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Queimadas podem deixar animais terrestres e aquáticos sem alimento no Pantanal

Foto: Gustavo Figueiroa

Os efeitos das queimadas sobre os animais do Pantanal vão além dos ferimentos e das mortes. Isso porque a devastação ambiental causada pelo fogo pode deixar as espécies terrestres e aquáticas sem alimento.

Essas graves consequências são avaliadas por pesquisadores que estão percorrendo áreas devastadas em um local conhecido popularmente como Baía Mal-Assombrada, às margens da rodovia BR-070, próximo a Cáceres, em Mato Grosso.

Os profissionais atuam através do Centro de Pesquisa em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal (Celbe/Unemat), que pertence à Universidade do Estado de Mato Grosso.

Os animais terrestres são os primeiros a sofrer com o fogo. Diretamente afetados pelas chamas, eles fogem, se ferem e morrem. Com as mortes, o ciclo de dispersão de sementes, executado por esses animais, é comprometido, o que interfere na recomposição florestal, tão necessária em um bioma degradado.

Os peixes sentem depois as consequências das queimadas, mas de maneira igualmente grave. Conforme explicou ao G1 o cientista Claumir César Muniz, os animais aquáticos sofrem com a perda de alimentos e com a redução da qualidade da água, que fica contaminada pelas cinzas, provocando um fenômeno denominado “decoada”. Com o aumento da matéria orgânica na água, há um consumo de oxigênio para quebrar essa matéria, o que gera uma diminuição drástica de oxigênio no local.

Esse fenômeno, segundo o cientista, ocorre naturalmente no Pantanal, mas se acentua com as queimadas. “Para a ictiofauna, as consequências negativas não são sentidas imediatamente, mas sim, com o início da cheia no Pantanal. O que está queimado próximo às baías e aos rios, quando for carreado pelas primeiras chuvas para dentro dos corpos d’água, vai provocar uma diminuição abrupta de oxigênio, otimizando esse processo de decoada e comprometendo a ictiofauna”, explicou.

Assim como espécies de animais terrestres, os aquáticos também contribuem com a manutenção da floresta, papel que é prejudicado por conta das queimadas.

“Há uma relação interessante entre peixe e planta. Os peixes engolem os frutos e levam as sementes rio acima ou lateralmente. Eles promovem a recuperação florestal, favorecendo a formação de ilhas de espécies frutíferas que, futuramente, vão oferecer alimentos para os próprios peixes. A gente observa aqui uma enormidade de espécies que estão completamente destruídas pelo fogo. Com isso, esse ciclo é perdido”, explicou Claumir.


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Pantanal: animais que sobrevivem ao fogo ficam sem alimento em habitat devastado

Onça é vista em área destruída pelo fogo nas proximidades de Poconé (Foto: Andre Penner/AP)

A destruição ambiental e as mortes causadas pelo fogo que está devastando o Pantanal não são os únicos problemas das queimadas, que também condenam os animais que sobrevivem a um habitat destruído. Assustados e famintos, eles buscam água e alimento e se deparam com a escassez.

Para tentar amenizar o sofrimento dos animais sobreviventes, equipes montam e abastecem pontos de alimentação e água. A médica veterinária Carla Sássi integra um desses grupos voluntários.

Através das redes sociais, a profissional descreveu o difícil trabalho de amparo às vidas que sofrem com as chamas que já consumiram mais de 2,3 milhões de hectares, área equivalente a quase 10 vezes o tamanho das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro juntas.

“Iniciamos mais uma semana de trabalho no Pantanal. Além de resgates, também estamos montando e abastecendo pontos de alimentação e água. Os animais que sobrevivem ao fogo não tem o que comer e beber”, afirmou a veterinária.

Segundo ela, a logística é bastante complicada por conta das longas distâncias a serem percorridas e pela ausência de internet na maior parte do tempo. “O trabalho começa cedo, mas não tem hora pra parar. São 145 km para serem cobertos. Estamos alinhados com o comando geral e SEMA. O que é possível nesse momento estamos fazendo, o impossível estamos articulando”, escreveu.

