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Fiocruz cria kit com rato impresso em 3D para reduzir exploração animal em testes

O kit é composto por um rato e um crânio impressos em 3D, além de um software, ao qual o crânio é ligado. O software identifica os movimentos e as intervenções do cientista, ajudando a realizar o procedimento corretamente


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu um kit tecnológico que simula de maneira realista uma cirurgia no cérebro de ratos. O objetivo é reduzir o número de animais mortos em testes científicos.

O kit inclui elementos de impressão em 3D, um software e sensores de movimento. O projeto foi apresentado a investidores na Web Summit, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, realizado entre 4 e 7 de novembro em Lisboa. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O objetivo é que o kit seja usado para simular a craniotomia, procedimento no qual o crânio dos ratos é aberto para diversas aplicações, como implementar uma substância no cérebro ou criar uma lesão específica, como o AVC.

“O modelo vem vinculado a um software, que identifica os movimentos da pessoa que está treinando o procedimento. Isso permite que, durante o treino, ela saiba se está fazendo a coisa certa ou não. No animal vivo, uma imperícia que perfure o cérebro da maneira errada acaba inutilizando a experiência”, explica ao jornal a pesquisadora Klena Sarges, uma das idealizadoras do projeto.

Estimativas indicam que o kit deve diminuir a exploração animal em experimentos científicos em pelo menos 12%.

“O ICTB (Instituto de Ciência, Tecnologia e Biomodelos) da Fiocruz, onde eu trabalho, é uma unidade que essencialmente nasceu para fornecer animais para as pesquisas internas. Mas, há alguns anos, nós temos concentrado nossas atividades em métodos alternativos ao uso de animais”, explica diz Klena Sarges.

“A gente também sentiu necessidade de andar junto com o que a sociedade pede, usando cada vez menos animais, refinando os procedimentos para eles não morrerem durante os procedimentos e substituindo e evitando o uso dos animais sempre que a gente puder”, completa.

Outra vantagem do kit é a redução de gastos. Cada rato explorado pela ciência custa entre US$ 40 (R$ 163,80) e US$ 60 (R$ 245,78) e são explorados uma única vez. O kit, no entanto, custa R$ 500 e pode ser utilizado seis vezes, gerando uma economia de mais de 50% em alguns procedimentos.

O pedido de patente do kit já foi solicitado pelas pesquisadoras, que agora estudam a expansão do modelo para crânios de camundongos e macacos, que também são explorados e mortos pela ciência.

O projeto surgiu como um trabalho acadêmico de mestrado e foi transformado em uma startup. “Viemos para cá [evento de tecnologia] em busca de investidores. Nós estamos aqui em busca de um parceiro que possa nos ajudar a desenvolver comercialmente e a comercializar o kit”, explica Klena Sarges, que apresentou o kit ao público em Lisboa.

Enquanto a redução da exploração animal em testes para formulação de vacinas e medicamentos ainda engatinha, na área de cosméticos os animais têm sido cada vez menos explorados e o uso da pele artificial para o teste dos produtos têm sido adotado com frequência.

Nota da Redação: o médico norte-americano Ray Greek já afirmou, em entrevista à revista Veja, que testes em animais atrasam o avanço da ciência. Segundo ele, animais e humanos são diferentes e, portanto, “testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos”. O médico lembra que remédios que causam determinados efeitos em macacos podem funcionar de maneira totalmente oposta nas pessoas. Sem apelar para a questão ética que envolve tirar a vida de animais sencientes, Greek luta contra a experimentação científica com animais como forma de defender a ciência. Somado isso ao sofrimento imposto aos animais durante os testes, fica claro que é necessário não só reduzir o número de animais explorados em experimentos, mas sim colocar um fim a essa exploração.


