Destaques, Notícias

Mais de 200 burros explorados em carroças de lixo são resgatados e levados a um santuário

Foto: Hoy Estadão
Foto: Hoy Estadão

O prefeito de um município mexicano está retirando das ruas mais de 200 burros que há anos são forçados a coletar toneladas de lixo todos os dias.

Na terça-feira (12), o prefeito Darwin Eslava anunciou um afastamento dos animais das carroças. A administração está implantando 40 novos caminhões para atender a cidade de Coacalco, um município localizado a uma hora da Cidade do México.

Durante anos, os trabalhadores do saneamento da cidade operaram uma variedade de carruagens e caixas de lixo colocadas no topo de eixos de quatro rodas, que eram puxadas pelas ruas pelos burros.

Foto: Hoy Estadão
Foto: Hoy Estadão

Os animais coletavam uma média de 280 toneladas de lixo em toda a cidade, que tem uma população aproximada de 500 mil pessoas.

A partir de 1º de dezembro, a frota de caminhões de lixo permitirá que o departamento de saneamento remova quase 480 toneladas de resíduos, informou o município.

O novo plano abrirá 400 novos empregos e os trabalhadores que operavam as “carruagens de lixo de burro” terão prioridade para participar das rodadas.

Foto: Cidade de Coacalco de Berriozábal
Foto: Cidade de Coacalco de Berriozábal

Um funcionário do governo disse ao Daily Mail na quinta-feira (14) que os burros serão submetidos a tratamento por veterinários e também receberão terapia.

Outro funcionário da prefeitura de Coacalco disse que os burros encontraram um novo lar com pelo menos outros 40 burros em um santuário chamado “Burrolândia” no México, o único na América Latina que protege o animal, segundo a agência mexicana La Prensa.

Foto: Burrolândia México A.C./Facebook
Foto: Burrolândia México A.C./Facebook

O abrigo sem fins lucrativos está localizado em Otumbo e abriga outros animais abusados que foram resgatados. O local foi inaugurado em 2006 para proteger uma população cada vez menor de burros no México.

Foto: Burrolândia México A.C./Facebook
Foto: Burrolândia México A.C./Facebook

No entanto, o diretor da Burrolândia disse ao Daily Mail que exigiria uma grande quantidade de apoio do governo de Coacalco.

“Vamos ver como podemos ajudá-los com o tratamento dos burros. Precisamos saber qual será seu destino final se não pudermos oferecer um novo lar para todos eles”, disse Raul Flores.

Direito à vida e à liberdade

Explorar e submeter animais à vontade humana para realização de qualquer atividade é um ato de crueldade e abuso. Seres sencientes, ou seja, capazes de sentir, sofrer, amar, compreender o mundo ao seu redor e dotados de consciência, esses animais indefesos são obrigados a carregar pesos imensos, sob o calor, a chuva ou o frio, muitas vezes à custa de sua saúde.

Chicoteados, privados de sua liberdade e condenados a uma vida de escravidão, esses burros muitas vezes morrem em pleno exercício das atividades as quais não podem escapar.

Foto: Burrolândia México A.C./Facebook
Foto: Burrolândia México A.C./Facebook

Burros não são seres inferiores que podem ser explorados pelo ser humano por sua docilidade e submissão, ao contrário disso, são vidas preciosas, companheiros de planeta que merecem respeito, amor e uma vida digna, livre e feliz.

Assim como todos os demais animais.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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Notícias

População dizimada: o triste fim dos elefantes do Laos

Foto: Frank Zeller / AFP Photo
Foto: Frank Zeller / AFP Photo

O elefante é um símbolo cultural no Laos. Isso se deve provavelmente ao fato de que em certa época, o país era conhecido por ter um grande número desses poderosos mamíferos vivendo em suas terras livres, tanto que antes de ser conhecido como Laos, as pessoas costumavam chamar partes do país Lan Xang (Terra de Um Milhão de Elefantes).

Hoje, tanto o governo quanto grupos de conservação acreditam que a enorme população de elefantes asiáticos que o país uma vez possuiu, agora diminuiu para cerca de 800 animais, onde 400 são elefantes selvagens e 400 estão em cativeiro; e até mesmo essas populações cada vez menores estão ameaçadas.

“Ambas as populações não são sustentáveis e na verdade estão em declínio. E os problemas que cada população enfrenta são completamente diferentes ”, disse Anabel López Pérez, bióloga da vida selvagem do Centro de Conservação dos Elefantes.

Os elefantes em cativeiro estão em risco, pois são alimentados com dietas pouco saudáveis, forçados a trabalhar em condições precárias nos campos de turismo de elefantes, ou se machucam e não recebem cuidados adequados.

Para completar, López disse que os tutores de elefantes não permitem que os animais se reproduzam em cativeiro, já que uma gravidez afetaria a capacidade de um elefante do sexo feminino de trabalhar por até quatro anos.

Enquanto isso, os elefantes machos são agressivos e tendem a ser mais imprevisíveis do que as fêmeas, devido às suas alterações hormonais. Assim, os detentores de elefantes não preferem usá-los para o trabalho.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A situação dos elefantes na natureza também não é muito melhor. Segundo López, a raiz dos perigos que os elefantes selvagens enfrentam no Laos advém do desmatamento, que é exacerbado pela demanda de madeira proveniente de países vizinhos como China e Vietnã. Especialistas dizem que o Laos, hoje, tem apenas cerca de 40% de cobertura florestal, em comparação com os 70% registrados na década de 1950.

O desmatamento no Laos levou à fragmentação de habitats e, como os elefantes não conseguem seguir seus padrões normais de migração, isso resulta em conflitos entre humanos e elefantes.

“Assim, os elefantes saem da floresta e encontram infraestruturas humanas e culturas locais. Eles comem tudo ao redor e às vezes quebram as instalações e comem as colheitas, e os moradores locais não estão muito satisfeitos com a situação”, disse López.

A caça ameaça populações domesticadas e selvagens. López revelou que a demanda por partes do corpo de elefantes continua a aumentar em países como a China e Mianmar, onde a pele de elefante e o marfim são usados na medicina tradicional.

Nem tão verde assim

No início do ano passado, o progresso das metas da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável para o Sudeste Asiático revelou resultados decepcionantes para o tema do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável que mede florestas e proteção florestal, restauração e uso sustentável.

