sua busca pela verdade que abre caminho para que muitas crenças que são passadas para a sociedade por costume e interesses são desmascaradas e questionadas.

Foto: Pinterest
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Foram esses leitores que desafiaram a crença de que animais são comida, de que eles são inferiores a nós por isso podem ser explorados, mortos e escravizados. Leitores que descobriram a manipulação comercialmente conveniente por trás das informações que são passadas para o público, sobre a necessidade do leite das vacas, sobre a importância criada do consumo carne de bois, porcos, aves e outros animais e sobre incapacidade de sentir, amar e sofrer desses seres sencientes.

O esclarecimento por meio das informações dá poder aos leitores de todo mundo, que conscientes da crueldade destinada a esses seres que passam suas vidas presos com o único propósito de servir aos interesses humanos, ganham liberdade para mudar suas escolhas e passar a agir em defesa desses animais e contra uma indústria manipuladora e ambiciosa.

A importância do leitor é inquestionável, sua sede de conhecimento é motivo de comemoração neste Dia do Leitor, pois é graças aos leitores inquietos e corajosos do mundo que as informações falsas, a realidade deturpada e a cortina de mentiras que imperam na sociedade especista (doutrina que coloca o homem como superior às demais espécies do planeta e por isso livre pra dispor delas como bem entender) que rege o planeta dão lugar a mentes mais compassivas e éticas.

Que este Dia do Leitor seja um convite ao conhecimento e a reflexão, para que mais leitores possam se “apossar” da verdade, se juntar à luta pelos direitos animais e a transformar nossa sociedade em um lugar mais justo e pacífico para todas as formas de vida.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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Falta de informação ainda mata cães com leishmaniose visceral canina

Foto: Aguilar Abecassis

Manter a carteirinha de vacinação do animal atualizada é muito importante. Conforme especialistas, a vacina continua a ser o método de prevenção mais confiável e eficaz contra as doenças, entre elas uma que preocupa a todos: a da leishmaniose visceral canina, doença transmitida pelo mosquito-palha que afeta animais humanos e não humanos – e pode ser fatal em ambos os casos.

É que não havia tratamento reconhecido pelo Ministério da Agricultura para a doença, o que obrigava o tutor do animal diagnosticado a matá-lo, graças à legislação vigente. Mas, em setembro do ano passado, o Ministério aprovou a comercialização do Milteforan, uma das drogas mais utilizadas na Europa para o tratamento da doença, desenvolvida pelo grupo de pesquisas da Brasilleish, com o apoio do laboratório Virbac. O problema, apontam especialistas, é que muita gente não sabe disso e continua permitindo o assassinato de animais diagnosticados com a doença.

Além disso o especialista em infectologia e imunização animal, médico veterinário Paulo Tabanez, alerta para outro problema: a falta de adesão à vacina que protege contra a leishmaniose. Segundo ele, muitos tutores de cachorros desconhecem a vacina, no mercado desde 2008. “Quando os tutores procuram uma clínica veterinária para realizar as vacinas dos animais, muitas vezes o veterinário se esquece de orientar sobre a imunização contra a leishmaniose. A vacina não previne o contato, mas previne que o animal fique doente”.

Segundo ele, existem três tipos de vacina contra a leishmaniose: duas desenvolvidas na Europa e uma no Brasil. Mas antes de realizar a primeira dose da vacina, é necessário que o cão passe por um exame sorológico. Caso o resultado da triagem para doença seja negativo, o animal poderá ser vacinado contra a leishmaniose.

Cronograma

Só cães acima de quatro meses que tiverem o resultado do exame sorológico negativo podem tomar a vacina, segundo Paulo Tabanez. Na primeira vez, o animal precisa tomar três doses da vacina. “A primeira dosagem é após o resultado dos exames, a segunda dosagem após 21 dias da primeira dose e a terceira também. Depois, o reforço é anual”, explicou.

Fonte: A Crítica

Nota da Redação: Tutor, informe-se sobre a leishmaniose e trate seu animal, pois buscar o tratamento é um direito de todos nós, animais humanos e não-humanos. Matar animais pelo simples fato de estarem contaminados com a leishmaniose é uma prática antiética e cruel. A doença tem tratamento, esses animais têm o direito à vida e merecem receber os cuidados necessários.

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Feira vegana da virada sustentável traz delícias gastronômicas, informação, entretenimento e cultura

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Divulgação

A Feira Vegana da Virada Sustentável de São Paulo acontece nos dias 27 e 28 de agosto de 2016, das 11h às 20h, na Av. Jabaquara, 1673 – Colégio Santa Amália, com entrada franca. São 90 expositores que vão oferecer produtos gastronômicos e artesanatos exclusivos, produzidos de maneira sustentável e ecologicamente corretos, sem utilização de nenhum componente animal.

Este é o 24° evento promovido pela Vegnice Eventos Veganos & Ações Solidárias, recomendada pelo SEBRAE como referência em eventos veganos. Vale destacar que em 2015 a feira foi o maior evento da virada, com a participação de mais de 30 mil pessoas.

