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Conviver com cães na infância reduz risco de desenvolver esquizofrenia

Para desenvolver o estudo, pesquisadores analisaram os primeiros 12 anos de vida de 1.371 homens e mulheres entre 18 e 65 anos


Crianças que convivem com cachorros têm uma chance menor de desenvolver esquizofrenia na vida adulta, segundo um estudo da Universidade Johns Hopkins (EUA) publicada no periódico PLOS One.

Pixabay/

“Transtornos psiquiátricos graves têm sido associados a alterações no sistema imunológico ligadas a exposições ambientais no início da vida, e como os animais domésticos geralmente são as primeiras coisas com as quais as crianças têm contato próximo, era lógico explorar as possibilidades de uma conexão entre os dois”, diz Robert Yolken, líder do estudo.

Os cientistas analisaram também a relação entre transtorno bipolar e o convívio com cães, mas não encontraram nada significativo. O estudo descobriu também que não há qualquer relação entre a exposição a gatos na infância com o diagnóstico de bipolaridade e esquizofrenia. As informações são do portal Viva Bem, do UOL.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores analisaram os primeiros 12 anos de vida de 1.371 homens e mulheres entre 18 e 65 anos, sendo que 396 deles tem esquizofrenia, 381 foram diagnosticados com transtorno bipolar e 594 que não têm nenhuma dessas doenças.

De acordo com estudos anteriores, expor crianças a gatos e cachorros pode alterar o sistema imunológico de várias formas, incluindo respostas alérgicas, contato com bactérias e vírus.

Em 2017, cientistas descobriram que conviver com um cão antes de completar três anos de idade ajuda a reduzir em 40% as chances de se desenvolver asma quando adulto. O estudo analisou 20 mil crianças.

Para a doutoranda Silvia Colicino, líder do estudo, o fato dos cães serem mais “sujos” do que os gatos faz com que as crianças que convivem com cachorros sejam expostas a bactérias no início da vida, estimulando o sistema imunológico e aumentando a produção de anticorpos que previnem alergias.


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Educação Vegana

Juventude, ética e educação vegana formal de base

Hoje passei por uma situação semelhante em duas séries diferentes na escola. Tanto no segundo quanto no terceiro ano do ensino médio que lecionei hoje, agiram com um total descaso com a temática que eu estava apresentando e comentando; em cada uma das três salas o número de alunos que deram atenção ao que eu estava falando não passou de cinco. O que me chamou a atenção não foi o número de ouvintes, pois com relação a isso sou heraclitiano; mas a reprodução da filosofia do descaso.

No caminho para casa me vi pensando nessa situação, que não é nova, pois, convivo com ela nos últimos anos e a conheço bem, mas esse descaso dos jovens com os princípios éticos me fez pensar se minhas aulas sobre Ética Animal estão realmente surtindo algum efeito prático na vida deles. Lembrei-me de Aristóteles, ele disse certa vez que não se ensina ética para os jovens, pois para compreender a magnitude dessa ciência prática é necessário ter experiência de vida.

Ao chegar em casa, fui consultar o livro do filósofo James Rachels para confirmar uma indicação de um capítulo que fiz a um aluno, e me deparei com a seguinte reflexão: “na ética deve-se esperar que ocasionalmente as pessoas se recusem a ouvir a razão. Afinal, a ética pode exigir que façamos coisas que não queremos fazer, portanto não é raro tentarmos evitar ouvir suas demandas”1. Eu havia dito algo parecido no terceiro ano para um aluno e três alunas, que eram os únicos (numa sala que tinha aproximadamente 35 alunos) que ouviam minha explicação sobre o modo de vida vegano e suas implicações morais no nosso dia a dia; eles próprios destacaram que a abolição do especismo via veganismo exigia uma mudança radical nos nossos costumes, por isso a sala não estava interessada no tema. Para a grande maioria deles é demais dar ouvidos à razão e fazer o que os princípios formais da ética prescrevem. Esses alunos estão “se preparando para o vestibular”, dentre alguns meses serão universitários e ulteriormente profissionais nos campos que escolheram atuar; mais uma leva de cidadãos reprodutores da ideologia dominante especista. Esse quietismo, esse espírito de seriedade me incomoda em demasia.

