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Pavões selvagens sofrem com a intolerância humana no Canadá

Um grupo de pavões selvagens perdeu seu habitat em meados de 2009 no Canadá, após uma área de fazenda onde os animais viviam e se alimentavam fechou. As aves mudaram-se para Sullivan Heights, bairro na cidade de Surrey, no país norte-americano.

A comunidade local incomodava-se em relação à habitação dos pássaros na área urbana. Enquanto alguns defendiam os animais, que sofriam com a perda de habitat, outros incomodavam-se com a existência dos pavões na mesma região que os humanos, alegando incomodarem-se com os ‘gritos’ das aves.

Muitos dos moradores da página do Facebook da comunidade de Sullivan Heights reclamaram às autoridades municipais desde o ano de 2009. Na época, a cidade de Surrey respondeu, enviando equipes de controle de animais para reunir os pavões e soltá-los em outro lugar, mais adequado à vida dos pássaros, mas a tentativa foi falha devido ao grande número populacional dessas belas aves.

População de pavões na cidade de Surrey, no Canadá, está desolada em área urbana devido à perda de habitat natural, e ainda assim pessoas da região se incomodam com os animais (Foto: Rafferty Baker/CBC)
População de pavões na cidade de Surrey, no Canadá, está desolada em área urbana devido à perda de habitat natural, e ainda assim pessoas da região se incomodam com os animais (Foto: Rafferty Baker/CBC)

Moradores locais revoltavam-se por banalidades a acabaram por cortar árvores na região de Sullivan Heights, limitando ainda mais as áreas em que pavões pudessem sobreviver.

Cidadãos haviam formalmente emitido pedidos para derrubar árvores onde os pavões construíam ninhos, e mesmo sem autorização local, as árvores foram derrubadas. O ato provocou furor em Sullivan Heights, e vizinhos exigiram uma multa ao morador que derrubou a árvore. O responsável deve pagar uma multa de até dez mil dólares.

“A maioria de nós ama os pavões”, disse Katie Taylor, que vive na região há 12 anos, ao The Guardian. Katie também alegou que os pavões não são agressivos, logo esse não seria um motivo para exigir a retirada dos animais do local.

Jaspreet Rehal, gerente de segurança pública da cidade canadense, alegou ao The Guardian que os pavões “não se enquadram em qualquer regra de controle de animais, regulamentos e estatutos”, e que a decisão de derrubar a árvore não foi correta. “Cortar a árvore não era uma opção. Era uma árvore muito saudável, importante para o meio ambiente e para os animais, e levamos a remoção de árvores muito a sério”.

O próximo passo, conforme Jaspreet disse, seria um debate entre o gorverno e a população local para debater uma possível realocação dos pavões. Entretanto, o direito, qualidade de vida e bem-estar dos animais não é o foco no caso. As aves deviam ter direito a uma vida pacífica na natureza, sem o incômodo e persistente restrição de habitat devido à invasão de áreas urbanas e dizimação de área natural.

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Programa de urbanização aumenta abandono de animais em Belo Horizonte (MG)

O programa de urbanização Vila Viva, que tem realizado o remanejamento de moradores de comunidades para conjuntos habitacionais em Belo Horizonte (MG), tem contribuído para o aumento do número de animais abandonados na cidade. Isso porque nenhum projeto político de manejo populacional ético de cães e gatos foi implementado pela Prefeitura e, ao serem levados para os conjuntos habitacionais do projeto, muitos tutores abandonam os animais nos locais onde viviam antes.

Famílias que viviam em comunidades e foram remanejadas para prédios abandonam animais (Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

Uma das comunidades que sofrem com o problema é o Morro do Papagaio. Moradora do local há 40 anos, a faxineira Maria Aparecida Afonso, de 49 anos, conta que se esforça para tentar ajudar os inúmeros animais abandonados. “São cães e gatos de todos os jeitos, inclusive de raça. Aparecem famintos e assustados e muitos deles já chegam doentes. Fora os que já vivem aqui nas ruas. Sabemos que uma boa parte tinha tutor e que eles se mudaram para os ‘predinhos’ [sic] e os deixaram para trás”, lamenta a moradora.

Não há, segundo Maria, nenhum programa de castração gratuita na comunidade, tampouco parceria dos órgãos públicos com ONGs para resgate dos animais ou prestação de serviços veterinários. “O máximo que vi foi a Zoonoses [de BH] recolher alguns animais doentes que, com certeza, seriam mortos, e não tratados”, comenta Maria.

O problema é contestado há anos por grupos de proteção animal, segundo a coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos dos Animais (MMDA), Adriana Araújo. “Apesar do Vila Viva ser um projeto excepcional quanto à questão social, é extremamente grave quanto ao descaso com os animais. Pois, da maneira como é realizado, acaba estimulando o abandono”, afirma a ativista, que acredita que a solução para o problema seja cumprir a lei 21970, de 2016, e realizar ações de manejo e de conscientização populacional; guarda responsável; castração; campanhas de adoção; punição para os maus-tratos; entre outras.