Neste ano serão 3 mil m² de feira, onde o visitante vai experimentar doces, salgados, comidinhas deliciosas, tudo sem lactose, com opções sem glúten, sem açúcar e orgânicos. Um dos destaques é famosa coxinha de jaca orgânica, salgadinho campeão das feiras veganas. O cardápio traz outras delicias como a feijoada vegana light, burguer artesanal de falafel, comida japonesa, indiana, árabe, mexicana, variedade de massas como: lasanha, nhoque, pizzas, fogazzas, etc.

Quem visitar a Feira poderá assistir, gratuitamente aulas de culinária vegana, de yoga, meditação, oficinas de produtos de limpeza ecológicos, palestras sobre primeiro socorros a animais, saúde, veganismo etc. Música, teatro, exibição de vídeos sobre impacto ambiental e sustentabilidade e proteção animal fazem parte da programação.

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Virada é dos Bichos
Dentro da feira vegana haverá a ” Virada é dos bichos”, num espaço exclusivo para atividades de animais e crianças. Serão realizadas muitas ações em prol dos animais e não faltará a feirinha de adoção de animais resgatados e a participação de ONGs que cuidam dos animais que viviam em situação de abandono.

VegNice Eventos Veganos & Ações Solidárias
É formada por uma família vegana que trabalha cooperativamente com organização de eventos veganos e ações solidárias que têm como principal proposta levar informação e conhecimento sobre o veganismo através de demonstração prática de que uma vida ética sem exploração animal é possível.

VegNice Eventos Veganos & Ações Solidárias é a maior organizadora de eventos veganos da América Latina, sendo, sendo citada como referencia pelo Sebrae e grandes mídias.

 

Serviço
Entrada franca – Local coberto.
Evento no Facebook
Site VegaNice
Data: 27 e 28 de agosto de 2016 (sábado e domingo)
Horário: 11h às 20h
Local: Colégio Santa Amália
Endereço: Av. Jabaquara, 1673 (ao lado do metrô Saúde)
Estacionamento particular nos arredores

Fonte: Notícias Terra

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São Paulo recebe 10° edição de Encontro Vegano em abril

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Divulgação

Desde 2014 levando ao público vegano e não vegano informação, cultura e prestação de serviço em prol de uma melhor qualidade de vida para as pessoas e todos os outros animais, o Encontro Vegano chega a sua 10ª edição. Promovido pela JMA J’adore mes amis, o próximo evento será realizado dia 10 de abril, na Associação Hokkaido, zona sul da capital paulista, e espera receber, aproximadamente, 3 mil visitantes. Para abrir o encontro com boas vibrações, haverá, às 10 da manhã, sessões de meditação e ioga.

Expositores promovem o consumo consciente apresentando ao público os mais variados artigos: roupas, calçados, acessórios, produtos de higiene e beleza e muitos outros itens, tudo livre de componentes de origem animal e não testados em animais.

Como sempre, a parte gastronômica é um dos destaques do evento, e os presentes poderão provar inúmeras delícias que também não levam nenhum ingrediente de origem animal: feijoada, coxinha, hambúrguer, bolos, sorvetes, pães, doces e tantas outras opções que, além de saborosas, são muito mais saudáveis.

Haverá ainda palestras sobre Direitos Animais, saúde, preservação ambiental e alimentação, oficinas, apresentações musicais, espaço para divulgação de ONGs e projetos de proteção animal, além de adoção de cães e gatos. Quem for ao evento também poderá colaborar doando ração para animais acolhidos por protetores.

Serviço:
10º Encontro Vegano JMA J’adore mes amis
Data: 10 de abril (domingo), das 12h às 20h (meditação e ioga às 10h)
Local: Associação Hokkaido
Endereço: R. Joaquim Távora, 605 – Vila Mariana – São Paulo/SP (próximo ao metrô Ana Rosa)
Entrada: Grátis
Programação e mais informações: www.encontrovegano.com.br
Facebook

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Aplicativo divulga rapidamente chamadas emergenciais e petições em defesa dos animais

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Divulgação

Atualmente o grande desafio das mobilizações está no tempo de distribuição de determinada informação, ou seja, muitas vezes uma convocação de ação leva dias ou até semanas para ganhar uma adesão em massa e/ou viralização.

A essência do aplicativo está nas notificações por PUSH (globais ou por geolocalização), onde todos os usuários serão notificados sempre que existir algum pedido de intervenção, que podem ser:

– Pedidos de assinatura para abaixo-assinados abolicionistas;
– Divulgação de eventos veganos;
– Sac Mass: envio de e-mail em massa para empresas exploradoras;
– Convocação para audiências públicas e passeatas;
– Convite para eventos de direitos animais;

Com este recurso de notificações, todos os usuários terão no mesmo segundo / minuto a informação “fresca”, permitindo que qualquer ação ou mobilização tenha uma rápida adesão com alta velocidade em um tempo curto.

“Imagine 30 mil ativistas se mobilizando no mesmo instante para compartilhar determinada campanha, ação e evento?”. Esta é a força que podemos gerar com o aplicativo.

