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Alpinista completa primeira subida vegana da história do Everest

Em 2015, Kuntal Joisher teve certeza de que iria morrer.

Um terremoto havia provocado uma avalanche que atingiu o acampamento base do Everest. Joisher estava preso ao lado de outros alpinistas.

“Aquela noite, quando fui dormir, revisei minha vida inteira”, ele lembra.

A tragédia matou 17 pessoas e feriu mais 60.

Imagem: Kuntal Joisher/Arquivo Pessoal/BBC

Joisher, de 39 anos, sobreviveu, mas rapidamente se deu conta de uma coisa: “Se você tem quaisquer sonhos ou paixões, o melhor momento para cumpri-los é agora. Não amanhã, não o dia seguinte, não em 60 anos quando você tiver todo o tempo do mundo e dinheiro guardado. Agora”.

Quatro anos depois, ele orgulhosamente declarou ter cumprido a primeira subida “100% vegana ao Monte Everest”.

Joisher se descreve como um alpinista vegano que mudou sua vida para realizar um sonho.

“Eu queria provar para o mundo que não precisamos comer ou usar animais para obtermos êxito nos maiores sonhos das nossas vidas, incluindo subir as mais altas e difíceis montanhas”, ele disse à BBC em uma entrevista por e-mail.

De vegetariano para vegano

O alpinista se tornou vegano há 16 anos, enquanto estudava em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“Um dos amigos que moravam comigo na universidade me mostrou os horrores das indústrias de laticínios e couro. Como vegetariano, sempre achei que estivesse cuidando do mundo animal. Mas me dei conta que estava contribuindo para o aumento da exploração, então mudei meu estilo de vida.”

Mas a ideia de escalar a montanha mais alta do mundo não tinha lhe ocorrido ainda. Ele se mudou de volta para a Índia e começou sua carreira como engenheiro de TI.

Em 2009, quando estava de férias nos Himalaias, decidiu que escalaria o Everest. “Era uma ideia louca na época. Eu prometi a mim mesmo que ou escalaria como um vegano, ou não escalaria.”

Na época, ele pesava 110 quilos, e se deu conta que precisaria de treinamento físico intenso para realizar seu sonho. Então, começou uma rotina de treinamento baseada em resistência cardiovascular e treinamento funcional e de força de alta intensidade.

Joisher diz que as pessoas a seu redor pensavam que seria impossível para ele alcançar o nível necessário para um ambiente tão desafiador. Mas ele não achou difícil.

“Nunca tive problemas para formar massa muscular magra em uma dieta vegana. Meu foco é comer uma variedade de frutas, legumes e grãos misturados com pequenas doses de nozes e sementes ao longo do dia para obter proteína suficiente.”

Ele trabalhou suas habilidades de alpinismo com um curso na Patagônia chilena e completou uma série de expedições antes do grande desafio.

Sua primeira tentativa de escalar o Everest, em 2014, falhou por causa de um desastre natural. Um avalanche em 2015 acabou com suas chances novamente.

“Depois disso, várias pessoas tentavam me convencer a desistir, dizendo que a montanha não me queria lá. Outros até disseram que eu não era capaz. Mas não dei ouvidos.”

Ele fez sua terceira tentativa em maio de 2016.

Ele adaptava a comida vegana local para suprir sua necessidade calórica diária. Com o aumento da altitude, a necessidade calórica aumenta. “Durante uma expedição, desde que a comida seja vegana, não me importo se é saudável. Eu como porque preciso das calorias”, explica.

Joisher chegou até o cume.

Ficou feliz, mas ainda não estava satisfeito. Embora tivesse completado o desafio fazendo uma dieta vegana, se sentiu culpado por usar roupas com materiais de origem animal.

Ele usou roupas feitas de penas de ganso para aguentar temperaturas tão baixas quanto -50ºC e luvas com partes de couro.

Sua próxima missão seria cumprir uma escalada 100% vegana.

Subida 100% vegana

Kuntal conseguiu alternativas para itens feitos de couro, seda e lã. Mas o casaco feito de penas de ganso foi difícil de substituir.

Ele entrou em contato com diversas fábricas pedindo um casaco sintético para sua expedição, mas não conseguiu respostas.

Imagem: Kuntal Joisher/Arquivo Pessoal/BBC

“Decidi construir meu próprio casaco usando microfibra sintética que cria isolamento térmico. Mas me dei conta que o produto final seria tão grande e pesado que não seria prático para escalar uma montanha.”

