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Programa militar americano é acusado de explorar golfinhos e leões marinhos

Foto: Flickr
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No início desta semana, a mídia noticiou uma baleia beluga encontrada em um vilarejo norueguês usando um suporte desconhecido com as palavras “St. Petersburgo” escritas nele. A situação causou suspeitas de que o animal pudesse ter sido treinado pela marinha russa para espionagem ou até mesmo algum tipo de arma, embora sejam apenas hipóteses.

Especialistas afirmaram que o equipamento parecia ter sido montar uma câmera GoPro, e a baleia foi considerada mansa e amigável com as pessoas, sinais de que estaria acostumada ao convívio humano.

Cientistas noruegueses disseram à Associated Press que acreditam que a baleia foi “muito provavelmente” treinada pela “marinha russa em Murmansk (Rússia)”.

Apesar de tudo o que foi falado não ficou imediatamente claro o fim para o qual o mamífero estava sendo treinado ou se deveria fazer parte de qualquer atividade militar russa na região.

O governo russo não comentou sobre a baleia. O país não tem histórico de usar baleias para fins militares desde o fim da Guerra Fria, mas a União Soviética tinha um programa de treinamento completo para os golfinhos.

E a Rússia não está sozinha no uso de animais marinhos em operações e em conjunto com os militares.

Marinha americana e a exploração de golfinhos

Em um e-mail enviado ao site de notícias Global News, a Royal Canadian Navy (Marinha Real Canadense) confirmou que não treina animais marinhos ou marinhos. Mas a marinha americana já explorou golfinhos e leões marinhos desde a década de 1960 como parte de seu programa de mamíferos marinhos, que começou durante a Guerra Fria.

De acordo com seu site, a Marinha treinou seus “companheiros de equipe” (forma de chamar os golfinhos explorados) para detectar ameaças debaixo d’água.

Foto: AP Photo/Denis Poroy
Foto: AP Photo/Denis Poroy

Usando o sonar, os golfinhos podem detectar itens perigosos no fundo do oceano, como minas e outros “objetos potencialmente perigosos”, segundo o site da marinha americana.

Essas minas não são prontamente detectáveis pelo sonar eletrônico, mas os golfinhos podem encontrá-las facilmente.

Golfinhos e leões marinhos também podem mergulhar mais fundo e ver melhor do que os mergulhadores humanos. O repórter do New York Times, John Ismay, serviu anteriormente como oficial de eliminação de explosivos com a marinha dos EUA.

Ele disse que os golfinhos também foram treinados para encontrar mergulhadores inimigos que possam ameaçar as operações navais.

Ismay disse que os animais não são treinados ofensivamente.

“Sua missão é simplesmente encontrar e marcar as bombas e minas e depois sair da área o mais rápido possível; não há golfinhos armados”, disse ele ao Times.

Programa Encerrado

O programa de mamíferos marinhos da Marinha dos EUA tem recebido muitas críticas desde que foi descontinuido nos anos 90.

Em 2003, a ONG PETA e a Sociedade Mundial para a Proteção dos Animais (WSPA) se manifestaram contra o uso de golfinhos na Marinha, dizendo que os animais foram usados contra sua vontade e não foram tratados com humanidade.

Em 2017, um vídeo filmado por um ativista dos direitos animais mostrou golfinhos mantidos pela marinha dos EUA em um pequeno cercado sem espaço para nadar.

Na época, o Comando de Sistemas Espaciais e de Guerra Naval (SPAWAR) disse à CBS News: “Mantemos os mais altos padrões de atendimento para nossos mamíferos marinhos, excedendo em muito o que é exigido pelas regulamentações federais”.

Desrespeito e crueldade

Entre os animais com maior capacidade cognitiva na natureza, golfinhos são inteligentes e sociais, dignos de direitos e respeito como qualquer outra vida no planeta, seja marinha, terrestres, selvagem ou doméstica.