Atualmente o aplicativo “LibertAÇÃO” está disponível apenas para o sistema Android, mas os gestores já estão buscando patrocinadores para desenvolver em iOS e Windows Phone nos próximos meses. Segundo o fundador, a proposta não possui sem fins lucrativos e com o sucesso a ideia é disponibilizar gratuitamente para outros países.

Para fazer o download, basta acessar o Google Play e pesquisar por “libertação”. O ícone do aplicativo é de um porco verde.

Fonte: Camaleão

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Como saber se um produto foi testado em animais?

Os maus-tratos a animais é um assunto que vem, cada vez mais, ganhando notoriedade na mídia e provocando reações negativas na população. É de conhecimento geral que muitas marcas de cosméticos realizam testes em animais, como ratos e coelhos, para observar os resultados e possíveis reações adversas.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Com exceção das empresas que declaram publicamente sua política de não crueldade, muitas não expõem seu posicionamento sobre o assunto, o que dificulta a busca pelas marcas ecologicamente viáveis. Existem também algumas opções, ainda que raras, de cosméticos vegan, que não só não são experimentadas em bichos como também são livres de matéria-prima de origem animal.

Como posso me informar?

Existem duas maneiras de descobrir se um produto foi testado em animais. O primeiro deles é ligando para o telefone gratuito disponibilizado pelas empresas para sanar dúvidas de consumidores a respeito de seus produtos. A maioria delas indica este número na própria embalagem.

O segundo método é checando a relação das empresas chamadas “cruelty free” (sem crueldade), que é disponibilizada por algumas organizações não governamentais. Certifique-se de checar uma fonte confiável, como o PEA (Projeto Esperança Animal), que indica quais empresas nacionais não promovem testes em animais, ou a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), que disponibiliza as listas atualizadas das multinacionais que testam seus produtos em bichos (link em inglês), bem como das que são cruelty free.

Nos sites do PEA e da PETA é possível consultar as empresas que não realizam testes em animais (Reprodução)
Nos sites do PEA e da PETA é possível consultar as empresas que não realizam testes em animais
(Foto: Reprodução)

Empresas que promovem testes em animais

Alguns dos nomes que constam na lista da PETA de empresas que realizam experimentos em animais são*:

Avon
Estee Lauder
Johnson & Johnson
L’Occitane
L’Oreal
Mary Kay
Maybelline (L’Oreal)
Procter & Gamble (P&G)
Revlon
Shiseido Cosmetics
Unilever

*Fonte: PETA, consultado em outubro de 2013.
Empresas que não fazem testes em animais

Algumas das companhias nacionais com política de não crueldade são*:

Água de Cheiro
Bioderm
Contém 1g
Davene
Éh Cosméticos
Embelleze
Eudora
Farmaervas
Granado
Impala
Jequiti
Koloss
L´aqua di Fiori
Leite de Rosas
Nativa Biocosméticos
Natura
O Boticário
OX
Quem Disse Berenice
Racco
Vult
Ypê

*Fonte: PEA, consultado em outubro de 2013.

Fonte: Bolsa de Mulher

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BBB12 propaga informação equivocada sobre castração de animais

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Na foto, Fael, veterinário participante do BBB (Foto: Reprodução)

Mais uma vez o gênero pouco educativo do reality TV funciona como veículo para propagar desinformação. Um dos participantes do BBB12, Fael, que é veterinário, declarou recentemente que seu gato adora sair para passear e fica desaparecido por dias. “Depois volta magro e todo ‘arrebentado’”.

Fael disse que sua mãe havia sugerido a castração do animal, mas ele disse que não faria “por pena”.

Em pleno 2012, ouvir um veterinário dizer esse tipo de atrocidade é um absurdo e a Globo deveria corrigir essa instância de irresponsabilidade social. É consenso que a castração é a forma mais eficaz de evitar a superpopulação de animais e no caso dos gatos, previne tumores de próstata e hérnias perineais, além de várias outras vantagens como menor risco de doenças, urina com cheiro mais fraco e menos fugas e brigas.

Assista o comentário.

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Você é o Repórter

"Animal Liberation Fest": SP promove balada vegetariana com música, palestras, vídeos e comida vegana

Seven Eight Life
seveneightlifexdivulg@hotmail.com

Imagem: Divulgação

Animal Liberation Fest é um evento independente idealizado e organizado pelo selo musical SEVEN EIGHT LIFE RECORDINGS, com o propósito e caráter ativista, e sem pretensões de ser uma ONG, mas sim tentar levar o maior número de informações sobre a vida animal, meio ambiente, veganismo, vegetarianismo através de palestras, exposições, vídeos, material independente, bandas, etc, transmitindo tudo aquilo que acreditam e seu aprendizado, ajudando e divulgando trabalhos, pessoas, organizações e o que for positivo para que a cada dia mais e mais gente consiga ter acesso a uma diversidade de informações ligadas a tudo isso.

