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Ato contra a experimentação animal atinge mais de 700 pessoas em Ponta Grossa (PR)

Foto: Divulgação

O Grupo Fauna, o Ativeg PG e estudantes e professores defensores dos Direitos Animais realizaram Ato Contra a Vivissecção e Experimentação Animal no ensino e na pesquisa, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em Ponta Grossa, Paraná. A atividade alusiva ao Dia Internacional de Luta Contra a Experimentação Animal e Vivissecção, 16 de abril, atingiu mais de 700 estudantes, professores e funcionários que passaram pelo Restaurante Universitário.

Além do Grupo Fauna e do Ativeg PG, estiveram no apoio do ato estudantes

Foto: Divulgação

de Biologia e coordenação e equipe do Projeto de Extensão “Ética Biocêntrica: novos olhares para a Educação Científica e Ambiental”. Usando pôsteres de apresentação de trabalhos científicos, cartazes artesanais, banners com a arte cedida pela União Libertária Animal (ULA), além de panfletos e diversos vídeos obtidos da internet, o público foi receptivo à temática e muitos pararam para observar o material com cuidado.

A imprensa local e comunitária fez a cobertura e abriu espaço para discussão. Está na página do Diário dos Campos a enquete: “Você é favorável ao uso de animais vivos (vivissecção) no ensino e na pesquisa das universidades?” no link: http://diariodoscampos.com.br/

Contatos: grupofauna@gmail.com
pontagrossa@ativeg.org

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Libertação Animal, Humana e Ambiental: fazendo as conexões

Quando uma entidade de defesa dos animais é acionada, seja pela imprensa, pelo poder público ou pelos cidadãos, apenas em função de casos que envolvam problemas com animais “de companhia”, é preciso parar e refletir sobre o que isso significa e quais as suas consequências.

Entendemos que há um grande equívoco quando somente os “pets” são motivo de preocupação por parte da sociedade e, mais ainda, quando somente eles ocupam as ações para as quais as entidades de defesa dos animais se voltam. Este comportamento reflete uma visão superficial de Defesa dos Direitos Animais, significando que o restante dos animais – que não os “pets” – não merecem ser considerados com a mesma atenção.

Se militantes defensores dos animais já reconhecem que este é somente um ínfimo ponto (nem por isso desconsiderado) diante do holocausto animal, a angústia é inevitável, pois entende-se que este recorte tem origem no especismo eletivo. O conceito de especismo, desdobrado em eletivo e elitista por Sonia Felipe , tem contribuído decisivamente para as reflexões sobre que tipo de “defesa animal” queremos fazer. O especismo elitista é o hegemônico em nossas sociedades, que coloca todas as espécies como servas da espécie humana, gerando as mais variadas formas de violência institucionalizada.

Já o especismo eletivo ou afetivo escolhe uma ou mais espécies como dignas de proteção, de acordo com sua predileção ou “função”, sendo, portanto, a base de criação e manutenção da maioria do grupos de defensores dos animais e do ambiente. Animais como cães, gatos e cavalos, na condição de “domésticos” ou as baleias, onças e macacos, como “silvestres”, são recortes oriundos de uma base especista eletiva.

Como salienta Sonia Felipe, “passamos a defender os animais escolhendo os que julgamos mais adequados à expressão de nossa necessidade afetiva, estética, econômica, etc. Elegemos, então certos animais, de acordo com nossa predileção. (…) Não fugimos, desse modo, nem do antropocentrismo, nem do especismo.”

Muitas entidades de defesa dos animais surgem unicamente em função deste problema específico, porém algumas delas passaram a olhar também para os demais cantos escondidos da sociedade, identificando a realidade terrível dos animais que são convertidos não somente em “pets”, mas também em produtos desejáveis, servindo de comida, vestimenta, cobaias, usados como artistas para entretenimento humano em espetáculos e competições, bem como outros instrumentos para uso e deleite dos humanos.