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Óleo no Nordeste: entidades pedem que se declare estado de emergência em saúde pública

As entidades fazem um alerta sobre os riscos que o óleo, composto por substâncias tóxicas, representa para os animais e para a população


A gravidade do vazamento de óleo que atingiu o Nordeste levou entidades a fazerem um apelo ao poder público para que se declare estado de emergência em saúde pública. O pedido foi expresso em cartas assinadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Friocruz), pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM), pelo Laboratório de Saúde Ambiente e Trabalho (LASAT), por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da Universidade Federal da Bahia (PPGSAT/UFBA) e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Reprodução/Instagram

Em um manifesto assinado pela Fiocruz, pelo IAM e o LASAT, é feito um alerta sobre o risco do vazamento de óleo. “Um contexto de extrema gravidade configurado como de emergência ambiental e de saúde pública foi produzido com a chegada massiva de óleo cru de petróleo no litoral nordestino, ainda de origem desconhecida, colocando em perigo a fauna e flora marinha e toda a população costeira”, diz o documento.

As entidades abordaram ainda a toxicidade do óleo, que coloca a vida dos animais e da população em risco. “A fauna e flora marinha estão sendo extremamente atingidos pela poluição do petróleo cru depositado nos corais e fundo mar, em muitos pontos ainda desconhecidos por falta de monitoramento efetivo. A extensão da contaminação tem resultado na contaminação e morte de diversos animais”, afirma o manifesto. “A maioria desses produtos químicos é cancerígena, podendo ainda produzir malformação fetal, abortos, distúrbios neurológicos graves, alergias, doenças hepáticas, renais, de pele, dos pulmões, do sangue entre outras”, completa.

De acordo com as entidades, o contato com o óleo pode resultar em intoxicações agudas e “se a exposição for muito intensa pode produzir coma e morte”.

Ao final do documento, é solicitado que seja declarado estado de emergência em saúde pública em todas as localidades nas quais a presença do óleo foi registrada. “Considerando as incertezas da origem, quantidade e perigos decorrentes do derramamento de petróleo e o quanto ele tem afetado os diferentes ecossistemas e o perigo para a saúde, é imprescindível o imediato acionamento de todos os mecanismos relativos ao acontecimento de desastres no território nacional, como previsto nas Leis n. 12.340/2010 e n. 12.608/2012, e que seja decretada SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA em todos os Estados e Municípios atingidos pelo óleo, com base na portaria nº 2.952 de 14/12/2011 do Ministério da Saúde”, diz a carta.

O apelo foi feito também por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho da Universidade Federal da Bahia (PPGSAT/UFBA), que publicaram uma carta que foi endossada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

De acordo com os docentes, os componentes químicos do petróleo, como o benzeno, são cancerígenos e podem resultar em má formação fetal e patologias graves. A contaminação ocorre por meio da ingestão, absorção pela pele e inalação.

Os pesquisadores alertam que estão expostos a riscos banhistas que entram na água sem proteção e voluntários que atuaram na limpeza das praias sem usar equipamentos adequados. Pescadores também estão sob ameaça.

Diante deste cenário, os docentes sugerem que seja declarado estado de emergência em saúde pública para assegurar medidas urgentes, como atendimento às pessoas que atuaram na limpeza das praias e manguezais, interdição dos pontos contaminados, controle sanitário e de segurança alimentar e nutricional.


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Fiocruz lança pós-graduação pioneira na substituição do uso de animais em laboratórios

Foto: Pixabay

A Fiocruz acaba de criar o primeiro curso de pós-graduação lato sensu em Métodos Alternativos ao Uso de Animais de Laboratório. A especialização, realizada em parceria da Fiocruz com o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM), é pioneira no estudo de novos métodos científicos que não utilizem animais. O objetivo com o curso é formar profissionais capacitados a desenvolver, divulgar e aplicar procedimentos em pesquisa e ensino que substituam ou reduzam o uso de animais na ciência.

“O novo curso será de importância estratégica para a Fiocruz, pois estaremos na vanguarda dessa modalidade, proporcionando pesquisas que utilizam essas novas metodologias e que têm se mostrado extremamente promissoras na substituição de animais de laboratório, colaborando para a ‘redução’, ‘substituição’ e ‘refinamento’ no uso de animais, conhecido como ‘princípio dos 3R’s’ — um compromisso da comunidade científica mundial”, avalia a vice-diretora de ensino e pesquisa do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), Fátima Fandinho. A unidade é responsável pela produção de biomodelos, entre eles, animais de laboratórios, sangue e hemoderivados.

