Destaques, Notícias

Elefante faminto é atacado por moradores ao entrar em aldeia à procura de comida

Foto: Newslions Media
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Um elefante selvagem destruiu campos agrícolas ao entrar em uma vila indiana em busca de comida e foi ameaçado e perseguido por moradores com tochas, paus e pedras.

Imagens mostram o animal correndo através de uma vila tribal em Belpahari, em Bengala Ocidental, na Índia.

Multidões de moradores locais são ouvidas gritando enquanto correm atrás do animal com paus afiados e lanças erguidas no ar.

Momentos depois, eles são vistos correndo atrás do animal por uma estrada rural.

O animal então se afasta das terras agrícolas em busca de alimento.

Ele pode ser visto no meio de um campo de colheita, no vídeo gravado de 24 de dezembro.

Alguns tentam atirar pedras e ameaçar o animal com paus, à medida que ele atravessa suas colheitas.

Conforme o paquiderme se afasta lentamente, as famílias seguem sua rota nas estradas serpenteantes quase como um jogo de gato e rato.

Foto: Newslions Media
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O corajoso cinegrafista se aproxima do elefante e mostra-o vagando pelos campos e esmagando as colheitas.

Os moradores continuam a gritar e a emitir um ruído parecido com o de um helicóptero enquanto tentam afastá-lo.

Os nativos assistem angustiados quando o mamífero pisa nos campos semeados, destruindo tudo em sua fuga.

Enquanto isso, o animal obstinado continuava fugindo atropelando tudo a sua frente.

Foto: Newslions Media
Foto: Newslions Media

Um habitante é visto mais tarde perseguindo o elefante ameaçando-o com uma tocha de fogo.

Eles correm atrás do animal selvagem e acenam com a tocha flamejante quase alcançando cauda do elefante.

O animal se afasta rapidamente dos campos e volta para a floresta.

Segundo os relatórios, isso é causado devido à invasão de áreas florestais para fins agrícolas pelos habitantes locais.

O incidente acontece apenas algumas semanas depois que um homem foi pisoteado até a morte por um elefante no distrito de Jhargram em Bengala Ocidental, tornando-se o oitavo desde 26 de outubro. As informações são do Daily Mail.

Foto: Newslions Media
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Notícias

Nova agência de recrutamento é especializada em empregos para veganos

Foto: Adobe
Foto: Adobe

Uma agência de recrutamento especializada em combinar pessoas e empregos veganos oferecidos por empresas alinhadas com seus valores – tratamento sustentável, vegano e ético para todos – foi lançada recentemente.

A Citizen Kind foi lançada por Emma Osborne, que tem mais de uma década de experiência no recrutamento e é vegana desde 2015.

Foto: Citizen Kind
Foto: Citizen Kind

Despertar

Quando Osborne percebeu que ela estava cansada de defender empresas cujos valores ela não compartilhava, a recrutadora tirou um ano sabático e viajou pelo mundo.

Ela montou seu negócio para que pudesse trabalhar de forma proativa para encontrar para os veganos candidatos o lugar certo dessa forma eles se antecipariam às necessidades do crescente movimento vegano, que conta restaurantes, sites de comércio eletrônico, empresas de investimento e uma instituição de caridade entre os clientes da Citizen Kind.

Desmistificando o veganismo

“Ser vegano ainda é considerado uma escolha extrema e difícil até agora, e por isso eu queria ajudar a normalizar e popularizar este estilo de vida compassivo, abrindo oportunidades em empresas veganas, sustentáveis e éticas para aqueles que conscientemente estão reduzindo seu impacto no planeta”, disse a fundadora da empresa Emma Osborne.

Foto: Citizen Kind
Foto: Citizen Kind

“Ao trazer amor e compaixão uns pelos outros, o planeta e os animais para o local de trabalho, você cria um ambiente onde ideias, colaboração e ação podem crescer”, disse Emma.

“Dessa forma, estou colocando minhas habilidades corporativas em uso para o bem daqueles que não podem falar por si mesmos, e trazendo consciência para a crise em questão. Eu não consigo pensar em um trabalho melhor para mim.”

Você pode descobrir mais sobre Citizen Kind aqui.

