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Biólogos realizam expedição para proteger o tatu-bola

Um dos tatu-bola encontrados pela equipe (Foto/Divulgação)
Um dos tatu-bola encontrados pela equipe (Foto/Divulgação)

Entre os dias 2 e 11 de agosto, um grupo de pesquisadores mineiros e cearenses partiu em uma expedição ao longo do Cânion do Rio Poti, em Crateús, no Ceará. O objetivo da jornada é a conservação: identificar as áreas em que o tatu-bola vive na região e propor a criação de uma unidade de conservação para proteger a espécie.

O tatu-bola é uma espécie que só existe no Brasil, nas regiões de Cerrado e Caatinga. Ela é classificada como “Em perigo” na lista de espécies ameaçadas do Brasil. Criar áreas protegidas pode ser uma forma de recuperar a espécie. Durante a Copa do Mundo, o tatu-bola foi até mesmo escolhido como representante, mas mesmo a popularidade e o marketing de um evento desse porte não foram suficientes para melhorar suas condições de preservação.

Confira abaixo com exclusividade o primeiro relato da expedição, recheado de belas fotos do local.

Diário de Bordo da expedição Tatu-bola
Por Flávia Miranda
Responsável Técnica do Programa Tatu-bola

“Muito se pergunta o porquê de se proteger um animal tão peculiar como o tatu-bola, por que ele está em risco de extinção e como pode servir como espécie–bandeira do bioma — para identificar a situação daquela área. Fomos à procura das respostas a essas perguntas na primeira Expedição Tatu-bola, ação do Programa Tatu-bola, apoiado pela Fundação Grupo Boticário. Mapeamos a região do Cânion do Poti, onde ainda há forte registro do mamífero.

Espécies-bandeiras são utilizadas com funções estratégicas e têm sido frequentemente definidas como:

– Espécies populares e carismáticas que servem como símbolos ou focos principais para estimular pensamentos e ações de conservação;
– Espécies que facilitam a arrecadação de apoios financeiros, permitindo a proteção dos habitats;
– Espécies que se tornem símbolos e elementos de liderança de uma campanha de um ecossistema completo.

Geralmente é um grande vertebrado carismático que pode ser usado para ancorar uma campanha de conservação, pois desperta o interesse e a simpatia do público. Nesse sentido, o tatu-bola será o embaixador para a criação do Parque Nacional do Caniôn do Poti e nossa missão é encontrá-lo nesse ambiente inóspito e pouco explorado.

Nossa aventura começou na madrugada do dia 2 de agosto, quando saímos de Fortaleza às 5h. Nesse primeiro passo já ganhamos de presente um nascer do sol maravilhoso! Seguimos no sentido Crateús, passando pela Serra da Ibiapaba. A viagem foi longa e teve duração de cinco horas. Após o abastecimento dos mantimentos, partimos para a comunidade do Bebedouro, no município de Buriti dos Montes (PI). Pegamos uma estrada de terra mesclada com rochas do Piauí, o que montou um cenário único de caatinga pelo caminho.

O município é pequeno e localiza-se na microrregião de Campo Maior, mesorregião do Centro-Norte Piauiense. O município tem 7626 habitantes e 2296 km² e nele se encontra o Caniôn do Poti. Na chegada fomos acolhidos por uma comunidade que possui 19 famílias. E no Bebedouro passamos nossa primeira noite.

A comunidade Bebedouro (Foto/Expedição Tatu-bola)
A comunidade Bebedouro (Foto/Expedição Tatu-bola)

Já ao amanhecer partimos para o nosso primeiro desafio: subir a Serra da Baleia. Durante o percurso, passamos por diferentes vegetações e formações geológicas que compõem a bacia do Poti.

Após quase 16 km de exploração retornamos à comunidade do Bebedouro. E, como nossa missão é encontrar o tatu-bola, saímos para a primeira noite de resgate. Essa campanha contou com apoio da comunidade local, que tem como parte de sua cultura a caça de subsistência. E nesse dia pudemos perceber que esse será o nosso maior desafio para a conservação da espécie no local: mostrar para a população que há alternativas à caça.

Além dos dados biológicos foi possível levantar informações geoambientais, o que facilitará nossas próximas saídas. Terminamos esse dia exaustos, às 5h da manhã, mas encantados com a lembrança do lindo tatu-bola.