Animal Liberation Fest

Domingo, 15 de Maio – das 15 às 22h
”Informação – Música – Vídeos – Comida Vegana – Material Independente”
Local: MATILHA CULTURAL
R. Rego Freitas, 542 – Consolação – São Paulo

Entrada: R$10,00 / Censura: LIVRE

Ingressos* Limitados antecipados à venda:
Local: GALERIA DO ROCK
Loja FLAME STORE – Lj. 222 – 1° andar
Av. São João, 439 – Largo do Paissandú / SP

Será proibida entrada de bebidas alcóolicas.

Serviços no local:

– Segurança
– Elevador e rampa de acesso para cadeirantes e deficientes físicos
– Banheiros
– Lanchonete Vegan
– Estacionamento apenas particulares, na mesma rua

Bandas:

° PURIFICATION (ITÁLIA)
° STILL STRONG
° GOOD INTENTIONS
° EU SEREI A HIENA
° POSITIVE YOUTH
° BUSSCOPS

Palestras e vídeos:

– Alex Avancini (Vegan Staff)
– Matteo Ferrari (Itália)
– Júlio Mancha (Liberação Animal)

Feira vegan:

– Comida
– Acessórios
– Camisetas
– Material Independente

Discotecagem:

– Balanço do Bom

Distribuição gratuita:

– Revistas
– Informativos
– Adesivos
– Sticker Action
– Fanzines
– Flyers

Contato: sevenxeightxlife@terra.com.br

* Para quem não reside em São Paulo e não conseguir comprar o ingresso antecipado do ANIMAL LIBERATION FEST, pode fazer sua reserva através do e-mail do evento, fornecendo nome completo, RG e cidade, que retornaremos com a confirmação.

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Tao do Bicho

Mídia dardeja (contra) o vegetarianismo

A grande mídia tem expressado recentemente, de forma efusiva, o que parece ser o receio de uma parcela da sociedade: a possibilidade de as dietas vegetarianas se difundirem. E, para tanto, contra-ataca.

Entre o fim de março e o início deste mês de abril de 2011, foram publicadas pelo menos três matérias na grande imprensa que, se não tiveram o propósito de denegrir o vegetarianismo em suas diversas formas, conseguiram, pelo menos, confundir os leitores no que tange à viabilidade e aos benefícios de tais dietas. Seriam matérias pagas? Ou apenas sem fundamento, isto é, escritas por pessoas ignorantes no que toca às dietas vegetarianas? Não sabemos. Mas, qualquer que seja a resposta, é impossível não lembrar a máxima: a ignorância é vizinha da maldade.

Das três matérias citadas antes, duas foram publicadas na Revista Época, em março de 2011 [1]. Em uma delas, intitulada “Agora sou vegetariana” [2], a autora, Cristiane Segatto, apresentada pela revista como “repórter especial, que escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo”, lamenta a decisão de sua filha de 10 anos de (tentar, pois foi impedida por ela!) aderir à dieta vegetariana.

Escreveu a autora em tom melodramático: “Meu mundo caiu quando minha filha de 10 anos disse isso. Onde foi que eu errei? Onde eu estava quando esses pensamentos tortos começaram a entrar na cabecinha dela?” “Quem a salvaria de tal sandice?”, entre outras bobagens.

A matéria, até então, já estava bastante mal encaminhada, mas a autora parece ter feito questão de deixá-la ainda pior. Embora tenha reconhecido que se preocupar com os animais era uma coisa bacana por parte da sua filha, concluiu seu (des)informativo texto afirmando que (sic), “infelizmente, ter uma alimentação restrita não é saudável. Como humanos que somos precisamos comer carne para ter todos os nutrientes necessários para a nossa saúde”.

É interessante destacar que a autora menciona o trabalho sério e competente do Dr. Eric Slywitch, da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), mas preferiu acreditar nas velhas fórmulas sem respaldo científico, repetidas ad nauseam por médicos que não estudaram o assunto. De fato, não só resolveu não dar crédito à valiosa opinião do Dr. Eric, mas deixou de consultar fontes importantes e até conservadoras, como a American Dietetic Association (ADA), que, em seu Journal of the American Dietetic Association, de julho de 2009, volume 109, número 7, assegura a viabilidade das dietas vegetarianas, incluindo as veganas, em todas as fases da vida, e até para atletas [3]. Isso apenas para citar um exemplo de um documento respaldado por inúmeros estudos (são cinco páginas só de referências bibliográficas) e que teve o aval de diversos pesquisadores que, ao contrário da maior parte dos médicos e nutricionistas ativos no mercado de trabalho, estudaram o assunto. E nem vou entrar na seara dos malefícios, também comprovados, que envolvem a ingestão de carne. Fico por aqui, no caso dessa matéria.

A outra, também da Revista Época, intitulada “Quem inventou o cachorro vegetariano?”[4], de Mario Marcondes, veterinário, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, trata da possibilidade de oferecer dietas vegetariana a animais como cães, o que em princípio parece bem intencionado. Mas ela contém algumas impropriedades e argumentações esdrúxulas que tem início já na chamada para a matéria, onde se lê:

“A moda de negar carne a animais carnívoros mostra que a humanização (cada vez maior) dos bichos domésticos não tem limites – e pode prejudicá-los”.