Sua procura por uma alternativa vegana continuou até 2018, quando ele se deparou com a solução de uma marca italiana para isolamento térmico sem penas. Kuntal convenceu a fábrica a fazer um casaco sintético para ele antes de sua expedição ao monte Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo, próxima ao Everest.

Deu tudo certo, e Kuntal escalou 8.848m com seu novo casaco livre de materiais com origem animal.

“Foi uma das expedições mais difíceis da minha vida. Mas minha maior alegria foi escalar sem usar um casaco com penas de ganso ou couro.”

Missão final

Agora, neste mês, ele usou o mesmo casaco para chegar ao topo do Everest mais uma vez.

“Escolhi o lado Norte (lado chinês) pelo seu clima notório – muito vento e muito frio. Também é difícil escalar dentro da zona de morte, acima de 8.000 metros.”

Pode-se chegar ao topo do Everest – na fronteira entre o Nepal e a China – pelo lado nepalês também.

Mas essa foi uma temporada perigosa. Ao menos 11 pessoas foram registradas como mortas ou desaparecidas.

O tempo ruim atrasou todo mundo. No lado tibetano (chinês), Kuntal esperava por uma janela de tempo bom para escalar até o topo – de 22 a 24 de maio.

E finalmente aconteceu.

Nas primeiras horas do dia 23 de maio, ele chegou ao topo do Everest.

Estava acompanhado de Mingma Tenzi Sherpa. Sherpas são guias experientes que preparam a rota, colocam cordas e carregam mantimentos e oxigênio para alpinistas estrangeiros.

“Com isso, acredito que completamos o que podemos chamar de primeira subida 100% vegana ao Everest sem congelamentos ou retiradas. Foi a coisa mais desafiadora que eu já fiz. Estou feliz que minha comida e meu equipamento veganos tenham resistido tanto ao longo do caminho.”

Fonte: BBC News Brasil


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Jornalismo cultural, Notícias

Montanhista Dean Maher é o primeiro vegano a escalar a face sul do Everest

Por David Arioch

“Estou muito orgulhoso de anunciar que me tornei o primeiro vegano do mundo a escalar o monte Everest (face sul)” (Foto: Dean Maher/Instagram)

O montanhista Dean Maher se tornou o primeiro vegano a escalar a face sul do monte Everest. Ele publicou uma foto do feito no Instagram há três dias.

Além de não usar nenhum equipamento envolvendo matéria-prima ou insumo de origem animal, Maher aproveitou a oportunidade para fazer uma declaração:

“Estou muito orgulhoso de anunciar que me tornei o primeiro vegano do mundo a escalar o monte Everest (face sul). Não usei penugem, nem couro, nem lã, nem seda, etc, mostrando que não é preciso ferir os animais para realizar seus maiores sonhos.”

Maher recebeu orientação do também montanhista Kuntal Joisher, que também é vegano e atingiu o topo do Everest em 2016.

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De olho no planeta

Monte Everest se transforma em uma enorme pilha de lixo

Fotos publicadas recentemente revelaram o real impacto do turismo no monte Everest. As imagens, capturadas pelo geólogo Alton Byers, sanam as dúvidas de quem ainda não sabia o destino de todo o lixo descartado pelos visitantes. De acordo com o profissional, a montanha da maneira que está retratada é uma versão relativamente limpa, devido a expedições de limpeza muito divulgadas todos os anos. A situação poderia ser ainda pior.

Reprodução | The Daily Mail

Muitos dos resíduos gerados pelos turistas são simplesmente queimados e enterrados, deixando os locais realmente sem terra, já que a maioria da área é usada pelos aterros sanitários. “Isso porque a publicidade sempre se concentrou no lixo no acampamento base do Everest e em uma ‘expedição de limpeza’ anual”, conta em entrevista ao jornal The Daily Mail.

Para ele, essa tentativa de resolução foi sempre muito rasa e pouco efetiva. “O verdadeiro problema são as toneladas e toneladas de plásticos, latas de cerveja, garrafas de uísque, recipientes de alimentos de aço e outros resíduos sólidos que os proprietários de lojas importam”, explica.