A profissional agradeceu ainda as doações que estão sendo feitas através Sociedade Mineira de Medicina Veterinária. Carla Sássi integra o Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD), que está realizando uma campanha de arrecadação de fundos em prol da fauna do Pantanal – clique aqui para contribuir com valores a partir de R$ 10.

Pantanal vive as maiores queimadas da história (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

A veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Plaza Nunes, afirmou à ANDA que “uma quantidade absurda de animais já morreu”. Segundo ela, quando não são vitimados pelo incêndio em si, muitos animais morrem por conta das consequências geradas pelo fogo.

“Os animais não têm o que comer e muito deles não morrem de imediato, mas ficam queimados, se desidratam e morrem. Então, além do incêndio em si, têm as consequências que o incêndio deixa: o calor da terra, a secura, a falta de alimento e de uma fonte de água, a baixíssima umidade do ar e a fumaça. Todas essas questões são pontos cruciais para os animais”, explicou.

Em relação à temperatura do solo, que aumenta por conta dos incêndios, e à péssima qualidade do ar, Vânia aponta a dificuldade dos animais para caminhar nesse ambiente hostil e relata a ocorrência de problemas respiratórios a curto e longo prazo. “Eles vão andando, tentando fugir para achar um local onde estejam protegidos e o solo se mantém muito quente, o ar seco, além disso há a fumaça, que vai causar problemas em todo o aparelho respiratório superior desses animais. A gente tem ainda o problema da fuligem, que pode causar outros problemas respiratórios. Só o tempo vai poder dizer para nós o impacto de tudo isso”, disse.

E embora o resgate seja uma notícia positiva para os animais encontrados feridos, há desafios para salvá-los. Vânia lembra que não existem pontos oficiais suficientes para receber esses animais. “Não tem política para estabelecimento de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para receber, triar os animais e encaminhá-los ou para cuidar dos animais, recuperá-los e depois devolver para a natureza os que tenham condições e encaminhar os que não têm para locais adequados”, criticou.

Médica veterinária Carla Sássi carrega animal resgatado das queimadas (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

Para a diretora técnica da entidade, a falta de um plano de contingenciamento diante dos incêndios torna a situação ainda mais caótica, em um nível muito pior do que o registrado nos anos anteriores. Ao rebater o argumento falacioso de que não há nada de diferente acontecendo no Pantanal, já que ele pega fogo todos os anos, Vânia lembrou que “os incêndios são recorrentes há décadas no Pantanal, mas não desse tamanho”.

“Porque o que a gente ouve é que todo ano pega fogo, mas não é como está sendo agora. É importante as pessoas entenderem que a gente está vivendo um momento muito crítico de mudanças ambientais. Aqui em São Paulo, a gente está no inverno e está um calor de mais de 30 graus todos os dias a mais de 15 dias. Então, o que está acontecendo é que, em primeiro lugar, as mudanças climáticas estão aí, e elas facilitaram a não ocorrência de chuvas em toda a região do Pantanal, que ocorrem durante um determinado período para que quando chegue a seca a condição não seja tão grave. Não choveu e iniciaram as queimadas. E o fogo foi colocado propositadamente por diferentes pessoas no Pantanal”, explicou.

A especialista criticou ainda a inércia dos governos. “Não existe serviço por parte do Estado, seja o governo federal ou o estadual. Não existe um plano de contingenciamento para essas situações de incêndio que tenha como foco as áreas vegetadas e os animais. É absurdo o pessoal do ICMBio dizer que  nenhuma atitude foi tomada por eles porque os parques não tinham sido incendiados. Os animais não se restringem ao limite que nós impomos em relação à divisão geográfica do que é um parque ou do que é uma fazenda ou seja lá o que for que eles usem de demarcação. Os animais transitam pelo território, cada um tem seu comportamento, suas necessidades comportamentais, sociais e reprodutivas e precisam de um espaço determinado”, disse.