Nas últimas duas décadas, a Fundação vem centrando esforços na busca por métodos que reduzam ou substituam o uso de animais em pesquisas. Em 2016, criou o mestrado profissional em Ciência em Animais de Laboratório, curso que preconiza o bem-estar animal e o refinamento de técnicas para diminuir o uso desses biomodelos em pesquisas científicas.

No entanto, segundo o pesquisador da Fiocruz e coordenador do BraCVAM, Octavio Presgrave, até hoje a maior parte da formação em métodos alternativos acontece por meio de cursos avulsos ou limita-se a disciplinas específicas de cursos de pós-graduação. “O pioneirismo dessa especialização é focar exclusivamente no tema dos métodos alternativos, visando fortalecer a pesquisa e mostrar o potencial do Brasil nesta área”, ressalta Presgrave, que coordena a nova pós-graduação em parceria com a pesquisadora Etinete Gonçalves, coordenadora de ensino do ICTB/Fiocruz.

A pós-graduação lato sensu em Métodos Alternativos ao Uso de Animais de Laboratório é voltada para profissionais graduados nas áreas das ciências da saúde e agrárias. Contará com disciplinas de ciência em animais de laboratório, métodos alternativos na experimentação e na educação, boas práticas em laboratório, biossegurança e cultivo celular, metodologia de pesquisa, legislação e bioética, entre outras.

“É um curso pioneiro no Brasil, e ainda desconhecemos a existência de uma especialização como essa em outros países. Também haverá foco na área educacional, visando a substituir o uso de animais em graduações de medicina veterinária, biologia e zootecnia”, destaca Etinete.

O curso terá carga horária total de 480h, duração de 12 meses e aulas durante uma semana a cada mês, no Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), no campus Manguinhos, Rio de Janeiro. As inscrições acontecem de 6 a 31/5 e as aulas estão previstas para iniciarem em agosto deste ano. O edital para inscrição será divulgado nos próximos meses em www.ictb.fiocruz.br. Em caso de dúvidas ou esclarecimentos adicionais, contate a coordenação de ensino pelo e-mail ensino.ictb@fiocruz.br ou telefone (21) 3194-8452.

Fonte: O Girassol

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Fiocruz faz palestra sobre alternativas ao uso de animais em laboratório

O evento busca a discussão e a promoção de métodos alternativos à exploração de animais para testes em laboratório. A palestra será conduzida pelo especialista de produtos da empresa de tecnologia médica Greiner Bio-One, Leonardo Marino, começando às 13h30. Não é necessário que haja inscrição prévia para o evento.

Teste pré-clínico em laboratório podem substituir a utilização de animais
Métodos alternativos ajudam a diminuir ou até acabar com a exploração de animais para testes em laboratório (Foto: Divulgação)

“As culturas celulares em 3D são culturas esferóides que permitem desenvolver ensaios in vitro mais preditivos para o desenvolvimento pré-clínico de fármacos, sobretudo na pesquisa do câncer. Nessas culturas, as células crescem em um sistema tridimensional com zonas de heterogeneidade celular e gradientes de nutrientes, refletindo de forma mais fiel o microambiente tumoral em seres humanos”, explica Leonardo.

O testes pré-clínico servem para avaliar a segurança e o resultado dos candidatos a novas medicações através de estudos, que incluem os teste em animais. A pesquisa clínica, feita após o teste dessas drogas em seres humanos, só pode acontecer caso elas tenham sido aprovadas nos testes pré-clínicos em laboratório.

A utilização dos biomodelos experimentais é eficaz por conta da semelhança fisiológica e anatômica com os organismos dos seres humanos. “Com esta técnica da cultura 3D, conseguimos mimetizar o organismo humano e assim reduzir ou até substituir o uso de animais em testes pré-clínicos, dependendo da pesquisa”, explica ele.

