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Por que os gatos fazem xixi fora da bandeja sanitária?

Quando o homem começou a procurar um local para fixar-se, lá estava o gato. Logo que desenvolveu a agricultura – entre 10.000 e 12.000 a.C. – o homem deixou de ser nômade e começou a estreitar os laços de amizade com os felinos. E tudo teve início como uma troca de favores: o homem passou a armazenar alimento; com a estocagem de grãos, vieram os roedores, que, por sua vez, atraíram os gatos. O mais antigo fóssil que comprova essa amizade é de 9.500 a.C. Descoberta em 2004, a ossada de um gato selvagem dividia a tumba com a de um humano. O achado derruba a tese de que os egípcios teriam sido os pioneiros na domesticação dos felinos.

Comportamento

O sistema social dos gatos é flexível, permitindo que vivam sozinhos ou em grupos de número variável de indivíduos, porém vivem num grupo unido e, dificilmente, aceitam gatos de fora. Vivem em sociedade matriarcal, ou seja, têm um sistema centrado na mãe, que é dominante sobre sua descendência. Os gatos tendem a viver em quatro formas diferentes: em um extremo está o animal selvagem, independente e bravio, totalmente autossuficiente. Outro estilo inclui o gato urbano sem dono ou errante, interdependente e bravio, que tende a ter um  grupo interativo. Outro tipo é o gato domesticado, dependente e errante, que é alimentado por pessoas estranhas. E o gato urbano criado em casa, que depende totalmente de seu guardião humano.

A arranhadura é uma marca visual onde são depositadas secreções das glândulas entre os dedos e significa marcação de presença. Esfregando as bochechas, o dorso e a base do rabo, o gato deposita outras marcações de odor e são de familiarização. Comunicam-se e demarcam território pelo odor, por meio da urina. E não gostam de compartilhar o território. O gato é capaz de identificar o sexo e demais características de outros gatos pela urina. A comunicação tanto por contato visual quanto pelo comportamento de marcação minimiza o contato físico com outros indivíduos.

 Os gatos ainda não estão totalmente domesticados. A domesticação é um processo que requer várias gerações de acasalamentos seletivos, de modo a permitir mudanças fisiológicas, morfológicas e/ou comportamentais. Não se sabe quanto tempo esse processo pode levar. O processo de domesticação do gato, felis catus, foi único. Inclusive cogita-se a hipótese de os gatos terem passado por “autodomesticação”: isto é, os humanos influenciaram pouco nas mudanças, exceto pela permissão dos gatos próximos a eles, a fim de aumentarem a chance de sobrevivência e de melhor desempenho reprodutivo.

O acasalamento durante o processo de domesticação de vários animais foi norteado pela seleção de características comportamentais, resultando em maior docilidade e facilidade de treinamento –  exceto para os gatos. Os gatos seguiram a urbanização de populações humanas, de modo que o acasalamento era mais uma questão de proximidade que de seleção humana. Foram renegados em relação à proteção e companhia com o extermínio em massa na Europa e, obviamente, não se adotou o acasalamento seletivo. Mesmo com o retorno dos gatos auxiliado pelas Cruzadas, a situação era mais de tolerância que de aceitação total. Portanto, historicamente, vários anos se passaram antes que os gatos conseguissem uma posição na qual o acasalamento seletivo pudesse contribuir no desenvolvimento de características comportamentais desejáveis para um animal domesticado. Logo, o gato ainda é muito instintivo. O odor é importante para a marcação do território e na identificação sexual.

Os gatos têm um órgão chamado vomeronasal, no céu da boca, que os ajuda a identificar odores. É como se sentissem o “gosto” do cheiro. É considerado o segundo sistema olfativo do gato. A natureza do estímulo sugere que esse sistema identifica também os feromônios. Pode ter respostas seletivas com relação quase exclusiva à urina do macho ou da fêmea.

Fora do local apropriado

Fazer xixi fora da bandeja sanitária é um comportamento comum em gatos, mas é importante diferenciar o ato de urinar fora da bandeja e o espalhamento (borrifação ou esguicho) da urina. São dois aspectos  diferentes.

