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Animais explorados por zoológicos lutam pela sobrevivência em meio à guerra no Iêmen

Uma ONG denuncia que os animais não estão sendo alimentados em um dos zoológicos do país


Os animais explorados para entretenimento humano pelo zoológico de Sanaa, no Iêmen, sofrem com a guerra há cinco anos. Desde 2017, quatro felinos já morreram de fome.

Animais explorados por zoológicos lutam pela sobrevivência em meio à guerra no Iêmen
Filhote de leão no zoo de Sanaa (AFP/Arquivos)

O zoo mal consegue alimentar adequadamente os 1.159 animais que mantém. As informações são da agência de notícias AFP.

Dois leopardos árabes frequentemente passam fome, assim como macacos que se alimentam de restos de comida jogados pelos visitantes.

Os zoológicos de Taez e Ibb, segundo Kim Michelle Broderick, da ONG One World Actors Animal Rescues (OWAP), estão em situação ainda mais crítica. A organização, que tem sede na França, arrecada fundos para os zoos do Iêmen e também presta assistência veterinária a cavalos, animais abandonados e os que são explorados por granjas, além de oferecer água e ração.

Segundo ela, em Ibb, os animais “não recebem alimentação alguma” e em todos os zoos “as jaulas são minúsculas e os animais sofrem traumas crônicos”.

A guerra, deflagrada em 2005, gerou uma crise humanitária.


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Cidade destruída por bombardeios na Síria abriga centenas de gatos

Em meio à destruição da cidade, gatos e humanos buscam conforto um no outro


A cidade de Kafr Nabl, localizada na última província controlada por rebeldes na Síria e devastada por bombardeios das forças sírias e russas, é o abrigo de centenas de gatos. A população desses animais é maior do que de humanos.

Foto: Getty Images via BBC

De acordo com o correspondente Mike Thomson, da BBC, gatos e humanos buscam conforto um no outro, como é o caso de Salah Jaar, de 32 anos, que se protegeu de um bombardeio embaixo de uma mesa no porão de sua casa, ao lado de seis gatos.

“É reconfortante quando os gatos estão por perto”, diz. “Eles fazem o bombardeio, a demolição e o sofrimento parecerem muito menos assustadores”, completa.

Dos mais de 40 mil habitantes da cidade, hoje existem menos de 100. Gatos, no entanto, são centenas, talvez milhares.

“Tanta gente deixou Kafr Nabl que a população ficou muito pequena. Os gatos precisam de alguém para cuidar deles, dar água e comida, por isso se refugiaram nas casas daqueles que ficaram. Cada casa agora tem cerca de 15 gatos, às vezes até mais”, relata.

Salah trabalha na estação de rádio Fresh FM, que foi levada para uma cidade mais segura para que não fosse destruída, como aconteceu com outros estúdios. No local, há vários gatos. O fundador da rádio, o ativista sírio Raed Fares, assassinado em 2018 por milicianos islâmicos, alocou uma verba para comprar alimento para os animais.

Foto: Getty Images via BBC

“Muitos gatos nasceram no prédio. Um deles, branco com manchas marrons, tinha uma afinidade especial com Raed. Ia a todos os lugares com ele, até dormia ao lado dele”, conta Salah.

“Às vezes, quando estamos andando na rua, tem cerca de 20, 30 gatos andando com a gente o tempo todo. Alguns vão para casa conosco”, completa.

Segundo a BBC, na região há também cães famintos, que passam as noites procurando comida. Eles, porém, são minoria.

A maior parte dos gatos era tutelada por famílias que fugiram da cidade após forças aliadas do presidente Bashar al-Assad lançarem uma ofensiva para retomar o controle de Idlib, em abril de 2018.

Foto: Getty Images via BBC

“Sempre que eu como, eles comem, seja legume, macarrão ou apenas pão seco. Nesta situação, sinto que ambos somos criaturas frágeis e precisamos nos ajudar”, diz Salah.

Frequentemente, algum gato aparece ferido por conta dos bombardeios. Da forma que podem, os moradores tratam os ferimentos.

“Eu tenho um amigo que tem gatos em casa. Um deles foi atingido por um míssil, que quase explodiu sua pata dianteira. Mas conseguimos levá-lo à cidade de Idlib para ser tratado, e agora ele está andando tão bem quanto antes”, conta.

Foto: Getty Images via BBC

Os gatos e os humanos que vivem no local correm ainda mais risco devido a possibilidade da cidade ser invadida, já que as forças do presidente Bashar al-Assad não estão longe de Kafr Nabl.

“Compartilhamos os bons e maus momentos, a alegria e a tristeza, e muitos, muitos medos. Eles se tornaram nossos parceiros na vida”, afirma.

Se ele e seus amigos tiverem que fugir da cidade, Salah acredita que irão levar vários gatos consigo.


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Elefantes ameaçados de extinção voltam a aparecer na Nigéria

Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

No nordeste da Nigéria, perto das fronteiras do países Chade e dos Camarões (África Ocidental), cerca de 250 elefantes foram vistos. Esta é a primeira vez em uma década ou mais que um rebanho desse tamanho é visto desde que os jihadistas do Boko Haram (organização terrorista) começaram sua insurgência na área.

“A observação deste rebanho significa que a população de elefantes da Nigéria dobrou efetivamente”, disse Tunde Marokinyo, co-fundador da ONG conservacionista Africa Nature Investors, entusiasmado.