Equipe de voluntários resgatam animais feridos no Pantanal (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

Na opinião de Vânia Plaza Nunes, há um descaso com o Pantanal, com exceção das propriedades que usam a região de maneira positiva através do turismo sustentável. “As propriedades estão sendo destruídas, mesmo assim muitos proprietários desses locais com características turísticas e pessoas que moram ali estão abrindo os espaços para receber voluntários para montar locais para resgatar e tratar os animais que precisam de tratamento”, reforçou.

A quantidade de agentes públicos envolvidos no combate às chamas é ínfima. Por outro lado, lembrou Vânia, há um grande número de voluntários que trabalham incansavelmente com os próprios recursos para tentar proteger a fauna e a flora do bioma. Os esforços feitos através do voluntariado, porém, não são suficientes para por fim às queimadas, que necessitam de uma ação mais incisiva do poder público, incluindo o governo federal.

Voluntários prestam socorro à onça vítima das queimadas no Pantanal (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

“O Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD) foi para o Pantanal assim como outros grupos que já que estavam lá. Outros estão se programando para chegar nos próximos dias, como a Associação Mata Ciliar, que está a caminho. Isso mostra que realmente a situação é muito crítica e as consequências vão ser muito graves para os animais”, disse Vânia.

Além do cenário desolador que já pode ser observado, há outro problema com o qual os animais resgatados terão que lidar futuramente: o retorno à natureza em meio a um habitat degradado. “Como está tudo destruído, quando os animais se recuperarem e chegar a fase de reintroduzi-los na natureza, eles não vão encontrar alimento. O tempo para a recomposição vegetal vai ser bastante grande e isso com certeza vai piorar muito as condições que a gente está observando nesse momento”, lamentou.

 

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Pandas podem passar fome por conta de escassez de bambu no Canadá

Er Shun, como é chamada a panda fêmea, pode passar fome (Foto: The Calgary Zoo / Divulgação)

Dois pandas gigantes explorados para entretenimento humano pelo Zoológico de Calgary, no Canadá, podem passar fome por conta da escassez de bambu fresco no país.

Os animais foram emprestados ao zoo pelo governo chinês como se fossem objetos a serviço dos seres humanos. Agora, por conta da pandemia, o zoológico não consegue enviá-los ao país de origem, onde há bambu em abundância.

Após o fechamento das fronteiras durante a crise do coronavírus, o zoo adquiriu bambu em fazendas na província de British Columbia, mas o estoque acabará em setembro. Os animais consome 40 kg do alimento por dia.

A fêmea Er Shun e o macho Da Mao consomem apenas bambu fresco. “Não se pode dar a eles nenhum tipo de bambu porque eles não comem”, disse uma porta-voz do zoológico à AFP.

“Nossas geladeiras devem ser abastecidas com bambu fresco a cada três dias para atender à dieta necessária”, acrescentou.

O casal chegou ao Canadá em 2014 e ficaria no país durante dez anos. No entanto, em maio, o zoológico anunciou que iria acelerar o retorno dos animais à China e disse haver “uma preocupação crescente com o bem-estar dos pandas gigantes”.

Como se não bastasse a vida em cativeiro, os pandas foram forçados a se reproduzir e trouxeram ao mundo dois filhotes. Enviados à China em janeiro, Jia Panpan e Jia Yueyue nasceram condenados a uma vida de aprisionamento, longe da natureza.


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Escassez de carne durante pandemia eleva consumo de produtos veganos

(Foto: Beyond Meat/Divulgação)

A escassez de carne nos mercados norte-americanos, causada crise gerada pela pandemia de coronavírus, abriu um espaço maior para as proteínas vegetais.

“Acho que é realmente uma oportunidade”, disse Jennifer Bartashus, analista da Bloomberg Intelligence. “As pessoas estarão mais dispostas a experimentar alternativas de plantas”, completou.

Com os setores de carne repletos de prateleiras vazias, consumidores estão dando uma chance aos produtos veganos, como as “carnes” vegetais produzidas pelas empresas Impossible Foods e Beyond Meat. As informações, da Bloomberg, foram divulgadas no portal UOL.

Com produtos sendo estocados por consumidores preocupados com a crise, 5,3 milhões de unidades de produtos veganos foram comprados nas oito semanas encerradas em 25 de abril. A quantidade é três vezes superior ao que foi vendido um ano antes, de acordo com dados da Nielsen.