No entanto, apesar da tendência regional, o Vietnã experimentou um ressurgimento da cobertura florestal nas últimas décadas, atingindo 48% a partir de 2017. O Vietnã atingiu sua cobertura mais baixa em 1990, 27% devido à conversão de terras florestais em fazendas e resquícios de reações a bombas e desfolhantes durante a Guerra do Vietnã. A melhoria foi atribuída ao movimento do governo em restringir a extração e processamento de madeira para exportação, atividades de reflorestamento e regeneração natural.

Alguns, no entanto, estão chamando o desempenho melhorado do Vietnã de enganoso, alcançado em detrimento de seus vizinhos, especificamente do Laos e do Camboja. Supostamente, o Vietnã deixou suas florestas intocadas enquanto exigia madeira de seus países vizinhos.

Se isso for verdade, também explicaria o desmatamento no Laos que, como mencionado anteriormente, é a maior ameaça para os elefantes que vivem em estado selvagem.

Seria injusto dizer que o governo do Laos não tentou enfrentar a questão da diminuição das populações de elefantes. Uma das iniciativas de sucesso do governo tem sido impor restrições rigorosas ao uso de elefantes para transportar madeira para a indústria madeireira.

Além disso, o governo do Laos também manteve uma relação saudável com o Centro de Conservação dos Elefantes, que está tentando reabilitar a população de elefantes do país. Fundado em 2010, o centro é o único parque de conservação do país.

No entanto, mais deve ser feito se o Lao quiser reviver suas, outrora fortes, populações de elefantes. Considerando o pequeno número deixado, o tempo é certamente da essência do sucesso.

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Colunistas, Eco Animal

A abolição da escravatura "moderna"

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Alguns anos antes da abolição da escravatura no Brasil em 1888, conforme o ambiente social e contexto histórico, muitas pessoas talvez se chocassem e até achassem um absurdo alguém propor o fim da escravidão dos negros, o fim das senzalas, dos quilombos, do pelourinho e defender que a cor da pele não servisse de motivo para que seres sensíveis não tivessem direitos, fossem desrespeitados e feridos em sua dignidade.

Hoje, em pleno século XXI o caminho que está sendo percorrido para a abolição da escravatura animal passa pelo mesmo discurso teórico e embasamento moral. Tal como o racismo ou o sexismo, o especismo (preconceito contra espécie) tem a mesma matriz discriminatória, pois procura minimizar os interesses semelhantes e vontades de uns baseando-se em aspectos irrelevantes como a aparência e formatação física. Melhor não pensar que os animais sentem e sofrem já que é conveniente aos humanos permanecerem em sua zona de conforto, usando e abusando cruelmente de seres indefesos transformados em produtos e objetos de consumo.

Hoje animais/mercadorias/escravizadas movimentam a economia brasileira e mundial assim como humanos/mercadorias/negros movimentavam no passado a economia colonial e o comércio internacional. Peças humanas e animais transformados em números e cifrões, pouco importando se os gemidos e a angústia que provinham ontem das masmorras e das senzalas hoje vem das granjas e dos galpões.

Mas o mundo está mudando e não é a toa que depois da Declaração de Cambridge sobre a Consciência Humana Animal, em 2013 em que renomados cientistas de cinco áreas da Neurociência atestaram a senciência dos animais, alguns países começaram a alterar o estatuto jurídico destes, transformando os mesmos em sujeitos de direitos e não mais apenas em seres moventes vinculados à posse ou propriedade humana.
Nesse sentido é que estamos propondo o fim dos “pelourinhos” e das “senzalas” modernas, representados hoje pelos matadouros, pelas granjas ou por qualquer espaço ou forma que submeta seres sensíveis e inteligentes à prisão, à crueldade e à perda do bem maior que possuem: a VIDA.

Diferente do passado, agora a “Lei Áurea” acontece de modo singular, quando alguém decide não mais consumir e contribuir com os produtos e meios desse sistema escravocrata! Nesse momento ele se torna um abolicionista!

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Notícias

Chimpanzés experimentam a liberdade após anos atrás das grades

(da Redação)

Segundo o site The Dodo, um grupo de mais de 100 chimpanzés finalmente chegou ao seu novo lar no Chimp Sanctuary depois de uma vida como cobaias em gaiolas apertadas no Centro de Pesquisas de New Iberia, na Louisiana (EUA).

Sua chegada eleva a população de chimpanzés do santuário (também localizada em Louisiana) para 212. Agora, há cerca de 760 chimpanzés de pesquisa restantes em laboratórios nos Estados Unidos, cerca de metade deles de propriedade do governo federal.

A aposentadoria dos chimpanzés foi resultado de uma investigação de 2009 do centro de investigação que revelou condições preocupantes para os animais, como ferimentos, isolamento e tortura psicológica.

Agora, os animais estão vivendo sua aposentadoria feliz. Aqui estão algumas fotos tocantes dos chimpanzés no santuário, cortesia da The Humane Society dos Estados Unidos:

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Notícias

A sexta 13, o gato preto e a manga

Por Marli Delucca  (da Redação)

O calendário é um sistema para contagem e agrupamento de dias que visa atender, principalmente, às necessidades civis e religiosas de uma cultura.

A religião foi a precursora do mito de azar da sexta-feira 13, devido ser atribuída a esta data a crucificação de Jesus Cristo.

Mas se você acha que algo diferente pode acontecer nessa data, prepare-se pois em 2012, teremos três sextas-feiras 13. Qualquer mês que comece num domingo irá conter uma sexta-feira 13.

A maioria das civilizações fundamentava suas crenças em deuses oriundos da própria natureza, como os celtas que entendiam que a terra comporta-se como um autêntico ser vivo. Também tinham conhecimentos de como viver em harmonia com o planeta, da importância de manterem a terra sadia – assim sendo evitavam mutilá-la inutilmente – e até mesmo da importância de tratá-la.

Também os primeiros egípcios tinham uma atitude de respeito em relação aos fenômenos da natureza- o Sol, a Lua, e às características marcantes dos animais – a ferocidade do leão, a força do crocodilo, etc. As primeiras divindades que surgiram eram quase sempre representadas sob a forma de um animal. E como cada povoado tinha seu próprio deus, e que era frequentemente associado a umanimal da região, com atribuições e poderes diferentes.

E foi ali no Egito que o culto a Deusa Bastet surgiu

Bastet, ou  Ailuros (palavra grega para “gato”) é na mitologia uma divindade solar e deusa da fertilidade, além de protetora das mulheres grávidas. Era representada como uma mulher com cabeça de gato, e um cesto onde colocava as crias. Nos seus templos foram criados gatos que eram considerados como encarnação da deusa e que eram por essa razão tratados da melhor maneira possível. Quando estes animais morriam eram mumificados, sendo enterrados em locais reservados para eles.