A Floresta Sambisa se tornou o marco zero para a base de operações do Boko Haram em 2014. Isso teve um forte impacto nas populações de elefantes, pois as três principais rotas de migração atravessam diretamente a floresta que antes era uma reserva do tamanho da Bélgica.

Essas rotas de migração seguiram os rios e outras fontes de água que o Boko Haram usou como rota de fuga durante o bombardeio de sua posição pela artilharia. Os intensos combates e bombardeios aéreos, tanto lá como nas margens do lago Chade, mataram e assustaram a maioria dos animais selvagens, particularmente os animais maiores, como elefantes.

Foi um mistério o que aconteceu com os elefantes que antes viviam nas savanas de Borno e a floresta da Sambisa até agora.

“Isso mostra que a paz está ressurgindo lentamente”, disse à RFI Kabiru Wanori, comissário ambiental do estado de Borno.

“Enviámos nosso diretor do Departamento de Florestas, Peter Ayuba, para confirmar a observação e realizar uma avaliação de impacto”, confirmou Wanori.

Enquanto a guerra está morrendo lentamente, os elefantes enfrentam uma nova ameaça, pois a demanda por carne aumentou muito mais do que os elefantes ou outros animais selvagens locais. Como é visto em todo o mundo, ultimamente nas florestas tropicais da Amazônia, a pastagem de animais de criação, principalmente bois e vacas, destrói habitats e na Nigéria e redondezas isso não é diferente. Os elefantes estão sendo empurrados ainda mais para Camarões (país vizinho), e saindo da Nigéria, pela destruição do habitat que ocorre com a limpeza de terras para pastagens.

“O Parque Nacional Gashaka Gumti costumava ter elefantes e leões, mas devido às pressões por pastagem esses animais atravessaram a fronteira para Camarões”, explica Marokinyo, cuja ONG, Africa Nature Investors, espera treinar os criadores de bois e vacas Fulani (etnia africana) como guardas florestais para proteger o Gashaka Gumti do excesso de pastoreio na tentativa de atrair elefantes e leões de volta ao parque. As informações são do Vegannews.

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Cão resgatado da guerra por fuzileiro ajuda tutor a superar o estresse pós-traumático

Craig Grossi e Fred enquanto o fuzileiro servia em uma área remota do Afeganistão | Foto: Facebook
Craig Grossi e Fred enquanto o fuzileiro servia em uma área remota do Afeganistão | Foto: Facebook

Um fuzileiro naval norte-americano que resgatou um cachorro em situação de rua que vagava em meio a bombardeios e tiroteios no Afeganistão e o levou escondido para casa, revela como no final foi o animal quem realmente salvou sua vida, ameaçada pelo estresse pós-traumático.

Craig Grossi conta que conheceu seu cão Fred em uma parte remota do país devastado pela guerra, enquanto a força Marine RECON – os soldados de elite do corpo de fuzileiros – estava sob incessantes ataques do Taliban em 2010.

Ele viu o animal “pulando pelo campo de batalha entre os tiroteios”, conforme disse à Fox News, e depois foi ver o cachorro quando os combates cessaram.

Apesar de estar desnutrido e coberto de moscas, Grossi disse à emissora que o cachorro estava abanando o rabo: “Eu pensei assim: ‘Você está brincando comigo? Oras, mas este cachorro não tem nenhum motivo para abanar o rabo’”.

Grossi disse que os primeiros momentos que passou com o cachorro lhe ensinaram a maior mensagem sobre como todos devemos seguir nossas vidas, algo que ele chama de “positividade teimosa”.

Ele deu a Fred um pouco de carne seca e a partir daquele momento o cachorro começou a segui-lo por toda parte.

“Quando nos sentimos completamente justificados para reagir negativamente, xingar, fazer algo desagradável ou apenas tocar a buzina um pouco demais, são exatamente esses os momentos que precisamos procurar lá no fundo e encontrar um motivo para ‘abanar a cauda’” – Grossi disse à Fox.

Depois de voltar do Afeganistão, Grossi voltou a estudar na Universidade de Georgetown, onde escreveu as memórias sobre seu cão | Foto: Facebook
Depois de voltar do Afeganistão, Grossi voltou a estudar na Universidade de Georgetown, onde escreveu as memórias sobre seu cão | Foto: Facebook

Contando com a ajuda de seus companheiros – e quebrando os regulamentos – Grossi levou o cão escondido para dentro do acampamento Leatherneck em uma mochila. Ele conseguiu convencer um veterinário simpático à causa e uma equipe de funcionários da DHL a enviar o cão para os EUA.

Grossi conseguiu que Fred fizesse um voo para sua casa, assim o cachorro chegou são e salvo à residência de sua família na Virgínia, Estados Unidos, quase no Dia de Ação de Graças em 2010, antes mesmo dele próprio retornar.

Quando Grossi voltou para casa ferido descreveu sentir-se “muito revoltado e bastante frustrado”, mas foi Fred quem ajudou a tirá-lo do estresse pós-traumático.

Grossi disse que depois que ele salvou Fred, quando voltou para casa nos Estados Unidos, foi a vez do cachorro salvá-lo | Foto: Facebook
Grossi disse que depois que ele salvou Fred, quando voltou para casa nos Estados Unidos, foi a vez do cachorro salvá-lo | Foto: Facebook

Ele começou a levar o cachorro com ele para todo canto e descobriu que muitas pessoas o paravam e perguntariam qual era a raça de Fred por causa de sua aparência notável e diferente.

