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Gnus morrem todos os anos durante travessia por comida na África

A travessia feita pelos gnus vai da região da Tanzânia ao Quênia e é considerada a maior migração animal do mundo, mas também uma das mais perigosas para os animais.

Gnus atravessando o Rio Mara durante trajeto
Gnus e outros animais fazem a travessia do rio anualmente (Foto: Carl de Souza/AFP)

Nessa jornada, os gnus precisam atravessar diversas vezes o rio Mara, que cruza os dois países. É um rio com baixa profundidade e cerca de 40 metros de largura.

Contudo, infelizmente vários animais morrem, todos os anos, por afogamento ou por ataque de crocodilos, durante a travessia perigosa.

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Tanzânia insiste em construir estrada que corta parque e põe em risco milhares de animais

A perda de herbívoros vai ter impacto em todo o ecossistema do parque. (Foto: Tim Davenport/Reuters - arquivo)

O Governo da Tanzânia segue em frente no projeto da construção de uma estrada no Noroeste do país, que corta o Parque Natural do Serengueti, depois de o Banco Mundial oferecer ajuda para que a via seja construída a sul do parque.

O projeto já é conhecido desde outubro de 2010. Ambientalistas de vários países temem que esta via impeça a passagem da maior migração de grandes mamíferos conhecida. Todos os anos, dois milhões de grandes mamíferos, incluindo zebras e gnus, mantêm uma rota de migração ao longo dos 30 mil quilômetros deste ecossistema que fica no Norte da Tanzânia. Parte dessa migração atravessará a futura estrada.

A via terá cerca de 420 quilômetros de comprimento, e vai atravessar cerca de 54 quilômetros de parque. Vai ser feita de cascalho na zona do parque e, segundo o Governo, irá permitir que as populações do nordeste do país cheguem mais rápido a cidades do sul, em vez de terem que percorrer uma estrada da lama que atravessa todo o Serengueti ao longo de cerca de 172 quilômetros.

O Banco Mundial já ofereceu ao Governo da Tanzânia ajuda financeira para a construção de uma via alternativa que ligaria, da mesma forma, o nordeste do país, a partir do lago Vitória, contornaria a região ocidental e sul do parque para chegar finalmente à região que fica a sudeste do parque. Mas o Governo rejeita esta proposta por não ajudar às populações do nordeste.

A estrada poderá começar a ser construída em 2012. Segundo estudos, prevê-se que em 2035 haja seis mil carros a atravessar por dia o parque, o que equivale a um milhão de carros ao longo do ano. Os críticos deste projeto defendem que, com o aumento de circulação, irá haver a necessidade da construção de fazer um melhoramento para uma estrada de alcatrão.

No final de janeiro foi publicado um estudo na revista Public Library of Science One, um estudo que tenta antecipar a evolução das populações de herbívoros depois de se construir esta barreira ecológica. Segundo o artigo, a pressão da estrada poderá reduzir as populações de gnus em 35 por cento, o que terá um impacto em todo o ecossistema.

“Todo o ecossistema depende do impacto desta migração massiva, por isso o ecossistema em si vai mudar em completo quando a migração desaparecer”, disse citado pelo Herald Paris Anthony Sinclair, um dos autores do estudo, da Universidade da Colômbia Britânica, no Canadá.

Sabe-se ainda que os herbívoros reduzem uma grande proporção do pasto, o que diminui o impacto dos incêndios. A redução de animais pode fazer aumentar este flagelo e tornar todo o ecossistema num produtor de carbono, avisa o estudo.

O Governo, no entanto, garante que todos as medidas de conservação vão ser mantidas no parque. “O Serengueti é uma joia da nossa nação assim como para a comunidade internacional. Não vamos fazer nada para ferir o Serengueti e gostaríamos que a comunidade internacional soubesse isso”, disse num comunicado o presidente Jakaya Kikwete, citado pela AFP.

A Tanzânia tem uma área de 945 mil quilômetros quadrados, é dez vezes maior do que Portugal e tem uma população de quase 43 milhões de habitantes. O Parque Nacional do Serengueti, que fica dentro da região do Serengueti, tem perto de 15 mil quilômetros quadrados e é Patrimônio Mundial da Unesco. Anualmente recebe 90 mil turistas.

Fonte: Ecosfera

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Tanzânia: cratera de Ngorongoro é refúgio para 25 mil mamíferos

Chegamos à entrada da Área de Conservação Ngorongoro. Estamos na borda de uma imensa cratera circular de quase 20 km de diâmetro. A vista lá de cima é surpreendente, pois o interior do vulcão aparece como um enorme buraco, a 600 metros abaixo de onde estamos. No centro, um lago fornece água aos habitantes do lugar. Cerca de 25 mil mamíferos selvagens consideram Ngorongoro como morada, mas nenhum ser humano – com exceção de alguns pesquisadores –passa a noite na reserva, dentro da cratera. Aliás, esse é o aviso mais importante que recebemos na entrada. “Vocês precisam sair da cratera antes das 17:30. Nesse hora, um guarda-parque coloca um cadeado na guarita de saída e quem ficar para trás vai dormir com os leões – além de ter de pagar uma boa multa”, avisa o guarda-parque.

