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AGU derruba liminar que proibia que jumentos fossem mortos para exportação de carne

A derrubada da liminar, obtida através do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, é um retrocesso para os direitos animais


A Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu no Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) a derrubada de uma liminar que proibia que jumentos fossem mortos na Bahia para que a carne deles fosse exportada.

Reprodução/Pixabay/evandropix

A liminar foi concedida em resposta a um pedido de ONGs de proteção animal que denunciaram casos de maus-tratos a jumentos em um frigorífico de Itapetinga, na Bahia.

A AGU afirmou ainda que os frigoríficos são acompanhados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) permanentemente e que não há provas de que as imagens que revelam maus-tratos contra jumentos foram feitas em frigoríficos legalizados.

Nota da Redação: o sofrimento animal é frequentemente negado pelos órgãos do poder público. Sabe-se, porém, que é impossível explorar e matar animais sem condená-los a agonia, medo e dor. Estudos comprovam que os mamíferos possuem consciência e, portanto, sofrem. Enquanto pintinhos são triturados vivos, porcas vivem presas a celas gestacionais, e animais de várias espécies assistem seus iguais serem mortos e, em desespero, também são mortos em seguida, o poder público insiste em afirmar, de maneira descabida, que não há sofrimento, usando isso para perpetuar a exploração e a matança de animais inocentes, como os jumentos.


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Pampas Safari: em vídeo vazado, dono de frigorífico diz que cervos não tinham tuberculose

O dono do frigorífico que matou 20 cervos do Pampas Safari, antes da ordem judicial que proibiu o extermínio deles, foi flagrado, por meio de um vídeo feito discretamente, afirmando que os cervos não tinham tuberculose. O vídeo gravado durante reunião do dono do frigorífico com agentes da prefeitura foi vazado pela página do Facebook A.L.F RS/Brasil.

Ele disse ainda que era para todos os cervos terem sido mortos, não apenas 20, o que não aconteceu porque o matadouro pediu que fosse encaminhado um número pequeno de cervos para que os equipamentos fossem testados nesta espécie, já que o local é especialista em matar bovinos. “Não temos experiência nenhuma nisso, aí pedi que viessem poucos, um número menor possível para fazer um teste”, afirmou o dono do frigorífico.

Confira o vídeo abaixo:

Exames mostram resultado negativo

Entre outubro de 2016 e janeiro deste ano foram realizados exames em 257 cervos do Pampas Safari. Validados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os exames apontam resultado negativo para tuberculose.

Os laudos, assinados pelo veterinário Estanislau da Silva, foram obtidos pela deputada Regina Becker Fortunati (REDE) e pelo diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente de Gravataí (FMMA), Jackson Müller.

O Ibama, que não têm cumprido seu papel de proteção à fauna silvestre, afirma que a Secretaria Estadual da Agricultura autorizou o extermínio dos cervos amparada por laudos que comprovam a doença.

Um inquérito civil para apurar o caso foi instaurado pelo Ministério Público. O resultado das amostras colhidas nos corpos dos cervos mortos, encaminhadas ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Guaíba (RS), deve sair na próxima semana.

O diretor do instituto, Rogério Oliveira Rodrigues, explicou ao G1 que uma primeira avaliação não detectou lesões macroscópicas nos cervos, mas que isso não é suficiente para determinar o resultado. “Deu negativo macroscopicamente, o que não significa dizer que não tenha bactéria. Não é um resultado definitivo, ainda está em processamento”, disse.

A promotora de Justiça Carolina Barth conta que um ex-funcionário do Pampas Safari afirmou, em depoimento, que os cervos mortos não tinham tuberculose. “Ele disse que acompanhou o abate, que foi feito por outro profissional, contratado pela direção”, afirmou ao G1.

Carolina disse ainda que a prática de morte induzida no caso de animais doentes é muito questionável e que, pelo fato de o processo ser irreversível, “é necessário que se suspenda o procedimento até que sejam apurados os fatos”.

