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Marca Burberry deixa de usar pele animal em busca de sustentabilidade

A marca de artigos de luxo Burberry anunciou que irá parar de usar pele de animais e de incinerar roupas, acessórios e perfumes não vendidos. Por trás da decisão há um interesse em tentar se adequar com a tendência sustentável, cada vez mais exigida pelos consumidores.

(Foto: AFP)

Atualmente, é possível encontrar nas lojas da empresa produtos feitos com pele de animais como coelho, raposa e guaxinim asiático. Para que esses produtos sejam fabricados, animais têm a pele retirada ainda vivos. A justificativa para causar tamanho sofrimento é a de manter a qualidade da pele. Esses animais são capturados na natureza através de armadilhas cruéis, que os agridem física e psicologicamente, ou são mantidos aprisionados em fábricas, onde são criados para que sejam esfolados vivos. As informações são da BBC.

Devido à pressão que vem sofrendo de ativistas pelos direitos animais e da sociedade em geral, a Burberry decidiu tentar se alinhar a práticas sustentáveis e éticas. A empresa diz que firmou parcerias para desenvolver novos tipos de material, sem pele animal, e para reutilizar sobras de tecido, além de ter se comprometido a tirar de linha, de forma gradual, as peças com pele de animais. Entretanto, o couro, também símbolo do sofrimento animal, continuará sendo usado pela empresa.

A decisão da marca recebeu o apoio da organização PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, ou Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). “As poucas casas de moda que se recusam a se modernizar e a ouvir a opinião pública que é contra o uso de pele verdadeira agora estão em evidência”, afirmou Peta. “Se eles querem permanecer relevantes em uma indústria em constante mudança, não têm escolha a não ser parar de usar peles roubadas de animais para seus casacos, golas e punhos”, acrescentou.

Produtos incinerados

Nos últimos cinco anos, a Burberry destruiu produtos com valores que, somados, ultrapassam 90 milhões de libras, o equivalente a aproximadamente 446 milhões de reais. Apenas em 2017, foram incinerados produtos no valor total de 28,6 milhões de libras, cerca de 141,7 milhões de reais. A prática tinha o objetivo de preservar a marca, impedindo que os produtos fossem furtados ou vendidos a um valor abaixo do de mercado.

(Foto: Getty Images)

No ano passado, apenas em perfumes foram destruídos 10 milhões de libras. A justificativa da empresa foi a de que um novo acordo com a companhia americana Coty, para fabricação de novos estoques, teria motivado a destruição dos produtos.

Ambientalistas, ativistas e até mesmo acionistas da empresa, no entanto, não estavam satisfeitos com a atitude da Burberry e a pressão fez com que a marca recuasse, anunciando o fim da prática de incineração de produtos não comercializados e se comprometendo a adotar práticas mais sustentáveis.

Dentre as práticas que devem ser adotadas, está a criação de um grupo com o Royal College of Art de Londres para que novo materiais sustentáveis possam ser produzidos. Além disso, a empresa, que afirma já reutilizar, consertar, doar e reciclar produtos, comprometeu-se em aumentar os esforços para não destruir peças encalhadas.

“Luxo moderno significa ser social e ambientalmente responsável”, afirmou o executivo-chefe da Burberry, Marco Gobbetti. “Essa crença é fundamental para nós na Burberry e fundamental para o nosso sucesso a longo prazo. Estamos comprometidos em aplicar o mesmo princípio em todas as partes da Burberry, como fazemos com nossos produtos”, concluiu.

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