Mas como toda crença aproveita algum dado para que possa ser assimilada e considerada verdadeira por muitos anos, a associação do gato ao culto da fertilidade, não foi em vão.

Os gatos  salvaram os egípcios da fome e de doenças. Por respeitarem os ciclos naturais das enchentes do Rio Nilo, que na verdade adubavam suas plantações, tinham uma enorme safra de colheita de grãos armazenada. Mas nos tempos antigos armazenar grãos era um chamariz para roedores, que não só devoravam tudo, como se multiplicavam ainda mais. A única forma de combate aos roedores eram os gatos, que não são só venerados e cuidados como deuses vivos, como também era crime punido com pena de morte levar qualquer gato para fora do país. Dessa forma, as outras nações não teriam como combater os roedores, e sem grãos, se submeteriam as imposições e aos valores que o Egito quisesse para lhes vender.

O avanço do império romano sobre as outras civilizações, podiam com o uso de armas até lhe tirar as terras, mas para dispor da mente desses povos, os romanos começaram por denegrir alguns de seus costumes.

A imagem dos gatos associados à Deusa Bastet, que era toda adornada de ouro e pintada de preto, para dar mais ênfase à associação de riqueza e de fertilidade, foi deturpada pelo romanos que passaram a caçar e matar os gatos pretos na tentativa de acabar com o culto à Deusa.

O Papa Gregório IX afirmava na bula Vox in Roma que o diabólico gato preto, “cor do mal e da vergonha”, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens.

Como também o povo celta possuía muitos conhecimentos da natureza, pois viviam nas florestas, todos conheciam o poder curativo das plantas. Para acabar com a resistência dos celtas ao catolicismo, a Igreja Católica pregava que os sacerdotes druidas eram bruxos. Como os druidas viviam isolados e rodeados por muitos gatos, a Igreja começou a associar os gatos às trevas, devido aos seus hábitos noturnos, pois eles plantavam de dia e se reuniam à noite, e afirmava terem parte com o demônio, principalmente os de cor preta. Milhares de pessoas foram obrigadas a confessar, sob tortura, que haviam venerado o demônio em forma de gato preto, sendo logo depois, condenadas à morte.

A Igreja Católica foi a maior perseguidora de gatos da história, e na Idade Média, travou uma dura e longa cruzada contra os gatos e os seus admiradores. No ano 1232, o Papa Gregório IX fundou a Santa Inquisição, que atuou barbaramente durante seis séculos, torturando e executando, principalmente na fogueira, mais de um milhão de pessoas, sobretudo mulheres, homossexuais, hereges, judeus e muçulmanos. Igualmente médicos, cientistas e intelectuais, e também os gatos, “ad majorem gloriam Dei”.

A mesma perseguição foi realizada no Século XV, contra os povos, adoradores de uma outra divindade a Deusa Freya, sendo que a Igreja considerava o seu culto um ato de heresia, associando-o à adoração de maus espíritos. Foram destruídas imagens da Deusa e mulheres que tinham gatos foram torturadas e queimadas vivas. Os gatos, que eram protegidos pela Deusa Freya, foram acusados de serem demoníacos, capturados, enforcados, e jogados nas fogueiras da Santa Inquisição.

A tradição mágica e outras habilidades naturais sobreviviam em alguns locais, durante a Idade Média, mas eram não-oficiais e eficazmente perseguidas pela Igreja, cuja religião monoteísta tornar-se-ia um instrumento institucionalizado do Estado. A magia tornou-se uma atividade suprimida simplesmente porque os sacerdotes da Igreja não eram adeptos da mesma, e também por não quererem correr o risco de que alguém pudesse sobrepujar as suas habilidades limitadas, e o fato de serem considerados a via única para Deus. Desta forma, tudo o que a Igreja considerava “não ideal”, seria identificado na forma de várias imagens do mal.

Dali até a Idade Média, Roma também continuou sua perseguição aos gatos pretos (poupando os gatos de outras cores que eram necessários para combater os roedores), e ao longo dos anos, enraizou na mentalidade das pessoas a crendice das bruxas e dos gatos pretos e aproveitando-se de novos conhecimentos de gênios da época como Nostradamus e Galileu Galilei, foi reforçando o mito em torno do número 13, recontando a história da última ceia, onde Judas traiu Cristo por estarem em 13 pessoas a mesa.

Hoje, resumindo ao máximo, mitos criados há mais de 2000 mil anos e perpetrados na metade destes, parece inconcebível que as pessoas se deixassem levar por essas alegações, e passassem a acreditar e viver suas vidas com base nessas superstições.

Em especial porque segundo a lógica, a feroz perseguição aos gatos incitada pela Roma, dizimando quase por completo a população europeia destes animais no Século XIV, contribuiu decisivamente para a multiplicação de ratos, que eram portadores da Peste Bubónica. A terrível consequência disso foi a proliferação da Peste Negra (Peste Bubónica), que dizimou um terço da população europeia (de 1347 a 1350).

Talvez com o advento da internet, e a facilidade na obtenção das informações, as pessoas comecem a repensar seus hábitos que foram passados de geração em geração há milênios, com base não em crenças que aprimoram e aproximam o ser humano de sua essência e da natureza, que por mais que muitos não queriam admitir tem o seu lado divino. Tem a sua beleza, os seus mistérios e as suas intempéries.

E que somente há 200 anos atrás, os senhores de engenho do Brasil conseguiram fazer com que os escravos se alimentassem menos, somente dizendo a eles que Manga com leite, fazia mal à saúde. Do leite, eram feitos a manteiga e os queijos. Como os escravos gostavam de mangas e as comiam abundantemente, os feitores espalhavam que manga com leite era veneno. Para confirmar a história chegavam ao ponto de envenenar o escravo que comia manga e bebia leite. Tudo isso em função de poupar o leite para a casa grande.

Mas, da mesma forma que o mito do azar, e do veneno, ainda hoje impera na memória de algumas pessoas, temos pelo menos muito mais formas de difundir a realidade e a verdade para elas.

Se mesmo assim você for uma dessas pessoas com medo de sexta-feira 13, saiba que isso tem nome. O medo específico (fobia) da sexta-feira 13, é chamado de parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia. E triscaidecafobia é um medo irracional e incomum do número 13.