Entre os 20 cervos mortos, haviam quatro fêmeas grávidas. “A gente quer esclarecer, saber o porquê disso. Tem uma lei federal que inclusive proíbe a morte de uma fêmea grávida”, sustentou Regina.

O extermínio dos outros cervos, que permanecem no parque, foi proibido mediante decisão judicial. A liminar, concedida pelo juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, determina ainda que os cervos contaminados sejam mantidos em isolamento e com separação por sexo para evitar a procriação.

Ativistas protestam contra extermínio dos cervos

Ativistas que protestaram em frente ao Ibama de Porto Alegre (RS), na última sexta-feira (25), cobram uma comprovação de que os cervos realmente estavam doentes.

Os manifestantes, que somavam cerca de 100 pessoas, usaram chifres e ficaram deitados na calçada do Ibama em um ato de solidariedade aos cervos do Pampas Safari.

Ativistas protestam contra morte dos cervos do Pampas Safari (Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV)

Thiane Nunes, integrante do Partido Animais, disse ao Correio do Povo que é inaceitável que os tutores dos cervos tenham o direito de requerer o procedimento de morte induzida alegando falta de recursos sem a certeza de que há, de fato, contaminação por tuberculose. “Falta de recurso de uma empresa que tem capital social de R$ 2,5 milhões?”, questionou.

A ativista contestou ainda o posicionamento dos órgãos envolvidos no caso. Para ela, o Ibama, a Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí, o governo do Estado e o Ministério Público Federal poderiam ter agido para mudar a realidade de abandono dos animais do Pampas Safari.

Um termo pedindo que providências sejam tomadas foi lido pelos ativistas no local. Entre os pedidos está a necessidade de os órgãos competentes tomarem atitudes em prol dos cervos, a formação de uma comissão para analisar o tema e o anseio de que os proprietários do parque tornem público uma cópia do livro do plantel de animais desde 2013, quando o Pampas Safari foi interditado.

Os ativistas pedem ainda que, por meio de um termo de compromisso, os proprietários do Pampas Safari sejam condenados a perder integralmente a área onde o parque está localizado como compensação ambiental pelos danos patrimoniais e morais e que o local seja transformado em um santuário.

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Da fazenda ao frigorífico

Neste vídeo, você terá uma visão da realidade que acontece por trás das portas fechadas de fazendas modernas, incubadoras e matadouros – revelando o duro caminho que os animais percorrem da fazenda ao frigorífico. O vídeo foi produzido pela ONG americana Mercy For Animals, em 2012, e narrado pelo ator Marcio Simão. A Mercy For Animals, é uma ONG que atua fortemente no campo da militância contra atividade da indústria pecuária, e qualquer outra que promova sofrimento, crueldade e matança de animais.

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Ativistas organizam manifestação em frente a frigorífico em Carapicuíba (SP)

(da Redação)

Reprodução
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Um grupo de ativistas pelos direitos animais está realizando uma vigília em frente ao matadouro onde estão os 22 porcos sobreviventes do acidente no Rodoanel, em Barueri, SP. Os animais foram levados pela empresa frigorífica Raja Ltda antes das ação dos ativistas na última terça-feira, 25, onde 60 porcos foram resgatados e levados para um santuário em São Roque, SP. A ação teve início às 14:22 e já impediu a entrada de dois caminhões que transportavam porcos à caminho do matadouro.

A mobilização começou através de uma página no Facebook e já tem 144 participantes confirmados.

Entenda o caso

O tombamento de uma carreta no km 14 do Rodoanel resultou no resgate de porcos que estavam a caminho de um matadouro. Na madrugada desta terça-feira, 25 de agosto, um caminhão que transportava porcos de Uberlândia para Carapicuíba, tombou na altura do km 14 do Rodoanel, próximo ao pedágio.

O acidente aconteceu por volta das 3h40, quando o motorista resolveu trocar de pista a fim de passar por outra cabine de pagamento da taxa rodoviária. Em consequência desta manobra o veículo acabou virando.