Em primeiro lugar, não se trata de moda, e sim de preocupação de cunho ético. Em segundo lugar, não se trata de humanização, ou antropomorfização (como depois o autor diz no texto), no sentido de compulsão de imputar atitudes e sentimentos humanos aos animais, como é o caso, isso sim, de roupinhas, laços de fita e outros adornos que muitas clínicas veterinárias adoram vender (também mencionados no texto, mas de forma a dar a entender que estão no mesmo patamar das atitudes de cunho ético). E, por último, ressaltar que tal prática (o vegetarianismo) pode prejudicá-los, em vez de beneficiá-los (quando o próprio autor cita exemplos de benefícios no texto).

A matéria expõe também alguns contextos de interações dos humanos com os cães, muitas das quais maléficas para eles, bizarras, ou antiéticas em algum sentido, como é o caso da cadela Laika, enviada como “heroína” (sic) para morrer em uma expedição espacial famosa, ou o de Lassie, uma cadela da raça rough collie treinada para divertir os humanos na indústria cinematográfica. O texto cita ainda contextos questionáveis ou bizarros, como uma herança milionária recebida por um cão maltês e um velório de uma cadela da raça west white highland terrier.

Todavia, o que mais chama a atenção é o “silêncio” no que concerne aos malefícios das rações com carne, teoricamente adequadas para esses animais, muitas das quais são de péssima qualidade. Se algum leitor se sentiu compadecido ao ler que alguns carnívoros foram/ estão sendo obrigados a ingerir uma dieta vegetariana, lembro que, nos casos das rações de má qualidade, os pobres animaizinhos são igualmente forçados a ingerir um alimento que não escolheram, e que tampouco conta com qualquer garantia em termos de co-evolução. Concordo que tem gente estúpida o suficiente para obrigar seu cão ou gato a manter uma dieta vegetariana não-balanceada (assim como fazem consigo mesmos, para depois alegarem que a dieta não é saudável) e, com isso, causar prejuízos à saúde do animal. Nesse sentido, vale o questionamento. Mas não abordar a questão dos perigos das rações que contêm carne é, no mínimo, estranho (talvez alguns anunciantes de tais revistas não tenham permitido tal questionamento).

Como no caso da matéria anterior, muito ainda poderia ser dito. Mas encerro comentando um argumento do autor de que um animal da ordem Carnivora não poderia ou deveria ser convertido a uma dieta vegetariana: os pandas, por exemplo, comedores de bambu, também pertencem à ordem Carnivora. Mas parece que evoluíram com o tempo (he,he).

O terceiro texto, sobre o qual teço um rápido comentário, foi publicado na prestigiada Folha de São Paulo [5] e o autor, Ricardo Lísias, é doutor em literatura brasileira pela USP e escritor.

A “chamada” para a matéria diz que o escritor, que encarou quatro dias de “ecologista radical”, conta que se sentiu fraco com a dieta vegana (sic), além de não ter topado fazer xixi só no banho.

Essa talvez seja a pior matéria entre as três. O autor ensaia um estilo pretensamente divertido ao escrever, mas seu humor é pesado, como diriam os franceses. Sem falar na profusão de boçalidades que ali capeiam soltas.

Para começar, feliz será o dia em que os ecologistas que se autointitulam radicais, ou rotulados como radicais por outras pessoas, forem veganos. Eu, pessoalmente, não conheço nenhum! E, pasme o leitor, sou professora de um departamento de Ecologia de uma universidade federal. De fato, não há nada mais irreconciliável do que ecologistas radicais (sic) e veganos, já que estes últimos são geralmente movidos pela ética dos direitos dos animais, um assunto considerado menor, ou até risível, por parte dos tais ecologistas do naipe citado pelo autor. Mas aqui reconheço que Ricardo Lísias pode ter feito um favor aos animais: associar os ecologistas – quase todos churrasqueiros inveterados – à dieta vegetariana, algo que seria coerente.

O autor comete injustiças e afirma diversas inverdades e informações equivocadas quanto à dieta vegana. Uma das primeiras foi a de que almoçou 750 g de alimento exclusivamente vegetal e não ficou satisfeito, além de reclamar (diversas vezes no texto) que ficou irritado, com medo de enfraquecer, etc. Além de ser muito estranho alguém enfraquecer tão rapidamente em decorrência de uma dieta vegana conduzida num período tão exíguo (quem sabe o autor já estava com a saúde debilitada ao tentar a dieta nova?), a primeira e óbvia pergunta que se coloca é se seu prato estava composto de forma correta, sobretudo em termos calóricos. Todos nós concordamos que pratos pouco calóricos não saciam a fome. Mas não está escrito em lugar nenhum que a dieta vegana tem que ter um baixo conteúdo calórico. Talvez desconfiado de que possa ter sido essa a causa da sua fome, o autor diz que preparou uma “feijoada vegetariana” que ficou um horror (o autor foi, contudo, salvo por uma banana com quinua – ufa!). Ora, mais uma vez, a cozinha vegana não pode ser culpada pela baixa performance culinária de alguém que não conhece minimamente o assunto. Aliás, nem precisa conhecer. Basta bom senso e boa vontade. Até cozinheiros preguiçosos e sem expertise, como eu, conseguem preparar um prato rápido com massa à base de sêmola e cortes finos de abóbora passados no alho e no azeite de oliva, numa panela de ferro. Pode-se adicionar meia dúzia de castanhas, se houver em casa, ou não. Um prato assim não precisa (nem deve!) pesar 750g, repõe as energias e sacia a fome, mesmo voltando de um treino de Kung Fu de uma hora e meia!

