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Mourão contraria dados do Inpe ao dizer que houve queda no desmatamento

Foto: Bruno Kelly/Reuters

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, ignorou os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostram um aumento no desmatamento na Amazônia e afirmou que houve queda na devastação da floresta nos últimos anos.

“O desmatamento no mês de maio caiu para o mínimo comparado com anos anteriores. Então o nosso primeiro objetivo foi conquistado”, afirmou Mourão. Segundo informações do portal Climainfo, o vice-presidente afirmou que o desmatamento teria caído em resposta à Operação Verde Brasil 2, realizada há quase um mês na Amazônia, com data para ser finalizada ainda em junho, mas com possibilidade de prorrogação.

A verdade, no entanto, é outra. Isso porque, embora o desmatamento registrado em maio deste ano na Amazônia tenha sido inferior ao do mesmo período de 2019, os 641 km² destruídos entre 1º e 28 de maio de 2020 ainda são superiores ao desmatamento registrado nos anos anteriores – sendo 550 km² em maio de 2018, 363 km² em maio de 2017 e 408 km² em maio de 2016. Os dados, portanto, desmentem a afirmação de Mourão e provam que o desmatamento registrado em maio deste ano é o segundo maior para o mês.

Mas Mourão não esconde suas reais intenções em relação à natureza. Isso porque, em reunião ministerial, o vice-presidente defendeu o projeto de lei 2633/2020, que originalmente era uma Medida Provisória conhecida como “MP da Grilagem”. Alvo de inúmeras críticas da sociedade civil, de ativistas e ambientalistas, a proposta prevê a regularização de propriedades de terra ilegalmente ocupadas por grileiros na Amazônia e em outras regiões, permitindo o desmatamento. As críticas à MP foram tamanhas que o projeto foi retirado da pauta do Congresso.

Mais de 10 mil km² desmatados na Amazônia

Na última terça-feira (9), o Inpe divulgou dados do sistema PRODES, que faz o registro do desmatamento. Foram 10.129 km² desmatados na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 – o que indica um crescimento de 34,4% em relação ao período anterior, de agosto de 2017 a julho de 2018, quando 7.536 km² foram devastados.

Em novembro de 2019, o Inpe havia estimado um desmate de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019. No entanto, com os dados atualizados, o número subiu 3,76%, alcançando uma marca alarmante, por ter ultrapassado os 10 mil km².

O desmatamento registrado é o maior desde 2008, quando 12.911 km² foram desmatados.

Defensor da grilagem é nomeado para Câmara Ambiental do MPF

O subprocurador-geral da República Juliano Baiocchi Villa-Verde de Carvalho foi nomeado, na última segunda-feira (8), para a coordenação da 4ª Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do Ministério Público Federal (MPF). A nomeação é de responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Subprocurador-geral da República Juliano Baiocchi (Foto: Reprodução/Youtube)

Informações divulgadas pela jornalista Ana Carolina Amaral, da Folha de S. Paulo, relevam que a nomeação foi recebida com preocupação por parte dos procuradores do MPF por conta do posicionamento de Baiocchi favorável à MP 910 (substituída pelo PL 2633/2020), que beneficia a grilagem e, por consequência, autoriza o desmatamento. A medida, que recebeu parecer contrário da 4CCR, foi considerada por Baiocchi como uma forma de defender “a livre concorrência e a livre iniciativa privada”. Os direitos ambientais foram ignorados pelo subprocurador-geral.

O jornalista André Shalders, da BBC Brasil, expôs ainda a relação de Baiocchi com o agronegócio e sua sintonia com a proposta do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, de colocar o MPF como responsável por “destravar” a economia e projetos de infraestrutura. Ao ser entrevistado pela BBC, Baiocchi disse que “se o MPF fosse mais próximo do agronegócio (…) seria bom para o meio ambiente” – o que, reforçam ambientalistas, é impossível, já que o agronegócio é justamente um dos maiores responsáveis pelo desmatamento para criação de pasto, pela poluição do solo e da água por meio dos dejetos dos animais explorados e pelo desperdício de enormes quantidades de água (16 mil litros são usados durante todo o processo de fabricação de apenas 1 kg de carne, por exemplo), recurso natural necessário para a manutenção dos ecossistemas.


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