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Notícias

Petição pede o fim da exploração de golfinhos em Las Vegas

Por Helena Terra  (da Redação)

Na foto, um dos golfinhos confinados para apresentação do espetáculo (Foto: Clint Karlsen)

Uma petição foi criada pela ativista Barabara Nápoles e tem como alvo o governador do estado de Nevada, nos EUA, James Murren. De acordo com a Animals Change, a petição pretende defender os golfinhos da condição de exploração a que são submetidos para apresentação de um espetáculo intitulado de “O Jardim Secreto e Habitat de Golfinhos de Siegfried e Roy”, localizado no hotel Mirage e pertencente à rede MGM Grand International.

Organizações como a Born Free USA e a WSPA condenaram este local pelo fato de objetivar o lucro às custas do sofrimento e da exploração de animais. As organizações a chamam de “piscina da morte de golfinhos”.

Embora a instituição responsável pelas apresentações alegue  ser um órgão “educacional e de pesquisa”, os golfinhos são obrigados a fazer truques como virar, pular, andar com a nadadeira e pular sobre uma plataforma diante de um público pagante.

Estes não são comportamentos naturais de um golfinho. Este comportamento é obtido mediante treinamento forçado.

Esses espetáculos têm sido uma verdadeira sentença de morte para muitos golfinhos tanto selvagens quanto nascidos em cativeiro.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional possui dados dos golfinhos do Mirage e a causa de sua morte. Veja no quadro abaixo uma lista de todos os golfinhos que morreram no Mirage desde sua abertura em 1990:

* Rascal – idade 4 – morte desconhecida
* Pablo – idade 10 – fungo em seus pulmões
* Darla – idade 18 – pancreatite crônica
* Squirt – idade 15 – problemas respiratorios
* Picabo – idade18 – morreu de repente de um rompimento estomacal
* Bugsy – idade 3 – abscesso pulmonar
* (sem nome) – natimorto
*(sem nome) – 2 semanas – edema pulmonar
* Sigma – idade 32 – parada cardíaca
* Banjo – idade 32 – parada cardíaca
* Merlin – idade 40 (estimada) –pneumonia
* Sage – idade 11 – morte desconhecida
* St. Pepper – idade 2 – infecção nos pulmões

Para mais detalhes sobre a petição, acesse aqui.

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Cronicato – Animais e Outros Bichos

Tô virado!

Espírito de porco é? Tiraram essa infeliz expressão de onde? Ah, você não sabe? Tiraram da época em que escravizavam a eles mesmos, homens, apenas porque uns tinham cor de pele diferente. Eles queriam que seus escravos nos executassem. Porém, com medo de que nosso espírito pudesse atormentá-los, os pobres coitados se negavam a nos matar. Mas é óbvio que tinha quem fizesse o serviço. E tem até hoje. O homem vem, pega a gente de pequenininho, confina num lugar imundo, nos engorda com um monte de porcarias, depois nos executa com uma punhalada no coração, pendura para sangrar etc. etc. etc. – que eu não vou continuar para não fazer você vomitar –, e ainda tem a petulância de associar nosso nome a gente ruim… Pois saiba que espírito de porco é espírito guerreiro, meu amigo. Espírito de animal tão inteligente e generoso quanto os cães, que os humanos tanto gostam de ostentar. Os de raça, né. Olha, eu estou virado hoje. Dá licença.

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Tao do Bicho

Anima nobili x Anima vili: nós, os senhores do universo e os outros animais, nossos escravos…

Diversos autores1 têm demonstrado, de forma contundente, como são problemáticos os dados provenientes da vivissecção – a realização de operações ou estudos em animais vivos para a observação de determinados fenômenos. Sob o ponto de vista ético a vivissecção é ainda mais insustentável, embora seus praticantes insistam em defendê-la se valendo de argumentos que, em maior ou menor grau, são improcedentes2. O mais comum e tosco deles – repetido ad nauseam – geralmente se expressa na famosa pergunta: – se não testarmos em animais testaremos em pessoas, ou em criancinhas? (como se não existissem alternativas ou métodos substitutivos e como se os seres humanos não fizessem parte de etapa alguma da pesquisa, entre outras considerações).

Muito citado também é o argumento de que não há problema em usar animais em pesquisas, desde que eles tenham sido criados em biotérios para isso. A fragilidade de tal linha de argumentação é óbvia. Se a questão fosse reproduzir a vida – e não retirar da natureza, ou apanhar nas ruas –  poderíamos ter biotérios para criar seres humanos para o mesmo fim: o de realizar experimentos.  A questão aqui é outra, está claro. O que os vivisseccionistas querem dizer com tal alegação é que não estão levando nenhuma espécie à extinção, o que desvela mais uma vez a racionalidade instrumental e o antropocentrismo que dominam suas visões de mundo. Em outras palavras, não está em jogo o valor da vida de tais seres sencientes, mas o quanto a saúde da biosfera – para proveito do ser humano, bem entendido – será teoricamente afetada ou não.

Outro argumento – aparentemente mais refinado, mas que carece de coerência interna – diz respeito à necessidade que se tem de estudar os chamados “sistemas intactos”, o que só é possível em  organismos vivos pois  as técnicas substitutivas não dão conta de tal empreitada. Nesse caso é no mínimo curioso pensar que um argumento de cunho sistêmico (precisamos da visão do todo, nos dizem eles) supostamente dê sustentação a uma prática mecanicista e reducionista  (como se os erros advindos da extrapolação de dados obtidos em sistemas intactos totalmente inadequados – os animais não humanos – pudessem ser compensados por um suposto ganho em termos de visão do todo).

In anima nobili?

Entretanto, a maior das “pérolas” na argumentação pró-vivisseccionismo é a menção das expressões in anima nobili e in anima vili para se referir aos estudos e/ou experimentos em seres humanos ou animais não humanos respectivamente. Considero fato da maior gravidade que membros da comunidade científica ainda façam uso de tal dicotomia antediluviana, que nada tem de científica, já que se baseia essencialmente num dogma criacionista. Tais expressões, que corporificam uma velha ordem há muito ultrapassada pelos mais recentes estudos em etologia e diversas outras ciências (vejam o magnífico trabalho de Jane Goodall, por exemplo), se constituem numa das mais nocivas formas de especismo pois  trazem em seu bojo uma orientação fundamentalista, baseada em pré-noções e preconceitos que refletem a crença na supremacia do Homo sapiens sobre o resto da criação (sic)3.