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Após anos desaparecidos, três micos-leões-dourados são vistos na paisagem carioca

Três micos-leões-dourados foram vistos na paisagem carioca
Pesquisadores confirmam a presença de micos no Rio (Imagem Ilustrativa / Fonte: Associação Mico-Leão-Dourado)

Três micos-leões-dourados apareceram na paisagem carioca, após mais de um século desaparecidos do estado. O fato já foi confirmado por pesquisadores.

Segundo a coluna do Ancelmo Gois, no GLOBO, os micos, que estão ameaçados de extinção, foram vistos na Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica, na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.

Os pesquisadores da fundação pretendem descobrir a origem do trio, que podem ter sido trazidos de outra região e soltos na localidade ou podem ser oriundos de uma população local.

“Vamos fazer testes genéticos para descobrir a origem desses animais. Uma das hipóteses é que eles tenham sido transportados, em cativeiro, da região da Bacia do Rio São João, que engloba cidades como Silva Jardim e Casimiro de Abreu, e tenham fugido, ou sido soltos aqui no Rio. Outra explicação, menos provável, é que eles sejam remanescentes de populações antigas e tenham ficado escondidos na mata esse tempo todo”, conta Ricardo Moratelli, biólogo e coordenador da equipe de gestão ambiental da fauna do campus Mata Atlântica da FioCruz, ao jornal EXTRA.

Um mico da espécie foi visto junto a um grupo de saguis-de-tufo-branco no mês passado pelos biólogos Monique Medeiros e Iuri Veríssimo na região da estação. Moradores da Taquara contam que já viram três micos-leões-dourados no local.

“Esse registro é importante porque a área em que a espécie foi encontrada, o Maciço da Pedra Branca, que abriga a estação da Fiocruz, é a segunda maior floresta urbana do mundo, a maior das Américas. Na região, há cerca de 50 quilômetros quadrados de florestas de baixada (de até 300 metros de altitude) bem preservadas, que são o habitat preferido do mico-leão-dourado”, afirma Moratelli.

De acordo com o biólogo, no início do século XIX, a espécie podia ser vista em toda a faixa litorânea do estado do Rio de Janeiro, mas com a expansão das cidades, os micos acabaram perdendo seu habitat.

Atualmente, existe aproximadamente 3200 animais da espécie em natureza, numa área fragmentada de floresta na APA da Bacia do Rio São João / Mico-Leão-Dourado, incluindo as reservas ambientais de Poço das Antas e União, além das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). É possível ver a espécie também em outras regiões do estado como Cabo Frio, Búzios, Rio Bonito, Macaé, Casimiro de Abreu, Araruama e Cachoeiras de Macacu.

Sobrevivência

Especialistas acreditam que o trio que apareceu na região de Jacarepaguá tem pouca chance de sobreviver na cidade. O Secretário-executivo da Associação Mico Leão Dourado, Luís Paulo Ferraz, diz que pelo fato dos animais estarem “isolados”, existe pouca ou nenhuma chance de sobrevivência.

“A viabilidade de um pequeno grupo isolado é quase nula. Dá muita tristeza”, diz Ferraz.

Por Sophia Portes |Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

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Entidades denunciam que Vigilância Sanitária está fazendo testes em cães de abrigo municipal

Reprodução de foto do perfil da Vigilância Sanitária do Rio mostra teste em cão Foto: Facebook / Reprodução
Reprodução de foto do perfil da Vigilância Sanitária do Rio mostra teste em cão Foto: Facebook / Reprodução

A notícia foi divulgada, nessa quarta-feira, no portal da Vigilância Sanitária do Município e nos canais de comunicação do órgão da Secretaria Municipal de Saúde: desde o dia 4 de maio, médicos veterinários e técnicos da Fundação Oswaldo Cruz estão trabalhando na Unidade de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, participando de um projeto que analisa a eficácia das vacinas de leishmaniose visceral canina oferecidas no mercado.

Uma foto de pesquisadores segurando um cão pelas patas não deixa dúvidas: os testes estão sendo realizados em cães do canil da prefeitura. A informação, divulgada pelas redes sociais, casou polêmica e revolta entre ONGs defesas de animais, que acusam a prefeitura de estar desrespeitando um decreto municipal ( Decreto 19.432, de 1º de Janeiro de 2001), que proíbe a prática de vivisseção e de experiências com animais nas instituições veterinárias públicas municipais.

