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Mais uma grande exportadora de ovelhas vivas da Austrália tem licença cancelada

O Departamento de Agricultura e Recursos Hídricos da Austrália cancelou a licença de operação da subsidiária integral da Emanuel Exports, a EMS Rural Exports, após uma notificação de causa. O Departamento já havia suspendido a licença da EMS em junho, após o transporte de milhares de ovelhas em péssimas condições, que sofriam – quando não morriam – em um espaço sufocante e insalubre de um navio com destino ao Oriente Médio.

Reprodução | The Land

A Emanuel Exports teve sua licença de exportação cancelada pelo Departamento em 21 de agosto. A empresa estava por trás da desastrosa viagem conduzida pela Awassi Express, na qual cerca de 2.500 ovelhas morreram em 2017. Ao receber a recente notificação, a Emanuel disse que irá apelar para ambos os cancelamentos de licença.

Mas a decisão do governo não foi premeditada, nem mesmo baseada em boatos. Antes de anunciar o cancelamento das licenças de exportação, ambas as empresas foram submetidas a investigação. A busca por falhas no processo de exportação dos animais foi baseada em uma alegação de que a Emanuel Exports estaria comprometendo uma investigação federal. “O cancelamento de uma licença é um passo sério que é tomado apenas pelo bem da indústria e para a proteção dos altos padrões da Austrália em bem-estar animal”, disse o Departamento em um comunicado à imprensa.

Reprodução | NPR

O órgão governamental afirmou estar implementando uma série de mudanças para melhorar a sustentabilidade do comércio com resultados benéficos para o bem-estar animal. “Isso inclui as mudanças recomendadas pelo Dr. Michael McCarthy em sua revisão das condições para a exportação de ovinos para o Oriente Médio durante o verão no hemisfério norte”, disse o Departamento.

Infelizmente, ao que tudo indica, o governo têm cedido a recentes pressões exercidas pelas empresas. “O Departamento agora está considerando ativamente os pedidos de outros exportadores em potencial para o Oriente Médio contra as exigências estritas da legislação”, afirma.

Em maio, o ministro da Agricultura, David Littleproud, comprometeu-se a implementar o conjunto completo de recomendações da Revisão McCarthy para as exportações vivas, que ele encomendou após a controvérsia envolvendo o transporte pela Awassi.

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Em pré-campanha ao governo de SP, João Dória apoia totalmente a exportação de animais vivos

Em entrevista concedida ao Diário Online, João Dória – filiado ao PSDB desde 2001 – disse que o agronegócio e o agrobusiness terão seu apoio integral. O agora pré-candidato ao governo do estado de São Paulo, depois de um ano e meio à frente da prefeitura da cidade, também afirmou ter muito carinho por Barretos e que, ao contrário do atual governador Márcio França (PSB), ele defende a exportação de animais vivos.

Reprodução | Folha de São Paulo

Leia abaixo na íntegra as respostas de Dória ao Diário Online:

O Diário: Quais os pro­jetos para o interior do Estado especificamente para nossa região?

João Doria: Primeiro o apoio integral ao agro­negócio e agrobusiness. Essa é a grande força de Barretos e região, com­pusemos um grupo de trabalho liderado pelo ex-ministro da Agricul­tura Roberto Rodrigues que é homem do campo. Esse grupo de trabalho vem desenvolvendo toda proposta para nossa po­lítica do agronegócio no Estado de São Paulo. Vamos estudar com esse grupo do agro o Parque Tecnológico de Barretos que é uma ideia antiga que não foi concretizada e nós estamos avaliando como fazê-la com apoio do governo do Estado, mas com investimento privado de empresas que acreditam no agronegó­cio e possam implemen­tar essa ideia e fazer de maneira mais rápida, efetiva e sustentável. Te­nho muito carinho por Barretos e região e digo às pessoas para que não percam a esperança no Brasil, lutem para fazer valer o seu voto no pró­ximo dia 7 de outubro.

O Diário: No plano da Educação, quais são as prioridades?

João Doria: Nesse as­pecto, vamos priorizar a implantação da Fatec em Barretos que é um bom programa do Governo do Estado e será focada especialmente em cursos técnicos que contribu­am com o agronegócio prioritariamente e com­plementarmente para indústria e setor de ser­viços e de comércio.

O Diário: Qual o posi­cionamento do senhor a respeito da polêmica na Assembleia quanto à proibição do embarque de animais vivos?

João Doria: O meu po­sicionamento é o opos­to do atual governador Márcio França. Eu en­tendo que os animais não devem ser maltratados, mas proibir a exporta­ção de animais vivos é ir contra o mercado, contra os princípios que regem o mercado mundial. Não há nenhum problema no transporte de animais vivos brasileiros para ex­portação e isso acontece no mundo todo. Isso não significa que os animais ao serem transportados serão maltratados. Não faz nenhum sentido es­tabelecer essa proibição que, além de inadequada e inócua, provocaria um enorme prejuízo para o setor do agronegócio brasileiro especialmente para o interior do Estado de São Paulo. Minha po­sição é de que a exporta­ção deve continuar com os cuidados devidos com a fiscalização e o contro­le sanitário.