Nunca foi tão difícil responder à pergunta do filósofo utilitarista Jeremy Bentham: “o que mais deveria traçar a linha insuperável (entre nós e os animais não humanos)?” Já não é possível dizer que os animais não têm uma linguagem; que não utilizam instrumentos e ferramentas; que não sejam capazes de algum grau de abstração em termos de pensamento; que não sintam dor ou medo e que não experimentem emoções; ou que não saibam cuidar de si próprios.

Evidências inequívocas de que os animais não humanos são muito mais do que meros autômatos – como postula a visão cartesiana e especista que domina nossa cultura – podem ser encontradas em estudos acerca do conhecimento dos animais sobre plantas e práticas medicinais. Como argumenta Engel4, num primoroso artigo sobre automedicação por parte dos animais, “as provas de que os animais gerenciam ativamente sua saúde contrastam substancialmente com a visão dominante de que eles suportam passivamente a ação devastadora de organismos patogênicos, venenos e ferimentos, e dependem exclusivamente de respostas do seu próprio sistema imune (ou da ajuda dos humanos)”. A automedicação por parte dos animais deve, portanto, ser vista como uma parte integrante da dinâmica ecológica da qual fazemos parte e que expressa um continuum entre nós – Homo sapiens – e a biosfera como um todo.

Quem é o animal vil?

Como podem, então, aqueles que se dizem cientistas, se valer de um expediente tão dicotômico e contrário às mais recentes evidências de que é tênue, em muitos sentidos, a linha que nos separa do “resto” do reino animal? As possíveis respostas para essa pergunta não são nada animadoras. Visões estreitas por parte dos pesquisadores, fruto da fragmentação do conhecimento e do diálogo pobre entre diferentes tradições de pesquisa? Com certeza essa é uma das causas, talvez a mais inocente. Tendência em se apegar ao que está sob seu domínio, permanecendo numa espécie de “movimento retilíneo uniforme”, por medo do desconhecido? É possível.

Mas a experimentação animal alimenta cadeias produtivas altamente lucrativas que envolvem a construção e instalação de estruturas laboratoriais, fabricantes de gaiolas, aparelhos de contenção, fornecedores de animais, fundações de pesquisa que captam e gerenciam fundos, além de remuneração dos  cientistas, dos que trabalham nos biotérios etc. E há a bilionária indústria farmacêutica que não se cansa de colocar novos medicamentos a todo instante no mercado, a despeito dos males que possam causar e a despeito de sua real necessidade (veja, por exemplo, “Os vendedores de doenças” no site Le Monde diplomatique – Brasil; ou acessem http://diplo.uol.com.br/2006-05,a1302).

Os experimentos com animais rendem ainda muitos outros frutos. Os doutores Jean e Ray Greek comentam que há um ditado cínico, mas verdadeiro,  que diz que “um rato é um animal que, quando injetado, produz um artigo”. A frenética busca pela produtividade – esse traço distintivo da sociedade industrial também presente em nossas instituições de ensino superior – provocou o surgimento de hordas de jornais e revistas científicas cujos editores e membros dos conselhos editoriais são também, em sua maioria, vivisseccionistas. “Tanto a revisão de artigos científicos, quanto a aprovação de projetos acadêmicos ou instituições de pesquisa, são feitos na base da troca de favores entre amigos. E tudo é aprovado. De fato, é muito mais fácil e cômodo trabalhar com animais. Após um fim de semana comum, ou até um longo período de férias, os animais estarão lá, em suas jaulas e gaiolas, esperando o pesquisador. A pesquisa clínica é muito mais cheia de dificuldades. Os seres humanos podem ser desonestos em suas respostas, podem estar indisponíveis quando mais se precisa deles e podem ser pessoas desagradáveis ou até viver em ambientes perigosos (como viciados em drogas etc.), expondo o pesquisador a todas essas situações, destacam os Greek. Os experimentos com animais também tomam muito menos tempo – com relação aos estudos clínicos – para a publicação de artigos. Enquanto um pesquisador clínico publica um trabalho, um vivisseccionista publica, em média, cinco. Além disso, estes últimos são muito mais agraciados com financiamento do que outras modalidades de pesquisa. Entre 1977 e 1987 apenas 7,4% da receita do NIH (National Institute of Health)  foi destinada a pesquisas baseadas na observação de pacientes, e em 1994, o Instituto Nacional do Câncer (uma divisão do NIH) destinou apenas 1% para pesquisas clínicas” (Greek & Greek, 2000). Não se sabe ao certo o quanto da verba do NIH vai para a pesquisa baseada em modelos animais. Calcula-se entre 30% e 70%. Mas, independentemente disso, as universidades faturam milhões a cada ano. E o fato é que o NIH banca muito pouco as pesquisas clínicas baseadas em pacientes (Greek & Greek, 2003).

Ainda segundo Greek & Greek (2003), “nos anos 1990 as companhias farmacêuticas pressionaram o governo norte-americano para agilizar a liberação de drogas no mercado. A pressão aconteceu sob a forma de lobbies e contribuições para campanhas políticas. E o governo cedeu. Em 1988 a FDA (Food and Drug Administration) aprovava apenas 4% das novas drogas introduzidas no mercado. Em 1998 a aprovação das ‘primeiras no mercado’ chegou à marca de 66%. Não é preciso duvidar do poder político que exerce o ramo farmacêutico, uma indústria de 100 bilhões de dólares. Nos últimos dez anos as companhias de drogas destinaram, sob a forma de contribuições, 44 milhões de dólares para os principais candidatos e partidos políticos nos EUA. Isso significa que a FDA é efetivamente financiada pelo bloco farmacêutico”.

Advogar em causa própria não combina com uma “alma nobre”

Seja por motivos de ordem pessoal, ou de natureza pretensamente altruísta (como é o caso da criação da maior parte dos novos fármacos), os cientistas que são a favor da vivissecção estão advogando em causa própria porque estão sendo, no mínimo, especistas. Enquanto são realizados acalorados debates e envidados esforços gigantescos, muito válidos, é claro, para encontrar alternativas ao uso de células-tronco embrionárias – pois a vida humana é considerada sagrada, mesmo que ela se resuma a um punhado de células – permite-se que seres sencientes como cães, gatos, primatas etc. sofram toda sorte de abusos em laboratórios para supostamente beneficiar os animais humanos. E tudo porque são rotulados como anima vili.