Reprodução | The Daily Mail

As empresas de turismo compram todos esses produtos para satisfazer as demandas dos visitantes, que beiram os 50 mil ao ano. E esse número pode duplicar, dependendo do período, o que torna a situação cada vez mais alarmante. “Isso é chamado de ‘lixo incinerável’ pelos donos dos chalés, que o despejam em aterros, queimam quando está cheio e depois enterram”, explica.

“Um proprietário de uma pousada em Dingboche disse que eles estavam ‘ficando sem terra para usar como aterros’. É provavelmente um exagero, mas se você caminhar uma curta distância do rio Que Toward lodge, o rio parece um terraço paisagem lunar com todas as novas e velhas marcas de aterro”, ele lamenta. Aterros sanitários variam em tamanho de 270 a 2150 m² – e pode haver centenas deles em poucos passos andados.

Reprodução | The Daily Mail

Mas a queima libera venenos tóxicos no ar, e o lixo enterrado e queimado faz o mesmo com os lençóis freáticos, contaminando ambos. Nada disso contribui para uma mudança no cenário observado atualmente, e não traz problemas apenas para a flora e fauna local, mas também para as próprias pessoas. O Dr. Byers, da Universidade do Colorado em Boulder, acrescentou que muitos turistas estavam doentes por causa do lixo humano sendo despejado nos rios locais. “A maioria das lojas tem sistemas sépticos com vazamentos, ou as dependências ficam próximas ou diretamente sobre os córregos”, disse.

Reprodução | The Daily Mail

O Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha, que lida com resíduos no lado nepalês da montanha, disse ao Dr. Byers que não tem controle sobre os resíduos gerados pelas lojas ao redor do Everest. Mas ele não aceita essa explicação, e tem certeza de que eles tem total noção do que é feito, só não podem realmente fazer nada porque a Associação de Proprietários de Lojas é muito poderosa.

O Dr. Byers disse que as tentativas de resolver o problema devem se concentrar na redução do lixo sólido que chega ao Parque Nacional Sagarmatha, do qual o Everest faz parte, enquanto melhora a reciclagem. Não deveria ser uma medida remediadora e, sim, preventiva. Além disso, uma análise científica detalhada do problema deveria ser conduzida, para que fossem encontradas possíveis soluções, baseadas em estudos.

Reprodução | The Daily Mail

Em última análise, isso poderia levar, por exemplo, ao banimento de todas as garrafas plásticas de água que entram no parque, assim como proibiram garrafas de cerveja de vidro anos atrás. “Também poderia levar ao desenvolvimento de incentivos para os proprietários de lojas de reciclagem de alumínio, aço e vidro”, ele finaliza.

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O Everest, um lixão no teto do mundo

O ser humano deixa seu rastro até no teto do mundo. Barracas fluorescentes, material de escalada, cilindros de oxigênio vazios e até excrementos. Um alpinista que acha que vai encontrar neve imaculada no Everest pode ter uma surpresa desagradável.

“É nojento, um espetáculo repugnante”, diz Pemba Dorje Sherpa, um guia nepalês que chegou 18 vezes ao Everest. “A montanha tem toneladas de resíduos.”

Reprodução | El País

Desde o surgimento das expedições comerciais nos anos 1990, disparou o número de pessoas que escalaram a montanha de 8.848 metros de altitude. Este ano, somente na alta temporada da primavera, pelo menos 600 alpinistas alcançaram seu cume. Mas essa popularidade tem consequências. Os montanhistas, que gastam muito dinheiro para realizar a emblemática subida, às vezes prestam pouca atenção à sua pegada ecológica. Pouco a pouco, com uma cordada após a outra, os resíduos vão manchando o Everest.

As autoridades já tomaram algumas medidas para impedir a poluição. Há cinco anos o Nepal pede uma fiança de 4.000 dólares (15.600 reais) por expedição, que reembolsa se cada alpinista do grupo trouxer de volta pelo menos oito quilos de dejetos. No lado tibetano da montanha, menos frequentado, as autoridades exigem a mesma quantidade e impõem multa de 100 dólares (390 reais) por quilo faltante.

Em 2017, os alpinistas da vertente nepalesa recuperaram cerca de 25 toneladas de resíduos sólidos e 15 toneladas de dejetos humanos, segundo o Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC). E nesta temporada foram retiradas quantidades ainda mais elevadas, embora continuem representando uma ínfima parte da poluição causada.

