De olho no planeta

Europa eleva para 32% a meta de energia renovável para 2030

A Europa está aumentando sua meta para o consumo de energia proveniente de fontes renováveis, em uma decisão tomada após uma dura negociação em nome da energia limpa. Os ministros da área energética do bloco concordaram em aumentar a meta de 27% para 32%, ainda que esse percentual esteja abaixo das aspirações mais ambiciosas de alguns países e grupos ambientais.

Reprodução | The Guardian

As negociações no Conselho da União Europeia levaram 18 meses, e foram bem recebidas pelos setores da indústria renovável e de infraestrutura, que consideram a proposta “bem equilibrada”. A Inglaterra buscava uma meta inferior, de 30%, enquanto a França defendia os 32% e países como a Espanha e a Itália pediam 35%.

“Esta nova ambição nos ajudará a cumprir as metas Acordo de Paris e se traduzirá em mais empregos, contas de energia mais baixas para os consumidores e menores necessidades de importação de energia”, afirmou ao jornal inglês The Guardian o comissário da União Europeia para o clima, Miguel Arias Cañete, acrescentando que a definição da meta também traz clareza para os investidores. O acordo inclui uma possibilidade de revisão em 2023, ou caso a meta seja atingida antes do prazo.

Cerca de 17% do consumo de energia europeu em 2016 originou-se em fontes renováveis, enquanto na Inglaterra o índice é de apenas 9% – o cumprimento da meta depois que este país deixar a União Europeia, aliás, ainda dependerá do acordo de saída a ser fechado por Londres e Bruxelas.

Os defensores da energia limpa argumentam que a meta estabelecida para 2030 é pouco ambiciosa, porque os estados membros já trabalham com a expectativa de excedê-la. Os grupos ambientais disseram que o aumento não foi suficiente e criticaram a decisão de contabilizar a biomassa como energia renovável.

“Os responsáveis pela decisão concordaram com uma meta que é insignificante e inadequada se quisermos um futuro livre de combustíveis fósseis e seguro para o clima, além de terem mostrado incapacidade de avaliar um cenário energético em constante mudança, com o custo das fontes renováveis em queda constante”, disse ao Guardian a responsável pela campanha de energia renovável da ONG Amigos da Terra Europa, Molly Walsh.

A organização, entretanto, considerou positivo o reconhecimento do direito dos consumidores a produzir e vender sua própria energia renovável, como aquela produzida por painéis solares nos telhados. O acordo agora precisa da aprovação formal do parlamento europeu, o que deve acontecer nos próximos meses.

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Investimento global em energia renovável totaliza US$ 333,5 bilhões em 2017

 

Foto: Union of Concerned Scientists

Esse é um crescimento de 3% em comparação a 2016 e de 7% frente ao recorde de US$ 360 bilhões em 2015.

No total, 2017 representou um recorde de 160 gigawatts comissionados de capacidade de geração de energia limpa (excluindo grandes hidroelétricas) em todo o mundo, informou a BNEF.

A energia solar forneceu 98 gigawatts, a eólica forneceu 56 gigawatts e a biomassa e o desperdício de energia foram de 3 gigawatts, a pequena hidroelétrica foi de 2,7 gigawatts, a geotérmica foi de 700 megawatts e a energia marinha transportada por ondas oceânicas, marés, salinidade) foi menor do que 10 megawatts, revela o Ecowatch.

A energia solar dominou a metade dos investimentos totais em energia limpa de 2017, com US$ 160,8 bilhões, principalmente graças ao “apetite insaciável” da China por projetos solares, apontou a Bloomberg.

A China investiu US$ 133 bilhões em todas as tecnologias de energia limpa, sendo que US$ 86,5 bilhões foram investidos na energia solar. O país instalou 53 gigawatts de capacidade solar em 2017.

Mas a China não é o único país que tem aumentado os investimentos em energia limpa. Os EUA investiram US$ 57 bilhões – o segundo maior patrocinador mundial de energias renováveis, apesar dos esforços do presidente Trump de incentivar combustíveis fósseis e reduzir os regulamentos do carvão. Grandes financiamentos de projetos de energia eólica geraram um aumento de 150% nos investimentos da Austrália, que foram de US$ 9 bilhões, e o México teve um acréscimo de 516% nos investimentos que totalizaram US$ 6,2 bilhões.

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