Mas o autor não abandona seu pacote de maldades contra o veganismo: se pergunta se não haveria algum fetiche no vegetarianismo radical (ele parece não compreender as motivações de cunho ético subjacentes à questão), e insiste que a dieta vegana (apenas em seu segundo dia!) está mexendo (negativamente, bem entendido) com ele: se sente irritado e se pergunta se poderá ficar burro? Essa foi uma pérola e tanto! De fato, já ouvi um argumento semelhante por parte de uma pessoa pouco instruída, mas confesso que me surpreendi no caso do doutor Ricardo. Vale salientar que, como no caso anterior – o de “ficar fraco” – o questionamento deve se remeter a um tempo anterior ao da dieta vegana por ele adotada naquele período exíguo. E, no caso, eu usaria a palavra “estúpido” em lugar de “burro”, por ser essa última uma expressão especista que denota a dicotomia cultura-natureza, muito presente mesmo nos meios intelectualizados.

O autor finaliza seu diário com mais uma série de afirmações bobas, como dizer que sonhou com um boi que, mesmo abatido, continuava gritando com ele, e com uma horta que o atacou, o que o fez se sentir ridículo (nisso eu concordo!). Isso, sem explorar outras passagens infelizes como a que ele expõe, sem pudor, seus preconceitos para com os chineses.

Para terminar, ele encerra a tola peça jornalística com aquelas clássicas afirmações típicas de pessoas totalmente desinformadas acerca dos motivos que movem o veganismo, tais como: “Não acho cruel extrair leite de um animal para consumo” e, “até o ovo?”, como se tais “produtos” fossem resultantes de cadeias produtivas ética, política e ecologicamente corretas. Por último, ainda diz que o veganismo é caro. É claro que, se frequentarmos somente restaurantes elegantes, ou se a parte mais expressiva de nossos pratos for composta por produtos como tofu, nozes macadâmias e cogumelos, o preço da refeição vai subir. Mas, de novo, em nenhum lugar está recomendado que as refeições veganas tenham que ter tais ingredientes. Num bom e barato “sacolão” (feirão de legumes e vegetais), é possível encontrar ingredientes para preparar pratos maravilhosos e nutricionalmente adequados.

Embora o autor tenha pretensamente tentado aderir à dieta vegana, entre outras atitudes ecologicamente corretas, no que se refere ao veganismo, sua tentativa poderia ser equiparada à de alguém que tenta fazer um churrasco (para situar a questão num contexto bem conhecido) jogando a carne – sem sal e com plástico e tudo – em cima de uma grelha. Também não daria certo.

Concordo com o teor da última frase do autor (embora não com o sentido expresso no texto), de que o problema urgente é a fome. Sim, a fome de toda a humanidade e dos indefesos animais predadores de topo poderia ser saciada, caso adotássemos uma dieta vegana. Ah, sim, esqueci que o autor não entenderia qual é a conexão entre as questões que acabo de afirmar. Explico: se não devastássemos tantos ecossistemas naturais – habitats de tais animais e de tantas outras espécies – para plantar grãos (commodities) para dar continuidade à pecuária, poderíamos acabar com a fome no planeta: a dos humanos (de forma direta) e a dos predadores de topo (ao garantir acesso aos seus territórios).

Já disse isso uma vez, mas repito: é lamentável que, na chamada era da informação e do conhecimento, sejam publicadas matérias eivadas de afirmações equivocadas, ultrapassadas e sem respaldo científico no que tange à saúde humana (tanto individual quanto pública), animal e planetária. É ainda triste constatar que os principais meios de comunicação sejam acríticos ou coniventes com matérias que não apenas atrasam a construção de um mundo mais sustentável nos planos ético e ambiental, mas, de fato, obstruem quaisquer avanços em todos esses planos. Quem escreve tais matérias são, teoricamente, pessoas de alto gabarito intelectual que têm nas mãos meios de comunicação que atingem um grande número de pessoas. Mas elas andam sem freios: podem escrever qualquer coisa, uma vez que não há quem as questione (ou será que esses conteúdos vêm ao encontro do que almejam os grandes anunciantes de tais revistas?).

Enfim, como disse um ilustre colega da UFSC, “depois de o veganismo (frente à grande mídia) ter subido de ´elevador´ através dos Obama [6], os veganos tinham que ser chamados à terra”… Haja paciência!

