Ulissescão

Meu velhinho, meu filho, meu amor

Meu cachorrinho predileto está ficando bem velhinho.

Tive de tirar os pés da cama, pois estava alta demais para ele ir em seu lugar predileto: a cama de meus pés.

Na sala, foi mais fácil: coloquei almofadas para permitir sua subida nas poltronas.

Embora, volta e meia, ele lata e pede que o ajude a subir. Dá uma força aqui, pai!

A carinha dele continua de criança, mas cheia de pelos brancos.

Continuamos com o hábito de sermos vira-latas andarilhos. Só que agora meu personal dog vai devagarinho e de vez em quando tromba com um poste no caminho.

Algumas idiossincrasias se acentuaram: nunca foi sociável com outros cachorros, só com pessoas. Piorou.

Minha casa, que sempre foi de portas abertas para abrigar cachorros a espera de um lar, hoje vive trancada para peludinhos alheios. Deixo os sem teto peludinhos em casas de amigos cachorreiros.

Ele tem um ritual bem típico de idoso: no começo da noite, pede seus remédios. E dá-lhe colírio nos olhos para minorar a catarata, limpeza dos ouvidos, massagens na coluna com osteoporose. Adora, geme de satisfação.

Felizmente conto com minha namorada para fazer isso comigo. Namorada escolhida por ele, claro, porque não há mulher que agüente um escritor apaixonado por cães sem gostar de poesia e cachorros.

O fim se aproxima, é evidente, ele sabe, eu sei.

Quantos já se foram aos céus dos cachorrinhos? Perdi a conta, mas não as lembranças. Cada um é um pedacinho de mim, com seu nome, aventuras, malandragens e cheiros.

Daí a gente, eu e ele, fingimos que cada dia é um novo dia.

E abanamos os rabinhos de satisfação.

Ele me ensina, eu aprendo os truques de viver.

Ulisses Tavares cuida, direta ou indiretamente, de centenas de cães abandonados em abrigos. Mas tem um Ferinha Mel especial ainda a seu lado. Coisas de poeta.

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Saiba o que fazer nos primeiros dias do filhote em novo lar

Foto: s/c

Filhotes são fofos e quase sempre se tem vontade de levar um para casa quando se vê. No entanto, eles podem dar muito trabalho, mais até do que cães já adultos.

Por serem muito novos e estarem chegando a um lugar completamente novo, os cachorrinhos precisam de atenção e cuidado especiais.

Para saber como lidar com a situação e a melhor forma de tratá-los nos primeiros dias, “Larousse do Cão e do Cãozinho” oferece o que há de essencial e ainda mais.

A obra se ocupa com as principais etapas da criação. Primeiro a escolha. Ao todo, mais de 250 raças são apresentadas, com imagens e fichas, as quais oferecem informações como tamanho, peso, aspecto geral, variedades, origem e comportamento.

Se você está prestes a receber um cãozinho em casa, veja quais as medidas essenciais a serem tomadas:

Chegando em casa

A chegada de um filhote a uma nova casa constitui para ele uma aventura e uma fonte de estresse; por isso é importante preparar condições que reduzirão esse estado de ansiedade. Ao mesmo tempo, um adestramento adequado deve impedir que a coabitação se transforme em transtornos e torne-se fonte de arrependimento. Cabe ao tutor definir o adestramento e colocá-lo em prática o mais rápido possível, e eventualmente dar início a ele já nos primeiros dias, ao menos no que diz respeito a alguns pontos. É preciso ressaltar que esses ensinamentos independem da raça, do tamanho e do sexo do animal.

Escolhendo um lugar para dormir

Dentro de casa, o lugar de pernoite será de preferência um lugar calmo, suficientemente grande, claro e ventilado. É melhor evitar colocá-lo em um corredor ou perto de uma porta, na frente ou debaixo de uma escada ou ainda dentro de um quarto, mesmo em um quarto de criança. Em nenhuma hipótese atribua ao filhote um lugar que permita que ele venha a controlar um ponto de passagem quando for adulto.

Os primeiros dias…

Na prática, é preciso deixar o filhote explorar seu novo ambiente durante os primeiros dias após sua chegada. Assim ele poderá travar conhecimento visual com as pessoas e com os lugares, se familiarizar com os cheiros e escolher os lugares aonde prefere ir.

É importante que as primeiras relações com o cão sejam positivas e agradáveis para ele. Elas vão ser feitas por meio de comida, das brincadeiras, das palavras, dos contatos físicos e visuais. Logo na chegada, por razões explicadas mais adiante nesta obra, o dono deverá definir o lugar onde o cão vai se alimentar e dormir e proibir – com serenidade, mas com firmeza – o acesso aos pontos altos como camas, sofás, poltronas etc. Se for permitido que ele se instale em uma poltrona ou em cima da cama “porque é pequeno”, será impossível ou muito difícil desalojá-lo da li quando ele se tornar adulto.