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Você é o Repórter

Cão de porte grande muito dócil aguarda novo lar em Curitiba (PR)

Carla Moraes
cachorrosdoacao@gmail.com

O Pongo é um cachorro lindo, que parece não ter noção de seu tamanho; porte grande, extremamente gentil e carinhoso. Se dá bem com crianças e outros cães, sabe os comandos básicos, como sentar e dar a patinha. Está castrado, vacinado e vermifugado.

Pongo é excelente para quem quer um cão grande, que imponha respeito, mas precisa que também seja dócil com outros cães e crianças.

Contato: Carla (41) 9914-6030

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Notícias

Graxains salvos por cadela passam a conviver com família gaúcha

Cães da raça Collie são animais domésticos, considerados pastores de ovelhas. O graxaim, conhecido como cachorro do mato, é um animal selvagem, encontrado nos campos do sul do Brasil. São duas espécies distintas e até inimigas. Mas o inesperado aconteceu, pelo menos na história da cachorra Latoya.

Latoya é uma mãe que tem tudo a ver com o nome do lugar onde vive: “gentil”. Ela é tão gentil que o instinto de proteção foi maior do que o instinto que faz de cães e graxains inimigos naturais. E foi por causa de um embate entre as duas espécies que os três filhotes de cachorro do mato ficaram órfãos, ainda muito pequenos. Sem a ajuda de Latoya, eles não teriam sobrevivido. Ela, que já tinha filhotes, amamentou mais três.

Hoje em dia, essa turma é a diversão do Ezequiel e da família. Encantados, eles acompanham o crescimento dos graxains que, às vezes, se comportam como os irmãos postiços, verdadeiros cães, explorando as redondezas. Outras, eles seguem o destino dos animais que vivem em liberdade e somem no meio da vegetação e do mato. Mas, no final do dia, eles sempre acabam voltando. 

A dona de casa Gisele Trento revela que nunca pensou em prender os filhotes de graxains e que se eles quiserem ir embora, estão livres para ir. “Mas se quiserem ficar, melhor”.

Fonte: Globo Repórter

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Artigos

Não temo desapontar ninguém por praticar o veganismo

Quantas situações embaraçosas os veganos, às vezes, passam por aí… Algumas podem até comprometer suas posturas no veganismo:

– “Aceite este copo de leite com chocolate”, comentou comigo, certa vez, uma colega que não sabia que não consumo nada de origem animal. Para dizer a verdade, não sei se ela sabia o que é ser vegano. Escutei isto quando estava em sua casa, ao fazer-lhe uma visita com um outro amigo que precisava conversar com ela a respeito de trabalho.
 
– “Não, mas agradeço-lhe por ser gentil. No entanto, não consumo nenhum alimento de origem animal”, disse isto para ela sem desviar-lhe o olhar.

Mas, ela insistiu:

– “Você não sabe o que está perdendo, tá muito gostoso!” 
Aí respondi: 

– “Não, obrigado.” 

Ela não se contentou com a minha resposta. 

– “Puxa vida, estou querendo agradá-lo e você faz essa desfeita!”, exclamou com um tom de quem parece ter se ofendido. 

Entre os veganos, quem não já passou por uma situação parecida com essa? Saber negar um favor, dependendo do contexto, não é tarefa tão fácil para algumas pessoas, ainda mais quando uma pessoa insiste em lhe oferecer algo a todo custo.
Cheguei a ficar meio sem ação, porém, não fiquei sem palavras: 

– “Recusar um pedido de favor, mas com educação, é uma outra maneira de ser gentil, mesmo que para isso eu tenha que negar a sua oferenda. Entretanto, ofereça-me um copo de água, aí o aceitarei para que você não se sinta ofendida.” 

Ela retrucou: 

– “Beber leite é saudável. Todo mundo bebe. Ele é rico em cálcio. O que há de errado em tomar leite?” 

Após escutar essas “máximas”, parti para a seguinte argumentação: 

– “Vamos por partes, querida! Concordo que beber leite é saudável, desde que este leite que você esteja citando na nossa conversa seja da mesma espécie e ingerido durante o período de amamentação, embora esse período possa variar de criança para criança, mas após o desmame, não há necessidade de consumirmos leite de outras espécies, salvo em casos de risco de vida – inevitáveis à sobrevivência. Um bezerro quando se torna ‘adulto’ transforma-se num boi: acaso você já viu algum boi mamando? O ser humano insiste na mania de beber leite de outras espécies para satisfazer seu próprio interesse sem levar em consideração a ética para com os animais: será que você nunca parou para refletir sobre isso?”, após argumentar desta maneira, dei uma respirada profunda como pausa no diálogo, porque estava começando a falar rápido!