‘Aqueles animais estão abrigados, são cães abandonados, que deveriam ser colocado para adoção. Não são animais de biotério. Recebemos denúncias de que funcionários do instituto não participam da pesquisa e que não está sendo seguido nenhum protocolo. Os animais não foram separados e não estão recebendo tratamento diferenciado”, reclama a veterinária Andrea Lambert, da ONG Anida (Associação Nacional de Implementação dos Direitos  Animais).

A principal reclamação dos protetores é que a pesquisa, além de prejudicar a saúde do animal, que fica prostrado após os testes, impede que o cão seja disponibilizado para adoção. De acordo com a denúncia recebida pela ONG, o experimento foi iniciado no dia 4 de maio de 2015. E os procedimentos nos cães estão sendo realizados por etapas, sem a participação direta dos servidores municipais do canil coletivo. Segundo a denúncia de um protetor que teve acesso às informações da pesquisa, os cães “serão revacinados após 21 dias e, no decorrer do experimento, com duração prevista de um ano, eles não poderão ser medicados nem colocados à disposição para adoção”. De acordo com o protetor, que prefere não se identificado, a previsão é de que pelo menos 30 animais sejam incluídos no experimento científico.

Segundo a notícia divulgada pela Secretaria de Saúde, “o objetivo da pesquisa é fornecer informações sobre os padrões celulares e imunológicos de cães imunizados com as duas vacinas disponíveis no mercado e comparar com os padrões de animais sadios e de animais com a doença em atividade. O estudo é parte do projeto da tese de doutorado de Monique Campos, aluna do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas no programa de pós-graduação em doenças infecciosas e também conta com a parceria do exército brasileiro”.

Andrea Lambert diz que teve acesso à ficha de avaliação do comitê científico que deu o parecer favorável à realização da pesquisa. E ressalta que, num dos itens, o documento recomenda que, “por motivos de segurança, os canis utilizados para a pesquisa deverão ter telamento milimétrico”.

“O documento também sugere que, para o bom andamento da pesquisa, o fator estresse deva ser controlado. Ora, os canis do instituto não têm este telamento e os animais, abandonados, vivem todos juntos, numa situação de estresse. Não entendo porque usar estes cães, que deveriam ser tratados com carinho, para fazer pesquisa”, opina.

Fiocruz: Projetos aprovados por comissões éticas 

Em nota, a Fiocruz explicou que o projeto foi aprovado pelas Comissões de Ética no Uso de Animais (Ceua) da Fiocruz e do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, no Rio de Janeiro. Os cães da unidade de medicina veterinária Jorge Vaitsman foram escolhidos porque representam a população canina encontrada nas áreas onde há casos da doença. Eles não têm raça definida, com sexo variado e vivem coletivamente.

Foram selecionados porque não têm perfil para adoção – são cães considerados agressivos e idosos. Segundo a instituição, o projeto não é impeditivo para que sejam adotados, visto que os animais não são infectados. No caso de adoção, não há necessidade de cumprimento de prazo de quarentena (leia abaixo a íntegra da nota).

Prefeitura nega riscos para animais 

Em nota, o Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman informou que “tem por objetivo o cuidado com a saúde e não permite qualquer dano ou qualquer prática que coloque em risco a saúde humana e animal”.

A Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses (Subvisa) informou que foram realizadas coletas de sangue dos animais que participam da pesquisa para a tese de doutorado “Avaliação dos Padrões Celulares e Imunológicos de Cães Imunizados com Duas Vacinas contra Leishmaniose Visceral” com o objetivo de avaliar a eficácia de vacinas que protejam a população animal e humana.

Ainda segundo a nota, “todos os animais tiveram a sua saúde preservada e a pesquisa não apresenta riscos à saúde dos animais participantes. As avaliações não ferem o Decreto 19.432, de 1º de janeiro de 2001, que estabelece que os testes sejam feitos utilizando métodos que não envolvam práticas cirúrgicas”.