Até a tarde do mesmo dia, informações chegavam através de ativistas que lutam pelos direitos animais. Eles diziam que os porcos ficaram todo o período sem água e alimentação. Mesmo assim, o veterinário do matadouro ratificou que os animais, apesar de ensanguentados, estavam em boas condições, alegando também que poderiam continuar sua trajetória assim que outro veículo chegasse.

Infelizmente, alguns porcos morreram no local do acidente, mas os ativistas não desistiram das negociações pelo resgate dos que estavam vivos. Por fim, os animais que estavam com vida foram retirado do local e seguiram para um santuário, onde terão condições dignas de sobrevivência.

Nota da redação: Antes de serem resgatados, os porcos sofreram esperando socorro. Para retirar logo o veículo da pista, os funcionários do matadouro tentaram desvirar a carreta caída com os animais ainda dentro do caminhão. Em uma das tentativas, os porcos ficaram ainda mais machucados quando o resgate não conseguiu erguer a carga e a carroceria despencou com os animais dentro. Muitos morreram. A crueldade e a insensibilidade perante as vidas de seres sencientes, inclusive mais inteligentes que cachorros, só foi possível devido ao especismo e a desvalorização da vida de animais não-humanos. A posição da ANDA é completamente contrária a qualquer tipo de crueldade e exploração animal.

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Pró-Animal e Vanguarda Abolicionista protestam pelo Dia dos Animais

(da Redação)

Uma cabeça de porco foi o grande chamariz do evento Foto: Angelica Pinheiro

Na manhã deste sábado (08), a ONG Projeto Pró-Animal, de São Leopoldo, com apoio da Vanguarda Abolicionista, de Porto Alegre, realizou uma manifestação pelo Dia dos Animais, das 10h às 15h. O ponto escolhido foi a Rua Independência, Centro de São Leopoldo, local de grande concentração popular. Uma cabeça de suíno foi exposta, como protesto e provocação aos transeuntes – a idéia surtiu efeito, e muita gente se aproximou para pegar materiais e tirar dúvidas sobre as questões envolvendo animais.

Concentração de público foi alta no evento em São Léo Foto: Angelica Pinheiro

Banners temáticos também foram erguidos, sobre peles, testes, rodeios e alimentação, além de livros sobre ética animal e exemplares da Revista dos Vegetarianos, estas entregues aos interessados. Cerca de 500 panfletos sobre as formas diárias de exploração dos animais não-humanos foram distribuídos. Houve boa aceitação pelo público que por ali circulava. “Eu realmente não havia pensado nisso. É importante esse trabalho de vocês”, disse um dos passantes.

provegan vanguarda abolicionista

Junto ao filho, um casal parou para ver o que acontecia, e comentou que trabalhavam em frigoríficos da Serra Gaúcha. “Fui demitida de um frigorífico por denunciar o abate de bovinos a marretadas. Hoje trabalho em outro abatedouro, mas não posso nem olhar para os olhos dos animais. Tenho pena, mas o que posso fazer?”, lamentou a cidadã. O casal realtou que possui animais de estimação adotados, se mostrou sensibilizado pelas questões expostas, mas prossegue dentro das estruturas especistas impostas pelo sistema econômico.

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Você é o Repórter

Integrante da Vanguarda Abolicionista palestra sobre animais para a Terceira Idade em Porto Alegre (RS)

etica animal
Foto: Val

Nesta quarta-feira, dia 20 de junho, o ativista Fernando Schell Pereira, membro-fundador da Vanguarda Abolicionista, ministrou palestra sobre direitos animais para uma turma da Terceira Idade em curso da EAJA – Educação e Alfabetização para Jovens e Adultos. A atividade aconteceu na faculdade La Salle em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Cerca de vinte idosos assistiram a um Powerpoint com imagens ilustrativas das questões da ética animal, adoção e outros pontos, em painel intitulado ‘Educar para a vida’. Uma aluna levou fotografias de seus cachorros para mostrar aos colegas, que ficaram em exposição junto ao quadro-negro ao longo da palestra.