“Como ignorar o destino de tantos animais? Não adianta fazer um projeto pela metade. Tanto a fauna quanto a flora também são responsabilidades do estado”, diz Adriana. As informações são da Revista Encontro.

O advogado Luiz Carlos Moreira da Costa, de 59 anos, ex-morador do Morro do Papagaio, descreve no livro “Assim Era a Minha Favela”, que será lançado em abril, as transformações sofridas pela comunidade ao longo dos anos. “Realmente, existe uma incompatibilidade do Vila Viva com a realidade das famílias, especialmente no que se refere aos animais. Até mesmo por que muitas delas têm vários deles”, afirma o advogado.

A Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) afirma que não há restrição em relação à presença de animais nos conjuntos habitacionais para onde são levadas as famílias contempladas pelo programa. O que existe é o regimento interno dos prédios, que é discutido e aprovado pelos moradores durante o processo de remoção.

“Algumas famílias, mesmo com a permissão explícita, não desejam levar os seus animais. Neste caso, orientamos sobre a adoção e sobre o não abandono”, informa a assessoria do órgão.

A auxiliar administrativa Gisele Maria Conceição, que auxilia os animais abandonados – muitos deles doentes -, afirma que a questão é de saúde pública. “Recentemente, um deles tinha sido atropelado às 8h da manhã e, quando soube da situação, às 16h, ele ainda agonizava. Estava com as patas e o focinho quebrados. Imagino a dor que sentiu até ser socorrido”, lamenta Gisele.

A gerente administrativa Solange Rabelo também lamenta o descaso com os animais. “Trabalho no bairro Carmo e venho observando que o número de animais abandonados tem aumentado. Inclusive, muitos tentam atravessar a avenida Nossa Senhora do Carmo e acabam sendo atropelados. É realmente revoltante ver tanto descaso”, conclui.

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Artista cria projeto de habitação urbana para pássaros

Em um dia de junho, um artista que se descreve como “arquiteto a serviço da ave contemporânea” apareceu diante de uma loja desocupada em Lower Manhattan, subiu numa escada e fez medidas para sua próxima obra.

Trajando um macacão de trabalho escuro, ele chegou empurrando, em um carrinho, uma plataforma contendo a escada e outros materiais. Em seguida, pôs um capacete de trabalho branco, um cinto de ferramentas e um colete de segurança cor de laranja. “Costumo fazer isso: andar fantasiado”, disse, explicando sua estratégia de se vestir como operário da prefeitura para não ser barrado enquanto faz algo que, estritamente falando, é ilegal.

XAM é o nome que ele usa para preservar seu anonimato.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Há três anos, ele vem pendurando arte nas ruas, na forma de casinhas para pássaros. Embora o termo pareça inadequado, as estruturas em questão são, de fato, abrigos funcionais para as aves. Muitas delas possuem ângulos irregulares, como peças de um quebra-cabeças, além de elementos como sistemas passivos de ventilação, telhados verdes, comedouros controlados pela gravidade e iluminação externa com lâmpadas de LED alimentadas por energia solar.

Fazendo referência à crise imobiliária, algumas das casinhas têm faixas coladas sobre suas entradas dizendo “pertence ao banco” ou “embargada”. Muitas também são munidas de antenas parabólicas (que não funcionam) sobre seus telhados.

O projeto Habitat Urbano, como XAM chama seu trabalho, participou do Festival de Ideias para a Cidade promovido pelo New Museum em maio, e as casas de passarinho do artista foram exibidas também na galeria Dorian Grey, em Nova York. Mas novas instalações de XAM continuam a surgir a todo momento em cidades como Nova York, Los Angeles e Cidade do México. O artista disse que, desde 2010, já instalou mais de cem casas de pássaro em ruas urbanas.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

XAM tem 30 anos, passou sua infância e adolescência no litoral sul da Califórnia e estudou arquitetura e design na Escola do Instituto de Arte de Chicago. Agora ganha a vida fazendo biscates: manutenção de prédios, iluminação em eventos e trabalhos de design gráfico como freelancer.

No edifício em Lower Manhattan, uma viga fina se projetava sob a escada de incêndio, enquanto um cartaz de “aluga-se” parecia prometer que a instalação poderia ser feita sem problemas. Depois de tirar as medidas, XAM foi desenhar a casa de pássaros com um programa de computador. Então, levou as plantas para um amigo que possui uma cortadeira a laser. “Este trabalho vai levar talvez dez horas para ser feito”, comentou, enquanto juntava suas coisas.

Alguns dias mais tarde, ele voltou ao local, desta vez carregando uma nova casinha para pássaros. A casa tinha luxos da vida aviária ecológica moderna, como teto verde e iluminação externa movida a energia solar. XAM mexeu com a luz. “Se ela estiver totalmente carregada, brilhará por oito horas e atrairá insetos para os pássaros comerem”, explicou.

Fonte: Greenstyle

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Moradores de habitações públicas são proibidos de ter cachorro de grande porte

Tyson é um cachorro com cara de bravo – um Staffordshire bull terrier de um ano, 27,2 quilos, pelos cinza-prateados e olhos azuis. Mas a única coisa de bravo que ele tem é seu nome, segundo o tutor.