Entretanto, cabe ressaltar que beber leite de outras espécies, necessariamente, não chega a ser completamente errado por não ser natural à nossa própria espécie, e, sim, por causar danos aos animais e, mesmo que, em alguns lugares as vacas sejam supostamente tratadas com “carinho”, ainda permanece a seguinte questão: será que realmente temos o direito de usá-las para os nossos interesses? Acredito que não! Portanto, pratico o veganismo alicerçado na educação abolicionista.

Mas, de repente, ela afirmou: 

– “Ei, espere aí: agora você vai querer me convencer de parar de beber leite?”, indagou-me quando pausei. Contudo, o amigo que me levou à casa dela havia interrompido a nossa conversa exatamente nesse momento, chamando-me para ir num outro lugar. Percebi que ele estava querendo evitar que a nossa conversa ficasse muito apaixonada. Então aceitei sua proposta. Antes de sair da casa dela, disse-lhe que em outra ocasião terminaríamos a conversa, e ela disse: 

– “tudo bem!”.

Fiquei pensando sobre essa situação durante vários dias, como aquelas flutuações de pensamentos que temos de vez em quando no dia-a-dia.

Algumas semanas depois encontrei novamente com ela, e perguntei-lhe: 

– “Você se importaria de continuar aquela conversa a respeito do leite?” 

E ela respondeu: 

– “Bem, não tenho muito tempo agora, mas posso lhe escutar um pouco!” 
Aproveitei esse momento para falar sobre a questão do nosso relacionamento para com os animais, e como as vacas leiteiras são usadas para a satisfação caprichosa dos seres humanos. Eu estava com um livro na mão, intitulado “Aprendendo a Respeitar a Vida”, e o abri no capítulo “O que acontece com o bezerro”, li para ela o seguinte trecho:

1. São encaminhados para o abate quase que imediatamente – para serem servidos como vitela. O coalho, usado na fabricação da maioria dos queijos, é retirado do estômago de bezerros recém-nascidos. (…) 2. Podem ter uma vida ainda mais infeliz se forem para uma criação de carne branca de vitela, passar a vida presos em estreitos engradados de madeira. O espaço é tão reduzido que, após as primeiras semanas, os bezerros já nem conseguem se virar. São alimentados com uma ração líquida especial, para que cresçam o máximo em um mínimo de tempo e conservem a carne excepcionalmente branca. Não recebem as fibras necessárias ao sistema digestivo dos ruminantes, de modo que, muitas vezes, acabam comendo seu próprio pêlo e roendo os engradados. (…) Não recebem forragem para deitar-se, pois sua fome de alimentos sólidos faria com que comessem o próprio leito. Recebem apenas o mínimo de ferro necessário para mantê-los vivos, pois quantidades maiores tornariam sua carne vermelha. (…) Eles saem do engradado, ao fim de 14 semanas, com úlceras estomacais e abcessos, e suas pernas estão tão fracas que mal conseguem alcançar o caminho para o abatedouro. Os novilhos soltos, no entanto, são animais ativos e brincalhões. (…) 3. As estatísticas informam que 80% da carne produzida são um subproduto da indústria leiteira. Bezerros excedentes, muitas vezes, são vendidos com uma semana de idade (ou menos) para serem criados como gado de corte. Alimentados durante 12 semanas, principalmente de cereais, são forçados a comer demais e mantidos em confinamento para evitar que o alimento seja “desperdiçado” nas funções vitais. Desta forma, ocorre até envenenamento. (…) 4. Atualmente, com a inseminação artificial, são raros os novilhos criados para se tornarem touros. O bezerro destinado a esse fim, às vezes, pode mamar na vaca por algum tempo. Dos 10 aos 12 meses de idade, o touro serve as vacas semanalmente, passando o resto do tempo em confinamento solitário. Hoje, porém, é mais provável que lancem seu sêmen em vacas de lona e tubos de borracha. O manual do Ministério da Agricultura Britânico sobre a criação de touros recomenda um pátio junto à cocheira, com paredes através das quais eles possam olhar, pois “a monotonia pode produzir violência”. Admitem, assim, que os animais possuem vida mental e emotiva! Ao envelhecer, os touros são muitas vezes castrados e colocados em confinamento para engordar antes de chegar ao abatedouro. (…) 5. As fêmeas são criadas para se tornarem vacas leiteiras. As bezerrinhas são afastadas da mãe tão logo seja possível, para que a vaca possa “juntar-se novamente ao rebanho”. É concedido um período mínimo para que se recupere da gravidez frustrada e o seu leite possa ser aproveitado para dar lucro. (…) Alimentadas com leite artificial, as bezerras desenvolvem-se mais depressa, de modo que, com 18 a 24 meses, já podem iniciar o ciclo de uma gravidez atrás da outra. Conforme o New Scientist: “A vaca leiteira moderna leva uma vida miserável. A cada ano ela produz um bezerro, o que significa que durante nove meses está grávida. E, durante nove meses por ano, é ordenhada duas vezes ao dia. Durante seis meses está grávida e, ao mesmo tempo, produzindo leite”. Os detalhes das enfermidades que pode sofrer ao se sujeitar a essa demanda são terríveis, assim como as descrições dos remédios usados (veja os jornais rurais)” (RICHTER, 1997, p. 44-45).