No começo, Grossi disse que ignorou o assunto porque não queria falar sobre seu tempo no Afeganistão, mas depois se abriu e descobriu que as pessoas estavam muito interessadas nos dois.

Grossi, que agora vive em Washington DC, trabalha com organizações de veteranos de guerra e escreveu um livro de memórias, contando o que viveu e a importância do companheiro Fred em tudo isso, chamado “Craig & Fred”.

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Potro ganha prótese após perder a perna em explosão de mina

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

Um jovem cavalo que vive na Síria voltou a andar depois de ter recebido um membro protético especialmente produzido para ele. O potro perdeu a perna direita dianteira na explosão de uma granada.

O potro, chamado Sham al-Agha, foi atingido pela granada há vários meses, quando o regime do presidente Bashar al-Assad bombardeou a cidade de Aleppo como resultado da guerra civil que ocorre na região.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

Os veterinários sírios conseguiram recuperar o animal com uma perna substituta, que foi colocada no animal graças a uma operação de risco pois a clínica fica em uma região controlada pelos rebeldes perto da fronteira com a Turquia.

O membro foi inteiramente projetado e fabricado localmente por um centro médico que produz membros protéticos na área.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

A perna substituta é removível e, em algumas fotos tiradas ontem, o potro é visto descansando no chão sem a prótese.

Aleppo passou por alguns dos piores episódios de violência e destruição na guerra civil na Síria, que matou mais de 400 mil pessoas no total e deslocou centenas de milhares de outras.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

A instituição de caridade de resgate de animais, a SPCA, diz que “inúmeros animais perderam suas vidas” na guerra da Síria, que ocorre desde 2011.

Próteses

Felizmente desenvolvimento tecnológico na área de próteses tem crescido a cada dia, segundo a Mosaic Science. Isso é uma ótima notícia, e não apenas para os amantes dos animais, visto que os conhecimentos obtidos nas pesquisas veterinárias podem também servir para incrementar as próteses humanas, tornando-as cada vez mais bem adaptadas à nossa fisiologia.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

Para que o animal se acostume com as próteses, é necessário que ele entenda para que elas servem e que veja o benefício que trazem, caso contrário o novo membro pode mais atrapalhar do que ajudar. Além de patas, diversas outras partes dos corpos dos bichos vêm ganhando substitutos quando preciso. É o caso de bicos de aves, cascos e nadadeiras de tartarugas e até mesmo revestimentos protetivos para evitar que animais com alguma deficiência causem ferimentos em si mesmos.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

A ciência pode dar uma assistência cada vez maior tanto ao ser humano quanto a outros seres vivos que dividem os ambientes conosco. A área da prostética animal é bastante ampla, e está apta a dar ótimos frutos para quem se aventurar por ela e, principalmente, para os bichos que um dia possam precisar desse tipo de apoio. E nessa onda, todos nós também nos beneficiamos.

Foto: AFP/Getty Images
Foto: AFP/Getty Images

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Santuário na Jordânia acolhe animais vítimas de trauma das guerras da região

Simba e Asal (ao fundo) | Foto: Santuário Al Ma'wa
Simba e Asal (ao fundo) | Foto: Santuário Al Ma’wa

Hamzeh começou a construir uma nova vida para si no norte da Jordânia dois anos depois de fugir de sua terra natal devastada pela guerra na Síria.

Como muitos dos 1,2 milhão de sírios que buscaram refúgio na Jordânia desde 2012, Hamzeh recebeu abrigo e se adaptou a um novo clima e culinária. Ele desfrutou da hospitalidade dos jordanianos, que doaram alimentos e brinquedos e até fizeram dezenas de amigos jordanianos.

Mas uma coisa diferencia Hamzeh das centenas de milhares de sírios que agora chamam o Jordânia de lar: Hamzeh é um leão.

Na Reserva de Vida Selvagem de Al Ma’wa, a 48 km a noroeste de Amã, a Jordânia e os defensores da vida selvagem estão proporcionando um lar e uma nova esperança para as vítimas esquecidas das guerras da região: a vida selvagem ameaçada de extinção.

Numa colina repleta de carvalhos e pinheiros, com vista para os olivais e pomares de maçã de Jerash, leões, tigres e ursos convivem em harmonia. Os grandes animais, alguns deles estão a milhares de quilômetros dos seus habitats naturais, revelam rapidamente que estas florestas antigas populares entre os caminhantes e para os piqueniques de sexta-feira são a sua casa.

Sukkar | Foto: Santuário Al Ma'wa
Sukkar | Foto: Santuário Al Ma’wa

O santuário, que resgata, reabilita e abriga a vida selvagem vítima das guerras da região, é uma iniciativa conjunta da Fundação Princesa Alia, uma ONG de conservação e desenvolvimento fundada por um membro da família real hachemita, e da Four Paws, uma organização internacional sediada em Viena. Voltada para o bem-estar animal.

Desde 2016, a equipe do Al Ma’wa tem curado e reabilitando 26 animais resgatados de zoológicos locais, contrabandistas e vizinhos dilacerados pela guerra da Jordânia: leões de Aleppo, na Síria; um urso de Mosul, no Iraque; e filhotes de leão de Gaza.

Animais domésticos

Em um lote de 250 acres doados pelo Ministério da Agricultura jordaniano, o Al Ma’wa construiu habitats espaçosos para os grandes felinos e ursos, permitindo que eles andassem livremente pela primeira vez em suas vidas.

A ideia da reserva veio em 2011, quando a Fundação Princesa Alia procurou encontrar um lar para os imenso número de membros da vida selvagem resgatados, particularmente Balou, um urso pardo retirado de um zoológico privado mal administrado em Amã.