A equipe de pesquisadores que partiu em expedição pelo Cânion do Rio Poti (Foto/Devian Zutter)
A equipe de pesquisadores que partiu em expedição pelo Cânion do Rio Poti (Foto/Devian Zutter)
Pesquisadores encontram o primeiro tatu-bola (Foto/ Samuel Portela)
Pesquisadores encontram o primeiro tatu-bola (Foto/ Samuel Portela)

Como o sol do sertão não deixa ninguém ficar dormindo, às 8h já estávamos de pé e partimos para outra localidade, conhecida por Fazenda Espírito Santo. Na chegada fomos recebidos por um casal de sertanejos que vive no local há quase 30 anos: seu Zé Caboclo e dona Francisca. A Fazenda possui sua sede centenária e bastante rústica, sem água encanada e eletricidade, mas nela encontramos o maior complexo de pintura rupestre da região, o sítio da Bebidinha, cartão postal do Caniôn do Poti.

Durante a noite voltamos a focar em nossa maior missão, a captura do tatu-bola dentro dos limites do nosso futuro e tão esperado Parque Nacional Caniôn do Poti. Para nossa equipe, missão dada é missão cumprida. Conseguimos  achar mais um! Um lindo macho de tatu-bola! Após a biometria, coleta de amostras, o animal se recuperou da anestesia e voltou para sua casa, a caatinga.

Como nossa missão é proteger esse lindo santuário, passamos por escolas e comunidades explicando o projeto e a importância da proteção da fauna e flora. Foram momentos únicos de encontro entre pesquisa e sociedade. Para fechar o dia com chave de ouro, vimos de perto uma apresentação de uma família de sanfoneiros, uma verdadeira riqueza brasileira. Muita emoção e lágrimas.

Pesquisadores conversam com crianças em um pau-de-arara, antes de elas irem para a escola (Foto/ Samuel Portela)
Pesquisadores conversam com crianças em um pau-de-arara, antes de elas irem para a escola (Foto/ Samuel Portela)

Já no sétimo dia de expedição, partimos para uma nova localidade, Cachoeira da Lembrada. Nesse local foi possível encontrar arraias que sobem do mar pelo rio Parnaíba até o Rio Poti.

Após montarmos acampamento, tomamos um banho de rio e nos preparamos para mais um difícil resgate. Saímos às 20h da noite depois de um jantar à beira da fogueira e andamos mais de 15 km com três frentes de trabalho.

Quando menos esperávamos, encontramos três tatus. Foi realmente algo muito atípico, mas resultado de um esforço único da equipe. Voltamos para o acampamento, pois já estava amanhecendo, e cada passo naquela areia era uma tarefa árdua. Estávamos realmente no limite da exaustão, mas a sensação de dever cumprido nos acompanhava.

Pela manhã passamos para a próxima etapa da expedição, e dessa vez fomos pela água! Para essa tarefa, enfrentamos o obstáculo mais difícil – um paredão de mais de 30 metros, que nos daria acesso ao rio para que pudéssemos descer todos os equipamentos, caiaques, mantimentos e, claro, a própria equipe. Depois de três horas de trabalho embaixo de um sol escaldante, pudemos desfrutar do nosso primeiro dia navegando o rio Poti.

No final da tarde, depois de muito quilômetros de remada, chegamos a um dos lugares mais lindos, a Casa de Pedra. Um talho na pedra na forma de rachão possibilita armar as barracas e desfrutar de uma sombra entre os paredões do Cânion do Poti. A estrutura tem mais de 40 metros. Foi uma noite linda e estrelada.

Acordamos cedo e continuamos nossa jornada. No final do dia já estávamos no famoso Poço da Cruz, uma formação geológica em formato de cruz. Depois de algumas horas fomos resgatados e nossa expedição continuou de carro, o famoso pau de arara.

Nossa última parada seria a Pedra do Castelo, mas depois de tantos quilômetros rodados não só a equipe estava exausta, como nem nosso carro aguentava mais e acabou quebrando. Depois dessa desventura só nos restou pegar uma carona no caminhão e voltar para a cidade mais próxima, Castelo do Piauí, e lá finalizarmos a nossa andança em busca desse tão lindo animal.

Finalizamos nossa expedição com dados inéditos sobre a espécie, novos sítios arqueológicos mapeados, levantamento das fitofisionomias do local e muita, mas muita força para brigar pela criação desse santuário, o nosso Parque Nacional do Caniôn do Poti.