Ela ficou meio espantada com essa leitura que fiz, mas mudou de assunto dizendo que ia num outro lugar porque tinha marcado um compromisso com um colega.
Despedi-me dela dizendo: 

– “Lembre-se dessa questão com responsabilidade à ética”.

Se ela já ficou chocada com esse relato, a mesma ficaria ainda mais se eu tivesse dito que o sofrimento das vacas leiteiras está além do que li para ela, acima de nossa imaginação – além das vacas ficarem grávidas da maneira relatada, ficam em pé quase o tempo todo, muitas ficam com problemas nas articulações, ficam submetidas às máquinas de retirar leite durante muito tempo, com inflamações nas mamas, além de serem as que, nesse processo todo, sofrerão por mais tempo, e irão acabar no abatedouro assim mesmo. Não foi à toa que o jurista vegano Gary L. Francione disse em seu artigo “Veganismo: O Princípio Fundamental do Movimento Abolicionista”:

“Não há nenhuma diferença significativa entre comer carnes e comer laticínios ou outros produtos animais. Os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados por sua carne, mas são mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do quê consumimos sua carne do mesmo jeito. Há provavelmente mais sofrimento num copo de leite, ou num sorvete, do que num bife. E qualquer um que pensar que um ovo — mesmo o que vem das chamadas “galinhas soltas” — não é produto de um sofrimento tão horrível quanto a carne não conhece muito bem a indústria de ovos” (FRANCIONE, 2006).
 
Refletindo sobre o começo deste artigo, tenho que fazer alguns comentários pertinentes. Há pessoas que têm uma enorme ânsia de querer agradar os outros, com o desejo de satisfazer essa “necessidade” sem levar em conta a vontade do próximo ao qual estão querendo agradar. Pessoalmente, não temo desapontar ninguém por praticar o veganismo, mesmo que para isso eu tenha que recusar certas oferendas.
 
Segundo Laura Lopes, em um artigo na revista Vida Natural e Equilíbrio (edição 1), intitulado “Não sei dizer não! Aprender a negar favores é não agredir o próprio organismo e respeitar a si mesmo”, consta o seguinte: 

“O grande receio daqueles que não sabem dizer ‘não’, segundo a terapeuta Margareth dos Reis, é desagradar e perder uma relação de afeto que lhes é cara. ‘Quem tem essa dificuldade não se constitui sujeito da própria vida1’, comenta. E mais: está em constante busca de aprovação para se sentir integrado ao meio social, profissional ou familiar, mesmo que já tenha sido aceito” (LOPES, 2007, p. 58). 

Se alguns veganos dizem “sim” a qualquer oferenda que recebam, por mais gentil que a pessoa possa ser, é justamente isso uma das coisas que os dificultam a agir com autonomia moral para dizer “não”. Pra que tentar ser bonzinho em aceitar qualquer coisa sempre que alguém lhe oferece algo que não condiz com seus princípios? Só para ter aprovação e não ser chamado de anti-social? Se for assim, então prefiro ser intitulado de anti-social para com os humanos do que ser chamado de antiético para com os não-humanos, porque quebrar a postura vegana só para ser aceito no meio social não condiz com uma decisão correta. 