“O aumento das vendas nos supermercados potencialmente atrai novos clientes para experimentar produtos à base de plantas, caso carnes e laticínios tradicionais estiverem temporariamente esgotados”, explicou Alex Frederick, analista de capital de risco da PitchBook.


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Animais lutam contra escassez após sobreviverem a queimadas na Austrália

Nos incêndios florestais, além dos animais que morrem queimados, muitos perdem a vida devido à fome e à falta de abrigo


Os animais que sobreviveram aos incêndios florestais na Austrália estão lutando contra a escassez. Para ajudá-los, o governo usou helicópteros e aviões para jogar vegetais nas áreas atingidas pelas queimadas e anunciou uma verba de 50 milhões de dólares australianos destinados a tentar garantir a sobrevivência desses animais.

Peter Parks/AFP

“É um bom começo para ajudar nos esforços de resposta aos animais que precisam e para restaurar o habitat que necessita de soluções a longo prazo. Entretanto, uma verba muito maior será necessária para recuperar as espécies ameaçadas. Precisamos de planos e tomar decisões que ajudem nossas florestas a cicatrizarem, as espécies ameaçadas a se recuperarem e as condições climáticas a estabilizarem”, disse o CEO da WWF Austrália, Dermot O’Gorman.

Apesar das chuvas terem combatido os incêndios, mais de 10 milhões de hectares foram destruídos e mais de um bilhão de animais morreram. As informações são da Folha de S. Paulo.

A natureza, segundo o professor de Ecologia da Universidade de Sydney Chris Dickman, deve levar pelo menos 100 anos para se recuperar.

“Não há dúvidas de que alguns ecossistemas não voltarão a ser o que eram antes dos fogos, especialmente onde houve extinção local de espécies, o que ainda está sendo analisado. Em certos casos, sim, a natureza pode se regenerar, mas isso pode levar cem anos ou mais”, afirmou.

De acordo com um relatório do Departamento de Meio Ambiente da Austrália, quase 50 espécies de plantas e animais tiveram 80% do habitat destruído e outras 65 terão que viver em um espaço com metade do tamanho do local onde viviam. De 272 plantas, 16 mamíferos, 14 sapos, 9 pássaros, 7 répteis, 4 insetos e 4 peixes, e 1 tipo de aranha, 31 estão em extinção, 110 estão ameaçados e as outros 186 estão em condições vulneráveis.

Peter Parks/AFP

Os coalas e cangurus foram gravemente afetados pelas queimadas. No Hospital de Coalas, em Port Macquarie, 75 coalas estão em tratamento intensivo.

“Tem sido um trabalho exaustivo e muito desafiador. É muito triste quando você trata um coala por semanas e depois o vê morrer. Por outro lado, é gratificante quando conseguimos cicatrizar as feridas e os vemos comendo e subindo em árvores”, disse a presidente da instituição, Sue Ashton.

Além dos cangurus e dos coalas, os incêndios afetaram também os vombates. Os que sobreviveram, escondidos em buracos embaixo da terra, em seguida se depararam com um habitat destruído e sem alimento.

“Nem todos animais que vivem em áreas queimadas vão morrer diretamente pelo fogo, muitos ainda morrerão de fome por falta de alimento e abrigo”, explicou Chris Dickman.


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Estudo aponta escassez de água no pantanal mato-grossense

Após a constatação de que a oferta de água no Pantanal do Mato Grosso diminuiu, um projeto de restauração ecológica foi criado


Um estudo feito pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em parceria com trabalhadores assentados da cidade de Cáceres, descobriu que o Pantanal mato-grossense está sofrendo uma escassez de água, especialmente na época da estiagem, o que afeta os animais, as plantas e também os seres humanos.

Pantanal – Foto: Marcos Vergueiro

Considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, o Pantanal de Mato Grosso se tornou foco de um projeto de restauração ecológica, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente, elaborado por pesquisadores da Unemat e integrantes da comunidade local e coordenado pela professora Solange Ikeda Castrillon, segundo informações do portal oficial do governo de Mato Grosso.