A localização do santuário é conveniente. A Jordânia está no coração das rotas de contrabando de animais silvestres, através das quais animais exóticos do norte da África, criadores ou zoológicos privados são vendidos a indivíduos ricos da vizinha Arábia Saudita que estão procurando por um animal de estimação.

Sukkar aproveitando o sol | Foto: Santuário Al Ma'wa
Sukkar aproveitando o sol | Foto: Santuário Al Ma’wa

As autoridades jordanianas já haviam capturado filhotes de tigres escondidos em caixas de sapato sob o banco do motorista de um carro que ia para a Arábia Saudita, pítons escondidas em malas e indivíduos postando filhotes de leão à venda no Facebook.

Mas com a violência contínua na Síria, no Iraque e em Gaza deixando centenas de animais de zoológicos sem alimentação, doentes e abandonados, o Al Ma’wa também decidiu resgatar animais, tornando-se o primeiro campo de refugiados de animais da região.

Traumas Psicológicos

Uma vez que a Four Paws resgata os animais necessitados das zonas de conflito e os transporta para a Jordânia, sua saúde geralmente está em uma condição crítica: leões e ursos com marcas de queimaduras e cicatrizes em seus rostos; corpos absurdamente magros e judiados, com as costelas salientes sob a pele flácida; bochechas e olhos afundados em seus crânios.

Os especialistas em saúde de Al Ma’wa fornecem aos animais resgatados vitaminas e dietas especiais fortalecedoras, frutas e até mesmo arroz e macarrão para restaurá-los fisicamente.

Mas mais do que simplesmente fornecer cuidados médicos e comida, a equipe de Al Ma’wa ajuda os animais a se curarem dos traumas da guerra.

Simba, Nina and Asal | Foto: Santuário Al Ma'wa
Simba, Nina and Asal | Foto: Santuário Al Ma’wa

“Nosso cuidado é baseado em uma abordagem particular: como podemos fazer com que os animais esqueçam o que eles passaram?”, Diz Saif al-Rawashdeh, tratador e supervisor de animais em Al Ma’wa.

Durante semanas após sua chegada, dizem os funcionários, os animais resgatados exibem um comportamento “agressivo”, gritando e uivando constantemente, ou jogando seus corpos contra os portões em protesto.

E há outro comportamento induzido por trauma que dura ainda mais tempo.

Quando ouviam o barulho de aviões passando no céu, os ursos e leões de Aleppo corriam para se esconder e passavam horas em seus abrigos noturnos, tremendo de medo, pavor causado pela destruição provocada pelos aviões de guerra e barris de bombas do presidente Bashar al-Assad.

É um trauma compartilhado por centenas, se não milhares, de crianças sírias que, de acordo com os defensores dos refugiados e professores de escolas jordanianas, sofrem episódios de estresse pós-traumático semelhantes nos aviões por vários meses depois de chegarem à Jordânia.

Aprendendo a esquecer

O som do motor de um carro e a aproximação de um veículo também faziam com que os animais corressem assustados ou se tornassem agressivos, revivendo o trauma dos caminhões das milícias ou contrabandistas de vida selvagem. A presença de um estranho já era o suficiente para fazer com que os animais corressem.

A fim de que os animais fossem acostumados aos veículos do santuário entregando alimentos para suas refeições, o pessoal reserva se aproximava lentamente dos habitats em seus caminhões, estacionando em distâncias progressivamente mais curtas – 50 metros, 40, 30, 20, 10 – até que os animais descobriram que os caminhões não eram uma ameaça, mas um sinal de que uma refeição estava chegando.

Lula comendo frutas | Foto: Santuário Al Ma'wa
Lula comendo frutas | Foto: Santuário Al Ma’wa

Outro componente-chave para sua reabilitação é uma mistura de aromas agradáveis, mas incomuns, espalhados por seus seus habitats, como canela e vários perfumes, mantendo seus sentidos olfativos atentos e uma série de novos jogos e brinquedos para manter suas mentes ativas.

“Toda vez que damos a eles brinquedos, espalhamos perfumes, estimulamos atividades e jogos, suas mentes estão ocupadas e isso os ajuda a esquecer”, diz al-Rawashdeh.

Aberto ao público, o Al Ma’wa recebe até mil visitantes em visitas guiadas por semana, incluindo dezenas de crianças em idade escolar em viagens de campo.

Este verão, a reserva vai abrir um centro de educação para ensinar aos visitantes a importância de cuidar da vida selvagem e da natureza, além de um restaurante e pousadas com vista para os habitats para os hóspedes que desejam passar a noite.

Tash e Sky | Foto: Santuário Al Ma'wa
Tash e Sky | Foto: Santuário Al Ma’wa

Há muitos sinais de que, após dois anos, os hóspedes do Al Ma’wa estão se sentindo em casa – e não temem mais a presença de seres humanos.

Loz, um urso negro asiático brincalhão resgatado de Aleppo em 2017, entra e sai da sua sala de estar, jogando um jogo de “esconde-esconde” com o Sr. al-Rawashdeh e um repórter, abrindo a boca num gesto que só podia ser descrito como um sorriso travesso.

Tendo terminado o almoço, Halab, uma leoa da Síria, rola de costas, deitada de barriga para cima no sol a poucos centímetros do portão para um cochilo pós-refeição – como um gatinho pedindo para ser acariciado.

