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Expedição fará censo de aves em Portugal

Foto: Jesus Caballero/CEAI

É durante o mês de novembro que os grous chegam às planícies alentejanas, em Portugal, para passar o inverno. À semelhança do que acontece há 20 anos, equipes de ornitólogos preparam-se para sair para o campo e fazer o censo destas aves. A “expedição” começa este domingo (7) e termina em finais de fevereiro.

Todos os invernos, cerca de seis mil grous (Grus grus) partem do Norte e Leste europeu para o Sul de Portugal. Reúnem-se em bandos que podem ir das 200 às mil aves.

São animais de hábitos e por isso escolhem quase sempre os mesmos locais de dormida e alimentação, espalhados por Campo Maior, Évora, Moura/Mourão/Barrancos e Castro Verde.

Num fim-de-semana por mês, equipas de ornitólogos e de voluntários sairão para o campo. Rogério Cangarato, do Centro de Estudos da Avifauna Ibérica (CEAI), faz sempre parte do grupo.

“Não é preciso ter muita experiência para fazer a contagem dos grous. É algo relativamente simples de fazer”, contou o responsável ao PÚBLICO. “Quem estiver interessado, pode-se inscrever nos grupos de observação. Em cada um estará, pelo menos, um membro do CEAI para orientar os trabalhos”, acrescentou.

No ano passado, Rogério Cangarato esteve em cinco dos oito pontos de observação, escolhidos de forma a interceptar as aves na sua rota dos locais onde se alimentam aos locais onde vão dormir. Que saiba, cerca de 30 pessoas ajudaram a contar as aves. “São pessoas que vão desde os simples curiosos, que aproveitam para passear no campo mas que estão sensível a estas coisas, às pessoas com formação em biologia e até aos locais que convivem com os grous desde sempre mas nunca se aperceberam” do ritmo de vida destas aves. “Há de tudo”.

O grou é uma ave que “cria empatia” e que é “relativamente fácil de ver – por causa da dimensão, dos sons, da plumagem – quando se está nos lugares certos”, garante.

Além de os participantes ajudarem a melhorar o conhecimento científico sobre a espécie, podem passar um bom dia no campo. “Esta atividade é uma excelente oportunidade para passarmos informação através desta espécie, característica de determinados habitats”.

De momento, o CEAI está a preparar o tratamento dos dados dos últimos 12 anos. Mas desde já se pode dizer que se tem “verificado um ligeiro aumento do número de grous que fazem a invernada no Sul de Portugal”, afirma Rogério Cangarato.

Ainda assim, existem episódios de ameaça à estabilidade da espécie, como os “espantamentos propositados nos locais mais sensíveis, nas zonas de dormida diária”. Os grous não têm concentrações muito elevadas e ocorrem de forma dispersa. Ainda assim, podem causar algum prejuízo na altura das sementeiras. “Acho que faz falta alguém responsável dar uma resposta aos proprietários quando são afetados”, referiu.

A segunda fase deste trabalho de contagem dos grous será adotar medidas de conservação para proteger as aves e os habitats, através de acordos ou compromissos, adiantou. Mas este é um projecto “a curto ou médio prazo”. “Assegurar as condições ecológicas do montado e zonas agrícolas para uma boa invernada é tão importante como o resto do ciclo de vida da ave”, lembrou.

Esta é uma espécie com estatuto de Vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, publicado em 2005. A principal razão é a sua distribuição muito localizada no Alentejo interior.

Fonte: Ecosfera

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Grous são espantados a tiros por agricultores do Alentejo, Portugal

Serão cerca de mil os grous em busca da Albufeira do Caia, Alentejo, para passar o inverno. Mas este ano as aves estão sendo espantadas, ilegalmente, por tiros de espingarda disparados durante a noite por agricultores descontentes, denuncia a Spea.

Todos os anos, cerca de 200 mil grous (Grus grus, uma espécie protegida, semelhante a uma garça) percorrem mais de cinco mil quilômetros da Escandinávia e da Rússia para, entre novembro e fevereiro, passar o Inverno na Península Ibérica. Em Portugal não serão mais de 3.500 e escolheram apenas quatro locais. Um deles é a Albufeira do Caia, nos municípios de Elvas, Campo Maior e Arronches.

Segundo Domingos Leitão, coordenador do Programa de Conservação Terrestre da Spea (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), estes espantamentos ilegais já são praticados há mais anos. “Mas nunca com esta frequência. Este ano a situação é mais grave” e atingiu um “ponto crítico, verdadeiramente inaceitável”.

Segundo a Spea, neste inverno os dormitórios na Albufeira do Caia “foram continuamente perturbados com tiros de espingarda” para o ar, durante a noite, “levando ao desaparecimento dos grous no final do mês de dezembro”.

Domingos Leitão diz que não há forma de saber para onde foram as aves, mas sublinha que elas selecionaram aquele local “porque reunia as condições necessárias”. Esta é uma zona “relativamente plana, com cereal de sequeiro e montado de azinho não muito denso”. Agora, os grous “podem estar pernoitando em locais menos favoráveis, com predadores ou maior perturbação”, explicou.

A Spea apela aos agricultores para não espantarem as aves e recorda que este tipo de ação, além de cruel, não é autorizada pelo ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade).

Os agricultores podem fazer pequenos ajustes, de forma a não prejudicar as aves, como não lavrar e não queimar a palha que resta dos cereais após a colheita, além de antecipar a data da sementeira e usar variedades de ciclo longo. Nos casos em que estas medidas não tenham resultado, o agricultor deve contatar o ICNB para ter a situação avaliada.

“É inacreditável que no Alentejo ocorram espantamentos de grous, quando deveríamos celebrar o espetáculo proporcionado por estes visitantes alados”, como acontece na comunidade espanhola vizinha, Extremadura. 

Fonte: Ecosfera

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