Nota: O ex-prefeito e pré-candidato a governador de São Paulo se posiciona com o mesmo descaso e inconsciência que tem marcado o comportamento dos políticos na Assembleia Legislativa de SP, ignorando completamente a crueldade intrínseca a este tipo de transporte. Como membro e candidato do PSDB, Dória segue seus companheiros de partido, que tudo fizeram para atrapalhar a votação do PL 31 na Assembleia, demonstrando que estão ligados umbilicalmente aos ruralistas e à sua proposta exploratória aos animais. O governador Márcio França, ao contrário, se apresenta cada vez mais sensível à causa animal. Cada vez mais ele se compromete corajosamente a sancionar projetos que beneficiam os animais, aproximando-se do clamor da sociedade que pede um mundo justo e melhor para eles.

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Bois exportados do Brasil para a Turquia caem de navio que os transportava

Bois transportados do Brasil para a Turquia pelo navio Zein I caíram ao mar na chegada ao país de destino. De acordo com informações do jornal turco Haberler, alguns animais se jogaram do navio no momento em que seriam retirados da embarcação.

O navio saiu do porto de Vila do Conde, no Pará, e realizou uma viagem, longa e exaustiva para os animais, que são mantidos em condições insalubres dentro da embarcação, até o porto de Bandirma, na Turquia.

Reprodução | Globo Rural | Imagem Ilustrativa

Dois rebocadores foram utilizados para retirar os bois da água. Um dos animais, no entanto, conseguiu fugir, mas foi encontrado em um vilarejo do distrito de Bakilesir, após nadar durante cinco horas. O boi, que não pôde escapar da morte cruel que o espera em um matadouro, foi recapturado.

Boi pula de navio no Brasil
A queda de bois ao mar que ocorreu na Turquia é mais um indicativo do quão cruel é a exportação de animais vivos. E esse não foi o primeiro episódio do tipo, já que casos semelhantes já foram registrados em outros locais. No Brasil, um boi se tornou um símbolo de resistência e de luta contra os embarques de animais vivos em navios com destino ao exterior após cair no mar em São Sebastião, no litoral de São Paulo.

Na madrugada de 14 de junho, uma das mais frias do ano, o animal pulou do navio Aldelta, que estava atracado no porto de São Sebastião, durante operação de embarque de 5 mil animais. Após nadar por quase 10 km, ele foi avistado por uma pequena embarcação. Laçado, o boi foi levado para a Praia das Cigarras. Mas o que poderia ser uma esperança de liberdade logo se transformou num novo pesadelo. Isso porque, após ser içado pelas patas, como se fosse um mero objeto, o animal foi colocado em um caminhão e, depois de ser examinado por um veterinário, foi forçado a retornar ao navio.

Crueldade intrínseca à exportação de animais
Um parecer técnico emitido pela médica veterinária Magda Regina, após vistoria realizada em fevereiro no navio NADA, atracado no porto de Santos com mais de 27 mil bois embarcados, comprovou os extremos maus-tratos impostos aos animais, que já haviam sido denunciados por ativistas. O laudo – com destaque para as páginas 25, 26, 31, 33, 35 e 36 – tem 47 fotos que expõe a condição de insalubridade vivida pelos bois, repletos de fezes e urina e mantidos em ambientes superlotados (confira o documento na íntegra clicando aqui).

“Com base nos fatos relatados, observados mediante entrada e inspeção das instalações de embarcação marítima voltada para confinamento e transporte de animais por longas distâncias para recria, engorda e abate no exterior, opino que são abundantes os indicativos que comprovam maus-tratos e violação explícita da dignidade animal, além de ultrapassar critérios de razoabilidade elementar as cinco liberdades garantidoras do bem-estar animal. Tenho entendido, portanto, de que a prática de transporte marítimo de animais por longas distâncias está intrínseca e inerentemente relacionada à causação de crueldade, sofrimento, dor, indignidade e corrupção do bem-estar animal sob diversas formas”, diz o laudo produzido pela médica veterinária.

A veterinária australiana Lynn Simpson, que por 10 anos viajou dentro de navios-boiadeiros e que participou de uma audiência pública sobre exportação de animais vivos na Assembleia Legislativa de São Paulo em maio deste ano, também confirmou os maus-tratos inerentes ao transporte de animais feito por navios.

“É comum ver os animais com as línguas de fora, tentando respirar sem conseguir, já ficando azuis com a falta de oxigênio. O aumento da taxa de respiração aumenta os níveis de CO2 e amônia no ar e piora ainda mais a situação. Animais mais fortes sobem em cima dos mais fracos, em busca de ar, esmagando-os. Alguns caem já espumando pelo nariz. Quando tentamos puxar os animais mortos, as pernas se soltam facilmente e vemos os músculos já sem cor, a gordura translúcida – sinais indicativos de cozimento. Os bois são cozidos vivos”, contou a médica.

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