A cada dia que passo em sala de aula fica evidente que a real situação dos animais não humanos só vai mudar substancialmente quando investirmos pesado numa educação vegana formal de base. O que quero dizer com isso? A maneira como vemos os outros animais e, não menos, a nossa própria animalidade, deve ser corrigida abolindo qualquer cheiro de especismo desde a pré-escola. Mas para isso precisaríamos de pedagogos veganos. Onde estão?

Até um pouco antes da queda do muro de Berlim e a derrocada da União Soviética uma questão era frequentemente repetida pelos teóricos de esquerda: “socialismo ou barbárie?”. Lembro-me que anos depois em uma das aulas de Teoria Política na universidade, meu mestre José Cardonha (Zé Legal, para os próximos e herdeiro do socialismo marxiano e da Teologia da Libertação) disse: “a barbárie venceu”. Essa situação me leva a pensar numa possível questão: “veganismo ou barbárie?”. Espero não viver o suficiente para ver a barbárie vencer novamente.

A cada dia na sala de aula vejo uma parcela da juventude defendendo de uma maneira aguerrida seu pobre capital cultural especista – juntamente com o sexista e racista – sem ao menos se preocupar em buscar uma fundamentação racional para tal postura.

Sabemos que nunca vão conseguir dar uma resposta logicamente relevante e eticamente justificável para a manutenção de tais costumes discriminatórios; mas a questão é que não fazem, ao menos, o exercício da reflexão. É a incapacidade de pensamento, o vazio de pensamento, nos termos de Hannah Arendt, que possibilita a vitoria da barbárie.

Desde a mais tenra idade as crianças têm seu dom filosófico para o questionamento cerceado pelos pais. Ficaria a cargo dos pedagogos fazerem o contrapeso? Estimulando mais e mais a metralhadora da dúvida tão natural da criançada? Estimulando o recurso à analogia também tão natural e corriqueiro na vida infantil? Somente com uma educação vegana formal de base poderemos impedir a formação de uma geração após outra de Eichmanns especistas. Mas para isso precisaríamos de pedagogos veganos. Onde estão?

Cotidianamente me deparo com situações tão absurdas do ponto de vista ético em sala de aula que me pergunto “será que Aristóteles estava certo?”. Mas, depois, com calma, vejo que a questão não é que a juventude não consegue fazer um exercício de reflexão ética, raciocinar eticamente; a questão é que já foram por demais adestrados a não pensar. Se não há pensamento, reflexão crítica, não há possibilidade de mudar costumes bárbaros. Russell disse que “para muita gente, antes morrer que pensar. E é isso mesmo que fazem”. O que estamos fazendo com nossas crianças que as levam a se tornarem adolescentes e jovens tão “vivos-vazios”2 quanto os outros animais que consomem? Estamos adestrando nossas crianças a não darem ouvidos à razão, anos depois, temos jovens com extrema dificuldade em levar a sério um raciocínio ético, e consequentemente tornar-se-ão pais esquizofrênicos morais e o círculo vicioso continua.

A cada dia na sala de aula com os jovens do ensino médio percebo que as aulas de Ética Animal teriam mais sentido se a educação infantil não fosse castradora de espíritos livres. Infelizmente a pedagogia que ainda reina nas escolas é a “bancaria”, criticada há décadas por Freire; o sistema de ensino governamental é acrítico, ideologicamente necessário para manter o poder hegemônico e reificador de vidas. Barbárie, irreflexão, vazio de pensamento, vivos-vazios, esquizofrenia moral, como superar essa insanidade?

Somente com uma educação vegana formal de base. Precisamos urgentemente de uma pedagogia vegana crítica e autocrítica.

Notas

1. RACHELS, James. Os elementos da filosofia da moral. Barueri, SP: Manole, 2006. p. 45.

2. Agradeço a Sônia T. Felipe pelo conceito.

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Você é o Repórter

Cães de moça que sofre de esquizofrenia precisam de ajuda urgente, em SP

Silvana Mitne
via Rede Bichos

Uma amiga minha me ligou hoje pedindo ajuda para os cachorros que estão nestas fotos, é um caso desesperador. Ela mora no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo e recebeu uma denúncia que em uma rua próxima à casa dela tem uma moça portadora de esquizofrenia e é colecionadora (acumuladora) de animais.