O projeto, denominado “Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego do Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense”, foi idealizado após a constatação da diminuição de chuva e da escassez de água na região.

Um dos objetivos principais do projeto é restaurar a vegetação dos entornos das nascentes, da mata ciliar e dos córregos. A ação é resultado da articulação de integrantes do Assentamento Laranjeira I.

A vivência de moradores locais levou à constatação de que a água do Pantanal está diminuindo e começando a faltar. O motivo são as atividades humanas, como o desmatamento de encostas e matas ciliares de córregos, lagos e rios, extinguindo a vegetação próxima às nascentes e olhos d’água e deixando-os expostos ao pisoteio de animais e ao assoreamento por erosão.

Além de ter sido observada pelos moradores, a escassez de água foi confirmada por pesquisadores. “A supressão da vegetação e a mudança de usos da terra desencadeiam uma série de alterações no meio físico, no ciclo hidrológico e no clima. Sem fazer estudos e pesquisas acadêmicas, alguns moradores, por experiência empírica, obtiveram os mesmos conhecimentos a que chegaram os cientistas e ecólogos. Sabiamente afirmou a moradora: a mata chama a chuva”, avalia a professora da Unemat Solange Ikeda, bióloga e doutora em Ecologia e Recursos Naturais.

Com o desmatamento do Cerrado e do Pantanal, as condições climática são alteradas, causando mudanças no regime de chuvas que regulam a umidade do ar e a temperatura.

“O desmatamento para a agricultura ou a implantação de pastagens para a pecuária retira um tipo de vegetação natural, expondo os solos aos impactos diretos das águas das chuvas e aos raios solares, incidindo na estrutura física (compactação) e química (nutrientes) do solo, assim como na microfauna (que são os decompositores) para introduzir cultivos diversos ou monoculturas”, explicou a pesquisadora.

A maior parte da área desmatada pela agricultura, no entanto, também está relacionada à pecuária, já que o desmate é feito para o plantio de grãos que, depois, irão alimentar os animais explorados para consumo humano.

Além do desmatamento, as áreas transformadas em pasto recebem animais como bois, porcos, ovelhas, cabritos, galinhas e patos, que pisoteiam o solo, impactando a superfície da terra, afetam a hidrografia por conta do uso excessivo de água ou pela poluição gerada por seus dejetos.

O estudo resultou no livro “Escassez hídrica e restauração ecológica do Pantanal: Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego no Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense”, organizado por Solange Ikeda Castrillon, Alessandra Aparecida Elizania Morini Lopes (mestre em Ecologia) e João Ivo Puhl (doutor em História da América), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), e pelo professor Fernando Ferreira de Morais (doutor em Biologia Vegetal), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

A obra, disponível no Laboratório de Educação e Restauração Ecológica/ Celbe da Unemat, foi financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal/Museu Goeld (INPP).


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Conheça oito razões para adotar o veganismo e combater a crise da água

Foto: Truth or Drought/Reprodução
Foto: Truth or Drought/Reprodução

Assegurar o fornecimento de água é um dos maiores desafios que o planeta enfrenta, por isso o Dia Mundial da Água é a oportunidade ideal para enfrentar uma das maiores causas de utilização da água – produção de carne, laticínios e ovos. Foi pensando nisso que a ONG Humane Society Internacional (HSI), desenvolveu uma lista de oito motivos que mostram a importância de uma alimentação a base de vegetais para reduzir os danos que a indústria de criação de animais causa ao planeta.

Com mais de 83 bilhões de animais criados e mortos para a indústria alimentícia mundial a cada ano, a agricultura animal em escala industrial afeta nosso meio ambiente de maneiras extremamente prejudiciais.

Não é apenas uma das principais causas da a mudança climática e do desmatamento, mas também é responsável pelo uso de grandes quantidades de água.

Pesquisas mostram que mudar para uma dieta mais rica em vegetais e legumes pode reduzir a pegada hídrica de um indivíduo ao meio, então ao reduzir ou substituir a carne, os laticínios e os ovos por alimentos à base de vegetais mais “água-amigáveis”, todos podemos ajudar a preservar a água do mundo todo.

