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Gorilas das montanhas chegam a mil indivíduos, mas ainda não estão livres da extinção

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Entre todos os gorilas que habitam a África, mais especificamente entre Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo (RDC), os gorilas das montanhas, muito bem retratados no filme que virou cult “Na Montanha dos Gorilas”, são os mais próximos da extinção. Para se ter uma ideia, os gorilas-ocidentais-das-terras-baixas somam cerca de 360 mil indivíduos. Já os cabeludos e pacíficos gorilas das montanhas são apenas mil em todo o mundo e, mesmo assim, tem sido bem difícil chegar a esse número. Uma década atrás havia apenas 720. Em 2015 eram 880. O crescimento é lento, mas significativo.

Diferente de Ruanda, onde o acesso de turistas aos gorilas das montanhas já está consagrado há muitos anos graças ao trabalho da primatologista Dian Fossey, a vida é bastante instável para esses pacíficos gigantes da natureza do Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. Guerras entre grupos rebeldes, caça, armadilhas na floresta e desmatamento estão entre os diversos desafios à sobrevivência. Mesmo assim, sete bebês nasceram logo no início do ano. O primeiro nascimento foi em 7 de janeiro, quando a gorila Sebutimbiri, da família Mapuwa, deu à luz um “menino”. Outros quatro bebês nasceram num espaço de cinco dias. As gorilas Mivumbi e Rwubaka, da família Bageni, também tiveram um “garoto” cada uma.

Vale lembrar que os guardas florestais conhecem muito bem (e pelo nome) os membros de várias famílias desses gorilas. Para os leigos pode parecer que são todos muito iguais, mas a verdade é que existem diferenças marcantes. Cada gorila tem um nariz diferente e os guardas desenham essas características de cada um em um caderno como uma forma de identificação. Funciona! Assim é possível batizar cada gorila e também dar nome a cada família composta por 10 a 20 indivíduos.

Heróis de Virunga

A preciosa e frágil população de gorilas das montanhas do Congo só existe por causa do trabalho perigoso e árduo dos guardas florestais. Embora sejam bem treinados e carreguem armamentos, 175 deles já perderam a vida defendendo os gorilas nos últimos anos. A sobrevivência humana ali tem dois caminhos muito distintos: o do bem e da preservação da natureza trabalhando, por exemplo, como guarda florestal, e o do mal enveredando pela caça, tráfico de animais e combates sangrentos contra o exército do governo ou de outros grupos de guerrilha.

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O diretor do Parque Nacional de Virunga, Emmanuel de Merode, ressalta: “A derrubada das árvores para se fazer carvão é um grande problema porque é o principal combustível usado por moradores locais para cozinhar. Árvores na floresta protegida por lei são derrubadas. Além disso, o carvão rende um bom dinheiro para os rebeldes que vivem dentro do parque. Com esse dinheiro eles compram armas e equipamentos de comunicação que lhes permite manter o seu exército”.

A Virunga.org é a organização que se dedica 24 horas à proteção dos gorilas das montanhas do Congo. As doações ajudam a pagar o salário dos guardas e a manter toda a estrutura necessária para defesa dos gorilas das montanhas e de outras dezenas de espécies animais que vivem no Parque. Conheça melhor esse trabalho clicando aqui.

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*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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