Vários são os fatores que influenciam o ato de urinar fora da bandeja sanitária:

 Infecção, inflamação das vias urinárias: o gato pode gotejar urina várias vezes fora da bandeja. Existem determinadas doenças do trato urinário que provocam uma eliminação aumentada. Muitas condições, incluindo formação de cálculos na bexiga, infecções bacterianas e um conjunto de doenças inflamatórias da bexiga e do trato urinário de origem desconhecida causam dor e aumentam a necessidade de urinar;

– Outras doenças: doenças renais e do fígado podem provocar um aumento no consumo de água, o que leva o gato a urinar com mais frequência. Além disso, distúrbios hormonais, como hipertireoidismo e diabetes, e senilidade podem conduzir a uma alteração dos hábitos de eliminação;

 Bandeja velha: odores ficam acumulados, causando a rejeição do gato;

– Bandeja coberta: mesmo que o gato tenha sempre usado uma bandeja coberta, é importante avaliar o efeito dessa cobertura. Se o gato tem excesso de peso ou é muito grande, uma bandeja coberta pode não ser mais confortável. Um gato idoso pode ter mais facilidade ao subir em uma bandeja descoberta ou com as bordas mais baixas. E bandejas cobertas podem mais facilmente ficar com odores desagradáveis;

– Detergentes ou desinfetantes fortes:  o olfato felino é muito sensível – e muitas vezes aquilo que para humanos é um cheiro agradável, para o gato pode ser insuportável. Alguns gatos podem não querer usar  a bandeja após esta ser limpa e desodorizada;

– Falta de privacidade: a maioria dos gatos precisa de privacidade para eliminar. Se a bandeja sanitária estiver num local movimentado ou barulhento, o gato poderá evitá-lo. Mudar a bandeja para um local mais calmo pode encorajar o gato a voltar a usá-la;

– Localização da bandeja sanitária: alguns gatos não usam a bandeja devido à dificuldade ou inconveniência no seu acesso, outros se recusam a usá-la se esta estiver num local que não considerem agradável. Por exemplo, uma bandeja perto da máquina de lavar roupas. Gatos idosos tornam-se relutantes em usar a bandeja caso isso signifique utilizar escadas etc. Quando existem vários gatos em casa, são necessárias múltiplas bandejas em diversos locais. Por vezes alguns gatos evitam usar determinados locais porque os associam com outro gato;

– Limpeza inadequada: a manutenção da bandeja refere-se ào modo como a areia é limpa. Para alguns gatos, é necessário manter a caixa escrupulosamente limpa. Isto pode significar mudar a areia ou remover as fezes e urina diariamente. A escolha do tipo de areia é muito importante. Alguns gatos preferem material do tipo terra sem qualquer adição de químicos para controle de odores, outros preferem areia fina e ainda há os que preferem jornal picado;

– Revestimentos: alguns gatos não gostam de azulejos etc. revestindo a bandeja;

– Problemas comportamentais: outros fatores a considerar incluem a introdução de novos animais em casa,  alteração na rotina da casa etc. A relação entre o gato com o problema e outros animais e pessoas em casa. Essas informações ajudarão a diferenciar entre eliminação e demarcação e contribuem para o tratamento adequado.

Consulte o veterinário para que seja feito um exame físico completo no gato. Em alguns casos podem ser necessários exames complementares, como análises sanguíneas, radiografias, ou cultura de urina, para o veterinário chegar ao diagnóstico.

Esguicho

Esguichar, borrifar ou espalhar urina é um comportamento normal nos gatos selvagens – é marcação de território. Eliminação inapropriada de urina e esguicho de urina são diferentes. Esguicho é para marcar território. É um comportamento, uma memória genética que os gatos domésticos guardam. O cheiro de sua própria urina faz com que o gato se sinta seguro, e marca sua “presença” para outros indivíduos. Geralmente, acontece com machos – mas a comportamentalista veterinária Leslie Cooper, da Universidade da Califórnia, em Davis, descobriu em 1984, que 5% das fêmeas domésticas, e 10% dos machos domésticos castrados começam a espalhar urina. O que se sabe é que a castração reduz bastante esse comportamento, principalmente, se ocorrer na puberdade do bichano, antes de ele atingir a maturidade sexual. O esguicho acontece quando o animal se sente ameaçado pela invasão de seu território: mudança de rotina da casa, novo gato, mudanças em sua comida etc. O esguicho tem odor mais forte que a eliminação normal de urina.

Consulte o veterinário. E, além das orientações do veterinário, podem-se utilizar terapias holísticas, por um profissional habilitado: Florais de Bach, Aromaterapia, Cromoterapia etc.

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Pioneira em comunicação entre espécies divide experiência em workshop

(Da Redação)

Pioneira em comunicação entre espécies no Brasil, a veterinária holística Sheila Waligora dividirá sua experiência em um evento realizado na Fazenda Gaia, em São Francisco Xavier, SP.

Durante um final de semana imerso na natureza abundante da Mata Atlântica, os participantes poderão mergulhar na prática que utiliza os cinco sentidos de forma expandida, por meio de exercícios e meditações, para acessar animais e receber o que eles comunicam telepaticamente por meio de pensamentos, imagens, impressões e sentimentos.