Expedição do Cânion do Rio Poti (Foto/ Samuel Portela)
Expedição do Cânion do Rio Poti (Foto/ Samuel Portela)

Curiosidade sobre o Poti

O Rio Poti percorre litologias distintas na porção cearense, onde predomina a estrutura cristalina do Pré-cambriano da Unidade Canindé. Geomorfologicamente, o Cânion do Rio Poti pode ser classificado como um segmento de cuesta, ou seja, um relevo dissimétrico, formado por um perfil côncavo em declive íngreme e, do outro, por um planalto sedimentar suavemente inclinado, sendo o cânion resultante do entalhe da feição sedimentar, formando paredões de até 300m de profundidade.

Fonte: Época

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Biólogo entrega 160 mil assinaturas para preservar tatu-bola

Reprodução/ICMBio
Reprodução/ICMBio

Estádios, obras de mobilidade e turismo são benefícios frequentemente citados como legados da Copa do Mundo no Brasil. Porém, mais que isso, um grupo de mais de 160 mil pessoas quer, como legado, um parque de conservação para o tatu-bola – animal que, na figura do Fuleco, virou símbolo do Mundial, e está na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

Depois de produzir artigo científico em conjunto com outros pesquisadores, mostrando incoerência entre a escolha de uma espécie ameaçada, para dar cara ao maior evento esportivo do planeta, e a falta de investimento para conservar a espécie, o biólogo Felipe Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco, abriu abaixo-assinado para receber apoio da população para o pedido de criação de um parque nacional na caatinga, dedicado à preservação do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola.

Em menos de um mês, o movimento conseguiu mais de 160 mil assinaturas, entregues nesta quarta-feira ao diretor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Sérgio Brant.

Para produzir o artigo, o grupo de pesquisadores fez uma expedição à caatinga e constatou que a caça de tatu ainda faz parte da cultura regional. “A gente chegava nos lugares e perguntava para as crianças quem tinha comido tatu no último ano, e todo mundo levantava a mão”, segundo Felipe Melo. Isso, apesar de o tatu ser um reservatório de hanseníase, e comer a carne do bicho, além de poder levá-lo à extinção, ainda traz o risco de contrair a doença, alerta ele.

Segundo o professor, a caatinga é um ecossistema que só existe no Brasil, e é o mais desprotegido de todo o País. Além da caça ao tatu, a destruição do bioma – habitat natural da espécie, juntamente com o cerrado – também contribui para aumentar a ameaça de extinção da espécie de Fuleco.

Em seu ambiente natural, o tatu-bola tem o papel de movimentar os nutrientes da terra, de controlar a presença de formigas, e ainda são alimento para grandes felinos. Para Melo, a principal ferramenta para conservar o tatu é a criação de áreas naturais, protegidas por lei, para a manutenção de espécies e ecossistemas.

A Agência Brasil procurou o ICMBio para saber o posicionamento do órgão sobre a petição, mas até o fechamento da matéria não conseguiu resposta. Mês passado, o ICMBio criou um plano para a preservação do mascote da Copa do Mundo.

Fonte: Terra Notícias / Agência Brasil

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Popularidade do animal que inspirou o mascote da Copa pode aumentar o risco de extinção da espécie

O nome do mascote da Copa, Fuleco, vem da combinação de futebol e ecologia (Foto: AFP)
O nome do mascote da Copa, Fuleco, vem da combinação de futebol e ecologia (Foto: AFP)

O mascote da Copa do Mundo 2014, o tatu-bola, batizado de Fuleco, está ameaçado de extinção por causa da caça, destruição do habitat e até mesmo por causa do futebol, disseram cientistas na última quinta-feira (12).

O animal foi adotado neste ano para representar a bola, já que o tatu-bola se enrola como tal. Porém, a tática natural não tem sido suficiente para protegê-lo dos ataques humanos.

De acordo com o jornal The Huffington Post, os cientistas também temem que, com a extrema publicidade, as pessoas comprem os bichos para tê-lo em casa.

Acredita-se que o número de animais da espécie tenha diminuído em mais de um terço nos últimos 15 anos, devido à perda de 50% do habitat natural, a caatinga, de acordo com a lista vermelha de espécies ameaçadas divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

O nome Fuleco é uma combinação de “futebol” com “ecologia”.

Mariella Superina, presidente da IUCN, pediu a FIFA que financie medidas para proteger o animal, incluindo anúncios publicitários que possam conscientizar as pessoas.

— As pessoas o veem como um animal bonitinho por que ele rola como uma bola. Estamos preocupados que essas pessoas queiram eles como animais de estimação. Eles definitivamente não são animais de estimação.

Fonte: R7

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