A nota disse ainda que “a equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recebeu autorização para o estudo do Comitê Científico da Subvisa e tem como base a avaliação da Comissão de Ética no Uso de Animais de Experimentação (CEUA), formada por pesquisadores de vários departamentos da Fiocruz, além de representantes de organizações não-governamentais. A Subvisa reitera que o estudo é acompanhado por médicos-veterinários da Prefeitura do Rio de Janeiro e qualquer questionamento poderá ser feito através do Comitê de Ética da instituição”.

Confira a íntegra da nota da Fiocruz

“A Fiocruz, por meio do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), está realizando a pesquisa “Avaliação dos padrões celulares e imunológicos de cães imunizados com duas vacinas contra leishmaniose visceral”, com financiamento da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, através do edital Faperj Nº 25/2014 – Programa Jovem Cientista do Nosso Estado 2014. Todo projeto de pesquisa que possui financiamento oficial do Estado deve ser aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua). Esse projeto foi aprovado pelas Comissões de Ética no Uso de Animais (Ceua) da Fiocruz e do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, no Rio de Janeiro.

“O objetivo da pesquisa é avaliar os padrões celulares e imunológicos de cães imunizados com as vacinas Leish-tech e Leishmune, vacinas já disponíveis no mercado, acompanhando-os durante um ano. Além de ser uma infecção fatal para os cães, a leishmaniose visceral é uma importante zoonose, que pode ser transmitida para seres humanos e levar ao sofrimento e à morte. Atualmente, na tentativa de interromper o ciclo de transmissão e reduzir a prevalência da leishmaniose visceral canina (LVC), o Ministério da Saúde recomenda o recolhimento e a eutanásia dos cães infectados por Leishmania.

“O benefício esperado com o estudo é indicar a melhor vacina contra leishmaniose visceral canina no estímulo à imunidade. Os resultados podem servir como fonte de informações para a discussão sobre a vacina como método de controle da doença. Além da administração da vacina anti-leishmaniose, que previne contra essa importante doença, durante o estudo são realizados testes diagnósticos para LVC, exames laboratoriais (hemograma e bioquímica e exame coproparasitológico), além de todo atendimento veterinário necessário. Um dos preceitos importantes da Ceua é dar ao animal ótimas condições durante a pesquisa.

“Os cães da unidade de medicina veterinária Jorge Vaitsman foram escolhidos porque representam a população canina encontrada nas áreas onde há casos de LVC. Esses cães não têm raça definida, com sexo variado e vivem coletivamente. Os animais foram selecionados porque não têm perfil para adoção – são cães agressivos e idosos. Mesmo assim, o projeto não é impeditivo para que sejam adotados, visto que os animais não são infectados. No caso de adoção, não há necessidade de cumprimento de prazo de quarentena.

“Os protocolos realizados passaram pela Ceua Fiocruz. As amostras clínicas dos cães são amostras de sangue e medula óssea, para testes de rotina, que qualquer veterinário poderia coletar em clínica, para diagnóstico e acompanhamento de qualquer outra doença. A pesquisa não trabalha com o agente infeccioso. Portanto, não oferece nenhum risco de infecção para os cães abrigados.

“O projeto está em vigor desde a aprovação da Ceua Fiocruz (novembro 2014) e, até o momento, todos os cães acompanhados não demostraram nenhum efeito adverso. Se algum efeito adverso for observado, pelo veterinário de serviço no dia da coleta, a indicação é a de que entre em contato imediatamente com a equipe responsável pela pesquisa. Além disso, todas as providências para o bem-estar animal estão sendo tomadas.

“A coleta de amostras foi acompanhada por uma equipe de reportagem da Prefeitura, além de ter sido testemunhada por veterinários e estagiários presentes na ocasião. Todas as providências para o bem-estar animal estão sendo tomadas”.

Fonte: Extra Online

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Você é o Repórter

Fiocruz e o caso dos beagles do Instituto Royal

Marilia Yamashita
mariliamy@hotmail.com

Quando veio a tona o caso do Instituto Royal, vieram a público, via redes sociais, diversas imagens, frases de protesto, informações controversas em prol e a favor. Dentre elas, uma imagem, cujo conteúdo era o nome de empresas ligadas ou relacionadas aos financiamentos recebidos pelo Instituto Royal.