Além de responder essa e outras colocações, o painelista distribuiu panfletos com informações sobre adoção de cães e gatos, e como denunciar casos de maus-tratos. “É preciso informar as pessoas, elas realmente nada percebem até o momento em que se problematiza essa questão dos aninmais”, ponderou Schell, que é graduando em Filosofia.

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Acidente com caminhão mata porcos transportados a frigoríficos

Durante a madrugada desta sexta-feira (17), o motorista José Airton Gomes perdeu o controle do caminhão que dirigia, carregado com 25 porcos que seriam usados para abastecer frigoríficos. A principal suspeita é de que ele tenha dormido ao volante após ingerir medicamento para se manter acordado, conhecido como “arrebite”. O acidente aconteceu na BR 402, em Parnaíba (318 km de Teresina).

(Foto: Portal do Catita)

Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Raimundo Rameiro, o motorista vinha de Fortaleza-CE para Parnaíba, trazendo a carga de porcos para abastecer os frigoríficos da cidade. O caminhão, de placa MNH 8879, da Paraíba, saiu da estrada e capotou.

(Foto: Portal do Catita)

O acidente aconteceu por volta das 4h, próximo ao município de Olho D´água. Vários porcos morreram no local e foram levados por populares.

Com informações de Cidade Verde

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Exploração animal é exploração humana: o trabalho de crianças e adultos em matadouros

Por Sérgio Greif  (da Redação)

Não se engane o leitor com a linha de defesa que proporei no presente texto. Vira e mexe recebemos notícias de que um ou outro matadouro em algum canto esquecido deste país emprega mão de obra infantil em sistema de escravidão. Crianças de 10 anos ou menos cumprem todas as etapas do processo de abate (recepção, manejo, atordoamento, degola, sangria, estripamento, esfola, evisceração, corte da carcaça). E fazem isso no chão do recinto, sem a utilização de equipamentos apropriados, sem aventais, botas, luvas e toda a paramentação apropriada.

Peço que o leitor não se engane porque o presente texto não tem a intenção de fazer uma crítica ao abate da forma como ele é feito hoje, para sugerir que as pessoas passem a consumir a carne apenas de abatedouros e frigoríficos conhecidos, que realizem o abate humanitário, que possuam boas práticas sanitárias e que só empreguem mão de obra adulta. Há vários textos meus que servem como crítica também a essas formas de abate (ver na ANDA o meus artigos Abate humanitário e Visita ao matadouro .  A intenção desse texto é, tão somente, demonstrar para o leitor uma realidade que nem sempre está clara.

Crianças foram flagradas com porco abatido no matadouro público de Itaú. Foto: O Vale do Apodi

Sabe aquela propaganda que relaciona o consumo de drogas com o submundo do tráfico de armas e de drogas? Nela um rapaz de classe média adquire drogas de outro rapaz de classe média. Este, por sua vez, adquire essa droga de um traficante, que usa o dinheiro para comprar armas, que ele fornece para assaltantes, que baleiam um ente querido do primeiro rapaz de classe média. A intenção é mostrar que o consumo de drogas tem uma relação íntima com o tráfico de drogas, que por sua vez tem relação com o tráfico de armas, com o latrocínio e a bandidagem. Se formos mais fundo veremos que até a pirataria de filmes, a pornografia e a prostituição estão, de certa forma, relacionadas com essas mesmas atividades.

No que diz respeito ao consumo de carne a situação não é muito diferente. É verdade que a criação e o abate de animais não são atividades marginais, nem ilegais, e nem são considerada ilícitas. Mas, ainda assim, elas são constantemente envoltas em escândalos relacionados ao tratamento dado aos funcionários.

A notícia publicada em 8 de março de 2011 se refere a crianças trabalhando em um matadouro no Rio Grande do Norte a troco de sobras de animais abatidos. Li essa notícia com uma sensação de déjà vu. Não é uma notícia antiga? Pela data não, mas me recordo de haver assistido à notícia, anos atrás, de crianças trabalhando em matadouros a troco de gordura, tripas, entranhas e vísceras, que eram cuidadosamente raspadas do chão do estabelecimento após o abate. Fato recorrente.