Todas as evidências – tanto de ordem ética, quanto científica – apontam na direção de abolir de vez os experimentos in anima vili (sic). Mas, infelizmente, como na fábula de La Fontaine intitulada “O lobo e o cordeiro”, o lado mais forte sempre encontra uma forma de oprimir os indefesos e inocentes e exercer sua truculência em proveito próprio.

Notas:

(1) Veja, por exemplo:
ARCHIBALD, Kathy. Animal testing: science or fiction? The Ecologist, maio. 2005: 14-17.
BARNARD, Neal & KAUFMAN, Stephen. Animal research is wasteful and misleading. Scientific American, fev. 1997. 80-82.
GREEK, Ray C.& GREEK, Jean S. Sacred cows and golden geese – the human cost of experiments on animals. Foreword by Jane Goodall. New York/London: Continuum, 2000.
GREEK, Ray & GREEK, Jean. Specious Science: How Genetics and Evolution Reveal Why Medical Research on Animals Harms Humans. London, New York: Continuum, 2003.
LaFOLLETTE, Hugh & SHANKS, Niall. Brute Science: Dilemmas of Animal Experimentation. London: Routledge, 1996.

(2) No que tange às questões de ordem ética existe uma rica e extensa bibliografia onde se destacam autores como Peter Singer, Tom Regan e Gary Francione, por exemplo.

(3) Não é difícil compreender que atrelado a esse especismo venha, a reboque, uma ética de destruição das condições de vida no planeta.

(4)  ENGEL, Cindy. Heal Thyself. The Ecologist 32 (3), abril de 2002: 34-38.

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Joaquim Nabuco e a escravidão no Brasil

Por Heron José de Santana

Para Joaquim Nabuco, a escravidão provocou profundas feridas na nacionalidade brasileira, deixando sequelas que até hoje refletem em nossa ordem econômica, política e cultural.

Vindos da metrópole, prisioneiros, deserdados, “mulheres erradas”  e tudo mais de ruim que por lá havia chegaram por aqui sem nenhum projeto deliberado de construir uma nação.

A exploração sexual das negras e das índias não contribuiu em nada para a criação de uma “família ou nação brasileira”, uma vez que os filhos dessas relações não integravam a família, e muitas vezes eram vendidos pelos próprios pais como escravos. 

Explorado, não remunerado e afastado arbitrariamente de sua família, o escravo trabalhava sem empenho ou criatividade, usando a terra em regime de monocultura apenas para a satisfação imediata dos escravocratas, extenuando-a e não permitindo a sua recuperação.

Após desmatar e exaurir a terra, o escravocrata migrava para terras cada vez mais distantes para evitar a fuga dos cativos, enquanto o lucro e as riquezas conquistadas por meio do trabalho escravo iam ser gastos nas capitais e exterior.

É que a escravidão criou três categorias no Brasil: os não brasileiros (escravos), os semibrasileiros (filhos do senhor com as escravas e os filhos dos próprios mestiços) e os brasileiros (descendentes diretos dos portugueses), e este talvez seja o principal fator impeditivo do desenvolvimento de um ideal coletivo de nação e de uma identidade nacional.

Se o conceito de nação em alguns países está relacionado à raça, religião ou território, em um país escravagista como o nosso restou apenas um fosso de desigualdade e anomia social, já que até hoje grande parte da população permanece desprovida de educação, ostentando índices vergonhosos de desenvolvimento humano.

Além da família, o regime escravocata desvalorizou outro elemento muito  importante para o desenvolvimento de uma nacionalidade: o instituto do trabalho, que no Brasil ficou associado aos conceitos de opressão e exploração.

De fato, o escravo trabalhava sem liberdade ou qualquer perspectiva de crescimento, enquanto o escravocata vivia do trabalho alheio, ao passo que os mestiços também desvalorizavam o trabalho e preferiam viver de favores, uma vez que o trabalho podia associá-los aos escravos.

Não tivesse o Brasil permanecido atado durante mais de quatro séculos ao instituto da escravidão, uma mão de obra livre e assalariada já teria ultrapassado, há muito tempo, o modelo de monocultura de exportação e desenvolvido os setores secundário e terciário da nossa economia, especialmente no Norte e Nordeste brasileiros.

Infelizmente, como herança maldita, a escravidão nos legou elevados índices de violência, corrupção, clientelismo, nepotismo, coronelismo e individualismo, e como consequência disso tudo a adulação e o servilismo se tornaram a principal moeda de troca social, estabelecendo enormes barreiras à ascensão social da população por meio do esforço e mérito próprios.

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Ética e ciência: sobre o uso de animais

É certo que a ética está presente na ciência, mas que tipo de ética e para qual tipo de ciência? Sabemos que uma prática não se justifica eticamente apenas por ser “cientificamente necessária” ou sancionada por comitês de regulamentação. Nenhuma autoridade tem a palavra final sobre o que é ético. É preciso perguntar, para além da ética, que tipo de ciência nós queremos.

Por certo nenhum dono de escravos era a favor dos maus tratos aos escravos. Para os gregos antigos, matar ou tratar mal os escravos era imoral. Escravos são ferramentas, mas merecem respeito, pois a aristocracia grega dependia deles. Seria desperdício fazê-los sofrer sem um bom motivo. Porém, os benefícios que o sistema escravista trouxe à sociedade, por maiores que fossem (talvez nem existissem cidades sem escravos), não se justificam eticamente. O argumento anti-especista cai na mesma categoria.

O fato de que cientistas são pessoas sérias e cultas também não justifica nada. Donos de escravos também eram as pessoas mais cultas da época, também tinham uma “formação ética impecável” e eram bastante religiosos. O fato é que o anti-especismo questiona valores centrais de nossa sociedade, e não busca apenas uma reforma. Estes valores também determinam o que será considerado aceitável ou não.

Também não se trata de um conflito entre cientistas e leigos. Não são apenas leigos que se opõem à experimentação animal, mas biólogos, médicos, filósofos e cientistas. Mais do que ética na ciência, é preciso ir além da ética para compreender o problema.

Esta questão realmente envolve mitos e sentimentos. Um desses mitos é o progresso civilizatório. Podemos questionar até que ponto a saúde realmente melhorou para toda humanidade e não apenas para a parte mais privilegiada dela. A maior parte de nossas doenças são típicas da civilização. O risco de epidemias cresce a cada ano. Culturas sem tecnologia “avançada” também conseguem manter a saúde dos seus membros.