Autora do livro Eu falo, tu falas….Eles falam!, Sheila orientará como aquietar a mente na presença de outras espécies. A Fazenda Gaia receberá as pessoas no dia 05/02 a partir das 16h.

Confira a programação:

Sexta-feira
19h30 – Jantar
21h00 – Apresentação dos trabalhos

Sábado
07h00 – Atividade corporal
08h00 – Café da manhã
09h00 – Prática em sala
12h30 – Almoço
14h30 – Prática de contato com os seres da água (ondinas) na cachoeira.
16h30 – Coffee and tea
17h00 – Prática em sala
20h00 – Jantar
21h30 – Meditação com os seres do fogo (salamandras)

Domingo
07h00 – Atividade corporal
08h00 – Café da manhã
09h00 – Prática em Sala
12h00 – Encerramento
12h30 – Almoço
14h00 – Livre ( As pessoas que desejarem poderão ficar na fazenda e aproveitar o espaço e cachoeira pelo restante da tarde)

É recomendado ouvir os CDs no blog da veterinária www.sheilawal.wordpress.com e ler o livro da autora Eu falo, tu falas… Eles falam!, encontrado na Livraria Cultura, além de dormir bem e abster-se de álcool na semana anterior ao evento.

Serviço:

Workshop de Comunicação entre Espécies com Sheila Waligora
Data: 5 a 7 de fevereiro de 2010
Local: Fazenda da Iniciativa Gaia, São Francisco Xavier, SP.

Mais informações na Casa Moksha
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Ética holística

Na perspectiva holista, totalidades organizadas são consideradas constituídas de valor por manterem sua ordem a partir de fins próprios. O que as torna valiosas é o fato de que existem por si mesmas, independentemente de servirem, ou não, a fins externos ou alheios. Na ética ambiental, Aldo Leopold (The Sand County Almanac, 1949) foi o primeiro a declarar que o valor da natureza se dá pela inter-relação de todas as formas de vida, e a perda de tal valor, pela destruição ou dano ao todo. Fundada nessa concepção nasce a chamada ecologia profunda, bem representada na teoria de Baird Callicott.

Uma ética holista pode ser elaborada tendo-se a perspectiva do valor da vida de todas as espécies, vegetais, animais e de outros tipos, normalmente considerados pela ética antropocêntrica sem qualquer dignidade moral. Para a ética holista, o que importa é estabelecer princípios morais que possam orientar as ações humanas tendo por finalidade a preservação do todo da vida, animal e vegetal.

A questão, no entanto, conforme pontuada por Marti Kheel (Nature Ethics: An Ecofeminist Perspective, 2008), é que julgar o valor moral de algo vivo por sua capacidade de tramar-se com outras coisas, de gerar dependência, de criar vínculo, pode nos levar a erros morais. Muitos dos malefícios sofridos pelos seres vivos devem-se à capacidade que certas práticas de mercado e hábitos (ethos) de consumo têm de se tramarem absolutamente com quase todas as nossas decisões, desde a escolha do que colocamos no prato a cada refeição, até a escolha do que colocamos em nossos carrinhos quando buscamos alimentos e produtos de higiene entre gôndolas de supermercados, passando pelas escolhas que (não) fazemos quando adquirimos produtos básicos necessários à manutenção do nosso modo de vida (lâmpadas, celulares, CD’s, canetas, papel etc.).

Se o sistema de produção industrializado encontra formas de acumular lucros oferecendo certos produtos aos consumidores, e encontra (ou cria) nestes a demanda equivalente para dar vazão ao que é produzido, tal sistema, por sua capacidade de envolver tudo e todos, deveria ser considerado moralmente bom, se adotássemos a perspectiva holista totalitarista de que o que sabe tramar-se e interligar-se num todo tem valor moral e deve ser preservado. Se, por um lado, a ética não pode sucumbir a esse conceito holista, por outro, não pode julgar seus próprios fundamentos abrindo mão absolutamente de qualquer perspectiva holista.

O valor da vida, humana, animal, vegetal e de qualquer outro tipo, não pode ser calculado pela capacidade que cada uma delas tem de ajudar a manter o todo. Poder enredar tudo não é sinônimo de preciosidade, muito menos de moralidade. Quando animais são fabricados num sistema de produção e abate que causa danos totais à vida deles, considerando-se que, no sistema de confinamento, são forçados a nascerem mesmo que para eles não esteja prevista a liberdade de viver a vida que sua espécie lhe propiciaria, essa produção está vinculada ao sistema de mercado que os consumidores dessas mercadorias (carne, leite, ovos, lã, seda, mel, couro, peles, graxas etc.) fomentam. O sistema que produz animais como se fossem objetos para uso e consumo humano é um sistema capaz de enredar todas as iniciativas individuais (ethos) de consumo.