Animais são seres sencientes, evento comprovado cientificamente pela Declaração de Cambridge em 2012, capazes de sofrer, amar e compreender o mundo ao seu redor e qualquer tentativa de privá-los de sua liberdade ou explorá-los em tarefas para benefício humano é um atentato covarde a sua existência.

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Destaques, Notícias

Pentágono planeja explorar animais marinhos geneticamente modificados em programa de espionagem

Os militares norte-americanos possuem planos de criar organismos marinhos geneticamente modificados que possam ser usados como espiões subaquáticos para os militares. O braço de pesquisa do Pentágono, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), lançou um novo programa que visa explorar as “capacidades naturais de detecção” de animais marinhos para rastrear o tráfego de submarinos inimigos.

Foto: Lt. David Bennett / U.S. Navy

O projeto do Escritório de Tecnologias Biológicas da DARPA, denominado de programa Sensores Vivos Aquáticos Persistentes (PALS), pretende usar desde bactérias até peixes grandes para encontrar submarinos e registrar as reações naturais das criaturas aos veículos e enviar as informações para uma base externa.

Um comunicado de imprensa recente sobre o programa disse que iria “estudar organismos naturais e modificados (ênfase adicionada) para determinar quais poderiam oferecer um melhor apoio aos sistemas de sensores que detectam o movimento de veículos subaquáticos tripulados e não tripulados”.

“Além da onipresença, os sistemas de sensores construídos em torno de organismos vivos iriam oferecer uma série de vantagens em relação ao hardware. A vida marinha se adapta e responde ao seu ambiente, e se autoreproduz e se autossustenta. A evolução tem dado aos organismos marinhos a capacidade de sentir estímulos em vários domínios – tátil, elétrico, acústico, magnético, químico e óptico. Não é um obstáculo para os organismos que evoluíram caçar e escapar na escuridão”, afirma o comunicado, explicando o raciocínio do programa.

Atualmente, o programa busca propostas que ajudem a capturar as respostas dos organismos marinhos – tanto naturais quanto transgênicos – à presença de veículos subaquáticos, interpretar essas respostas e retransmiti-las para uma rede de dispositivos de hardware.

Embora o programa afirme que o uso de quaisquer organismos modificados exigiria “salvaguardas ambientais adequados para apoiar a implantação futura”, é altamente provável que um organismo marinho geneticamente modificado lançado no oceano esbarre em um organismo da mesma espécie  ou de uma semelhante cujos genes não foram alterados. Como os animais se reproduzem, isso aumentará o número de características geneticamente modificadas. Com o tempo, todo o oceano pode ser preenchido com criaturas geneticamente modificadas e isso pode resultar em enormes mudanças nos ecossistemas marinhos.

A DARPA alegou que criaria e testaria espécies modificadas somente em “instalações de biossegurança contidas”. Porém, como a revista VICE informa, “para realmente implantar espécies modificadas, as forças armadas teriam que libertá-las na natureza, onde elas poderiam expulsar ou extirpar espécies não modificadas”.

Outra preocupação com criaturas marinhas geneticamente modificadas é a possibilidade do consumo humano. Com a pesca e as capturas acidentais que ocorrem em todo o mundo, é inevitável que muitas pessoas acabem consumindo os animais transgênicos. Além disso, obrigar essas criaturas a atuarem como espiãs para os militares é extremamente cruel. Nenhum animal deve ser uma ferramenta para os humanos. Animais não devem ser tratados como objetos que podem ser alterados e usados devido às suas habilidades naturais. Eles devem ser valorizados pelo que são e por integrarem os ecossistemas oceânicos.

Conforme ressalta o Ecowatch, a DARPA precisa interromper o programa e investir seus recursos e habilidades em áreas tecnológicas mais benéficas. As repercussões de um programa como esse afetarão mais do que apenas os militares; isso prejudicará o oceano, seus animais e as pessoas que dependem dele.

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