Nada justifica o escravismo, independente de que espécie seja. Quando uma pessoa diz que é justificável usar não-humanos porque de outra forma teríamos que usar humanos, ela está apenas colocando os homens acima das demais espécies, e nesse sentido não há diferença alguma entre especistas e nazistas.

O fato de dependermos cada vez mais de devastação natural é apenas uma das conseqüências desastrosas de nossa cultura de acúmulo e expansão, baseada no escravismo.

Para anti-especistas, especismo é eticamente equivalente a nazismo, e por isso elas continuarão se opondo até que se prove o contrário.

Muitos médicos ainda se mostram 100% comprometidos com o que é “cientificamente válido”, como se isso fosse inquestionável, e por isso seu discurso não é realmente ético, porque é uma “ética” submissa ao discurso científico.

Já é difícil falar de argumento ético e especismo, mais difícil ainda é se mover para além dele, em busca de alternativas.

Em resumo, que ciência é essa que necessita de escravidão? Precisamos mesmo deste tipo de ciência? E ainda que a atual sociedade dependa dela, precisamos mesmo de uma sociedade escravista?

 

   
Janos Biro :Bacharel em filosofia e pós-graduando em teologia.

Fonte:Pensata Animal

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Abolicionismo: vanguarda utópica ou futurista?

Desde que as primeiras civilizações vicejaram sobre a Terra, indivíduos, grupos, povos e até etnias inteiras são vítimas de agressões violentas, humilhações, explorações e escravizações. Pérsia, Grécia, Índia, China… Mesmo as aparentemente iluminadas civilizações antigas mantiveram, em algum momento, regimes escravocratas, divisão por castas e outros tipos de exploração sistemática de seres humanos. Até tribos indígenas rudimentares do Brasil pré-descobrimento tinham o costume de raptar e escravizar membros de tribos rivais, o que denota que o hábito sequer se restringe às chamadas grandes civilizações.

Na época das grandes navegações e da expansão do mundo conhecido, a economia mundial era praticamente movida sobre as sangrentas rodas e engrenagens de regimes autoritários, monárquicos e escravocratas. Com o tempo – e o advento do capitalismo primitivo –, esses regimes entraram em declínio e, conseqüentemente, para evitar o colapso total do sistema, se viram obrigados a mudar as regras do jogo. Começaram, um a um, a abolir (ou seria abdicar?) o uso de trabalho escravo, entre outras medidas.

Embora muitos pensem que essas atitudes libertárias tenham sido desencadeadas pelos novos paradigmas iluministas e positivistas, ou por grandes levantes liderados por idealistas abolicionistas que forjaram, na marra, a libertação maciça de escravos, a nada romântica realidade é que os senhores de escravos vislumbraram promissoras vantagens econômicas em se desfazer daqueles trabalhadores – cuja subsistência dependia totalmente dos “donos” –, e substituí-los por outros bem mais baratos: assalariados, que davam o sangue com muito mais boa vontade e a custos muito menores.

Apesar disso, quase 150 anos depois da abolição, o Brasil continua sendo palco de notícias sobre trabalhadores encontrados em regime de escravidão ou semi-escravidão, nas barbas do poder público e às vistas da mídia onipresente, à taxa média, juram as estatísticas, de 25 mil novos escravos por ano!

No mundo todo, estima-se que existam 40 milhões de trabalhadores escravizados, 8 milhões de crianças tratadas como mercadoria e de 4 a 5 milhões de mulheres em situação de servidão sexual.

Também se fala em cerca de meio bilhão de pessoas maltratadas e impiedosamente exploradas em campos de mineração, estivas portuárias, latifúndios em áreas remotas, indústrias pesadas e etc, recebendo remunerações tão espantosamente baixas que chegam a soar improváveis quando trazidas à luz de reflexões sociológicas.

Sem contar a infinidade de mulheres acintosamente humilhadas – muitas das quais mutiladas! –, obrigadas a se submeter a tradições e leis machistas, preponderantes no oriente médio, na áfrica e em tantos outros lugares.

Os casos de violência doméstica, no mundo, contra crianças, mulheres, deficientes e idosos, são tão numerosos que carecem de estatísticas confiáveis. Podem beirar dois bilhões de ocorrências diárias! 
O ser humano – assim parece –, por definição, explora. Pai explora filho, marido explora esposa, neto explora avô, irmão explora irmão, patrão explora funcionário, fortes exploram fracos, poucos exploram muitos, corporações exploram milhares, igrejas exploram milhões, tiranias e etnias exploram bilhões…

Daí o monumental obstáculo que emperra a eficiência do movimento pelo abolicionismo animal: agindo junto a uma sociedade de humanos que histórica, diária, sistemática e inevitavelmente exploram impiedosamente uns aos outros, torna-se humanamente impossível lhes inocular a noção de que não é razoável abusar dos outros animais.

Em outras palavras, como sugerir o uso do senso ético a uma sociedade que sequer veio com esse software instalado?

Assim sendo, como, em sã consciência, pode um ativista do direito animal pregar o abolicionismo total e irrestrito e não se abalar diante dos pálidos resultados dessa luta inglória? O desafio, hercúleo, é tamanho que se torna quase uma missão mítica, utópica, profética… Tende a virar questão de fé e acaba assumindo ares de religião, com direito inclusive a seus dogmas, tabus e estigmas.

Um dos maiores problemas que a dogmatização do abolicionismo acarreta, para a própria causa que defende, é a pressão contrária que muitos de seus adeptos freqüentemente exercem sobre uma corrente diversa de defesa dos direitos animais, que chamam – em geral, pejorativamente – de bem-estarismo. Para o pensamento abolicionista mais ortodoxo, o bem-estarismo traria prejuízos incalculáveis à “verdadeira” causa do direito animal, por lutar “apenas” por melhorias nas condições de criação, tratamento e abate dos bichos. “Ora”, afirma-se com fervor, “se o mundo todo adotar o bem-estarismo como meta, logo os animais estarão sendo tão ‘bem-tratados’ que será inútil qualquer iniciativa para tentar livrá-los definitivamente da sina da exploração comercial humana”.

O que tal pensamento não considera – ou reluta em admitir – é que, embora todas as premissas e justificativas do abolicionismo integral sejam coerentes do ponto de vista ético, a sociedade humana simplesmente ainda não se mostra pronta para aplicá-las na prática.