Ngorongoro é uma das maravilhas naturais do planeta. Há dois ou três milhões de anos, o vulcão teria explodido e seu cone colapsado sobre si mesmo. A caldeira criada acabou formando um ecossistema particular. É a maior e mais completa caldeira existente no mundo, cercada por paredes quase intactas do antigo vulcão. Dentro dessa área espontaneamente protegida, dezenas de espécies de mamíferos proliferaram.

A caldeira de Ngorongoro e seu lago são um pequeno paraíso para a vida selvagem. Foto: Reprodução/Revista Época

A primeira surpresa que encontramos é um elefante macho. Ele é o maior elefante que já vi na vida e também o maior dentro da cratera. Sua presa mede quase dois metros e está bem próxima ao solo. Como as presas nunca param de crescer, não é difícil calcular que o gigante também deve ser o mais idoso de todos.

Um gigantesco elefante, com suas presas de quase dois metros, alimenta-se próximo a um dos paredões que limita a cratera de Ngorongoro. Foto:Reprodução/Revista Época

Os leões de Ngorongoro possuem uma história bem particular e nem sempre saudável. Há algumas décadas, devido aos cruzamentos entre o grupo fechado de animais, isolados de seus parentes do parque Serengeti, muitos leões começaram a nascer com problemas de consanguinidade. Além disso, a população foi vítima de ataques cíclicos de moscas do gênero stomoxys. Em 1962, a população de 70 leões teria sido reduzida a 10. Em 2001, um novo surto matou quase uma dezena de animais. Hoje, calcula-se que a população esteja entre 60 e 80 leões, mas os problemas genéticos ainda não foram resolvidos.

Uma das leoas que avistamos descansa no mato. Ficaram no mesmo lugar durante todo o dia. Foto: Reprodução/Revista Época

Encontramos duas leoas dormindo na savana. Decidimos estacionar e esperar para ver o que pode acontecer. Noto que, a cada 10 ou 15 minutos, uma delas acorda, levanta, boceja, dá uma olhada ao redor e depois volta a encontrar uma relva confortável para dormir. Como a cratera é pequena, passamos pelo mesmo lugar (onde as leoas descansavam) várias vezes, para não perdê-las de vista.

Somente às 17 horas, quando já estava na hora de sair da reserva, é que elas acordaram. As duas amigas dão um delicado banho de língua uma na outra, mas ainda fora de nosso campo de visão. Enquanto isso, o tempo vai passando e nós estamos preocupados com o cadeado da guarita. Tentamos ficar ainda 10 minutos?

Depois de descansar, uma das leoas resolve que a sesta terminou e que está na hora de comer.Foto:Reprodução/Revista Época

Finalmente, uma delas se levanta e começa a caminhar. Ela passa a 10 metros de distância de onde estamos. A amiga segue atrás. Elas cruzam a estrada e seguem em direção a um grupo de gnus. Certamente elas vão esperar escurecer para dar o bote e conseguir o jantar.

Fonte: Revista Época

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Governo da Tanzânia quer construir rodovia em santuário da vida selvagem

Por Giovanna Chinellato (da Redação)

Foto: Animals Change

Quando você pensa nos últimos lugares intocados da Terra, o Serengeti provavelmente está entre eles. O Serengeti tem 30000 quilômetros quadrados e fica no norte da Tanzânia e sul do Kênia. É o símbolo dos ecossistemas únicos da África e o mais conhecido santuário de vida selvagem do mundo. Além da proteção de espécies como rinocerontes negros, é aqui que a maior migração de grandes mamíferos do planeta acontece.

A National Geographic, descrevendo o Parque Nacional do Serengeti, publicou: “é o lugar onde nos tornamos humanos.” E, de acordo com matéria publicada no Animals Change, o governo da Tanzânia quer passar uma rodovia bem ao meio dele.

A rodovia passaria por um trecho da rota de migração. Isso significa mortes por atropelamento. Muitas delas. Mais de um milhão de bisões, gnus, zebras e gazelas atravessam o Serengeti todo ano. Se isso não acontecesse, se eles fossem barrados pelo trânsito de carros, todo o ecossistema do Serengeti estaria em risco.

A construção, e a rodovia em si, poderiam impedir dezenas de milhares de animais de atingir seus destinos onde encontram água e comida, o que significa que morreriam de sede e fome. Os animais que migram também são fonte de alimento para leões, hienas e outros predadores. E pense no tanto de fertilizante gerado por milhões de animais- o gnu, por exemplo, ajuda a manter a nutrição do solo, e consequentemente das plantas. Uma rodovia, além de tudo, traria pólen e sementes de plantas invasoras.

A destruição do habitat ameaçaria os 600 mil empregos criados pelo turismo na Tanzânia. A rodovia, com acesso a pequenas vilas, também daria acesso a caçadores para o grande Serengeti. Rodovias têm a tendência de trazer desenvolvimento e males consigo. Animais poderiam ser atingidos por carros, o que é perigoso para eles e para humanos.