Max, outro leão, caminha em direção à beirada do portão e, de frente para o repórter, calmamente se senta sem um som, atento e curioso.

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Mais de mil cachorros explorados em operações militares são condenados à morte

Mais de mil cachorros que serviram ao exército da Inglaterra foram mortos desde o início da Guerra do Afeganistão.

O Exército Britânico explora centenas de cães altamente treinados para tarefas como farejar bombas ou rastrear insurgentes.

Quando o serviço termina, eles são “destreinados” e realocados entre civis ou manipuladores, entretanto, muitos deles também são considerados perigosos e acabam sendo sacrificados. Entre 2002 e 2017, 1042 cães foram assassinados.

Um documento militar afirmou que cães considerados inaptos para o serviço por velhice, quando atingem ou estão acima dos oito anos de idade, ou possuem desgaste e “não são mais capazes de cumprir suas obrigações com o padrão exigido” são assassinados.

Um tratador de cães disse ao jornal que os cães não são tratados compassivamente após o serviço e são vistos apenas como um “recurso”.

Mais de mil cães do exército foram abatidos desde o início da Guerra do Afeganistão (Foto: Daily Mail Online)

Paul Farthing, um ex-fuzileiro naval real que dirige uma instituição de caridade para cães, Nowzad, descreveu os números como “absolutamente horríveis”.

Ele disse ao Daily Star Sunday: “Qualquer cão que trabalhasse para as forças armadas britânicas para salvar vidas nos vários conflitos ao redor do mundo, onde serviram ao lado de um soldado, deveria ter todas as oportunidades para garantir uma aposentadoria decente”.

“Eles não tinham escolha a não ser estar lá e proteger nossos soldados. O mínimo que podemos fazer é estar lá para eles”.

Animais forçados a servirem militarmente que são considerados velhos, perigosos ou inaptos são sacrificados (Foto: Daily Mail Online)

No ano passado, o secretário da Defesa interveio para impedir que dois cães do Exército que salvaram milhares de vidas no Afeganistão não fossem mortos.

Gavin Williamson manteve conversações urgentes com adestradores de cães no Ministério da Defesa após protestos contra os planos de lhes dar injeções letais.

Eles foram aposentados da linha de frente há quatro anos e colocados sob os cuidados de treinadores no Centro de Defesa Animal em Melton Mowbray, Leicestershire.

Os chefes do Exército esperavam que os cachorros de nove anos fossem realojados.

Após o serviço militar

Pouco menos de 400 cães militares estão trabalhando atualmente no exército britânico.

Eles são obrigados a realizarem várias operações, incluindo a detecção de Dispositivos Explosivos Improvisados ​​(IEDs), procurando rotas e edifícios seguros e tarefas de combate à drogas. Muitos serviram em conflitos na Irlanda do Norte, Afeganistão, Iraque, Kosovo e Bósnia.

Tratador de cães afirmou que os animais são vistos apenas como um “recurso” (Foto: Daily Mail Online)

Quando chegam ao fim de seu serviço, vão a um grupo de treinadores de cães altamente experientes dentro do Esquadrão de Treinamento Canino.

O trabalho desses treinadores é “destreinar” os cães para prepará-los para uma possível ressocialização na população civil. Para isso, os treinadores usam técnicas para relaxar os cães e fazê-los entenderem que não precisam mais trabalhar.

Muitos deles acabam sendo realojados com ex-militares, e muitos também são reintegrados à população civil geral.

Os requisitos para poder realizar a ressocialização de um cão de trabalho militar são rigorosos, e há uma lista de espera dos candidatos que desejam oferecer-lhes uma casa.

Se no final do ‘destreino’ os cães forem considerados demasiado velhos, perigosos, ‘abaixo do padrão’, doentes ou não aptos, eles são assassinados.

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Memorial francês homenageia animais explorados na Primeira Guerra Mundial

A Prefeitura de Paris, na França, anunciou que irá criar um memorial aos animais que foram explorados durante a Primeira Guerra Mundial.

A organização Paris Animaux Zoopolis Association realizou essa iniciativa para homenagear os diversos animais que foram forçados a participar do conflito, há quase cem anos. A proposta foi inicialmente rejeitada em julho, entretanto, o grupo continuou com a campanha e meses depois, o projeto foi aprovado.

De acordo com a rede internacional de notícias France24, 11 milhões de cavalos, burros e mulas foram explorados durante a Primeira Guerra Mundial, bem como cerca de 100 mil cães e 200 mil pombos.

“Nosso objetivo é obter reconhecimento nacional do sofrimento que esses animais passaram durante a Primeira Guerra Mundial”, afirma Amadine Sanvisens, presidente da Paris Animals Zoopolis Association, à France24.

Mais de 11 milhões de animais foram usados em combate na Primeira Guerra Mundial (Foto: Mistérios do Mundo)

Na França, existe uma placa dedicada a um pombo chamado Le Valliant, que morreu de envenenamento por gás depois de entregar a última carta ao comandante Raynal, em Fort Vaux, antes de ser tomado pelos alemães em junho de 1916.

Entretanto, não existem planos para comemorar nacionalmente os milhões de outros animais que foram vítimas de exploração na Primeira Guerra Mundial, como apontado por Sanvisens: “há um punhado de monumentos que já existem nas áreas mais afetadas pela guerra, mas eles foram financiados por países estrangeiros, como o Reino Unido ou a Austrália, ou foram construídos por comunidades locais”, ela afirma.