Agora, por favor, me deem licença que estou saindo para meu treino de Kung Fu (sim, veganos têm muita energia para gastar!). Permitam-me desfrutar desse oásis repositor de boas energias, num mundo onde pululam contextos repletos de aleivosidades, ignorância e más intenções.

Notas:

1. Não é meu objetivo aqui fazer uma análise sistemática das três matérias jornalísticas citadas antes, mas apenas comentar alguns trechos.

2. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI221142-15230,00-AGORA+SOU+VEGETARIANA.html

3. No original (p.1266): It is the position of the American Dietetic Association that appropriately planned vegetarian diets, including total vegetarian or vegan diets, are healthful, nutritionally adequate, and may provide health benefits in the prevention and treatment of certain diseases. Well-planned vegetarian diets are appropriate for individuals during all stages of the lifecycle, including pregnancy, lactation, infancy, childhood,and adolescence, and for athletes.

4. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI221339-15228,00.html

5. Folha de São Paulo, Diário de um ecochato; Cotidiano; domingo, 17 de abril de 2011. http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/foia-alfacista.jpg

6. Referência ao fato de a primeira-dama estadunidense Michelle Obama ter solicitado uma dieta vegana quando da vinda da família Obama ao Brasil, em março de 2011.

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Rio Claro (SP) inaugura Centro Cirúrgico com meta de castrar 100 animais por mês

Rio Claro inaugura, nesta sexta-feira, 15, às 8h, o Centro Cirúrgico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Fundação de Saúde do município, localizado à Rua Alfa, s/nº, no Distrito Industrial. O novo atendimento deverá ter impacto significativo nas ações que prevêem conscientizar a população sobre a tutela responsável de animais, em especial cães e gatos. A guarda responsável, conceito que incentiva o tutor a adotar cuidados básicos com o animal já é, há tempos, tema de palestras que o setor de Informação, Educação e Comunicação (IEC) do CCZ realiza com frequência em escolas, associações e entidades que solicitam essa orientação.
Foto: Reprodução/ RC

Com o funcionamento do Centro Cirúrgico, devidamente equipado, a prefeitura vai dar início à castração gratuita de animais na cidade. Estimativas dão conta de que existam 35.000 cães e 8.000 gatos no município. O objetivo principal é controlar a população de animais e, com, isso, obter resultados também na redução de zoonoses (doenças transmitidas por animais), acrescentando-se que a ação deve, ainda, reduzir os casos de maus-tratos de que são vítimas os cães e gatos.

As cirurgias visarão, num primeiro momento, os bairros mais distanciados do centro, onde se constata maior número de cães e gatos soltos nas ruas, como o Novo Wenzel, Bonsucesso, Nova Rio Claro e Terra Nova.  “Posteriormente, vamos incluir outros bairros, mas sempre priorizando áreas onde se concentram pessoas mais carentes, que não têm como castrar seus animais de companhia em clínicas particulares”, explica o secretário de Saúde, Marco Aurélio Mestrinel.

O Centro Cirúrgico instalado no Centro de Controle de Zoonoses atuará com um médico veterinário e um auxiliar e ambos estarão em ação em tempo integral, das 7h às 17h, de segunda à sexta-feira. Quando houver necessidade, um segundo veterinário estará disponível para realizar as cirurgias. “A meta é castrar 100 animais por mês, entre cães e gatos, machos e fêmeas”, informa o coordenador do CCZ, Josiel Hebling.

Fonte: Canal Rio Claro

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Toxoplasmose e a ética na propagação de informações

Por Renata de Freitas Martins (da Redação)

Na última segunda-feira (04.04.2001) tivemos no chamado horário nobre da televisão brasileira mais uma disseminação totalmente errônea e preconceituosa de informação.

Trata-se de novela no canal de maior audiência em todo o país, em cena na qual uma personagem que está grávida avista um gato em cima de seu carro e fala para outra personagem algo como “ai que gracinha… mas tire-o daí porque não posso nem chegar perto pois posso pegar toxoplasmose”.

Não apenas na citada novela, mas por vezes em programações distintas, tais informações são infelizmente disseminadas, sendo que até mesmo alguns médicos aconselham grávidas a se livrar dos bichanos, o que gera, consequentemente, um enorme aumento no abandono destes animais, que são simplesmente descartados como qualquer objeto que não mais tem valia.

Assim, faz-se necessário urgentemente que mais uma vez tratemos do assunto, visando esclarecer certas lendas sobre a toxoplasmose, em especial a transformação de gatos em seus vilões, o que, definitivamente não é correto.

Toxoplasmose é doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. O parasita é capaz de invadir, naturalmente, qualquer organismo animal de sangue quente (homeotermos), nos quais se multiplica em ciclo assexuado. É parasita estrito do interior da célula (intracelular), e principalmente células do sistema nervoso central, endotélios e dos músculos estriados, como o são aqueles esqueléticos e do coração (miocárdio).