Somente a metade dos alpinistas recupera as quantidades de resíduos exigidas, segundo o SPCC. A perda da fiança representa na realidade uma soma ridícula em comparação com as dezenas de milhares de dólares que cada montanhista gasta para uma expedição ao Everest.

Reprodução | El País

Para Pemba Dorje Sherpa, o principal problema é o desleixo dos visitantes, ao qual se soma o fato de que algumas autoridades fecham os olhos em troca de um pequeno suborno. “Não há vigilância suficiente nos acampamentos altos (os situados acima do acampamento-base) para garantir que a montanha continue limpa”, lamenta.

A guerra de preços entre vários operadores converteu o Everest em um destino mais acessível para um número cada vez maior de alpinistas inexperientes. As expedições mais baratas podem custar “somente” 20.000 dólares (78.000 reais), muito abaixo dos cerca de 70.000 (273.000 reais) pagos pelas mais famosas.

A chegada de pessoas menos acostumadas a montanhas altas agrava o problema da poluição, pondera Damian Benegas, um veterano do Everest. Antes, os alpinistas levavam eles mesmos a maior parte de seu material, mas muitos neófitos não conseguem fazer isso hoje em dia. Os xerpas “têm de levar o material do cliente, por isso já não podem trazer o lixo para baixo”, afirma Damian Benegas, que incentiva as agências a contratarem mais funcionários para montanhas altas.

Os defensores do meio ambiente também temem que a poluição do Everest afete os rios do vale situado mais abaixo. No momento, os excrementos dos alpinistas do acampamento-base são transportados até a cidadezinha mais próxima, a uma hora a pé, onde são jogados em fossas.

“Depois acabam sendo arrastados rio abaixo durante as monções”, explica Garry Porter, um engenheiro norte-americano. Ele e sua equipe estudam a construção de uma estrutura de compostagem perto do acampamento-base, para transformar esses excrementos em adubo.

Ang Tsering Sherpa, ex-presidente da Associação de Alpinismo do Nepal, acha que uma das soluções poderia ser a criação de equipes dedicadas unicamente à coleta de dejetos. Sua operadora, a Asian Trekking, que insiste no lado ecológico de suas expedições, recolheu 18 toneladas de resíduos na última década, além dos oito quilos por membro da expedição. “Não é um trabalho simples”, diz Ang Tsering Sherpa. “O Governo tem de estimular os grupos para limpar e aplicar as regras com mais rigor.”

Fonte: El País

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Engenheiro vegano conquista o Monte Everest e mostra o poder de hábitos sem crueldade

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/PETA
Reprodução/PETA

O engenheiro de software Mumbai Kuntal Joisher usou sua força conquistada com uma alimentação à base de vegetais para subir ao cume do Monte Everest.

Joisher é vegano há mais de 14 anos e o Everest é a segunda cimeira de oito mil metros que ele escalou. Em 2014, ele escalou o Monte Manaslu, a oitava montanha mais alta do mundo.

Ele é uma prova de que hábitos sem crueldade podem levar os atletas aos lugares  mais altos. Quando questionado por que escolheu escalar o Everest, ele cita o ultra-maratonista vegan Scott Jurek, que afirmou:

“Quanto mais tempo e mais longe eu corria, mais eu percebia que o que eu estava perseguindo era um estado de espírito; um lugar onde as preocupações que pareciam monumentais se derreteram, onde a beleza e a intemporalidade do universo, do momento presente, eram minha concentração absoluta”.

Reprodução/PETA
Reprodução/PETA

Este é o estado de espírito que Kuntal atinge quando escalada montanhas. Durante seu treinamento, ele come alimentos à base de vegetais, incluindo frutas, legumes, grãos, nozes e sementes.

O engenheiro sente que se recupera rapidamente mesmo após treinos particularmente intensos. Ao escalar, geralmente experimenta a cozinha vegana local, assim como uma mistura de frutas secas e castanhas, barras de nutrição feitas a partir de tâmaras e nozes e vários outros petiscos.

No acampamento base do Everest, ele comeu panquecas, pão tibetano, lentilhas com arroz, macarrão, pizza vegana, hambúrgueres vegetarianos e mingaus feitos de trigo, arroz e aveia, segundo a PETA. Os cozinheiros até mesmo assaram um bolo vegano para ele, cujos hábitos são benéficos aos animais, a si mesmo e ao planeta.

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