A iniciativa do memorial, na França, será a primeira grande homenagem aos animais forçados à participarem da guerra (Foto: Mistérios do Mundo)

Sanvisens espera que o novo monumento de Paris seja de tamanho e magnitude semelhante ao memorial Animals in War, que existe perto do Hyde Park, em Londres. No entanto, de acordo com a ativista, é mais importante que o memorial seja, de fato, construído, não importando seu tamanho.

“Estamos apenas esperando por algo concreto”, disse ela.

Ainda não está confirmado onde o memorial será localizado. No entanto, ativistas esperam que ele fique na avenida de l’Observatoire no 6º arrondissement, um ponto turístico popular e área de importância histórica. “Queremos esse local porque o prefeito apoia o projeto e é onde os cavalos foram requisitados para a guerra”, Sanvisens observa.

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Cães explorados na guerra do Afeganistão retornam para casa

Explorados e sem escolha, cães são enviados a guerra e utilizados como ferramenta pelo exército americano | Foto: Divulgação/World War Wings
Explorados e sem escolha, cães são enviados a guerra e utilizados como ferramenta pelo exército americano | Foto: Divulgação/World War Wings

Batizados com o título de “lendas de guerra”, 92 cães retornaram aos Estados Unidos após atuarem junto aos soldados em operações militares na guerra do Afeganistão, a informação é de John Wertjes, presidente da empresa responsável pelo transporte, provisão e treinamento desses animais, a AMK9. O contrato de uso dos cães terminou, sendo este o motivo do seu retorno.

A maioria desses animais será designada a outras missões ou tarefas enquanto outros (mais idosos) irão para adoção ou aposentadoria, segundo a AMK9. Sarah Herron da Piper´s Playhouse, no Alabama, faz o trabalho de análise dos candidatos interessados em adotar os cães, cruzando perfis, analisando as famílias e os cães no intuito de achar um lar adequado.

Rumores de que os cães são deixados para trás nos países em conflito, esquecidos quando não podem mais executar suas tarefas por motivos de saúde ou idade, foi o que levou a empresa a realizar um documentário sobre o retorno dos cães. A atitude de trazê-los de volta, embora tratada como ato nobre e reverenciável na filmagem, é o mínimo a ser feito considerando-se que o envio desses animais a guerra é uma violação de seus direitos.

Estes animais não tiveram escolha sobre ir ou não desempenhar um papel em uma guerra, suas necessidades, os riscos assumidos, os danos a seu estado psicológico e emocional não foram considerados, eles simplesmente foram enviados em prol do lucro da companhia e do benefício alheio. Trazê-los após o “trabalho” feito, é uma obrigação herdada de uma demanda que já se iniciou de forma equivocada. Os cães foram utilizados na guerra por suas habilidades natas, providas pela natureza para sua subsistência no planeta, ao fazer uso desses animais em benefício próprio o homem os explora covardemente.

Segundo a empresa que trouxe os cães de volta, AMK9, aqueles entre eles que ainda se encontram em “idade hábil” para “trabalhar”, serão reaproveitados. Não há citações, em momento algum, que levem em consideração o estado emocional desses seres. Se a guerra causa traumas e danos permanentes aos seres humanos que estiveram presentes nesses conflitos, a lógica simples conclui que os animais estariam expostos da mesma forma a tais consequências.

Bombas, explosões, mortes, stress diário elevado, perda do tutor a quem se afeiçoaram, ameaça iminente, instabilidade contínua. Uma vez que a senciência animal é uma realidade comprovada cientificamente e respeitada já em algumas legislações, entre elas a da União Europeia, por que estes fatores não atingiriam e prejudicariam os animais da mesma forma que aos seres humanos?

Alguns cães conseguem um lar amoroso e uma família que os proteja e respeite, infelizmente precisaram ir a uma guerra antes que isso acontecesse.

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A vida de orangotangos está em jogo devido a uma disputa econômica entre a União Europeia e a Ásia, em confronto sobre as produções de óleo de palma na Malásia (Foto: Pixabay)
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Conflito econômico entre Ásia e Europa ameaça orangotangos

A União Europeia (UE) está propondo apoio à proibição européia do óleo de palma, o que pode pôr em risco um acordo pendente para vender aviões de combate construídos localmente para a Malásia. Negociações envolvendo as nações e acordos econômicos estão desestabilizando uma decisão que poderia salvar a vida de vários orangotangos que tem seu habitat dizimado pela exploração de óleo de palma.

Oficiais de defesa da UE alertaram o governo britânico, apoiando o fim da exploração do óleo de palma, pode colocar em risco acordos com a Malásia. Dan Richardson, membro da Animal Conservationist e Born Free Patron, disse em entrevista à World Animal News:

“O governo da Malásia, em retaliação à proposta de proibição do óleo de palma da UE, está ameaçando interromper o pedido de aeronaves militares do Reino Unido. Agora, trata-se de saber se os envolvidos darão maior importância a salvar o meio ambiente e a proteção de espécies ameaçadas ou priorizar o comércio, neste caso, por armas de guerra”.

A vida de orangotangos está em jogo devido a uma disputa econômica entre a União Europeia e a Ásia, em confronto sobre as produções de óleo de palma na Malásia (Foto: Pixabay)
A vida de orangotangos está em jogo devido a uma disputa econômica entre a União Europeia e a Ásia, em confronto sobre as produções de óleo de palma na Malásia (Foto: Pixabay)

A Malásia é um dos países entre os maiores produtores mundiais de óleo de palma, exploração esta que destrói a vida de incontáveis orangotangos, espécie ameaçada de macacos. O acordo proposto pela União Europeia visa proteger os habitats de orangotangos e outras espécies ameaçadas.