Trabalho escravo e pecuária são temas interligados, isso desde a colonização do Brasil. Embora em nosso país a pecuária tenha sido praticada historicamente de maneira extensiva, fazendo uso de grande quantidade de terras, com pouca necessidade de mão de obra, produzindo para o mercado interno, com baixos rendimentos e pequena capacidade de acumulação, é fato que ela empregava grande quantidade de trabalhadores escravos.

Atualmente a pecuária brasileira é algo bastante diferente. O rebanho sofreu melhorias genéticas, há melhor controle sanitário para doenças infecciosas e os pastos são cultivados com as gramíneas de melhor rendimento. Ainda assim há coisas que permanecem inalteradas nessa atividade, que são sua relação com o trabalho escravo, com o desmatamento, com os latifúndios e, obviamente, com a exploração animal. A maior parte dessas consequências são inerentes à pecuária, não podendo dela ser desvinculadas.

Não podemos pensar a pecuária sem vinculá-la à produção de alimentos para os animais. Ainda que o boi não vá ao pasto, alimentação deve ser fornecida ao gado na forma de volumosos e grãos. Isso demanda terras cultivadas, que demandam a abertura de novos campos de cultivo, o que leva ao desmatamento. Na pecuária extensiva fazem-se necessárias grandes extensões de terra (latifúndios) para produzir relativamente pouco. Além disso, há o aspecto dos direitos animais, que são sumamente contrariados quando animais são criados para produzir bens, sejam quais bens forem. Estes são, portanto, inerentes à pecuária.

A escravidão humana não é inerente à pecuária, mas sua frequência nessa atividade é altíssima. No Brasil, a maior parte das denúncias realizadas no Ministério do Trabalho referem-se ao emprego de mão de obra escrava na pecuária. Ao contrário do gado, que produz melhor quando recebe ração melhor, água em abundância e cuidados veterinários, trabalhadores que trabalham com o manejo desse gado são negligenciados nos aspectos mais básicos de suas necessidades (alimentação, água, local adequado de moradia, condições sanitárias etc.). Essa mesma escravidão humana tem sido utilizada pelos europeus para levantar barreiras comerciais à carne brasileira sob a alegação de motivos humanitários.

Cabe aqui a ressalva, porém, de que essas denúncias não se restringem ao Brasil. A cadeia produtiva de carne tem relação com o subemprego também em outros países, como os EUA, onde imigrantes ilegais são forçados a trabalhar além do estipulado pelas leis trabalhistas, recebendo salários incompatíveis e sofrendo toda sorte de abusos.

Mas se a escravidão humana não é inerente à cadeia produtiva de carne (suponho que na Escandinávia não existam escravos), mesmo trabalhadores assalariados sofrem uma forma de abuso que é inerente à pecuária. A exposição ao sofrimento animal. Certamente uma pessoa que se sujeita a trabalhar tocando o gado com bastões de choque, que atira em sua fronte com uma pistola de ar, que suspende uma vaca ou uma galinha em um gancho e depois lhes corta o pescoço , abre sua barriga para extrair as tripas não está trabalhando em um ambiente saudável. Não é uma questão de paramentação, mas de impressão.

Uma pessoa que trabalhe nessa atividade dificilmente chega em casa e consegue ser amorosa com seus filhos, ou se vê capaz de cultivar relações normais. Com frequência essas pessoas acabam amenizando seu trabalho insalubre se afundando em vícios. Pessoas que se acostumam com o sangue jorrando do corpo de animais, ou que deixam de sentir compaixão com seus gritos de dor e desespero, frequentemente serão indiferentes ao sangue jorrando do corpo de seres humanos, serão indiferentes ao seu sofrimento.

Então quando crianças são expostas a essas formas de violência (e é exatamente isso o que se pratica em matadouros – violência), elas estão também, de certa forma, endurecendo seu coração para suas relações futuras. Podemos esperar que pessoas que lidam com a morte saibam respeitar a vida?