Como no caso desse Instituto, que tem como clientes pessoas jurídicas que demandam seus serviços científicos, não haveria como boicota-la diretamente. E o boicote, até onde sei, é uma das formas mais efetivas de se chamar a atenção do mercado para determinadas demandas. Uma das alternativas cogitadas, desse modo, seria verificar quem são seus parceiros e clientes e aí sim promover o boicote ao instituto, por meio da pressão a essas empresas: “não consumirei seus produtos a menos que procurem um fornecedor/parceiro que adote linhas de pesquisa sem o uso de cobaias”.

Entretanto, o Instituto negava veementemente a liberação de sua lista de clientes, assim como retirou seu portal do ar, impedindo qualquer investigação por meio deste. O que sobrou foi verificar qual tipo de ligação as empresas na fotografia teriam realmente com a Royal, uma vez que a imagem não vinha de nenhuma fonte oficial. Mandei dessa forma e-mails e/ou mensagens através da página de facebook a todas as empresas com as quais consegui contato. Somente algumas responderam: A Bunge e a Apis Flora negavam veementemente sua ligação com o Instituto e chegaram a emitir comunicado em suas páginas no Facebook. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entretando, mandou a seguinte mensagem:

(Foto:Divulgação)
(Foto:Divulgação)

O posicionamento da Fundação foi este, respondido alguns dias depois com extrema franqueza tanto para mim quanto para uma amiga que também havia lhes encaminhado mensagem:

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Confesso ter ficado estarrecida. A Fundação Oswaldo Cruz é uma instituição pública de renome internacional, financiada pelo Governo. Conforme seu próprio site na internet, os conceitos que pautam sua atuação são “promover a saúde e o desenvolvimento social, gerar e difundir conhecimento científico e tecnológico, ser um agente da cidadania”. Sua Visão, administrativamente, é “Ser instituição pública e estratégica de saúde, reconhecida pela sociedade brasileira e de outros países por sua capacidade de colocar a ciência, a tecnologia, a inovação, a educação e a produção tecnológica de serviços e insumos estratégicos para a promoção da saúde da população, a redução das desigualdades e iniquidades sociais, a consolidação e o fortalecimento do SUS, a elaboração e o aperfeiçoamento de políticas públicas de saúde.” Entre os valores pautados para sua atuação estão “8 – Redução das iniquidades;9 – Compromisso com as principais metas de transformação social do Estado brasileiro e; 10 – Compromisso socioambiental”.

Como se isso não bastasse para gerarmos uma reflexão acerca da antítese que todas essas declarações em que se baseia o funcionamento da Fundação têm com o fato de criarem e serem fornecedores de animais para outras instituições, inclusive a Royal, na mensagem encaminhada via Facebook, eles ainda declaram que estão ligados ao

Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BracVam), que teria como objetivo validar métodos que dispensem o uso de animais. Logo, a Fiocruz não deveria ser a primeira a não comercializar com outros laboratórios animais para testes, mas sugerir e apontar os métodos alternativos existentes? E como ter compromisso sociambiental se cometem a iniqüidade de comercializar vidas para institutos que cometem crueldades em nome da ciência ? Para transformar o Estado Brasileiro, é preciso transformar valores, dinamismo no agir, e para isso trazer tecnologia nova e multiplicar conhecimento na área de estudos científicos sem o uso de animais. Da mesma forma que o Peta por exemplo, já faz fomentando estudos e artigos sobre o assunto.

Quanto ao BracVam, do qual participam a Anvisa, a Fiocruz e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), este foi criado em 2011 e ainda não possui um site próprio em que possamos ver as evoluções gerais e implementações que esse Centro trouxe ao Brasil. Quando de seu lançamento, o MCT destinou cerca de R$700 mil ao Bracvam, mas não localizei nenhuma matéria ou divulgação de como foi utilizado este dinheiro. Em matéria da Folha de SP de julho do ano passado, informavam que o Bracvam estava na fase de credenciar laboratórios no Brasil aptos a realizar outros métodos.

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