Este é um ponto de avanço e amadurecimento: a superação do especismo eletivo dentro do Movimento de Defesa dos Direitos Animais. Mas não é o suficiente, pois resta fazer a conexão entre exploração animal, humana e ambiental. Enfim, resta praticar o que tanto se ouve falar: a defesa dos direitos de todas as formas de vida. E mais, identificar o inimigo comum: o sistema capitalista. Este inimigo, para sobreviver, precisa priorizar a obtenção do lucro de poucos em função da exploração de muitos, sejam eles humanos ou não. Sem desigualdade este sistema morre.

Para que o movimento de defesa animal supere estigmas historicamente arraigados em nossa sociedade, faz-se necessária a discussão sobre as origens históricas deste processo de naturalização da desigualdade, da exclusão, da discriminação e da violência. Não há como conciliar a Ética Biocêntrica, base de militância em defesa da vida, com o capitalismo.

A problemática animal, humana e ambiental precisa ser identificada como uma só, fruto de um modelo de produção e consumo calcado em exploração e competição, sendo impossível que esta lógica traga avanços para uma sociedade ética, sustentável, livre, justa e solidária para todas os seres que compartilham conosco este Planeta.

Há uma longa caminhada para que possamos implantar a tão desejada convivência harmoniosa, pacífica e equilibrada entre todos os seres, já que nem o socialismo – proposta de superação do capitalismo – conseguiu (ainda) incorporar a Ética Biocêntrica em sua base de luta.

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Organização Não Governamental debate Ética Biocêntrica

(Da Redação)

A Organização Não Governamental Ecoforça leva a Curitiba o debate sobre a Ética Biocêntrica*, no próximo dia 16 de abril de 2010. O evento será realizado no auditório do SENGE-Sindicato dos Engenheiros do Paraná. A palestrante convidada é a Prof. Dra. Sônia Terezinha Felipe**.

O debate sobre a necessidade de mudança de valores e atitudes para a consequente mudança de visão de mundo será aprofundado e buscará externalizar os processos pessoais de cada um dos participantes. 

O evento tem o objetivo de cumprir com uma das metas propostas ao longo do Seminário Internacional “Experiências de Agendas 21: Os Desafios do Nosso Tempo”, ocorrido em novembro de 2009. (Para conhecer o conteúdo da palestra apresentada pela prof. Sônia Felipe no Seminário Internacional acesse www.sema.pr.gov.br e busque “Anais do Evento” na aba Palestras).

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente até o dia 8 de abril de 2010, ou até que as 120 vagas estejam esgotadas. Para inscrever-se, devem ser enviados para o e-mail  ecoforca@gmail.com  os seguintes dados:

Nome completo
Fone
E-mail
Instituição que representa (se houver)

Mais informações com Rosana (41) 9676.4656 ou Valdir (43) 9627.3985, ou por e-mail.

* A concepção da ética biocêntrica elaborada por Paul W. Taylor  fundamenta a tese de que é possível propor a ampliação da noção de direitos fundamentais, ainda que no sentido moral do termo, para todas as formas de vida, considerando-se que a comunidade moral é constituída por agentes e pacientes morais e não apenas por agentes morais racionais. A vulnerabilidade iguala todos os seres viventes. Para seguir a ética biocêntrica é preciso operar caso a caso com os quatro princípios fundamentais: não maleficência, não interferência, fidelidade e justiça restitutiva. Por outro lado, a coexistência de tantos milhões de espécies vivas nesse planeta gera conflitos de interesses, classificados em básicos e não básicos, que requerem solução. Taylor apresenta regras de prioridade para dirimir tais conflitos, a saber: autodefesa, proporcionalidade, mal menor, justiça distributiva e justiça restitutiva.

** Sônia Terezinha Felipe, Doutora em Teoria Política e Filosofia Moral, com  pós-doutorado em Bioética-Ética Animal, cofundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência, ex-voluntária do Centro de Direitos  Humanos da Grande Florianópolis, coautora de vários livros, professora e pesquisadora dos Programas de graduação e pós-graduação em Filosofia, e do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, Investigadora Permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e Membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, Lisboa.

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