O abolicionismo é, por assim dizer, uma corrente de pensamento de ultra-vanguarda, muito à frente do seu tempo, apesar de já existir há mais de um século. É, porém, um movimento necessário e se faz premente que haja associações de pessoas dispostas a levá-lo adiante. Mas essas pessoas não deveriam perder de vista a perspectiva de que somente mudanças gerais e profundas nos paradigmas de funcionamento da sociedade moderna é que levarão ao cabo os últimos (primeiros?) objetivos abolicionistas. E que essas mudanças ainda podem levar muito tempo, em vista do atual padrão de consumo global e da ideologia vigente.

Suas ações podem e deverão ser fundamentais na aceleração do processo de mudança desses paradigmas, mas será muito mais crucial a influência do fator que sempre pesou sobre a humanidade: a conveniência econômica. Assim como os regimes escravocratas deram lugar ao regime assalariado por motivos econômicos, a exploração de animais só terá fim quando se provar inviável economicamente. E isso, não graças a fatores muito animadores, deverá obrigatoriamente acontecer dentro de mais algumas décadas.

Por sinal, eis a brecha por onde entram em ação as principais armas das correntes abolicionistas mais “produtivas” hoje: as frentes de libertação animal que visam à deterioração da indústria exploratória, como a ALF, impondo dificuldades ao funcionamento do sistema e causando prejuízos tanto materiais como morais às empresas e instituições que se aproveitam de animais. Essas organizações, em geral clandestinas ou “extra-oficiais”, têm logrado, a seu modo, conquistas importantes para a causa abolicionista. Além da liberação efetiva de muitos animais, conquistam exposição na mídia para o conjunto de pensamentos em favor da defesa dos direitos dos animais, levando o debate ao alcance de uma opinião pública historicamente privada de tais informações.

No âmbito das iniciativas menos agressivas e mais políticas do ativismo abolicionista, alguns avanços se fazem possíveis, mas também são confrontados com fatores de ordem econômica. As chances de sucesso de ações jurídicas, manifestações populares, campanhas informativas e pressões políticas contra as atividades de um circo, por exemplo, são bem maiores do que contra um festival de rodeio. Isso porque ações abolicionistas diretas surtem tanto mais efeitos positivos, quanto menos interesses econômicos e políticos estiverem em jogo. Como, de resto, tudo o mais na sociedade moderna.

Essa lógica nos obriga a constatar que as indústrias alimentícia e de pesquisa científica, que envolvem lobbies particularmente poderosos e cifras virtualmente inimagináveis, estão praticamente fora do alcance do ativismo abolicionista. Na atual conjuntura global, quase nada pode ser feito no sentido de obtenção de moratórias de exploração animal por esses setores. Podemos dizer que o mesmo ocorre, em menor escala, com a indústria da moda, que é alvo freqüente de ações e manifestações e, ainda assim, absorve facilmente os prejuízos causados e mantém o negócio de couro e peles funcionando a todo vapor.

Bem, se admitirmos que a sociedade moderna de consumo não está (ainda) pronta para absorver integralmente os ideais abolicionistas e que, por mais que o ativismo se incremente e avance na direção de dificultar as coisas para as indústrias exploratórias, ainda levará décadas até que seja factível aplicar na prática esses mesmos ideais com eficiência, não faz nenhum sentido se opor tão radicalmente ao chamado bem-estarismo animal. Não, ao menos, do ponto de vista da geração de animais que está sofrendo agora: hoje, no mundo todo, são cruelmente abatidos mais de 2 mil animais por segundo! E todos mortos depois de terem vivido sob as condições mais miseráveis que se possa imaginar.

Inevitavelmente, essas décadas, que podem ser cinco, seis ou mais, transcorrerão paralelamente ao sofrimento de trilhões de animais, que não terão outra alternativa senão a melhoria de suas condições de vida e abate, até que a revolução abolicionista se torne viável. Eis um paradoxo desconcertante e ardilosamente difícil de equacionar: a oposição ferrenha ao bem-estarismo não tem nos orientado rumo ao abolicionismo e ainda leva à divisão, em facções, um contingente de ativistas que, unidos, teriam muito mais influência e poder de fogo para acelerar o processo rumo ao abolicionismo integral.

É curioso notar que ambas correntes ideológicas criticam-se amiúde e mutuamente, mesmo quando é evidente que suas causas favorecem os mesmos sujeitos (os animais explorados) e seus objetivos são perfeitamente compatíveis (diminuição do sofrimento, de um lado e, do outro, fim da exploração).

Não se trata de sugerir que abolicionistas abram mão da legitimidade de seus ideais, nem de pedir para aderirem ao bem-estarismo. Mas, antes, de convidá-los a encarar as duas modalidades de defesa dos direitos dos animais como estratégias complementares, cada uma a seu tempo, com seu ritmo e em seu contexto. Trata-se, por fim, de dar vazão à razão concomitante a paixão, equilibrando-as numa receita que lhes permita enxergar, no que chamam de bem-estarismo, a solução para uma demanda imediata de bilhões de animais que, no curto prazo, não serão libertados em nenhuma hipótese, mas que têm chance real da conquista de condições de vida menos desfavoráveis. E de focalizar os esforços estritamente abolicionistas nas ações que visem à futura e definitiva eliminação, a médio e longo prazo, dos monstruosos “estoques vivos” mantidos pela indústria exploratória.

Para terminar, uma proposta de exercício imaginativo em que não há respostas, apenas perguntas. 

Se houvesse tecnologia para entender o pensamento animal, e se com ela pudéssemos escutar o que diz um porco em sua baia minúscula, muito provavelmente ouviríamos “por favor, irmão, eu lhe imploro, trate de convencer os humanos de que não está certo o que fazem conosco”, numa súplica que nos indicaria claramente o caminho do abolicionismo.

Sendo honestos com o porco, teríamos que responder, “estamos fazendo todo o possível, mas os humanos não são fáceis de lidar, são séculos de hábitos arraigados para transcender. Continuaremos lutando pela abolição com todas nossas energias. Mas, por hora, o máximo que podemos fazer é aumentar o tamanho de seu cativeiro, melhorar suas condições de vida e amenizar os horrores da sua morte”.

Como será que ele reagiria? “Muito obrigado por seus esforços, todo alívio é bem-vindo! E tomara que consiga nos libertar no futuro”. Ou “muito obrigado, mas se não pode libertar a mim e aos meus, migalhas bem-estaristas jamais aceitaremos”.
 
Autor:  Jean Pierre Verdaguer

Fonte: SítioVeg 

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