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Nossas irmãs fluídas, as águas

Todos sabemos da importância da água para a vida no planeta; sabemos também que a água potável está se tornando escassa; mas será que a valorizamos verdadeiramente?

Além de precisarmos dela para matar a sede e para cozinhar, ela faz todo o trabalho de limpeza física e energética em nossa vida, lavando tudo que está sujo. Não somos nós que lavamos, pois, sem ela, de nada adiantaria ficarmos diante da pia, do tanque ou do chuveiro. Mesmo assim, a percepção da limpeza que ela nos proporciona em geral só acontece quando ela nos falta. Quanta ingratidão!

Alguém consegue imaginar a Terra sem rios e mares? Sem lagos, cachoeiras, regatos,… no entanto, quantos de nós lembramos de sentir gratidão, respeito, amor? Quantos de nós apadrinhamos um regato, um riacho, um pedaço de praia e zelamos pela sua limpeza? Certamente notamos facilmente a sujeira e a criticamos. Reclamar é tão fácil quanto inútil. Imagino como deve sentir-se impotente nossa irmã água, ao receber sobre si, continuamente, lixo e dejetos, sem poder evitar.

Quando capto as águas usadas na pia da cozinha, nos bebedouros dos meus bichos e as reutilizo na limpeza do piso do quintal ou oferecendo às plantas, quando me policio para não abrir muito uma torneira e nem por muito tempo, lembro-me sempre dos povos do continente africano, talvez um dos povos mais sofridos pela falta de água. Resignam-se a andar horas para conseguir, num balde, algo que às vezes mais parece lama líquida. Os animais, principais vítimas da inconsequência humana, chegam a caminhar quilômetros procurando beber algo que os ajude a sobreviver.

Pensando nessa realidade, fica muito fácil valorizar e poupar cada gota. Fica muito fácil sentir infinita gratidão embaixo do chuveiro, sentir gratidão por ter água limpa e fresca para meus animais; fica fácil sentir alegria a cada copo desse essencial e precioso líquido. Que bênção!

Lavar a louça e a roupa, sob esse olhar, torna-se um ritual de purificação e aprendizado, em comunhão com nossa irmã fluída – que toma a forma que a contém, sem nunca se deixar comprimir…

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