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Ascensão do veganismo afeta fazendas de criação diminuindo a demanda por carne

Foto: Adobe
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Com a maior conscientização da população sobre a crueldade animal envolvida na produção de carne e nas fazendas de criação de animais, a indústria da carne tem sofrido golpes no mundo todo. O último exemplo disso são os produtores de carne em Bristol (Inglaterra) que, de acordo com especialistas, já estão sentindo o impacto causado pela ascensão do veganismo e queda da demanda.

Alex Demetriou é o diretor administrativo da Regency, que abastece a indústria de catering (distribuição de carne) do Reino Unido. Ele diz que a demanda por carne de bois e vacas caiu 5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ele citou vários fatores para o declínio, incluindo o impacto do iminente Brexit (saída da Inglaterra da União Europeia), e o aumento nos estilos de vida vegetariano e vegano.

Movimento vegano

“Parece que isso foi impulsionado pelo movimento vegano, vegetariano e flexitário, que está se tornando cada vez mais popular como uma escolha de estilo de vida, em vez de qualquer tipo de tendência passageira”, disse Demetriou ao Bristol Live.

Hambúrguer vegano da Beyond Meat | Foto: Beyond Meat
Hambúrguer vegano da Beyond Meat | Foto: Beyond Meat

“Houve um aumento na demanda no primeiro trimestre por causa de toda a incerteza em torno do Brexit e do impacto potencial nos mercados de carne bovina se tivéssemos saído da UE no final de março, como planejado”.

Produtores de carne no vermelho

De acordo com o periódico do setor de produção Farmers Weekly, os problemas para os produtores de carne de bois e vacas se espalharam para além de Bristol.

Ela afirma que a queda na demanda é resultado do fato de os consumidores receberem “uma variedade de mensagens negativas sobre carne vermelha, incluindo advertências sobre obesidade, câncer e o efeito da criação de animais sobre o meio ambiente”.

Mensagens que inclusive – faça-se um adendo – são estudos divulgados pela mídia contendo informações corroboradas por especialistas, tanto médicos, como cientistas e pesquisadores.

Ele diz que isso está levando à queda da demanda nos setores de varejo e hospitalidade, e cita Sam Chesney, presidente do conselho de carne de boi e cordeiro da Ulster Farmers Union: “Eu diria que a maioria dos produtores de carne está definitivamente no vermelho no momento”.

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Especialistas afirmam que mercado vegano continuará crescendo

O crescimento do mercado vegano deve continuar, de acordo com um especialista em alimentos, que descreveu o setor como “interessante”.

Foto: Reprodução

Os flexitarianos – ou seja, aqueles que estão reduzindo sua ingestão de carne – serão a chave para os fabricantes criarem mais produtos à base de plantas, como análogos à carne, diz Florian Bark, gerente de produto da Hydrosol.

Ele disse: “Achamos que a tendência vegana se torna cada vez mais interessante e se desenvolverá em seu próprio mercado. Portanto, achamos que tem um enorme potencial para ficar”.

Flexitários 

Acredita-se que existam 22 milhões de flexitarianos apenas no Reino Unido, e os varejistas estão tentando direcioná-los especificamente para produtos baseados em plantas. Bark diz: “Os principais consumidores serão os chamados flexitarianos, pessoas que querem reduzir o consumo de carne em seus hábitos alimentares diários, mas não querem perder a textura usando um produto análogo à carne“.

Nesta quarta-feira (27), a Sainsbury’s, gigante do setor de supermercados do Reino Unido, lançou produtos vegetarianos de carne moída e hambúrguer em 400 lojas. A colocação dos produtos, feita pela marca dinamarquesa Naturli ‘Foods, segue o exemplo da marca norte-americana Beyond Meat, que agora supera a carne de origem animal em algumas lojas.

Outro recente lançamento voltado para os flexitarianos é o bife à base de plantas, Vivera, vendido na Tesco, que superou as expectativas de vendas.

O crescimento do mercado vegano deve continuar, de acordo com um especialista em alimentos, que descreveu o setor como "interessante".
O bife Vivera, 100% vegano, esgotou em questão de horas nos mercados. Foto: Divulgação

Em uma declaração à Plant Based News, Gert Jan Gombert, da Vivera, disse: “Estamos impressionados com o grande sucesso do bife 100 por cento de origem vegetal. Em poucos dias, a primeira entrega de 40.000 itens está quase esgotada. As vendas poderiam ter sido muito maiores, alguns supermercados venderam todas as unidades em um único dia. A maioria dos consumidores na Inglaterra estão entusiasmados com o sabor e a textura do filé.

Existem dados de pesquisa de mercado para apoiar a previsão de Bark de que o crescimento do setor continuará. A coalizão de investimentos do Farm Animal Investment Risk & Return [FAIRR] produziu um relatório intitulado “Lucros baseados em plantas: riscos e oportunidades de investimento em sistemas alimentares sustentáveis” ​​no início deste ano.

O relatório destacou alguns dos riscos associados à pecuária, incluindo o uso excessivo de antibióticos e as emissões de gases de efeito estufa, dizendo que essas questões contribuem para o setor estar cada vez mais próximo de uma ruptura.

O documento acrescenta que “a questão da diversificação de proteínas é fundamental para gerenciar os riscos das cadeias de suprimento afetadas pelo clima e para aproveitar as oportunidades de crescimento do mercado”.

Além disso, previu que o mercado alternativo de carne deverá crescer mais de 8% nos próximos quatro anos, alcançando um valor de US $ 5,2 bilhões até 2020.

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