Entendemos que ninguém trabalhe nessas atividades por prazer, mas por necessidade. Portanto, ainda que se trate de trabalhadores assalariados, ainda há o fator da exploração humana embutida à pecuária e à cadeia produtiva da carne.

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Granja sacrifica mais de 400 mil aves no Japão

O governo de Miyazaki sacrificou entre domingo (23) e segunda-feira (24), 410 mil aves devido a uma epidemia de gripe aviária. As aves pertecem a uma granja em Shintomi-cho, informou a imprensa japonesa. Cerca de 60 mil ovos também foram queimados. Em Sodawara, uma granja também teve que abater outras 10 mil aves.

Tropas das Forças de Autodefesa foram chamadas para ajudar na desinfecção da granja e da Rodovia 10, que dá acesso ao local. Aproximadamente 170 homens de uma unidade de infantaria de Miyakonojo já estão no local trabalhando.

Vinte galinhas foram encontradas mortas na granja e cinco frangos estavam contaminados com o vírus. Segundo o governador de Miyazaki, Toshitsugo Kono, a operação de desinfecção deve demorar alguns dias. Ele está acompanhando as atividades.

Miyazaki já havia enfrentado uma epidemia de gripe aviária em 2007 e no ano passado teve de abater milhares de vacas e porcos devido a um surto de febre aftosa.

Fonte: International Press

Nota da Redação: O confinamento de aves, criadas amontoadas em granjas e frigoríficos, contribui para o alastramento não só da gripe aviária, mas de inúmeras doenças. A cada novo surto de uma gripe, de uma febre, enormes quantidades de animais são abatidas às pressas e incineradas. O respeito à vida dos animais inexiste na indústria pecuária. Alimentar-se de animais é contribuir para que esta cadeia de sofrimento não tenha fim. O veganismo mostra-se como a única solução para que crueldades como a morte de animais, seja para consumo, seja em decorrência de doenças, não mais aconteçam.

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Você é o Repórter

Arte, direito e urubus

Sylvio Alarcon
sylvio_alarcon@hotmail.com

Encaminho para publicação o excelente artigo escrito pelo professor titular da Faculdade de Direito da USP, Virgílio Afonso da Silva.

É incoerente criticar um artista por usar urubus em sua obra e, ao mesmo tempo, comer animais que sofreram muito mais que os bichos em questão.

A obra “Bandeira Branca”, na qual o artista Nuno Ramos usava urubus vivos, foi retirada da Bienal após protestos contra a utilização desses animais.

Essa polêmica pode ser positiva para iniciar um debate sério sobre um tema pouco discutido no Brasil: os aspectos éticos da relação entre seres humanos e animais.

O passo inicial foi dado pelo próprio artista, que, em vez de sair bradando contra suposta censura, revelou uma sobriedade raramente vista em situações semelhantes.
Embora as instituições legislativas, judiciais e policiais venham demonstrando dificuldade em lidar com as liberdades artística e de expressão (a proibição da Marcha da Maconha, o embate entre humorismo e política e o reiterado cerceamento à “bicicletada pelada” dão uma ideia disso), no caso de Nuno Ramos, o ponto central é distinto.

Não faz muito sentido encarar a polêmica como se fosse uma versão do surrado embate entre libertários e conservadores ou invocar as reações que algumas obras vanguardistas desencadearam no passado.

Ao contrário do que afirma Ramos, o que está em jogo não é “a possibilidade de pensar diferente” nem a de transgredir, mas, sim, a pergunta: por que meios? Não se trata do incômodo que a arte sempre gerou nos seus momentos mais criativos. O incômodo é outro: que “uso” podemos fazer dos animais?

Enquanto em parte do mundo ocidental acadêmicos (como Peter Singer), jornalistas (como Michael Pollan), escritores (como Safran Foer) e a grande mídia debatem com frequência a questão, no Brasil fingimos que o problema não nos diz respeito.