…e as primeiras noites

Depois que o filhote chegou a sua casa ou apartamento e você designou a ele o lugar de pernoite e o alimentou, as primeiras dificuldades vão aparecer, em particular durante a noite. Na verdade, o filhote está vivendo uma situação que é traumatizante para ele; Deixou a mãe, os irmãos de ninhada, os antigos tutores e lugares familiares… Que estresse! Isolado em determinado lugar, o filhote vai ficar agitado, dormir mal, gemer.

O que fazer para amenizar os efeitos dessa mudança de cenário? Nesse caso, pode-se colocá-lo mais próximo do seu dormitório, por exemplo, mas essa situação não pode perdurar, e será preciso muito rapidamente fazê-lo dormir no lugar que lhe foi destinado… o que não será fácil! Por isso é melhor deixá-lo em seu canto. Aos poucos ele vai tomar posse do lugar e o problema desaparecerá, ao longo de duas a cinco noites.

Fonte: Folha

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Notícias

Seu cachorro come lixo? Saiba como evitar

Vocês já pararam para pensar porque os cães “vira-lata” ganharam essa alcunha antes de ela se tornar sinônimo de “sem raça definida”? Pois é, até hoje caninos sem teto “se viram” invadindo e virando latas de lixo para comerem o que nelas encontrarem de comestível.

Essa conduta se justifica pelo instinto de sobrevivência nas ruas. Mas o que dizer dos cães que, mesmo morando em casas quentinhas e bonitinhas, resolvem meter a cara no lixo e devorar o que puderem? É claro que a prática de reciclagem não precisa chegar a tanto; vamos ver as causas e um guia geral para soluções.

Achado não é roubado

Temos aqui mais uma prova de que a inteligência dos caninos equivale à de crianças humanas de uns dois anos e meio. Nem um nem outro tem noção de propriedade e sim de posse; o que encontrarem e gostarem ou sentirem que é bom vão pegando mesmo. No caso dos cães, tal atitude, resultado do instinto de sobrevivência, é herança de quando viviam longe dos seres humanos e sobreviviam caçando aqui e catando ali.

Simples assim: o cão, em princípio, vai comendo o que encontra, seja no lixo, no chão, no quintal, na mesa ou na pia. E o problema de o cão – ou qualquer outro animal doméstico – meter a cara no lixo não é só a sujeira, mas também os riscos de engolir ossos, pedacinhos de plástico ou outras tantas coisinhas miúdas que ele for roendo e comendo com risco de se arrasar aos poucos, podendo sofrer sufocamento ou perfuração lá dentro. O cão só vai saber onde deve ou não deve meter o focinho se alguém lhe mostrar; não percam o próximo parágrafo.

Cada coisa em seu lugar

Socializar o cão é sempre a melhor prevenção e solução, e um dos primeiros itens é justamente mostrar a ele onde pode comer, dormir, fazer os números um e dois ou simplesmente nada, deitar-se e ficar jacarezando.

A primeira coisa é acostumar o peludo a comer sempre no mesmo lugar (ou lugares, se a casa for muito grande) e evitar alimentá-lo fora dele – sim, aposto que você já se lembrou de quando está à mesa fazendo alguma refeição e ele aparece com aquele olhar de quem não come há meses. Se o tutor ou tutora  (não, não estou falando de você) for do tipo que vive se esquecendo de repor a comida do cão por muito tempo, o cão vai ter de sobreviver fuçando onde puder – exatamente como o “bicho que, meu Deus, era um homem” do poema de Manuel Bandeira.

Não só lixo, mas qualquer coisa pode ter valor alimentício ou recreativo para o cão; enquanto ele não aprende a não mastigar “petiscos” indevidos como o jornal do dia, correspondência ou meias, evite deixá-los à solta por aí.

Se o peludo fizer menção de invadir o lixo, o comando de “não” (que pode ser acompanhado de uma pancada no chão ou outro ruído forte) costuma resolver, repetido várias vezes até ele perceber que mexer no lixo implica ouvir esse som desagradável, além de elogiá-lo efusivamente quando ele obedecer.

Agora, se o cão for daqueles mais teimosos e continuar invadindo o lixo, especialmente se o tutor não tiver tempo para ensinar o cão o dia todo – e não é uma gracinha como os peludos aprendem logo a apertar o pedal para levantar a tampa? – , o jeito será fechar a lata de lixo bem fechada ou bloquear o acesso a ela com um cercado, colocando-a mais alto ou algo assim; borrifá-la com pimenta pode ajudar – assim como outros procedimentos para afastar o cão de jardins, plantas e flores, conforme já dissemos neste espaço.

Mesmo quem não assistiu ao filme “Lixo Extraordinário” deve saber que “99 não é 100”, ou seja, o tutor deve fazer todo o esforço possível para criar seu peludo da melhor forma. E nem é tão extraordinário conseguir que o cão, seja ou não “vira-lata”, fique longe do lixo ou de onde não deve bulir, bastam atenção e dedicação.

Fonte: Correio do Estado

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