Sua transmissão, diferentemente do que a cultura popular prega, não é dada exclusivamente por gatos (note-se que não é o gato que transmite, e sim o contato direto com as fezes “velhas” de animal que porventura esteja contaminado) . Aliás, muito pelo contrário. O modo mais comum de transmissão da toxoplasmose é a ingestão alimento contaminado, principalmente carnes cruas e mal cozidas.

Quando um ser humano tem seu primeiro contato com agente causador da toxoplasmose, ele pode desenvolver sintomas semelhantes aos de uma gripe, como dores no corpo, tosse, entre outros. As defesas do organismo costumam ser suficientes para conter o processo, embora pessoas com deficiências imunológicas (portadores de Aids e câncer, por exemplo) possam desenvolver sintomas graves em função dessas infecções. O parasita pode ainda retornar caso a imunidade seja afetada no futuro. Após esta primeira infecção o indivíduo normal ganha imunidade contra a doença.

O grande perigo da infecção ocorre quando uma mulher gestante entra em contato com o Toxoplasma pela primeira vez em sua vida e desenvolve a infecção, mas a mulher gestante pode se prevenir não comendo alimentos crus ou mal cozidos, usando luvas ao fazer jardinagem (lavando as mãos depois). É bom que a gestante possa saber se já tem ou não anticorpos contra a toxoplasmose, até para poder regular o grau de atenção para as medidas preventivas. Isso se consegue por meio de um exame de sangue.

Feito esse breve esclarecimento, de se ressaltar que a divulgação de informações de forma equivocada, além de ser prejudicial aos gatos, também faz com que a omissão na informação da transmissão por meio da alimentação, por alimentos como leite, verduras mal lavadas e carne, que é a grande fonte de infecção, é um grande erro no ponto de vista sanitário e de saúde pública, pois nega à população uma importante informação para a prevenção da contaminação. Assim o preconceito sempre estará acima da verdade e informação.

Neste mesmo sentido discorre Nara Amélia da Rosa Farias, en “Toxoplasmose: Realidade e Preconceitos”, Revista Acadêmica de Medicina Veterinária da Faculdade de Veterinária- UFPel- v.01,n.02 , 02/2002:

“(…) ainda existe uma grave falta de informação entre os profissionais da área da saúde e, consequentemente, do público, quanto aos riscos de infecção dos humanos a partir de seu gato de estimação. Por isso, ainda são frequentes recomendações preconceituosas e sem embasamento científico feitas por médicos e veterinários, quanto aos animais de estimação.

O conhecimento de características biológicas e epidemiológicas do parasita esclarece os verdadeiros riscos de infecção para o homem e os animais, tornando possível a recomendação de medidas realmente efetivas para seu controle.”

Um trabalho de informação à população é fundamental para se esclarecer sobre a toxoplasmose e evitar a contaminação.

Aliás, sobre este assunto, muito bem nos ensina o insigne promotor de Justiça, Dr. Laerte Levai, em seu livro Direitos dos Animais:

“Não é justo discriminar os gatos pela transmissão da toxoplasmose, mesmo porque esses animais têm costumes higiênicos bem apurados (enterram nas próprias fezes e demonstram asseio corporal). O que pouca gente sabe, no entanto, é que os gatos – em regra quando pequenos – eliminam naturalmente o toxoplasma, ficando livres, em definitivo, do protozoário. A situação de penúria e abandono que tantas vezes atinge os bichanos, fazendo com que eles precisem caçar para sobreviver, pode eventualmente trazer a doença. Nesta hipótese, medidas efetivas de conscientização ambiental e de guarda responsável mostram-se fundamentais para enfrentar o problema”.

Portanto, pelo breve exposto, é notório que a contaminação de toxoplasmose por meio do contato com gatos é mais uma das maldosas lendas urbanas, e, infelizmente, adotada por muitos, e inclusive pela imprensa, que, infelizmente, deixa de cumprir seu próprio código de ética (art. 2º: “A divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública, independente da natureza de sua propriedade”).

Ética nos meios de comunicação é essencial para a correta disseminação de informações e consequente formação de uma sociedade com atitudes corretas e justas!

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Notas

– Texto baseado em artigo originalmente publicado em [http://www.conjectura.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=90:toxoplasmose&catid=4:etica&Itemid=2]

– É importante salientar que o contato direto com o gato, não representa risco de infecção para o ser humano, pelos motivos a seguir expostos: – o período de eliminação de oocistos é muito reduzido; – os oocistos precisam de, no mínimo, um dia no ambiente para se tornarem infectantes e, portanto, o contato com fezes frescas não representa risco; – mesmo durante a eliminação de oocistos, os gatos geralmente não apresentam diarreia. Este fato, somando-se aos hábitos de higiene do animal, faz com que não permaneçam resíduos fecais na região perianal, nem em sua pelagem, eliminando o risco de infecção dos humanos que o acariciem; –  mordidas e arranhões de gato são improváveis formas de transmissão do protozoário, uma vez que, mesmo durante a fase aguda da doença, dificilmente existirão taquizoítos na cavidade oral do felino, e nas unhas, essa possibilidade é nula.

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