Tyson obedece a ordens, nunca mordeu ninguém e gosta de colocar suas patas na cabeça das pessoas para brincar com o cabelo. “É um grande bebê”, disse seu tutor, Marc Hernandez, 20, que tinha Tyson desde quando era um filhote de sete meses.

Mas em um dia do mês de maio, Hernandez, estudante da John Jay College of Criminal Justice (Faculdade de Justiça Criminal), levou Tyson para um abrigo em East Harlem, onde o deixou com relutância e tristeza. O problema não era o comportamento de Tyson, mas sua nova casa: Hernandez mora em um dos projetos de moradia pública de Nova York, onde uma nova proibição que bane pit bulls e outros cachorros de grande porte entrou em vigor em 1º de maio.

Kanielle Hernandez com seu pit bull, Denim, em seu apartamento em um prédio de moradia pública, em Nova York (Foto: NYT)
Kanielle Hernandez com seu pit bull, Denim, em seu apartamento em um prédio de moradia pública, em Nova York (Foto: NYT)

O banimento, um dos mais rigorosos das autoridades de moradia pública do país, proíbe os residentes de manter pit bulls, de raça pura ou mestiços, Rottweilers e Dobermans, além de cachorros que pesem mais de 11,3 quilos quando adultos, com exceção de cães-guia.

Essa medida tem dividido inquilinos e revoltado grupos de proteção ao animal.

Para a agência de habitação pública da cidade, New York City Housing Authority, manter o controle de animais em 178 mil apartamentos tem sido um desafio. Mas a forma como anunciaram e impuseram a medida deixou muitas pessoas confusas e raivosas.

Moradia ou cachorro?

Na resolução de 14 páginas, os moradores que já tinham cachorros com os padrões da lista poderiam mantê-los se os registrassem até 1º de maio, mas muitos inquilinos não o fizeram, e foram forçados, assim como Hernandez, a escolher entre continuar com o cachorro ou ficar no apartamento.

Desde abril, os tutores de ao menos 113 cachorros não entregaram os animais citados na proibição a abrigos ou centros dirigidos pelo Animal Care and Control de Nova York, grupo não lucrativo que tem um acordo com a cidade para receber animais carentes.

Dos 113 cachorros, 49 foram sacrificados, por causa de doença, comportamento ou falta de espaço. Cinquenta e nove foram adotados por pessoas ou levados por grupos de resgate, dois permanecem em abrigos e três foram recuperados por seus tutores.

As estatísticas foram fornecidas pelo Mayor’s Alliance for NYC´s Animals, coalizão de grupos de resgate e abrigos de animais que analisou os registros de entrada nos locais acolhedores.

Oposição

O Mayor’s Alliance, que não é filiado à prefeitura, e a Sociedade Americana de Prevenção à Crueldade aos Animais pediram à Housing Authority para acabar com a proibição. Os grupos descobriram que os trabalhadores dos abrigos que receberam cachorros relataram um bom comportamento por parte dos animais.

“Você não pode prever como um cachorro será com base apenas em sua raça”, disse Jane Hoffman, presidente da Mayor’s Alliance. “Eu não quero um cachorro perigoso lá fora. Mas agir dessa forma é errado e está condenando à morte cachorros perfeitamente inocentes”.

A conselheira da cidade Rosie Mendez de Manhattan, presidente do Subcomitê do Conselho de Moradia Pública, também exigiu uma reavaliação da medida. Ela disse que um residente com um poodle de 12,7 quilos lhe disse que planejava não alimentá-lo até que ele chegasse ao limite de 11,3 quilos.

Denúncias

Um porta-voz da Housing Authority, Howard Marder, disse que as novas regras eram uma reação às reclamações e denúncias feita por inquilinos, chefe de inquilinos e pela polícia da existência de cachorros perigosos e ameaçadores. As três raças na lista de proibição foram identificadas como “as raças que apresentam problemas mais frequentemente”, disse Marder. Houve diversos ataques de pit bulls em prédios de habitação pública nos últimos anos. Em junho de 1997, uma garota de 12 anos foi agredida por dois pit bulls no Brooklyn e, desde 2007, houve mais de 17 ataques de cachorro, nos quais pessoas foram feridas ou outros animais foram mortos ou mutilados.

Marder disse que a Housing Authority discutiu o assunto com grupos de bem-estar animal, mas que não sabia de nenhum plano que amenizasse as restrições. “Nós fizemos essas mudanças com base na veracidade dos relatos de residentes de moradias públicas sobre o quão difícil são suas vidas devido a ameaça ou ataques desses animais”, disse.

A agência anunciou as novas regras em um comunicado publicado na edição de abril em seu jornal mensal. Mas nele estavam listadas 27 raças proibidas, incluindo Shar-Pei, Cane Corso e o Dogo argentino. Marder disse que a agência tentou identificar as raças que excediam os 11,3 quilos quando adultos, mas reconheceu que a longa lista era “impraticável” e reduziram o número para três raças.

Fonte: Último Segundo

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