Ela resgata das ruas e os mantém dentro de casa, mas não os alimenta, não dá água, não os deixa sair mais, eles acabam morrendo de fome, doentes, vivem na miséria, na sujeira, uma judiação.

Esta moça foi internada, pois passou mal e a irmã foi levá-la ao hospital, mas ela terá alta e a irmã teme pelo os animais, eles precisam ser retirados o mais rápido possível desta casa, mas onde abrigar 38 cachorros? Eles estão famintos, assustados, magros, cheios de vermes, pulgas, precisam de veterinário, ser castrados, vacinados, vermifugados e levados para um outro lugar, mas para onde?

Se cada um pegasse 1 cachorro, não seria pesado para ninguém e todos seriam salvos, mas as pessoas que eu conheço estão superlotadas de animais resgatados, cheias de dívidas. Como ajudar estes peludos?

Pelo amor de Deus, me ajudem a divulgar este e-mail e ajudar estes cães. A Juliana só dará o endereço para quem realmente for ajudar, quem puder salvar 1 cachorro pelo menos.

Contato:

Juliana, no email  jujuba_jmw@hotmail.com

Eu posso ajudar com táxi-dog, se alguém mais puder ajudar com transporte, com vacinação, consulta veterinária, castração, ração, medicamentos, hospedagem, tudo é válido para salvar estes pequenos.

Aguardamos contatos, por favor. Deus os abençoe!

Silvana Mitne

(11) 7880-7404 / 9995-0516


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Artigos

Animações com animais são uma raiz da esquizofrenia moral

É comum a ideia de que quadrinhos e animações só servem para entreter o público infantil, e por isso são frequentemente ignorados. No entanto, exatamente por este seu grande público cativo, em formação de consciência, é importante verificar que imaginário e ideias estão sendo transmitidos por essas linguagens, que mesclam artes plásticas, literatura e cinema.

Estes são os meios com a maior população de personagens animais em suas histórias. Visite uma locadora e dê uma olhada nos títulos de animação disponíveis para crianças e confirmará isso. Basta se lembrar de Mickey, Madagascar, Procurando Nemo, e outras produções dos grandes estúdios Disney, DreamWorks, Pixar e Aardman.

Capa do Filme "Procurando Nemo"

Como são estas histórias? Normalmente povoadas por animais falantes, engraçadinhos e felizes. É claro, há sempre dificuldades e desafios aos personagens para que a história tenha graça, mas elas precisam ter final feliz. Assim, acaba sendo esta a imagem que se passa às crianças: os animais são felizes, ou pelo menos terão sempre um final feliz. Para que as crianças também possam sorrir e ter uma bela infância.

No entanto, uma incoerência extrema acontece, especialmente nos casos de animais intensamente explorados pelo ser humano.

Imagine uma criança que assiste ao intrépido Galinho Chicken Little, identificando-se com o personagem principal e torcendo por ele, para que vença seus desafios e termine feliz, como de praxe nas histórias.

Capa do filme "O Galinho Chicken Little"

É claro que a criança não pode e não deve se dar conta de que o mesmo “franguinho” por cuja felicidade torce tanto é o mesmo que ela come na hora do jantar com papai, mamãe e os irmãozinhos.

E por falar em frangos, há outros famosos no mundo dos comerciais, no supermercado e nos restaurantes, onde se podem ver os extrovertidos e joviais garotos-propaganda da Sadia – como já indicou a presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) Marly Winckler, no vídeo a Carne é Fraca – e o da Rede Frango Assado. Sempre de sorrisos enormes e amáveis. Parece que dizem: “venham me comer, isso é tão bacana!”

Aí está uma das raízes ou pelo menos uma boa ilustração da “esquizofrenia moral” contemporânea, como nomeia o professor de Direito nos EUA Gary Francione: Apesar de nós dizermos que cuidamos bem e somos amigos dos animais – e as histórias animadas nos deixam desde pequenos aliviados com esta impressão – a realidade do que o mundo humano faz de fato com eles é bem diferente. Literalmente, massacrante.

Foto de Pintos Morto
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