É preciso que tenhamos vergonha na cara para não incorrermos numa “justificativa escapista” de aceitar qualquer coisa em nome de veganismo, haja visto que o mesmo não se limita somente à alimentação nem só à teoria, muito menos à omissão do pronunciamento ético atitudinal pelos direitos animais. A indignação de qualquer vegano não se resume em simplesmente boicotar, como se isto já bastasse para “alguns”, é preciso debater – colocar a boca no trambone!

Não temo ser taxado de radical por fazer esse comentário, exatamente por saber a diferença entre radicalismo e fanatismo. A palavra “radical” ganhou sentido pejorativo com o passar do tempo, gerando equívocos sobre o seu verdadeiro entendimento, mas tal palavra designa a atitude de quem vive na raiz da originalidade, e não um fanático como muitos pensam, pois o fanático vive de maus exemplos e tem demasiado apego ao que “prega”, não sabe passar conhecimento com esclarecimentos e lucidez. O radical prioriza a autenticidade em si, que está além de qualquer desculpismo retórico. Ele é racional e aceita ser questionado, estando aberto a debates. O fanático é desprovido de argumentos racionais tampouco admite ser questionado, se apega ao “ismo” que professa, estando até mesmo disposto a implicar com os outros em vez de passar o conhecimento com educação e respeito, minúcia e clareza, para que a pessoa possa entendê-lo sem criar resistência desnecessária, apesar de algumas pessoas a criarem assim mesmo, seja por teimosia ou falta de bom senso! 

Também é preciso deixar uma outra coisa bem clara para todos: nem a pessoa mais estrita no veganismo consegue ser 100% vegana em sua prática, mas isso não deve servir de justificativa para que devamos deixar de lado o bom senso de distinguir aquilo que realmente deve ser boicotado e debatido. Se ainda existem coisas que têm relações indiretas com o uso e o sofrimento dos não-humanos que consumimos, então é exatamente por isso que ninguém consegue ser 100% vegano. E acaso deveríamos nos sentir desestimulados por causa disso? É óbvio que não! Temos sempre que descobrir mais e mais coisas se atualizando, para cada vez mais se abster de algo que inclua exploração animal, e também temos que divulgar o máximo possível o conhecimento do veganismo para as pessoas.

Em seu texto “Minha resposta a Johanna”, Francione responde algumas perguntas feitas por e-mail a uma pessoa identificada como Johanna. Em uma parte de sua mensagem há a seguinte declaração:

“Acho muito importante ser honesto com as pessoas e deixar bem claro que, em nossa sociedade, que é toda permeada pela exploração animal, é impossível evitar esta exploração completamente. Mas de uma coisa podemos ter absoluta certeza: se você não for vegana, você é uma exploradora dos animais. É imperativo que seja dito com muita clareza, às pessoas que se importam com os animais, que apenas “se importar” com o assunto não é suficiente. A gente tem de pôr nossos princípios em prática” (FRANCIONE, 2007).

Veganismo é uma conseqüência óbvia de se considerar o não-humano como digno de respeito moral. E quem lhes escreve não se propõe intelectual do veganismo (esse “ismo” não é um fim em si mesmo), aliás: veganismo não tem nada a ver com superioridade moral – muito menos com qualquer outro tipo de subjetividade à “pureza”, mas como minha prática não é norteada por dissimulação, posso atestar como sensato o que estou tentando passar neste artigo: sinceridade – sem preocupar-me com a opinião alheia. 

Observação: o autor deste artigo agradece as sugestões críticas que recebeu de Luciano Carlos Cunha (ativista vegano), para que este texto pudesse ser publicado no presente site!

NOTA 
1 A expressão “sujeito da própria vida”, abordada pela terapeuta Margareth dos Reis, no contexto acima, foi canalizada para designar o sujeito que não tem autonomia moral, portanto, não se constitui sujeito da própria vida. Por gentileza: favor não confundir com o conceito usado em ética animal, por Tom Regan, refiro-me à expressão “sujeito-de-uma-vida”, que designa estar consciente de si e do mundo. Favor consultar a obra Jaulas Vazias, p. 71-72.

Charles de Freitas Lima é ex-monge da ISKCON, professor de Educação Física, pós-graduado em Psicomotricidade.

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