O Ministério da Defesa, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Defra) e a alta comissão britânica afirmaram que a Malásia estava pressionando o Reino Unido para repensar sua posição sobre a proibição, o que disseram que “poderia afetar o relacionamento bilateral entre os países”.

Em 17 de janeiro, o Parlamento Europeu decidiu eliminar o óleo de palma até 2021 e limitar a produção de biocombustíveis baseados nas culturas extensas, ambas medidas que prezam pela sustentabilidade.

Os governos da Indonésia e da Malásia, que produzem a maior parte do óleo de palma do mundo, estão indignados com as decisões de diminuir o impacto ambiental relativo ao consumo humano da União Europeia, e uma guerra fria se instala entre os países, com ameaças e disputa de poder envolvendo acordos bilionários. Diante de tudo isso, os animais sofrem com a devastação da biodiversidade e com a cruel exploração de óleo de palma na Ásia.

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Destaques, Notícias

Carta emocionante autoriza doação de cão após morte de tutor em guerra

Um soldado do Exército dos Estados Unidos foi convocado a servir o país na guerra do Iraque e, sabendo que corria risco de morte, decidiu deixar o cachorro tutelado por ele em um abrigo para animais junto de uma carta autorizando a doação do cão caso ele morresse.

(Foto: Divulgação)

O objetivo de Paul Mallory era regressar da guerra e buscar o cachorro no abrigo e, por isso, a ONG só foi autorizada a doar o cão para outra pessoa caso o soldado morresse.

O temor de Mallory se concretizou e, após ele perder a vida no Iraque, o cachorro, da raça labrador, foi disponibilizado para adoção e, em seguida, encontrou um novo lar. Entretanto, questões comportamentais, como não responder quando era chamado pelo nome e não obedecer ordens, fizeram com que o novo tutor decidisse devolver Reggie, como era chamado o cão, ao abrigo. “Ele roeu alguns sapatos e algumas caixas. Fui muito rígido com ele e ressentiu-se, consegui notar”, disse o homem.

A decisão do tutor de Reggie, no entanto, não durou muito tempo. Isso porque, ao procurar o número de telefone da instituição de proteção animal, para ligar e avisar que devolveria o cão, o homem encontrou a carta do antigo tutor de Reggie que, até então, não havia sido lida. Após ler as palavras do soldado Paul Mallory, o homem desistiu de devolver o cão e decidiu começar do zero, criando uma nova relação com o cachorro.

Na carta, nomeada de “para quem ficar com o meu cão”, Mallory dizia que não estava feliz por ter alguém lendo a carta, já que ele pediu que ela só fosse lida pelo novo tutor de Reggie, e que também não estava satisfeito por escrevê-la. “Se está lendo isto, significa que acabo de regressar do meu último passeio de carro com o meu labrador depois de deixá-lo num abrigo. Ele sabia que algo estava acontecendo. Arrumei a sua almofada e brinquedos e coloquei-os na mala do carro antes da viagem, mas desta vez é como se ele soubesse que algo estava errado. E algo está errado. E é por isso que tenho de fazer a coisa certa”, escreveu o soldado, que afirmou em seguida que escrevia a carta na esperança de que, ao contar sobre o cachorro, o novo tutor tivesse mais facilidade em criar uma ligação com ele.

O documento dizia que Reggie adora brincar com bolas de tênis. “Ele normalmente segura duas na boca e tenta agarrar uma terceira”, afirmou Mallory, que alertou o novo tutor do cão para tomar cuidado ao brincar com ele e não jogar a bola perto da estrada, pois o cão certamente iria atrás e um acidente poderia acontecer. “Uma vez cometi esse erro e quase lhe custou a vida”, lamentou.

Informações sobre como o cachorro deveria ser alimentado e a respeito das vacinas também constavam na carta. “Agenda de alimentação: duas vezes ao dia, uma vez cerca das sete da manhã, e outra às seis da tarde. Comida para cão de loja normal, o abrigo sabe a marca”, disse. “Ele tem as vacinas em dia. Ligue para a clínica na 9th Street e atualize a informação deles com a sua. Eles irão se certificar de lhe enviar lembretes para as próximas. Fique desde já informado: o Reggie odeia o veterinário. Boa sorte na hora de colocá-lo dentro do carro. Não sei como é que ele sabe quando é para ir ao veterinário, mas ele sabe”, acrescentou.

O antigo tutor de Reggie pediu ainda que o novo responsável pelo cachorro dê um tempo a ele, já que o animal estava acostumado a viver ao lado de Mallory e certamente sentiria falta disso. “Nunca fui casado, por isso foi sempre o Reggie e eu toda a vida dele. Ele foi a todo o lado comigo, por isso, por favor, inclua-o nos seus passeios de carro diários, se puder. Ele se senta no banco de trás e não late nem se queixa. Apenas adora estar com pessoas, e comigo em especial. O que significa que esta transição vai ser difícil, com ele indo viver com alguém novo”, contou.