Oito motivos para adotar uma alimentação baseada em vegetais em nome do Dia Mundial da Água:

1. A agropecuária (animais e plantas) é responsável por cerca de 70% da água utilizada no mundo hoje, até 92% da água doce, com quase um terço disso relacionado à pecuária e ao cultivo de plantações que alimentam esses animais.

2. A maior parte do volume total de água utilizada na pecuária (98%) refere-se à pegada hídrica dos alimentos para animais. Cerca de um terço dos grãos e 80% da soja do mundo são fornecidos aos animais que criados para alimentação.

3. A criação intensiva de animais pode causar uma grave poluição da água, como a eutrofização, uma quantidade excessiva de algas na água causada pelo escoamento de fezes de animais e restos de comida, muitas vezes levando à morte de peixes e outros animais aquáticos.

4. Em média, são necessários entre 15 mil e 20 mil litros de água para produzir um quilo de carne bovina, que requer cerca de 3 mil litros de água para produzir um hambúrguer de 200g – o equivalente a 30 x 5 minutos de chuva. (1 hambúrguer de carne de 200g = 30 banhos de chuveiro de 5 minutos).

5. 96% dos peixes consumidos na Europa provêm da criação de peixes de água doce, mas a grande quantidade de excremento de peixe e restos de comida desses animais ficam depositadas no leito das lagoas cria o ambiente perfeito para a produção dos gases metano que contribuem para efeito de estufa.

6. Uma dieta sem carne pode reduzir nossa pegada hídrica pela metade. Estudos mostram que uma dieta saudável sem carne reduz nossa pegada hídrica em até 55%.

7. A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente diz que os hambúrgueres à base de vegetais requerem entre 75% a 99% menos água; de 93% a 95% menos terra; e geram de 87% a 90% menos emissões de carbono que os hambúrgueres de carne bovina.

8. “Um estilo de vida vegano é provavelmente a maior maneira de reduzir seu impacto sobre o planeta Terra, não apenas em relação aos gases de efeito estufa, mas a acidificação global, a eutrofização, o uso da terra e o uso da água. Isso tem um impacto muito maior do que reduzir seus voos ou comprar um carro elétrico”, disse Joseph Poore, da Universidade de Oxford, que liderou a análise mais abrangente dos danos que a agropecuária faz ao planeta.

“Com bilhões de pessoas em todo o mundo lutando para lidar com a escassez severa de água, é obrigação de toda a humanidade procurar reduzir sua pegada hídrica. Uma das maneiras mais efetivas de economizar água é reduzir ou substituir a carne e os laticínios por produtos à base de vegetais”, disse Kitty Block, presidente da HSI, em um comunicado.

“A enorme quantidade de água usada pela agricultura animal para cultivar ração animal, hidratar bilhões de animais, desinfetar equipamentos de abate e processar produtos de origem animal estão contribuindo para a escassez de água em nosso planeta. Além do prejuízo ao bem-estar animal e dos benefícios para a saúde humana ao cortar a carne da alimentação, proteger os escassos recursos do planeta é uma razão mais do que convincente para mudar para uma dieta à base de vegetais pelo o Dia Mundial da Água”, disse Kitty.

Outros benefícios vêm da redução ou substituição de carne e laticínios em nossa dieta. Vários estudos indicam que uma dieta rica em vegetais e legumes traz benefícios consideráveis para a saúde.

A Organização Mundial da Saúde estima que a obesidade mundial triplicou desde 1975, com mais de 1,9 bilhões de adultos acima do peso e 381 milhões de crianças com sobrepeso ou obesidade.

Estudos mostram que pessoas que consomem menos produtos de origem animal têm taxas menores de obesidade, pressão alta, diabetes, artrite e câncer. Substituir a carne, o leite e os ovos produzidos pela agricultura industrial também beneficia animais de criação, bilhões dos quais passam a vida inteira em gaiolas ou caixotes, onde são incapazes de se exercitar, exibindo comportamentos não-naturais e muitas vezes não conseguem nem se virar por causa da falta de espaço.

