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Parlamentares investigarão impacto ambiental da indústria da moda no Reino Unido

Membros do parlamento investigarão o impacto ambiental da indústria de fast fashion, a moda descartável, no Reino Unido. A apuração ocorre em meio a preocupações crescentes de que essa indústria multi-bilionária está desperdiçando recursos valiosos e contribuindo para a mudança climática.

O inquérito, lançado pelo comitê de auditoria ambiental da Câmara dos Comuns, vai explorar o impacto do carbono, o uso de recursos e a pegada hídrica das roupas ao longo de todo o seu ciclo de vida e cadeia de suprimentos.

Graças à indústria do fast fashion, mais de 300 mil toneladas de roupas vão para aterros todos os anos. Foto: Stan Honda/AFP/Getty Images
Mais de 300 mil toneladas de roupas vão para aterros todos os anos. Foto: Stan Honda/AFP/Getty Images

Maiores taxas de reciclagem de roupas podem reduzir o desperdício e a poluição, além de tornar esse influente setor em um negócio “próspero e sustentável”.

“A moda não deve prejudicar Terra”, disse Mary Creagh parlamentar chefe do comitê. “Mas a maneira como projetamos, fabricamos e descartamos roupas tem causado um enorme impacto ambiental. Produzir roupas requer emissões que alteram o clima. Toda vez que lavamos as roupas, milhares de fibras de plástico passam vão parar nos oceanos. Não sabemos onde ou como reciclar as roupas após o fim de sua vida útil. ”

De acordo com o British Fashion Council, a indústria de moda do Reino Unido contribuiu com 28,1 bilhões de libras para o PIB nacional em 2015, acima dos 21 bilhões de libras em 2009.

Mas o mercado globalizado de fabricação de moda facilitou um fenômeno de “fast fashion” – uma proliferação de roupas baratas, com um volume de negócios rápido que incentiva os consumidores a continuar comprando, alerta o comitê.

As matérias-primas usadas para fabricar roupas exigem terra e água, ou extração de combustíveis fósseis. O dióxido de carbono é emitido por toda a cadeia de fornecimento de roupas, e alguns corantes químicos, acabamentos e revestimentos podem ser tóxicos.

Pesquisas descobriram que as microfibras de plástico na roupa são liberadas quando são lavadas e acabam nos rios, no oceano e até mesmo na cadeia alimentar dos seres humanos.

No ano passado, a estilista Stella McCartney condenou seu próprio setor como “causador de muito desperdício e prejudicial ao meio ambiente”.

Um relatório da Fundação Ellen MacArthur estimou que aterros para o descarte de roupas custam anualmente £ 82 milhões (R$ 411.471.900). O documento advertiu que, se a indústria global da moda continuar crescimento neste ritmo, poderá usar mais de um quarto do orçamento anual de carbono do mundo até 2050.

Uma solução para o inquérito seria encontrar uma maneira de encorajar os consumidores a comprar menos roupas, reutilizá-las e pensar sobre a melhor forma de descartá-las quando não forem mais desejadas.

Estima-se que 300.000 toneladas de resíduos de moda vão diretamente para aterros a cada ano, apesar dos crescentes esforços para encorajar os consumidores a reciclar suas roupas descartadas.

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