Os veganos sentem claramente o quanto é difícil viver seguindo o princípio ético da não violência (ahimsa, na tradição ayurvédica e budista) contra os animais e a natureza. Quando precisam adquirir um produto, raramente obtêm algo que não tenha sido fabricado com dano, dor e morte de animais.

É preciso ter cuidado quando se dá ênfase à capacidade de alguma coisa de tramar-se num todo, pois essa capacidade pode não ser moralmente boa. Há relações humanas de dependência emocional, sexual, econômica, por exemplo, que retratam a natureza do vínculo amoroso como um vínculo que abarca todas as esferas da vida, na parceria. Relações totalitárias também podem ser cultivadas com a pressuposição de que tem valor apenas aquilo que é capaz de agregar-se a um todo, diluir-se nesse todo, fomentar o todo. Éticos não holistas temem que a diluição do valor de um indivíduo no valor da totalidade da relação na qual está tramado seja o melhor caminho para o estabelecimento do domínio e da servidão. Conforme bem o lembra Marti Kheel, o senhor e o escravo também estão tão interligados que a quebra de um dos elos representa o fim da relação. O caso é que uma relação de domínio humano sobre todas as formas de vida é uma relação de senhorio sobre elas. Os humanos conseguiram enredar a natureza inteira em sua forma de vida, estabelecendo uma relação holista totalitária com ela. Mas esse tipo de capacidade não traduz o sentido moral de igualdade que a ética visa preservar. Há, portanto, um holismo totalitário e outro igualitário ou libertário, algo a ser considerado quando se defendem direitos animais e ambientais na perspectiva abolicionista.

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Homeopatia e sustentabilidade

A homeopatia é uma terapêutica que foi desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann no século XVIII. A princípio ela foi idealizada para o tratamento de pessoas, mas o próprio Hahnemann recomendou a sua utilização em quaisquer seres vivos, sendo atualmente uma terapêutica muito difundida na medicina, na veterinária e, recentemente, na agronomia.

A homeopatia veterinária é uma terapêutica oficial regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária desde 1995 e sua utilização cresce a cada dia por uma série de fatores, como: ausência de efeitos colaterais, facilidade de administração, baixo custo, eficácia terapêutica e sem crueldades.
 
Os benefícios da homeopatia não estão restritos apenas ao que ela promove ao animal doente, mas também por apresentar características que vão ao encontro dos conceitos de sustentabilidade.
 
Há cinco pontos importantes, pelo menos, que a diferenciam de todas as outras terapêuticas e que a torna sustentável:
 
1. Economia de matérias-primas – com apenas uma gota de uma tintura-mãe de uma planta, por exemplo, por meio da farmacotécnica de produção dos medicamentos homeopáticos que se utilizam das doses infinitesimais, podemos fazer inúmeros frascos de medicamentos nas mais diferentes potências homeopáticas.
 
2. Terapêutica holística – tratando-se o indivíduo de forma holística (como um todo), com apenas um medicamento, podemos atingi-lo em toda a sua totalidade orgânica, não necessitando de vários medicamentos para o tratamento de um mesmo paciente, pois na homeopatia trata-se o doente e não a doença.
 
3. Ausência de experimentação animal – a experimentação dos medicamentos homeopáticos é realizada totalmente no homem, ou seja, experimenta-se na espécie humana e beneficiam-se pessoas e animais.
É escolhido o homem justamente pelo fato de este relatar fielmente, por intermédio da verbalização, sintomas ligados às sensações, emoções e ilusões, além da descrição dos sintomas locais.
É exatamente o contrário da terapêutica alopática, que faz uso dos animais em suas experimentações para benefício da espécie humana.
 
4. Baixo custo – a homeopatia, até pelo que relacionamos acima, tem um preço muito menor do que outros tratamentos, o que pode beneficiar um maior número de animais nas mais diferentes classes sociais.
 
5. Terapêutica humanista – ela resgata a relação entre o veterinário e o “tutor” do animal pela sua característica individualizante, valorizando este ser como único.
 
Enfim, a homeopatia pode fazer muito não somente pelos animais, mas principalmente pelo Planeta.


Marcos Eduardo Fernandes
, médico veterinário com especialização em Homeopatia e mestre em Saúde Publica. Atua como clínico de pequenos animais e aves ornamentais em seu consultório e como consultor em homeopatia. Apresenta o Programa Saúde Animal na Rádio Mundial (95,7 FM/660 AM) desde 2004 todas às terças-feiras às 6:30 horas. É coordenador e professor de cursos de especialização em homeopatia veterinária.

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