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Animais sofrem com escassez de comida e falta de higiene no Canil Municipal de São Joaquim (SC)

Cães magros e com sarna recebendo um punhado de ração (Foto: Reprodução São Joaquim Online)

O Canil Municipal de São Joaquim, em Santa Catarina, está passando por uma terrível fase. Num terreno situado anexo à uma fábrica de tubos, os cães estão sofrendo com escassez de comida, água e falta de higiene, de acordo com fotos e relatos de protetoras de animais.

Os cachorros estão ficando magros demais e doentes. A maioria contraiu sarna. Não há limpeza no terreno, ou seja, a plantação e a sujeira estão tomando conta do local.

Situação precária de limpeza no canil (Foto: Reprodução São Joaquim Online)

Uma protetora, que foi ao local e procurou a imprensa para falar do caso, diz que ficou apavorada com o que viu. A situação está precária. As doenças se espalham rapidamente. O local não é adequado. O pouco de ração é jogado em um local entre as pedras, fazendo os animais sofrerem, chegando a ser considerado maus-tratos.

A Secretaria de Agricultura Municipal de São Joaquim, responsável pela manutenção e administração do canil, diz que não há o que fazer, e procura soluções para o caso: “Hoje o canil demanda um investimento de mais de 80 mil por ano do Poder Público (…) Infelizmente o local é uma prisão e não tem o mínimo de conforto ou adequação aos animais e também não há recursos suficientes para a criação de um novo e moderno canil (…) Por enquanto não há o que fazer e estamos abertos para receber sugestões quanto ao caso”.

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Destaques, Notícias

Parque africano planeja matar animais justificando falta de água‏

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Hipopótamo agoniza de sede no parque. Foto: Peggy Heard
Hipopótamo agoniza de sede no parque. Foto: Peggy Heard

O Parque Nacional Kruger, localizado na África, está considerando matar alguns animais “para reduzir números’.

Segundo reportagem do SABC, o parque argumenta que isso é necessário devido à contínua seca que levou à escassez de água para os animais do local.

Andrew Desmond, da organização South African National Parks (SANParks), disse que hipopótamos começaram a morrer em grande número, por causa da seca.

“O maior impacto que vemos agora, durante a grave seca atual, se dá com a nossa população de hipopótamos”,  disse ele.

Ele afirma que há cerca de 8.000 animais no parque, atualmente.

Os hipopótamos estão morrendo em grande número devido à falta de água. Foto: Reuters
Os hipopótamos estão morrendo em grande número devido à falta de água. Foto: Reuters

“Essa é uma das opções que estão sendo consideradas no momento. Nós teremos que desistir de alguns animais, poderemos matá-los e fornecer a sua carne para comunidades vizinhas do nosso parque”, acrescentou.

Nota da Redação: É inadmissível matar animais devido à escassez de água. Se falta esse recurso tão importante, é resultado de um longo processo causado por ações humanas, vulgarmente conhecido como aquecimento global. Se matar animais por qualquer motivo é errado, por conta disso, é um duplo erro, e erro irreparável – subtrair vidas de seres inocentes e cheios de vontade de viver.

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Ursos russos migram para as cidades em função da escassez de alimentos

Foto: Reprodução/Sol

Depois de um Verão abrasador, os ursos russos estão tão desesperados que começaram migrar para os cemitérios municipais. Isto porque a base da sua alimentação – cogumelos, bagas e sapos – desapareceu.

De acordo com os relatos de habitantes da república russa de Komi, dois homens aproximaram-se de uma campa e viram o que parecia ser um homem com um casaco de pelo inclinado sobre a campa de um familiar falecido. Até que, ao se aproximarem, perceberam que se tratava de um urso debruçado sobre um cadáver.

Perante esta triste cena, que ocorreu na aldeia de Vezhnya Tchova, perto do Circulo Ártico, os homens procuraram afugentar o urso para os bosques e descobriram um cenário que preferiam nunca ter visto.