As palavras do antigo tutor não só trouxeram mais informações sobre o cachorro, como explicaram porque ele não atendia quando era chamado pelo nome. “O nome dele não é Reggie. Não sei o que me fez fazê-lo, mas quando o deixei no abrigo, disse-lhes que o nome dele era Reggie. Ele é um cão esperto, vai se habituar e vai responder ao nome, não tenho dúvida. Mas simplesmente não conseguia aguentar dar-lhes o nome verdadeiro dele. Para mim, fazê-lo era como se ao entregá-lo ao abrigo estivesse admitindo que nunca mais o voltaria a ver. E se eu acabar por regressar, e ir buscá-lo, e rasgar esta carta, significa que está tudo bem. Mas se outra pessoa está lendo-a, bem… significa que este novo tutor deve saber o nome verdadeiro. Irá ajudar a criar laços com ele”, disse. “O nome verdadeiro dele é Tank”, completou.

Mallory afirma ainda que se o novo tutor de Tank está lendo a carta é porque o nome do soldado talvez tenha aparecido no jornal através de notícias sobre a morte dele. “Eu disse ao abrigo que não podiam disponibilizar o Reggie para adoção até que recebessem uma palavra do meu comandante de companhia. Sabe, os meus pais faleceram, não tenho irmãos, ninguém com quem pudesse deixar o Tank… e foi o meu único verdadeiro pedido ao Exército quando ocorreu o meu destacamento no Iraque, que fizessem um telefonema para o abrigo no caso de uma eventualidade, para lhes dizerem que o Tank poderia ser dado para adoção. Felizmente, o meu coronel é um tipo que gosta de cães, também, e sabia para onde o meu pelotão se dirigia. Ele disse que o faria pessoalmente. E se está você está lendo isto, então ele cumpriu a sua palavra”, afirmou.

Ao final da carta, o soldado conta que o cachorro foi a família dele nos últimos seis anos e que agora ele espera e reza que o novo tutor de Tank também permita que ele seja parte da família e que o cão se adapte ao novo lar e ame o novo tutor como amava Mallory.

“O amor incondicional de um cão foi o que levei comigo para o Iraque como inspiração para fazer algo altruísta, para proteger pessoas inocentes daqueles que fariam coisas terríveis e para impedir aquelas pessoas horríveis de virem para cá. Se tive que deixar o Tank para o poder fazer, ainda bem que o fiz. Ele era o meu exemplo de amor. Espero que o tenha honrado com o meu serviço ao meu país”, escreveu.

O soldado contou ainda que havia tirado aquela tarde em que escreveu a carta para deixá-la no abrigo. “Acho que não voltarei a dizer outro adeus ao Tank. Chorei muito da primeira vez. Talvez o venha observar e veja se ele conseguiu pôr aquela terceira bola na boca. Boa sorte com o Tank. Dê-lhe um bom lar, e um beijo extra de boa noite – todas as noites – por mim. Obrigado”, disse Mallory ao concluir a carta e assinar o próprio nome.

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Jornalismo cultural

Considerações sobre a guerra civil síria que já matou mais de 470 mil pessoas

Crianças têm sido as principais vítimas (Foto: AFP)

A batalha em Ghouta Oriental, na Síria, deixou mais de 600 mortos, principalmente crianças, desde o último dia 18 de fevereiro – 393 mil pessoas estão presas no cerco. De acordo com o Centro Sírio de Pesquisas Políticas, 470 mil pessoas já morreram desde o início da guerra civil síria em 2011. E cerca de cinco milhões já deixaram o país. Os dois lados já cometeram atrocidades, logo crimes contra a humanidade, ao longo dos anos. E claro, já foram financiados por “grandes e persuasivas nações”. Mais uma vez, seres humanos brigando por território ao custo de muitas mortes. De que adianta conquistar um território e perder muitas vidas? Qual é a coerência disso?

Veja a história da humanidade; civilizações e cidades que desapareceram por causa de guerras, restando apenas ruínas. É esse o presente que amargamos e o futuro que esperamos para a humanidade? Acredito que não seja novidade que os verdadeiros comandantes das guerras costumam ser aqueles que na realidade não vão à guerra, e pouco se importam, de fato, com aqueles que morrem nela; menos ainda se são inocentes – algo que chamam de “efeito colateral”. Simplesmente enviam seus intratáveis, inclementes, tolos ou ingênuos asseclas para matar ou morrer.

Quanto mais baixo o nível intelectual, mais fácil a persuasão. Egotismo, fundamentalismo religioso, ufanismo, patriotismo, nacionalismo, antropocentrismo, etnocentrismo ajudando a afundar a humanidade mais um pouco, e arrastando aqueles que nunca tomaram parte nessas ações – ideológicas ou não. Enquanto a vida não for vista como parte de uma unidade geral que deveria ser respeitada porque é essencialmente indissociável em termos de valores, para além das origens e de outras disparidades, vamos continuar cometendo os mesmos erros do passado; erros estes que por sinal podem ter até mais motivação econômica do que ideológica.

Às vezes, o que na realidade significa todo dia, penso em quantos seres humanos e não humanos estão morrendo enquanto digito algumas palavras. A vida vale pouco ou nada para aquele que não respeita nem a sua própria humanidade, logo menos ainda o direito dos outros. Creio, e há muito tempo, que guerra entre mocinhos e vilões é mais parte de uma fantasia, um conto romanesco, do que de uma realidade concreta, ponderando que em uma guerra os excessos são práticas usuais dos dois lados quando se visa atingir um fim.

Se alguém busca reparação por meio da violência, é preciso estar preparado para um possível ciclo interminável, como já havia referenciado Ismail Kadaré no romance “Prilli i Thyer” ou “Abril Despedaçado”. Talvez o símbolo que melhor represente a fealdade e a intransigência humana dos tempos atuais seja um ouroboros, a serpente que engole a própria cauda – e não no sentido simbólico mais auspicioso.

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