Nesse ponto, o texto de Nuno Ramos (“Bandeira branca, amor”, Ilustríssima, 17/10) dá outro passo importante: se ele não pode usar urubus em suas obras, por que podemos comer animais? Alguns diriam: porque na natureza é assim, os mais fortes comem os mais fracos. Na natureza, contudo, nenhum animal é maltratado durante toda a sua vida até ser morto para ser comido.

Embora eu não aborde aqui outras questões éticas relevantes, como o próprio ato de comer animais ou o de usá-los em pesquisas, é possível discutir os limites éticos da produção e do consumo de carne como ocorrem hoje em boa parte do mundo, incluindo o Brasil. É no mínimo incoerente criticar um artista por usar animais em suas obras e, ao mesmo tempo, comer animais que sofreram muito mais do que os urubus em questão.

Ramos afirma que apenas o “vegetarianismo radical” seria coerente com a crítica ao uso dos urubus. Não precisamos ir tão longe, mas um mínimo de coerência é necessário. Alguns poderiam dizer que nossa subsistência nos autoriza a mais coisas do que a arte pela arte.

Mesmo estes, contudo, teriam que dar alguma atenção ao que comem no dia a dia.

Não é possível adotar uma postura moralmente superior diante de quem usa urubus em sua arte e, ao mesmo tempo, fingir que não sabe o que acontece com os animais que aparecem no seu prato todos os dias. Esses animais costumam sofrer muito mais do que os urubus de Nuno Ramos.

Mesmo instituições bem-intencionadas, como o Ibama, parecem não perceber a incoerência. Que sentido faz exigir luz ultravioleta para os urubus (como substituta da luz natural) se poucos dos frangos que frequentam os pratos dos brasileiros veem luz natural durante a sua breve vida?

O sofrimento dos animais criados para o abate tornou-se invisível, e nós, consumidores, preferimos não pensar nisso (afinal, isso implicaria o constrangimento de revisar ou justificar eticamente alguns de nossos hábitos alimentares mais arraigados).

Quem se indignou com o sofrimento de três urubus deveria visitar as instalações de alguns de nossos produtores de carne. E, do ponto de vista jurídico, talvez esteja na hora de o Ministério Público começar a se ocupar do assunto.

Por Virgílio Afonso da Silva, 37, professor titular da Faculdade de Direito da USP.

(SILVA, Virgílio Afonso da. Arte, direito e urubus. Folha de S. Paulo, 23-11-2010, p. A-3. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2311201007.htm. Acesso em: 20-12-2010)

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Gato sobrevive a um mês dentro de frigorífico na Inglaterra

Um gato de um ano de idade sobreviveu a cerca de um mês trancado dentro de um frigorífico no condado de Northamptonshire, no sul da Inglaterra.

A sociedade protetora dos animais britânica (RSPCA, na sigla em inglês), que resgatou o felino no final do mês passado, informou que ele sobreviveu ao frio de -2ºC da câmara comendo pêssegos congelados e bebendo o líquido que escorria das comidas armazenadas no local.

O rabo do gato congelou e teve que ser amputado (Foto: BBC Brasil)
O rabo do gato congelou e teve que ser amputado (Foto: BBC Brasil)

O porta-voz da empresa responsável pelo frigorífico informou que funcionários da empresa haviam visto o bichano fazia algum tempo, mas não conseguiram resgatá-lo porque ele se escondia.

Então, eles pediram a ajuda da sociedade protetora dos animais, que conseguiu atrair o gato com leite e comida.

Desde então, o gato que ganhou o nome de Frosty (“coberto de gelo”, em tradução livre) está sob os cuidados da entidade.

“É incrível que Frosty tenha sobrevivido por tanto tempo em um ambiente tão inóspito”, disse Steve Sellars, porta-voz da RSPCA.

Mas o felino não saiu incólume do episódio. Suas orelhas e seu rabo congelaram e tiveram de ser amputados.

Mesmo assim, Frosty parece estar se recuperando bem.

“Ele é um gato adorável e se tornou muito brincalhão. Nós estamos trabalhando por sua total recuperação e para conseguir um novo lar para ele”, disse Sellars.

Fonte: G1

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