Os habitantes desta zona asseguram que devido à escassez de alimentos os ursos se aproximam cada vez mais das suas cidades e aldeias, remexem os caixotes do lixo e assaltam os seus jardins.

De acordo com a edição online do The Guardian, acredita-se que os ursos estão “verdadeiramente esfomeados este ano” e que “muitos deles não irão sobreviver”.

Masha Vorontsova da World Wildlife Fund Rússia (WWF Rússia) disse que não é a primeira vez que se verifica este tipo de acontecimentos, pois tal já tinha ocorrido na república de Karelia.

Com informações do Sol

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Ursos vítimas da escassez de comida migram para ambientes urbanos, em busca de alimento

Moradores de Aspen, no Colorado, EUA, foram surpreendidos pela aparição de ursos famintos, foragidos de seus habitats devastados pela ação humana.

Nesta época, os ursos que vivem na região costumam ficar até 20 horas diárias comendo e, normalmente, fazem isto na selva, mas a escassez de alimentos os levou a migrar para as residências de Aspen, num impulso de sobrevivência. Segundo a versão online do jornal The Times, em agosto deste ano, cerca de 200 pessoas afirmaram ter avistado ursos na região, enquanto no mesmo período do ano passado foram registrados apenas 16 casos.

Esses animais, que são vítimas da destruição de seus ambientes naturais, estão sendo mortos pelas autoridades, depois de serem capturados. Eles são pegos por meio de armadilhas gigantes, para onde são atraídos com comida e, depois, mortos.

Com informações do Jornal do Brasil

Nota da Redação: O ser humano tirou desses animais as condições naturais para sua sobrevivência. Ao matar os ursos, as autoridades reforçam seu poder destrutivo. Se eles (os ursos) estão em busca de comida, obviamente a solução não é exterminá-los. Não faríamos isso com um ser humano faminto que nos pede um prato de comida, por que faríamos isso a um animal não humano? A atitude de matar é cruel, covarde, especista e injusta. As autoridades deveriam ter, ao menos, um pouco de respeito pela vida e alguma competência de saber proteger todos os lados envolvidos.

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Interdição do comércio de atum no Atlântico revela intenções exploratórias

Por Fernanda Franco  (da Redação)

A escassez das populações de atum-rabilho no Atlântico e de atum-vermelho levou a Comissão Europeia a apoiar a proibição da sua pesca.

Bruxelas partilha das preocupações do Mónaco, país que pediu a inclusão desta espécie na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES). Assim, a Comissão Europeia concorda que a UE pode, provisoriamente, apoiar esta proposta que será apreciada pelos Estados-membros a 21 de Setembro.

“Esta decisão representa um passo importante na proteção do atum-rabilho do Atlântico”, afirmou cinicamente um comissário europeu. “Os cientistas dizem que é necessário agir urgentemente para salvaguardar o futuro de uma das criaturas mais emblemáticas dos oceanos”.

“A ideia não é interditar definitivamente a pesca de atum-vermelho mas suspendê-la, por exemplo durante dois anos, para permitir a renovação da espécie”, sustentou a mesma fonte, acrescentando que “as compensações” aos pescadores seriam dadas durante o tempo em que não iriam ao mar.

A França, Alemanha, Reino Unido e Holanda já se manifestaram a favor da interdição do comércio de atum-vermelho.

Mas que a sociedade não se iluda: o que poderia ser uma boa notícia na verdade não possui uma motivação tão honesta. Os países não estão preocupados em preservar a vida dos peixes com essa medida: primeiro, porque é provisória. Segundo porque eles querem suspender a pesca apenas para que os peixes se reproduzam e que voltem a ser sinônimos de objetos consumíveis pelo paladar humano.

A ideia é poupar-lhes a vida agora para depois explorá-los mais. Porém, o que o planeta não cansa de nos lembrar é que, em vez de pensar cada vez mais em explorar os animais, deveríamos nos preocupar em preservar o meio ambiente e cuidar para que a fauna viva o seu caminho natural: a liberdade bem longe dos nossos pratos e jaulas e redes de pesca.

Com informações do Público

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