Não faltam motivos pelos quais a rodovia é uma má ideia, e não existem muitas soluções para eles. Cercar a rodovia protegeria animais e pessoas de colisões, mas levaria a migração a um beco sem saída. Não cercar a rodovia também não ajuda, já que os animais não atravessariam a estrada e outras centenas de perigos surgiriam.

É claro que as nações africanas não podem ser privadas do desenvolvimento; uma estrada comercial ligando leste e oeste poderia mudar as coisas, para melhor ou pior, para muitas vilas pequenas. Mas existe uma maneira melhor. Uma estrada pelo sul ultrapassaria o Serengeti e manteria as rotas de migração intactas. Como diz a Save The Serengeti, “a escolha é entre pessoas e a natureza.”

O Parque Nacional do Serengeti é patrimônio mundial e, como ambiente da grande migração da Terra e refúgio para várias espécies ameaçadas, o propósito da rodovia e suas consequências ultrapassam as fronteiras da África. É uma questão conservacionista que afeta todos nós.

Clique aqui para assinar a petição da Change.org contra a rodovia.

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Governo do Quênia quer capturar zebras e gnus para alimentar leões selvagens

O Serviço de Vida Selvagem do governo do Quênia iniciou uma operação de captura e transporte de 7 mil zebras e gnus (espécie de antílope africano) para alimentar leões e hienas do Parque Nacional Amboseli, no sul do país.

De acordo com as autoridades quenianas, a seca mais forte dos últimos 26 anos devastou o ecossistema do parque em 2009 e fez com que o número de zebras na região diminuísse. As autoridades realizaram um censo dos animais do parque em outubro de 2009, que mostrou que havia apenas 3.023 gnus e 2.467 zebras na região. Estes números representam uma grande queda na população, já que o censo realizado em 2007 indicou que havia 12.411 gnus e 6.978 zebras no parque.

Como as zebras são as presas preferidas de leões e hienas, estes animais começaram a atacar o gado das comunidades em volta do parque. No entanto, a seca já tinha levado à diminuição em até 80% dos rebanhos da região. Devido aos ataques dos leões e hienas, os pecuaristas também têm reagido com mais frequência contra os animais selvagens para proteger o gado.

Custos e fases

A operação de captura e transporte das zebras e gnus para o parque tem um custo estimado de US$ 1,35 milhão e está dividida em fases.

A primeira fase, que visa à captura e transporte de mil zebras, deve ocorrer até o dia 28 deste mês. As outras fases vão incluir os gnus e devem ocorrer entre março e junho. A equipe de captura conta com 26 integrantes, incluindo um piloto de helicóptero, técnicos, motoristas, autoridades de captura e guardas-florestais. O transporte dos animais é feito pelas equipes aéreas e terrestres. A equipe do helicóptero identifica os grupos de animais e os leva para um cercado camuflado, em formato de funil. A equipe terrestre então conduz os animais na direção do caminhão que vai transportá-los.

De acordo com o cientista do Serviço de Vida Selvagem do Quênia, Charles Musyoki, a operação visa restabelecer o equilíbrio entre os animais do parque e, ao mesmo tempo, reduzir o número de casos de conflito entre comunidades que moram na região e os animais que saem do parque para se alimentar do gado.

O Parque Nacional Amboseli e a região que o cerca é um dos polos turísticos mais famosos do Quênia. E a morte de leões por moradores da região pode prejudicar os esforços do governo para conservação e de estímulo do turismo.

O conflito entre os animais e os humanos moradores da região é uma das causas principais do rápido declínio da população de leões no Quênia.

Fonte: O Globo

Nota da Redação: Cercado de decisões incoerentes, o governo do Quênia faz o que se vê de mais decadente no mundo atual: apesar dos esforços para a preservação das espécies, do habitat e até mesmo pelo desenvolvimento da sensibilidade e da compaixão, muitas pessoas ainda ignoram a crise e preferem caminhar na contramão, “tapar buracos”, reagir à situações de forma impulsiva e arrastar-se na vida e na história da humanidade usando paliativos em situações mais ou menos complexas.  Não há nenhuma lógica, nenhuma demonstração de inteligência, em decisões deste tipo. Chega a causar espanto – e porque não dizer vergonha? – ver governantes meterem os pés pelas mãos e ter apoio público em uma demonstração insana de inconsciência e desprezo à vida.  É dado que “uma das causas principais do rápido declínio da população de leões no Quênia é o conflito entre os animais e os humanos moradores da região”. Então digamos que haja, por parte do governo, uma real preocupação com a preservação das espécies em questão. Por que é que em vez de capturarem outros animais selvagens (zebras e gnus) e tirarem-nos de seu habitat, causando ainda mais desequilíbrio; não se preocupam com um trabalho educacional e formas de repressão aos pecuaristas assassinos e inconsequentes?  No entanto, a preocupação do governo queniano parece ser muito maior – ainda que não explícita – com os problemas causados aos criadores de gado e com a lucratividade do turismo, do que com a necessidade de alimentar leões e hienas – já que, convenhamos, há, no mínimo, soluções mais baratas para o problema.


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